Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

frankamente muda de casa

Ahá, gente!
Tchau blogspot, obrigada por tudo.

Domingo, 21 de Dezembro de 2008

jingoubéu, jingoubéu, jingoubéu


Gente, pra que essa quantidade de festa de natal? Comentávamos outro dia essa mania, que virou moda agora, de todo mundo ficar mudando o dia da festa de natal. Natal, pra mim, deveria ser uma festa se comemora ou na virada do dia 24 pra o dia 25, ou no próprio dia 25, que é o dia certo do natal: 25 de dezembro. Mas inventaram que, para agradar todo mundo de todas as famílias de uma casa, pode-se fazer a festa de natal no dia que você bem entender. Tem festa de natal no dia 17, 18, 19, 20. Olha filha, o almoço da família vai ser no dia 23 porque tua irmã vai na casa da cunhada. Olha Lúcia, a comemoração da família vai ser antes, porque a sogra da Fulana não pode no dia 25 e seu cunhado tem a festa da família dele no dia 24 à noite. Assim a festa de natal explodiu completamente, não tem mais dia, e a gente é obrigado a participar de, no mínimo, uns cinco a seis natais diferentes. Mil vezes o a festa de ano novo, que é uma festa fiel, sempre cai no mesmo dia, na mesma hora, esteja cada um onde estiver. Imagina comemorar o ano novo dia 29, se tem cabimento. Além disso, pra a festa do ano novo você não é obrigado a gastar nada, nem tem obrigação de dar lembrancinha inútil pra uma montanha de parente. Pena que não tem lei pra isso no Brasil. E viva o ano novo.

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

as fotos do meu telefone








Volta e meia eu tiro umas fotos com meu telefone. Sei que as fotos são para fazer posts, mas geralmente eu volto a olhá-las e esqueço sobre o que eu ia falar. Gagazice total. Na hora me parecem assuntos interessantíssimos, uma pena eu esquecer. Posto aqui pra ver se alguém me dá uma luz. Sobre o que eu queria falar com essas fotos?

Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

antes e depois

Antes, lago.
.
Depois, piscina.

Sábado, 13 de Dezembro de 2008

grandão, pequeniniiiinho


Coisa mais engraçada. A Nana fez aniversário e ontem teve uma festa aqui em casa. Uma festa enorme. Um monte de adolescentes, eles que organizaram tudo. Eu e o Zé caimos fora e fomos jantar (ai que vontade de ficar). Antes de sair eu olhei o "som" que eles arrumaram: duas caixas imensas, enormes, gigantescas, ligada num ipodinho mínimo, ínfimo. Elas grandonas, ele pequeniniiiinho. Que maluco que é isso pra quem é do tempo da vitrolinha.
Tou meio amalucada esses dias pré-natal. Inventei uma novidade, em breve anuncio.

Domingo, 7 de Dezembro de 2008

a vingancinha


O telefone da Nana, minha filha, quebrou. Era novinho, da Nokia, menos de três meses de uso, parecia legal mas ficou sem imagem e precisava ser trocado. Ou pior e mais trabalhoso, consertado. Ficamos adiando o dia de ir com ela na loja pra brigar com a Claro ou com quem quer que seja, até que o Zé resolveu enfrentar.
Não deu certo, e depois de horas de espera o Zé desisitiu e resolveu comprar um telefone baratinho pra ela e trocar o chip - até termos saco pra levar o aparelho quebrado numa assistência técnica e brigar lá.
- Mas a gente se vingou, Lú - ele me explica - graças ao João.
- O que vocês fizeram?
- Olha, foi idéia do João. Como eles estavam demorando muito pra atender a gente, ele fez o seguinte. Pegou todos os telefones do mostruário da loja, um a um, e, fingindo que estava olhando e analisando, tirava fotos dele mesmo e colocava nos fundos de tela. Ele fez isso em todos os telefones da loja, Lú. Deu pra fazer em todos, de tanto que demorou. Ele tirava as fotos de baixo, com uma cara super séria. E agora todos os telefones da loja da Claro do Shopping Villa Lobos tem a cara do João de fundo de tela. Todos. Tudo bem que a Claro é chata e que aquela loja é pentelha, mas ele vão ter o maior trabalho para desfazer a brincadeira do João.

Sábado, 6 de Dezembro de 2008

franka pinta o cabelo


Fui pintar o cabelo hoje. O processo é longo, demorado e chato. Morro de preguiça de pintar o cabelo, mas ver a minha imagem com o tom pálido dos fios brancos bem no meio do couro cabeludo, ainda mais quando se tem cabelos lisos, é bem deprimente. Não ando numa fase (essas fases existem) de estar "nem ai" e desencanar da aparência, portanto me precavi e marquei pra hoje, sábado. Caos maior do que cabelereiro no sábado não há. O certo é marcar durante a semana, num horário de aposentada, mas é impossível, claro. Fui, me apresentei, peguei a fichinha, esperei a moça me chamar. Depois de sentar na cadeira e me olhar no espelho, vem o rapaz, assistente dela e passa um gel na minha testa, ao redor do couro cabeludo, desde a testa até o pescoço. Ninguém explica nada, nunca explicou, mas acho que é pra a tinta do cabelo não entrar dentro da pele. Isso me assusta muito, imagine tingir a testa também? Depois surge a moça com um pote com uma meleca meio beje, que é passada nas raizes com um pincel largo, em camadas, primeiro em cima, depois descendo. Ele aplicam separando o cabelo com um pente, como se sua cabeça fosse uma plantação. Ai começa a pior parte: você tem que ficar com aquela meleca na cabeça, parecendo uma bruxa maluca de cabelos em pé por meia hora sem fazer nada. Eu sempre olho ao redor com desespero, mas parece que sou a única mulher que acha ruim. Todas as outras sorriem, conversam e não se entendiam. Olho no espelho e vejo que a meleca beje muda de cor, escurece feito uma massa de chocolate. Ganho uma revista, quando olho é uma Trip. A revista tem boas matérias, mas também um monte de mulher semi pelada em poses sexis, e concluo que como o lugar está lotado todas as revistas Caras e Contigos estão ocupadas, só me restou a revista dos homens. A cabeça coça, mas não se pode coçar porque a tinta mancha os dedos, começo a ficar aflita. Tento achar o rapazinho assistente para pedir um café, mas não me lembro mais quem ele era, todos são idênticos com cabelos espetados com alguns fios brancos. O tempo demora a passar, e eu começo a achar que me esqueceram ali. Sempre tenho esse pesadelo no cabelereiro - que vou ser esquecida com a pasta no cabelo e que aquilo é forte demais, que não pode ficar tanto tempo - e imagino que quando lembrarem de mim será tarde demais. O Jaques e a Janine vão me pagar uma mega indenização e mais um a mais pra eu ficar calada, mas eu ainda vou ter raiva deles e não vou me sentir vingada porque estou careca. Olho no relógio, passaram apenas quinze minutos e já li tudo que podia ler na Trip. Resolvo telefonar, mas lembro que a meleca suja todo celular e a mão, péssima idéia. Já no auge do desespero, o rapaz surge e avisa que vai passar a meleca no cabelo todo. Coloca luvas e me empastela toda. Avisa que vou ficar mais um pouco ali, esqueço de pedir outra revista e resolvo ler a Trip de novo. Mais coçeira, tento esquecer, barulho de secador, barulho de conversa, uma moça varre o chão. Sei que poderia passear, andar, dar uma volta anti-tédio durante esse tempo, mas a visão que tenho de mim mesma no espelho me afunda na cadeira como se tivesse sido pregada com pregos: estou simplesmente horrenda. Depois de uma eternidade, o moço surge de novo e avisa que vamos lavar. Tem gente que acha bom lavar, diz que é relaxante, mas eu devo ter algum problema no pescoço porque aquela posição e aquela pá-bacia de colocar a cabeça são horríveis para mim. Saio toda torta, feito árabe, volto pra cadeira e me esquecem de novo ali um tempo. A cabelereira surge toda sorridente, tira a toalha, avalia a cor, fica satisfeita e passa a cortar as pontas. Penteia, corta, mede, seca com secador, escova, arruma e coloca um espelho pra eu ver atrás. Eu sempre elogio, ela fica muito feliz. Saio esvoaçante e pintada. Olho no relógio: duas horas e dez minutos. Missão cumprida, agora só volto três meses depois.

Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Déo, Ringo, gato, sangue, cocô


Minha irmã Ângela estava esperando um telefonema pra um emprego novo. O dia todo atenta ao telefone, aquelas coisas. Tinha ensaiado um monte de frases, argumentos, citações, decorado frases, dependendo do que a pessoa falasse. O telefone toca, ela corre a atender.
- Alou.
Era a moça do emprego. Opa. Hora de ouvir o que ela tem a dizer e iniciar o teatro todo. Ela se apruma na cadeira e olha para a frente. Quando vai começar a falar, entra um passarinho endoidecido na sala. Ai. Um passarinho, coitadinho. Minha irmã adora bichos. Tem cachorro, gatos, tartarugas, tudo que for animal e estiver precisando de abrigo ela adota.
- Alou, oi - e ela olha o passarinho, aflitíssima - alou, ai, um probleminha, péra.
A empregada podia ajudar, ela pensa. A empregada da Ângela se chama Déo. Segundo ela, se a gente chama a Déo um monte de vezes parece que toca um sino: Déo, Déo, Déo.
- Déééo. Déo?
O passarinho começa a voar de lá pra cá, desesperado. Ela não sabe o que fazer. Resolve pegar o bicho, mesmo segurando o telefone.
- Déo? Déo, Déo, vem rápido! Déo, Déo, Déo, ai meu Deus.
Nisso entra o Ringo, o cachorro, que ouviu a gritaria. Olha o passarinho e quer matar, comer, pegar, estraçalhar aquele intruso. Fica mais maluco que o passarinho, e a Ângela começa a gritar mais ainda.
- Déo, Déo, Déo, não, pára Ringo, Ringo, pára Ringo!
Se não bastasse isso, surge o gato, que se chama gato mesmo. O gato também resolve matar, comer, pegar, estraçalhar o pobre do passarinho. Céus.
- Ringo, não! Déo, Déo, Déo, cadê você, Ringo pára, ai, o gato, o gato também não! Pára gato, Déo, Déo, Déo, socorro, Ringo pára, Ringo, sai gato!
Ela consegue pegar o bichinho, em pânico, mas o coitadinho quase escapa da mão dela porque o Ringo avança e arranha um pouco o pobrezinho no meio da luta.
- Sangue! Ringo, Ringo pára, gato, pára, ai sangue, sangue tadinho, Déo, Déo, Déo me ajuda, Ringo, pára, sangue não, ai, Déo!
Segura o passarinho com força junto do corpo dela e sai correndo para colocar lá fora, seguida pelo Ringo, pelo gato e pela Déo, que apareceu enfim, quando vê que o passarinho fez cocô.
- Cocôôô...! Cocôôô...!
Sai correndo e gritando, a blusa, a mão dela toda suja.
- Ai, cocô não! Déo, ajuda, Déo, Ringo, pára, gato, pára, ai, cocô, ãããeeee, ãããeee, sangue, sangue, cocô, cocô!
E ela solta o passarinho, que mesmo machucado, sai voando. A Ângela, a Déo, o Ringo e o gato olham o passarinho salvo lá longe e depois de um pequeno silêncio ela se lembra que ainda está... com o telefone na mão.
- Alou?
- Ângela? Tudo bem por ai?
Trabalho é trabalho, ela pensa, retomando a conversa.
- Tudo ótimo, só tive um probleminha de nada aqui. Vamos lá.
E passou a falar tudo que tinha decorado.
.
- Lúcia, pensa, você contraria alguém que, sem nem te falar oi no telefone berra Déo, Déo, Déo, Ringo, Ringo, Ringo, gato, gato, gato, sangue, sangue, sangue, ãããeee, ãããeee, ãããeee, cocô, cocô, cocô!, e que depois não explica nada? Pois bem. Hahaha. Eles me contrataram mesmo assim, acredite.

Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

a vida é um banco imobiliário


- Pois é o que eu sempre digo, gente. A vida é como o Banco Imobiliário, tem a sorte e o revés...
- Hã?
- Hã?
- Hã? - perguntaram os meninos pra o Zé no jantar.
Ele olhou pra os três e para mim, seríssimo.
- Eu queria completar essa conversa assim, gente. Estamos aqui falando de coisas que dão certo, que dão errado, e eu pensei isso, que a vida é assim, é como o jogo do Banco Imobiliário. Tem dias que a gente tira a sorte, tem dia que a gente tira o revés, entendem?
- Ixi, lá vem o papai.
- Nossa, que teoria profunda.
Eu lembrei do jogo. Adorava aquilo.
- Uau, Zé, Banco Imobiliário... Quando eu era pequena, o bairro que eu morava era super barato de comprar. A Rua Augusta era uma pechincha, e eu morava bem ali do lado, na Haddock Lobo. Só a Nossa Senhora de Copacabana era mais barato que a Rua Augusta, que eu me lembre. Tinha a maior inveja dos amigos que moravam no Morumbi, eu me achava a maior pobre e não queria nem comprar o meu bairro quando caia nele. Que jogo mais estranho pra uma criança, pensando bem. Segregacionista.
- E você pai?
- O Brooklin era mais caro que a rua Augusta, mas não sei se era mais caro que o Jardim Paulista, por exemplo - eu lembrei.
- Só não era mais caro que o Morumbi - exibiu o Zé.
- Como que é mesmo sua teoria, pai?
Ele tentou explicar mais uma vez.
- Eu falo só das cartas do jogo, gente, esquece o resto, tinha a sorte e o revézes e...
- Não é revézes pai, é revés. Revézes parece fezes, olha o papai falando errado.
- Ele tá tirando sarro, João - falou a Nana - ele vive falando palavra errada principalmente se combina com bobeira e escatologia.
- Gente, isso não interessa, eu estou falando que...
- "A vida é um banco imobiliário...". Já sabemos, você já falou isso - disse o João.
- E como é na vida o lance de avançar casas, pai? - riu a Nana.
- E pagar imposto, pai?
- E comprar empresa, pai?
- A gente na vida tem que tomar cuidado pra não ir pra hotel no Morumbi, né pai?
O Zé suspirou, ainda tentando completar a teoria.
- Pára de fazer gracinha, gente, o que eu digo é que na vida as...
Os três começaram a rir.
- Essa é boa, vai ficar famosa na família - riu o Chico - E pai, é sempre bom ter uma saída livre pra a prisão né?
Filhos grandes.
Socorro.

Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

o fax do seu consul


Parei de trabalhar em casa, mas ainda tenho o meu escritório aqui. Tem minha mesa, o meu micro (velho), telefone, impressora, fax, scanner, tudo meio às moscas. O telefone nunca mais toca, uso só de vez em quando. Mas na semana passada, um dia meio a noite, o negócio começou a chamar sem parar. Tocava, caia no fax, tocava caia no fax, me deu preguiça de ver quem era. Ora, se fosse importante a pessoa me ligaria no celular. Ou no telefone de casa. Desencanei.
No dia seguinte, logo de manhã, o telefone do escritório voltou a apitar. Trimmm, pééé (pééé é o barulhinho do fax). Trimmm, pééé. Trimmm, pééé. Sentei aqui pra fazer um post, intrigada. Foi quando vi que tinha realmente um fax chegando.
Não era pra mim. Era alguém ligando e passando um fax para um tal de senhor Carlos. E nossa, parece que a pessoa queria muito falar com esse senhor Carlos. No texto do fax o homem contava que tentou ligar para o celular dele e nada, que tentou mandar um email que voltou, e que agora tentava ligar para o telefone fixo dele, mas como estava no fax desde o dia anterior, ele resolveu mandar o fax. Ele queria saber sobre um empreendimento, uma coisa que chamava Bosque Platinum ou coisa que o valha, queria uma resposta urgente. Parecia importante e ele perguntava como fazia para falar com esse Carlos. E no fim ele assinou: "sr. Consul".
Consul? Nossa, o homem tinha nome de geladeira? Freezer? Consul? Nunca vi ninguém com esse nome. Engraçado. E se ele fosse Consul, ele não assinaria Consul, e sim Consul Alguma Coisa. Ele tinha mesmo o nome do nome da geladeira. Eu envolvida lendo o fax e o telefone toca de novo. Era ele, só podia ser. Desliguei o fax e antendi.
- Alô.
- Bom dia - a voz dele era de alívio - Bom dia, por favor o senhor Carlos? Aqui é Consul.
Hahaha. O próprio.
- Oi seu Consul. Estou aqui com seu fax.
- Ah, acabei de passar mesmo, não conseguia que atendessem ai. Por favor, a senhora poderia me chamar o sr. Carlos?
- Pois é seu Consul, o problema é que não tem Carlos nenhum aqui. Tem só eu, e eu sou Lúcia. O senhor ligou engano e passou um fax-engano também. Aliás, seu Consul, eu nem atendo esse telefone, eu só atendi para dizer para o senhor que o sr. Carlos não vai receber esse fax.
- O sr. Carlos não mora ai? Como assim? Mas o número não é...
- É, seu Consul, o número tá certo, mas não tem Carlos nenhum aqui.
- Mas... mas que coisa... como...?
- O senhor não conseguiu falar com ele no celular e nem no e-mail, né? Eu li o fax que o senhor escreveu, o senhor me perdoa, mas chegou aqui na minha casa. Então eu sei.
- É, não consegui... - ele estava desconsolado - Puxa vida, viu, dona Lúcia.
- Descupa, seu Consul, mas eu não posso ajudar o senhor.
- Escuta, não tem mesmo nenhum Carlos ai?
- Não.
O homem desabafou de repente.
- Sabe senhora, acho que esse Carlos me enganou. Celular errado, e-mail errado e telefone errado, tudo falso? Ah, que coisa... O que a senhora acha?
- Olha seu Consul, parece que sim.
- Bom. Obrigada, dona Lúcia, e até logo.
Seu Consul era super educado. E eu consegui (juro que foi difícil, mas difícil mesmo) não tirar sarro do nome dele e dizer que ele entrou numa fria.

franka atrás do joelho


- Mãe, conta pra meu amigo que você tem um blog.
- Tem, tia?
- Tenho. O meu blog se chama "frankamente", peraí que vou te dar um cartão - falei pra o menino.
- Legal.
- Ela escreve sobre umas coisas do "cotidiano", sabe? E ela tem um apelido que ela mesma se deu. Ela é a "Franka". "Franka" do "frankamente..." - ele fez um gesto com a mão, balançando o polegar e o indicador - entendeu?
- Chico, pára de tirar sarro de mim. Não pode tirar sarro de mãe.
- Não tou tirando sarro, mãe - ele respondeu, obviamente ainda tirando o maior sarro - Sabe, outro dia ela escreveu um post sobre a minha calça "samuel".Você sabe o que é calça "samuel"?
O amigo olhou pra o Chico e arriscou.
- Aquelas calças que tem o bolso atrás do joelho?
Hahaha. Adorei essa explicação.
- Isso - respondi para o menino - Enquanto vocês fazem política estudantil lá na USP, enquanto vocês vão em plenárias e entram em chapas para o DCE, eu escrevo exatamente sobre isso no meu blog. Sobre calças com bolso atrás do joelho. Passo horas discutindo pra que servem aqueles bolsos atrás do joelho.
Se é pra tirar sarro do meu blog, tiro eu mesma.

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

tratar mal?



Uma das obras que eu tomo conto (um dos meus trabalhos é administrar obras) é num prédio que tem muito segurança. Gente, não tem nem como explicar aquilo. Eu juro que é segurança demais, eu não me conformo com a quantidade. Tem segurança pra todos os lugares que você olha. Só pra ter idéia, da hora que eu estaciono o carro até a hora que eu entro na obra, eu cumprimento 9 caras. Bom dia nove vezes só pra os seguranças. Tem os da rua, o do quarda chuvinha, o da guarita, o da entrada, o do elevador. É. Em cada hall tem um segurança. Aqueles cubiculinhos de serviço, neles mesmo, tem segurança.
Não vou discutir o porque dessa maluquice, mas ao contrário de me sentir segura, eu me sinto super insegura naquele lugar. Agora, o interessante é que, desde que começei a ir nessa obra, notei que eles não falam comigo. Na verdade, encanei que eles me tratam até meio mal. Ora, eu vou ao menos duas vezes por semana e vejo todos eles toda vez. Já conheço as caras e tal, mas notei uma coisa: segurança é treinado pra não ser "chapa" de ninguém. Segurança não pode ser seu amigo. Ser amigo distrai. Isso é irritante e é o fim da picada, um cara ser treinado pra te tratar mal. Caramba, imagina você ter um trabalho onde não pode rir? E desde então resolvi que ia insistir: a cada vez que eles me tratam mal, eu trato os caras melhor ainda. Isso tem deixado os seguranças confusos pra burro. Eles não sabem se podem rir, se podem responder minhas perguntas. E na sexta feira, ahá! Um deles até deu até uma risada. Foi uma risada muito sutil, muito discreta, mas consegui. Eu sai dali satisfeita. Só espero que não esteja fazendo os moços perderem o emprego.

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

o fim da campainha


Eu e a Bê resolvemos ficar conversando na frente da minha casa. Eu tenho uma varandinha que fica na frente da garagem. Era de noite, e o carro, as plantas e o portão atrapalham para ver a rua, mas notamos que um carro estacionou na frente de casa.
- Chegou alguém, Franka.
- É, chegou um carro, Bê.
- Deve ser alguém que veio aqui na sua casa. O seu filho Chico não estava esperando o amigo dele?
- Se for o amigo do Chico de carro vamos ouvir uma porta de carro fechar "blam" e a campainha vai tocar "dimdom". Vamos esperar.
- Não, Franka, a sua campainha não vai tocar.
- Se for o amigo do Chico vai.
- Não vai, Franka, porque hoje em dia as campainhas não tocam mais. As pessoas chegam na casa das outras e simplesmente telefonam. Ninguém mais toca campainha hoje em dia.
- Nossa, Bê, eu não tinha reparado.
Ficamos em silêncio. O carro lá fora parado, com o farol aceso.
- Viu? A campainha não tocou, Franka.
- É. Não tocou mesmo, Bê.
Nisso a porta da minha casa se abre, de dentro pra fora, e o meu filho Chico aparece.
- Tchau mãe, estou saindo. Meu amigo Kiko chegou pra me dar carona.
- Ah. Tchau filho. Juízo.
Olhei pra Bê.
- Franka, a gente mesmo, eu, você, a gente não usa mais campainha. Por exemplo, quando você vai buscar os filhos na casa dos amigos você toca campainha?
- É, Bê, tem razão. Eu não toco. Eu ligo pra o filho e falo "oi cheguei, saia", ou "oi cheguei, desça".
- O celular acabou com a vida da campainha, Franka.
- É verdade, Bê. Estamos vivenciando o fim da campainha. Pobre dimdom. Um som do passado.

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

uma tal de calça samuel


- Mãe, já que a gente tá aqui no shopping, podemos comprar uma calça? - falou um dos meus filhos.
Há tempos que não gasto dinheiro com roupa pra eles. Na verdade, acho que as pessoas do mundo hoje tem roupas demais. Um dia achei que eu tinha roupa demais, que o Zé tinha roupa demais, que os meus filhos tinham roupas demais. Todos tínhamos roupas demais e depois ficávamos reclamando que faltava armário aqui em casa. Então há uns anos eu... eu... bem, eu meio que parei de comprar roupa.
- Gente, vamos pensar. Quando as que vocês tem estragarem, a gente compra mais. Vamos somente substituir - eu declarei - A calça rasgou, jogamos fora. O sapato está sem sola e o sapateiro disse que não dá mais pra arrumar? Ai compramos outro. A blusa virou um trapo? Só nesses casos. Não é uma questão de pão-durismo, isso é ser razoável e inteligente. Não adianta nada separar lixo, reciclar tudo e acumular camiseta. Não tem lógica isso. É que, pensem, roupa não apodrece, não embolora em uma semana assim como comida. Se roupa fosse como carne moída, que não dura muito, ninguém tinha tanta. A gente tem roupa que não usa quase nunca. Um exagero.
Acertei os detalhes com todos eles. A Luciana, que é menina, tinha que ter um pouco mais de roupas e acessórios, afinal, é menina. O João, que treina basquete, tinha que ter as roupas normais e os uniformes, tudo em boa quantidade. O Chico, que tá na faculdade de direito, tinha que ter ao menos uma roupa formal para as ocasiões importantes. E o número básico de roupas de cada um tinha que estar de acordo com o processo de lavagem/ secagem e passagem da Maria.
- Então, mãe, e a minha calça? - insistiu um dos meninos - As minhas calças já estão todas meio furadas e rasgadas. Posso comprar outra?
Entramos na loja do vendedor que sempre me cumprimenta com beijo-beijo. Oi, beijo-beijo-lúcia, oi, beijo-beijo-vendedor. Experimenta aqui, experimenta ali, quando meu filho vira pra o vendedor, com a maior cara de pau, e lasca essa:
- Ô moço. Você tem calça Samuel?
Meus filhos são assim. Eles fazem uma gracinha entre eles, riem, riem, e depois tentam com os outros. Os outros não entenderem é a melhor parte. Eles adoram trocar o nome das coisas, sutilmente, e fingir que não sabem o nome certo. Como se fossem uns caipiras-desavisados. Mas eles sabem muuuito bem. E agora existe um modelo de calça que se chama calça Saruel. É um modelo que tem um cavalo lááá em baixo. Parece um saco, mas dizem que é super confortável.
- Calça o quê? - perguntou sem graça o vendedor que beija-beija.
- Calça Samuel, moço.
- Samuel? - disse o moço, confuso.
O outro filho interveio.
- É. Calça Daniel, moço.
- Daniel?
Eu entendi a piadinha na hora, mas resolvi ver até onde aquilo ia.
- Calça Rafael, não tem calça Rafael aqui? Ou é calça Manuel que chama, moço? Sério que não tem? Aquelas, que tá na moda agora?
- Chama Samuel mesmo - insistiu o outro filho - Cal- ça - sa - mu - el, ô moço.
O vendedor deu um risada sem graça. Coitado. O menino pegou uma calça do cabideiro.
- Ah, tem sim. Olhaqui uma calça Samuel!
- Ah! Isso é uma calça Saruel! - o beijoqueiro explicou, aliviado.
- Isso - o meu filho disse, era essa que eu estava pedindo mesmo, uma calça Samuel. Vou experimentar.
- É Saruel que fala... errr... Sa-ru-el, Saruel! - tentou o vendedor, atrapalhado, achando que não tinha boa dicção.
Depois de um tempo, o Zé, que estava em outro lugar, entrou na loja pra encontrar com a gente.
- E ai, já compraram a calça? Tudo resolvido?
- Pai, vou comprar uma calça Samuel - o menino disse, rindo.
- Ual, filho. Que chique! Uma legítima Samuel? Hummm, que moderno...
É. O Zé adora essas piadas também. O vendedor me olhou e coçou a cabeça.
- É... é uma brincadeira de vocês, né? Uma pegadinha, né?
- Mais ou menos... - confessei - bem, e quanto custa essa... legítima Samuel?
- Perai que vou ver... a Samuel custa... custa...
Hahaha. Demorou, mas o cara entrou na piada. E duvido que ele esqueça do novo nome da calça.

Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

"assenhõas sagevô cin hocus"


Lá vou eu implicar com a ponte aérea de novo. Além dos absurdos dos lanches mequetrefes (happy-hour-tam?), eu juro, não tou velha nem surda mas o sistema de som do aeroporto do Rio é totalmente incompreensível. Colocassem uma senhora gritando que a coisa seria mais eficiente. Tem senhora que grita super bem, que tem voz super nítida. Pois ontem, na volta, não tinha portão de embarque. Tinha chovido pra caramba e os vôos mudaram todos. O saguão de espera da ponte é dentro de um tubo de vidro com teto de vidro, e o moço do chequim mandou aguardar a chamada do portão lá em cima. As televisões cheias de anúncio de celular e mais nada. "Assenhõas sagevôcin oitod atinov ortão zur".
- Hã? Que ela falou? - perguntou a moça do meu lado.
- E eu sei lá?
- Não ouvi - disse um senhor japonês - vocês entenderam?
- Não.
E todo mundo corria pra um portão onde aparecia qualquer pessoa de uniforme. Putis ginástica coletiva. Ficamos nessa lenga por horas. "Pagel desportogol umqualoito enta ã o borq". Que língua era aquela? Português eu falo, eu juro. Surda (ainda) não estou. Imagina um alemão ali. Será que ninguém repara que não dá pra entender nada? Consegui voltar só as sete. Na dúvida se aquele avião vinha pra São Paulo mesmo.

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

no cemitério com a minha mãe - II


- Vamos embora desse cemitério, mãe?
- Vamos, pelo amor de Deus, Lúcia. Nossa. Mas antes olha aquele túmulo lá, Lúcia minha fiiilha... É muito pior que o da mulher morta com o marido pelado puxando... Olha que terrenão. Parece a mansão no Morumbi aqui do cemitério.
- Se fosse uma mansão no Morumbi tinha muro, cerca elétrica e câmera de monitoramento, mãe.
Ela ficou um tempo analisando, pensando.
- Olha filha. Túmulo deveria ter ao menos alarme, olha a quantidade de porta de cobre de túmulo que roubaram daqui. Viu como roubam as portas? Viu? Roubam pra vender, ah, esse Serra, viu? Escreve para ele, filha. Escreve, manda email, você é boa nisso. Ele devia colocar alarme aqui nos túmulos.
- Alarme?
- Sei lá. Acho que alarme não adianta nada, aqui só tem morto... Talvez arame farpado...
- Mãe, o alarme ia chamar a central de monitoramento, a empresa de segurança, onde espero que todos estejam vivos.
- Esse túmulo é bem mais exagerado do que o do homem de bunda grande. Olha que horror. É dum homem que morreu e olha, foi a esposa fez esse túmulo exagerado pra ele! Ai como mulher é boba. Ai não me conformo. O marido morre e ela gasta essa fortuna com o morto, devia era pensar no futuro dela, que burra, meu Deus...
Fui ler a lápide. Era pra um tal de Gianini, Giovanni, sei lá, Guiseppe? "Guiseppe meu...", falava a inscrição. E embaixo tinha assinado o nome de uma mulher.
- Olha, desta vez é ela que chora e se arrasta, mãe.
- É. Hahaha. Ela quis imitar o outro. Quis mostrar que amava mais. Bah. Duvido que o Guiseppe fosse lindo assim como essa estátua, com esse corpão, com esses cabelões. Nossa. E quem são esses outros pelados que arrastam o Guiseppe morto?
- Devem ser os anjos da morte, mãe.
- Que anjo da morte o quê... Ai que mulher burra. Isso deve ter custado uma fortuna, eu me pergunto pra quê, gente, pra quê isso? Quanto tempo depois que ela morreu, filha?
- Deixa eu ver, mãe. Quase vinte anos depois, mãe.
- Vinte anos depois e pobre, tenho certeza. Gastar dinheiro com morto. Que idéia. Devia era guardar o dinheiro pra casar de novo. Guiseppe. Bah.

Domingo, 23 de Novembro de 2008

no cemitério com a minha mãe


Fui novamente no cemitério com minha mãe para deixar umas florzinhas no túmulo do meu pai, pois na sexta feira foi aniversário dele. Como sempre, nos perdemos no caminho. Sempre nos perdemos no caminho do túmulo dele, pois depois de uma reforma no cemitério o túmulo dele mudou de lugar. Mas chegamos, e, depois da minha mãe e eu rezarmos um pouco e depois dela reclamar mais uma vez da tal mulher que foi enterrada lá sem ela saber, resolvemos voltar. Missão cumprida, eu e ela em paz, no meio dos túmulos, as duas reclamando do estado catastrófico que está o cemitério São Paulo: cheio de arrombamentos, calçadinhas velhas e esburacadas, bueiros que nem existem, uma falta total de manutenção que me fará, sem dúvida, escrever para algum jornal para reclamar quando ela estaca de repente.
- Filha.
- Oi.
- Ai filha, tem umas coisas que não me conformo.
- O que, mãe?
- Olha aquela estátua naquele túmulo. Olha que coisa mais absurda, um homem enorme, pelado, quase derrubando a mulher morta da cama de tanto puxar.
Era verdade. De onde estávamos só víamos a bundona do homem, que, como a estátua estava velha, estava toda descascada. Uma coisa bem... tosca de se olhar.
- Credo, Lúcia. Num cemitério as pessoas deviam ter respeito pelos visitantes.
- Mãe, é uma estátua, uma obra de arte.
- Há. Tá. Tudo tem limite. Tudo tem que ter limite, filha.
- Limite?
- Ora. Quer amar a mulher? Ama. Ficou triste que ela morreu? Fica triste, ora bolas. Quer colocar uma estátua da mulher que você ama morta em cima do túmulo? É esquisito, mas coloca. Mas pra que "se" colocar em cima dela desse modo, e ainda por cima com esse bumbum de fora? Que homem é esse meu santo Deus?
- Quem disse que esse homem é o marido da morta, mãe?
- Ah, Lúcia, e um homem em sã consciência vai colocar outro homem e ainda por cima em cima da mulher que morreu, em cima do túmulo da mulher que morreu? Ah, vá.
- Mãe, mas vai ver que a história não é essa... Aliás, já devem ter morrido, os dois, mãe. O túmulo é antiquíssimo.
- Filha, a história é a que a gente vê. Um homem pelado em cima de uma morta. Ai que horror. Tudo tem limite, tudo tem limite, ô gente mais louca essa.

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

o chaveiro do porquinho

Outro dia numa padaria com a Bê eu comprei um chaveiro de porquinho. Como não tinha chaveiro na chave avulsa do escritório, mostrei o chaveirinho para a M. e passamos a usar o porquinho como chaveiro. Bom, nesse dia a M. não estava e eu desci pra tomar um café. Peguei o celular, o cigarro, o chaveiro de porquinho e lá fui eu. O porteiro me deu uma correspondência, e como era muita coisa pra carregar, resolvi colocar o porquinho no bolso. Mas o porquinho é de missanga e amassa, então noitei que era possível colocar o chaveiro do porquinho no passa-cinto da minha calça, pois ele tinha um tipo de clipezinho. Notei que ele ficaria seguro ali e que eu não ia perder a chave. Tomei meu café, subi. Já na frente da nossa sala de novo, fui tirar o chaveiro do passa-cinto pra abrir a porta. Nossa. Entalou total o chaveiro na minha calça. O clipezinho era mínimo, o passa-cinto grossão e além do passa-cinto, o clipezinho tinha a chave. Coloquei o celular e o resto das coisas no chão e passei a lutar com aquilo, pra desprender, entendem? Nada. Impossível. Resolvi, então, abrir a porta com eu grudada na chave, como se eu fosse toda um chaveiro. Mas a tal chave, para trancar e destrancar, tem que dar duas voltas, não uma, e depois da primeira eu já estava super grudada na maçaneta. Coisa mais ridícula, pose mais sem nexo, pensei, lembrando que além disso a porta da minha sala fica numa quina. Dei a primeira volta, respirei fundo, mas para dar a segunda eu tive que, sério, me esmagar completamente na porta, na quina, na fechadura, a barriga esmagada na maçaneta e bufando. Nisso, claro, óóóbvio, uma outra porta se abre e sai um dos meus vizinhos, gente, porque é que quando você paga-mico sempre aparece alguém pra te envergonhar mais ainda? Como eu ia explicar aquilo? A vizinha do cara toda apertada na porta, de costas, gemendo e fazendo estranhos movimentos na ponta dos pés? "Oi-tudo-bom? Tou-meio-confusa-aqui-mas-tou-só-tentando-abrir-a-porta, hahaha...". Ele me olhou estanho quando a porta... clunc. Abriu afinal e eu fui jogada pra dentro junto com ela, quase caindo no chão e pendurada pela chave. Dei tchau sem graça pra o cara, hahaha, consegui, hahaha, tirei a chave da fechadura, fechei a porta. Que vergonha. Bom, a chave ainda estava grudada no chaveiro, no passa-cinto e em mim, e só consegui tirar depois que entrei, fui ao banheiro e tirei a calça. Micos em geral. Mas aprendi. Nunca mais coloco o chaveiro porquinho no passa-cinto. E dãr pra esse post, hahaha.

Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

não, de novo não


Santo Deus, vai começar outro fim de ano-fim de mundo. Já falei aqui que detesto fins de ano, porque pra mim parece que o mundo vai acabar, mas no final não acaba nada. Mas uma coisa está ficando legal: a cada ano que passa, eu consigo me desvencilhar um pouco dos malditos presentes. Eu simplesmente não entendo porque a gente tem que dar presente no final do ano. Eu não tenho nenhum dinheiro a mais no final do ano porque não sou funcionária. E no final do ano eu tenho que pagar o 13* da Maria e pagar um monte de matrícula adiantada. O que me deixa incrívelmente pobre. E lá vem a pressão dos presentes. Tento, o tempo todo, reduzir os presentes, mas é um inferno. O carteiro, o lixeiro, o entregador de jornal. A família toda, os amigos, os vizinhos. Não é que eu não goste de dar. O problema é que não dá pra dar. E o problema mesmo é que eu não sei pra que é que eu tenho que dar presente. Não é aniversário de ninguém, ora. Todos os anos eu penso em fugir no dia 20 de dezembro e voltar no dia 5 de janeiro. Gente que viaja é sempre desculpada de não dar presente. Se você está no exterior, então, nem se fala: além de não precisar dar presente, ainda falam de você com um orgulho danado. Mas como eu já tive que pagar o 13* e as matrículas, não sobra dinheiro pra viajar. Todo ano isso. Esse ano eu tive uma idéia: "a gente finge que vai viajar e não vai", sugeri à família. "Mas como mãe?" "A gente não atende o telefone e sai de casa escondido, sem ninguém ver". Ninguém topou. Então eu resolvi. Não vou comprar nada e apenas me fingir de boba. Talvez dê certo.