- Gente! Atenção! Antes de todo mundo ir embora vamos tirar o amigo secreto para o natal.
- Já? – questionou uma tia.
- Mas não está todo mundo aqui – argumentou meu tio.
- Olha gente, vamos tirar assim mesmo – disse a prima líder - Tirar com todo mundo junto é impossível, vocês sabem. Hoje tem gente de todas as famílias. Tiramos, e para as pessoas faltantes, algum familiar tira e leva.
Uma das tias protestou.
- Mas vamos fazer amigo secreto de novo? Combinamos ano retrasado que não íamos fazer nunca mais, depois daquela confusão...!
- Tem que fazer, é presente demais! – retrucou uma prima.
- Acho natal com amigo secreto tão sem graça... – argumentou alguém.
- Ninguém tem dinheiro para tanta lembrancinha – disse mais uma outra.
- E dessa vez deixaremos as crianças de fora – falou a prima líder, absoluta no seu reinado.
- Crianças? Qual é a idade de corte? – perguntou a prima ao meu lado.
- Dez anos – respondeu a líder.
- Iii. Dançamos... – a prima ao lado me olhou – Eu vou ter que comprar mais dois presentes e você três.
- Tem razão – respondi - E depois falam que amigo secreto é econômico.
- Mas a gente pode dar para quem quiser? – perguntou minha mãe.
- Como assim?
- Eu entro – ela disse - mas eu quero dar para quem eu quiser fora do amigo secreto.
A prima líder pensou antes de responder.
- Hummm. Poder pode, contanto que não seja para todo mundo, tia.
- Porque não pode para todo mundo? Eu que vou dar, eu que vou comprar!
- Ah, porque atrapalha, tia.
- Ah, vá, nunca vi presente atrapalhar – desabafou minha mãe, meio brava.
Minha prima líder me chamou.
- Ajuda a recortar os nomes, dobrar e vê se eu esqueci alguém.
Olhei para a lista.
- Quem é esse?
- O primo italiano.
- Ichi. Ele vem?
- Vem.
- Mas ele vai trazer presente de lá?
- Acho que sim. Vão avisar para ele.
- Ai. Tomara que eu não caia com ele – eu disse – O que dar de presente?
- Dá umas coisas do Brasil. Estrangeiro adora coisa do Brasil.
A prima líder falou alto.
- Não pode tirar pai, mãe, filho e irmão, hein?
- Como assim? – exclamou minha mãe de novo – Se eu tirar a Lúcia ou a Ângela eu não devolvo. São minhas filhas!
A prima líder explicou.
- É assim. A Lúcia não pode tirar a filha dela, por exemplo, porque elas moram na mesma casa. Mas você tirar a Lúcia pode, pois são duas casas.
- Regra estranha, não acha? – disse aquela prima do lado, rindo.
- Pronto. Vamos lá – e ela mostrou o vaso com os papéis.
Cheguei em casa e redistribui ao Zé e aos filhos. Todos os pares foram feitos, e, quando eu abri o meu...
Bom, óbvio.
Cai com o primo italiano.






















