terça-feira, 31 de janeiro de 2012

patrícia, uma grande ganhadora de presente



Todo mundo gosta de ganhar presente. Tem gente que gosta de dar presente. E tem gente ganha presente super bem. É isso mesmo. É uma coisa que notei outro dia no aniversário da minha amiga Patrícia Gasppar. Ela ganha presente muito, mas muito bem. Vocês não imaginam.
Tudo começou quando fui na festa de aniversário dela no sábado passado sem presente. Eu sabia que jamais deveria ter feito aquilo, foi uma gafe horrível, mas quando vi já era tarde demais. Não que eu não seja boa de dar presente. É que às vezes esqueço completamente de comprar. Fui suspirando, já sabia o que ia acontecer. Ia, como sempre, chegar de mãos abanando, avisando logo de cara e rápido do meu esquecimento. Sei que quando a gente fala assim o aniversariante sempre fala aquele eterno "ah, que bobagem, esquece isso...", ou "imagina, vá". Falei, a Patrícia me perdoou, mas quando olhei pra o lado, tinha uma mesa enorme e cheinha de caixas e pacotes. Óbvio, todo mundo da festa levou presente. Olhei desolada aquilo, e uma convidada do meu lado até me cochichou que teve gente que levou até dois presentes pra Pati.
- Dois?
- É. Foi aquela moça ali, olha - ela disse, apontando - Você pode tentar falar com ela e ver se ela não te vende um deles, assim, por fora. Vai ser caro, porque é tipo cambista.
As amigas da Pati são muito engraçadas.
Bom. A festa rolando e a pilha de presente da Pati cada vez maior. Foi aí que notei porque é que a Pati ganha tanto presente, gente. É porque ela ganha presente super bem. Acontece assim. A pessoa chega com o presente perto dela, e ela primeiro faz cara de espanto. Como se aquele fosse o único presente da noite. Como se ela não tivesse ganho nenhum até aquela hora e estivesse desesperada. Depois ela abre, se deliciando com o papel, e meio murmurando "o que será, o que será, hummm". Quando ela vê o presente, seja lá o que for, começa a fase dos elogios. "Nossa que lindo. Puxa é muito útil. Minha cor predileta, como adivinhou? Ah, não acredito eu queria muito isso". E dai ela entra em minúcias sobre o presente da pessoa. "O melhor é que cabe na bolsa! Como vou ficar sexy com isso! Combina com minha sala, perfeito!". E em seguida, ela chega no auge do recebimento: ela abraça o presente, sorri e abraça a pessoa que deu junto. E os três, a Pati, o presente e o convidado ficam ali, misturados, felizes. Nossa, como a pessoa fica contente com isso. O convidado se sente o mais importante da festa. É. A Patrícia é das maiores ganhadoras de presente que já vi. Vou aprender com ela, meu aniver é em outubro. E como não dei nada pra ela até agora, o mínimo que podia fazer é escrever um post de presente.
Pati, tó. Parabéns querida.
Agora elogia. E comenta desse final super fofo que eu fiz.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

danilo móvel



Foi no meio do aniversário do João que o carrinho apareceu aqui. Um carrinho de supermercado grande. Chegou fazendo o maior barulho, aquele barulho característico, e desci do quarto e revolvi checar o tamanho do problema. Me vi de frente a um... carrinho.
- Que é isso, gente?
O João se adiantou.
- Meu presente, ganhei dos meus amigos. É um "Danilo móvel" - ele explicou, referindo-se ao nome da banda que ele e os amigos têm, que se chama "Danilo", onde o maior hit é a música "Danilo".
Muito legal a banda, as músicas deles, mas... e então aquilo lá no meio da sala, um legítimo carrinho de supermercado grande, era o "Danilo móvel".
- Pra a gente levar os instrumentos, mãe. Ou pra passear. Legal, né?
- Filho, ô gente - eu falava olhando ao redor - vocês não podem pegar isso, vão devolver isso pro super.
- Mãe, é um presente - argumentou o João.
- Mas filho, é do super... mas gente, um carrinho, onde é que...
- Mãe, vai ficar no meu quarto, e o presente ainda não tá pronto - ele foi me falando e me tirando dali.
Bom, a festa era dele, não ia atrapalhar. Fiz meu papel de mãe, afinal tinha que falar que os carrinhos de super não podem ser levados do super, mas que mais podia fazer? Estragar a festa, criar um caso no meio da noite? Resolvi que pensaria na coisa no dia seguinte. E quando acordei, fui até a sala e vi que o carrinho de super tinha sido violentamente customizado durante a festa, quase não se reconhecia. Franjas, enfeites, escudo, revestimento. Ficou irreconhecível. Trash total.
Bom, desde então tenho um carrinho de super em casa. É ótimo para descarregar as compras do carro, e ando pensando seriamente em usar o "Danilo móvel" para fazer compras. Sairei com ele, o super é a duas quadras daqui, compro tudo, não uso sacola plástica, volto com ele. Porque não? Um dia devolvo, é emprestado. O super devia era dar um carrinho para cada freguês.

domingo, 22 de janeiro de 2012

a contagem regressiva das sacolinhas



Sério. Tive um pouco de medo dessa contagem regressiva. Mas diante da ameaça, não há quem não concorde. Dizem que estamos "sufocando o planeta" ao usar as sacolinhas plástica do Super. Segundo o Super, deve ser uma questão de tempo, em breve o planeta estará sufocado por causa das sacolinhas deles, e dai babau. E como o Super é correto e está preocupado com o fim do mundo, resolveu não esperar a contagem regressiva do sufocamento do planeta e fazer uma contagem regressiva das... sacolinhas. O problema é a definição de quem é o "sujeito" da história. "Chega de sufocar o planeta". Chega "de quem" sufocar o planeta? Ora, me parece claro que eles tão dizendo que sou eu. Eu, que pego sacolinha plástica no supermercado. Tenho duas sacolas de pano no carro. Mas para fazer minhas compras, precisarei de mais umas dez. Eu vou ter que comprar, portanto. E gastar uma grana nelas.
Ora, porque não passam a nos dar sacolas biodegradáveis, de papelão, por exemplo? Porque não me pedem para reutilizar as sacolinhas de plástico que eles dão grátis, até elas acabarem? E quando elas acabarem, eu devolvo, o Super manda pra reciclagem e me dá umas novas? Porque não dão para cada cliente uma ou mais sacolas não-descartáveis, que quando estragarem eles trocam, ou que possam ser devolvidas, feito os vasilhames? Porque tenho que comprar do super uma coisa que sempre foi grátis?
E ainda uma coisa gente, dá licença. Se eu eu não posso usar uma "embalagem", então ninguém deveria poder usar, ora. Ora o cara do suco Del Valle pode entregar e vender o suco dele dentro de uma embalagem tetrapac, o cara que vende a bolacha pode, o cara que vende papel higiênico pode, mas eu não posso? Acho que tem um super exagero nessa proibição de sacolinha, pois tudo que você coloca dentro da sacolinha é muito pior que a sacolinha. Tudo vem embalado, a única coisa que não pode ser embalada é sua compra. Daqui a pouco teremos de comprar e levar no super um vidro pra colocar o suco, uns tuppewares para as carnes, uns potes para molho de tomate, uns potes para bolacha. Alguém inventará recipientes para levar ao super que serão vendidos como a sacolinha. Ou teremos que levar de uma vez o armário de louças e utensílios no super para não sufocar o planeta. Conversei isso com o menino que embala as compras nesse dia, e ele me deu endereço do site do super para reclamar. Vou fazer isso. Não quero de modo algum sufocar o planeta. Não acho ruim carregar uma dúzia de sacolas verdes, retornáveis, sei lá. Mas somente não quero pagar para isso. Pô, Super.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

bat-bijoux



Mulher sempre usa um monte de acessório. Bolsa, colar, brinco, pulseira, relógio, anel, chaveiro. Muitas vezes um monte de cada um. Um monte de pulseira, um anel em cada dedo, dois, três colares... Eu sou meio exagerada, eu sei. Mas se não coloco um monte de coisa em cima de mim me sinto pelada. Mas o que tava pensando, e o que me incomoda, é que todos esses acessórios são... muito inúteis. Completamente inúteis. A gente, mulher, pra se sentir legal carrega o maior peso morto que não serve para nada.
Comecei a me empolgar com esse pensamento. Ora, se é para carregar peso, a gente devia pensar melhor e carregar coisas úteis. Acessórios úteis, digamos. Por exemplo, colar abridor de garrafa ou colar abridor de vinho. Ué, porque não? Se o abridor for bonito, se combinar com a roupa, qual o problema? Dai fiquei pensando nas pulseiras. O que é útil e parece com pulseira? Ora, fita crepe. Fita durex. Humm. Anel. Pra anel a gente podia usar fita veda-rosca, ou esse exemplo legal que achei no google que é abridor. Brincos? Bem, podia ser cortador de unha. Ou clips. Ou pendrive. Chaveiro devia ser tesourinha. A gente devia inclusive usar os cabos de iPod e cabo de carregar telefone como corrente de colar. Ou alça de bolsa. Fivela de cabelo de prendedor de roupa. Nossa. A cada vez que penso, acho essa idéia mais genial. As bolsas iam esvaziar, afinal as coisas que a gente carrega na bolsa estariam penduradas na gente. Pente. Canivete. Isqueiro. Óculos. Caderninhos. Grampeador. Uau, sensacional a idéia de bijouterias úteis. Bat-bijoux.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

em busca de personagens



É engraçado quando você adquire o hábito de escrever, tudo que acontece no seu cotidiano vira assunto. Entrevistei o grande ator Antônio Petrin no ano passado e ele me disse que acha que a dramaturgia começa com um bom personagem. Se você tem três ou quatro grandes personagens, você monta uma peça. Eu percebo que busco personagens sem parar. Sempre fui assim. Minha vida não tem nada de mais, eu passo o dia em obra, em reunião, no carro e muito tempo no micro, respondendo e-mail sem parar. Às vezes aparece uma planilha ou um desenho pra fazer. É um cotidiano bem sem graça, onde pra mim a graça está justamente em achar... personagens. Por isso acho que falo muito, com todo mundo, toda vez que dá. Dou trela pra burro, acho que pra achar a graça que as pessoas possam ter. Por exemplo, ontem tive uma reunião com um homem que coloca pisos. O trabalho dele é esse, vender o piso, colocar o piso. Eu tive dúvidas sobre a qualidade do piso e a sobre a colocação do piso, e marcamos uma hora para ele me explicar. Quando encontrei o homem, nossa, que personagem. Gente, nossa, ele falava demais. Repetia, repetia, mudava a frase, repetia. Parecia que tinha engolido um rádio. Ou Ipod. Céus, que homem de piso tagarela, não parava de enaltecer as qualidades do piso e da colocação, tinha certeza absoluta que era ex-ce-len-te. Acho que falei uns vinte mil "sim, claro" e para fazer uma mísera pergunta tinha quase que gritar. É engraçado, pois depois que você percebe que tem um personagem na frente, fica mais fácil conviver. E claro, não implicar com ele. E claro, quem sabe usar o personagem numa peça, numa crônica, num romance. Ontem também encontrei um par de encanadores. O seu Zé e o ajudante, o Bahia. O seu Zé sabe tudo, descoladérrimo nos canos, e o ficava Bahia ao redor, feito um instrumentador cirúrgico, passando ferramentas, sem falar uma única palavra, ao contrário do homem que coloca pisos. Uma hora, quando alguém disse alguma coisa sobre música, o Bahia, do nada, falou subitamente pela primeira vez uma única frase. "O meu cunhado é músico canta numa banda de forró toda sexta e sábado e eu assisto ele e danço". E sorri pra mim. Então concluo que do mesmo jeito que ele fica orbitando ao lado do seu Zé encanador dando ferramentas, ele fica orbitando em volta do cunhado cantor de forró dançando. Um homem simples com uma trajetória muito clara, um grande personagem, o calado Bahia, cunhado dançarino do cantor de forró que entrega ferramentas e dança. Assim acabou meu dia. Com dois prováveis bons personagens, o silencioso Bahia e o homem papagaio que coloca pisos falando sem parar. Um dia vou usar esses dois, quem sabe.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

franka, valentona



Sempre que chove muito, aparece lesma em casa. É super nojento lesma. Não saio correndo berrando, mas não deixo elas andarem deixando aquelas trilhas no chão. Fica aquela memória da lesma no chão, nas paredes, móveis, é bem nojento. Essa coisa do nojo e do pânico com insetos e bichinhos passa, pois notei que com a idade a gente vai ficando cada vez mais valente. Pelo menos foi o que aconteceu comigo na vida. Antes eu dava xilique com barata. Agora eu mato e pronto. Com as lesmas a mesma coisa, não adianta xilique, tem que matar ou tirar o negócio dali. Acho as lesmas e baratas meio burras, e tenho certeza que elas não percebem que sou humana, vão me confundir com uma cadeira ou uma folha e subir em mim. Aliás, já subiram e não gosto nem de lembrar. Bom, Antes de ontem choveu um monte, e quando entrei em casa vi duas das malditas lesmas na entrada de casa, andando em direção a porta. Querendo entrar! Desgraçadas. Estava meio escuro, mas fui até a cozinha, peguei um bolo grandão de sal, voltei e joguei em cima delas. Ahá. Fim do problema, pensei. Me senti super valentona. Bom, putz. Quando sai pra trabalhar ontem de manhã, olhei o chão da varanda e vi o que tinha feito. Tinham duas inocentes folhas de de árvore cheias de sal em cima. É, a gente fica mais velha, mais valente e mais cega.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

franka nunca dirigirá um transatlântico na vida



Nunca virei um transatlântico, mas já cometi um monte de gafes na vida. Uma vez estava no clube Pinheiros com a Nana quando ela era pequenininha, brincando numa das alamedas, quando ela viu um cipozinho pendurado numa árvore e começou a pular para pegar. Achei aquilo divertido, comecei a ajudar. Ela conseguiu, com muito incentivo meu, pegar o cipó e puxou. Meu Deus. Não é que caiu o cipó, umas folhas, um galhinho. Caiu uma trepadeira enorme, imensa, que foi descolando da árvore aos poucos, enquanto eu e ela corríamos para trás, assustadas. Quanto tudo foi ao chão, acho que cobria uma área de uns 5 por 5 metros, com quase minha altura. Meu primeiro pensamento foi pegar a menina no colo e fugir dali. Vergonha. Será que uma inocente menininha e uma inocente mãe poderiam ser responsabilizadas por um desastre ecológico daqueles? Foi super sem querer.
Já quebrei também uma antiguidade que me foi confiada por um amigo arquiteto com quem eu trabalhava. A gente isa usar a antiguidade de molde para fazer uma luminária, eu acho. Ele pediu mil vezes pra eu tomar cuidado, tomar cuidado, tomar cuidado, e bom, eu tomei tanto cuidado e segurei com tanta força no peito de medo daquilo cair, que meu Deus. Não vi o chão, tropecei e cai em cima do pacote. Ficou tudo em cacos dentro do embrulho, o amigo puto da vida, passei horas e horas colando, mas juro, foi super sem querer.
Um dia foi uma pia que eu destrocei. Estava animadona lavando louça na casa de uns amigos, pensando que todos iam ficar super felizes comigo de eu executar aquele trabalho sujo. Talvez eu lave louça meio violentamente, eu sempre me achei uma grande lavadora de louças, fico numa espécie de campeonato comigo mesma, pensando em modalidades como rapidez, qualidade da lavagem, equilíbrio no escorredor, segurança nas mãos para não deixar o sabão escorregar as louças, essas coisas. Eu animada, torneira a mil, limpo o ralo, mas a água não desce. Pego o desentupidor e na primeira socada, céus. Meu Deus. Foi tudo abaixo, feito um desabamento de uma cachoeira: pia, sifão, cano, armário, água, ralo, esponja, detergente, nhacas de lavagem. Aquela barulheira, todos correm pra ver o que acontece. É, dei mais trabalho do que ajudei. Sou proibida de lavar louça agora nessa casa. Mas juro, foi super sem querer.
Por isso hoje decidi uma coisa: nunca dirigir um transatlântico na vida. Pronto, resolvido.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

os sem instagram



Eu não gosto de falar mal de tecnologia, muito menos de novidade na internet. Entro em tudo, me divirto, é legal. Mas atualmente tem um mundo obscuro e misterioso na internet que eu tou super implicada. É o mundo do tal do Instagram. Instagram é tipo um universo paralelo que as pessoas que não tem iPhone não tem a mínima idéia do que é. Eu sou uma pessoa sem-iPhone, e consequentemente da turma dos "sem-instagram". Meu andróide tem um monte de aplicativos, mas Instagram nada, pois esse treco é só pra iPhone. Pra mim esse negócio é um tipo de uma seita secreta. Pelo que percebi, pois vez ou outra aparece uma dessas fotos no Facebook, esse aplicativo de iPhone faz todas as fotos que a pessoa tira ficarem super legais, como se a pessoa fosse um verdadeiro fotógrafo profissional. Faz também as fotos ficarem ligeiramente estouradas, contrastadas, fofas e envelhecidas. Mas essas fotos não vão pra todo mundo, vão somente pra o site do Instagram onde só pode entrar quem tem Instagram e iPhone. Parece também que dentro dessa seita as pessoas formam grupos e ficam se elogiando. Tem o lance dos seguidores também, acho que é meio como o twitter. Tou só supondo, porque eu nem posso me cadastrar pra ver como é. É chato. Alguns amigos tiram fotos legais nos nossos encontros, e nunca vejo porque vão pra esse Instagram. Dizem que tem pra andróide, mas que é falsificado. Vê se pode. É meio elitistinha o grupinho dos instagreiros. Internet é legal porque é pra todo mundo, facinho de entrar, fazer e fuxicar o que quiser, e dai vem esse Instagram e blum, fecha a porta na nossa cara? Putz, tou aqui mega reclamando, uma verdadeira "sem-instagram" pareço minha mãe falando mal de foto digital, que ela, como não tem computador, diz que são fotos que não existem. Será que Instagram existe mesmo?

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

doces enganosas bolhas



Tenho feito uma campanha comigo mesmo a favor do suco. Dizem que o ideal é não beber líquidos durante as refeições, mas a gente condicionou, é impossível. Morro de sede durante o almoço e durante o jantar. Já o café da manhã é o contrário, a gente condicionou a comer durante o tempo que bebe o café. Ou seja, a gente faz tudo errado. Mistura sede e fome, que são coisas bem distintas.
Mas uma vez que é mega complicado mudar esses pequenos vícios, depois de pensar muito na coca cola, no guaraná, na fanta e nas tônicas, acabei notando como essas bebidas são desnecessárias. Uns xaropes artificiais disfarçados com bolhas, açucares e adoçantes que não servem para nada pra melhorar sua saúde. Nada contra as coisas que não servem pra nada, gente, mas se é pra pagar por elas a gente tem que pensar duas vezes. Além do que refrigerantes te incham e te deixam com aquele gosto doce-pegajoso-amargo na boca depois. Olhaí. É duas vezes ruim, não faz bem pra saúde e você paga por isso. Óbvio-ululante que não tem nada a ver uma pessoa saudável, que recicla, que recolhe cocô de cachorro, que é aprovada no Controlar e que leva sacola "eu sou uma sacola descartável" no super, óbvio que é ridículo essa pessoa tomar refrigerante gasoso e doce com xarope artificial em restaurante, lanchonete e bar. Pra que? Só você pensar o mínimo que você se convence. Não é o caso de ter advertência nas latas e garrafas, com foto de uma pessoa inchada, arrotando, com legendas "inchaço", "gases", "dor de barriga", etc., porque sou contra essa coisa de exagerar pra reprimir. Tem que fazer a pessoa avaliar e tomar suco ou água natural, que inclusive tem grátis nos lugares. Ou chá, que é também um tipo de suco. Coca cola não é suco de nada, gente, pensa. É suco de coca? É suco de cola?
Sabe o que é? Fica uma implicância danada da mídia, dos fiscais e das leis contra cigarros e bebidas, que quando você toma um refrigerante você se sente tooodo politicamente correto, o que é uma profunda bobagem. Se é pra ser politicamente correto e saudável, eu não vou me enganar com bolhas sem álcool com xarope artificial. Coca cola não serve pra nada eu já dei milhões de reais pra eles, ô trouxa.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

uma campanha pelos jornais pelados novamente



Quero falar dessa capinha há tempos. Essa roupinha ai que vem com os jornais. Não sei quem teve a ridícula ideia de vestir os jornais. Pra mim não tem nada mais irritante que acordar de manhã, pegar o jornal para ler e enxergar somente meia página, porque colocaram nele um tipo de roupinha de propaganda, onde você só vê metade das principais notícias. Perai. Pô. Não cabia mais propaganda dentro do jornal? Não dava pra fazer um encarte que não incomodasse? A pessoa que paga essa propaganda tem que ser mais importante que o... jornal? Quer ser mais importante que você, que assina o jornal e paga por isso? Essas roupinhas me dão tanta raiva que arranco, amasso e jogo no lixo na hora. Pior é que quando você tenta tirar aquilo, desmantela o jornal inteiro, porque a roupinha entra dentro do jornal. O mesmo que arrancar uma camisa que está dentro da calça. Noto também que existem diversos tipos de roupas pra jornal, os publicitários estão se especializando em modelos cada vez mais fashion de moda jornalesca. Além dessa, que imita um meio-terninho, tem a roupa cinto, tem o tomara que caia, tem a mini saia de jornal. Quem será que desenha esses modelitos? Sei lá. Aqui em casa vai tudo pro lixo. Não é super anti ecológico hoje em dia gerar lixo? Os jornais não sabem disso?
Acho que pra tudo, principalmente pras propagandas, tem que ter um certo limite. Criaram a lei da cidade limpa, São Paulo ficou super legal, os jornais noticiaram e aplaudiram, mas eles mesmo não seguem o exemplo. Aliás, as propagandas migraram da cidade para os lugares mais insólitos. Porta de elevador de shopping, capô de táxi, parede de cinema. Onde esse lance da propaganda vai parar? Depois do jornal de terno, daqui a pouco você vai num restaurante, pede um prato chique e ele vai vir vestido com um modelo chanel de uma propaganda qualquer. Daqui a pouco você compra um cacho de bananas e cada uma delas terá uma camiseta-anúncio diferente. Isso é um perigo, pode não ter fim. Os alfaces poderiam usar cintos. Os filés mignons poderiam usar biquinis. Os pães franceses, boinas. Talvez eu esteja exagerando, mas acho que vale uma campanha ao menos pelos jornais pelados novamente.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

a ascenção da adulteração na alimentação atual




Animei de falar de comida. Ando pensando nelas esses dias, estamos em pleno restaurante week e volta e meia alguém me conta algo que comeu. Reparo que agora existem ingredientes muito diferentes para cozinhar do que existiam quando eu era criança. Coisas que a gente nem imaginava surgem como grandes acessórios nos pratos e são comentados animadamente por quem consome. Meus filhos chamam isso de adulteração. Por exemplo, tem o arroz-arroz, mas quando tem aqui em casa o arroz com cenoura e vagem, que fica colorido, eles falam que é o arroz adulterado. Qualquer arroz que não é puro, para eles é adulterado. Esse o conceito da adulteração. E noto que as comidas de hoje estão cada vez mais adulteradas, e com coisas muito diferentes do tempo da minha infância. Olha só. Antigamente alguns pratos eram adulterados, por exemplo, com uvas passas. Arroz com passas, farofa com passas, frango com passas. Mas pobre das uvas passas cairam em total desuso. No lugar delas agora existem as favas. Arroz com favas é muito mais chique que arroz com passas. Outro item de adulteração que foi pro beleléu foi o pobre do champinhon. Era mega legal carne com champinhon, salada com champinhon. Mas vieram os shimejis e shitakes e acabaram com reinado do pobre do champinhon. Noto que declínio deles veio junto com o declínio do estrogonofe, que era um prato de festa, mas ficou cafona e pouco se vê. Duvido que exista estrogonofe no restaurante week. Outra coisa que inventaram foram as mini saladas de entrada adulteradas com coisas que a gente nunca imaginou. Saladas de 3 gramas, de tão nanicas. Uma amiga minha ontem foi almoçar e me contou que a salada da entrada, de folhas verdes, um super queijo e tomate do cardápio, se resumia numa folha de alface rasgada do tamanho de um post-it, 1 (um) tomate cereja (cortado em dois) e duas lasquinhas de queijo do tamanho de uma unha. Ollhou desanimada o prato. Para se alimentar com aquilo precisaria de uns 12 iguais. Por falar nisso, de onde veio o tomate cereja? Acho que o mini tomatinho foi inventado basicamente para adulterar as mini saladas. Tudo isso para concluir que o mundo da aldulteração alimentar mudou está em crescente ascenção, reparem. As comidas de hoje são absurdamente adulteradas. Creme de mandioquinha com brotos e azeite trufado, folhas crocantes com pêssego ao molho de balsâmico, flã de salmão ao figo e pão, bruschetta de pêra com gorgonzola, entrecôte com capellini acompanhado de sauté de tomate-pera, tomilho e manteiga de limão, carré de cordeiro crocante com cubos de cenoura, coulis de salsa e crisps de couve. As comidas hoje tem tanta adulteração que, sério, não dá nem pra saber o que é a comida e o que é a adulteração. E bora pro restaurante week.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

escravizada pelo mamão



Desenvolvi uma teoria sobre comidas e poder. Veja só. Na maioria das comidas que a gente compra, nós mandamos. Por exemplo, você compra o arroz e manda no arroz, ou seja, você prepara e come o arroz quando você quiser. O arroz está ali para te servir e você que decide qual a hora dele virar um alimento. O mesmo com a farinha, com o macarrão e até com bife. Claro que existe, para cada comida, um tempo próprio onde você sabe que pode mandar antes de estragar, mas na maioria delas você tem um tempo para dominar. Mas notei outro dia que com as frutas acontece um treco diferente. As frutas são comidas que mandam na gente, não tem jeito. Você só pode comer as frutas maduras, elas tem um dia certo pra serem comidas. Não dá pra comer banana verde que é horrível, nem manga verde que gruda a boca, muito menos mamão verde. Intragável. As frutas são boas pra comer sempre naquele dia x, quando estão naquele ponto que ou você come, ou elas apodrecem totalmente. Antes não dá, depois não dá. Quantas vezes na vida já não vi desesperada olhando um mamão que não tou com a menor vontade de comer? Olhando e lavando aquela pêra para engolir a seco? Comendo banana sem parar? É isso. As frutas praticamente te obrigam a comê-las no dia que elas decidem. Nesse caso a hierarquia muda, elas que mandam. Nossa, quantas vezes já não fui escravizada por um mamão maduro? Só entendi isso agora.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

o tuiter e o xixi



O nosso mundo ficou subitamente meio esquisito de uns anos pra cá. Por exemplo, você está numa festa, jantar ou encontro com amigos conversando animadamente, e de repente você, ou um dos seus amigos pára de falar, pega o telefoninho e avisa.
- Ah, isso é muito bom. Vou tuitar. Dá licença.
E esse amigo se recolhe num canto e passa a digitar, sempre semi vesgo, alguma coisa que ouviu ali na festa no telefone. Tuitando ou Facebucando, tanto faz. Peraí gente. Assim, sem mais nem menos a pessoa se desloca de um grupo, interrompe o divertimento real para fazer afundar na vida virtual? Isolada? Em transe? É.
Pior é que isso acontece a toda hora, com todo mundo, seja com idéias, fotos ou apenas pra fazer uma certa exibição pra quem não tá na festa, como "olha como tou me divertindo, vejam meu carregamento móvel". Sei lá se isso é certo ou errado ou onde vai parar, só sei que apenas existe. E acho que existe porque no mundo virtual você é tudo que sempre quis ter na vida. No virtual você não tem defeitinho nem defeitão. Tem só fotos de você lindão, magro e jovem, você só fala mensagens positivas, curte aqui e ali, sempre na maior felicidade. O mundo do Face e do Tuiter é sempre um lugar onde você aparece maravilhoso, sem problemas ou defeitos. Experimenta colocar um problema, uma tristeza por lá: ixi, ninguém curte aquilo. Mas se você colocar a maior asneira do mundo, pimba, vinte comentários, trinta e nove curtidas. Acho que é por isso que todo mundo não aguenta e dá aquela escapadinha da festa pra ficar sozinho tuitando. Tuitar quase tão legal como festa. E não sei porque pra mim o lance de tuitar em festa, sozinho num canto, parece algo como sair de cena pra fazer xixi. Antigamente quando você saia de cena era pra dar uma escapadinha pra ir no banheiro. Agora não é só isso.
- Cadê a Franka?
- Foi tuitar, já volta.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

bonjour, bafo






Eu e minha irmã descobrimos porque não sabemos falar francês. Por incrível que pareça, foi por causa da nossa professora de francês, a dona Sara. A minha mãe arrumou a dona Sara pra dar aulas particulares para a gente, mas justamente por causa da dona Sara eu e a Angela não sabemos patavina de francês. É a coisa mais ilógica do mundo, mas éramos pequenas, implicamos com a dona Sara e não aprendemos nada. Pra começar ela era um tanto assustadora, uma mulher velha, rígida como eram as professoras de antigamente, brava e com um sotaque fortíssimo. Mas o principal dos meus problemas com ela era o bafo. Gente do céu. Parecia que todo o lixo da França toda estava na boca da mulher. A Ângela, como não sente cheiro porque tem asma, alergia, sei lá o que, não percebia o horror de sentir o terrível bafo de onça a cada vez que ela tentava nos ensinar a pronunciar uma palavra em francês. Se você não aprendia rápido, ela repetia e o cheiro vinha em diversas ondas fétidas. Para resolver o problema, eu passava a aula toda com uma daquelas borrachas cheirosas na mão, escondido dela, bem próxima do nariz. Acho que quase devo ter tido uma intoxicação por cauda do cheiro da borracha para aguentar a Dona Sara e não aprender francês. Já o problema da Ângela era o medo, ela não tinha coragem de olhar para o rosto da professora. A própria encarnação da bruxa da Branca de Neve. Talvez misturada com o João Bafo de Onça. Pra piorar, minha mãe, sei lá porque, bajulava a dona Sara. Quando a aula acabava, ela fazia sempre um super lanche para a professora, que não ia embora nunca. Ficava lá comendo sem parar os bolos e biscoitinhos com café, horas e horas na maior conversa. Não, não sei falar francês, o que é uma pena nessa época de tantos Midnights in Paris. Pra mim francês até hoje só tem cheiro de borracha cheirosa.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

o bom e velho iPad



Um - Me rendi ao iPad. Aquilo é simplesmente sensacional. Comprei e não largo mais.
Outro - Ipad? Não tenho. Não é mais um trambolho pra gente não conseguir jogar fora depois?
Um - Não, que nada. É incrível pra gente da nossa idade. Você tem que ter. Precisa ver como é bom para ler à noite.
Outro - Como asim?
Um - Primeiro que você pode baixar 25 milhões de livros. Ou peças de teatro, ou poesias, sei lá. Ou o que quiser. Maior economia de livraria.
Outro - Nossa. Quantos?
Um - Depois que é levinho. Bem mais leve que muito livro pra ler na cama.
Outro - Leve?
Um - E depois, a letra. Não precisa de óculos pra ler iPad, porque ele já é o óculos, entende? Você aumenta o tamanho da letra na tela, fica com mais páginas, mas e daí? Se você esqueceu seus óculos na sala, não tem que ir buscar.
Outro - Uau, é mesmo. Toutichi.
Um - Dai, se você não entende uma palavra, coloca o dedo nela que aparece o significado.
Outro - Dicionário?
Um - Ahá. E o melhor de tudo: tem luz. Não precisa nem ligar o abajur. Não acorda quem tá do lado. Luz com dimmer, inclusive.
Outro - Tudo isso.
Um - Olha. A melhor mídia que inventaram foi o iPad. Repara. Deve estar vendendo um monte pra gente mais velha. Acho que não vou comprar mais livro na vida.
Outro - Não sei não. Todas as outras mídias acabaram sumindo. Menos o livro.
Um - Como assim?
Outro - Tudo que inventaram para guardar arquivos de textos, de música, de imagem, por exemplo, tudo sumiu. Fita cassete. Sumiu. Disco de vinil. Sumiu também. Disquete. Cd room. Como chamava aquele discão? Sumiram. Ainda existe cedê e devedê, mas experimenta guardar um desses por dois, três anos e tenta abrir os arquivos no teu micro. Tudo bichado. Já o livro, fala a verdade, existe desde antes da idade média e está lá, firme, existindo. É possível você ler um livro de cem anos. Mas não é possivel abrir um disquete de cem anos. Não tem nem onde, porque os micros não tem mais entrada de disquete.
Um - Acha então que os iPads...
Outro - Acho. Tudo bem, curte ai seu iPad, mas deixa o óculos, o dicionário e o abajur no criado mudo. Talvez um dia você precise deles.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

o céu dos banheiros de festa








E falando em festa, fala a verdade. Isso é o céu dos banheiros de festa. Olha que demais. Mega moderno.

o aperitivo mais complicado do mundo






Adoro pistachio, pra mim é o quase como o camarão dos aperitivos, o melhor de todos os nuts. Quando começo a comer acabo até dando vexame de tanto que ataco. Mas tava pensando outro dia numa festa que pistachio não é um aperitivo fácil. E na escala da complicação de aperitivos, acho que o pistachio é o mais complicado que tem. Ele, assim como as azeitonas, gera lixo pra quem come. Você fica com aquelas casquinhas na mão, sem saber onde colocar. Se não tem um potinho por perto, ou você é obrigado a colocar no cinzeiro sujo, ou num guardanapinho, o que gera mais lixo ainda. Já vi gente esconder casquinha em baixo de prato, em vaso de planta, no bolso, ou a pior de todas as saídas: recolocar as cascas no pote de pistachio. A azeitona tem o mesmo problema, e já tive um amigo que não sabia onde colocar o caroço, resolveu jogar pela janela do apartamento, não viu que o vidro tava fechado e, além de quebrar o vidro e cortar a mão, teve que explicar porque deu um murro na janela. Mas azeitona tem um privilégio sobre o pistachio, pois dá pra comer só com uma mão. O pistachio é mais complicado porque além do lixo gerado, pra comer pistachio você precisa das suas mãos, ou seja, não dá para comer pistachio e beber alguma coisa junto, como dá pra fazer com a azeitona. Pistachio é bom, mas é complicado, talvez o mais complicado das festas, embora a gente nem repare nisso. Tem que gostar muito para encarar um pote de pistachio. É, são apenas considerações sobre aperitivos que eu tive nesse fim de semana.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

dona hebe, enfermeira






Lúcia, filha, você não sabe. Comprei um aparelho de pressão só pra mim. Ai que bom, filha. Agora não dependo mais de ninguém mais para tirar a minha pressão. Você tem que vir olhar aqui, filha. Aliás, você tem que vir aqui, pois vou tirar a sua pressão. Há quanto tempo você não tira a pressão, Lúcia? Estava um sufoco pra mim essa coisa de tirar a pressão aqui e ali. Tinha que ir até o clube, acredite. Ir até o clube Pinheiros só pra tirar a pressão é uma maluquice, filha. Imagina, o clube virar um hospital. Daí a tua irmã que me falou que perto da casa dela tem um lugar que é um shopping médico. Um lugar só com coisas de médico. Ela me levou lá ontem e compramos o aparelho. Precisa ver como é fácil. Só apertar um botão, esperar um pouco, aparecem os números. Fiquei tão feliz que acredita que até parece que minha pressão melhorou? Mas tem que estar calma. Sua irmã chegou aqui nervosa, super nervosa com a empregada nova dela, tirou e achou que ia enfartar. Altíssima. Ela não acreditou e tirou mais umas vinte vezes até ficar normal. Antes de tirar precisa respirar fundo, relaxar. O manual manda fazer isso, eu disse para ela. E filha, esse shopping médico é uma maravilha. Tem de tudo lá. Como é? Se eu quero mais alguma coisa de lá? Ah, eu sou filha de médico, irmã de médico, fui mulher de médico, sempre tive aparelhos de médico em casa, filha, é isso. Não, não estou exagerando, eu gostei mesmo desse lugar. Também não precisa exagerar, não tem cabimento me dar equipamento médico no aniversário. Nem no natal. Para de fazer gozação com sua mãe, Lúcia. Não, eu não quero um estetoscópio. Não, não quero um equipamento de inalação. Eu sei que sua irmã tem asma, é, quer dizer, se eu tivesse ia ser ótimo para ela, mas acho exagero. Não, não vai me comprar uma bota de pé quebrado, que coisa! Não, não vou transformar minha casa num postinho médico, filha. Nossa como vocês gozam de mim o tempo todo. Não posso nem ficar feliz com meu aparelhinho tão bonitinho de pressão novo. Melhorou tanto minha vida. A pressão anda baixiiinha de tudo agora. Pára de rir de mim, filha, a loja era bacana mesmo. Eu sempre fui acostumada com coisa de médico. Vem aqui, vamos. Tou te esperando pra tirar a sua.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

my (morbid) way



É incrível como algumas coisas podem acabar com uma música. Quer dizer, a música ainda pode ser bonita, você pode gostar dela, mas por causa de algumas relações que você faz dessa música com algum fato da vida, essa música pode acabar para sempre pra você. Pra mim isso aconteceu com My way, do Frank Sinatra. Sempre gostei de My way, é uma música daquelas que é mega hit, é até meio cafonona, mas tem um "crescendo" que super emociona. Depois a letra, aquela coisa triste que fala do cara que viveu do jeito dele, mas que está conformado, que está realizado. É, My way é uma música meio lugar comum, mas tem uma pegada. Uma super pegada do Frank. Até que...
Bom, até que um parente morreu e eu fui no crematório. E bem na hora da cerimônia, na hora que o caixão desceu e a luz apagou um pouco, começou a tocar My way. Nossa, tenho que concordar que foi um momento super impressionante. O parente morto, a música com a pegada, crescendo e pegando fundo na alma dos vivos ali. Todo mundo meio que teve vontade de chorar. O fim do parente chegou e ele fez tudo do jeito dele. Muito emocionante. Lindo. Quando acabou, fui falar com o parente vivo do parente morto que tava organizando a cremação, e perguntei se o parente morto gostava do Frank Sinatra.
- Ah, não sei - ele disse.
- Ué, mas você mandou tocar My way. Achei que era a música predileta dele.
- Não tenho idéia de qual era a música predileta dele. E aqui no crematório, se morre um homem e ele não tem música predileta escolhida, eles colocam My way. Acho que é a música padrão de cremação masculina.
Credo. Me deu um arrepio. Gente do céu, ou melhor, gente da terra. Putis. My way virou música de passagem para o além. Música de crematório. Não que eu seja contra colocar My way na hora da cremação, pelo contrário, talvez seja bacana aquela pegada na hora de ir pro lado de lá e sumir do mundo. Ou não. Talvez fosse melhor uma música clássica, uma música sacra. E como saber? E será que o Frank Sinatra imaginava que fosse um dia cantar pra tantas cremações? Pra tantos mortos? Bom, se é certo, se é errado, se faz bem pra alma, se a energia do Frank ajuda a passar bem dessa pra melhor, jamais vamos saber uma vez que a gente tá vivo. Só sei que não consigo mais ouvir My way depois disso. Ficou mega mórbido. E nossa. Tou aqui pensando... qual será a música padrão de cremação feminina?

terça-feira, 23 de agosto de 2011

o paraíso é pertinho



Domingo fomos almoçar hamburguer. Isso mesmo, hamburguer. Deu a maior vontade no fim de semana em mim e nos filhos, mesmo a gente sabendo que hamburguer é um pouco trash. Tentamos ir no Hamburguinho, tava fechado, resolvemos ir no Oregon, aquela lanchonete antiga que fica numa esquina aqui de Pinheiros. Teve uma época que as lanchonetes tinham cara de lanchonete, um balcão com banquinhos fixos, você olhando o cara fazendo teu sanduiche na chapa. Lanchonete é muito mais legal que barzinho que imita boteco com petisquinho e aquele tal de "escondidinho". Acho super legal lanchonete. Muito melhor que boteco e bistrô transadinho.
O Oregon ainda tem a decoração original, e além dos banquinhos, umas mesas no fundo. A única coisa que mudou foi que colocaram umas televisões de led. Não sei de onde vem essa mania que as pessoas tem de colocar televisão em todos os lugares. Até em garagem de estacionamento tem televisão. Qual a lógica? Só sei que entramos, sentamos numa mesinha, pedimos xissalada, olhamos ao redor. Vaziozão. Oregon, desde 1967, tava escrito num cartaz. Foi quando o João abriu um sorriso.
- Mãe, isso aqui é um paraíso.
- Paraíso? É só o Oregon, João.
- Mãe. Olha primeiro esses quadros de comidas. São demais esses quadros. A gente devia comprar pra colocar em casa. Esses hamburguers, esse americano... olha esse sundae, que demais! Será que eles não vendem essas quadros de fotos?
- Vender os quadros, João?
- É, a gente podia colocar em casa. Ou se você não quiser, coloco no meu quarto. Nossa, eu ia adorar.
- É... realmente são o máximo, filho. A gente podia colocar na sala de jantar e...
- Além desses quadros, mãe, olha. Tou de frente pra tv e acabou de começar o jogo do Palmeiras. Quer coisa melhor?
- Jogo? - Olhei pra trás, eu tava de costas.
- E olha essa mesa. Eles pra cada um de nós tem um guardanapeiro que imita abacaxi, um ketchup e uma mostarda que não são de sachê. Odeio sachê, impossível de abrir, sempre. E olha, um tem kit pra cada um de nós.
Olhamos a mesa, era verdade. Um monte de ketchup, mostarda e guardanapeiros abacaxis.
- E pra melhorar mais ainda, daqui a pouco vem um super xissalada - ele completou - Nossa, meu Deus, que paraíso esse lugar.

domingo, 21 de agosto de 2011

um post calcinha






Hoje percebi que tenho um problema na minha gaveta de calcinha. Nunca achei que uma gaveta de calcinha virasse assunto, muito menos problema, mas aconteceu. É o seguinte: sempre tive uma gaveta de calcinhas onde, óbviamente, guardo minhas calcinhas e sutiãs. Eu e todas as mulheres do mundo, imagino. Essa gaveta sempre foi dividida do mesmo modo, sempre com mais calcinhas que sutiãs, pois calcinha a gente troca todo dia e sutiã a gente pode usar mais de um dia. Assim, o espaço da gaveta sempre foi ocupado com mais calcinhas que sutiãs, numa proporção que eu diria que é de uns 3/5 de calcinhas e 2/5 de sutiãs, ou até mais, talvez 2/3 de calcinhas e 1/3 de sutiãs. Acho que justamente por causa dessa predominância de calcinhas que eu chamo a gaveta de "gaveta de calcinha" e não de "gaveta de sutiã". Mas agora tem ocorrido um puta problema com essa gaveta. As calcinhas estão sendo despejadas, estão cada vez mais apertadas, parecendo uns milfolhas. Tudo causado por um fenômeno da atualidade. É que de uns tempos pra cá, é impossível comprar um sutiã sem bojo. Todos os sutiãs, que quando eu era mais moça eram dobráveis e ficavam do tamanho da calcinha quando guardados, agora tem esses malditos bojos que não podem ser "amassados" e que ocupam um super espaço na gaveta. Para guardá-los, tem que deixar assim tipo... deitado, como se estivessem dormindo de barriga pra cima. E ir empilhando um sobre o outro, para não afundar os bojos. Só que esse método só dá certo para uma quantidade, pois se você empilhar muitos, a gaveta não fecha. E para isso, tive que ir espremendo as calcinhas para colocar as pilhas, e a proporção de uso da gaveta foi mudando. No começo eu tinha só alguns de bojo, e com poucos empilhamentos eu resolvia, mas agora, como os sutiãs sem bojo entraram em extinção, tive que montar diversas pilhas. A proporção mudou totalmente, algo como 1/5 do espaço para as calcinhas e 4/5 para aquela cordilheira de bojos. E hoje percebi uma coisa triste. Nessa guerra pelo território da gaveta, as calcinhas perderam, gente. A cada vez que abro a gaveta, umas duas ou três pulam e voam longe, como se explodissem. Vou ter, obviamente, que arrumar um outro lugar para elas, coitadas. A gaveta de calcinha foi tomada pelos sutiãs. Pois é, esse o pensamento do domingo. A expulsão das calcinhas na guerra do bojo.

sábado, 20 de agosto de 2011

o nosso facebook da porta da cozinha






Foi idéia do João fazer esse facebook privado e familiar na porta da nossa cozinha, com "posts" e caixa de comentários. Tudo absolutamente real, sem computador, sem rede, sem modem, moderno e ecológico. Um projeto caseiro e inovador. Está bombando. Até a faxineira, que não tem a mínima idéia do que é facebook, comentou. Hahaha.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

o café do são benedito



- É, Maria - eu disse no começo da semana, na hora do almoço, na copa, reclamando de alguma coisa - eu preciso é me benzer....
- Benzer? Não sei se algum Santo te ajuda - ela respondeu, lavando a louça, sem me olhar - olha o jeito que você trata seus Santos, Lúcia. Larga tudo em cima da geladeira, nem liga pra eles, coitados.
Olhei para eles. A Santa Luzia, o São José e o São Benedito estavam cada um virados pra um lado, lá no fundão, super esquecidos. Ixi. A Maria tinha razão. Levantei da mesa e corri para a garrafa térmica de café, enchi uma xicrinha, arrumei o São Benedito bem arrumadinho e dei um café para ele. Os outros coloquei do lado, pedi a benção.
- Café? Vamos ver se adianta... - ela disse, displicente - depois tanto tempo esquecidos, torce para eles ainda gostarem de você.
Quando olhei no dia seguinte, o café continuava lá.
- Maria.
- Oi.
- Esse café do São Benedito, você trocou?
- Não, é o que você colocou ontem.
- Café velho, Maria?
- Ué, tá cheio.
- Mas Maria, tem que...
O João, que estava almoçando comigo, interveio.
- Ô Maria.
- Quê, João?
- Sério que você acha que o santo vai "tomar" o café?
- Como assim, João?
- Acha que você vai chegar aqui e a xícara vai estar... vazia?
- Claro que não, né João.
- E você, mãe? O que acha?
- Não, pô. João, é tipo uma homenagem. Um agrado.
- Vocês duas são muito estranhas. Olha o pobre do Santo, parado na frente dessa xícara, só olhando. Dar café pra uma mini estátua. Que malucas.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

franka perdida nas entrevistas

Meu Deus. O Frankamente tá abandonado. Mas é que eu ando empolgada pra burro com as entrevistas do Franka em Cena. Lá na rádio USP a Franka não mente, pelo contrário. São tantas pessoas pra falar, e pessoas tão legais. Vou colocar algumas aqui.







Essa a do Nelson Baskerville. Ele fala sobre a peça Luis Antônio & Gabriela. A peça é maravilhosa, emocionante.







Uma das coisas mais legais foi entrevistar o Bob Sousa, a gente ficou super amigo. Ele é um grande fotógrafo de teatro e vai lançar um site essa semana, dia 29/06, no Restaurante Rose Velt, na praça Roosevelt. Vai bombar. No site tem retratos de um monte de gente de teatro super bacana. Eu ando seguindo o Bob, e já fiz até umas fotos dos making offs das sessões de foto dele.







Essa é a entrevista do Marcelo Mansfield. A gente ficou falando do casamento do príncipe, foi divertido pra burro. O Marcelo é uma simpatia.




Entrevistar é legal, é conversa ao vivo. Me distanciei um pouco das crônicas, mas as idéias sempre florescem, é questão de aprender a conciliar. Frankamente no ar.

domingo, 29 de maio de 2011

o bom e velho bob sousa




Retratos do Teatro - por Bob Sousa (All rights reserved ©)



Eu conheci o Bob Sousa no Franka em Cena, e foi lá mesmo que ele me convidou pra fazer uma foto pro site dele, que é só de foto de gente de teatro e que será lançado em breve. Confesso que me deu um pouco de vergonha, porque se alguém vai tirar uma foto sua, você, mesmo que sem querer, vai fazer pose, e fazer pose é um treco mega vexaminoso. Ou não é? Mas o Bob é muito profissional, faz fotos incríveis e eu não resisti. Aceitei. "Quer que leve maquiador?" ele disse. Achei que era piada, maquiador? Eu nunca me maquio, nem sei como fazer, mas já que aceitei tirar a foto, resolvi respirar fundo e aceitar o pacote completo. E óbvio que duvidei da coisa do maquiador. Mas era tudo verdade. A foto, o Bob e o maquiador, o Rafinha, que logo ficou super amigo e me deixou com a minha cara mesmo, mas melhorada. E quando eu vi estava na sala de casa, aqueles holofotes todos em cima de mim, toda maquiada, fumando e posando. Dai era tarde demais. Olhai a Franka em plena cena, numa foto mega chique do bom e velho Bob Sousa, enfumaçaaada... Hahaha. As voltas que a vida dá.

sábado, 23 de abril de 2011

franka, a terrorista de farmácia








Cada dia tenho mais raiva de farmácia. Não consigo mais comprar nada. De uns tempos pra cá, tudo é proibido de comprar se a gente não tiver receita médica. Tava com o olho super ardendo de conjuntivite e não pude comprar o remédio. Pô. Nem um coliriozinho de nada não pode? Aquela pomada que você usou a vida toda, não pode. Aquele remédio tão manjado que só ele resolve teus problemas, proibidérrimo. "A senhora tem receita?". "Não". "Esse precisa de receita", as mocinhas falam. Um saco. Até óculos de vista cansada, daqueles de um ou dois graus que vendiam no balcão me disseram que tá proibido. Sem receita só dá pra comprar xampú, bandeide e fivela. Tudo precisa da tal receita médica, que claro, tem que vir de um médico. E se a pessoa, como eu, não tem um vizinho médico, ou melhor amigo médico, ou parente médico, babau. Tem que ir no médico e pagar a consulta pra comprar o coliriozinho e a pomadinha. Ou seja, pagar 200 reais de consulta para comprar um troço que custa dez reais. Acho meio absurdo, será que não é exagero? Será que teve gente que morreu ou passou mal com o colírizinho e pomadinha, por isso proibiram? Ando saindo revoltada de farmácia e só penso onde posso encontrar um médico pra comprar umas receitas no mercado negro. Franka vai virar uma terrorista de farmácia.

sábado, 26 de março de 2011

franka entrevista ivam cabral, muito louco



Essa foi minha entrevista do Franka em Cena com o Ivam Cabral. Nesses tempos eu só penso nisso: entrevistar. Essa conversa com o Ivam ficou super legal. Não ficou com cara de entrevista, ficou com jeito de conversa. Acho que é porqeu a gente se conhece faz tempo. O Ivam é divertido, e toda hora na entrevista ele fala o termo "muito louco". Repara. Hahaha. Depois que eu me ouvi entrevistando o Ivam, fiquei com a maior vontade de usar esse termo. Muito louco.

sábado, 19 de março de 2011

franka entrevista o grupo furunfunfum

E no "Franka em Cena" desse fim de semana, Franka entrevista o grupo Furunfunfum e conversa com Marcelo Lé Zurawski e Paula Zurawski. Super divertido!

sábado, 5 de março de 2011

reticências erradas



Acho que eu e meio mundo das pessoas que trabalham em escritórios passam um monte de emails profissionais por dia, seja lá qual profissão. E emails profissionais tem umas regras que meio que todo mundo segue. Essa semana lembrei de uma delas. É que você não pode ser reticente em email profissional. Fica super estranho. Pontinhos no fim confundem, e a última coisa que se faz profissionalmente é confundir o outro. Foi assim. Eu passei um email para um cara de uma empresa de janelas, caixilhos, perguntando quando ele ia consertar umas maçanetas de umas janelas numa obra. A pergunta foi bem objetiva, eu queria apenas o dia e a hora. Que ele ia arrumar a gente já tinha acertado. Dali a pouco veio a resposta do cara.
- Na quarta nos falamos melhor, mas iremos providenciar os pinos maiores...
Eu li aquilo e não entendi. Falar na quarta? E os pinos, ele ia levar ou não? Que eram aquelas reticências? Resolvi ignorar as reticências. Ora, fazia mais sentido. Intui que eles iam na quarta, com pinos maiores. Respondi confirmando o dia (quarta) e perguntando a hora. Em seguida recebo outro email nada a ver com a minha pergunta e ainda por cima com reticências de novo:
- A princípio tenho somente um, mas quero levar os pinos, caso me entreguem há tempo... Acho que tenho alguns, mas não todos...
Hã? Como assim? Quantos pinos ele tem? Vai levar quantos? Que resposta esquisita. Parecia aque o cara tava triste. Ou resmungando? Com sono? Disfarçando? Um email profissional não pode ser assim, emocional. Reticência também é não finalizar um pensamento, e se o cara estava naquele canal, ele nunca ia conseguir ele escolher dia e hora ainda mais por causa desse lance de pinos. Eu meio que me enchi. O cara que devia ter uma pino a menor, e achei que era melhor eu finalizar aquilo. Respondi super sério que era para ele levar todos os pinos, e embaixo escrevi o dia (quarta), vírgula, inventei uma hora (dez da manhã) e mandei ver um belo de um ponto final. Enviei. Dez minutos depois, a resposta:
-Creio que dará tempo de chegar os novos também.... Vamos torcer!
Nossa, piorou. Em vez dele colocar outro ponto final no fim da frase dele, ele continuou com as reticências, em seguida se animou e exclamou. Exclamou! Olha, outra coisa super proibida em email profissional é exclamação, gente. E Santo Deus, o cara ia ou não ia arrumar as maçanetas das janelas na quarta? Desisti. Não respondi nada, e ele não mandou mais nada.
Bom. Na quarta feira o cara apareceu na obra às dez horas, com todos os pinos e arrumou tudo. Super profissional, quem diria.

sexta-feira, 4 de março de 2011

a franka, a lúcia e elas mesmas



Desde que esse blog existe que eu sou duas, a Franka e Lúcia Carvalho. Às vezes eu me confundo na hora de escrever a crônica, e escrevo Lúcia ao invés de Franka num diálogo. Nunca ninguém reclamou, acho que mesmo de um modo torto todo mundo entende as esquisitices dos outros. Meu filhos dizem que é ridículo alguém "se colocar" apelido, ainda mais gente velha como eu. Eu sempre repito que velho moderno adora nickname. Quando eles falam "Franka", eles fazem aspas e careta, rindo de mim. Deixa.
No fim de semana passado descobri que meu celular tira fotos de você com você mesmo. É incrível. Você clica um botão e dai aparece uma moldura azul de um lado da imagem. Você tira a primeira foto. Dai aparece a mesma foto com tudo que foi fotografado no lado que você tirou meio sombreado, e a moldura azul vai para o outro lado. É só encaixar um quadrado com o outro que a bobeira está com-ple-ta. Óbvio que esse recurso bobo deve existir em toda máquina e que ninguém usa porque é mega bobo. Mas só sei que adorei tirar fotos comigo, eu nunca consegui ser Lúcia e Franka numa mesma imagem. Mas descobri algumas coisas. Por exemplo, não dá para você abraçar você mesmo, porque nada de uma imagem pode entrar na outra. O ideal é não ter nada entre você e você mesmo, ou colocar um objeto fixo entre vocês. Um objeto de interação de você com você mesmo. Pode ser um copo, uma corda, um livro, uma janela. Na minha cabeça, passei a inventar cenários para essas fotos. Comentei isso com minha amiga Sílvia Bê e ela (que é sempre animada com novos projetos) topou na hora inventar cenas para você com você mesmo. Ela que criou essa da porta e tirou a foto. E ficou tão perfeito que eu olho e, juro, acho que a Lúcia foi mesmo visitar a Franka.

terça-feira, 1 de março de 2011

de ponta cabeça



O Zé foi pra China a trabalho. A viagem envolvia uma outra reunião em Londres, e foi de lá que ele foi pra Pequim no domingo. Ontem, quando eram mais ou menos seis da tarde, ele me ligou.
- Oi Zé, tudo bem?
- Tudo, mas isso é uma loucura.
- Porque Zé? Que horas é ai?
- Essa é a questão, Lú, não tenho a mínima idéia. Viajei um montão, cheguei cansado, dormi, acordei agora. No relógio aqui do quarto do hotel são cinco.
- Cinco da manhã ou cinco da tarde?
- Não sei, acordei agora e o quarto está escuro.
- Abre a janela e olha.
- Tá escuro lá fora também.
- Então, Zé, deve ser cinco da manhã. É claro. A China é tem os dias ao contrário da gente. É tudo de ponta cabeça ai.
- E que horas é ai?
- Aqui são seis da tarde. Esquisito você estar acordando agora, Zé.
- Esquisito é ser seis da tarde ai, Lú. E que dia é ai, Lú?
- Que dia da semana? É segunda. E você está em qual dia?
- Não tenho a mínima idéia. Será que aqui é segunda ou terça? E aliás, como eu vou saber isso?
- Liga a TV e vê num canal de notícias.
- Tá tudo em chinês. A tv é uma loucura.
- Liga na recepção.
- Eu não entendo o inglês deles. Nem parece inglês o que eles falam. Esquisitíssimo. Deixa. Já tou feliz de saber que são cinco da manhã.
- Já passa essa coisa estranha, Zé. Só você esquecer que tá de ponta cabeça.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

um dia atrapalhado



Foram muitos os problemas no dia de hoje. Não sei se tem a ver com horóscopo ou com destino. Mas caiu um galho, do nada, em cima do meu carro de manhã. Fez um afundado no teto que dá pra encher de água. Uma aguinha, mas dá. Se chover vai ter uma pocinha no meu capô. O galhão é enorme e eu até trouxe ele pra casa de lembrança. "Foi um infortúnio", falou minha amiga Silvia B. quando contei pra ela. "Infortúnio é a palavra perfeita", concordei. Processar quem quando um galho de um bosque do meio da cidade cai na tua cabeça ou capô? Também hoje fiquei presa entre duas portas de segurança de um prédio de luxo que entrei, que travaram. Fiquei ali, incomunicável na segurança do prédio chique por mais de dez minutos até conseguirem me tirar com chave, todos os seguranças pedindo desculpas. Dai veio a parte nojenta. Entrei no carro da Sílvia B., minha amiga, no final da tarde, e, pra entrar no carro, que tava estacionado na calçada, pisei num jardinzinho. E subiu uma lesma nojenta na minha sandália, que resolveu subir no meu pé e na minha perna sem eu perceber até que... "Sílvia, tá molhado meu pé, acho que teu carro tá vazando água", eu disse, colocando a mão no dedão e pegando na lesma. Éca. Achamos e matamos a desgraçada. Pensar que coloquei até a mão nela, que nojo. Depois eu e a Silvia B. sentamos no meu quintal pra conversar e apareceu um morcego que não parava de me sobrevoar dando razantes. "Nota que ele só dá razantes em você", ela disse, rindo. Dai depois caiu um raio do meu lado, veio um clarão horrível, o maior barulhão, até tremi. Nossa. Um dia atrapalhado o de hoje. "Cheio de infortúnios", ela disse. Galhos, portas, lesmas, morcegos, raios, infortúnios.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

pepinos



Acho que um dos grandes problemas do Brasil hoje é a questão dos plugs. Ou benjamins, ou adaptadores de tomada. Aquele negócio que você coloca numa tomada que não cabe em outra tomada pra poder ligar a coisa. A gente já tinha um padrão de tomada diferente do resto do mundo, e de uns anos para cá a coisa piorou, pois criaram aqui no Brasil um padrão de tomada diferente do nosso mesmo. Hoje em dia o fato de você comprar um eletrodoméstico não significa que você consiga usar o eletrodoméstico. Se você não tiver o plug certo é o mesmo que não ter. Isso aconteceu pela primeira vez comigo no ano passado quando comprei um liquidificador. O aparelho era do padrão novo, com 3 pinos, e não encaixava em nenhuma tomada da cozinha. Achei que estava com as tomadas desatualizadas, não quis ir atrás de um plug adaptador, e chamei o Carioca, meu eletricista, para trocar todas as tomadas da cozinha. Foi quando tive que comprar uns 10 adaptadores para os equipamentos velhos, que não encaixavam no padrão novo. Me achei um pouco burra de fazer aquela troca, mas tomadas da cozinha ficaram modernas e liguei o liquidificador. Mas com alguns aparelhos, ainda mais se para usar o aparelho você precisar de extensão, a coisa se torna um enorme quebra cabeças. Às vezes para ligar um reles trequinho na tomada você precisa matutar muito e usar uns 5 adaptadores. Fica aquele sanduiche de plug, coisa mais louca, repara. Ontem isso aconteceu aqui em casa: a tomada era de três pinos, precisei de um plug de três para dois redondos para ligar a extensão, depois um plug de dois pinos para dois pinos chatos e um outro de dois chatos para três pinos de novo. Muito pino, putis pepino.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

querido flor amor paixão



Não sei o que tem me dado que agora que toda hora eu chamo as pessoas de "querido" e "querida". Ontem isso aconteceu com uma pessoa totalmente disparatada, o atendente da padaria Rodésia. Eu sem mais nem menos, pedi para ele "pode por favor fatiar 200 gramas de mussarela e 15o de salame, querido?". Sei lá, gente, o "querido" saiu da minha boca sem eu perceber. Que susto. De manhã isso aconteceu duas vezes, uma delas com o pedreiro da obra, a outra com o jardineiro. Antes de ontem aconteceu com uma vendedora de uma loja. Coisa mais esquisita. Não é que eu não ache essas pessoas... queridas. Mas é um certo exagero de intimidade. E é esquisita pra mim essa mudança de comportamento, fico na dúvida se isso é cafona e tenho receio que piore. Uma vez, quando ainda trabalhava de arquiteta, projetando e construindo, frequentava muito uma loja de louças e metais, e a dona da loja, uma senhora muito simpática, tinha o hábito de chamar todo mundo de querido. Mas o problema dela é que ela não ficava só ali no "querido", ela ia além, adorava criar uma putis intimidade com você, e quando você pedia para ela "por favor, senhora, queria comprar uma bacia Deca modelo Ravena", ela repondia, sorrindo "claro, querida amor paixão flor bonitinha, é pra já amorzinho meu bem vem aqui". E assim eu, naquela época, quando pensava numa privada lembrava da dona flor amor paixão, coisa que obviamente não combinava nada com privada. Eu acho que se eu for por ai e não me controlar eu vou ficar idêntica a vendedora de privada flor amor paixão. Beijos, queridos. Sem querer fiz mais um post de privada. Frankamente.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

meia cintura, um pescoço, essas coisas da vida





Foi minha irmã que veio com essa. Que se você pegar sua calça jins e dobrar a cintura e enrolar no pescoço, dá o tamanho exato. Do seu pescoço. "Como assim, Ângela?" "É o tamanho do pescoço, entende? Não precisa experimentar calça". "De onde você tirou isso?". "Umas meninas me contaram". "Mas... mas a cintura já mudou de lugar, Ângela, a cintura agora é lá embaixo, no quadril, então...". "Não interessa", ela argumentou, "dá na mesma, são essas coisas da vida". Fiquei encasquetada, que tem a ver a medida da cintura com o... pescoço da gente? Mas pelo sim pelo não, fui perguntar pro gugol. Fuçei, fuçei, e nada. "Ora, Franka, é o que dizem os camelôs", me disse uma amiga outro dia. "Como assim?". "Ora, em camelô eles inventaram isso, em camelô você não tem como experimentar calça, imagina, vai experimentar calça no meio da rua? Então eles medem pelo pescoço. Meia cintura, um pescoço". "Sério?" "Sério". "E dá certo?", perguntei. "Pior é que dá, são essas coisas da vida". Putis. Tô morrendo de vontade de comprar um jins pra mim em camelô pra fazer um teste. Jins gravatinha.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

vap terapia



Sempre morri de vontade de vontade de ter uma daquelas máquinas super turbo de limpar o chão para tirar o limo e as cracas. Nunca tive coragem de comprar e a Maria fica há anos penando e esfregando a garagem, a calçada e o quintal para tirar aquele tom preto esverdeado que tomou conta da parte de fora da minha casa. Na semana passada me deu uma louca, implorei pro Zé e compramos a máquina. O máximo poder limpar tudo sem esforço apenas pilotando a espingarda com jato turbo. E imagina se eu ia deixar a Maria fazer aquilo. Resolvi que seria a gente mesmo que faria, eu e o Zé. Depois de penar um pouco pra montar a traquitana, conseguimos fazer funcionar. Nossa, é simplesmente sensacional. Mas a nossa alegria durou uns dez minutos, porque óbvio que a pobre tomada da varanda não aguentou a potência turbo da máquina e puffft. A chave caiu e o vapinho morreu. Decepção é pouco. Tentamos mais duas vezes e, depois de mais alguns putfffts, desistimos. A gente não tava a fim de incêndio, e nem de ficar sem luz. Passei a semana aflita atrás do Carioca, o eletricista, e enfim ontem ele apareceu para colocar fios mais grossos nas tomadas para o vapinho funcionar.
Quando ele foi embora, a gente nem pensou em fazer almoço. Resolvemos limpar tudo naquela hora mesmo. Parecíamos dois viciados. Sabe quando os filhos da gente ganham um videogame de natal e a gente fica chamando sem parar para almoçar, para tomar banho, para qualquer coisa e eles não vem? Era isso, mas ao contrário. Eu e o Zé que não conseguíamos parar de tirar o limo do chão. "Mãe, a gente não vai sair para almoçar?". "Toíno, filha". "Pai, telefone". "Vê quem é e fala que eu ligo jajá, tá na minha vez". Isso fora a briga. "Zé, agora é minha vez". "Não, você ficou quinze minutos e eu tou só a cinco". "Zé, deixa eu, por favor".
Depois de olhar para mim e para o Zé, felizes de tudo, limpando a garagem, o Chico declarou que vaps são máquinas de desestress. "Desestress de velho, é isso", ele concluiu "a terapia do vap". Verdade. É muito bom. Nem dormi direito ontem pensando que tinha que acordar e limpar hoje o quintal. Acordei animadíssima, arrumei a cozinha rapidíssimo e declarei pra os filhos que o almoço ia ser hamburguer. "Peçam na lanchonete porque não vou parar de limpar o quintal", resolvi. E melhor ainda, o Zé hoje tinha um almoço pra ir e decidi que a limpeza do quintal ia ficar toda pra mim. Hehehe, legal.
Gente do céu. Fora mais de 4 horas de vap, minhas mãos estão formigando e latejando com a pressão da espingarda, e como não tenho extensão, droga, a limpeza parou no limite do fio. O meu piso do quintal está feito uma lua, redondo e branco de um lado e preto do outro. Hahaha. Super estranho. Mas tou feliz, calmiiiinha e orgulhosa do meu trabalho. E oba, vou comprar a extensão e claro, vai ter mais vap no fim de semana que vem.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

o caderninho de sonhos



De uns tempos pra cá tenho tinho uns sonhos engraçados. Já falei aqui algumas vezes que não gosto de gente que conta sonho, afinal sonho não é verdade, não tem começo nem fim, e eu geralmente não sei como comentar assunto de sonho. Não é que eu não goste de sonhar, eu não gosto de ouvir sonho dos outros, só isso. Mas pensei que alguns detalhes dos sonhos engraçados que tenho tido podiam ser úteis para alguma coisa, e que, assim como tenho um caderninho de anotações na bolsa onde anoto todas as idéias de crônicas, peças e histórias, eu deveria ter na minha mesa de cabeceira um caderninho de sonhos. Quem sabe aquelas coisas engraçadas dos sonhos pudessem entrar em alguma crônica. Ou peça. Bom. Dai passei a dormir com o caderno e a caneta do meu lado. E se depois, quando eu lesse o sonho, se o que eu tivesse escrito fosse chato, não aproveitava pra nada e fim. Pronto, resolvido. Isso foi há uns quinze dias atrás. Lembro de ter anotado um monte de coisas no caderninho, mas quando fui olhar hoje de manhã, fiquei intrigada. Existiam apenas duas anotações de sonhos. Duas? Nossa, cadê o resto? Juro que eu achei que tinham mais de dez sonhos ali, como assim só dois? E ainda por cima uma da anotações, por eu ter escrito à noite e no escuro, era completamente incompreensível, pois eu escrevi todo o sonho numa mesma linha e ficou tudo embolado. Foi quando eu supus uma coisa esquisita, que eu sonhei que escrevi no caderno, e talvez tenha escrito mesmo, mas no sonho, não na vida real. Achei aquilo muito assustador, eu até me lembro dos sonhos que achei que escrevi no caderno da cabeceira mas que devem estar no caderno lá do sonho. Sei lá, vai ver que dentro dos meus sonhos eu também tenho um blog, escrevo peças e histórias, e estou aproveitando o que escrevi no caderninho do sonho dentro do sonho. Ai que esquisito. E esse único sonho que eu realmente escrevi no caderninho da cabeceira e que dá pra entender, eu não conto. É super chato contar sonho.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

o meu iPhone cover



Quando eu resolvi trocar de telefone, todo mundo ficou falando "troca por aifone, troca por aifone, troca por aifone". Eu acho um saco essa coisa de aifone. Pra comprar um aifone você tem que entrar numa fila. Tem cabimento entrar numa fila pra um aifone? Você vai comprar a coisa, gente, comprar, com teu dinheiro, não é ganhar. Se fosse grátis vá lá, mas entrar em fila pra comprar eu acho super cafona e sou contra. Eu sou super contra fila quando a gente compra coisa. Como no cinema, você tá pagando o ingresso, quem paga não tem pegar fila, pô. Já basta fila de banco, fila de hospital, fila pra cadastrar em portaria de prédio. Resolvi desistir do aifone antes de sair de casa, ótimo quando a gente decide não se aborrecer, um saco aifone, além do que é caro pra caramba. Cheguei na loja e o moço perguntou as minhas preferências. "Cada pessoa tem que achar o modelo que mais se adequa às suas necessidades", ele explicou. Me senti numa concessionária de veículos. Ou numa consulta médica. "Quero um telefone grande, pois não gosto de falar em trequinho, com uma tela grande porque não enxergo mais nada e mando torpedo tudo pras pessoas erradas e com uma máquina fotográfica boa". "Ah, eu tenho o telefone ideal para a senhora aqui mesmo", o cara concluiu. Que aifone que nada, eu não vou pegar fila, pensei, feliz. "E se a senhora quiser, já que o da senhora caiu na privada um dia, depois tomou banho de champanhe e coca cola, eu posso colocar uma capa nele pra proteger". "Ô se quero". O telefone é realmente demais, o único problema, que acredito que é passageiro, é meu embananamento com o toutchi. Fiquei olhando o telefone um tempão depois, e conclui que ele é a maior cópia do aifone. Ou seja, quando eu disse minhas preferências, acho que descrevi exatamente... o aifone. Hahaha. O meu telefone imita em tudo o aifone, eu implicando com o aifone. Troquei meu celular por um aifone cover. Mas não entrei em fila.