quinta-feira, 30 de julho de 2015

pausa para almoço

Adoro seriados, aliás, nesses tempos de Netflix e Now, quem não adora.
Um dos problemas dos seriados é que cada amigo seu está em um momento da história, e não é sempre que você pode comentar a respeito para não estragar o divertimento alheio. Diferente de novelas, que passam todo dia naquele horário, e que quem assiste pode conversar com qualquer pessoa, que ninguém ainda sabe o fim.
Claro que os meus preferidos são os preferidos de todo mundo, nem preciso contar aqui quais são. Mas o problema maior é quando acaba. Você, espectador e viciado, fica completamente sem chão.
- Meu Deus. Socorro. Acabou Breaking Bad. Meu Santo Antônio. É o último episódio do Hannibal. Que? Como vou viver sem as meninas do Orange is the New Black, sem a Piper. Não, não, só tem mais dois Masters of Sex!
Hahaha. Fala a verdade, para os apaixonados, o fim de uma temporada, ou, pior, o fim do seriado é uma perda irreparável e desesperadora. Sei lá. Dói no fundo da alma. É quase como ser abandonada pelo namorado, como perder um cachorro, como levar um fora, perder o emprego ou levarem teu iPhone. Dá aquele puuuta vazio e, na ansiedade de preencher o buraco, você se desespera para achar outro e quase destrói o controle remoto de tanto apertar o treco.
Foi num desses vácuos que comecei a assistir outros, não tão sensacionais mais interessantes de detetives, crimes, serial killers, policiais, investigadores e advogados. E em quase todos esses tem sempre a tal hora do tribunal. Ah, a hora do tribunal, eterna cena que se repete... Aquela salona toda de madeira, o juiz ou a juíza lá no altar, aqueles caixotinhos onde sentam as testemunhas que sempre tem que falar a verdade e somente a verdade, e os advogados zanzando pra lá e pra cá. Mas notei uma coisa engraçada. Na maioria dos seriados que tem tribunal, a cena começa, tem uma ou duas conversas, e pimba, lá vem o juiz, que bate o martelinho e diz:
- Vamos fazer uma pausa para almoço.
Gente do céu, porque essa gente de tribunal almoça tanto? Em todos os episódios que eu vejo, pimba, martelinho, a tal pausa do almoço. Será que na vida real é assim? Será que todo juiz é guloso? Ou será que todo roteirista sabe que cena de tribunal é chata e acaba logo com aquilo?
Hahaha. Fica a dúvida. E pimba.
- E vamos fazer uma pausa para o almoço enquanto não começa outro seriado para eu me apaixonar.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

descabelada

Eu e duas amigas numa viagem de fim de semana na praia. Resolvemos ir almoçar em um restaurante bacaninha, nos arrumávamos para sair. Praia é aquela coisa, o cabelo da gente sempre fica uma gosma, eu tentando desembaraçar o meu. Uma delas pergunta se quero passar um tal produto.
- Que faz esse produto?
- Esse produto dá uma "desorganizada" legal no cabelo.
- Que?
- Uma desorganizada boa, bonita. Uma "bagunçada", entende?
- Não entendi mesmo, mas vamos lá – estranhei, passando o creme exatamente como ela mandou, embaraçando todos fios.
Me olhei no espelho e levei o maior susto. Nunca estive tão descabelada na vida, mas as duas elogiaram tanto que me convenci que com aquela nova imagem eu ia abafar e conquistar mil caras com a tal "bagunçada" nas minhas madeixas. E lá fui eu almoçar com aquela cabeleira alucinada, me sentindo um dos Jackson Five.
Como as coisas mudam, né? Por exemplo, acho muito louco quando vou comprar uma roupa e ela vem rasgada. Quanto às calças que já vem rasgadas nas pernas (ainda bem que ainda não é moda calça rasgada na bunda), até já comprei umas, pois a coisa mais difícil hoje é comprar calça sem rasgo. Mas elas tem um problema chato na hora de vestir, pois minha perna sempre sai pelo furo e não pelo pé, o que aumenta o rasgo cada vez mais. Nos dias de frio, entra o maior vento gelado.
Outro dia vi um colete super bonito, mas além de ter um monte de furos, estava todo desfiado. Olhei a vendedora.
- Tem outro desse? Esse está com defeito.
- Não senhora – ela me olhou como se eu fosse uma caduca – o colete dessa nova coleção é assim mesmo, todos são assim.
Gente, eu penso que se ao invés de 52 anos eu tivesse 12, o susto que minha querida e falecida mãe levaria se eu aparecesse com o cabelo bagunçado do creme da minha amiga, com a calça esfarrapada e com um colete todo desfiado, podre e furado, feito uma mendiga. E pior, me achando linda.
- Para de brincadeira, menina, vá se trocar e se pentear.
Hahaha.

terça-feira, 28 de julho de 2015

não veio ninguém?

Sempre adorei receber gente aqui em casa, seja para fazer jantar, seja para tomar um vinho, seja para as visitas que quiserem cozinharem aqui. Nesses dias de encontros, como moro num bairro tranquilo, uns anos atrás a frente da minha casa ficava cheia de carros, pois aqui é daqueles lugares inacreditáveis e maravilhosos de São Paulo onde sempre tem-vaga. Mas como tudo na vida muda, outro dia dei um jantar e aconteceu uma coisa muito engraçada.
Chegaram dois amigos, um casal. Abri a porta, eles me cumprimentaram.
- Somos os primeiros a chegar?
- Sim – respondi – E ainda bem, pois já tava morrendo de tédio sozinha aqui. Não vieram de carro?
- Não, de taxi. Sabe como é, a lei seca...
Campainha de novo. Uma amiga.
- Ué, Lúcia, fui a primeira?
- Não, já tem gente aqui. Ué. Não veio de carro?
- Claro que não, Lúcia... os comandos, você sabe...
Um tempo depois chega um amigo.
- Ué, não chegou ninguém ainda?
- Claro que chegaram, estão ai o fulano, a namorada, a sicrana... – olho ao redor – Ué, veio de táxi?
- Não, ônibus. Vou é voltar de táxi, sabe como é, esse negócio de beber e dirigir...
E assim foi, um por um, todo mundo chegando sem carro, vendo aquela rua vaziiiia e achando que o minha festinha tinha micado, até que chegou o último convidado. Abro a porta, ele todo animado de bicicleta, capacete e um vinho na mochila. Olha a rua completamente vazia e me pergunta a mesma coisa de todos os outros, crente que meu jantar era um verdadeiro desastre e que ele ia pagar o maior mico sozinho comigo.
- Ué, não chegou ninguém ainda?
Hahaha.
Vamos aprender, então. Gente, um jantar sem dez carros de convidados na porta hoje é mega chique, não é cilada não. E hoje em dia nem é tão sensacional morar num lugar que sempre tem-vaga.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

a senha louca


Pra facilitar pras visitas, sempre escrevo a senha do wifi aqui de casa na lousa da copa. Sempre foram senhas facinhas, tipo uns números, o endereço, ou meu nome, essas coisas. Eu sempre impliquei com senhas complicadas, dessas com números e letras, com hifens, com maiúsculas e minúsculas. 
Bom, no mês passado, do nada, tudo que tinha a ver com a internet começou a ficar zoado aqui. O computador, lento, não abria página nenhuma, e, quando abria, apareciam propagandas em russo, o telefone também, até a netflix travava. Chamei o técnico, ele veio, examinou e deu o diagnóstico: "o roteador foi hackeado". 
Que?
Bom, como eu já tinha tentado de tudo, me entreguei às instruções do cara, mesmo achando isso muito estranho. Ele arrumou o micro, zerou o roteador, finalizou o serviço e me chamou. Foi quando ele me deu um papel com a minha nova... senha. Gente do céu. Não parece senha. Parece um hieróglifo. Um código de barras para pagamento. Letras e números alternados, underlines, uma coisa assustadora. E mais. Tão comprida que tomava a lousa toda.
- Mas eu não quero isso! – argumentei – quero uma senha facinha, por favor, sou contra senhas imensas!
- Quer ser hackeada de novo? É isso? – ele respondeu, rindo de mim.
Bom, que remédio. Realmente agora – sei lá se por causa da senha louca – tudo funciona, e mesmo com vergonha, adesivei aquele monte de símbolos na parede da cozinha, liberando a lousa para escrever o menu, a lista de compras, telefones, sei lá.
Outro dia vieram amigos aqui jantar, e uma amiga minha estranhou.
- Lúcia, o wifi não funciona?
- Funciona, é que mudou a senha.
- Eu já tentei duas vezes colocar a senha – ela me disse apontando a lousa – mas essa senha “ketchup suco guardanapo” não está entrando.
Hahaha.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

os barulhinhos da festa de apoio

Sala de espera do médico do convênio. Pra variar, lotadaça, pois sempre tem um monte de gente em "estado de encaixe”, o que demora, pois ele só atende os encaixes depois que atende todo mundo que marcou na hora certa, que também não é atendido exatamente na hora certa. Hahaha. Eu aprendi e agora sempre sou precavida, marco meses antes e coloco mil alarmes no celular pra não esquecer.
Esse médico é engraçado. Nessa última consulta, quando entrei na sala ele me pergunta:
- Como que tá lá fora? Bombando?
- Saindo pelo ladrão, doutor.
- Se festa que bomba é festa boa, sala de espera cheia deve ser bom também.
Pior é que é mesmo. Porque a sala de espera é pequena, a secretária tagarela e engraçada, a tv meio zoada, só metade da sala assiste, e não resta muito a não ser... conversar. E como todo mundo está pertinho, sei lá, parece que se você não entrar na conversa geral vai ser até deselegante, entende? Seria realmente como estar numa festa e ficar num canto, reclamando da vida. Ora, se estamos ali todos na mesma situação, exatamente a de espera, de que adianta reclamar? É um tal de contar o problema, dividir os tratamentos, comparar dosagens. E ser solidário. Quando chega minha vez de entrar, eu sempre falo para todos:
- Gente, vou tentar ir super rápido. Juro.
Nesse dia, no meio do nosso grupo de apoio à espera do médico do convênio (GAEMC), notei que todos nós, sem exceção, tínhamos o celular na mão. Muitos para avisar “ixi vou demorar mais meia hora”, outros lendo uatis, outros olhando o face, outros reclamando pelo celular para pessoas de fora do nosso grupo, já que ali, reclamar não pega bem. E a gente sabe, hoje em dia cada um tem seus próprios barulhinhos de celular, aqueles miados, apitos, campainhas, pips, fiufius, plocts, plimps, trililins de mensagens e notificações, incluindo o que eu acho mais louco: um que fala um tipo de “buowulk!”, bem curtinho. Fora, claro, as ligações, que ali precisam ser totalmente públicas e que geram mais assuntos.
- Ah, era minha esposa, ela quer que eu passe no supermercado quando sair daqui...
- Minha mãe é assim – fala a outra – está idosa, me liga umas dez vezes por dia...
Turururu, boing, pip, trririmmm, buowulk. Assim, nossas conversas ali na GAEMC sempre tem essa estranha música, que sabemos que atualmente estão em todo lugar, nos ônibus, em reuniões, encontros, fila de banco. Os sons de fundo da nossa modernidade, que ali, naquele mini espaço, são tantos e amplificados a tal ponto, que fazem realmente a música da festa bombada da sala de espera do doutor. Hahaha.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

bolsa de estudo

Fui com a minha irmã no shopping. Ela ia viajar, precisava comprar biquíni, shorts, sei lá o que, e uma... bolsa. Resolvemos tudo, naquele entra e sai de loja e provador que é uma provação, e, já mega cansadas, chegamos na loja de bolsas. Ela olhou aqui, ali. 
- Hum, gosto daquela – apontou uma, depois outra – aquela também é super bonita.
- Ângela, não é assim que se escolhe “bolsa” – lá fui eu me meter a dar opinião – bolsa é uma coisa que fica grudada na gente o dia todo. Bolsa só é menos que tatuagem, que dorme com a gente. 
- E daí?
- Daí que bolsa tem que ser confortável, porque é quase ‘parte’ do corpo. Tem que, primeiro, se amoldar às nossas curvas. Se aconchegar na gente. Depois, você tem que pensar que bolsa a gente abre e fecha o dia todo. Tira celular, guarda celular, tira pente, carteira, cartão, coloca de volta. Então bolsa precisa ser fácil de usar. 
- Puxa. Tem razão, Lú.
Fui empolgando. Nem eu nunca tinha pensado nisso e já estava ali me achando pós graduada em bolsismo.
- Depois a gente precisa ver se cabe tudo, e se vai ficar tudo minimamente organizado. Olha essa bolsa ai – apontei pra uma que ela tinha na mão – nesse ziperzinho ai da frente acho que nem cabe seu celular. 
- Vou experimentar – ela concluiu, tentando enfiar o celular no vão, inutilmente – nossa, péssima, não cabe mesmo...
- E mais duas coisas: bolsa não pode ser fácil de roubar, como aconteceu comigo quando levaram meu iPhone (snif), e nem muito pesada, que senão você sempre andará ligeiramente torta.
A minha irmã sacou os recados. E emendou.
- E tem que ter alça grande para poder, se quiser, levar a tiracolo – ela concluiu – para ter duas mãos livres.
Daí foi uma loucura. Entramos no clima total. Ela e eu pegamos literalmente todas as bolsas da loja pra experimentar. Colocávamos celular, carteira, óculos, pente. Fingíamos que estávamos na rua, no carro, no metrô, no caixa do super. Depois passamos a nos assaltar, para ver se era fácil. Hahaha.
Ângela achou “a” bolsa. A perfeita. E melhor, de couro, e vermelha, como ela queria. 
- Ângela, estou pirando aqui. Odeio shopping e meus olhos tão esbugalhados.
- Eu também, vamos fugir?
Saímos correndo, livres daquele pesadelo. Entramos no carro, quando ela remexe na bolsa (a velha).
- Lú. Cadê minha chave?
- Chave?
- Chave do carro. Puta, cadê?
Nada da chave. Ela naquele esforço na bolsa, a sacolaiada caindo.
- Perdi! Vamos na loja de biquíni! Deve ter caído na farmácia!
Desespero. Fomos em tudo quanto é lugar. Nada. Só faltava a fatídica loja de bolsas.
- Ângela. Será que você não enfiou em alguma bolsa daquela loja?
- Não é possível- ela disse – será que eu fiz uma maluquice dessas?
Bem, entramos na loja de bolsas, remexendo em todas, abrindo, verificando cada compartimento, diante das vendedoras pasmas. E, hahaha, a chave do carro dela estava sim numa bolsa. Pior, na vitrine.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

condicionada

Ando com um problema com shampoos. Não é com os produtos, pois tem uns cada vez mais legais. É que, gente, nas últimas vezes que comprei shampoo, não comprei shampoo, e sim condicionador. Parece piada o que ocorreu nesse último mês. Bom, da primeira vez escolhi um tentando entender o rótulo – nossa, como a humanidade atualmente tem tipos de cabelos esquisitos – e, principalmente avaliar se eu queria um produto com jojoba, leite, chocolate, ovo, vitamina, erva, queratina, perolado, com sal, sem sal. Lavar o cabelo hoje em dia é tipo fazer uma dieta de comida, você tem que saber qual a restrição alimentar dos seus... fios. Hahaha.
Escolhi um, pareceu razoável. Na hora do banho, sem óculos, claro, notei, pela gosma na cabeça que aquilo não fazia espuma alguma. Coloquei na prateleira, ao lado do condicionador que eu já tinha. No dia seguinte fui comprar outro, lembrando que o shampoo é o que fica em pé e o condicionador é o de ponta cabeça. Mas incrível, errei de novo. No design da marca que comprei, o condicionador e o shampoos eram em pé. Inacreditável, pensei no banho, já dentro do chuveiro. Coloquei o terceiro condicionador na prateleirinha, me enrolei numa toalha, fui até o banheiro da minha filha e peguei o shampoo dela.
Entrei no banho, coloquei o negócio na cabeça... e era condicionador de novo. Que absurdo, pensei, olhando aqueles quatro, repito, quatro condicionadores quase despencando e nenhum shampoo. Acabei o banho, fui a farmácia e pedi ajuda ao farmacêutico. Melhor assumir que cheguei num ponto que comprar um shampoo está além dos meus conhecimentos.

eu ainda vou ter um de você...

Uma vez, quando meus filhos eram pequenos mas nem tanto, eu tinha que largar o trabalho para buscar um aqui, levar outro ali, fazer rodízio com um monte de mães, pedir favor para outra, era uma confusão infernal. Na época resolvi alguém pra me ajudar. Arrumei um cara meio período, conhecido da minha empregada e que não era caríssimo. Ele contou para os meninos que tinha o apelido de “Urso” pois um dia tinha carregado uma geladeira sozinho. 
Bom. O seu Urso era um senhor simples, já avô, boa chapa e meio caipira. Era um pouco preguiçoso também, foi um custo que ele varresse o quintal e a calçada, além de dirigir e lavar o carro. Quando acabava, ficava lá folgadão na área de serviços lendo jornal e ouvindo rádio, o que me irritava um pouco.
Depois de um mês, ouvi um comentário de um dos filhos.
- Mãe. O seu Urso é meio lelé.
- Porque?
- Mãe, ele fala baixinho com... os carros. Repara quando ele te levar pra algum lugar.
- Fala como, menino? Não entendi.
- É assim. Ele para no farol. Vamos supor que na frente pare um Land Rover, ou qualquer outro super carro. Chapa, sei lá, ZCJ 3385. Dai ele fica olhando, olhando e sussurra: “Landrover ze ce jota três três oito cinco...”, “Landrover ze ce jota três três oito cinco...”.
- Ah, vá, gente. Mentira.
- É nada, mãe! E pior, ele sempre fala uma frase pra finalizar.
- Qual?
- “Landrover ze ce jota três três oito cinco, ah, eu ainda vou ter um de você...”.
Pior é que era verdade. Como ele também me levava aqui e ali, ouvi muitas vezes o seu Urso sussurrar: “Pajero eme ene ce um dois quatro nove, ah, eu ainda vou ter um de você...”, como se fosse um mantra pra dar sorte.
Bom, não deu certo ter esse motorista, foram só uns meses. Não por causa dos sussurros, e sim porque era muito mais complicado tê-lo do que não tê-lo, além de caro.
Mas desde então, sempre que paro num farol, às vezes me lembro do seu Urso e fico repetindo quando vejo um putis carrão na minha frente: “bmw erre esse te quatro um dois um, ah, eu ainda vou ter um de você...”.
Hahaha.

terça-feira, 14 de julho de 2015

corre, pedestre, corre

Notei uma coisa sobre as faixas de pedestres. Não com os motoristas, nem com o fato de que, para eles, uma faixa de pedestres devia ser como um farol piscando. Ora, se ela existe, o motorista deve obrigatoriamente desacelerar e olhar se não vai atropelar ninguém. Pelo que sei, isso é agora norma de trânsito, mas quase nenhum motorista não acostumou ainda a olhar para as linhas brancas no chão. 
Já disse aqui que ando a pé pra burro, e que sou a maluca da mãozinha. Quase sou atropelada todo dia, mas sou valente diante das brecadas, já parei ônibus, van e até caminhão. Já fui também muito xingada, pois tem gente que acha que tamanho de carro é documento.
Volta e meia, andando pelas ruas de São Paulo, tenho ideias para nós, pedestres. Muito se fala das bicicletas, mas e a gente? Por exemplo. Acho que devia existir uma campanha para pedestres andarem com um lenço amarelo ou vermelho bem comprido, ou coisa que o valha, pois as vezes o braço da gente é muito curto para ser visto nas ruas com muitas pistas. Inventei também, mentalmente, a ideia de uma faixa de pedestres móvel, tipo um colchonete daqueles de yoga, que você desenrolaria nos locais onde não existe faixa. Ou talvez a obrigatoriedade do uso de apitos (um objeto em total desuso, que teria muitas vendas e abriria um bom nicho de mercado), aliados aos lenços. É. Uma hora vou conversar com meu vereador sobre isso.
Mas quero comentar sobre os pedestres. Uma coisa que noto sempre que estou ou a pé, ou quando dirijo paro numa faixa. Gente, porque é que todos os pedrestes (literalmente to-dos), correm na faixa? Hahaha. Repara. Você para e o pedestre sai correndo em desabalada carreira, como se você estivesse fazendo um puuuuta favor, tipo “nossa, obrigada, que gentileza, deixa eu ir rápido, deixa eu correr, estou te atrapalhando!!!”. Pra que correr? Aqui do lado de casa tem uma escola, e, na hora que os carros param é uma loucura, mãe, pai, motorista, criança, mala de rodinha... todos correndo que nem loucos, como se o mundo fosse acabar! .
É. Pode demorar um pouco para os motoristas aprenderem a ser gentis. Mas a gente que anda a pé, tem também que parar de achar que atravessar a rua sossegadamente é ganhar esmola.

o vermelhinho do netflix

Se tem uma coisa que eu adoro é ver TV antes de dormir. Séculos atrás, na época da TV aberta ou só NET, acontecia uma coisa meio chata. Por exemplo, eu tava vendo um filme, dormia, o filme acabava, e, paciência, eu perdia e ponto final – perder filmes faz parte do negócio de você gostar de TV para dormir – e em seguida começava um outro, que as vezes era de guerra, ou de terror, e eu acordava mega assustada com o barulho, ou a trilha sonora, ou pior, com tiros de uma guerra assustadora. Quando apareceu o NOW, óóó, quantas e quantas noites acordei com o Rubens Ewald me contando as novidades e fazendo comentários de filmes. Não é que acho a voz dele ruim, não é isso, mas pensar que meu sono toda noite era embalado por um desconhecido, ou melhor, pelo Ewald repetindo as mesmas frases sem parar, fala a verdade, é bem bizarro... Dai, gente, agora tem a Netflix, que nossa, acho sensacional. Acho que quem inventou a Netflix deve ser uma pessoa como eu, que gosta de dormir com TV. Porque, além dela me perguntar depois de um tempo algo como “ei, lúcia, você está assistindo TV ou tá dormindo?” e parar o filme quando eu não respondo, ela (a Netflix), coloca uma linda tela vermeeelha para eu dormir tranquilinha no meu quarto. Genial. Nunca mais tomei sustos de tiros à noite, nada da voz do cara (ufa), e todo dia durmo embalada no meu quarto todo vermelhão, que parece um inferninho. Hahaha. Delícia.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

pule, franka, pule

Se você mora com jovens, aprenda: pule as coisas que surgem no chão nos finais de semana. Não cate, não recolha. Ignore. Segure-se e mentalize: “tudo isso não está aqui. Não tem nada no meio do caminho, eu não estou vendo esses sapatos, essas mochilas, esses casacos e essa bolsa no chão. Não, o Ipod não está caído do lado da mesa. O prato de comida do dia anterior não está na mesa de centro. A embalagem da bolacha não está no sofá, pode se sentar. Esses instrumentos todos não estão no meio da copa. A televisão não está ligada desde ontem. O computador não está no chão”. Pule. Salte. Atravesse a sala como uma corrida de obstáculos. Senão sua vida vai ser infernal, como a minha estava ficando.
- Quem comeu pizza aqui?
- Eu.
- Quando?
- Ontem à noite.
- E esse prato, esse copo, essa caixa de pizza, esses guardanapos?
- Que é que tem o prato?
- Não vai tirar?
- Porque?
Quando o espalhamento invisível começou a acontecer, eu parecia um robô cata tudo. Acordava e passava a recolher coisas, tudo que coubesse nas minhas mãos e na boca. Fazia diversas viagens. Catava o lote um, avaliava o meu estoque e programava a distribuição, seguindo a melhor logística. Primeiro as coisas de cozinha, depois o lixo, depois as coisas da mesa da entrada. Lote dois, as coisas do andar de cima, porque tem que subir escada.
Com o tempo, comecei a encher o saco de ser a limpa trilho do sábado e do domingo. Ora, se eles não “veem”, porque eu vejo? Será que é porque sou velha? Agora mentalizo e passei a não ver nada também. Passei a pular, como eles. O próximo passo é começar eu a deixar coisas no caminho. Essa meta é mais complicada, mas conseguirei. A única coisa que quero enxergar e não consigo mesmo, é o controle remoto...

os livros que dormem

Tem uns livros que eu começo a ler, adoro, mas não consigo de jeito nenhum acabar. Já com outros, chega uma hora que eu não tenho paciência para esperar o fim e pulo direto para as últimas dez páginas. Esses, mesmo sabendo que eu cometi uma pequena fraude com a história, considero da categoria “lidos” e eles voltam para a estante, de pé, super vencedores. Porém existem alguns que eu travo no começo ou no meio, e não há animação que me faça continuar. Não que nãos sejam bons, mas não é sempre que aquela leitura combina com a vida que você está vivendo. Então eu apenas paro de ler, esperando o momento certo.
Como eles são da categoria “não lidos”, de acordo com minha lógica, não podem voltar para a estante de jeito nenhum. E assim ficam deitados ao meu lado, nas mesinhas de cabeceira. Tem uns livros que dormem comigo há meses. Já acostumei com eles ao meu lado, adoro abrir os olhos a noite e vê-los lá, parados, dormindo como eu. Servem de apoio para copos, brincos, celular. As vezes formam enormes pilhas.
Quando não consigo mais enxergar o relógio, hahaha, acho que é hora de tomar uma atitude. Tento continuar a ler de onde parei, mas geralmente não me lembro mais de nenhum personagem, nem qual é a história. Daí fico na maior dúvida. Coloco em pé ou não? Será que devo misturar os livros totalmente lidos dos que li pela metade? Se eu colocar esses meio lidos em pé, não estarei fingindo para mim mesma que já li? Não, resolvi. E para resolver esse impasse, fiz uma estante de deitados. É uma péssima posição, pois se você tira um de baixo, os outros caem, o que torna os livros não lidos bem mais difíceis de serem relidos, mas tudo bem. Digamos que estão apenas adormecidos, junto com seus personagens e sua trama.
Nossa, que assunto.

abajur

Queria comprar um abajur. Tava achando muito escuro aqui no escritório, principalmente à noite. Me veio à cabeça ir na Tokstok. “Isso”, pensei, “lá deve ter um abajurzinho barato, que vai quebrar o galho”.
Cheguei, peguei um carrinho. O piso é bom, as rampas suaves. Lá fui eu. Foi quando me dei conta do que é aquele lugar. Aquela loja te hipnotiza. Te fascina. Você vai lá e acaba comprando coisas que você não precisa, mas quando você está lá dentro, acha que precisa muito. Ou que você realmente precisa, mas que não precisava comprar naquele momento, pois até agora nunca usou a coisa. Algo confuso assim. Mas você só percebe isso no dia seguinte. Hahaha.
Por exemplo, é óbvio que eu tenho xícaras. Mas eu olhei “aquela” xícara, e nossa, como eu precisei dela. E se ela é tão boa, melhor comprar quatro, pensei. Continuei com o carrinho, feliz da vida. Vi um mousepad engraçado. “Eu não preciso disso”, pensei, “mas nossa, como eu preciso desse mousepad fofo. Ah, o meu tá tão velho”, pensei. “É tão barato”, considerei. Foi ai que parece que abri uma torneira de compras de tranqueiras baratas e fofas e lindas, que eu passei a considerar absolutamente necessárias para minha vida. Eu não parava mais. "Descascador de alho de plástico mole, preciso. Colher de pau, nossa, preciso. Tábua de cortar moderninha, utilíssima, claro. Cinzeirinho, melhor comprar, não vende em lugar nenhum. Moldurinhas de quadro baratas para colocar desenhos, preciso muito. Pratinho pra moringa do quarto, necessário total. Jogo americano, nossa que lindos, os meus tão velhos, preciso. Será que não devia aproveitar e comprar almofadas?"
Quando cheguei no lugar do abajur, notei o carrinho lotado de coisas que eu não preciso, mas que precisava muito lá dentro. Sai super feliz com aquele monte de coisa que eu sei lá se preciso, mas que precisei pra burro, se é que me entendem.
Olha gente, isso é um aviso. Tem que tomar muito cuidado com essa Tokstok. Um reles abajur dá a luz a um monte de bugiganga.

o post do queijo ralado

Eu sei que as vezes eu escrevo sobre uns assuntos que parecem que não tem nada a ver, mas isso faz parte do meu (re)conhecimento das coisas nessa altura da vida. Tanto faz pra mim se o tema é grande ou pequeno, o importante é a gente repensar nossos hábitos de modo inteligente. Então, a minha questão de hoje é o queijo ralado. Hahaha.
É que notei que tenho uma mania péssima de colocar muito queijo no macarrão, e comecei a desconfiar que isso é um enorme erro alimentar. O queijo parmesão ralado tem um sabor muuuito forte. Se você coloca queijo ralado em todos os tipos de macarrão, eles todos ficam com gosto de... queijo. Óbvio. Pior é que só reparei agora, essa coisa de levar o paladar da gente no automático é um problema. Todos os macarrões que já comi na vida poderiam ter o sabor dos molhos, eu poderia ter tido muito mais prazer em comer, mas não, há anos que eu vou lá, entupo de queijo e o macarrão fica sempre com aquele mesmo gosto. Queijo ralado anula totalmente o sabor do macarrão, e mais que isso, queijo ralado nem faz parte da comida, nem é, digamos, matéria prima, é apenas o diabo de um toque finalizador pra tirar o gosto de tudo que você colocou lá dentro. Sei que tou mega avacalhando o parmesão, mas preciso fazer isso para e convencer e parar de polvilhar montanhas em cima de tudo, como se fosse a neve dos alpes. Porém lembro que esse queijo ralado e cru é diferente do o queijo ralado do gratinado, que é realmente um ingrediente, que derrete e forma aquela bolha quente. Esse sim, dentro da minha nova lógica, é permitido.
Portanto não é inteligente da minha parte comer tanto queijo e pretendo não colocar mais nada em cima de qualquer macarrão. Vai ser dificílimo, eu sei, mas não pretendo mais me enganar o meu paladar, feito uma criancinha cheia de frescuras. Tudo terá seu próprio gosto: molho de tomate, bolonhesa, molho branco, linguiça, alho poró, brócolis, alho, marisco, limão. De hoje em diante, não ao queijo ralado. Hahaha de novo.

a falsa da franka

Eu li uma notícia ontem aqui no micro e tou morrendo de medo. Parece que ter um perfil falso na internet agora é crime. Quando fiz meu blog, em 2004, era super normal a gente ter outro nome. Melhor que isso, era mega legal ter um apelido. Tanto eu como muitos amigos, também blogueiros, tinhamos uns codinomes. O meu era (e para muita gente ainda é) Franka. Como precisava das nome e sobrenome para ter um email e para fazer o blog, na época consultei um filho meu e pedi que me sugerisse um sobrenome para a Franka.
- Mas quem inventou esse apelido, mãe?
- Eu. Porque vou fazer um blog chamado “frankamente...”. Franka mente, frankamente, entendeu?
- Coisa mais ridícula uma pessoa velha como você “se dar” um apelido.
- Quer parar de implicar e me ajudar, filho?
- Coloca Jason. Franka Jason. Parece nome de super heroína.
Não tive dúvidas. Lá fui eu e fiz, além do meu email como Lúcia, um outro email só para a Franka, justamente para fazer um blog para a Franka, e com esse sobrenome jeca. Com o tempo fiz até outros blogs (alguns bem ridículos), como o blog da Prima da Franka, onde escrevi um tipo de romance. Dai então a coisa pegou, e a Franka foi comigo pro MSN, para o Orkut, para o Facebook, pro Twitter, pro Instagram. Nunca foi necessário dar um CPF ou uma identidade para ter um nick name. Por isso, tanto eu como inúmeros blogueiros (que não vou citar os nomes), tínhamos duas ou até mais contas, personalidades, ou perfis... secretos. Completamente falsos.
Mas e agora, o que eu faço com a falsa da Franka, que ainda por cima, ainda mentia? Mato? Deleto tudo que esse meu lado fictício escreveu, viveu e fez? Eu juro que ela (ou eu) não fizemos absolutamente nada de errado. Apenas escrevemos (tou parecendo uma maluca com dupla personalidade) ficção, crônicas, histórias do cotidiano. Um perfil com outro nome não é, necessariamente, uma coisa do mal, é o mesmo que ter um nome artístico, mas, pensando bem, pode ser. E, segundo o que li, não é proibido o uso desse perfil nas redes sociais, mas e no resto? Devo deletar tudo? Uma vez, sei lá porque, lembro que fui “presa” no Orkut. Será que agora serei presa na nuvem? Ou atrás das grades?

garrafinhas

Olha só.
Muito antigamente, existia um mundo sem garrafinhas de água. As pessoas saiam para ir ao parque, para caminhar na rua, para ir ao cinema sem carregar sua própria água. Juro por Deus. Nesse mundo ancestral, as pessoas dirigiam os carros, pegavam ônibus, trem ou metrô sem transportar água em nenhuma garrafinha. Parece inacreditável, mas é verdade.
As pessoas trabalhavam sem garrafinha do lado, faziam ginástica sem garrafinha, andavam de bicicleta sem garrafinha. As mulheres não levavam garrafinha na bolsa. Ninguém ia em show com garrafinha. A única exceção, que me lembro, era o uso do cantil pelos homens quando iam para guerras ou fazer explorações. Quando as pessoas tinham sede, pegavam copos e bebiam água dos filtros. Direto no copo, sem garrafinha. E usavam os bebedouros. Hoje em dia, bebedouro é o lugar para encher garrafinha. Na época existiam, claro, garrafas de água mineral, que vinham das cidades que tinham fontes. Mas essas eram artigos de luxo, que a gente tomava só vez ou outra.
O que será que aconteceu com os humanos? Por acaso a nossa sede aumentou? Será que chegamos sem perceber num nível de evolução da espécie onde precisamos nos hidratar sem parar? Às vezes eu acho que é um tipo de novo vício do homem, essa coisa de se grudar a uma garrafinha o tempo todo. Tipo as mamadeiras dos adultos. Até apareceram, anos atrás, aquelas que tem o bico especial para beber. Acho que chama squezze. Hoje em dia, seja destas ou das de tampinha de enroscar, as pessoas compram de monte e estocam em casa. Gastam o maior dinheiro em garrafinha. Tem personalizadas, coloridas, é um presente sempre bem vindo. Garrafinha de água, hoje em dia, virou é um puta negócio.
Falando em água, será que isso tem a ver com a seca das nossas represas?

trash tv

Eu sou muito trash com televisão. Assisto filmes bons, seriados bons, mas de vez em quando eu avacalho muito. Tem na NET o canal ID, por exemplo, que passa uns programas sobre crimes. Os mais terríveis estrangulamentos da história. Casos de canibalismo. Vizinhos homicidas. Paixões assassinas. Sequestros. Os programas são todos dublados e eles fazem reconstituições mega vagabundas dos verdadeiros crimes. Eu sei que aquilo é ruim, mas quando eu caio naquele canal, eu não consigo mais sair. Adoro. Amo. Fico absorta, estatelada e hipnotizada até o programa acabar. Tem uns fins da tarde que eu ligo a TV e coloco no Cidade Alerta. Tem algo naquele apresentador, o Marcelo, que me deixa magnetizada por aquele monte de tragédia. Eu vicio tanto naquilo, que quando vem o anúncio eu coloco no Datena e vejo as notícias horrorosas todas de novo. Comédia romântica boba, que a gente sabe o começo, o meio e o fim é comigo mesmo. Vejo todas, esqueço no momento seguinte, as vezes vejo de novo. Muitas vezes, quando dá preguiça de ler a legenda e eu quero adormecer, coloco a dublagem nos filmes. Dublagem é o fim da picada. Mas eu faço. Também não resisto às pequenas misses com as mães obesas. Todas as mães do pequenas misses são obesas, não dá pra entender porque. Tem um outro programa onde pegam uma fulana mal vestida, avacalham ela pra burro, dão um banho de loja e no fim do programa todo mundo fica gritando “ou mai gód” sem parar. Tenho até medo de colocar no SBT e encalhar naqueles programas de pegadinha nacionais, onde sempre tem um cara que bate no pobre do ator. Depois que me esgoto de porcarias, para me sentir melhor, coloco no Cult. Hahaha. E durmo cultíssima.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

em brasas

Acho que toda pessoa, do mesmo modo que tem identidade e CPF, devia ter um brasão. Não de família, mas um brasão particular. Só dela.
Esse brasão a pessoa que decidia como seria, e deveria ser feito, obrigatoriamente, no meio da vida, assim, tipo aos 50 anos. Porque antes disso você não saberia montar direito o seu brasão, teria vivido muito pouco tempo. Seria um evento assim tipo um... novo debut, o debut do brasão. Seria uma data importante na sua vida, as pessoas ficariam animadas, dariam festas pra lançar seu brasão. A pessoa poderia até fazer depois dos 50 se ela ainda não achasse que tinha todos dados necessários. Mas se esperasse muito a pessoa poderia morrer, e morrer sem brasão não seria legal.
Esse brasão só precisaria ser igual ao do pai ou da mãe se a pessoa quisesse, tem gente que é brigada com a família, e não seria obrigatório colocar. O brasão contaria um pouco de você, a sua profissão, o que você gosta de fazer nas horas vagas, as comidas que você gosta, seus esportes, sua religião, mas a pessoa coloca só o que ela quiser. Você poderia fazer homenagens, tipo pro teu time de futebol, pra um ídolo, pra um parente querido. Você escolheria as cores e o desenho, porém o brasão teria que ter, necessariamente, formato de brasão. E existiriam os brazoneiros, ou brazonistas, pessoas especializadas em te ajudar.
Dai a gente colocaria o brasão em muitos lugares. Na porta das nossas casas (se a pessoa fosse casada, colocava os dois), podia colocar em camisetas, podia fazer gravatas com brasõezinhos, mousepads, joias, e claro, tatuar o brasão em si mesmo. Tipo seu logotipo. Podia até fazer uma coroa. Hahaha. Não é uma puta ideia legal?

voltei

Voltei!
Pensei muito nesse ano novo nas minhas promessas para 2015. Fiz uma lista com dez itens que acho que consigo cumprir. Esse negócio de promessa com coisa complicada nunca dá certo. Então, é o seguinte:
1. Em primeiro lugar, não vou pro-me-ter nada. Vou fazer uma lista viável de como de-se-jo de passar esse ano. Isso já é um alívio, esse item um. Desejo, não promessa. Ufa.
2. Desejo ir no supermercado sempre a pé e comprar somente o que consigo carregar. É super bom pra saúde andar e carregar peso, tipo fazer aeróbica e musculação.
3. Desejo não ter preguiça de pegar ônibus e metro. Táxi é caro, dona Lucia, sua preguiçosa.
4. Desejo conseguir escrever uma crônica por dia, mas para esse desejo acontecer, desejo ter inspiração. Não vou ter vergonha de escrever coisas meio ruins vez ou outra porque desejo não ser exigente.
5. Desejo não ter preguiça de cozinhar. Restaurante é caro, dona Lucia, sua preguiçosa.
6. Desejo não ser tão estabanada em 2015 e parar de quebrar copos, taças e pratos.
7. Desejo conseguir pintar e desenhar pelo menos uma vez por dia. Não tem problema nenhum que as obras fiquem ruins porque não sou artista plástica.
8. Desejo só fazer a quantidade de comida que eu vou comer, para não sobrarem aqueles potinhos com comida velha que eu guardo até estragar.
9. Desejo andar pelo menos seis quilômetros por dia, no mínimo, que é a distância da volta grande no parque Vila Lobos.
10. Desejo usar todas as roupas que eu tenho até elas acabarem e não comprar coisas que não preciso pra entulhar as gavetas. Só uns acessórios vez ou outra, pois mulher nenhuma é de ferro.
Não é legal essa lista pra 2015? Hahaha.

mega jetsons

Outro dia numa conversa, alguém comentou sobre o lance da entrega da pizza em apartamento. Quando surgiu o delivery, era super legal a ideia de receber a pizza em casa. Na sua porta. Ali, quentinha, do lado da Coca Cola. Você de pijama. Mas veio o lance da segurança e tudo quanto é prédio não deixa mais o entregador subir. Claro que deve existir um modo seguro da pizza, da coca e do cara subirem até seu apê e você não precisar se vestir, colocar sapato, pentear o cabelo e descer. Puta trabalheira. É justamente porque você tá morreeeeendo de preguiça que você pede a pizza, oras, e ela chega no meio do caminho? Não faz sentido. Será que não dá pras pizzarias terem um cartão de acesso à portaria, fazer algo com senha? Puxa, a gente até usa banco no celular e ninguém pensou num aplicativo de subir pizza com segurança? Obvio que dá pra inventarem isso. Mas tem uma coisa mais fácil ainda, que está a um milímetro de acontecer no mundo. Gente, pensa. Aplicativo de Drone de Pizza. Não seria genial? Um, você pega o celular, dois, escolhe a pizza, três, paga. Sem entregador nenhum. Quando o drone chega, você recebe uma mensagem, plim, abre a janela e lá está sua pizza quentinha. Impossível isso ser perigoso pra um edifício. Ideia mais genial. Mega jetsons.