segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

impressões sobre um grande museu

Museus, não sou lá muito fã de museu, mas fazer o quê. Museus pra mim são uns lugares onde você vai meio só pra dizer que foi e comentar com outros que foram as exposições que... esquece logo em seguida. Não é por mal. É apenas porque museu tem coisa demais, quadro demais, artista demais, tudo misturado demais. Lembro sempre de pouca coisa dos museus que já fui e resolvi assumir as bobeiras que penso. Vamos lá.
Por exemplo, percebi que talvez os romanos realmente não tenham tido nariz. Nas estátuas sempre eles estão sem (também estão sempre sem um braço, perna, cabeça e nunca tem pinto também), e a gente acha que foram as estátuas que se quebraram. Mas será que era isso mesmo? E se eles realmente não tivessem nariz?
Sempre que olho uma estátua romana, acho que as pessoas são parecidíssimas com as pessoas da minha família, embora todo mundo da minha família tenha nariz. Algumas pessoas, inclusive, tem uns imensos, que não param de crescer, segundo diz a lenda.

Essa não seria a primeira sandália havaiana da humanidade? Estava numa estátua de um Deus mitológico grego. Depois dizem que a marca é brasileira.


Minha mãe sempre me disse que o parente mais velho dos meus parentes italianos era um tal de Hugolino. Na história da minha família, o Hugolino era um patriarca famoso por nunca ter mudado de cama na vida - na cama que nasceu, ele morreu e acreditem: foi enterrado com ela! Olha... Achamos essa estátua desse outro (ou seria esse meu tataratatataravô?) Hugolino no museu. Olha a cara de desespero dele. Será que levaram a cama para onde?




Bebês assustadores. Super na moda nos quadros clássicos europeus. Jimais, hahaha. Olha a cara maldosa desse dai, que demais. Nossa, acho tenho mais medo dele do que da véia cacareco. Aliás, tirei mais de vinte fotos de bebês monstros do Metropolitan, tipo "colecionei", nunca vi tanta criança com cara de má (Deus me perdoe, mas as imagens são assustadoras), e bem, se alguém quiser compartilhar meu álbum me avise que mando por e-mail. Aliás, o que será pensa um bebê satânico como esse olhando pra mim? Nossa, que medo dessa viagem. Aliás-2, hoje fez mais de menos 11 graus. E eu achando que tava frio em Scranton.

domingo, 3 de janeiro de 2010

a véia cacareco



Alugamos um apartamento para ficar uns dias por aqui em NY, pois é mais barato que hotel. Mas chegamos um dia antes, e a corretora nos sugeriu que, nesse um-dia, ao invés de ficarmos num hotel, ficássemos na casa de uma senhora que morava no Upper East Side sozinha e que alugava dois quartos para turistas. Bem mais barato. Olha. É péssimo ficar na casa dos outros, mas como seria um dia só, aliás, uma noitinha só, topamos. E lá fomos nós de mala, filhos e cuia para a casa da mulher.
Gente, se arrependimento matasse. Percebemos a roubada na hora que tocamos a campainha e a porta se abriu. A mulher parecia uma bruxa, andava de camisola e era mega super hiper muito demais supremamente mal humorada. Não é que ela parecia uma bruxa. Ela era uma bruxa. Óbvio.
O apartamento era moderno, mas a decoração, entulhada, fazia o ambiente parecer um... castelo mal assombrado. Nenhum parede era branca, todas eram de cores de bruxarias, como roxo, lilás, verde musgo, cinza. Brrr. A quantidade de móveis e estantes com coisas estranhas em cima era inacreditável. Nos sofás, milhares de paninhos, toalhinhas, almofadas e porta almofadas, todas de veludo de roupa de feiticeira. Um tapete não bastava, ela colocava diversos, um sobre o outro, todos muito velhos e escuros. Nas janelas, quatro cortinas pesadonas, no mínino. Isso fora os armários com vidro com coisas assustadoras dentro. Bonequinhas, bichinhos, fotos estranhas. Olhem essa boneca de terror que ficava no meu quarto, e que passou a noite toda olhando pra mim. Meu Deus. Na sala, caixas e caixas de contas e missangas, além de um estranho carrossel de bichos e doze abajures de vitral, que não iluminavam nada. E os livros de magia negra e assassinatos? Um monte. Tv? Nem pensar. Silêncio e o barulho do vento do trigésimo andar, uuúuuuú. Além disso, a mulher não falava, não fazia barulho ao andar (acho que ela voava feito fantasma), não fazia questão nenhuma de ser simpática conosco e só dava ordens: trancar a porta assim-assado, tirar os sapatos na porta e passar álcool gel nas mãos. Ela passava o dia trancada num misterioso quarto no fundo do corredor. Os meninos, claro, passaram a tirar sarro da situação esdrúxula para um dia de... férias. E daquela casa cheia de tralhas e cacarecos. E inventaram na hora um apelido para a mulher de penhoar, cabelo desgrenhado e pele ruim: "a véia cacareco". Era véia cacareco pra cá, véia cacareco pra lá. Um tipo de vingança, claro. E olha, eles repetem tanto uma piada, mas tanto, que eu e o Zé óbviamente esquecemos o nome da mulher e passamos a chamá-la de... véia cacareco também. Putis. Meio na frente dela, afinal, julgamos que ela não falava português. Rindo, resolvemos que íamos deixar um cacareco para ela. Achei um chaveiro cafoninha na minha bolsa e pendurei num canto do quarto. Hehehe, vai ficar aqui um cacareco, falei, brincando. Mas no dia seguinte os meninos vieram contar que acharam uns produtos no banheiro com rótulos em português.
- E dai, gente? - perguntei.
- Mãe! Olha! Tá escrito aqui "amtisséptico bucal"! Uma pessoa que sabe o que é um antisséptico bucal óbvio que sabe falar português. E nós falamos mal dela e rimos dela super alto aqui no antro dos cacarecos! Ela vai fazer magia negra com a gente!
Olha, pelo sim pelo não, na hora de ir embora o Zé me fez voltar e verificar mil vezes em todos os cantinhos pra ver se não tínhamos esquecido nada. Concordei com ele. Imagina se ela usa uma roupa nossa pra fazer magia negra? Céus. Melhor não facilitar com bruxas.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

happy new year and york!


E feliz 2010 pra todos!

super verdade




Tá, é meio caipira mesmo, mas nunca tinha ido num lugar tão frio na vida. Olha como é verdade no conversor do meu celular. Nunca imaginei que a cidade de Scranton fosse tão fria, que decepção. Na verdade, esse negócio de eu não falar inglês direito que me faz assistir só o weather channel e os canais de desenho tem me deixado em outra dimensão. Só penso em previsão do tempo. Pra quem quiser saber, hoje nevou duas vezes.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

franka e michael scott



Era uma das opções no meio do caminho e eu não quis perder a chance. Afinal, pra que serve a vida se não forem essas bobagens? Adoro o seriado do "the office" e a cidade de Scranton estava bem no meio do caminho de hoje. E sei lá como e porque, mas todo mundo se animou e estamos todos na cidade do Michael Scott. Escolhemos um hotel pela internet, quando chegamos era um hotel histórico, chamado Radisson Lackawanna, que funciona num antiga estação de trem. Coisa mais maluca, o hall do hotel é o da estação e tem bancos de trem velhos por todos andares.


A cidade é a mesma do seriado.Dãããr pra mim. Jantamos no Farley's, que é aqui ao lado, no donwtown, e que, segundo meus filhos que olharam na internet, foi uma das locações do The Office. Deve ter sido, um dos pratos se chama Michael Scott. Engraçadíssimo estar aqui. Na hora de escolher um restaurante, escolhi um de sopas no site do seriado, e os meninos explicaram que era o local do sopão dos mendigos. O único problema são os menos 7 graus lá de fora. Nunca fiquei num lugar tão gelado na vida. Não consegui sequer tirar fotos a noite, minha mão congelou. Acho que eu devia era dar minha peça pra o Michael.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

falling franka


(hahaha, reparem na quantidade de gente que está na varandinha da casa, é um dos grupos de visita guiada que a gente é o-bri-ga-d0 a fazer, um saco)



Eu não sei o que é uma nevasca. Aliás, não entendo patavina de neve. E hoje acordei, olhei pela janela e tudo estava branco. Caiam floquinhos do céu. Já vi neve, mas não entendo de... quantidade. Os floquinhos caiam de lado, de cima e de baixo, e nosso carro alugado... sumiu. Como aquilo era estranho, anunciei a todos:
- Gente, atenção, estamos no meio de uma nevasca e é melhor não sairmos do hotel.
O Zé riu de mim. Segundo ele, aquilo era uma neve levinha, um tipo garoa. Hã? Menos 4 graus e ele chama de garoa? Moro num pais tropical abençoado por Deus que tou fazendo aqui? Explicando: estamos numa cidadezinha no meio da Pensilvânia chamada Uniontown e aqui, agora, oito da noite, está nevando muito, mas ainda todos dizem que não é nevasca. Caraca, o que será então? Escolhemos essa cidade pra dormir porque o Zé e eu queríamos conhecer a casa da cascata, a Fallingwater, do Frank Loyd Wright. A casa fica num local afastado dessa cidade, num lugar chamado Bear Run, e as opções de estadia ali ao lado são poucas, por isso resolvemos ficar aqui. Não sei porque fomos inventar esse treco de casa da cascata. Aqui nesse país fica todo mundo ligado no weather channel, nesse canal só tem tragédia e eu fico apavorada. Achei que íamos ser soterrados pela nevasca e até aparecer na TV: "família de turistas brasileiros resgatada depois de três dias no meio da nevasca na Pensilvânia". Implorei pra gente não ir, mas o Zé e os meninos nem me deram bola. Pra chegar na famosa casa foi uma aventura numa pequena estradinha no meio do nada, eu reclamando sem parar. Mas de repente a casa estava lá, com café, lojinha de souvenirs, como se nada tivesse acontecido. Não vou mais assistir esse Weather Channel à noite. O problema é que esse e o canal de desenhos são os únicos canais que eu entendo. Bem, e a casa da cascata é um deslumbre, emocionei, afinal estudei muito essa casa, e acreditem: mesmo a menos de 5 graus, a água da cascata não está nada congelada.

domingo, 27 de dezembro de 2009

nenhum crânio pro Obama, azar dele


E quase consegui! Um das metas da minha viagem era conhecer a Casa Branca. E ufa, consegui!Nossa, que inacreditável. E aqui vemos Casa Branca numa foto da Franka, juro, meio de longe, muito num dia de tempo horrível, debaixo de chuva, mas as coisas fáceis não são tão legais como as absurdas e difíceis. Minha intenção era achar a caixa de correio da Casa Branca para colocar a minha peça "o crânio" para o Obama ler, com um bilhetinho "hello Obama, I'm Franka, a brasilian blogueira*, this is my play and I want your opinion". Mas gente, acredita que a casa Branca não tem caixa de correio? Frustrei total. Dai tive a idéia de jogar a peça por cima do muro, mas os meus filhos avisaram que era melhor não fazer isso, pois os seguranças provavelmente me prenderiam achando que era uma bomba, o que estragaria toda a viagem. Tudo bem, deixa estar jacaré. Deixa eu ficar famosa que ele vai implorar pra ler meu crânio.
* Como se escreve "blogueira" em inglês?

franka's white christmas 3


E já que quem tá na chuva se molha e na neve se congela, e como todos as pessoas em NY vão na noite de natal pra o tal de Rockfeller Center, a nossa família, turista e cafona como nunca, resolveu ir pra aquele lugar lotado pra tirar umas setecentas fotos da gente mesmo em frente a uma árvore gigante (com estrela de cristais de verdade, dizem) e ver um monte de gente patinando e caindo. Como todo mundo falava "óóó" quando via a árvorona, a gente também se empolgou por um tempo. Uma hora encheu. Na tentativa de sair dali, encontramos um prédio que acendia e... cantava sozinho. Os meninos não resistiram e começaram a dançar, e os turistas, ao invés de filmar o prédio cantarolando, passaram a filmar... os meus filhos. Eles reclamaram um pouco porque não tinham espaço para fazer uma dança comtemporânea mais caprichada, mas valeu. E eu levei a maior bronca porque coloquei o dedo na frente da câmera na hora da filmagem. Não tou acostumada a usar luva, fazer o quê.

sábado, 26 de dezembro de 2009

franka's white christmas 2



- Vamos, mãe, vamos lá, você não vai acreditar. Parece um pesadelo, o lugar mais neurótico do mundo.
Verdade. Times Square é o lugar mais histérico do mundo. Não dá pra ficar muito tempo lá. É como se o Kassab resolvesse que é proibido colocar propaganda em São Paulo inteira, mas num pedacinho, por exemplo, na rua Augusta entre a Paulista e a Santos, é totalmente liberado. Dai as pessoas piram completamente e entopem cada milímetro do lugar com milhões de propagandas que piscam acendem mudam de cor, andam, correm, falam, sei lá, e, de tanta propaganda, ninguém vê nada que tem no lugar. Hahaha. Um inferno em terra, resumindo. Além disso, tem uma coisa muito esquisita nessa coisa do consumo desenfreado. Nada é nada que é mesmo, tudo vira uma marca que vira camiseta, brinquedo, guarda chuva, baralho, sei lá. Por exemplo, M&M. M&M é um confeito, certo? Umas balinhas coloridas de chocolate ou amendoim, cento? Uma bobagem qualquer de comer que não faz bem pra saúde inclusive, certo? Que nada. Virou uma mega master blaster loja que vende roupa, moletom, camiseta, guarda chuva, almofada, mil brinquedos, copinhos, tudo com aqueles bonequinhos gordinhos estilo Tico e Teco sorrindo, a loja mais lotada de Times Square. E no caixa, num cantinho bem escondidinho, a loja vende uns pequeninos... confeitos M&M. É. O mundo do consumo é realmente muito esquisito.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

franka´s white christmas 1



Bem, depois de um monte de confusões (deixo sempre tudo pra última hora), aqui estou eu e minha família no nosso famoso white christmas, no meio da maior neve (que idéia!) e parecendo uns bolo-fofos de tantos casacos. A viagem foi meio um suplício, só que agora não sei como vou fazer para voltar. “Meio” um suplício não, foi um suplício total e supremo, como dizem os meninos. Só de pensar no inferno que vai ser a volta, tenho arrepios. Bem. Tem sempre uma solução que me deixa aliviada, que é a idéia de não fazer a viagem de volta e ficar aqui para sempre. Não consegui dormir, não pude fumar por mil horas, estava com uma roupa apertada, o remédio pra dormir não adiantou nada e o banco do avião não descia porque agora as companhias aéreas inventaram de colocar umas mini-televisõeszinhas na cadeira da frente (a minha obviamente não funcionava) e se o banco da pessoa da frente descer muito, a pessoa de trás não a TV. O que é mais importante hoje? Ver TV computadorizadazinha ou dormir? É absurdo, mas a TVzinha touchcreen é mais importante. Que burrice que às vezes que é a humanidade. E gente, eu enjôo em avião. Chega, não vou mais falar nisso. Fiquei sem rir por quase 24 horas. O esquisito é que ninguém da família achou nada ruim. Nadica. Só eu. E juro, não estou na TPM.
Tinha esquecido como é engraçado viajar com o Zé e com os filhos. Tinha esquecido também como sou ruim pra falar inglês. As maiores piadas da viagem até o momento acontecem logo depois que eu falo uma frase em inglês pra alguém.
- Como que é mãe?
- Eu disse pra ele que é “too fast”.
- Hã? É o que, mãe?
- Too fast. Ou seja, muito longe. Não é isso? Errei de novo?
Um olhou pra o outro.
-Ixi. A mamãe tá muito "fast" de falar inglês direito...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

franka minie?



Todo mundo gosta, mas eu não. Agora estão na moda esses carrinhos pequenos e gordinhos, meio retrôs, com cara de carro antigo. Pra mim é tudo carro de Mickey. Lembra do carro do Mickey, do carro do Donald, do carro da Margarida, da Clarabela? Tudo igual ao Mini Cooper, ao Cinquecento, ao Smart e ao Crysler Cruiser. Outro dia o Zé inventou que eu tinha que ter um desses, fiquei implorando para ele não inventar moda. Imagina eu dentro de um trequinho desse que vergonha que vai me dar. Franka Minie? Nananinanão.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ensaio sobre a sopeira



Usamos um pote de sorvete vazio, desses de 2 l, para encher o recipiente de água da Sopa, que fica no quintal. A Sopa é minha nova cachorra-destruidora-bebê. E é muito atrapalhada, a Sopa.
Um dia desses esse pote, que fica em cima do tanque, caiu no chão. E claro, a Sopa resolveu pegar o pote para mastigar e destruir. Não deu tempo de tirar da frente dela, ela sempre avança nas coisas que ficam no chão e sai correndo com a coisa na boca pra bem longe. Só que ela mordeu na borda menor do pote, e a cabeça dela entrou literalmente dentro do pote. Ela não entendeu nada. De repente o mundo todo ficou totalmente branco, e ela começou a correr sem rumo, batendo sua cabeça de pote nas paredes e tropeçando sem parar. Olhava de cá pra lá com aquela cabeça de pote de sorvete, desesperada. Cadê todo mundo? Cadê o quintal? Cadê meus donos? Tadinha. Acho que ela nunca esperava por aquilo. Imagine você morder uma coisa pra brincar e de repente tudo ao seu redor sumir e ficar branco feito neve. Subitamente cega. Como no filme do Meirelles do livro do Saramago. Engraçado.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

franka aperta livro



Estávamos nós, uns blogueiros perdidos em Pinheiros na segunda feira passada, quando a Anna veio mostrar a revista Brasileiros desse mês com duas novidades: uma matéria do Márcio e uma resenha do Jayme. Todo mundo queria ler, e ela abriu as páginas e apertou bem apertado no meio da revista pra ela abrir bem.
- Ai, que feio! - a Anna disse subitamente, desapertando a revista e arrumando - esqueci não pode fazer isso que estraga a revista.
- Que, Anna?
- Não pode apertar a revista assim no meio que estraga. Lembrei agora. Tenho mania de fazer isso.
E dali em diante começou a maior conversa sobre... apertar revista. A Anna mostrou a lombadinha da Brasileiros, explicando que era ali que estragava. O Pecus falou que livro então era muito pior. Que livro você tem que ler sem abrir quase nada, que ele aprendeu. Eu fiquei ouvindo aquilo super calada. E resolvi confessar que eu aperto revista, abro as páginas de livro passando a unha e pior, dobro para trás a parte já lida. Detesto pocketbook, aqueles livros pequenos e grossinhos que depois da página 50 é impossível virar as páginas lidas pra trás pra ele virar um monobloco. Mais que isso, também dobro orelhas das partes mais legais dos livros e revistas (embora não me lembre nunca do que era legal na tal página depois). Nunca pensei que fosse proibido. Que estragasse. Aliás, quando acabo de ler um livro, eu olho orgulhosa pra o frangalho que ele fica. Na Frankolândia apertamos livros, na Gasparlândia, claro que não. É dona Franka, de novo o mundo se divide em duas partes.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

pisc pisc pisc pisc pisc



De novo esse lance de natal. Achei que quando proibiram os outdoors em São Paulo, iam proibir também as luzinhas de natal. Mas não. Parece que elas são permitidas. Tem gente que fala que é bonito ver a cidade toda enfeitada, eu acho péssimo. Mais de 90% das luzinhas da cidade são toscas, super mal colocadas e estragam os imóveis. Outro dia disse isso para o Zé, e ele discordou.
- Olha aquelas que legais.
- Zé, mas olha aquelas, aquelas e aquelas, que horríveis!
- Péssimas, tem razão. Vamos contar quantas são feias e quantas legais.
As legais perderam feio. Outro dia quase bati o carro na praça Panamericana, pois assustei que colocaram umas luzes strobo azuis nas árvores. Ficou um pesadelo aquilo. As pessoas quando vão colocar luzinha usam uns critérios super estranhos. Tem o lance de enrolar o tronco das árvores e transformá-las em monstros, que já encheu. Tem aqueles que fazem o contorno da casa. Tem outros que tentam fazer guirlandas. E aqueles que fazem chuvinha caindo nas varandas e janelas. Nenhum dá certo, repara. Não gosto, acho feio, a cidade a noite parece toda rabiscada. Falando em rabiscados, outro dia alguem falava sobre a Fernanda Young na Playboy, e meu cunhado Caio comentou que achava horrível a Fernanda Young.
- Horrível ela na Playboy?
- Não, horrível ela. Uma mulher toda rabiscada, éca, toda cheia de desenhinhos aqui e ali, parece uma carteira escolar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

é, franka, pensou que era sopa?



- E ai, como tá sua cachorra, a Sopa? - perguntou minha irmã.
- Não pára quieta, Ângela. Fica pulando e mordendo sem parar, as pessoas não aguentam ficar muito com ela, e acho que ela não entende o recado.
- Difícil ser cão, hermana. Tá assistindo o César Millan, o encantador de cães, na TV?
- Assisti todos que consegui. Uso todos os truques dele, mas ela não me obedece. Acho que não sou a líder da casa. Minhas calças e sapatos já estão em frangalhos, e eu estou toda cheia de mordidas nos braços, mãos, pernas.
- Ela tem medo de alguma coisa? Barulho, bola, aspirador de pó?
- Hum. Ela tem medo de caixa.
- Caixa? Como assim?
- Ela tem medo de caixa de papelão, dessas grandes. Quanto maior, mais medo ela tem. É a única coisa que ela foge. De caixa.
- Ótimo, já é alguma coisa, Lú. Encha sua casa de caixas, ué. Caixas por todos ambientes. Caixas na sala, na cozinha, no hall. Caixas aonde você não quer que ela pule e morda você e as pessoas.
- E a gente, as pessoas que visitam, ficam todas no meio das caixas? Não vai ficar meio entulhada a minha casa?
- É temporário, pensa, Lú. Depois ela aprende. Ou então... hummm, tive uma idéia! O melhor seria encontrar caixas de geladeira, aquelas enormes, aquelas que cabe uma pessoa dentro. Nossa, difícil encontrar caixa de geladeira... as pessoas não compram muitas geladeiras... já sei, coloque um anúncio "aceito caixa de geladeira"e dai...
- Peraí. Pra que caixa de geladeira, Ângela?
- Para as pessoas vestirem, Lúcia!
- Vestirem? Entrarem dentro?
- É. Resolvido o problema da Sopa. E coloque um aviso na sua porta "se a Sopa te encher, entre na caixa de geladeira".

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

correndo de pernas curtas



Esse amigo arrumou um emprego num empresa grande e tinha um chefe que gostava muito de esportes. Logo no início, o chefe quis saber se ele fazia alguma coisa.
- Eu corro no clube, ele disse.
- Ótimo, disse o chefe, temos um time de corredores aqui na empresa, vamos em maratonas e corridas. Vou apresentar você ao time.
Chefe é chefe, ele pensou, melhor não contrariar. Ele não é um super corredor, mas topou entrar no time da empresa, e logo em seguida foi avisado que teria que correr a São Silveste. Achou chato, não era exatamente aquilo que ele queria fazer no reveillon, mas o emprego era tão bom e o chefe tão animado que concordou. Que remédio. Ganhou o kit da corrida da empresa, com camiseta com propaganda e tudo. O "time" combinou de largar junto, como uma equipe.
Lá foi ele no meio do bando, todo uniformizado. Correu, correu, correu e uma hora não aguentou mais. Não que não estivesse treinado, apenas não estava muito a fim de correr tanto. Uma certa hora houve uma dispersão e ele olhou pra cá, para lá e não viu ninguém da empresa, nem o chefe. Escapuliu pra uma ruazinha e pegou o primeiro táxi que encontrou e pediu para ir para os Jardins.
- Meu senhor, não dá pra passar a Paulista por causa da corrida.
- Então me deixa do lado de cá que vou o resto a pé, ele pediu.
Desceu na Brigadeiro e foi andando pela calçada, ao lado da corrida. Foi quando ouviu vozes chamando.
- Rapaz! Ô rapaz!
Era uma turma enorme de corredores da terceira idade, que começaram a animá-lo. Uns senhorzinhos super simpáticos.
- Rapaz, que qué isso? Você, tão moço e já desistiu? Vamos, corra com a gente! Temos o dobro da sua idade e estamos firmes! Falta muito pouco! Venha!
Ora, ele pensou, já descansei mesmo, acho que vou entrar na corrida de novo. Olhou pra cá, pra lá, não viu ninguém da empresa e pulou a corda de volta pra corrida. Entrou na Paulista com sua nova turma e pimba, passou a reta de chegada. Foi super aplaudido pelos senhorzinhos.
Tudo normal, ganhou medalha e foi pra casa. Porém quando encontrou o chefe e os colegas no trabalho no início do ano, não teve coragem de contar que... pegou um táxi. Ia pegar mal, o patrão ia ficar uma fera, e ele achou melhor não falar nada. Pensou que aquilo não teria consequência nenhuma. Bom. Tudo correu bem até que saiu a classificação, e ele (óbviamente por causa do táxi), tirou a melhor classificação da empresa. Fez um tempo maravilhoso, incrível, nossa, que preparo físico! Todos vieram elogiá-lo, e ele cada vez mais sem graça. Parabéns, parabéns!
Isso ele me contou esse ano, quando trocou de emprego, e o boato da sua sensacional classificação chegou na empresa nova. Agora foi convidado para correr novamente a São Silvestre, mas pela empresa que está. Ficou desesperado com o sucesso. Correr de novo? E agora?
- E agora, Lúcia, o que eu faço? Você pode me buscar no meio do caminho e me deixar na Brigadeiro de novo?

que legal

Ele me chamou, o Chico. Depois de três anos de faculdade, o Chico meu filho me chamou para visitar o lugar e me apresentar a faculdade dele. Sempre respeitei esse tempo que as pessoas (digamos, os filhos) precisam ter pra não ter vergonha da gente. Uma mãe na faculdade do filho, do lado dele toda-toda, falando "ai que lindo ai que legal filhão" deve ser mesmo um uó. Mas acho que ou eu ou ele passamos dessa fase. Fui convidada oficialmente para visitar a Faculdade de Direito São Francisco do Francisco, com direito a tour com ele, apresentação aos amigos e almoço no japonês depois. Coloquei uma roupa bem jovem e tentei ser super moderna. Não falei um "ai que lindo ai que legal filhão", juro. Sei lá ó se deu certo. Só não podia tirar foto, esse o pedido do menino. Não tirei, juro, olhai. Uau, mas que emoção que foi. Tou felizinha. As arcadas e o Chico. Enfim entendi tudo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

dinopão ou pãoduá?

Olha que pão mais esquisito que apareceu na mesa nesse fim de semana. O olhar foi por minha conta, não aguentei. Simpaticão e sorridente, não?



Pior foi depois do lanche. Olha a cara de tristeza do coitado. Olhar de desespero, acabou-se o sorriso.

domingo, 29 de novembro de 2009

a tapeação da pipoca



Meu sobrinho veio aqui ontem e contou animadíssimo que recebeu aquele tal email que anda circulando por ai com um filme absurdo: umas pessoas colocam quatro celulares entre uns grãos de pipoca, as quatro pessoas ligam para os quatro celulares ao mesmo tempo e as pipocas estouram. Como meu sobrinho é criança e eu e a Ângela, minha irmã, somos super bobas, resolvemos propôr aos convidados do almoço que fizéssemos o teste. Parecia sensacional, tipo uma mágica. Vi o email, me animei. Primeiro foi preciso fazer a conta: para fazer aquilo, era preciso que tivéssemos oito telefones, quatro para estourar as pipocas e quatro para ligar para os outro quatro. Foi um tal de contar e achar celular pela casa. Era preciso coordenação para todos ligarem juntos, o que ficou por conta do Luiz, meu sobrinho. E era preciso que alguém filmasse, no caso eu, a boba da dona da casa. Fizemos o teste, mas fomos nós, os adultos, que ficamos pipocando sem parar em volta daqueles telefones ridiculamente colocados frente a frente, tocando a troco de nada. As pipocas ficaram intactas e paradas. Tá na cara que fomos tapeados. Fiquei sem graça com os convidados, que coitados, tiveram que participar dessa bobeira.

sábado, 28 de novembro de 2009

música longe em lugar perto


Sempre que a gente vai nalgum lugar, bar, restaurante, loja, shopping, festinha, tem uma música tocando. Nada contra, adoro música. Só acho engraçadas as escolhas. Tem lugares que colocam músicas que são nada a ver com o lugar. Eu sei como é, também erro aqui em casa às vezes. Um dia dei um jantar e logo que servi a comida resolvi colocar uma música no meu aparelhinho de som. O meu aparelhinho é velho e desatualizado, mas achei que recuperaria o status dele com o cabo do meu iPod. Durou pouco, uma vez que meu iPod não é mais meu depois que um dos iPods dos meninos quebrou e acabei doando. Além disso, o cabinho que liga no som sumiu. Dai o aparelhinho de som da minha sala, um daqueles minisintens, agora só depende dos meus cds. Nesse dia escolhi um disco do Barry Manilow. Coloquei o Barry para cantar. Even now, this one's for you, ships, tralalá.
- Franka, que qué isso? - disse um convidado.
- Barry Manillow, ué.
- Pelo amor de Deus, a gente tá jantando.
Não é todo mundo que consegue mastigar ouvindo ships, percebi. Aliás, a mesa toda meio que ficou aliviada quando tirei o Barry e coloquei um instrumental clássico qualquer. Não identifiquei se o problema era com a voz do Barry ou com a letra da música. Apenas nunca mais coloquei Barry nas refeições, evitando indigestões nos convidados.
Outra opção que anda muito na moda com meus amigos e que até minha mãe adota é a radionet. Tem um canal na net cheio de músicas, você escolhe o tipo e desliga a imagem da tv. Muito boa solução uma vez que o som da minha tv é melhor do que o do minisistem. Outro dia fui numa festa onde até teve dança com a rádio net. Quase tive um acesso de riso. Não é engraçado?
Mas tem uma música que não entendo, e que hoje em dia toca em tudo quanto é lugar. É essa coisa de lounge. Tudo bem música lounge em lugar lounge, no meio da madrugada, imagino, com jovens se mexendo de olhos fechados. Nunca fui numa festa lounge, imagino que seja assim. Mas música lounge em restaurante ou bar acho esquisitíssimo. Você animado, conversando, e aquilo fazendo nhow nhow nhow a troco de nada. Música lounge é meio uma música longe, que fica tocando do nada lá num outro mundo, e que parece que não incomoda. Mas pra que colocar aquele nada que você nunca reconhece qual é a música que tá tocando? Música longe em lugar perto me irrita muito mais que o Barry. Aliás, um dos meus sonhos é ver o show do Barry ao vivo em Las Vegas. Like those ships that pass in the night, bem longe.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

celular au champagne



Tempos atrás meu celular sofreu um acidente horrível: caiu na privada. Sei que é nojento confessar, mas fiz até um post. Todo mundo ficou com asco e aflição dele e de mim, por continuar usando aquela "porcaria", mas comprar outro? Era novinho na época. Bem, passados quase quatro meses, aconteceu outro acidente com o pobre coitado. Mas esse foi chique: banho de champanhe. Meu amigo Edu veio aqui nos visitar essa semana numa noite super quente com uma champanhe geladinha. Conversa vai conversa vem, virou a taça sobre o celular, que ficou encharcado. Mas acho que ele já está acostumado com banhos. E eu também já tenho nouráu de primeiros socorros. Desmontei todo, deixei secar, liguei de novo. O coitado ficou a noite toda meio bêbado, enrolando a língua, falando inglês do nada (hilário, o viva voz entrava sozinho), depois me perguntava coisas estranhas, como se eu queria usar o fone de ouvido ou gravar diversas interrogações na caixa de contatos. Estava alcoolizado, claro. Mas finda a bebedeira e a ressaca, o celular acordou ótimo e totalmente normal. Sem precisar de arroz nem nada. Quis contar isso aqui para as pessoas pararem de ter nojo do meu NokiaE71, pois obviamente ele foi esterilizado. Do jeito mais chique possível, fala a verdade.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

torradas e tomadas



Fiquei sem internet o feriado inteiro. O apagão deu problemas nos aparelhos, acho que foi naquela hora que a luz vinha e voltava que o negócio estragou feio. Tudo pifou na internet e eu fiquei completamente desconectada. Dá umas coisas em gente desconectada. Pelo menos em mim. Fico meio sem sentido. Meio sem graça. Tipo uma torradeira fora da tomada. Uma torradeira sem da tomada não faz torradas, franka sem internet não faz posts. Lembrei disso porque comprei uma torradeira nova e ela veio com aquele plug de tomada novo. Aquele com 3 pinos que parecem dedinhos. Ficamos olhando aquilo sem saber o que fazer. Não existe benjamim da tomada antiga pra essa nova, só da nova para a antiga. Tivemos que trocar a tomada. Provavelmente teremos que trocar todas da casa. Vai ser um trabalhão. Pelo menos agora a torradeira funciona, mas a internet de casa ainda não, só aqui no escritório.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

vale lavadeira?



Adoro jogar baralho. Sozinha é legal, seja no micro ou com cartas, mas com alguém é sempre melhor ainda. Ganhar da sorte ou do micro não é melhor do que ganhar dos outros, ao vivo. Além disso, jogar no micro vicia e eu sou completamente viciada. Nem tenho jogo no micro do escritório senão não faço mais nada. Uma desgraceira. Já aprendi. Paciência, só em casa.
Mas não sou boa jogadora. Sou distraída, dispersa, falo muito e cometo erros horríveis. E não tenho lá muita sorte no jogo, se é que isso existe. Por exemplo, acho que nunca ganhei do Zé no crapô. Acho também que nunca escrevi essa palavra, "crapô", será que escreve assim? Ou será que é "crapow"? Sei lá, só sei que o Zé é o rei do crapô. Ele joga assoviando, tranquilo e ganha de mim sem parar. Fico horas e horas parada olhando ele trocar as cartas daqui para lá enquanto eu não faço... nada. Na minha vez, vem sempre um maldito e inútil rei. Não sei se ele tem sorte ou se joga bem. Mas ele sempre ganha de mim. E mesmo assim, adoro jogar com ele.
Começei esse ano a convidar amigos para jogar com a gente. Buraco. Ainda não me arrisco em outros jogos, embora num feriado ai eu tenha jogado tranca, que aprendi outro dia. Achei legal, mas ainda me complico. Uma questão de treino. Combinei com minhas amigas que se treinarmos muito hoje, na idade que temos, quando ficarmos velhinhas podemos fazer fortuna. Ganhar de todas as outras velhinhas e velhinhos que não treinaram aos quarenta anos. Por isso resolvi investir nessa modalidade e passei a chamar amigos aqui em casa pra jogar. Minha meta não é o pôquer, e sim o bridge, que acho muito chique. Ainda chego lá. Por enquanto estamos no buraco com amigos. Não tem muita regra e não precisa jogar bem para jogar comigo e com o Zé. A única coisa que eu imponho é que eu e o Zé não jogamos juntos. Jogo de casal com casal não é legal. Eu gosto de disputar com o Zé. E eu também sei que se eu jogar com ele, e jogar mal, depois que os parceiros forem embora ele vai me condenar pelos meus erros: "pô, Lú, precisava dar a canastra pra eles?". Dai a noite vai ser uma chatice, eu me lembrando da carta que descartei sem querer, ele emburrado. Então resolvi que sou sempre adversária dele. Às vezes ganho dele e ele fica sem graça. Ele não fala, mas é bem competitivo. Eu falo que sou competitiva para deixar os adversários irritados, mas não sou.
Também não gosto de muita regra, mas descobri que as pessoas adoram regras. Por exemplo, não entendo porque ninguém gosta de lavadeira. Super bom lavadeira. Cinco, cinco, cinco. Dama, dama, dama. Dizem que isso estraga o jogo. Estraga nada. Mas não discuto. Não me interessa nesse momento perder parceiros. Jogo como quiserem. Tem outros parceiros que tem "toc" de baralho. Um dia uma amiga teve um xilique quando dei as cartas. Não!, ela berrou. Que foi, disse, assustada. Você deu do lado contrário!, ela gritou. Hã? Que lado contrário? Tão todas de cabeça pra baixo, eu argumentei. Não, ela explicou, tem que dar as cartas no sentido horário, você deu no anti-horário. Isso faz diferença?, eu perguntei. Claro que faz!, ela se indignou. Recolhi, embaralhei, dei tudo de novo. Tem gente que passa mais tempo discutindo o que pode e o que não pode do que jogando. Tem de tudo. Aceito tudo.
Lembrei que outro dia joguei com meu primo Francisco. Ele é um expert em jogos. Vale lavadeira?, ele perguntou. Vale, arrisquei. Oba, ele disse. Bem. Ele só fez lavadeiras. Um monte. E ganhou de mim de lavada.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

fim de semana resfriado

Fiquei tentando esconder, mas desisti. É que odeio gente gripada, que fica falando dudo bem e dããão, e estou gripada pra burro falando dudo bem e dããão. Passei um fim de semana do cão. Ou da cadela. Sei lá. Não é gripe suína, mas talvez seja canina, afinal foi com ela, minha cadela, que tive mais contato semana passada. Incrível como o corpo consegue doer inteiro, inclusive nos lugares que nunca dóem na vida, como no meio da perna ou no topo da cabeça. Gastei montanhas de lenço de papel e analgésicos, não parava de espirrar, um nojo total completamente anti ecológico. Perdi festas e encontros e só reclamei, ó Deus ó Vida ó Azar. Agora já sei que vem a fase da tosse, depois a da recuperação, que a gente fala no gerúndio: estou me recuperando de uma gripe, estou sarando de um resfriado. Detesto ouvir gente reclamando de gripe e odeio reclamar de gripe. Mas quando você pega uma gripe, não adianta que você só consegue falar dela. Dudo bem vou tentar dão reglamar.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

banheiro de festa


- Lúcia, vai ter a festa da nossa amiga esse fim de semana. Você vai? - perguntou a Ângela, minha irmã.
- Acho que sim - respondi.
- Ela quer que eu ajude a produzir a festa dela. Vou fazer isso. Ah, e ela disse que a sua festa não teve uma produção correta. Disse que você errou no banheiro.
- Hã? Eu errei no... banheiro, Ângela? Como? Porque? Tinha papel, toalhinha e...
- Não é isso. Segundo ela, teu banheiro, o lavabo lá da sua casa, era muito caprichado, tinha velinhas, luz fraquinha e tal. Ela acha que foi por isso que tinha muita fila.
- Hã? Fila? Que tem a ver a fila com o capricho?
- A teoria dela é que banheiro de festa tem que ser vapt-vupt. Banheiro de festa não pode propiciar nada.
- Propiciar?
- Foi exatamente a palavra que ela usou, Lúcia: propiciar. A pessoa tem que entrar e sair dali rapidinho. Não pode ter clima em lavabo de festa, senão a pessoa se demora por lá. O clima fica propiciando.
- E tem que ser como, Ângela?
- Ela acha que lavabo de festa tem que ter um clima tenso. Essa é a teoria dela. Uma luz fria piscando sem parar, um barulho de vazamento que parece que vai explodir a privada para os ares, um ventiladorzinho super alto, essas coisas. Pra pessoa querer fugir dali, e logo. Ou até uma porta que não fecha, pra pessoa ter que ficar segurando enquanto usa o banheiro. Sabe como é horrível porta que não fecha. É isso. Um clima tenso, entende? Um clima tenso em banheiro não propicia. E vaga logo.
- E fica sem fila?
- Fica sem fila.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

o côco e o cocô



O Zé resolveu comprar um livro de adestramento de cães. Escolheu um que dizia na capa "adestramento inteligente", alegando que esse livro se destacava dos demais, que não ensinavam adestramentos "inteligentes". Leu uns pedaços, animado, contou pra todo mundo em casa.
- Então, pai, como a gente faz para ela parar de comer tudo que tem aqui? - algum dos meninos perguntou.
- Não sei bem, mas o cara do livro fala que tem que distrair com outra coisa de roer. Ele fala que uma coisa ótima pra cachorro roer é côco. Sabe côco, de água de côco? Diz que tem fibras e que é bom pra eles ficarem horas e horas se distraindo - e ele me propôs - ei, Lú, vamos na pracinha pegar um côco?
- Hã? Num coqueiro? - eu me espantei - tá certo que a gente gosta de cães, mas não precisa exagerar e escalar coqueiro, Zé.
- Não, dãr, Lú. Vamos pegar um côco usado do vendedor de água de côco da kombi, Lú.
Bom, topei, e lá fomos nós dois pra pracinha no fim da tarde, porém cara da kombi já tinha se mandado.
- Ixi. Pior é que todo mundo aqui é super civilizado, o cara da kombi não deixou nenhum côco jogado pelo chão, que pena... - reparou o Zé.
- Mas deve ter côco usado na lixeira da pracinha, Zé. Vamos procurar.
Olhamos dentro da lata de lixo, levamos um susto. Acho que nunca olhei dentro de uma lata de lixo de pracinha de bairro de gente civilizada cheia de pets. A lata era entupida de milhares de saquinhos super bem amarrados cheios de... cocô de cachorro. Éca. Uma coisa impressionante. Aquele monte de cocozinhos guardados para a eternidade em saquinhos, afe, isso é certo?
- Só tem cocô, não tem côco, Zé.
- Olha ali. Tem um lááá em baixo, vamos tentar pegar, depois a gente lava bem.
- Não é nojento?
- Deixa de ser boba.
O Zé não desiste de uma idéia. Alavancamos o côco, que voou longe, e viemos carregando num papel, para lavar bem quando chegar em casa. No meio do caminho, o Zé me mostra uma plaquinha que tem na pracinha: "recolha o cocô do seu cachorro". Ele me olha e comenta, todo feliz e rindo:
- Aió. Recolhemos o côco do nosso cachorro.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

kit emergência?



Apagou a luz da casa bem devagarzinho. Achei que era um problema de elétrica da minha casa.
- Será que foi só aqui na nossa casa, Zé? Parece que tem luz lá fora.
- Vou na rua olhar se são todas.
Quando ele voltou, o João anunciou.
- Pai, não é só aqui. Meu amigo que mora no Paraíso tá sem luz. E o que mora perto da Heitor Penteado também. Acho que é em muitos bairros.
Nossa, como os adolescentes se comunicam rápido. Em seguida recebo um telefonema da Bê. Ela mora num prédio bem alto, vê São Paulo toda.
- Ouvi no rádio que é geral - ela me conta - Muitos estados, o maior apagão, daqui de cima eu só vejo as luzes de carros. Uma coisa super estranha. Vou tirar fotos. É lindo.
Corri e contei pra o Zé e para os meninos.
- Gente, apagou o Brasil todo, parece. Vamos ligar o rádio pra saber mais - eu disse - é um tipo de caos, precisamos saber mais!
- Nossa - falou o Zé - Claro! Vamos ouvir no rádio, alguém liga o rádio.
- Que rádio?
- Onde tem um rádio? - perguntou o João.
- Sei lá - disse a Nana.
- Sério que não tem rádio de pilha aqui em casa? - perguntou o Zé.
- Como não tem? - eu estranhei - tem os rádios relógios todos, péra, vou buscar.
Trouxe três para baixo. Abri as portinhas de trás, cada um tinha espaço para baterias super estranhas. Olhamos aquilo à luz das velas. Quem abre um compartimento de pilha hoje em dia?
- Que diabo de pilha é essa, vocês conseguem ver? - perguntou o Zé.
- Essa é daquelas quadradas, gordas - falou o João - daquelas antigas de brinquedos. E esse aqui usa umas meio gigantas, sei lá, mãe. E esse outro não sei, olha que estranho, tem uns fios pra fora.
- Não tem nenhum lugar onde tem uma dessas pilhas aqui em casa? - perguntou a Nana.
Saímos a busca de todos controles remotos, telefones e brinquedos velhos. Abrimos todos, perdendo tampinhas e quebrando unhas. Nada.
- E agora? - o Zé perguntou.
- Não tem rádio nessa casa mesmo! - um deles comentou.
- Como pode uma casa não ter rádio? - o Zé não se conformava.
- Já sei - lembrei - vamos ouvir no rádio do carro!
Saímos os 4 para fora, na escuridão, pois o Chico estava no show de um tal de Gogol Bordello, onde a luz não acabou, e entramos no carro do Zé. Ligamos o rádio e começamos a entender a encrenca, até que o João percebe.
- Que coisa mais ridícula nós 4 aqui dentro. Ainda por cima com o carro ligado, ar condicionado ligado e gastando gasolina, só para ouvir um mísero rádio? Como pode uma casa não ter um rádio, mãe? Vamos passar a noite aqui?
- Talvez meu celular tenha rádio - lembrou a Nana.
- O meu tem, mas está sem bateria - falou o Zé.
- O meu não pode gastar a bateria porque tenho que falar com o Chico - eu disse.
- O meu não tem rádio - lembrou o João, que tem um celular muito velho.
Abandonamos o carro e todos sentamos no chão da sala, ouvindo o "rádio" no celular mínimo da Luciana. A cena era mais ridícula ainda. Quatro marmanjos debruçados sobre um aparelhinho mínimo e franzindo o rosto para ouvir um som péssimo, e perguntando de dez em dez minutos para a menina quanto ela ainda tinha de bateria. Incrível como a gente depende de energia para tudo. Incrível como com tantos computadores, tvs de LSD, celulares e tecnologias, nessas horas a gente não tem como agir.
- É. Amanhã vou comprar um rádio de pilha... - decidiu o Zé - será que ainda existe para vender?
Pergunta: vocês tem rádio de pilha?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

perdida nos cantinhos



Eu tenho uma mania de anotar coisas em cantinhos. Estou ao telefone, alguém me passa um número ou email, eu acho um cantinho e anoto. Cantinho de papel, cantinho de caderno, cantinho de propaganda. Anoto emails, telefones, recados. Tudo em cantinho. Dai perco pra sempre. É o mesmo que jogar no lixo.
- Lú, liga pra Sandra e combina o jantar com ela e o marido dela - falou o Zé ontem - eu te passei o telefone dela na semana passada.
- Passou mesmo, Zé. E eu anotei em algum lugar.
- Liga pra ela então.
- Não tou achando o lugar onde anotei. Era num cantinho de um papel, eu lembro. Mas sei lá de onde.
- Onde você estava?
- Aqui, na cozinha - eu respondo, remexendo os papéis de propaganda de pizzaria e disk-comida chinesa - Mas não tou encontrando.
Essa coisa do cantinho é bem insuportável. Geralmente as coisas escritas em cantinhos também são escritas com canetas sem tinta ou lápis de cores estranhas sem ponta, esses que ficam esquecidos nos potes velhos de lápis. No trabalho, então, como minha mesa vira o tradicional pântano ao longo do dia, às vezes passo horas caçando um número ou informação. Tento organizar a vida em cadernos e cadernetas, mas mesmo com as linhas muito claras na minha frente, acabo escrevendo nos cantinhos.
Tem uma coisa nos cantinhos que me lembra uma outra dimensão. As coisas escritas nos cantinhos somem para sempre, assim como os isqueiros, tuppewares, canetas bic, cortadores de unha e lapiseiras pentel, esses objetos que você só compra, que nunca acha novamente. O telefone da Sandrinha eu perdi mesmo. Tive que pedir de novo. Anotei desta vez na agenda do telefone. Que não tem cantinho.

domingo, 8 de novembro de 2009

natgeo, aqui vou eu

Resolvi fazer hoje um filme da nova cachorrinha que mora aqui em casa, a Sopa. De máquina na mão, lá fui pro quintal pronta a fazer um sensacional filme estilo "National Geografic", documentando o comportamento canino em ação. Céus que complicado que são essas duas coisas: ter um cachorro e fazer um filme de um filhote. Bem. Demorei um tempão para convencê-la, no início, a não comer a máquina. Depois gastei mais um tempo enorme pedindo por favor para ela parar de me morder. Mais um tempo pra ela parar de mastigar minha havaiana. Até que ela se distraiu e consegui ligar a máquina e iniciar meu filme. Natgeo, aqui vou eu, pensei. Imaginei o filme: aquele petizinho lindo correndo feliz de lá pra cá, aos saltitos, sorrindo. Um sucesso de filme, essas coisas que dono pensa de cachorro. Mas gente, não deu. Como sempre, ela passou a destruir o meu jardim em segundos, e como eu estava com a máquina na mão, não podia impedir. Eu ia ficar filmando aquilo? Não, né. Resumindo, fiz uns três filmes mínimos, desisti do documentário do comportamento canino e olha ai, nesse mini filme desastroso, a prova que eu tentei. Tentei, mas desisti. A cachorrinha já comeu, em 10 dias, 1/5 do meu jardim, todos estamos com setecentos arranhões e múltiplas de mordidas nas pernas, pés, canelas e mãos, temos uma quantidade considerável de estragos em toalhas, roupas e móveis e todo mundo acha... lindo. Acho que precisamos de uma Super Nanny Dog. Sei lá de onde vem a tolerância dos humanos com um ser tão destruidor como um pequeno cão. Um dos mistérios da natureza.

sábado, 7 de novembro de 2009

as cabeçudas



A Drake, eu a Bê achamos de novo os posteres das três meninas desconhecidas na casa do meu primo e não aguentamos: tiramos uma foto com elas. Somos 3, elas também 3, achamos que isso queria dizer alguma coisa. Nossos corpos, as cabeças delas. O que não sei, acho que vou perguntar para o oráculo. Pera. Voltei. Deu "1", ou seja "vai sozinho". "Vai sozinho?". Nossa que complicado que é interpretar oráculos. "Vai sozinho" pra mim é melhor que "sim". E dai? Sei lá. Voltando, tivemos uma enorme conversa para decidir quem seria quem. Eu acabei ficando com a única menina que não ri e não fiquei lá muito satisfeita. A do meu poster parece até que chora, é que eu tive que colocar tarja e não dá pra ver. Aceitei o fato, fui sozinha e triste. Ficamos hiper cabeçudas, mas olha que foto engraçada.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

o dado eletrônico do primo francisco



Fui outro dia na casa do meu primo e ele me mostrou um estranho objeto.
- Caramba. Que é isso, Francisco?
- É um dado eletrônico. Comprei para testar para usar no jogo que inventei.
O Francisco está desenvolvendo um "jogo", um jogo desses normais, de jogar na mesa, como o War, Leilão de Arte, Banco Imobiliário. Um jogo legal, educativo, bacana, ele já tem todo o projeto montado, mas ainda está em fase de testes.
- Precisa de dado eletrônico, seu jogo? Não pode ser um dado comum? - perguntei - Não é a mesma coisa?
- Não sei - ele disse - comprei esse dado pra testar.
Não aguentei e apertei o botão do meio. Tutututututututututú, fez o dado, que parou num número. Era legal fazer aquilo. Fiquei naquele tututututu um tempão. Foi quando tive a idéia de usar o dado eletrônico para... tirar a sorte. O Francisco se animou com a idéia.
- Que legal! Outro jogo! As pessoas adoram tirar a sorte. Poderemos ter respostas para muitas dúvidas cruciais da vida. Com esse dado-oráculo-eletrônico - ele falou, animado - poderemos definir o destino de muita gente.
- Mas Francisco, pensando bem... para o dado eletrônico tirar a sorte, cada número tem que significar alguma coisa. Olha, eu tirei 3. O que quer dizer? Nada. Dãr prá nós dois, primo.
- Hummm. Vamos fazer uma lista de resultados, então - ele sugeriu - um dos números será o "sim" e outro será o "não". Vamos escolher.
- E os outros quatro números? - perguntei.
- A gente escolhe respostas aleatórias só pra encher linguiça. Importa só na verdade o "sim" e o "não" - ele resolveu.
Hahaha. Gente, como eu gosto de uma bobeira. Colocamos a mão na massa, e a lista ficou assim:
1) vá sozinho
2) será a coisa mais frustrada da vida
3) faça uma salmonela
4) não
5) sim
6) vai dar farofa
Jogamos diversas vezes, fazendo perguntas essenciais e não essenciais para nosso destino. Resolvemos que não existiriam perguntas que não pudessem ser feitas para o dado eletrônico, que, ao contrário de outras sortes, seria totalmente liberado para qualquer pergunta, idiota ou não idiota. "Um dia vou ter um iate?", "tem chocolate no armário?", "vou publicar um livro?", "o fulano vai encontrar a sicrana amanhã?". Tudo poderia. Fiquei com a lista, ele com o dado. Desde então eu e o Francisco temos nos torpedeado muito, a toda hora. Quando tenho qualquer dúvida, mando uma mensagem pedindo para ele rodar o dado e me mandar o número. Já ele roda para as perguntas dele e me torpedeia, perguntando o resultado. Sensacional. Contamos para um monte de gente, estamos ficando famosos como adivinhos: "franka e o primo, os profetas do dado-oráculo-eletrônico". O seguinte: quem precisar de alguma resposta, pode chamar. Em dois torpedos eu e ele resolvemos.
Tutututututututú.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

franka coloca bobes



Meu cabelo é muito escorrido. Nunca tive muita opção de penteados - ou solto, ou preso. Outro dia a cabelereira me deu a idéia de colocar uns bobes. Nunca coloquei bobes na vida, não sabia como e nem onde fazer, mas na hora, de vergonha, concordei com ela e fiquei caladinha.
Fui viajar no feriado com as minhas amigas Bê, Fran e Lú. Só nós 4 numa casa de campo. Antes da viagem, tive a idéia de comprar uns bobes e pedir para elas me ensinarem a colocar.
- Que é isso, Franka?
- Uns bobes.
- Bobes? Pra que isso, Franka?
- Trouxe para vocês colocarem pra mim. Eu não sei instalar bobes no cabelo.
As três me olharam pasmas.
- Mas a gente também não sabe colocar bobs!
Ufa, ainda bem que não era só eu que não sabia. Mas, pôxa. Insisti, insisti, elas concordaram, e, no café da manhã, as três se reuniram ao redor da minha cabeça, pilotadas pela Bê, e começaram o... procedimento. Acabaram, me olharam.
- Nossa, você tá a cara da princesa Léa. Vamos tirar uma foto.
A Fran me emprestou um casaquinho esportivo dela que tinha a cor dos bobs, para combinar. Acho que tavam era tirando sarro de mim, mas tudo bem, topei tirar a foto à la Star Wars.
Clic.
O que eu não imaginava é que aquilo meio que dói na cabeça. E que meio que despenca com o tempo. E isso foi tudo no dia de voltar, quando eu ia pegar um carro na estrada com vento. Resolvi colocar um lenço pra segurar os bobes.


Entrei na fase 2 do bobes. Aquela hora que você não quer que ninguém veja que você está de bobes. Aliás, bobes é um negócio pra mulher que não precisa sair de casa, porque não tem nada mais estranho , disforme e demorado do que colocar bobes. Em tempos de internet, como ninguém inventou até hoje um bobe-eletrônico?
- Nossa, tá super estranho o formato da sua cabeça, um sacão atrás... - elas comentaram, rindo.
Continuamos a viagem, até que uma hora eu tive um piti. Não aguentava mais aqueles bobes me pinicando, incomodando, não me deixando dormir. Fazia horas que estava com aquilo. Resolvi tirar, pedi ajuda para a Bê, morrendo de medo do cabelo estar totalmente embaralhado e de eu ter que cortar semi careca. Mas ela foi hábil, tirou rapidamente, ajeitou. A Bê é uma grande cabelereira.


Olha como ficou. Hummm, digamos que semi-encaracolado. Elas acharam que eu rejuvenesci, sei lá. Falaram que eu parecia estar num anúncio de shampoo. Não tinha espelho, tiramos fotos, cada uma mais ridícula que a outra.
- Franka, o Zé não vai a-cre-di-tar quando você chegar em casa - elas comentaram, animadas - está o máximo, não é porque foi a gente que fez, está legal mesmo.
Cheguei, entrei em casa correndo, mostrei pro Zé. Perguntei "que-tal?".
- Que tal o que?
- O meu cabelo, Zé.
- Tá todo descabelado. Tem que pentear.
Olhei no espelho. Tinha caído tudo, nenhum cacho. Verdade. Foram 5 horas de bobes que duraram meia hora de cachos. Ô coisa. Tristeza. Mas não vou desistir. Da próxima vez, vou usar lakê. E postar aqui, claro.

Aliás, um blogueiro amigo me mandou o seguinte link do Estadão: "Em vez de chapinha, verão pede laquê e cabelo armado". Uau, tou mega na moda... E na reportagem, olhem o que está escrito: "A dica é fazer uma escova em casa e enrolar o cabelo com rolos grandes." Ou seja, bobes!

domingo, 21 de dezembro de 2008

jingoubéu, jingoubéu, jingoubéu


Gente, pra que essa quantidade de festa de natal? Comentávamos outro dia essa mania, que virou moda agora, de todo mundo ficar mudando o dia da festa de natal. Natal, pra mim, deveria ser uma festa se comemora ou na virada do dia 24 pra o dia 25, ou no próprio dia 25, que é o dia certo do natal: 25 de dezembro. Mas inventaram que, para agradar todo mundo de todas as famílias de uma casa, pode-se fazer a festa de natal no dia que você bem entender. Tem festa de natal no dia 17, 18, 19, 20. Olha filha, o almoço da família vai ser no dia 23 porque tua irmã vai na casa da cunhada. Olha Lúcia, a comemoração da família vai ser antes, porque a sogra da Fulana não pode no dia 25 e seu cunhado tem a festa da família dele no dia 24 à noite. Assim a festa de natal explodiu completamente, não tem mais dia, e a gente é obrigado a participar de, no mínimo, uns cinco a seis natais diferentes. Mil vezes o a festa de ano novo, que é uma festa fiel, sempre cai no mesmo dia, na mesma hora, esteja cada um onde estiver. Imagina comemorar o ano novo dia 29, se tem cabimento. Além disso, pra a festa do ano novo você não é obrigado a gastar nada, nem tem obrigação de dar lembrancinha inútil pra uma montanha de parente. Pena que não tem lei pra isso no Brasil. E viva o ano novo.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

as fotos do meu telefone








Volta e meia eu tiro umas fotos com meu telefone. Sei que as fotos são para fazer posts, mas geralmente eu volto a olhá-las e esqueço sobre o que eu ia falar. Gagazice total. Na hora me parecem assuntos interessantíssimos, uma pena eu esquecer. Posto aqui pra ver se alguém me dá uma luz. Sobre o que eu queria falar com essas fotos?

sábado, 13 de dezembro de 2008

grandão, pequeniniiiinho


Coisa mais engraçada. A Nana fez aniversário e ontem teve uma festa aqui em casa. Uma festa enorme. Um monte de adolescentes, eles que organizaram tudo. Eu e o Zé caimos fora e fomos jantar (ai que vontade de ficar). Antes de sair eu olhei o "som" que eles arrumaram: duas caixas imensas, enormes, gigantescas, ligada num ipodinho mínimo, ínfimo. Elas grandonas, ele pequeniniiiinho. Que maluco que é isso pra quem é do tempo da vitrolinha.
Tou meio amalucada esses dias pré-natal. Inventei uma novidade, em breve anuncio.

domingo, 7 de dezembro de 2008

a vingancinha


O telefone da Nana, minha filha, quebrou. Era novinho, da Nokia, menos de três meses de uso, parecia legal mas ficou sem imagem e precisava ser trocado. Ou pior e mais trabalhoso, consertado. Ficamos adiando o dia de ir com ela na loja pra brigar com a Claro ou com quem quer que seja, até que o Zé resolveu enfrentar.
Não deu certo, e depois de horas de espera o Zé desisitiu e resolveu comprar um telefone baratinho pra ela e trocar o chip - até termos saco pra levar o aparelho quebrado numa assistência técnica e brigar lá.
- Mas a gente se vingou, Lú - ele me explica - graças ao João.
- O que vocês fizeram?
- Olha, foi idéia do João. Como eles estavam demorando muito pra atender a gente, ele fez o seguinte. Pegou todos os telefones do mostruário da loja, um a um, e, fingindo que estava olhando e analisando, tirava fotos dele mesmo e colocava nos fundos de tela. Ele fez isso em todos os telefones da loja, Lú. Deu pra fazer em todos, de tanto que demorou. Ele tirava as fotos de baixo, com uma cara super séria. E agora todos os telefones da loja da Claro do Shopping Villa Lobos tem a cara do João de fundo de tela. Todos. Tudo bem que a Claro é chata e que aquela loja é pentelha, mas ele vão ter o maior trabalho para desfazer a brincadeira do João.

sábado, 6 de dezembro de 2008

franka pinta o cabelo


Fui pintar o cabelo hoje. O processo é longo, demorado e chato. Morro de preguiça de pintar o cabelo, mas ver a minha imagem com o tom pálido dos fios brancos bem no meio do couro cabeludo, ainda mais quando se tem cabelos lisos, é bem deprimente. Não ando numa fase (essas fases existem) de estar "nem ai" e desencanar da aparência, portanto me precavi e marquei pra hoje, sábado. Caos maior do que cabelereiro no sábado não há. O certo é marcar durante a semana, num horário de aposentada, mas é impossível, claro. Fui, me apresentei, peguei a fichinha, esperei a moça me chamar. Depois de sentar na cadeira e me olhar no espelho, vem o rapaz, assistente dela e passa um gel na minha testa, ao redor do couro cabeludo, desde a testa até o pescoço. Ninguém explica nada, nunca explicou, mas acho que é pra a tinta do cabelo não entrar dentro da pele. Isso me assusta muito, imagine tingir a testa também? Depois surge a moça com um pote com uma meleca meio beje, que é passada nas raizes com um pincel largo, em camadas, primeiro em cima, depois descendo. Ele aplicam separando o cabelo com um pente, como se sua cabeça fosse uma plantação. Ai começa a pior parte: você tem que ficar com aquela meleca na cabeça, parecendo uma bruxa maluca de cabelos em pé por meia hora sem fazer nada. Eu sempre olho ao redor com desespero, mas parece que sou a única mulher que acha ruim. Todas as outras sorriem, conversam e não se entendiam. Olho no espelho e vejo que a meleca beje muda de cor, escurece feito uma massa de chocolate. Ganho uma revista, quando olho é uma Trip. A revista tem boas matérias, mas também um monte de mulher semi pelada em poses sexis, e concluo que como o lugar está lotado todas as revistas Caras e Contigos estão ocupadas, só me restou a revista dos homens. A cabeça coça, mas não se pode coçar porque a tinta mancha os dedos, começo a ficar aflita. Tento achar o rapazinho assistente para pedir um café, mas não me lembro mais quem ele era, todos são idênticos com cabelos espetados com alguns fios brancos. O tempo demora a passar, e eu começo a achar que me esqueceram ali. Sempre tenho esse pesadelo no cabelereiro - que vou ser esquecida com a pasta no cabelo e que aquilo é forte demais, que não pode ficar tanto tempo - e imagino que quando lembrarem de mim será tarde demais. O Jaques e a Janine vão me pagar uma mega indenização e mais um a mais pra eu ficar calada, mas eu ainda vou ter raiva deles e não vou me sentir vingada porque estou careca. Olho no relógio, passaram apenas quinze minutos e já li tudo que podia ler na Trip. Resolvo telefonar, mas lembro que a meleca suja todo celular e a mão, péssima idéia. Já no auge do desespero, o rapaz surge e avisa que vai passar a meleca no cabelo todo. Coloca luvas e me empastela toda. Avisa que vou ficar mais um pouco ali, esqueço de pedir outra revista e resolvo ler a Trip de novo. Mais coçeira, tento esquecer, barulho de secador, barulho de conversa, uma moça varre o chão. Sei que poderia passear, andar, dar uma volta anti-tédio durante esse tempo, mas a visão que tenho de mim mesma no espelho me afunda na cadeira como se tivesse sido pregada com pregos: estou simplesmente horrenda. Depois de uma eternidade, o moço surge de novo e avisa que vamos lavar. Tem gente que acha bom lavar, diz que é relaxante, mas eu devo ter algum problema no pescoço porque aquela posição e aquela pá-bacia de colocar a cabeça são horríveis para mim. Saio toda torta, feito árabe, volto pra cadeira e me esquecem de novo ali um tempo. A cabelereira surge toda sorridente, tira a toalha, avalia a cor, fica satisfeita e passa a cortar as pontas. Penteia, corta, mede, seca com secador, escova, arruma e coloca um espelho pra eu ver atrás. Eu sempre elogio, ela fica muito feliz. Saio esvoaçante e pintada. Olho no relógio: duas horas e dez minutos. Missão cumprida, agora só volto três meses depois.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Déo, Ringo, gato, sangue, cocô


Minha irmã Ângela estava esperando um telefonema pra um emprego novo. O dia todo atenta ao telefone, aquelas coisas. Tinha ensaiado um monte de frases, argumentos, citações, decorado frases, dependendo do que a pessoa falasse. O telefone toca, ela corre a atender.
- Alou.
Era a moça do emprego. Opa. Hora de ouvir o que ela tem a dizer e iniciar o teatro todo. Ela se apruma na cadeira e olha para a frente. Quando vai começar a falar, entra um passarinho endoidecido na sala. Ai. Um passarinho, coitadinho. Minha irmã adora bichos. Tem cachorro, gatos, tartarugas, tudo que for animal e estiver precisando de abrigo ela adota.
- Alou, oi - e ela olha o passarinho, aflitíssima - alou, ai, um probleminha, péra.
A empregada podia ajudar, ela pensa. A empregada da Ângela se chama Déo. Segundo ela, se a gente chama a Déo um monte de vezes parece que toca um sino: Déo, Déo, Déo.
- Déééo. Déo?
O passarinho começa a voar de lá pra cá, desesperado. Ela não sabe o que fazer. Resolve pegar o bicho, mesmo segurando o telefone.
- Déo? Déo, Déo, vem rápido! Déo, Déo, Déo, ai meu Deus.
Nisso entra o Ringo, o cachorro, que ouviu a gritaria. Olha o passarinho e quer matar, comer, pegar, estraçalhar aquele intruso. Fica mais maluco que o passarinho, e a Ângela começa a gritar mais ainda.
- Déo, Déo, Déo, não, pára Ringo, Ringo, pára Ringo!
Se não bastasse isso, surge o gato, que se chama gato mesmo. O gato também resolve matar, comer, pegar, estraçalhar o pobre do passarinho. Céus.
- Ringo, não! Déo, Déo, Déo, cadê você, Ringo pára, ai, o gato, o gato também não! Pára gato, Déo, Déo, Déo, socorro, Ringo pára, Ringo, sai gato!
Ela consegue pegar o bichinho, em pânico, mas o coitadinho quase escapa da mão dela porque o Ringo avança e arranha um pouco o pobrezinho no meio da luta.
- Sangue! Ringo, Ringo pára, gato, pára, ai sangue, sangue tadinho, Déo, Déo, Déo me ajuda, Ringo, pára, sangue não, ai, Déo!
Segura o passarinho com força junto do corpo dela e sai correndo para colocar lá fora, seguida pelo Ringo, pelo gato e pela Déo, que apareceu enfim, quando vê que o passarinho fez cocô.
- Cocôôô...! Cocôôô...!
Sai correndo e gritando, a blusa, a mão dela toda suja.
- Ai, cocô não! Déo, ajuda, Déo, Ringo, pára, gato, pára, ai, cocô, ãããeeee, ãããeee, sangue, sangue, cocô, cocô!
E ela solta o passarinho, que mesmo machucado, sai voando. A Ângela, a Déo, o Ringo e o gato olham o passarinho salvo lá longe e depois de um pequeno silêncio ela se lembra que ainda está... com o telefone na mão.
- Alou?
- Ângela? Tudo bem por ai?
Trabalho é trabalho, ela pensa, retomando a conversa.
- Tudo ótimo, só tive um probleminha de nada aqui. Vamos lá.
E passou a falar tudo que tinha decorado.
.
- Lúcia, pensa, você contraria alguém que, sem nem te falar oi no telefone berra Déo, Déo, Déo, Ringo, Ringo, Ringo, gato, gato, gato, sangue, sangue, sangue, ãããeee, ãããeee, ãããeee, cocô, cocô, cocô!, e que depois não explica nada? Pois bem. Hahaha. Eles me contrataram mesmo assim, acredite.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

a vida é um banco imobiliário


- Pois é o que eu sempre digo, gente. A vida é como o Banco Imobiliário, tem a sorte e o revés...
- Hã?
- Hã?
- Hã? - perguntaram os meninos pra o Zé no jantar.
Ele olhou pra os três e para mim, seríssimo.
- Eu queria completar essa conversa assim, gente. Estamos aqui falando de coisas que dão certo, que dão errado, e eu pensei isso, que a vida é assim, é como o jogo do Banco Imobiliário. Tem dias que a gente tira a sorte, tem dia que a gente tira o revés, entendem?
- Ixi, lá vem o papai.
- Nossa, que teoria profunda.
Eu lembrei do jogo. Adorava aquilo.
- Uau, Zé, Banco Imobiliário... Quando eu era pequena, o bairro que eu morava era super barato de comprar. A Rua Augusta era uma pechincha, e eu morava bem ali do lado, na Haddock Lobo. Só a Nossa Senhora de Copacabana era mais barato que a Rua Augusta, que eu me lembre. Tinha a maior inveja dos amigos que moravam no Morumbi, eu me achava a maior pobre e não queria nem comprar o meu bairro quando caia nele. Que jogo mais estranho pra uma criança, pensando bem. Segregacionista.
- E você pai?
- O Brooklin era mais caro que a rua Augusta, mas não sei se era mais caro que o Jardim Paulista, por exemplo - eu lembrei.
- Só não era mais caro que o Morumbi - exibiu o Zé.
- Como que é mesmo sua teoria, pai?
Ele tentou explicar mais uma vez.
- Eu falo só das cartas do jogo, gente, esquece o resto, tinha a sorte e o revézes e...
- Não é revézes pai, é revés. Revézes parece fezes, olha o papai falando errado.
- Ele tá tirando sarro, João - falou a Nana - ele vive falando palavra errada principalmente se combina com bobeira e escatologia.
- Gente, isso não interessa, eu estou falando que...
- "A vida é um banco imobiliário...". Já sabemos, você já falou isso - disse o João.
- E como é na vida o lance de avançar casas, pai? - riu a Nana.
- E pagar imposto, pai?
- E comprar empresa, pai?
- A gente na vida tem que tomar cuidado pra não ir pra hotel no Morumbi, né pai?
O Zé suspirou, ainda tentando completar a teoria.
- Pára de fazer gracinha, gente, o que eu digo é que na vida as...
Os três começaram a rir.
- Essa é boa, vai ficar famosa na família - riu o Chico - E pai, é sempre bom ter uma saída livre pra a prisão né?
Filhos grandes.
Socorro.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

o fax do seu consul


Parei de trabalhar em casa, mas ainda tenho o meu escritório aqui. Tem minha mesa, o meu micro (velho), telefone, impressora, fax, scanner, tudo meio às moscas. O telefone nunca mais toca, uso só de vez em quando. Mas na semana passada, um dia meio a noite, o negócio começou a chamar sem parar. Tocava, caia no fax, tocava caia no fax, me deu preguiça de ver quem era. Ora, se fosse importante a pessoa me ligaria no celular. Ou no telefone de casa. Desencanei.
No dia seguinte, logo de manhã, o telefone do escritório voltou a apitar. Trimmm, pééé (pééé é o barulhinho do fax). Trimmm, pééé. Trimmm, pééé. Sentei aqui pra fazer um post, intrigada. Foi quando vi que tinha realmente um fax chegando.
Não era pra mim. Era alguém ligando e passando um fax para um tal de senhor Carlos. E nossa, parece que a pessoa queria muito falar com esse senhor Carlos. No texto do fax o homem contava que tentou ligar para o celular dele e nada, que tentou mandar um email que voltou, e que agora tentava ligar para o telefone fixo dele, mas como estava no fax desde o dia anterior, ele resolveu mandar o fax. Ele queria saber sobre um empreendimento, uma coisa que chamava Bosque Platinum ou coisa que o valha, queria uma resposta urgente. Parecia importante e ele perguntava como fazia para falar com esse Carlos. E no fim ele assinou: "sr. Consul".
Consul? Nossa, o homem tinha nome de geladeira? Freezer? Consul? Nunca vi ninguém com esse nome. Engraçado. E se ele fosse Consul, ele não assinaria Consul, e sim Consul Alguma Coisa. Ele tinha mesmo o nome do nome da geladeira. Eu envolvida lendo o fax e o telefone toca de novo. Era ele, só podia ser. Desliguei o fax e antendi.
- Alô.
- Bom dia - a voz dele era de alívio - Bom dia, por favor o senhor Carlos? Aqui é Consul.
Hahaha. O próprio.
- Oi seu Consul. Estou aqui com seu fax.
- Ah, acabei de passar mesmo, não conseguia que atendessem ai. Por favor, a senhora poderia me chamar o sr. Carlos?
- Pois é seu Consul, o problema é que não tem Carlos nenhum aqui. Tem só eu, e eu sou Lúcia. O senhor ligou engano e passou um fax-engano também. Aliás, seu Consul, eu nem atendo esse telefone, eu só atendi para dizer para o senhor que o sr. Carlos não vai receber esse fax.
- O sr. Carlos não mora ai? Como assim? Mas o número não é...
- É, seu Consul, o número tá certo, mas não tem Carlos nenhum aqui.
- Mas... mas que coisa... como...?
- O senhor não conseguiu falar com ele no celular e nem no e-mail, né? Eu li o fax que o senhor escreveu, o senhor me perdoa, mas chegou aqui na minha casa. Então eu sei.
- É, não consegui... - ele estava desconsolado - Puxa vida, viu, dona Lúcia.
- Descupa, seu Consul, mas eu não posso ajudar o senhor.
- Escuta, não tem mesmo nenhum Carlos ai?
- Não.
O homem desabafou de repente.
- Sabe senhora, acho que esse Carlos me enganou. Celular errado, e-mail errado e telefone errado, tudo falso? Ah, que coisa... O que a senhora acha?
- Olha seu Consul, parece que sim.
- Bom. Obrigada, dona Lúcia, e até logo.
Seu Consul era super educado. E eu consegui (juro que foi difícil, mas difícil mesmo) não tirar sarro do nome dele e dizer que ele entrou numa fria.