Essa foi minha entrevista do Franka em Cena com o Ivam Cabral. Nesses tempos eu só penso nisso: entrevistar. Essa conversa com o Ivam ficou super legal. Não ficou com cara de entrevista, ficou com jeito de conversa. Acho que é porqeu a gente se conhece faz tempo. O Ivam é divertido, e toda hora na entrevista ele fala o termo "muito louco". Repara. Hahaha. Depois que eu me ouvi entrevistando o Ivam, fiquei com a maior vontade de usar esse termo. Muito louco.
sábado, 26 de março de 2011
franka entrevista ivam cabral, muito louco
sábado, 19 de março de 2011
franka entrevista o grupo furunfunfum
E no "Franka em Cena" desse fim de semana, Franka entrevista o grupo Furunfunfum e conversa com Marcelo Lé Zurawski e Paula Zurawski. Super divertido!
sábado, 5 de março de 2011
reticências erradas

Acho que eu e meio mundo das pessoas que trabalham em escritórios passam um monte de emails profissionais por dia, seja lá qual profissão. E emails profissionais tem umas regras que meio que todo mundo segue. Essa semana lembrei de uma delas. É que você não pode ser reticente em email profissional. Fica super estranho. Pontinhos no fim confundem, e a última coisa que se faz profissionalmente é confundir o outro. Foi assim. Eu passei um email para um cara de uma empresa de janelas, caixilhos, perguntando quando ele ia consertar umas maçanetas de umas janelas numa obra. A pergunta foi bem objetiva, eu queria apenas o dia e a hora. Que ele ia arrumar a gente já tinha acertado. Dali a pouco veio a resposta do cara.
- Na quarta nos falamos melhor, mas iremos providenciar os pinos maiores...
Eu li aquilo e não entendi. Falar na quarta? E os pinos, ele ia levar ou não? Que eram aquelas reticências? Resolvi ignorar as reticências. Ora, fazia mais sentido. Intui que eles iam na quarta, com pinos maiores. Respondi confirmando o dia (quarta) e perguntando a hora. Em seguida recebo outro email nada a ver com a minha pergunta e ainda por cima com reticências de novo:
- A princípio tenho somente um, mas quero levar os pinos, caso me entreguem há tempo... Acho que tenho alguns, mas não todos...
Hã? Como assim? Quantos pinos ele tem? Vai levar quantos? Que resposta esquisita. Parecia aque o cara tava triste. Ou resmungando? Com sono? Disfarçando? Um email profissional não pode ser assim, emocional. Reticência também é não finalizar um pensamento, e se o cara estava naquele canal, ele nunca ia conseguir ele escolher dia e hora ainda mais por causa desse lance de pinos. Eu meio que me enchi. O cara que devia ter uma pino a menor, e achei que era melhor eu finalizar aquilo. Respondi super sério que era para ele levar todos os pinos, e embaixo escrevi o dia (quarta), vírgula, inventei uma hora (dez da manhã) e mandei ver um belo de um ponto final. Enviei. Dez minutos depois, a resposta:
-Creio que dará tempo de chegar os novos também.... Vamos torcer!
Nossa, piorou. Em vez dele colocar outro ponto final no fim da frase dele, ele continuou com as reticências, em seguida se animou e exclamou. Exclamou! Olha, outra coisa super proibida em email profissional é exclamação, gente. E Santo Deus, o cara ia ou não ia arrumar as maçanetas das janelas na quarta? Desisti. Não respondi nada, e ele não mandou mais nada.
Bom. Na quarta feira o cara apareceu na obra às dez horas, com todos os pinos e arrumou tudo. Super profissional, quem diria.
sexta-feira, 4 de março de 2011
a franka, a lúcia e elas mesmas

Desde que esse blog existe que eu sou duas, a Franka e Lúcia Carvalho. Às vezes eu me confundo na hora de escrever a crônica, e escrevo Lúcia ao invés de Franka num diálogo. Nunca ninguém reclamou, acho que mesmo de um modo torto todo mundo entende as esquisitices dos outros. Meu filhos dizem que é ridículo alguém "se colocar" apelido, ainda mais gente velha como eu. Eu sempre repito que velho moderno adora nickname. Quando eles falam "Franka", eles fazem aspas e careta, rindo de mim. Deixa.
No fim de semana passado descobri que meu celular tira fotos de você com você mesmo. É incrível. Você clica um botão e dai aparece uma moldura azul de um lado da imagem. Você tira a primeira foto. Dai aparece a mesma foto com tudo que foi fotografado no lado que você tirou meio sombreado, e a moldura azul vai para o outro lado. É só encaixar um quadrado com o outro que a bobeira está com-ple-ta. Óbvio que esse recurso bobo deve existir em toda máquina e que ninguém usa porque é mega bobo. Mas só sei que adorei tirar fotos comigo, eu nunca consegui ser Lúcia e Franka numa mesma imagem. Mas descobri algumas coisas. Por exemplo, não dá para você abraçar você mesmo, porque nada de uma imagem pode entrar na outra. O ideal é não ter nada entre você e você mesmo, ou colocar um objeto fixo entre vocês. Um objeto de interação de você com você mesmo. Pode ser um copo, uma corda, um livro, uma janela. Na minha cabeça, passei a inventar cenários para essas fotos. Comentei isso com minha amiga Sílvia Bê e ela (que é sempre animada com novos projetos) topou na hora inventar cenas para você com você mesmo. Ela que criou essa da porta e tirou a foto. E ficou tão perfeito que eu olho e, juro, acho que a Lúcia foi mesmo visitar a Franka.
terça-feira, 1 de março de 2011
de ponta cabeça

O Zé foi pra China a trabalho. A viagem envolvia uma outra reunião em Londres, e foi de lá que ele foi pra Pequim no domingo. Ontem, quando eram mais ou menos seis da tarde, ele me ligou.
- Oi Zé, tudo bem?
- Tudo, mas isso é uma loucura.
- Porque Zé? Que horas é ai?
- Essa é a questão, Lú, não tenho a mínima idéia. Viajei um montão, cheguei cansado, dormi, acordei agora. No relógio aqui do quarto do hotel são cinco.
- Cinco da manhã ou cinco da tarde?
- Não sei, acordei agora e o quarto está escuro.
- Abre a janela e olha.
- Tá escuro lá fora também.
- Então, Zé, deve ser cinco da manhã. É claro. A China é tem os dias ao contrário da gente. É tudo de ponta cabeça ai.
- E que horas é ai?
- Aqui são seis da tarde. Esquisito você estar acordando agora, Zé.
- Esquisito é ser seis da tarde ai, Lú. E que dia é ai, Lú?
- Que dia da semana? É segunda. E você está em qual dia?
- Não tenho a mínima idéia. Será que aqui é segunda ou terça? E aliás, como eu vou saber isso?
- Liga a TV e vê num canal de notícias.
- Tá tudo em chinês. A tv é uma loucura.
- Liga na recepção.
- Eu não entendo o inglês deles. Nem parece inglês o que eles falam. Esquisitíssimo. Deixa. Já tou feliz de saber que são cinco da manhã.
- Já passa essa coisa estranha, Zé. Só você esquecer que tá de ponta cabeça.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
um dia atrapalhado

Foram muitos os problemas no dia de hoje. Não sei se tem a ver com horóscopo ou com destino. Mas caiu um galho, do nada, em cima do meu carro de manhã. Fez um afundado no teto que dá pra encher de água. Uma aguinha, mas dá. Se chover vai ter uma pocinha no meu capô. O galhão é enorme e eu até trouxe ele pra casa de lembrança. "Foi um infortúnio", falou minha amiga Silvia B. quando contei pra ela. "Infortúnio é a palavra perfeita", concordei. Processar quem quando um galho de um bosque do meio da cidade cai na tua cabeça ou capô? Também hoje fiquei presa entre duas portas de segurança de um prédio de luxo que entrei, que travaram. Fiquei ali, incomunicável na segurança do prédio chique por mais de dez minutos até conseguirem me tirar com chave, todos os seguranças pedindo desculpas. Dai veio a parte nojenta. Entrei no carro da Sílvia B., minha amiga, no final da tarde, e, pra entrar no carro, que tava estacionado na calçada, pisei num jardinzinho. E subiu uma lesma nojenta na minha sandália, que resolveu subir no meu pé e na minha perna sem eu perceber até que... "Sílvia, tá molhado meu pé, acho que teu carro tá vazando água", eu disse, colocando a mão no dedão e pegando na lesma. Éca. Achamos e matamos a desgraçada. Pensar que coloquei até a mão nela, que nojo. Depois eu e a Silvia B. sentamos no meu quintal pra conversar e apareceu um morcego que não parava de me sobrevoar dando razantes. "Nota que ele só dá razantes em você", ela disse, rindo. Dai depois caiu um raio do meu lado, veio um clarão horrível, o maior barulhão, até tremi. Nossa. Um dia atrapalhado o de hoje. "Cheio de infortúnios", ela disse. Galhos, portas, lesmas, morcegos, raios, infortúnios.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
pepinos

Acho que um dos grandes problemas do Brasil hoje é a questão dos plugs. Ou benjamins, ou adaptadores de tomada. Aquele negócio que você coloca numa tomada que não cabe em outra tomada pra poder ligar a coisa. A gente já tinha um padrão de tomada diferente do resto do mundo, e de uns anos para cá a coisa piorou, pois criaram aqui no Brasil um padrão de tomada diferente do nosso mesmo. Hoje em dia o fato de você comprar um eletrodoméstico não significa que você consiga usar o eletrodoméstico. Se você não tiver o plug certo é o mesmo que não ter. Isso aconteceu pela primeira vez comigo no ano passado quando comprei um liquidificador. O aparelho era do padrão novo, com 3 pinos, e não encaixava em nenhuma tomada da cozinha. Achei que estava com as tomadas desatualizadas, não quis ir atrás de um plug adaptador, e chamei o Carioca, meu eletricista, para trocar todas as tomadas da cozinha. Foi quando tive que comprar uns 10 adaptadores para os equipamentos velhos, que não encaixavam no padrão novo. Me achei um pouco burra de fazer aquela troca, mas tomadas da cozinha ficaram modernas e liguei o liquidificador. Mas com alguns aparelhos, ainda mais se para usar o aparelho você precisar de extensão, a coisa se torna um enorme quebra cabeças. Às vezes para ligar um reles trequinho na tomada você precisa matutar muito e usar uns 5 adaptadores. Fica aquele sanduiche de plug, coisa mais louca, repara. Ontem isso aconteceu aqui em casa: a tomada era de três pinos, precisei de um plug de três para dois redondos para ligar a extensão, depois um plug de dois pinos para dois pinos chatos e um outro de dois chatos para três pinos de novo. Muito pino, putis pepino.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
querido flor amor paixão

Não sei o que tem me dado que agora que toda hora eu chamo as pessoas de "querido" e "querida". Ontem isso aconteceu com uma pessoa totalmente disparatada, o atendente da padaria Rodésia. Eu sem mais nem menos, pedi para ele "pode por favor fatiar 200 gramas de mussarela e 15o de salame, querido?". Sei lá, gente, o "querido" saiu da minha boca sem eu perceber. Que susto. De manhã isso aconteceu duas vezes, uma delas com o pedreiro da obra, a outra com o jardineiro. Antes de ontem aconteceu com uma vendedora de uma loja. Coisa mais esquisita. Não é que eu não ache essas pessoas... queridas. Mas é um certo exagero de intimidade. E é esquisita pra mim essa mudança de comportamento, fico na dúvida se isso é cafona e tenho receio que piore. Uma vez, quando ainda trabalhava de arquiteta, projetando e construindo, frequentava muito uma loja de louças e metais, e a dona da loja, uma senhora muito simpática, tinha o hábito de chamar todo mundo de querido. Mas o problema dela é que ela não ficava só ali no "querido", ela ia além, adorava criar uma putis intimidade com você, e quando você pedia para ela "por favor, senhora, queria comprar uma bacia Deca modelo Ravena", ela repondia, sorrindo "claro, querida amor paixão flor bonitinha, é pra já amorzinho meu bem vem aqui". E assim eu, naquela época, quando pensava numa privada lembrava da dona flor amor paixão, coisa que obviamente não combinava nada com privada. Eu acho que se eu for por ai e não me controlar eu vou ficar idêntica a vendedora de privada flor amor paixão. Beijos, queridos. Sem querer fiz mais um post de privada. Frankamente.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
meia cintura, um pescoço, essas coisas da vida

Foi minha irmã que veio com essa. Que se você pegar sua calça jins e dobrar a cintura e enrolar no pescoço, dá o tamanho exato. Do seu pescoço. "Como assim, Ângela?" "É o tamanho do pescoço, entende? Não precisa experimentar calça". "De onde você tirou isso?". "Umas meninas me contaram". "Mas... mas a cintura já mudou de lugar, Ângela, a cintura agora é lá embaixo, no quadril, então...". "Não interessa", ela argumentou, "dá na mesma, são essas coisas da vida". Fiquei encasquetada, que tem a ver a medida da cintura com o... pescoço da gente? Mas pelo sim pelo não, fui perguntar pro gugol. Fuçei, fuçei, e nada. "Ora, Franka, é o que dizem os camelôs", me disse uma amiga outro dia. "Como assim?". "Ora, em camelô eles inventaram isso, em camelô você não tem como experimentar calça, imagina, vai experimentar calça no meio da rua? Então eles medem pelo pescoço. Meia cintura, um pescoço". "Sério?" "Sério". "E dá certo?", perguntei. "Pior é que dá, são essas coisas da vida". Putis. Tô morrendo de vontade de comprar um jins pra mim em camelô pra fazer um teste. Jins gravatinha.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
vap terapia

Sempre morri de vontade de vontade de ter uma daquelas máquinas super turbo de limpar o chão para tirar o limo e as cracas. Nunca tive coragem de comprar e a Maria fica há anos penando e esfregando a garagem, a calçada e o quintal para tirar aquele tom preto esverdeado que tomou conta da parte de fora da minha casa. Na semana passada me deu uma louca, implorei pro Zé e compramos a máquina. O máximo poder limpar tudo sem esforço apenas pilotando a espingarda com jato turbo. E imagina se eu ia deixar a Maria fazer aquilo. Resolvi que seria a gente mesmo que faria, eu e o Zé. Depois de penar um pouco pra montar a traquitana, conseguimos fazer funcionar. Nossa, é simplesmente sensacional. Mas a nossa alegria durou uns dez minutos, porque óbvio que a pobre tomada da varanda não aguentou a potência turbo da máquina e puffft. A chave caiu e o vapinho morreu. Decepção é pouco. Tentamos mais duas vezes e, depois de mais alguns putfffts, desistimos. A gente não tava a fim de incêndio, e nem de ficar sem luz. Passei a semana aflita atrás do Carioca, o eletricista, e enfim ontem ele apareceu para colocar fios mais grossos nas tomadas para o vapinho funcionar.
Quando ele foi embora, a gente nem pensou em fazer almoço. Resolvemos limpar tudo naquela hora mesmo. Parecíamos dois viciados. Sabe quando os filhos da gente ganham um videogame de natal e a gente fica chamando sem parar para almoçar, para tomar banho, para qualquer coisa e eles não vem? Era isso, mas ao contrário. Eu e o Zé que não conseguíamos parar de tirar o limo do chão. "Mãe, a gente não vai sair para almoçar?". "Toíno, filha". "Pai, telefone". "Vê quem é e fala que eu ligo jajá, tá na minha vez". Isso fora a briga. "Zé, agora é minha vez". "Não, você ficou quinze minutos e eu tou só a cinco". "Zé, deixa eu, por favor".
Depois de olhar para mim e para o Zé, felizes de tudo, limpando a garagem, o Chico declarou que vaps são máquinas de desestress. "Desestress de velho, é isso", ele concluiu "a terapia do vap". Verdade. É muito bom. Nem dormi direito ontem pensando que tinha que acordar e limpar hoje o quintal. Acordei animadíssima, arrumei a cozinha rapidíssimo e declarei pra os filhos que o almoço ia ser hamburguer. "Peçam na lanchonete porque não vou parar de limpar o quintal", resolvi. E melhor ainda, o Zé hoje tinha um almoço pra ir e decidi que a limpeza do quintal ia ficar toda pra mim. Hehehe, legal.
Gente do céu. Fora mais de 4 horas de vap, minhas mãos estão formigando e latejando com a pressão da espingarda, e como não tenho extensão, droga, a limpeza parou no limite do fio. O meu piso do quintal está feito uma lua, redondo e branco de um lado e preto do outro. Hahaha. Super estranho. Mas tou feliz, calmiiiinha e orgulhosa do meu trabalho. E oba, vou comprar a extensão e claro, vai ter mais vap no fim de semana que vem.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
o caderninho de sonhos

De uns tempos pra cá tenho tinho uns sonhos engraçados. Já falei aqui algumas vezes que não gosto de gente que conta sonho, afinal sonho não é verdade, não tem começo nem fim, e eu geralmente não sei como comentar assunto de sonho. Não é que eu não goste de sonhar, eu não gosto de ouvir sonho dos outros, só isso. Mas pensei que alguns detalhes dos sonhos engraçados que tenho tido podiam ser úteis para alguma coisa, e que, assim como tenho um caderninho de anotações na bolsa onde anoto todas as idéias de crônicas, peças e histórias, eu deveria ter na minha mesa de cabeceira um caderninho de sonhos. Quem sabe aquelas coisas engraçadas dos sonhos pudessem entrar em alguma crônica. Ou peça. Bom. Dai passei a dormir com o caderno e a caneta do meu lado. E se depois, quando eu lesse o sonho, se o que eu tivesse escrito fosse chato, não aproveitava pra nada e fim. Pronto, resolvido. Isso foi há uns quinze dias atrás. Lembro de ter anotado um monte de coisas no caderninho, mas quando fui olhar hoje de manhã, fiquei intrigada. Existiam apenas duas anotações de sonhos. Duas? Nossa, cadê o resto? Juro que eu achei que tinham mais de dez sonhos ali, como assim só dois? E ainda por cima uma da anotações, por eu ter escrito à noite e no escuro, era completamente incompreensível, pois eu escrevi todo o sonho numa mesma linha e ficou tudo embolado. Foi quando eu supus uma coisa esquisita, que eu sonhei que escrevi no caderno, e talvez tenha escrito mesmo, mas no sonho, não na vida real. Achei aquilo muito assustador, eu até me lembro dos sonhos que achei que escrevi no caderno da cabeceira mas que devem estar no caderno lá do sonho. Sei lá, vai ver que dentro dos meus sonhos eu também tenho um blog, escrevo peças e histórias, e estou aproveitando o que escrevi no caderninho do sonho dentro do sonho. Ai que esquisito. E esse único sonho que eu realmente escrevi no caderninho da cabeceira e que dá pra entender, eu não conto. É super chato contar sonho.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
o meu iPhone cover

Quando eu resolvi trocar de telefone, todo mundo ficou falando "troca por aifone, troca por aifone, troca por aifone". Eu acho um saco essa coisa de aifone. Pra comprar um aifone você tem que entrar numa fila. Tem cabimento entrar numa fila pra um aifone? Você vai comprar a coisa, gente, comprar, com teu dinheiro, não é ganhar. Se fosse grátis vá lá, mas entrar em fila pra comprar eu acho super cafona e sou contra. Eu sou super contra fila quando a gente compra coisa. Como no cinema, você tá pagando o ingresso, quem paga não tem pegar fila, pô. Já basta fila de banco, fila de hospital, fila pra cadastrar em portaria de prédio. Resolvi desistir do aifone antes de sair de casa, ótimo quando a gente decide não se aborrecer, um saco aifone, além do que é caro pra caramba. Cheguei na loja e o moço perguntou as minhas preferências. "Cada pessoa tem que achar o modelo que mais se adequa às suas necessidades", ele explicou. Me senti numa concessionária de veículos. Ou numa consulta médica. "Quero um telefone grande, pois não gosto de falar em trequinho, com uma tela grande porque não enxergo mais nada e mando torpedo tudo pras pessoas erradas e com uma máquina fotográfica boa". "Ah, eu tenho o telefone ideal para a senhora aqui mesmo", o cara concluiu. Que aifone que nada, eu não vou pegar fila, pensei, feliz. "E se a senhora quiser, já que o da senhora caiu na privada um dia, depois tomou banho de champanhe e coca cola, eu posso colocar uma capa nele pra proteger". "Ô se quero". O telefone é realmente demais, o único problema, que acredito que é passageiro, é meu embananamento com o toutchi. Fiquei olhando o telefone um tempão depois, e conclui que ele é a maior cópia do aifone. Ou seja, quando eu disse minhas preferências, acho que descrevi exatamente... o aifone. Hahaha. O meu telefone imita em tudo o aifone, eu implicando com o aifone. Troquei meu celular por um aifone cover. Mas não entrei em fila.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
franka, terrorista

Na viagem de férias de natal pra Patagônia com a família, catei um monte de pedras coração. Elas aparecem para mim, acabo pegando. Às vezes olho para o chão, vejo uma e não aguento. No final da viagem eu tinha umas oito, nove pedras, todas lindas, cada uma de um canto. Dos glaciares, dos riozinhos, dos desertos. Jimais.
Na hora de voltar, achei que era muito pesado colocar tudo na minha mala. Resolvi colocar umas na mala do João, que estava mais leve, outras na mala do Zé e sobraram umas 3, as mais lindas, que coloquei na minha mochila de mão. Chegamos no aeroporto de Calafate e fomos embarcar. Coloquei a bolsa e a mochila na esteirinha do detector de metais quando o moço levantou a minha mochila e perguntou de quem era aquilo. "É meu", respondi no meu esquisito espanhol. "A senhora pode vir aqui?", ele pediu. Pulei a cordinha e cheguei perto dele. "Que foi?". Ele e a moça do lado me olharam muito feio. "A senhora tem pedras na mochila?". "Tenho", admiti. "Pode nos mostrar?". Suspirei, abri a mochila e mostrei para eles, dizendo algo como "são só umas pedras mesmo, eu tenho coleção e...". O moço pegou a primeira, olhou desconfiado, pegou a segunda, olhou mais desconfiado ainda e analisou a terceira, certificando-se que eram apenas pedras e me avaliando da cabeça aos pés, como se eu fosse mega suspeita. E sem dó nenhuma, jogou as três na lata de lixo perto dele. Minhas pedras! Tentei argumentar em espanhol, "son só pedras corazon, jo tengo una colecion, moço", mas ele me virou as costas e ignorou. Os filhos e o Zé riram, eu peguei a mochila com a maior cara de sem graça fui pra área de embarque.
Bom, começamos a pensar no assunto, todos juntos. Bom, não pode levar pedra na bagagem de mão. Porque não? Ora, pedra deve ser considerado uma arma. Mas será que alguém em sã consciência já usou uma pedra como arma num avião? Será que alguém já sequestrou um avião com... pedras coração? Já provocou um atentado terrorista com pedras coração? Ora, se a gente pensar bem, pode ser bem perigoso mesmo. Imagina se no meio do vôo dez passageiros se levantam com pedras coração na mão e ameaçam apedrejar os demais passageiros? Nossa. Seria um ataque inusitado, mas de um grau de periculosidade muito alto. Pedra machuca. Mas se a gente avaliar dentro da minha bolsa tinha um monte de coisas tão pesadas e tão "perigosas" como as minhas pedras. Por exemplo, a máquina fotográfica. O iPod. A minha carteira gorda. A escova de cabelo. Ora, imagina se dez passageiros terroristas se levantam no meio do vôo e ameçam jogar máquinas fotográficas super pesadas nos demais passageiros? E na mala do Zé, que tinha o laptop dele? Isso sim é pesado, gente. Imagina se ao invés de máquinas fotográficas, dez passageiros se levantam e ameaçam jogar... laptops? Qual a diferença entre minhas pedras e uns laptops? Os laptops são muito mais perigosos que minhas pedras, gente. Me deu vontade de voltar e argumentar isso com o moço da esteira, mas achei que seria muito complicado explicar essa teoria em espanhol, e me conformei em deixar parte da minha coleção no lixo o aeroporto. Voei triste, pensando no lixo e na minha coleção. De armas.
Bom, começamos a pensar no assunto, todos juntos. Bom, não pode levar pedra na bagagem de mão. Porque não? Ora, pedra deve ser considerado uma arma. Mas será que alguém em sã consciência já usou uma pedra como arma num avião? Será que alguém já sequestrou um avião com... pedras coração? Já provocou um atentado terrorista com pedras coração? Ora, se a gente pensar bem, pode ser bem perigoso mesmo. Imagina se no meio do vôo dez passageiros se levantam com pedras coração na mão e ameaçam apedrejar os demais passageiros? Nossa. Seria um ataque inusitado, mas de um grau de periculosidade muito alto. Pedra machuca. Mas se a gente avaliar dentro da minha bolsa tinha um monte de coisas tão pesadas e tão "perigosas" como as minhas pedras. Por exemplo, a máquina fotográfica. O iPod. A minha carteira gorda. A escova de cabelo. Ora, imagina se dez passageiros terroristas se levantam no meio do vôo e ameçam jogar máquinas fotográficas super pesadas nos demais passageiros? E na mala do Zé, que tinha o laptop dele? Isso sim é pesado, gente. Imagina se ao invés de máquinas fotográficas, dez passageiros se levantam e ameaçam jogar... laptops? Qual a diferença entre minhas pedras e uns laptops? Os laptops são muito mais perigosos que minhas pedras, gente. Me deu vontade de voltar e argumentar isso com o moço da esteira, mas achei que seria muito complicado explicar essa teoria em espanhol, e me conformei em deixar parte da minha coleção no lixo o aeroporto. Voei triste, pensando no lixo e na minha coleção. De armas.
sábado, 29 de janeiro de 2011
george

Sumi. Fiquei uma semana sem internet por causa da Telefônica. Não vou reclamar. Agora consertou e voltei.
Hoje pensei numa coisa engraçada. Também meio nada a ver, apenas uma observação sobre o meu cotidiano. Putis, gente. Como é legal essa moda de TV na parede, fininha, como se fossem quadros. São demais essas TVs. E são na verdade quadros, com programação de canal e tal. É engraçado porque pra mim isso sempre foi um sonho que eu tinha do futuro e que virou uma verdade agora, no meu futuro. Entende? É que coloquei uma TV na parede do meu quarto no ano passado. E é demais assistir uma TV que vem do nada, do branco da parede, aparentemente sem fio e sem móvel nenhum. Mega coisa dos Jetsons. Essa é Franka, assumindo a sua porção Jane Jetson.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
dona branca com candelabro no hall

Eu vivo em obras. Vivo vendo projetos. Entrando e saindo de ambientes. E outro dia eu tava conversando a minha amiga Luciana H, que também é arquiteta e vive em obras como eu, e a gente lembrou do jogo de Detetive, que a gente jogava quando era criança (ou com as crianças). Muito legal Detetive. Adoro jogos. Foi quando a gente teve a idéia de fazer um novo jogo de Detetive, um jogo de Detetive de uma Obra. Na verdade seria o mesmo jogo, apenas com uma atualização e uma nova cara. Super copiação, como dizem os filhos. Concluimos que o jogo de Detetive é legal, mas é atualmente um jogo do arco da velha. Começamos a pensar nos ambientes atualizados. No jogo velho, tinha hall, sala de estar, salão de festas, escritório, sei lá mais o que. Esses ambientes não existem mais hoje, então pensamos em atualizar para cozinha planejada Kitchens, home theater, sala de almoço, cozinha gourmet, closet, banho sr, banho sra, prataria, galeria. Muito mais moderno e adequado pro nosso mundo. Todos ambientes em construção, claro. Não soubemos bem pra que os ambientes estariam em construção, e não prontos, mas isso não vem ao caso, porque vivemos dentro de construções e a gente que estava inventando o jogo. Dai começamos a pensar nas armas: como se mataria alguém numa obra? Tivemos uma grande discussão e chegamos nas seguintes: trena, estilete, lasca de mármore, compressor, furadeira, marreta e tiro de pino de gesso. Ficamos meio na dúvida em como se matar alguém com um compressor, mas depois pensamos que as possibilidades são inúmeras, como jogar na cabeça, enfiar o aplicador de tinta na boca do infeliz ou até matar a pessoa de cócegas só com o ventinho. Depois os personagens, que não seria mais apenas cores, como a dona Branca, sr. Green, a dona Violeta, etc, se sim o pintor Fulano, o marceneiro Sicrano, o cara do ar condicionado, o empreiteiro, o gesseiro e claro, a arquiteta (nós duas quase brigamos porque nós duas queríamos ser a arquiteta, argumentei que "dona Franka" é parecido do "dona Branka" e ia ficar engraçado, ela discordou).
- Lembra daquela arquiteta que morreu de verdade com a lasca de mármore? - a Lu lembrou - isso acontece mais do que a gente imagina.
- Já tive vontade de matar um gesseiro uma vez que me deu um cano na obra - lembrei.
- Empreiteiro com tiro de pino de gesso no closet - ela falou.
- Pintor com furadeira na cozinha gourmet - sugeri.
- Cara do ar condicionado com compressor no banho sr.
- Mas qual seria o motivo da morte do gesseiro com uma... trena, assim, por exemplo, Lu? - falei pra ela, confusa.
- O jogo nunca explicou isso, dona Franka. Lembra, era só embaralhar e colocar no envelopinho o lugar, a arma, a pessoa.
- É. Deixa pra lá. Mas que numa obra a gente tem motivo pra esganar as pessoas, ah, a gente tem, Lú. A gente sabe muito bem.
- Ô se tem, Franka. Ô se tem.
- Já tive vontade de matar um gesseiro uma vez que me deu um cano na obra - lembrei.
- Empreiteiro com tiro de pino de gesso no closet - ela falou.
- Pintor com furadeira na cozinha gourmet - sugeri.
- Cara do ar condicionado com compressor no banho sr.
- Mas qual seria o motivo da morte do gesseiro com uma... trena, assim, por exemplo, Lu? - falei pra ela, confusa.
- O jogo nunca explicou isso, dona Franka. Lembra, era só embaralhar e colocar no envelopinho o lugar, a arma, a pessoa.
- É. Deixa pra lá. Mas que numa obra a gente tem motivo pra esganar as pessoas, ah, a gente tem, Lú. A gente sabe muito bem.
- Ô se tem, Franka. Ô se tem.
Hahaha.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
um dia complicado

Parece título de redação. E eu vou tentar contar o dia de hoje sem reclamar muito pra não ficar chato. O carro quebrou ontem a tardinha, quando cheguei em casa. Ferveu. Acho super engraçado sintoma de carro, como ferveu, afogou, patinou, morreu, porque são sintomas super catástróficos que não causam nunca a morte total do carro. São tipo resfriados do carro. Algo assim. Bom, larguei o carro fervido na garagem e esqueci. Depois eu resolvia. E foi exatamente por causa desse esquecimento que o dia de hoje começou complicado, porque acordei e lembrei do carro fervido. Acordei fervida como o carro, mas o Zé topou trocar de carro e levar pra arrumar e concordei, super agradecida. Desci, e a Maria, que devia ter voltado hoje das férias, não veio. Ferveu? Ou seja, a mesa do café não tinha café da manhã, mas tinha o jantar do dia anterior. Fiz um café e fui olhar os emails, mas o speedy pifou. A internet também ferveu, eu acho. Liguei para a Telefônica, que demorou mais de meia hora pra me atender, dizer que não tinha como consertar na hora e que demorava 24 horas. Resolvi roubar a internet de alguém aqui por perto. No andar de cima de casa sempre pego sinal, no meu escritório não pega. Subi de mala e cuia para o quarto da Naninha, que tá viajando. Me instalei na mesa dela, tentei, conectei, consegui. Fui abrir a janela do quarto, tava escuro, e a persiana de enrolar quebrou. Caiu toda fita pra fora, fervida. Acendi a luz do teto, nada, estava queimada. Achei um abajurzinho com uma luz fraquiiiiinha e trabalhei um pouco no escurinho. Sai pro escritório, mas como choveu muito, não tinha internet. Voltei pra casa, o alarme não parava de disparar, fervendo, e em seguida acabou a luz também aqui. Sem luz o portão da garagem não abre. Tinha uma reunião, não conseguia sair. Voltou a luz, sai, voltei da reunião e fui pro micro. Foi quando o abajurzinho com a luz fraquiiinha ferveu no quarto da minha filha. Breu total. Desci com o micro aqui no meio do quintal, na mesinha de ferro, consegui conectar mas não enxergava o teclado. Estou escrevendo à luz de lanterna, uma lanterna de led que o Zé ganhou no posto Ipiranga que carrega na tomada. Um pouco assustador. Um dia complicado, mas até com post. Ou redação.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
histórias da mamãe

Seu pai um dia saiu com uns amigos para beber. Sabe a turma dele lá de Taquaritinga? Nossa, como eles adoravam se encontrar para beber. Ficavam todos bêbados, mas bêbados mesmo, filha, era muito engraçado. Quase sempre era em casa, você lembra, Lúcia, eu que organizava as reuniões, fazia comidinhas para o alcool não subir muito, mas nesse dia eles combinaram de se encontrar num bar, sei lá. Bom. Parece que nesse dia eles exageraram mesmo na bebida e perderam a hora, e quando sairam para ir embora um deles passou a ter medo da mulher. Dizia que ela ia ficar muito brava dele chegar em casa tarde daquele jeito, que ele tava perdido, que ia ser um escândalo. Foi quando eles passaram de carro perto de uma banca de frutas e tiveram a idéia de comprar uma melancia. A idéia era o amigo do seu pai levar a melancia para casa de presente para a mulher. Dai quando ele chegasse, a mulher ia olhar pra ele e para a melancia, ia ficar brava com ele, mas feliz com a melancia e não ia brigar. Idéia de bêbado, olha que engraçado. Então o amigo do teu pai levou a melancia para casa, não sei, mas parece que foi pior ainda. Imagina, uma melancia, que tem a ver? Quando eu lembro eu morro de rir. Chegar de madrugada bêbado e com uma melancia.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
o juego patagônico

Foi na viagem de férias com a família pra Patagônia que eu achei o "juego". Sabe aquela cidade do lado do monte Fitz Roy, onde o alpinista brasileiro morreu no começo do ano? Foi lá. Aliás, acho que a gente devia estar lá em El Chalten junto com o alpinista. Ainda bem que a gente não inventou de escalar o Fitz Roy.
A cidade é mínima e não tem lá muitas atrações, a não ser andar contra o vento feito um astronauta. Uma hora encontrei uma lojinha de suvenirs, acho que a única da cidade, e entrei para ver o que tinha lá dentro. Arrematei um coletinho com um bordado de monte Fitz Roy (adoro coletinhos) quando vi umas estranhas caixinhas de madeira numa prateleira. "Que es esso?", perguntei no meu espanhol patagônico. A mocinha não deu a mínima e respondeu que era um "juego". Repeti a pergunta, ela veio com a mesma resposta e não explicou mais nada, como se fosse óbvio. Abri a tal caixinha e achei 5 dados e um tipo de copinho retangular e ovalado nas bordas. Como achei aquilo interessante, como estava na Patagônia e como aquilo era um juego, resolvi trazer aquilo pra o Brasil. Custou algo como 12 reais.
Bem. Desde então estou quebrando a cabeça para entender como funciona o tal "juego". Não é possivel que seja apenas um jogo de dados. Analisei o conjunto. Os cinco dadinhos não cabem em fila na caixa semi oval. Se você coloca os dados dentro dela e vira a caixa emborcada, eles sempre eles sempre se empilham.
- Cada hora que a gente vira o copinho, eles montam de um jeito, olha - disse minha amiga Fran - e conforme o tipo da pilha eles parecem uns bichos.
Começamos jogar os dados e nomear os bichos. Dromedário, camelo, cavalo, peixe, taturana, girafa.
- Acho que isso é um oráculo, sugeri.
- Podemos contar os números de cima, ela sugeriu.
- Podemos também definir uma personalidade para cada bicho, sugeri.
- Podemos usar os significados do dado eletrônico para a sequencia de números, ela sugeriu.
Passamos a testar o dado. Me pareceu muito bom. A cada pergunta ele responde de modo inteligente e rápido. Vou me aprimorar mais na leitura e interpretação desse novo juego patagônico. Acho que vai dar samba. Estou animada com meu novo oráculo. Darei notícias. E farei previsões, se tudo der certo.
Bem. Desde então estou quebrando a cabeça para entender como funciona o tal "juego". Não é possivel que seja apenas um jogo de dados. Analisei o conjunto. Os cinco dadinhos não cabem em fila na caixa semi oval. Se você coloca os dados dentro dela e vira a caixa emborcada, eles sempre eles sempre se empilham.
- Cada hora que a gente vira o copinho, eles montam de um jeito, olha - disse minha amiga Fran - e conforme o tipo da pilha eles parecem uns bichos.
Começamos jogar os dados e nomear os bichos. Dromedário, camelo, cavalo, peixe, taturana, girafa.
- Acho que isso é um oráculo, sugeri.
- Podemos contar os números de cima, ela sugeriu.
- Podemos também definir uma personalidade para cada bicho, sugeri.
- Podemos usar os significados do dado eletrônico para a sequencia de números, ela sugeriu.
Passamos a testar o dado. Me pareceu muito bom. A cada pergunta ele responde de modo inteligente e rápido. Vou me aprimorar mais na leitura e interpretação desse novo juego patagônico. Acho que vai dar samba. Estou animada com meu novo oráculo. Darei notícias. E farei previsões, se tudo der certo.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
a nossa amy

Minha amiga Lu H foi ver o show da Amy. "Uau. Como foi, Lu?" A Lu ficou realmente impressionada com a Amy. Mas a impressão dela não é como as impressões de jornal. A Lu H fez o desenho acima. Ela viu coisas que ninguém viu. "A Amy tem umas pernas finiiiiiiinhas e o corpo dela vai aumentaaaaaando. Ela tem barriga de mulher, sabe a barriguinha? Ela tem. Mas derepente vem um peitãããão, logo em cima. E um cabelo maior que o peito dela. Assim, ó". Nossa, nunca tinha pensando nisso, no corpo da Amy. "E o show, Lu, como foi?", perguntei, confusa. "No show a Amy tava esquiiisita... Parecia entediada, não sei. Só na última música que ela se animou e a voz dela saiu". Esse foi o show da Amy pra quem não viu, gente. Acredito super na Lu H.
sonhando com comida

Entendi o que engorda e emagrece a gente. Por exemplo, essa coisa de comer todos os dias na casa da minha mãe acabou mudando meus hábitos e agora eu tenho mais fome do que tinha antes. Acho que a gente tem uma necessidade diária de alimento, mas a gente pode se condicionar a ter mais ou menos necessidade. Eu tinha uma necessidade de alimento de, digamos, nota 5. Agora, depois que minha mãe faz diversas comidas deliciosas para mim todos os dias à uma hora da tarde, meu corpo gostou e agora quer mais alimento à uma hora da tarde e minha necessidade de alimento nessa hora passou, digamos, para 7. Meu receio é a coisa aumentar e o índice chegar a 12, o que seria um desastre. Ou a 20. Meu Deus. Vou perder todos os jins. Além disso, tem o apetite. Eu nunca tive muito apetite, sempre fui a rainha da recusa. Se eu estava com fome, tinha um pouco de apetite, mas se estava sem fome, não tinha. Mas na semana passada eu estava na Marginal indo pra uma reunião e do nada começei a me lembrar de um jantar que eu comi num restaurante. Nossa, como era boa aquela comida. Aquilo me deu água na boca. Logo em seguida, lembrei de um restaurante que faz um camarão que é uma delícia. E depois lembrei de como gosto de paella e como faz tempo que não como. O carro andando e meu cérebro passou a desfilar uma sucessão de pratos imaginários cheios de sabor. Diante daquele menu mental criado na Marginal, passei a selecionar os preferidos. De repente, me assustei. Perai. Que eu tava fazendo? Pensando em... comida? Eu? Isso nunca foi habitual. Descobri então qual o limite do engordar e não engordar. Pensar em comida quando você não está com fome é um dos indícios. Comentei isso com o Zé, que lembrou de um amigo dele que está fazendo um regime onde come de três em três horas. "Esse regime é um absurdo, Zé", retruquei. "Imagina ter que lembrar de comida de três em três horas". O Zé explicou que o cara come comidas que não engordam de três em três horas. "Esse seu amigo vai virar uma bola quando ele desisitir do regime, porque ele se condicionou a pensar em comida de três em três horas, e dai vai comer coisas que engordam de três em três horas, Zé. Vai ser um desastre, avisa ele logo. A gente tem que pensar no depois". E é exatamente nesse depois que tou pensando. Porque quando a Maria souber de tudo que a minha mãe fez nesse mês pra gente, ela vai querer imitar. Imitar não. Ela vai querer fazer melhor e ganhar da minha mãe. Cozinheira é assim. Eu tou perdida. Acho melhor começar a pagar um spa a prestação.
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