quarta-feira, 26 de novembro de 2008

uma tal de calça samuel


- Mãe, já que a gente tá aqui no shopping, podemos comprar uma calça? - falou um dos meus filhos.
Há tempos que não gasto dinheiro com roupa pra eles. Na verdade, acho que as pessoas do mundo hoje tem roupas demais. Um dia achei que eu tinha roupa demais, que o Zé tinha roupa demais, que os meus filhos tinham roupas demais. Todos tínhamos roupas demais e depois ficávamos reclamando que faltava armário aqui em casa. Então há uns anos eu... eu... bem, eu meio que parei de comprar roupa.
- Gente, vamos pensar. Quando as que vocês tem estragarem, a gente compra mais. Vamos somente substituir - eu declarei - A calça rasgou, jogamos fora. O sapato está sem sola e o sapateiro disse que não dá mais pra arrumar? Ai compramos outro. A blusa virou um trapo? Só nesses casos. Não é uma questão de pão-durismo, isso é ser razoável e inteligente. Não adianta nada separar lixo, reciclar tudo e acumular camiseta. Não tem lógica isso. É que, pensem, roupa não apodrece, não embolora em uma semana assim como comida. Se roupa fosse como carne moída, que não dura muito, ninguém tinha tanta. A gente tem roupa que não usa quase nunca. Um exagero.
Acertei os detalhes com todos eles. A Luciana, que é menina, tinha que ter um pouco mais de roupas e acessórios, afinal, é menina. O João, que treina basquete, tinha que ter as roupas normais e os uniformes, tudo em boa quantidade. O Chico, que tá na faculdade de direito, tinha que ter ao menos uma roupa formal para as ocasiões importantes. E o número básico de roupas de cada um tinha que estar de acordo com o processo de lavagem/ secagem e passagem da Maria.
- Então, mãe, e a minha calça? - insistiu um dos meninos - As minhas calças já estão todas meio furadas e rasgadas. Posso comprar outra?
Entramos na loja do vendedor que sempre me cumprimenta com beijo-beijo. Oi, beijo-beijo-lúcia, oi, beijo-beijo-vendedor. Experimenta aqui, experimenta ali, quando meu filho vira pra o vendedor, com a maior cara de pau, e lasca essa:
- Ô moço. Você tem calça Samuel?
Meus filhos são assim. Eles fazem uma gracinha entre eles, riem, riem, e depois tentam com os outros. Os outros não entenderem é a melhor parte. Eles adoram trocar o nome das coisas, sutilmente, e fingir que não sabem o nome certo. Como se fossem uns caipiras-desavisados. Mas eles sabem muuuito bem. E agora existe um modelo de calça que se chama calça Saruel. É um modelo que tem um cavalo lááá em baixo. Parece um saco, mas dizem que é super confortável.
- Calça o quê? - perguntou sem graça o vendedor que beija-beija.
- Calça Samuel, moço.
- Samuel? - disse o moço, confuso.
O outro filho interveio.
- É. Calça Daniel, moço.
- Daniel?
Eu entendi a piadinha na hora, mas resolvi ver até onde aquilo ia.
- Calça Rafael, não tem calça Rafael aqui? Ou é calça Manuel que chama, moço? Sério que não tem? Aquelas, que tá na moda agora?
- Chama Samuel mesmo - insistiu o outro filho - Cal- ça - sa - mu - el, ô moço.
O vendedor deu um risada sem graça. Coitado. O menino pegou uma calça do cabideiro.
- Ah, tem sim. Olhaqui uma calça Samuel!
- Ah! Isso é uma calça Saruel! - o beijoqueiro explicou, aliviado.
- Isso - o meu filho disse, era essa que eu estava pedindo mesmo, uma calça Samuel. Vou experimentar.
- É Saruel que fala... errr... Sa-ru-el, Saruel! - tentou o vendedor, atrapalhado, achando que não tinha boa dicção.
Depois de um tempo, o Zé, que estava em outro lugar, entrou na loja pra encontrar com a gente.
- E ai, já compraram a calça? Tudo resolvido?
- Pai, vou comprar uma calça Samuel - o menino disse, rindo.
- Ual, filho. Que chique! Uma legítima Samuel? Hummm, que moderno...
É. O Zé adora essas piadas também. O vendedor me olhou e coçou a cabeça.
- É... é uma brincadeira de vocês, né? Uma pegadinha, né?
- Mais ou menos... - confessei - bem, e quanto custa essa... legítima Samuel?
- Perai que vou ver... a Samuel custa... custa...
Hahaha. Demorou, mas o cara entrou na piada. E duvido que ele esqueça do novo nome da calça.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

"assenhõas sagevô cin hocus"


Lá vou eu implicar com a ponte aérea de novo. Além dos absurdos dos lanches mequetrefes (happy-hour-tam?), eu juro, não tou velha nem surda mas o sistema de som do aeroporto do Rio é totalmente incompreensível. Colocassem uma senhora gritando que a coisa seria mais eficiente. Tem senhora que grita super bem, que tem voz super nítida. Pois ontem, na volta, não tinha portão de embarque. Tinha chovido pra caramba e os vôos mudaram todos. O saguão de espera da ponte é dentro de um tubo de vidro com teto de vidro, e o moço do chequim mandou aguardar a chamada do portão lá em cima. As televisões cheias de anúncio de celular e mais nada. "Assenhõas sagevôcin oitod atinov ortão zur".
- Hã? Que ela falou? - perguntou a moça do meu lado.
- E eu sei lá?
- Não ouvi - disse um senhor japonês - vocês entenderam?
- Não.
E todo mundo corria pra um portão onde aparecia qualquer pessoa de uniforme. Putis ginástica coletiva. Ficamos nessa lenga por horas. "Pagel desportogol umqualoito enta ã o borq". Que língua era aquela? Português eu falo, eu juro. Surda (ainda) não estou. Imagina um alemão ali. Será que ninguém repara que não dá pra entender nada? Consegui voltar só as sete. Na dúvida se aquele avião vinha pra São Paulo mesmo.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

no cemitério com a minha mãe - II


- Vamos embora desse cemitério, mãe?
- Vamos, pelo amor de Deus, Lúcia. Nossa. Mas antes olha aquele túmulo lá, Lúcia minha fiiilha... É muito pior que o da mulher morta com o marido pelado puxando... Olha que terrenão. Parece a mansão no Morumbi aqui do cemitério.
- Se fosse uma mansão no Morumbi tinha muro, cerca elétrica e câmera de monitoramento, mãe.
Ela ficou um tempo analisando, pensando.
- Olha filha. Túmulo deveria ter ao menos alarme, olha a quantidade de porta de cobre de túmulo que roubaram daqui. Viu como roubam as portas? Viu? Roubam pra vender, ah, esse Serra, viu? Escreve para ele, filha. Escreve, manda email, você é boa nisso. Ele devia colocar alarme aqui nos túmulos.
- Alarme?
- Sei lá. Acho que alarme não adianta nada, aqui só tem morto... Talvez arame farpado...
- Mãe, o alarme ia chamar a central de monitoramento, a empresa de segurança, onde espero que todos estejam vivos.
- Esse túmulo é bem mais exagerado do que o do homem de bunda grande. Olha que horror. É dum homem que morreu e olha, foi a esposa fez esse túmulo exagerado pra ele! Ai como mulher é boba. Ai não me conformo. O marido morre e ela gasta essa fortuna com o morto, devia era pensar no futuro dela, que burra, meu Deus...
Fui ler a lápide. Era pra um tal de Gianini, Giovanni, sei lá, Guiseppe? "Guiseppe meu...", falava a inscrição. E embaixo tinha assinado o nome de uma mulher.
- Olha, desta vez é ela que chora e se arrasta, mãe.
- É. Hahaha. Ela quis imitar o outro. Quis mostrar que amava mais. Bah. Duvido que o Guiseppe fosse lindo assim como essa estátua, com esse corpão, com esses cabelões. Nossa. E quem são esses outros pelados que arrastam o Guiseppe morto?
- Devem ser os anjos da morte, mãe.
- Que anjo da morte o quê... Ai que mulher burra. Isso deve ter custado uma fortuna, eu me pergunto pra quê, gente, pra quê isso? Quanto tempo depois que ela morreu, filha?
- Deixa eu ver, mãe. Quase vinte anos depois, mãe.
- Vinte anos depois e pobre, tenho certeza. Gastar dinheiro com morto. Que idéia. Devia era guardar o dinheiro pra casar de novo. Guiseppe. Bah.

domingo, 23 de novembro de 2008

no cemitério com a minha mãe


Fui novamente no cemitério com minha mãe para deixar umas florzinhas no túmulo do meu pai, pois na sexta feira foi aniversário dele. Como sempre, nos perdemos no caminho. Sempre nos perdemos no caminho do túmulo dele, pois depois de uma reforma no cemitério o túmulo dele mudou de lugar. Mas chegamos, e, depois da minha mãe e eu rezarmos um pouco e depois dela reclamar mais uma vez da tal mulher que foi enterrada lá sem ela saber, resolvemos voltar. Missão cumprida, eu e ela em paz, no meio dos túmulos, as duas reclamando do estado catastrófico que está o cemitério São Paulo: cheio de arrombamentos, calçadinhas velhas e esburacadas, bueiros que nem existem, uma falta total de manutenção que me fará, sem dúvida, escrever para algum jornal para reclamar quando ela estaca de repente.
- Filha.
- Oi.
- Ai filha, tem umas coisas que não me conformo.
- O que, mãe?
- Olha aquela estátua naquele túmulo. Olha que coisa mais absurda, um homem enorme, pelado, quase derrubando a mulher morta da cama de tanto puxar.
Era verdade. De onde estávamos só víamos a bundona do homem, que, como a estátua estava velha, estava toda descascada. Uma coisa bem... tosca de se olhar.
- Credo, Lúcia. Num cemitério as pessoas deviam ter respeito pelos visitantes.
- Mãe, é uma estátua, uma obra de arte.
- Há. Tá. Tudo tem limite. Tudo tem que ter limite, filha.
- Limite?
- Ora. Quer amar a mulher? Ama. Ficou triste que ela morreu? Fica triste, ora bolas. Quer colocar uma estátua da mulher que você ama morta em cima do túmulo? É esquisito, mas coloca. Mas pra que "se" colocar em cima dela desse modo, e ainda por cima com esse bumbum de fora? Que homem é esse meu santo Deus?
- Quem disse que esse homem é o marido da morta, mãe?
- Ah, Lúcia, e um homem em sã consciência vai colocar outro homem e ainda por cima em cima da mulher que morreu, em cima do túmulo da mulher que morreu? Ah, vá.
- Mãe, mas vai ver que a história não é essa... Aliás, já devem ter morrido, os dois, mãe. O túmulo é antiquíssimo.
- Filha, a história é a que a gente vê. Um homem pelado em cima de uma morta. Ai que horror. Tudo tem limite, tudo tem limite, ô gente mais louca essa.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

o chaveiro do porquinho

Outro dia numa padaria com a Bê eu comprei um chaveiro de porquinho. Como não tinha chaveiro na chave avulsa do escritório, mostrei o chaveirinho para a M. e passamos a usar o porquinho como chaveiro. Bom, nesse dia a M. não estava e eu desci pra tomar um café. Peguei o celular, o cigarro, o chaveiro de porquinho e lá fui eu. O porteiro me deu uma correspondência, e como era muita coisa pra carregar, resolvi colocar o porquinho no bolso. Mas o porquinho é de missanga e amassa, então noitei que era possível colocar o chaveiro do porquinho no passa-cinto da minha calça, pois ele tinha um tipo de clipezinho. Notei que ele ficaria seguro ali e que eu não ia perder a chave. Tomei meu café, subi. Já na frente da nossa sala de novo, fui tirar o chaveiro do passa-cinto pra abrir a porta. Nossa. Entalou total o chaveiro na minha calça. O clipezinho era mínimo, o passa-cinto grossão e além do passa-cinto, o clipezinho tinha a chave. Coloquei o celular e o resto das coisas no chão e passei a lutar com aquilo, pra desprender, entendem? Nada. Impossível. Resolvi, então, abrir a porta com eu grudada na chave, como se eu fosse toda um chaveiro. Mas a tal chave, para trancar e destrancar, tem que dar duas voltas, não uma, e depois da primeira eu já estava super grudada na maçaneta. Coisa mais ridícula, pose mais sem nexo, pensei, lembrando que além disso a porta da minha sala fica numa quina. Dei a primeira volta, respirei fundo, mas para dar a segunda eu tive que, sério, me esmagar completamente na porta, na quina, na fechadura, a barriga esmagada na maçaneta e bufando. Nisso, claro, óóóbvio, uma outra porta se abre e sai um dos meus vizinhos, gente, porque é que quando você paga-mico sempre aparece alguém pra te envergonhar mais ainda? Como eu ia explicar aquilo? A vizinha do cara toda apertada na porta, de costas, gemendo e fazendo estranhos movimentos na ponta dos pés? "Oi-tudo-bom? Tou-meio-confusa-aqui-mas-tou-só-tentando-abrir-a-porta, hahaha...". Ele me olhou estanho quando a porta... clunc. Abriu afinal e eu fui jogada pra dentro junto com ela, quase caindo no chão e pendurada pela chave. Dei tchau sem graça pra o cara, hahaha, consegui, hahaha, tirei a chave da fechadura, fechei a porta. Que vergonha. Bom, a chave ainda estava grudada no chaveiro, no passa-cinto e em mim, e só consegui tirar depois que entrei, fui ao banheiro e tirei a calça. Micos em geral. Mas aprendi. Nunca mais coloco o chaveiro porquinho no passa-cinto. E dãr pra esse post, hahaha.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

não, de novo não


Santo Deus, vai começar outro fim de ano-fim de mundo. Já falei aqui que detesto fins de ano, porque pra mim parece que o mundo vai acabar, mas no final não acaba nada. Mas uma coisa está ficando legal: a cada ano que passa, eu consigo me desvencilhar um pouco dos malditos presentes. Eu simplesmente não entendo porque a gente tem que dar presente no final do ano. Eu não tenho nenhum dinheiro a mais no final do ano porque não sou funcionária. E no final do ano eu tenho que pagar o 13* da Maria e pagar um monte de matrícula adiantada. O que me deixa incrívelmente pobre. E lá vem a pressão dos presentes. Tento, o tempo todo, reduzir os presentes, mas é um inferno. O carteiro, o lixeiro, o entregador de jornal. A família toda, os amigos, os vizinhos. Não é que eu não goste de dar. O problema é que não dá pra dar. E o problema mesmo é que eu não sei pra que é que eu tenho que dar presente. Não é aniversário de ninguém, ora. Todos os anos eu penso em fugir no dia 20 de dezembro e voltar no dia 5 de janeiro. Gente que viaja é sempre desculpada de não dar presente. Se você está no exterior, então, nem se fala: além de não precisar dar presente, ainda falam de você com um orgulho danado. Mas como eu já tive que pagar o 13* e as matrículas, não sobra dinheiro pra viajar. Todo ano isso. Esse ano eu tive uma idéia: "a gente finge que vai viajar e não vai", sugeri à família. "Mas como mãe?" "A gente não atende o telefone e sai de casa escondido, sem ninguém ver". Ninguém topou. Então eu resolvi. Não vou comprar nada e apenas me fingir de boba. Talvez dê certo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

3 x 4


Coisas que eu não sabia ainda: celular serve para guardar foto dos filhos: antes as pessoas andavam com retratinhos 3 x4 na carteira, agora é pra levar no celular. Tratei de atualizar isso ontem, clicando os meninos e salvando as fotos no gerenciador de arquivos do telefone, ainda que tardiamente. Ainda não entendi, sinceramente, como resolver esse problema das fotos na minha vida moderna. Sempre tive álbuns de tudo: da minha infância, da adolescência, dos filhos, das festas de família, das viagens. Há sete anos que não imprimo uma foto, está tudo no computador. Não é nada palpável, e agora, com a quantidade de arquivos, acredito ser completamente impossível imprimir e selecionar em albuns. E olhar no computador é muito sem graça. Sinto que comi bola esses anos todos. Ô pena. Too late.

sábado, 15 de novembro de 2008

olha o que é um funcho

Sobre o post anterior, que falava dos funchos do blogueiro Flávio Prada. Lá vou eu, pensei hoje. Google, "funcho", procurar, estou com sorte (adoro usar esse negócio que não entendo muito bem a que veio e que tem no google). Caio num site chamado "as das rainhas do lar" e acho o funcho. Ó ai o funcho do Prada. Isso não é erva doce?. Parecido pra burro. Mas ele disse que comeu isso com uns bifinhos. Como alguém pode comer erva doce com bifinho, santo Deus? Não combina. E será que ele comeu a parte de cima ou a de baixo dessa planta? Será que a planta veio inteira no prato? Será que foi crua ou cozida? Será que o bifinho estava por cima, do lado ou baixo? Separado ou junto? É, concordo com ele. Muito difícil de explicar essa comida das montanhas da Itália. Melhor entender de outro modo, e assim eu tive uma idéia: quando o Flávio Prada vier de novo pra o Brasil, eu vou ali no meu Pão de Açúcar, vou comprar um maço de funcho e uns bifinhos. E vou chamar o Prada aqui em casa e dizer pra ele: Prada, faz. Pronto.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

os finocchio do prada

O Flávio Prada é um blogueiro amigo que mora nas montanhas da Itália. Ano passado ele veio ao Brasil e participou de diversos encontros. O um, o dois, o três. Todos sensacionais, vale a pena conferir. E de repente, agora a pouco, ele aparece no meu Gmail. Agora o Gmail tem esse quadradinho emesseêneco, onde você fala on-line com os Gmeios. A gente começou a maior conversa. O Flávio perguntou o que eu ia jantar, eu disse pra ele que era rosbifi com suflê de chuchu, e perguntei pra ele o que ele tinha comido, porque lá já era meia noite lá. Dai ele disse que não sabia. Não lembrava. Eu achei curioso saber o jantar do Flávio e ele saber o meu, ele lá na Itália e eu aqui em São Paulo, e resolvi fotografar a nossa conversa-gemeia.

Ficou um tempão meio lelé e zumbi lá do outro lado do mundo tentando se lembrar. Pensou, pensou, hesitou e disse que tinha sido "finocchio...". Eu começei a rir. Que seria um finocchio? Resolvi documentar esse momento da nossa conversa também. Afinal, finocchio é o que? Carne, massa, peixe, torta?

Dai ele se lembrou. Não era finocchio. Era "Funcho!!!", ele disse, animado. Fiquei curiosa pra burro pra saber o que era funcho então, que também não tenho a mais mínima idéia, mas ele me disse que tava com muito sono e que não ia me explicar não. Como assim? Eu insisti, falei que ia fazer um post sobre finocchios e funchos pra ele, mas ele me mandou pra Wikipédia, bocejando. Puxa vida, ô Flávio. Dai eu que tive preguiça de ir procurar e resolvi postar sem saber mesmo. Amanhã eu vou atrás. Qualquer informação sobre esse estranho alimento que o Flávio Prada consome será super bem vinda. Hahaha.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

volte luiz, volte

- Alô, oi Lucia.
- Oi, Ângela.
- Tou ligando pra te avisar que o Luizinho disse que não vai mais no seu blog. Ele disse que você só fala de assunto chato e sem graça. Hahaha.
- Sério?
- É, ele abriu, entrou, leu, leu, resmungou e saiu dizendo "ah, a tia Franka não escreve mais de nada legal".
- Poxa, Ângela, mas eu comprei até um monte de Gogos pra ele...
- Na vida real ele gosta de você, mas no blog ele não gosta mais. É, lúcia, é difícil agradar todos os leitores. Você vai ter que fazer alguma coisa.
- Tá, vou tentar. O Luiz é um grande leitor, não posso decepcioná-lo.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

ai, que medo dos elefantes


Nossa. Eu nunca tive medo de ônibus, agora eu tenho. Eu fui trabalhar na Vila Madalena. A Vila Madalena é um lugar em São Paulo com enormes ladeiras e ruas super-estreitas. Eu acho que um dia veio um monte de gente trabalhar na Vila Madalena e claro, apareceram na Vila um monte de ônibus pra levar e trazer as pessoas que foram pra lá. Uns ônibus enormes. É sério, é assustador. Os ônibus são muito maiores que as ruas, e quem guia há mais de vinte anos, como eu, sabe o quanto motorista de ônibus é destemido e o quanto os ônibus correm. Olhaqui. Tenho o maior medo dos ônibus da Vila Madalena, gente. Que eu posso fazer? Eu quase fecho os olhos quando vem um deles na minha direção. Ônibus não faz curva lá muito bem, é só fazer uma maquete com um caneta bic virando num canto de página. Não rola, pode bater mesmo em tudo quanto é lado. Outro dia tive que dar uma ré de mais de meio quarteirão, uma zona na rua, o maior rearranjo. O pior é que eles nem ligam, os motoristas, putis coisa normal pra eles. Um dia, na marginal, fui assolada por uma matilha de caminhões betoneiras tirando um racha. Eu juro, me senti feito um ratinho no meio dos elefantes. Outro dia vi um documentário sobre eles. Os elefantes. Foi no Discovery Chanel. O medo deles é um treco ancestral. O custo de arrumar o arranhado do carro também é.

domingo, 9 de novembro de 2008

franka cozinha


Cansei de todo mundo ficar falando que eu não sei cozinhar. Tudo culpa de uma teoria que inventei um dia: é que eu acho que quando alguém faz um jantar para amigos, esse jantar tem que ter autoria de uma só pessoa. Comida de uma autoria só é muito mais legal do que comida de dupla autoria. Aliás, comida de dupla autoria não tem graça nenhuma. Por exemplo, se a gente aqui em casa convida uns amigos pra comer, ou a comida é minha ou do Zé.
Só que dai aconteceu um troço esquisito. Como o Zé é mais destemido na cozinha que eu, e como também cozinha meio-melhor que eu, há anos que ele faz todos os jantares aqui em casa. E eu, bem, ao longo dos anos eu adquiri a fama daquela "que não cozinha nada". Mas isso não é verdade. É só culpa da Teoria da Única Autoria dos Jantares. Eu sei cozinhar sim e agora decidi que vou mostrar.
Resolvi fazer eu mesma um jantar. Mas depois de anos sem atividade culinária nenhuma eu tinha que tomar cuidado. Não inventar muito, mas ao mesmo tempo fazer uma comida com cara de comida de jantar. Com um tema. Jantar de única autoria sempre tem tema. Venham aqui em casa comer cordeiro. Estou te convidando pra um bobó. Não querem vir comer um cozido? Tem gente que faz até javali. Eu não podia fazer feio, mas de repente me veio a idéia: tacos!
Gente, taco é uma super comida para as pessoas com inatividade culinária temporária. Carne moída é facinho de fazer, picar as coisas é fácil também (queijo é meio chato), e as casquinhas é só esquentar depois da carne pronta (você não tem que controlar forno e boca de fogo junto). E é uma delícia.
Confiem no meu Taco.

sábado, 8 de novembro de 2008

beijo beijo


Eu sempre compro umas roupas pra os meus filhos em uma loja do Shopping. Sou uma compradora em potencial dessa loja, afinal, uma mãe com três filhos rende muito mais do que uma pessoa sozinha ou uma mãe com um ou dois filhos. Os vendedores sabem disso, óbvio, então sou conhecida e eles me tratam super bem. Um deles ficou meu amigo, e, de uns tempos pra cá, ele vem e me cumprimenta até com beijo. Oi Lúcia tudo bem beijo beijo oi Will tudo bem beijo beijo. Acho engraçadado demais dar beijo em vendedor de loja. Porque se é pra ser assim, eu devia dar beijo em garçom também. E eu não dou beijo em garçom nem em maitre. Mas já dei beijo de cumprimento no Toninho, que é dono de um bar em Pinheiros. Tem algumas pessoas que você conhece há anos e nunca dá beijo, tem outras que de repente tem que dar. Eu não entendo mesmo essa regra de cumprimentar com beijo ou sem beijo. Por exemplo, estou trabalhando no prédio novo há mais de seis meses, e nunca dei beijo nos porteiros, nem nos garagistas, nem na Beth do café. Também não dou beijo em ninguém das obras que visito, sejam peões, ou fornecedores, mas dou em alguns engenheiros. Alguns, outros nem pensar. Dou beijo nas empregadas e babás que conheço, dou beijo pra cumprimentar a manicure e a cabelereira. Já no telefone sempre dou fora e falo "tchau, beijo" pra um monte de desconhecidos nada a ver com beijo. Sinceramente não entendo qual é a lógica.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

os ortos e as grafias


Foi hoje o lançamento do livro do Jorge, o melhor amigo da minha irmã Ângela que ficou meu super amigo também. Ele é, como ela, professor, e escreveu um livro infantil muito legal, "Orto e Grafia". Ainda não li, portanto esse não é um post resenha. Na verdade é um post sobre a vernissage do livro, de onde acabei de chegar.
Olha, acho que foi tudo por culpa do nome do livro que me deu essa fixação. Quando o livro foi impresso, acho que cerca de um mês atrás, a Ângela veio aqui em casa com ele pra me mostrar. A Ângela fala muito, eu também, e a gente ficou com aquele livro da mão falando sem parar do Jorge, do livro. Era Orto e Grafia pra cá, Orto e Grafia pra lá, pois esses são os personagens da história, o Orto e a Grafia, um menino e uma menina, o personagem e a personagem.
Bom, cheguei no vernissage do Jorge e não tinha ninguém que eu conhecia. Ninguénzinho, gente. Ai-que-flição. Eu não ia me pendurar no Jorge, afinal o Jorge tinha mais o que fazer, o lugar estava cheio e ele não tinha obrigação ne-nhu-ma de me fazer sala. Eu fiquei lá meio a toa, zanzando, quase gastando com livros, desenturmaaaaadaaa... Sabe gente desenturmada to-tal, que disfarça e vai olhar prateleira com copinho na mão? Hahaha. E lá no meio daquele mooonte de Ortos e Grafias, eu pensei. Porque foi exatamente isso que me veio na cabeça aquela hora. Nossa, quanto Orto e quanta Grafia que eu não conheço, caramba. Gente, será que não vai chegar nenhum Orto conhecido? Nem uma Grafiazinha amiga? Nem um casal Orto-grafia? Bobeira minha (bom, o teste do chiclete do Luis, meu sobrinho, deu que eu sou boba, lembrem-se), mas aquilo não me saia da cabeça.
Foi quando, enfim, aconteceu: chegou uma Grafia conhecida, a Ana. Ufa. E olha que legal, a Ana tinha outra Grafia, uma moça mega simpática chamada Maria, uma produtora. Ufa-ufa, lá estava eu enturmada (enfim) com duas Grafias na vernissage do Jorge. Mas elas se foram, pois tinham compromisso, e eu fiquei lá sem Orto-grafia nenhuma de novo. Zanza pra cá, prá lá, copinho de guaraná na mão (gente desenturmada sempre segura copinho, dá mais segurança), quando de repente, ufa, um Orto. Ar-livrio! Oi Lúcia. Era o Alberto, um músico amigo do meu cunhado Caio. Ficamos conversando, até que começou a chegar um monte, mas um monte mesmo de Ortos e Grafias conhecidos, irmãs, cunhados, sobrinhos, amigos, novos amigos e de repente eu me vi na maior enturmação com um monte de Ortos e Grafias. Olhei ao redor super satisfeita. Não sou desenturmada. Nossa, como conheço Ortos e Grafias.
É, eu sou boba. E vai ser difícil parar de pensar numa situação de desenturmamento sem lembrar do Orto e da Grafia do Jorge. As palavras, gente, afe como as palavras são perigosas. Pegam.
*** Presente de Natal pra crianças? Orto e Grafia, do Jorge. Super presente legal, Franka recomenda.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

coca-cola e carã-bola


- Um guaraná - pediu o João.
- Gelo e laranja? - perguntou o garçom.
- Uma coca light - pediu a Luciana.
- Gelo e limão? - ele lascou.
- Um coca normal - pediu o Chico.
- Gelo e limão? - o garçon lascou mais uma vez.
O Zé interrompeu.
- Não moço, nem laranja nem limão. Eles querem todos os refrigerantes com manga.
Os meninos olharam para ele.
- Manga, pai?
- Ué, que saco isso. Pra que misturar essas malditas frutas no refrigerante? E, se é pra misturar, porque não se pode escolher a fruta? Porque é que pode guaraná com laranja e não pode com manga? Morango? Melão? Gente, sejam mais criativos, vamos.
O João entendeu. Olhou pra o garçom, que não compreendia nada, obviamente, e disse:
- Tá, tá, esquece o guaraná, moço. Quero uma fanta laranja com uva.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

"le pelvís de elvís"


Devido ao enorme sucesso, imediatamente após a apresentação fomos convidados para fazer uma versão em francês estilo filme antigo. Hahaha.

Olha, tem mais cenas, que coloco depois. Todas hilárias. Esses dois são muito engraçados, o Ricardo Thielli e a Ana Helena.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

não entendo nada


Eu vou numa boa na dermatologista. Até gosto. Tipo do médico legal de ir, que não dói nada, que só arruma a gente. O meu problema com dermatologista é que eu nunca consigo fazer o que eles mandam. Olha, acho muito difícil. Eu nunca me lembro como era e tenho vergonha de telefonar.
Fui esse ano para tirar as pintas e as manchas. Ela tirou, ficou legal. Dai, no retorno, ela examinou, olhou, olhou, sentamos na mesa e ela iniciou uma receita. Disse que ia fazer uma coisa bem simples, porque ela sabe que complicada eu não ia obedecer. Acontece que o simples dela é sempre mega confuso e eu tenho vergonha de falar na hora.
Bem, era algo assim.
O primeiro creme era pra passar no rosto todo dia de manhã. Ela me deu três opções de compra, um deles ela disse que era bem caro. Esse creme era para passar no rosto, mas longe dos olhos. Eu acho. Acho porque óbviamente já esqueci.
Para os olhos ela deu outro, mas explicou que era difícil de achar. 'Só no Shopping Iguatemi', e eu logo pensei que jamais iria ao Iguatemi só pra comprar o tal creme de olhos. Arrisquei dizendo que tinha um em casa, mas ela ignorou, realçando as maravilhas do creme do Iguatemi, que dispensava corretivo. Não tive argumentos contra esse argumento do corretivo, e concordei. 'Tá bom'.
Depois veio o outro creme. O outro creme não sei quando era pra passar, acho que era à noite, mas parece que não podia passar no nariz. Não era no nariz todo, ela explicou, era na dobrinha ao lado. Acho que era forte para passar ali. Perguntei se podia passar ao redor dos olhos, acho que ela disse que 'não' também. Nariz e olhos e boca, acho que ela respondeu. 'Nunca passei creme na boca', respondi. 'Ao redor da boca', ela disse.
Dai veio um que era um tipo de filtro solar. Para o caso de eu tomar sol. O filtro solar devia ser aquele que ela anotou, mas tinha uma segunda opção. Acho que um era caro, e o outro, barato. E, no caso de eu usar o filtro, não me lembro se eu deveria usar o creme número um, o dos olhos ou o creme dois, juntos, no mesmo dia. Já estava mais do que confusa.
Foi quando ela avisou que tinha o creme três, que eu tinha que passar três vezes por semana, sei lá se de manhã ou a noite, mas que não podia tomar sol com ele nunca. Então eu deveria saber quando eu iria tomar sol e parar de passar o creme duas semanas antes. Não sei se devia voltar com ele depois do sol. Pensei na hora com meus botões que era melhor nem ter esse creme, porque eu nunca sei quando vou tomar sol. Aliás, nem sei quando vai ter sol.
Quando eu achei que tinha acabado, ela me pergunta o que eu passo no corpo. Eu respondo que ganhei um creme do Frishop com cheiro de flor, e ela me fala que é então por isso. 'Por isso o que, doutora?'. 'Que sua pele está tão seca'. Resolve receitar dois, um caro, outro barato, e um filtro solar também. Filtro solar de corpo. Parece que aqueles de três vezes por semana não precisa para o corpo.
Para confundir mais ainda, ela fala dos cabelos. Qual o shampoo que eu uso? Respondo que é o do supermercado, ela cai pra trás. 'Não pode. Então é por isso que seu cabelo está assim'. 'Assim como doutora?'. Receita um shampoo, avisando que é caro, e um creme e um outro liquidinho. O liquidinho ela diz que eu tenho que comprar em algum lugar dos Jardins e eu nem presto atenção, uma vez que não vou mesmo para os Jardins só para comprar um liquidinho.
Saio de lá com a receita, chego em casa e olho para ela. O que era o que mesmo? Na dúvida, penso que devo ligar para ela para esclarecer. Enquanto isso, fico com meu hidratante da Natura, meu creme de corpo de flor do Frishop e o meu shampoo do supermercado. É menos arriscado.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

franka, parabéns pelo aniversário da lúcia

Parabéns para miiim, nessa data queriiida, muitas felicidaaades, muitos aaanos de vidaaa. Eeeu, eeeu, eeeu.

domingo, 26 de outubro de 2008

olha se você mandou mesmo no enviadas


Tem umas coisas que eu implico. Putis, nossa como eu implico. Resumindo. Sempre que me passam arquivos muito grandes de autocad (sou arquiteta), e o email do UOL trava. Coisa mais normal é um engenheiro dizer "lúcia já te mandei os arquivos", eu olhar o outlook e nada. E dai eu tenho que... telefonar, ligar: "já mandou mesmo ou vai mandar?".
Ridículo gente que confirma email por telefone. Mas a implicância não vem dai, e sim das respostas. Porque sempre me respondem:
"Já mandei, tou vendo aqui "no enviadas". Puxa vou te dar um "fouárd". "Copiei" o outro engenheiro também, como no outro email".
Aiii.
Olhaqui, gente, implico.
Implico com tudo isso. Primeiro o que é isso de "tou vendo no enviadas?" Enviada é... homem? "O" enviada? E "enviada" é coisa que se veja assim, sem mais nem menos? Dois: Dar o que? Um tal de fouárd. Fouard? O que diabos é isso cacilda? E pra finalizar, o cara "copiou" o que do engenheiro? A roupa do engenheiro, o sapato dele, o jeito dele falar?
Nossa que horrível que é essa linguagem de computador.
Implico pra burro com gente que fala "no enviadas", "vou dar um fouard" e "te copiei".
Pronto, postei.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

o trailer da peça!



Hahaha, pareço uma avalanche com esses iutubes sem fim, soterrando os leitores. Mas ai está o trailer, gente, olhaí o trailer da peça "A pélvis do Élvis", só um pedaciiiinho... gravado num ensaio.

"A pélvis do Élvis"
Dia 24/10 às 2:00 da manhã (na noite de quinta 23/10 pra sexta 24/10)
De Lucia Franka Carvalho
Com Patrícia Gaspar e Renato Caldas
Tenda do Dramamix
Satyrianas 2008
Praça Roosevelt
São Paulo
Mundo
Grátis

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

ivam cabral e o cheiro do rato



Eu tava lá com o Ivam nos Sátyros ontem e ele confirmou que parou de fumar mesmo. Dai explicou o porque: um dia ele achou que não sentia mais cheiro. Segundo ele, ele fumou tanto que perdeu o olfato. E ele deu esse depoimento que está ai em cima, contando como a coisa aconteceu. Resumindo, Ivam Cabral não sentia o cheiro do rato, mas agora que Ivam Cabral parou de fumar ele sente o cheiro do rato. O Ministério da Saúde adverte: fumar elimina o cheiro do rato.

domingo, 19 de outubro de 2008

a seleta do sabino com ivam cabral

Temos aqui o Ivam Cabral e eu nos Satyros I hoje no lançamento do Áudio Livro "Seleta de Fernando Sabino", na voz dele, do Ivam. Jimais o Ivam contando as crônicas do Sabino. Já gravei no itunes e no ipod. E quem sabe um dia eu faço um áudio-livro também. Coisa mais moderna, pensa, ir parar nos ipods dos outros. Ai que vontade. E aqui resolvi inovar e lançar uma novidade: as sensacionais tarjas-fumê.

franka é boba




- Alô? Oi Tia.
- Alô, oi Luizinho.
- Tia Franka, vem aqui em casa que eu tenho uma coisa super legal.
- O que é?
- É um chiclete. A gente faz uma pergunta, assim tipo "você é bobo?", depois abre, come e olha a cor da língua. No papel do chiclete tem as cores que podem sair, e dependendo da cor está escrito "sim" ou "não.
- Peraí Luiz. Deixa eu ver se entendi. Eu pego o chiclete e olho para o papel do chiclete?
- Isso. Dai tá escrito, por exemplo, amarelo sim, vermelho não. Cada um pode ter uma cor.
- Tá.
- Dai a gente faz a pergunta: "você é boba?"
- Tá, continua.
- Dai você abre o chiclete e come.
- Entendi.
- Dai você me mostra a língua e a gente vê se você é boba.
- Ah, entendi. Então eu vou ai agora para comer esse chiclete.
- Vem que eu e meu amigo Stéfano estamos esperando.
- Ô Luiz, só uma pergunta... vocês comeram? Vocês são bobos?
- A gente não é não.
Bom, algo assim num sábado a tarde é completamente irresistível para mim. Fui até a casa da minha irmã, subi correndo para o quarto dele.
- Aqui o chiclete, tia.
Olhei a embalagem. No meu tava escrito verde sim, amarelo não. Eles fizeram a pergunta, eu abri o pacotinho, comi e mostrei a língua para eles.
Verde. Gente, eu sou boba. Óbvio.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

a bronca da mulher da Zara


Fui naquela loja chamada Zara e comprei dois casaquinhos na semana passada. Cheguei em casa, olhei pra um deles.
- Nossa pra que eu fui comprar esse treco dessa cor, amarelão assim?
Eu sempre faço isso. Lá na hora a coisa faz sentido, quando eu olho em outro contexto acho que minha escolha foi uma catástrofe. Mas como eu ia almoçar no shopping outro dia (foi no dia que fiz os cartões), resolvi colocar na sacolinha da Zara e trocar por outro de outra cor menos estranha. Entrei na loja toda animada, com o casaco dentro da sacola com etiqueta e tudo.
- Moça eu queria trocar uma coisa.
Ela pegou a sacolinha.
- A senhora tem a nota?
- Tenho, claro, eu comprei aqui.
- E então?
- Então o que moça?
- Então onde tá a nota senhora?
- Ué. Não tenho a menor idéia. Acho que lá na minha casa.
- A senhora precisa da nota para trocar.
- Porque?
- Porque a gente avisa quando compra.
- Mas olha menina, aqui está o casaco, aqui estão as etiquetas, olha tem até o preço e olha aqui a sua sacolinha. A nota eu sei lá, mas se comprei esse casaco com a etiqueta, o preço e a sacolinha, a blusa é daqui, você não acha? Aliás olha o mesmo casaco ali na bancada.
- Iii senhora, a senhora vai ter que falar com a gerente.
Veio uma moça mais velha, toda maquiada.
- Pois não.
- Quero trocar essa blusa amarela por outra de outra cor.
- A senhora tem a nota?
- Se eu tivesse a nota ela não chamaria você.
Foi quando aconteceu uma coisa inacreditável. A gerente, acho que irritada com um monte de gente que veio trocar blusas amarelas sem nota, começou a me dar a maior bronca. Gente, que coisa absurda aquela gerente me dando pito.
- ... pois quando qualquer pessoa compra aqui a gente avisa bem alto, a gente sempre avisa: tem que trazer a nota pra trocar, tem que trazer a nota! Não pode trocar sem nota, entendeu? Eu, elas, todo mundo fala: a nota, tem que trazer a nota!
- Eu...
- Olha escuta aqui. Desta vez passa. Mas que seja a última, entendeu? Não pode trocar sem nota, é essa a regra, en-ten-deu? - ela encerrou, furiosa comigo.
Gente, que esquisito. E eu, como uma criança que leva pito, sei lá porque, respondi.
- Tá bom. Desculpa.
Hahahaha. Levei bronca da gerente da Zara. Tem cabimento a gente comprar uma coisa levar bronca? Tem cabimento levar bronca da gerente da Zara? Tem cabimento pedir "desculpa" pra gerente da Zara?
Mas troquei.


quarta-feira, 15 de outubro de 2008

quem quer um cartão da franka?


Desde que tenho minha nova imagem da Franka, feita pelo Caio, meu cunhado, que penso em fazer cartões do "frankamente...". Super legal ter cartão do blog, eu penso. Eu tinha a imagem, mas faltava bolar um modo de colocá-la no cartão. Começei a pensar. Ora, cartão de blog tem que ser diferente que cartão de visita. Cartão de blog tem que ter o endereço do blog, seu nome de blog e mais nada, pensei e comentei com meu amigo Passarinho. "Quer meu email entra no blog que tem lá. Não é cartão de visita, com teu telefone, email e endereço, é outro tipo de cartão", eu e ele avaliamos. O Passarinho concordou e falou que ia fazer a arte de presente pra mim. Nossa, que emoção. De presente! Fez diversos e escolhi um que adorei, com impressão dos dois lados: de um lado a nossa Frankinha de frente, o nome do blog e uma pontuação no "franka". Do outro lado a Franka de costas e meu nome "lúcia carvalho". Ora, sou duas mesmo, não? Até me confundo às vezes. Bem, ele acabou e ficou o máximo, o Passarinho é muito bom nisso. Ontem fui almoçar no Shopping e passei em frente a uma loja cheia de cartões no subsolo. "Cês fazem cartão aqui? Como funciona?". O cara explicou: "Simplérrimo: traz a arte num CD, pendrive ou me passa por email. Faço uma prova em meia hora e, se você aprovar, os cartões ficam prontos em quarenta minutos". Nossa, era irresistível. Tentei passar o email do Passarinho com a arte para o cara lá mesmo: do balcão para o computador em frente, mas a loja era no subsolo e não tinha sinal. Não desisti. Subi no térreo e completei a operação. Corri lá de volta. "Chegou?". Eba. Primeiro passo concluído. No fim da tarde voltei lá para ver a prova. Aprovei. "Volto em quarenta minutos", disse. Nisso a Bê passou em casa. "Bê, você vai participar de um momento histórico da vida da Franka. Vamos pro shopping". Ela topou na hora. Chegamos lá e lá estavam as caixinhas com os cartões do "frankamente...". Ai que vontade de rir. Jimais. Pegamos, analisamos, achamos o máximo. Porque o cartão tem uma linha do equador que liga a frente com a parte de trás. É super legal porque pega a cinturinha da Franka. Mais engraçado foi que o cara, na hora de colocar na caixinha, teve o cuidado de colocar todos de costas - ora, para eles, os fazedores de cartão, o nome da pessoa é mais importante que o nome do blog (mas no meu caso é o contrário). "Bê, que emoção", eu disse no carro. "Então agora vamos levar pra o Passarinho", ela decidiu. "Vamos até a casa dele e colocamos escondido na caixa do correio". Achei aquilo mais super emocionante ainda, topei na hora. Chegamos lá e já era noite. Super clandestinas. Me esgueirei pela calçada e enfiei o cartãozinho dentro da boca das cartas. "Tchau, Frankinha", eu disse. Lá foi o primeiro cartão boca abaixo, engolido, de presente para o autor. Mandei um torpedo pra ele. "Verifique caixa de correspondência agora". Hahaha. Em seguida recebo um emai dele: "o cartão - ficou ótimo!". Missão cumprida. Cheguei em casa para jantar com meus cartões, mas antes aproveitei e sentei no quintal com eles olhando alternadamente para a lua cheia de ontem - para o cartão - lua cheia - cartão. Lua, cartão, Caio, Passarinho, frankamente... Como é legal ter amigos. Caio, obrigada, Passarinho, obrigada, Blogger (seja lá quem inventou esse negócio), obrigada.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

"memória da barata"



Foi assim: eu tava no micro, os meninos na TV e o Zé jantando. De repente alguém grita "ai, uma barata na sala". "Mata!", eu grito. "Mataí", o Zé fala. Ninguém consegue, o Zé pára de jantar e vai fazer o trabalho sujo. A barata é morta e exterminada, mas, quando eu olho em seguida, não tem ninguém mais na sala. Ora. Ninguém quis ficar numa sala onde esteve uma barata, muito menos deitado no chão vendo TV. Eu sei que não vai ser assim, aqui já apareceu um monte de barata na sala (a gente mora em casa, tem um terreno baldio do lado), e eu sei que amanhã todo mundo já esqueceu a barata e vai deitar no chão de novo. Mas porque é que no dia da barata, e depois que ela desapareceu, ninguém deita no chão? Eu penso nessa coisa, no tempo da nossa "memória da barata". Acho que na hora que uma barata chega perto da gente, a gente fica com ela viva na memória, mesmo ela estando morta esborrachada. Para a nossa cabeça, é como se ela não tivesse morrido, porque o nosso medo não morre junto com a barata. O medo morre sempre bem depois da barata. É um medo estranho, uma coisa de bicho, meio ancestral, que não deixa a gente ficar ali. E se aparecer outra barata e subir na minha barriga? E se aparecerem um monte de baratas, aquela barataiada por todos os lados? A sensação de "memória de barata" fica mais tempo na gente que todas as visões da barata (ela viva, ela estrebuchando e ela morta). O nosso cérebro vai, claro, aos poucos apagando o pânico, e no dia seguinte você deita no chão de novo, todo corajoso, como se as baratas nunca tivessem existido no mundo, ou achando que, se elas existirem, são seres deprezíveis. Eu não entendo como isso acontece, sinceramente, e acho curioso a minha sala estar vazia às nove da noite por causa de uma barata (que já morreu). Só espero que essa teoria da "memória da barata" sirva pra aliviar essa sensação de fim de mundo que assola a gente nesses tempos de queda.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

"PAINEL MAGNÉTICO FRANKA"


Escrever em blogs é assim: você, sozinho, tem uma teoria que te parece esdrúxula. Mas como tem blog e um apelido secreto, você "se acha", e tem coragem de escrever as maiores barbaridades. Eu escrevi esse post abaixo sobre as geladeiras, e o vejam que coisa: o Jayme, um dos maiores publicitários de São Paulo e meu partner na revista Morar, leu a minha idéia mais do que estapafúrdia de colar uma placa de ferro na minha geladeira Brastemp para me vingar da Brastemp (que fez uma frente da geladeira que não cola imã). E vejam como age rapidamente um publicitário, que impressionante: ele já inventou o produto, fez os slogam e me deu de graça, porque amigo blogueiro é assim - dá idéia grátis.

"Lucia, a idéia das placas de ferro é ótima! Têm de ser fininhas, têm de ter design (ora essa, pra que servem seus 5 anos de FAU, mulé?) e uma mensagem forte: "Use um painel magnético Franka e devolva a identidade à sua geladeira" ou "Painéis magnéticos Franka. Porque não existe uma geladeira igual à outra" ou ainda "Liberte-se da Brastemp. Use um painel magnético Franka em seu refrigerador" (sim, porque na propaganda, geladeira é refrigerador). Em poucos meses, veremos os painéis magnéticos Franka nas melhores casas do ramo. Beijo."

Hahaha. "Painel Magnético Franka" é engraçado demais. Imagina essa frankinha ali do lado virar painel magnético.



PS.: E falando em blogueiros, Pecus, que tarja mais fajuta que você se colocou lá no seu blog. Tsc, tsc, tsc. Tantos anos lendo a Franka e não aprendeu.

brastemp não é o cara


Uma vez eu fiz um post de geladeira aqui falando dos imãs de geladeira. Postei a minha geladeira com meus bagunçados e feios imãs, na época achei até meio vergonhoso aquilo, mas a verdade é que a minha geladeira não tem imãs bonitos, e sim úteis. E uns velhos com telefones errados que ninguém tira porque servem pra grudar papéis e notas. Na época comentei que a minha geladeira não gruda imã na frente, só do lado. Ainda bem que ela tem um lado aparente, porque senão não ia dar pra colocar nada, pois a frente é de plástico. Mas foi só esse fim de semana, anos depois, que eu me toquei: gente, como que a a Brastemp, essa empresa que "se acha", faz uma uma geladeira que não cola imã na frente? Imã de geladeira é um clássico dos enfeites de cozinha. E como eu comprei uma geladeira que não cola imã? A indústria de imã deve odiar a minha geladeira. Gente, será que a Brastemp fez de propósito pra não estragar o design da geladeira? Pra o logo da Brastemp não concorrer com outras marcas dos imãzinhos, pra ficar só o logo dela na porta? Que feio isso da Brastemp. Ontem tive vontade de colar uma placa de ferro na porta só pra me vingar dessa Brastemp. E fiquei pasma de perceber isso somente agora, anos depois de comprar a geladeira. Nossa, como a gente é distraído.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

franka no cruzamento


Eu tava ali na Dr Arnaldo, em cima de um daqueles viadutos, o trânsito meio confuso, até que entendi. O farol estava quebrado e uma equipe de emergência de guardinhas apitava o trânsito. Piii, mão abanando brava, vai, vai, vai. Dai o cara apitava de novo piii, stop todo mundo. Piii, outro guardinha na outra rua do cruzamento, mão abanando brava, vai, vai, vai, piii, stop todo mundo agora já. Olha. Não entendo como esse procedimento de emergência funciona até hoje sem desastres horríveis. Porque gente, quem é que hoje em dia ouve apito de guardinha, se todo mundo anda dentro de carro fechado, blindado, com música e ar condicionado? Fiquei pensando se o Detran não deveria repensar esse método de resolver farol quebrado. Óbvio que apito não dá mais certo, e acho que é por isso que os guardas tem que fazer cada vez mais e mais piruetas estrambóticas para serem vistos pelos carros e não atropelados. Porque hoje a gente não ouve mais nada dentro dos carros. Isso valia pro tempo do vidro aberto. Penso que eles deveriam adotar umas laternas de lâmpadas estroboscópicas, que dessem umas piscadas fortes de cores vermelhas, verdes, amarelas, sei lá. Mas apito, gente, a-pi-to? Além disso, também queria saber porque esses guardas ficam tão bravos quando a gente passa: eles sempre fazem caras horríveis que pra mim querem dizer "sua lerda, anda, vamos, vai mais rápido, ô coisa", repara, nunca vi um desses sorrindo pra me dar passagem. E mais uma coisa: como será que a sincronia dos dois gaurdas sempre dá certo, se muitas vezes um nem vê o outro? Apenas umas considerações de trânsito num dia cheio deles.

gente, tô negatiiiiva...


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

dedico esse post ao luiz, meu sobrinho querido


Será que pode dedicar post? Se ninguém fez isso, eu faço. Porque meu sobrinho Luiz é muito engraçado, eu sou fã dele e dedico esse post pra ele.
O Luiz ainda é pequeno, tem oito anos e é filho da Ângela. O Caio, pai dele e meu cunhado, desenha quadrinhos, além de ser arquiteto e músico, e foi o autor da imagem da Franka. A Ângela, minha irmã, é autora de livros didáticos, e o Jorge, amigo da Ângela, publicou um livro infantil que será lançado em breve, "O Orto e a Grafia". E eu, segundo o Luiz, tenho essa profissão aqui: blogueira.
Óbvio que o Luiz gosta de desenhar e escrever. E ele escreve e desenha de um jeito super legal, ele é como eu, ele gosta de histórias e os desenhos dele não são de "coisas", são de "histórias". Os desenhos do Luiz sempre contam coisas.
A Ângela ontem me contou que o Luiz fez uma história em quadrinhos. Ele disse que ela ainda não está pronta, mas mostrou os rascunhos do livrinho para ela. Eu coloco aqui somente a capa e a contra capa, ainda inéditas, porque o resto ainda é segredo. A história se chama " A Honra dos Japoneses na II Guera Mundial" (O Luiz ainda não sabe usar dois "r"s, coisa natural aos oito anos) e o personagem principal se chama "José Pequeno" (um grande herói japonês). O livro é ao contrário e começa pelo fim, porque como é um livro de japoneses é mangá, ele explicou, depois que a Angela reclamou (mãe professora é fogo). E ele dedica esse livro a muita gente bacana que eu também admiro, como o Dart Vader, o Harison Ford, a Ângela, o Caio, o Ringo (o cachorro deles) e o Jorge. Eu concordo com o Luiz, dedicar é uma das partes mais importantes de um livro. É o lugar onde você diz em quem pensou quando criou a história e criar uma boa hisória é tudo. Dedicar é humilde e é honesto. Dedicar é presentear. Eu dedico esse post pro Luiz antes mesmo dele acabar a história da honra dos japoneses. E isso é uma honra pra tia Franka, que está escrevendo hoje igual ao escritor do Pequeno Nicolau.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

controlando os 'clics'


Engraçado. Teve uma festa aqui em casa e eu resolvi tirar fotos. Peguei a máquina e mandei as pessoas posarem. Tirei a primeira, clic, fui tirar a segunda... nada. Tudo preto na máquina. Engraçado, as máquinas de antigamente, aquelas legais de filme, nunca davam esses chabús de pilha. Ai que raiva que eu tenho de precisar de pilha. Aliás, não é raiva que eu tenho. É tensão. Eu tenho tensão de pilha. Sempre acho que a máquina vai parar de funcionar a qualquer momento. E ela sempre para.
- Gente, desculpa, podem des-posar que acabou a pilha.
Todo mundo parou de sorrir e se abraçar, aquela sem-graceza.
- Pilha, pilha, onde vou arrumar uma pilha - eu disse pra uma amiga.
- Você não comprou novas pra festa?
- Não. Pilha, pilha, deixeu pensar...
Olhei para cá e para lá.
- Ah, gente, já sei. O controle remoto, claro.
Essa amiga fez uma cara de espanto.
- Nossa, lúcia, sério que seu controle remoto tira fotos?
Hahaha. Claro, eu fico exibindo a minha super TV de LSD com full HD, isso que dá. Ora, se celular tira foto, porque controle remoto não? E pensem, não é impossível. Imagine que sensacional: você tira a foto com o controle e pimba! Lá vai a foto da festa pra TV. Uau, putis idéia. Como ninguém pensou nisso antes?

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

um cabe, dois não cabe


- Mãe.
- Fala João.
- Vou te mandar uma coisa por bluetooth.
- Tá.
- Recebeu?
- Recebi e não entendi absolutamente nada.
- Viu?
- João, que é isso?
- Olha como fica um guardanapo grande de papel dentro de uma tampinha de coca-cola. Olha ai.
- Ah, claro, João. Incrível.
- Mas dois não cabem. Já tentei.

domingo, 21 de setembro de 2008

lúcia carvaaalho...?


Gente, que engraçado. Juro.
A Patrícia, minha adorável e talentosa amiga atriz, eu vivo falando dela aqui (é a rainha das vesguinhas) está fazendo uma peça atualmente e me chamou pra assistir: "A Reserva".
Ela contracena com a Irene Ravache (ô nome lindo de pronunciar, Ravachiiiiii... repitam ai comigo devagar, gente... Ravachiiiiiii...) e com o Evandro Soldatelli (um ator talentoso e liiindo, gente). Me falou que arrumava convite, quantos eu queria? Muito legal a Patrícia, claro que eu não ia perder. Jamé.
Fui com a minha irmã Ângela. Ângela = teatro. Chamamos nosso amigo Jorge. Eu, a Ângela e o Jorge íamos assistir a Patrícia. Perfeito.
Era longe pra caramba da casa da gente, mas descobrimos que era do lado de um metrô. Era só deixar o carro na estação Vila Madalena, zuuupt, chegar na estação Conceição, que é do lado do teatro. Putis programa divertido. Putis legal ir de metrô no teatro, mas chegamos 10 minutos atrasados e tivemos que sentar no fundão, não tinha como chegar nos nossos mega lugares-reservados. Mas o teatro é ótimo e fomos assistindo perfeitamente a peça, pipipi, popopó e tal. Até que uma hora começo a ouvir meu nome.
- Alô? Lúcia Carvaaaalho? Lúcia Carvaaaalho...?
Gente, tinha alguém falando meu nome, quem era? Quem me chamava?
- Lúcia Carvaaalho...
Olhei pra trás, não vi ninguém falando, olhei pra frente, pra a Ângela, nada.
- Lúcia Carvaaalho...!
Ai, cacilda, será que era meu celular? Pânico total. Claro, eu estava com a bolsa no colo, vai ver que atendi uma ligação sem querer apertando a bolsa e apertei o viva-voz junto! Ai! E a pessoa estava ali me chamando, de quem era aquela voz? Nossa, eu me atrapalhei muito. Eu tinha que desligar aquilo logo, imagina, um homem me chamando alto no meio de uma peça que fui convidada? Já tinha chegado atrasada, já tinha comido bala com a Ângela e o Jorge e feito barulho, meu celular tocar era demais! Céus! Começei a fazer uma dança estrambótica na cadeira tentando achar o aparelhinho, mas caramba, eu tinha certeza que tinha desligado, que vexame!
Foi quando olhei pro palco. O ator lindo subitamente entra em cena com um celular na mão e entrega pra Irene Ravachiii:
- Mãe, fala aqui já com Lúcia Carvalho, a decoradora, ela pode ajudar você com a decoração do restaurante.
Quêêê?
Hããã?
Eu liguei pra Irene Ravachiii? Olhei meu celular na minha mão, desligado. Ai que confusão que se instalou na minha cabeça, gente. Pirei, pensei. Não sei mais o que é verdade o que é ficção e tou com alucinação de gente que quer ficar famosa.
Mas aí a Irene Ravachiii, ela não, a personagem Vera (que, na peça, não queria redecorar o restaurante dela), pegou o telefone e falou, mega brava, engraçada pra burro:
- Olha aqui Lúcia Carvalho, eu não quero decoração porcaria nenhuma, não quero saber de você ô Lúcia Carvalho, pelo amor de Deus, isso é coisa do meu filho, tchau Lúcia Carvalho!
E plum, desligou na minha cara.
Gente a Patrícia Gasppar é louca.
Meu Deus o que eu tava fazendo ali dentro da peça da Irene Ravachiii?
Hahaha. Engraçado demais alguém fazer gracinha comigo.
Pois olha. Adorei essa coisa quase caipira de brincar, que a gente perde quando mora em São Paulo, quando acha que a gente está longe dos outros aqui. Pra mim, que sou apenas essa blogueira Franka, imaginar que um dia a Irene Ravachiii ia falar o meu nome num palco era a coisa mais inviável do mundo. Mas olha que coisa. Somos todos muito normais, gente. Eu fiz esse blog um dia, conheci aqui dentro o irmão da Patrícia, o Neil, conheci a Patrícia na casa dele e lá vou eu pra dentro da boca da Irene Ravachiii. Isso é muito legal, gente. É legal porque é normal. Porque afinal, se eu coloco o nome da Patrícia aqui, porque ela não pode colocar o meu nome lá?
Tudo bem Irene, eu te desculpo por me tratar tão mal no telefone. E gente, vão lá ver a peça, vai que a Irene, a Patrícia e o Evandro usam meu nome até o final da temporada. Imagina.
E se eu ficar famosa um dia, acho que vou chamar Lúcia Carvachiii. Carvachiii. Carvachiii...

TEATRO COSIPA CULTURA
Avenida do Café, 277
Jabaquara - São Paulo/ SP
TEL.: (11) 5070-7018
Detalhes: vá de metrô

sábado, 20 de setembro de 2008

fanta! hahaha!


Mais um post em tua homenagem, Careca. Isso mesmo, Careca. Franka não, Fanta! E sim, é FANTÁstico como uma bobagem puxa a outra. Hahaha. Fanta é demais.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

pó?



Ontem, no carro, com a cara toda cheia de base, atendi o telefone. Falei, falei, falei, e, quando fui desligar, um putis susto. O telefone estava todinho cheio de base, eca, urgh, uma meleca total. E foi nesse momento que tive o clic: gente, será tudo que se encostasse em mim ficaria com cor de base? Imagine quando eu chegasse na reunião e cumprimentasse as pessoas: eu ia decalcar base em todo mundo? Crédo. Fiquei imaginando todas as pessoas da reunião, os engenheiros e arquitetos, todos com a metade da cara cor de laranja, como eu, que horror. Não, não estava certo aquilo. Óbvio que fiz alguma coisa errada e passei base demais. Ou sei lá. Vai ver que a base era diluível e usei o produto puro, só pigmento, pensei. Resolvi tirar, claro, e pensei que quando eu parasse num farol, removeria aquilo com um lencinho de papel. Parei, procurei, mas cadê? Nada de lencinho nem no porta luvas nem na minha bolsa. Foi quando vi a flanelinha. Sim, um dia em comprei essa flanelinha de uma senhorinha, num sinal. Olha que maravilha, é laranja da cor do meu rosto, pensei, rindo. Tirei todo excesso de base com ela. Quando coloquei no banco do passageiro, li o que estava bordado nela. Pó.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

a base


Foi assim. Um dia, a troco de nada, reparei que minha pele do rosto tinha um monte de manchas. Sério, umas manchas. Não eram pintas, eram manchas, como se fossem ilhas submersas vistas de cima no Google Earth. Clarinhas, irritantes, coisa de gente velha total. E a cada vez que eu me olhava no espelho, meu rosto parecia mais manchado, as malditas surgindo. Sabe quando você encana com uma coisa. Ó, céus.
Dermatologista, pensei. Marquei, fui, mostrei pra doutora. "Iii, isso é tranquilo de tirar", ela me acalmou. Marcamos o dia, voltei e ela fez uma verdadeira caça às cracas. Tirou tudo - além das manchas, todas as pintinhas e as verruguinhas que encontrou. Mas foi só no meio do procedimento (porque as pessoas chamam essas coisas de "procedimentos"?) que lembrei de perguntar:
- Doutora, vai ficar marca?
- Até secar vai, Lúcia.
- Quanto... tempo?
- Dez dias, uma semana.
Ó não. Eu não esperava por isso.
- Hummm... e que tipo de marca?
- Umas casquinhas - ela explicou - que depois saem. Mas fica tranquila, dá pra disfarçar com base, a gente coloca aqui pra você ver quando acabar. A base tem filtro solar 5000, pois você não pode tomar sol por um tempo.
Base? Olha gente, eu confesso que nunca usei base. Sempre achei esquisito passar aquela massa corrida na cara como se eu fosse uma parede. Aliás, já cansei de falar que não sei me maquiar até hoje.
Depois do procedimento, a mocinha ajudante da médica veio e me masseou. Como o rosto ardia um pouco, achei aquilo até aliviante. Um tipo de proteção. No espelho dela ficou legal. Desencanei. Mas veio o pior no dia seguinte. Acordei como uma dálmata, toda pintada de casquinhas. Como não tomo sol há tempos e tenho cabelo escorrido, me senti uma dálmata Mortícia Adams. Mortícia Dalmadams. "Ah, a base!", lembrei. Abri o tubinho e começei a passar. Em uma das bochechas, na outra. Na testa, no queixo, no nariz, nos cantos do lado, no pescoço. Gente, onde pára? Interrompi e olhei no espelho. Ixi. Não sumiu lá muita coisa, e resolvi aplicar mais para diminuir o contraste. Bochecha, queixo, nariz, em volta dos olhos, pescoço. Olhei de novo. A cor do meu lábio me pareceu mais clara que o rosto, assim resolvi passar um batom. Desci para a cozinha.
- Mariaaaa. Pega seus óculos e me olha.
- Olha o que.
- O que acha do meu rosto?
- Vixe, o que você fez, lúcia?
- Base, Maria. Passei base pra esconder as casquinhas das manchas que eu tirei. Está estranho?
- Nossa se está. A sua cor, né...? Olha... - ela arrumou os óculos e me olhou bem de perto - ... as casquinhas quase não dá pra ver, mas você parece aquelas amigas da sua avó.
- Ai Maria. Tou com cara de revestida?
- Ué. Tá com cara de quem pôs base. A sua cor, lúcia.
Fazer o que. Franka, dez dias laranja.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

hibernação

Franka de recesso hoje. Re-excesso. Preciso de um tempo pra organizar um pouco esses meus textos todos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

franka é desvendada no WT


Fui descoberta. Estava outro dia lá na entrada do prédio, observando as pessoas estacionando os carros quando ele chegou sorrateiramente.
- Lúcia.
- Oi.
Era o gerente do prédio onde eu trabalho. O nosso concierge, que vou chamá-lo aqui apenas de R.. Outro dia pensei em dar para ele a crônica da revista Morar onde falo dos concierges, mas desisti pois ele estava de férias. Ele se aproximou de mim e falou bem baixinho. Seríssimo, cochichando.
- Descobri tudo sobre você.
- Hã? Como assim?
Nossa, que susto. Parecia que eu tinha cometido um crime. Ele continou mantendo o clima de mistério e sussurrou.
- A sua identidade secreta, Lúcia.
Disfarcei. Ele poderia estar blefando.
- Do que você está falando? Não estou entendendo nada.
Ele riu de lado. Notei que ele realmente sabia da Franka, mas continuei negando.
- R., o que você descobriu?
- Ora, o "frankamente..."! E li tudo que você já escreveu sobre o nosso prédio, sobre os médicos, sobre os pacientes, sobre o café Freud, sobre mim.
Céus. Por essa eu não esperava.
- R., e você... e agora? Bom, gostou?
- Claro - ele respondeu, animado - mas escute Lúcia... eu acho que temos que manter isso em total segredo. Para você poder escrever sobre todos e não perder a espontaneidade. Fique tranquila que eu não vou contar nada para ninguém. Isso ficará entre nós e entre...
- E entre quem...? Quem mais sabe?
- Olha, quem sabe sou eu, a Beth do café e os porteiros. Todos adoraram suas crônicas e combinamos de não contar nada.
- Você... a Beth e os... porteiros?
Gente, que engraçado isso. Me senti o próprio Batman, com o Alfred escondendo a minha verdadeira identidade e minha bat-caverna.
- É. E olha, eles disseram que se você quiser, pode até colocar uma foto deles no blog.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

vesguinhas

Quem começou foi minha amiga Patrícia. Ela fez esse iutube que está ai em baixo, que foi parar no blog do Neil, hilário, dela cantando vesguinha.
No sábado teve aniversário do Caio, meu cunhado. No meio da festa, começamos a tirar fotos. "Agora do aniversariante com a Ângela". "Agora vocês três". "Agora só as mulheres". A gente sempre acaba selecionando grupos para tirar fotos. "Agora vamos tirar uma foto vesguinhas?" sugeri às amigas. "Vesgas?", elas estranharam. "Vesgas, dai a gente manda pra Patrícia". "Ôba!", elas toparam. Minhas amigas são pra lá de animadas. E olha ai o resultado. Eu sou essa do meio de baixo. Sério, sou muito boa nisso, não acham? Se fosse um campeonato, será que eu ganhava?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

as coisas que eu percebo


Um dia o Pecus percebeu uma coisa divertida, que ele contou no blog dele: "é engraçado quando você vai digitar a sua senha nas leitoras de cartão, ao pagar uma compra, e a pessoa que “passa o cartão” ostensivamente olha para outro lado, para deixar bem claro que não tem a intenção de ver o que você está digitando. Mais engraçado ainda é este gesto estranho se incorporar à rotina profissional de uma pessoa, que passa a repeti-lo centenas de vezes por dia". Pois assim como ele, volta e meia eu percebo umas coisas super estranhas que muita gente faz (inclusive eu) sem perceber.

1) Hoje, mais uma vez eu estava na frente do prédio, no solzinho, fumando. É, gente, pachencha, voltei a fumar e juro que vou parar em breve. Mas confesso que esses momentos de pura divagação e observação me fizeram ver que todas as pessoas que estacionam o carro na rua fazem o seguinte: balizam, desligam o carro, saem, trancam a porta, saem de perto e, quando estão há dois metros ou três passos do carro, olham para trás para ver se o carro está lá mesmo. Hahaha. E só depois que se certificam que ele está lá mesmo que saem andando.

2) Na praia ou piscina, uma mulher encalorada se levanta para entrar no mar ou na água. Levanta, arruma o biquini no bum bum, arruma o biquini na frente, arruma o sutiã do biquini. Só depois anda. Na hora de sair da água, o mesmo procedimento. Arruma, arruma, arruma. Nunca vi mulher que não arruma. Mesmo as de biquinão. Hahaha.

3) Aqui no prédio tem uma porta automática de correr de vidro preto na entrada com um sensor de presença que abre a porta quando você está há uns dois metros. Até a porta se abrir a pessoa se vê refletida no vidro, mas quando a porta se abre a pessoa, que estava andando em linha reta, vai para o lado, para continuar se vendo refletida no vidro. Como a gente gosta de se ver refletido em vidro, fala a verdade.

Hahaha. As coisas que eu percebo, só isso.

a mesa de cada um




Desde que mudei de escritório tenho uma mesa impecável. Toda limpinha e sem pilhas, a não ser uma pequenina no cantinho com um caderno, uma agenda que ganhei do seu Paulo da pedreira e uma agenda de telefones sobre uns poucos papéis. Porta lápis, porta retrato dos filhos, calendário, telefone. A cada dia que chego aqui e vejo a minha mesa tenho orgulho de mim mesma. Eu nunca tive uma mesa arrumada na vida.
Vivo fazendo coleções inúteis que sempre coloco na minha frente, já trabalhei com milhares de bonequinhos de Kinder ovo me olhando, já trabalhei rodeada de pedras, já trabalhei com santinhos e talismãs rezando por mim e, claro, pilhas e pilhas de papéis e pastas. Daqueles que tornam a sua mesa um pântano completo onde tudo chafurda. Quantas vezes, por conta dessa minha desorganização, já não perdi contas ou documentos. Quantas vezes já encontrei, na procura por alguma coisa, um jornal de dois meses atrás. Agora não. Agora quando eu tiro migalhinhas da minha mesa. Às vezes lembro: ufa, nenhum bonequinho de kinder, nenhuma bobagem, nenhum enfeitinho. Alívio. Na hora de ir embora, coloco todos os papeis e plantas todos de volta no gaveterinho de pasta arquivo, guardo a caneta, desligo o micro e olho para minha mesa. Nem parece que é minha. O que será que isso significa na minha vida? Ou será que tenho Toc?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

quem peidou no elevador?



Aqui no prédio do trabalho temos três elevadores, dois sociais e um de serviço. Acho super engraçado esse lance de elevador social. Quem será que deu esse nome? Social? Porque um elevador tem que ser um lugar chique? E se eles tem que ser chiques, porque não são chiques? Olha, tava pensando. A gente pode ser tanta coisa na vida... Eu podia ser dona de uma lavanderia, podia ter uma loja de pedras, ou... ora, eu bem que podia ter uma empresa de decoração e ambientação de elevadores. Coisa de altíssimo padrão de qualidade, gente. Elevador mega blaster luxo france, mega luxo las vegas, social completo, social hippie, social relax. Porque não? Assim como existem designers de carro, de roupas, de tênis, de móveis, eu bem que podia ser uma arquiteta de elevadores. Putis, eu ia inventar uns modelos estrambóticos e coloridos, inovações como elevadores com banquinhos ou sofás, elevadores todos de couro, elevadores psicodélicos com luzes, elevador neon (promoção), elevador estofadinho (híbrido socia l& serviço), elevador ecológico. Olha a idéia, nossa... Bem, idéia é que não falta. Tomara que muitos empresários chiquésimos leiam o "frankamente..." e me procurem.
Bom, eu tava falando aqui do prédio. Outro dia entrei no elevador social com um cara de manhã. Olhei e reparei nele escondida. Chave na mão, pastinha, cheiro de colônia. Hummm. Condômino, psiquiatra. Os pacientes não tem chave, óbvio. Sou boa em personagens.
Bom, eu e ele calados, super sem graça como sempre, sem se olhar e tal, quando o cara se aproxima do painel de andares e... "clic". Juro, gente, ele apertou um dos botões como se ele fosse um... ascensorista. Assustei. De repente o ventilador ligou e começou a maior ventania. Acho que eu pulei pra trás e ele reparou, porque me olhou e imediatamente explicou:
- Calor aqui. Ufaaa.
Nesse mesmo dia peguei o elevador com a M. para tomar café no Café Freud.
- M., olha - e... "clic", liguei o ventilador.
- Ai!
- Ventilador, M. Eu tava aqui de manhã e veio um cara e ligou.
- Como é? O cara tava sozinho com você e ligou o ventilador, assim, do nada?
- Ué, ligou. Ele falou que tava com calor.
- Calor? Hahaha.
- É. Era um cara íntimo de elevador, ligou assim como se fosse a sala casa dele, M., você precisa ver que...
Ela me interrompeu.
- E você acreditou, Lúcia?
- Se eu o que? Acreditei?
- Lúcia, vai ver que ele peidou.
- M., ... peidou?
- Tá na cara - ela disse, decidida, suspirando, sabida - Ora, pra que alguém liga um ventilador no elevador? E nossa, que prédio bom esse nosso. Tem até ventilador anti-peido no elevador.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

hâ?


- Tia.
- Fala, Luizinho.
- Posso pegar seu celular?
- Pode, claro, Luiz.
- Vou tirar uma foto tia, posso?
- Pode, claro.
Acabei de descarregar. E alguém me explica o que é isso, por favor. Hahaha.