sábado, 24 de novembro de 2012

quanto vale o frankamente, hahaha

Ontem eu entrei no blog num computador que não era meu, pelo Google. Tinha um monte de links pra o "frankamente...". Num deles, descobri coisas interessantíssimas sobre... o meu blog. O link é esse, para mais informações. Hahaha, que engraçado, ele vale. Segundo o site, meu blog vale R$ 218, 84 reais, não entro no ranking mundial e dizem que aqui há páginas sobre enganosas bolhas, tuiter e xixi e escravização por mamões, o que é verdade.  Hahaha. Melhor aguardar para vender ações.


Frankamente.blogspot.com
O site Frankamente está em no ranking do Brasil. 'frankamente..'
795.336Posição no ranking do Brasil
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Valor estimadoR$218,84 *
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Última Atualização: 22/10/2012

www.Frankamente.blogspot.com

Navegando pela página, pudemos ver que há páginas relacionadas a Doces Enganosas Bolhas, Escravizada Pelo Mamão, O Tuiter E O Xixi, e Bonjour.
ConteúdoAlgumas das 645 páginas do site incluem "frankamente," "frankamente o vestido de chita da cinderela," "frankamente mas o que é bip?," e "frankamente a galinha da ângela."
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

as dudices do dudi


Gente, hoje descobri outra utilidade do Facebook. Fui na exposição do Dudi, meu amigo blogueiro. Uma vez blogueiro, sempre blogueiro, apesar dele ter abandonado esse treco há 3 anos. Muito legal os quadros dele, tem que ver, ele mistura tudo, aquarela com foto com tinta com impressão com resina e tal. Eu adorei os quadros meio estilo Tom e Jerry, com os cantos da casa com os buraquinhos no rodapé. Queria um dia ter um deles em casa.
Bom, tava lá, há tempos que não ia numa vernissage, quando, depois de encontrar o Dudi e dar parabéns, comecei a encontrar amigos. Gente, um monte. De longa data, e nada a ver uns com os outros. Não eram uma "turma", pois volta e meia tinha que apresentar fulano pra sicrano, mas o incrível é que todos eram meus amigos do face. Tenho 720 amigos, bom, se ninguém me deletar mais de hoje em diante, e apareceram uns vinte deles na exposição do Dudi. E gente, nossa, como eu tive assunto com esses vinte por causa do face. "Nossa, como foi a viagem para a Itália?". "Sério que você tem dois faces?". "Tava legal o feriado na praia?". "Sumiu, não colocou mais nada?". "Vi seu Iutube, adorei". "É, eu também odeio o face". "Teus desenhos tão lindos". 
Ou seja, haja assunto. Dar uma olhadinha básica diária no face dá o maior assunto em vernissage. Uma delícia. Mas quando começaram a chegar os 3.147 amigos do Dudi do Face, bom, isso se ninguém deletar ele de hoje em diante, me deu claustrofobia e sai. Facebook é legal. Dá o maior assunto. Mas a gente tem amigo demais, melhor sair correr pra nossa casinha. O Dudi tem razão nas suas Dudices. Olha como o Jerry vai feliz pra toca. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

franka, a sem graça


Tem coisas na vida que são muito engraçadas. Mas tem coisas que não tem graça nenhuma. Uma vez uma amiga minha comentou que eu achava graça em coisas completamente sem graça, tanto na vida como nas crônicas. Achei bacana o comentário, mas tem épocas que isso não é fácil. Às vezes, impossível. 
Por isso fiquei tanto tempo sem escrever no blog. Tentei diversas vezes, mas aconteceu tanto problema na minha vida que não conseguia achar graça em nada, e blog de crônica sem graça é pra lá de chato. Um uó. Não dava pra escrever e perder leitor. Falaverdade.
Nessa época,  fiquei pensando em como reagir, na literatura, à essa tentação de só pensar em coisas sem graça.  Afinal, eu gosto, adoro de paixão escrever. Comentei isso com um amigo que escreve, e ele me sugeriu escrever as coisas sem graça, as coisas ruins, as piores ainda, os piores pensamentos, tudo. Segundo ele, pelo menos o que entendi do que ele explicou, a literatura aparece diante de várias forças extremas, seja da alegria, seja do prazer, seja da tristeza ou a até da desgraceira. Eu seria boa nisso, ele me convenceu. Resolvi então seguir os conselhos dele, e parar de fingir que eu era só alegre. Comecei a escrever tudo que eu tinha de péssimo, descrever as coisas que eu realmente não acho a menor graça, digamos. Fiquei quase um mês nisso, nessa tentativa de um romance com toda a força de uma história que não tinha re-al-men-te graça nenhuma. Não consegui continuar. Era muito chato. Eu tava chata. Tem gente que é dada a dramalhão e exagero e faz isso bem, eu posso até um dia conseguir, mas tão perto e tão real para mim foi impossível. Óbvio que ninguém ia ler aquilo. 
Acredito que a gente só escreve romance sobre alguma coisa ruim depois que a coisa ruim vira história, não enquanto a coisa ainda nem resolveu. Depois que desisti do romance verdade nua e crua, e tentei mais uma vez voltar ao blog e não consegui, resolvi escrever então um romance normal, básico, sem ter que cutucar as feridas. A trama apareceu na minha frente, era boa, o começo ficou bacana, tinha futuro e além de tudo, alguma graça. Alguminha, apesar do meu estado baixo astral da época. Me animei, fui até o fim. Uma história pra lá de maluca, divertida e estranha, mas fechadinha. Consegui acabar, imprimi, levei na minha mãe. Ela prometeu ler naquele dia mesmo. Me ligou no dia seguinte. Primeiro falou, animada. "Filha, li, gostei muito, prende mesmo, ótima história, boa trama,  super bem escrita, olha que eu leio romance pra burro, mas filha...", e ela parou, fez uma pausa, mudou o tom para um um pouco mais "bravo" e concluiu, "... mas pelo amor de Deus, filha, essa personagem principal, essa moça, mas que personagem boooooooba, filha (juro, ela falou o "boba" com esses sete "ós")... nossa, essa moça ai, a protagonista, ela é muito tonta, muito bocó, só entra em fria, não toma atitude, Deus me livre, filha, que é isso? Eu nunca ensinei minhas filhas a serem assim".
E ponto final.
Primeiro que me assustei dela concluir que a protagonista era eu. Quando a gente escreve com alma e empolgação, não percebe no que se espelha. Óbvio que era eu, céus. Mas. Mas então eu era a personagem loser do meu próprio livro? Piorou. E não adiantava mais reescrever esse romance, pois a trama só tinha sentido porque a moça era loser. Então, estou aqui com o romance de uma loser engavetado, fazer o que?
Começar outro. Dai que tudo ficou mais sem graça. Porque me pareceu que eu tinha que escrever sobre alguém poderoso, forte, como minha mãe ensinou. Travei de novo. Chega de romance no momento, pensei. 
Achei outro dia um caderno de 2004, quando comecei o "frankamente...". Um caderno cheinho de frases, de idéias, de coisas com graça, e olha, era milhares. Mais de cinco idéias por dia para escrever ao menos uma crônica legal. Gostei de como eu era naquela época. Eu não era nada loser. 
Recolher idéias é um modo de começar. Para mim é como fazer aquele esforço para recomeçar a fazer um esporte, ou parar de fumar, emagrecer ou resolver mudar de cidade. Peguei um caderninho semana passada, coloquei na bolsa e tou aqui, novamente no "frankamente...", fazendo um puuuuuuta (com sete "us") esforço para treinar de novo esse esporte. E quem sabe um dia, ganhar uma medalha de "campeã mundial das pessoas que acham graça nas coisas que não tem graça nenhuma".
Esse post é para explicar essas coisas sem graça que eu disse, para dizer que totentano, toino, e, ah, de dizer que essa Franka, minha amiga imaginária, daqui pra diante não mente mais. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

assoa, mas não olha


Na peça de teatro que escrevi, e que vai estrear no ano que vem se tudo der certo, tem uma personagem inspirada numa crônica aqui do "frankamente...", chamada "a mulher que estala a calcinha". É sobre uma mania que algumas mulheres, gordinhas ou não, fazem, de desgrudar a calcinha, ou o sutiã do corpo quando tá muito calor, ou quando tá apertando. 
Nesse fim de semana eu comentei sobre a personagem e sobre a crônica com uns amigos. Um deles disse que também acha horrível mulher que estala calcinha, disse que também tinha aflição, como o cara da crônica.
- Mas é um tipo de barulho corporal permitido - eu defendi - quer dizer, uma mulher pode fazer isso em público que não é nada tããão condenável assim.
- Condenável como? - alguém replicou.
- Ora, como arrotar em público, por exemplo. Ou outras coisas que sem se fala (ou escreve). 
Como ficou uma discussão na sala, elaborei uma pequena lista de barulhos corporais que, na minha opinião, são permitidos e outra lista dos não permitidos, que colocarei aqui. São eles:
Barulhos corporais permitidos: estalar calcinha, espirrar, engasgar, soluçar, fungar, estalar os ossos.
Barulhos corporais não permitidos: (aquele que não se fala ou escreve, óbvio), arrotar, tossir com muito catarro, cuspir catarro, tossir de forma borbulhante, cuspir.
Porém surgiu uma controvérsia sobre o ato de assoar o nariz. É permitido ou não? Na minha opinião, eu dividi esse ato em dois: assoar o nariz sem olhar o que saiu dentro do lenço, pode. Assoar o nariz e olhar o que saiu no lenço de papel, não permitido nunca. 
Hahaha. E me deixem estalar a calcinha em paz.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

volta, xingu


Ando triste, triste mesmo com o desaparecimento do nosso gato. O sumiço causou um tipo de investigação entre nós, membros da família dona do gato, e a conclusão que chegamos, apesar de absurda, é a única viável.
O Xingu apareceu do nada há uns cinco meses. Miava feito um coitado no portão e foi acolhido pelo João e namorada, re-acolhido pela Luciana, e re-re-acolhido pelo Chico e pela Isadora. Me pediram para ficarmos com ele. Acolhi também. Nunca tivemos gatos aqui em casa, aquele era um filhotinho lindo, peludo, simpático. Acho que gatos são animais que usam sua sensualidade e fazem cara de fofinhos e coitadinhos para conseguir um lar, e sério, o Xingu foi mestre nisso. Depois de um veterinário básico, remédio de vermes e pulgas e umas vacinas, chegou aqui e ficou livre pela casa e pelo quintal. Resolvemos que ele, primeiro por ser um gato, e depois por ser um gato de rua, deveria ficar livre para ir e vir para qualquer lugar. Mas a gente mora em SP, numa casa, e todo mundo aqui no bairro tem cerca elétrica e alarme infra vermelho. Começamos a ter problemas com um vizinho. O cara viajava nos fins de semana, o gato pulava o muro - pois gatos pulam muros - e era aquela buzinação de alarme todo fim de semana. O vizinho veio reclamar, tivemos que colocar um alambrado no muro para o Xingu não apitar o treco a toda toda. O gato foi crescendo, cada vez mais lindo. Era também bem sem vergonha para carinhos, bastava alguém chegar em casa que ele dava um miadinho meigo e se colocava de barriga para cima, abrindo as patas, fofo, lindo, quase que dizendo "me ame, olha como sou lindinho". E funcionava. Não tinha quem não fizesse carinho. 
Tudo aconteceu na sexta feira passada. Ai que tristeza. Tivemos um problema de infiltração e chamei o seu Otávio, um pedreiro faz tudo. O Xingu ficou meio ressabiado com a presença estranha, e foi se esconder nos cantinhos. Em seguida chegou o homem da dedetização, todo paramentado feito um astronauta, pois a casa estava cheia de baratas, e pedi a Maria para colocar o gato em local seguro. Foi quando ela começou a procurar o gato. Eu sai pra trabalhar. Ela contou que ninguém achava o gato. O homem da dedetização disse que ele deveria estar escondido, mas não aparecia. Resultado. O gato até hoje não apareceu.
Bom. Nossas investigações e alguns fatos nos fizeram imaginar o que houve. O absurdo que provavelmente houve. Pensamos primeiro que ele podia ter sido "dedetizado", mas achamos nenhum gato vivo ou morto. Foi quando ligamos uns fatos. Em primeiro lugar, a empregada do vizinho disse que viu o gato encolhidinho no jardim da frente quando varria a calçada. O carro dos meus filhos, um Uno, estava estacionado em frente de casa. Ele provavelmente entrou por baixo do carro, e se enfiou entre o chassis do carro e o para choques da frente, ou da roda, que são de plástico, e ficou encolhidinho ali. Olhamos, tem espaço. Devia estar quentinho, sei lá. Minha filha e saiu com o carro atrasada para ir na faculdade. Quando estava na Vila Madalena, desacelerou para subir uma ladeira, e ouviu um barulho estranho no motor. Blum bloc trum tum. Acho que o carro tinha quebrado, mas acelerou e não era nada. Quando estava na subida, viu um gato correndo pela rua, igual ao Xingu. Mas nunca imaginou que fosse o Xingu, afinal saiu atrasada e não sabia que ele estava escondido ali. Gato é gato e tem um monte igual, afinal ele não era azul ou verde, era de cor de gato comum quando foge. Mas acho que era ele mesmo, tadinho. E ela estava longe de casa, quer dizer, ele deve ter viajado muito, sei lá se não estava todo machucado ou queimado. Ela só lembrou disso a noite, quando voltou pra casa. 
Nos dois dias seguintes, voltamos ao local, eu e Luciana. Berramos feito loucas na rua. Fomos nas pracinhas próximas, as duas chamando e miando, e nada. Passamos em frente de umas 50 casas, Xinguuuuuu, miaaaaauuu. Nada. Era muita possibilidade, como procurar uma agulha no palheiro, como diz o ditado lugar comum. Voltamos sem ele. 
Tá super triste aqui, ainda mais com esse alambrado sem sentido. A comida dele ficou uns dias lá, até que depois do ataque dos passarinhos, retiramos. Espero que ele, lindo e fofo como era, tenha conseguido conquistar outra família com sua capacidade de ser fofo e lindo. Estamos superando essa. Gato é gato, a gente se fala. É bicho, é do mundo, se vira, não teria sentido prender o coitado numa casa-prisão, a gente se fala. Mas só de pensar na possibilidade dele estar sozinho, morrendo de fome e frio, feito o patinho feio, é de doer. Ainda achamos que ele vai aparecer. Volta, Xingu. Pô.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

o futuro das reformas na cozinha


Às vezes, na minha profissão, que é basicamente ir em obra, eu fico pensando o que vai durar e o que vai cair em desuso rapidinho. É fácil,  basta confrontar as "modas" de construção com as teorias modernas de higiene, ecologia, reciclagem, essas coisas. Por exemplo, há alguns anos o carpete foi condenado. As pessoas antigamente achavam mega chique acarpetar a casa toda, mas se você fizer isso hoje será considerado o maior porco do universo. Dizem que o que tem de bactéria, fungo e ácaro num carpete torna sua colocação mega condenável. Tapete pode, afinal lava-se, mas carpete não pode mais.
Bom, mas hoje em dia todo mundo quer ter "cozinha planejada". Aquelas cozinhas onde se aproveita cada cantinho com armários lindos, com mil tipos de acabamentos, cada um para uma estocagem ou uso, onde, de tanto armário, você nem vê os cantos da cozinha. Fica maravilhoso, mas o trabalho que aquilo dá para construir é descomunal. Não é só deixar um ponto de água, um de gás e algumas tomadas na cozinha. Para os tais armários encaixarem ali, é preciso mil projetos, cálculos, medições, vistorias. Bases para tudo. Arremates no forro, que geralmente é de gesso com luminárias embutidas também para não entrar gordura. Dai vem a montagem, onde a marcenaria fecha tudo que é parede, como se elas precisassem ser escondidas. E assim todos os cantinhos, todos os nichos, os buraquinhos onde pode entrar gordura são fechados e vedados. O problema é que ficam fechados para sempre, sem acesso, sem ter como limpar aquilo jamais. Gente do céu. Eu acho, sinceramente, a maior porcaria do mundo. É como criar um monte de ninho de baratas, sujeira e insetos. São locais onde, se tem um vazamento de água, você só vai descobrir depois que sentir o cheiro de mofo podre da madeira. E se você quiser mudar alguma coisa, tem que jogar tudo no lixo, pois esses armários são planejados para aquilo e não são reutilizáveis. E mais, pra que embutir a geladeira? O fogão? O forno? 
Obvio que no futuro uma cozinha limpa e bem arrumada, justamente por causa da gordura, do pó e dos insetos, deve ter somente móveis soltos. Para arrastar, limpar e deixar ventilar. Um armário para comidas, uma geladeira, um armário para louças e panelas, um fogão, um local para os eletrodomésticos. Sem cantinhos fechados, sem ninho de barata, sem gordura velha acumulada. Não entendo como a construção civil, às vezes, pode ir tanto para a contramão da civilização. E ninguém perceber. 

domingo, 18 de novembro de 2012

não tenho memória de cor



Tudo no mesmo dia. 
Primeiro aconteceu com um banco. Esses de sentar mesmo. Fui a trabalho numa loja ponta de estoque, e achei os bancos que precisava comprar. Mas pra pronta entrega só tinha um, a vendedora disse. Droga, pensei. Pra me acalmar, ela explicou que eu podia comprar aquele, depois ir na outra loja deles, que era ali perto, e encomendar um segundo banco igualzinho. Como não ia comprar sem ter certeza, fui na outra loja. Era um show room, bem mais chique. E era verdade que podia encomendar. Resolvi comprar o banco encomendado ali, e voltar na ponta de estoque pra pegar o outro. A moça chique, da loja chique, pra fazer o pedido, ligou na outra loja e pediu a especificação do estofado do tal banco. Cor “orégano”, ela disse quando desligou o fone e escreveu no papel. Hã? Eu tinha escolhido um banco cinza, que diabos era aquela cor? Desconfiei. Pedi para ver o tal tecido, chamado “orégano”. Era cor de orégano. Eu não tinha escolhido um banco cor de orégano. Pedi a amostra pra levar na outra loja pra comparar, ela disse que não podia emprestar. Comprei assim mesmo, e voltei na pronta entrega, tentando lembrar da estranha cor orégano pra averiguar. Não, não era orégano, o banco que escolhi, era cimento. E cimento e orégano não tem nada a ver, nem na textura, nem na cor. Comprei o banco cimento da pronta entrega, liguei pra outra loja, e mesmo tendo avisado mil vezes as duas vendedoras do erro, tou morrendo de medo de, daqui a 30 dias úteis, chegar um banco orégano na obra.
Depois foi na loja de puxadores. Tinha que achar uma peça que já existia numa obra pra colocar num armário. Esqueci a peça - amostra em casa.  Aquela seria de novo uma compra de “memória”. Droga. Tinha alumínio fosco, anodizado, escurecido, com resina, com verniz, bronze, prata, brilhante natural, e realmente confundi e não dava pra lembrar. Lembrar cor de memória é a coisa mais difícil que existe para a mente humana. Sério. Tive que voltar em casa pra pegar o puxador.
Daí, no fim da tarde, quando tava no shopping comprando um presente pra minha filha, resolvi comprar uma meia calça, pois só tenho uma que ainda não furou. E tava, inclusive, vestindo ela nesse dia. Entrei na loja. “Oi, moça. Eu queria uma meia calça igual a essa”, disse, mostrando minhas pernas pra facilitar. Ela veio perto, pegou a meia com dois dedos, apalpou e declarou. “É de dez fios. Essa aqui”, disse, pegando e mostrando um mostruário de meias finiiinhas de tudo. Claro que não era. Balancei a cabeça. “Nem pensar, essa é muuuito mais fina”, repliquei. A vendedora do lado interviu. “Juliana, com licença”. Pegou na minha perna, quer dizer , na minha meia calça e esfregou os dedos, olhou, analisou. “A dela é fio 20”, concluiu, esticando a meia entre os dedos. A outra olhou para a tal Juliana. “Tenho certeza”. Pegou o mostruário, enfiou na mão, mostrou, olhei minha perna, era super diferente. Veio a gerente Fátima, que assistia o péssimo desempenho visual das duas, pegou na minha perna de novo, puxou a minha meia e declarou. “É fio 40 e sei a cor, espera”. Foi lá dentro, trouxe uma meia fechada no pacotinho. Nem questionei, comprei. A tal Fátima me pareceu uma PHD em memória de cores e texturas.
Mina meia furou nesse mesmo dia, no começo da noite, na hora que esqueci e sentei num banquinho herdado da minha avó que é super fura meia, pois tem um plastiquinho solto que é um uó. Troquei de meia, joguei a furada fora. Gente, mas como tenho péssima memória de cor, impossível saber se comprei uma meia calça igual. Sei, esse é um assunto que ninguém fala, mas um dia alguém vai estudar. A memória da cor.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

cuidado, wafer


Tive ontem uma rápida conversa sobre bolachas com meu amigo Mário L. Ele viu em cima da bancadinha da cozinha um pote de bolachas, não aguentou e pegou uma. Quando mordeu, elogiou.
- Hum, está ótima. Fresquinha e crocante.
- É wafer da Tostines - expliquei - pra mim é a melhor de todas as bolachas wafer.
- Adoro wafer - ele me explicou - mas prefiro a de avelã da Bauduco.
- Essa da Tostines é mais tradicional - avaliei - não gosto de adulterações de bolacha. 
- A gente começa a comer e não consegue parar, esse o meu problema.
- É, um perigo. É um dos alimentos mais perigosos que tem. Pior é que bolacha wafer não deixa memória. Quando a gente vê, elas acabaram. Diferente de Bis - lembrei.
- Bis? Como assim?
- A gente come Bis e, claro, também não consegue parar. Mas de repente, quando você vê, tem aquela pilha enorme de papelzinho azul denunciando todo teu crime. Bis deixa memória viva, concreta. Dá muito mais culpa na gente comer meia duzia de Bis do que meia dúzia de bolacha, embora o Bis seja bem menorzinho. Por isso acho essa bolacha um perigo. Um perigo, Mário. 

o lugar mais demorado do mundo



Antes o lugar mais demorado do mundo era fila de banco. Não tinha caixa eletrônico e nem bankline, era um terror. A gente ficava horas e horas esperando em pé, aquela fila demorada pra burro. Ainda existe muita fila em banco, não entendo bem porque, acho que é de gente sem internet. Ou será que é para talão de cheque? Mas quem usa cheque? Não importa, só pra notar que hoje em dia o lugar mais demorado do mundo é farmácia. Me disseram que a loja da Claro é mais demorada, mas não sei não. Farmácia virou um terror. Não para as pessoas que vão comprar shampoo ou escova de dente, mas pra quem vai comprar um reles remédio mesmo. Além de não poder comprar nada sem receita, nem remédio pra afta, o processo de compra complicou de tal maneira que nem parece que evoluímos. 
Lá fui eu com minha receitinha e entrei na fila. Quando chegou minha vez, a moça leu, analisou, foi lá dentro. Achei que procurava o remédio em algum canto. Voltou, mostrou a receita pra supervisora. As duas analisaram, me olharam de longe, a moça me apontou. Parece que desconfiaram, e me perguntei se achavam que falsifiquei aquilo, ou se a droga é muito proibida. Ela voltou e perguntou se eu sou cadastrada na farmácia. “Sou”, digo. Pediu o meu cartão. “Não tenho, tem problema?”. “A senhora pode me dar o seu CPF?” Dei, ela entrou no sistema. Demorou mas ela confirmou sorrindo, que estou lá  posso ter o desconto.
Em seguida, outra pergunta. “A senhora tem cadastro no laboratório desse medicamento?” “Hã? Qual laboratório?” “Esse”, ela aponta a tela. “Não, claro que não tenho, é pra ter?” “Tem desconto de 20% se a senhora tiver”, ela explicou. Eu suspirei. Era um bom desconto. “E… e como eu faço para ter esse cadastro?”, pergunto. “A senhora tem que ligar lá. Vou dar o número, a senhora liga do seu celular”. Me deu canseira. “Se eu não ligar não tem? Você não pode fazer esse cadastro pra mim?”, indaguei. “Não, só a senhora mesmo, mas é rapidinho, a senhora apenas liga pra esse número, fala o nome do medicamento e dá seu CPF que eles cadastram na hora”. Percebi que enquanto saio da fila para fazer a ligação, a moça atendia outra pessoa. Ixi, será que perdi o lugar?, penso, preocupada. Depois de um tempo, consigo me cadastrar no tal laboratório. Não me perguntaram nada especial, não entendo pra que servia exatamente aquilo, acho que só pra dar desconto pra quem tem saco. Voltei para a moça, que me diz que vai ver se meu cadastro já entrou no sistema. “Ah, ainda não, mas daqui a um minutinho entra, a senhora espera um pouco”. 
Sentei num banquinho junto ao balcão para aguardar. Agora farmácia tem banquinho igual a lanchonete, se bem que comer um hambúrguer é bem mais rápido que aquilo. A fila não andava, tenho pena de quem tá lá atrás, em pé. Um tempo depois, ela diz que me achou no computador, digitou um monte de coisas e falou “pronto”. “Ganhei os descontos, moça?” “Sim”, ela esclareceu, “os dois”, ela diz, feliz. A moça volta lá pra dentro, mas volta coçando a cabeça. Explica que minha receita é para duas caixas, mas eles só tem uma. “Tudo bem, levo só uma”, eu respondo. “Mas senhora, para comprar a outracaixa vai precisar de outra receita, a senhora sabe? Vai perder essa receita”, ela diz, pasma. Já estava completamente sem paciência, digo que tudo bem, não vou desistir da única caixa. Que se dane.
Pensam que acabou? Não. Dai a moça mexeu embaixo do balcão e pegou uns carimbos e uma caneta. Carimbo, imagina, coisa completamente pré histórica carimbo, a gente acha que nem existe mais carimbo no mundo, aliás, quem tem carimbo hoje em dia, além de farmácia?
Tonc, tonc, ela carimbou a receita e me entregou. “A senhora preenche aqui, por favor”. “Como? Que está escrito?”, pergunto, olhando aquele borrão. Nome, endereço, RG, CPF, número do sapato, cor predileta, em quem vai votar, sei lá, um monte de espaços até chegar na minha assinatura. Ela pegou o papel e levou de novo para chefe dela. A chefe estava ao telefone, mais espera. Já me debruço no balcão, cansada. Imagina se o remédio fosse urgente, pensei. Já tinha falecido antes do cadastro no laboratório. Imaginei também que se tivesse na lanchonete, já estaria acabando o sundae e pagando a conta. Depois de uma eternidade, ela voltou com um plástico com o remédio dentro, uns papéis e avisou que a receita ia ficar retida. Pergunta se quero uma cópia pra saber a dosagem. “Quero”, disse. Ela avisa que vai tirar um xerox lá dentro. Haja paciência. Xerox? Olho para a porta da saída, louca para aquele martírio acabar. A fila do caixa para pagar é imensa, vou demorar mais ainda, e dali para diante, pior, em pé.
Pode ser que a loja da Claro seja mais demorada. Não sei, juro que vou mudar de plano de celular todo mês mas acabo não indo. Mas sério, alguém precisa melhorar farmácia, criar caixa eletrônico, farmaciaonline, fast cura, não sei. Dá até preguiça de curar afta. E viva as lanchonetes. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

patrícia, uma grande ganhadora de presente



Todo mundo gosta de ganhar presente. Tem gente que gosta de dar presente. E tem gente ganha presente super bem. É isso mesmo. É uma coisa que notei outro dia no aniversário da minha amiga Patrícia Gasppar. Ela ganha presente muito, mas muito bem. Vocês não imaginam.
Tudo começou quando fui na festa de aniversário dela no sábado passado sem presente. Eu sabia que jamais deveria ter feito aquilo, foi uma gafe horrível, mas quando vi já era tarde demais. Não que eu não seja boa de dar presente. É que às vezes esqueço completamente de comprar. Fui suspirando, já sabia o que ia acontecer. Ia, como sempre, chegar de mãos abanando, avisando logo de cara e rápido do meu esquecimento. Sei que quando a gente fala assim o aniversariante sempre fala aquele eterno "ah, que bobagem, esquece isso...", ou "imagina, vá". Falei, a Patrícia me perdoou, mas quando olhei pra o lado, tinha uma mesa enorme e cheinha de caixas e pacotes. Óbvio, todo mundo da festa levou presente. Olhei desolada aquilo, e uma convidada do meu lado até me cochichou que teve gente que levou até dois presentes pra Pati.
- Dois?
- É. Foi aquela moça ali, olha - ela disse, apontando - Você pode tentar falar com ela e ver se ela não te vende um deles, assim, por fora. Vai ser caro, porque é tipo cambista.
As amigas da Pati são muito engraçadas.
Bom. A festa rolando e a pilha de presente da Pati cada vez maior. Foi aí que notei porque é que a Pati ganha tanto presente, gente. É porque ela ganha presente super bem. Acontece assim. A pessoa chega com o presente perto dela, e ela primeiro faz cara de espanto. Como se aquele fosse o único presente da noite. Como se ela não tivesse ganho nenhum até aquela hora e estivesse desesperada. Depois ela abre, se deliciando com o papel, e meio murmurando "o que será, o que será, hummm". Quando ela vê o presente, seja lá o que for, começa a fase dos elogios. "Nossa que lindo. Puxa é muito útil. Minha cor predileta, como adivinhou? Ah, não acredito eu queria muito isso". E dai ela entra em minúcias sobre o presente da pessoa. "O melhor é que cabe na bolsa! Como vou ficar sexy com isso! Combina com minha sala, perfeito!". E em seguida, ela chega no auge do recebimento: ela abraça o presente, sorri e abraça a pessoa que deu junto. E os três, a Pati, o presente e o convidado ficam ali, misturados, felizes. Nossa, como a pessoa fica contente com isso. O convidado se sente o mais importante da festa. É. A Patrícia é das maiores ganhadoras de presente que já vi. Vou aprender com ela, meu aniver é em outubro. E como não dei nada pra ela até agora, o mínimo que podia fazer é escrever um post de presente.
Pati, tó. Parabéns querida.
Agora elogia. E comenta desse final super fofo que eu fiz.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

danilo móvel



Foi no meio do aniversário do João que o carrinho apareceu aqui. Um carrinho de supermercado grande. Chegou fazendo o maior barulho, aquele barulho característico, e desci do quarto e revolvi checar o tamanho do problema. Me vi de frente a um... carrinho.
- Que é isso, gente?
O João se adiantou.
- Meu presente, ganhei dos meus amigos. É um "Danilo móvel" - ele explicou, referindo-se ao nome da banda que ele e os amigos têm, que se chama "Danilo", onde o maior hit é a música "Danilo".
Muito legal a banda, as músicas deles, mas... e então aquilo lá no meio da sala, um legítimo carrinho de supermercado grande, era o "Danilo móvel".
- Pra a gente levar os instrumentos, mãe. Ou pra passear. Legal, né?
- Filho, ô gente - eu falava olhando ao redor - vocês não podem pegar isso, vão devolver isso pro super.
- Mãe, é um presente - argumentou o João.
- Mas filho, é do super... mas gente, um carrinho, onde é que...
- Mãe, vai ficar no meu quarto, e o presente ainda não tá pronto - ele foi me falando e me tirando dali.
Bom, a festa era dele, não ia atrapalhar. Fiz meu papel de mãe, afinal tinha que falar que os carrinhos de super não podem ser levados do super, mas que mais podia fazer? Estragar a festa, criar um caso no meio da noite? Resolvi que pensaria na coisa no dia seguinte. E quando acordei, fui até a sala e vi que o carrinho de super tinha sido violentamente customizado durante a festa, quase não se reconhecia. Franjas, enfeites, escudo, revestimento. Ficou irreconhecível. Trash total.
Bom, desde então tenho um carrinho de super em casa. É ótimo para descarregar as compras do carro, e ando pensando seriamente em usar o "Danilo móvel" para fazer compras. Sairei com ele, o super é a duas quadras daqui, compro tudo, não uso sacola plástica, volto com ele. Porque não? Um dia devolvo, é emprestado. O super devia era dar um carrinho para cada freguês.

domingo, 22 de janeiro de 2012

a contagem regressiva das sacolinhas



Sério. Tive um pouco de medo dessa contagem regressiva. Mas diante da ameaça, não há quem não concorde. Dizem que estamos "sufocando o planeta" ao usar as sacolinhas plástica do Super. Segundo o Super, deve ser uma questão de tempo, em breve o planeta estará sufocado por causa das sacolinhas deles, e dai babau. E como o Super é correto e está preocupado com o fim do mundo, resolveu não esperar a contagem regressiva do sufocamento do planeta e fazer uma contagem regressiva das... sacolinhas. O problema é a definição de quem é o "sujeito" da história. "Chega de sufocar o planeta". Chega "de quem" sufocar o planeta? Ora, me parece claro que eles tão dizendo que sou eu. Eu, que pego sacolinha plástica no supermercado. Tenho duas sacolas de pano no carro. Mas para fazer minhas compras, precisarei de mais umas dez. Eu vou ter que comprar, portanto. E gastar uma grana nelas.
Ora, porque não passam a nos dar sacolas biodegradáveis, de papelão, por exemplo? Porque não me pedem para reutilizar as sacolinhas de plástico que eles dão grátis, até elas acabarem? E quando elas acabarem, eu devolvo, o Super manda pra reciclagem e me dá umas novas? Porque não dão para cada cliente uma ou mais sacolas não-descartáveis, que quando estragarem eles trocam, ou que possam ser devolvidas, feito os vasilhames? Porque tenho que comprar do super uma coisa que sempre foi grátis?
E ainda uma coisa gente, dá licença. Se eu eu não posso usar uma "embalagem", então ninguém deveria poder usar, ora. Ora o cara do suco Del Valle pode entregar e vender o suco dele dentro de uma embalagem tetrapac, o cara que vende a bolacha pode, o cara que vende papel higiênico pode, mas eu não posso? Acho que tem um super exagero nessa proibição de sacolinha, pois tudo que você coloca dentro da sacolinha é muito pior que a sacolinha. Tudo vem embalado, a única coisa que não pode ser embalada é sua compra. Daqui a pouco teremos de comprar e levar no super um vidro pra colocar o suco, uns tuppewares para as carnes, uns potes para molho de tomate, uns potes para bolacha. Alguém inventará recipientes para levar ao super que serão vendidos como a sacolinha. Ou teremos que levar de uma vez o armário de louças e utensílios no super para não sufocar o planeta. Conversei isso com o menino que embala as compras nesse dia, e ele me deu endereço do site do super para reclamar. Vou fazer isso. Não quero de modo algum sufocar o planeta. Não acho ruim carregar uma dúzia de sacolas verdes, retornáveis, sei lá. Mas somente não quero pagar para isso. Pô, Super.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

bat-bijoux



Mulher sempre usa um monte de acessório. Bolsa, colar, brinco, pulseira, relógio, anel, chaveiro. Muitas vezes um monte de cada um. Um monte de pulseira, um anel em cada dedo, dois, três colares... Eu sou meio exagerada, eu sei. Mas se não coloco um monte de coisa em cima de mim me sinto pelada. Mas o que tava pensando, e o que me incomoda, é que todos esses acessórios são... muito inúteis. Completamente inúteis. A gente, mulher, pra se sentir legal carrega o maior peso morto que não serve para nada.
Comecei a me empolgar com esse pensamento. Ora, se é para carregar peso, a gente devia pensar melhor e carregar coisas úteis. Acessórios úteis, digamos. Por exemplo, colar abridor de garrafa ou colar abridor de vinho. Ué, porque não? Se o abridor for bonito, se combinar com a roupa, qual o problema? Dai fiquei pensando nas pulseiras. O que é útil e parece com pulseira? Ora, fita crepe. Fita durex. Humm. Anel. Pra anel a gente podia usar fita veda-rosca, ou esse exemplo legal que achei no google que é abridor. Brincos? Bem, podia ser cortador de unha. Ou clips. Ou pendrive. Chaveiro devia ser tesourinha. A gente devia inclusive usar os cabos de iPod e cabo de carregar telefone como corrente de colar. Ou alça de bolsa. Fivela de cabelo de prendedor de roupa. Nossa. A cada vez que penso, acho essa idéia mais genial. As bolsas iam esvaziar, afinal as coisas que a gente carrega na bolsa estariam penduradas na gente. Pente. Canivete. Isqueiro. Óculos. Caderninhos. Grampeador. Uau, sensacional a idéia de bijouterias úteis. Bat-bijoux.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

em busca de personagens



É engraçado quando você adquire o hábito de escrever, tudo que acontece no seu cotidiano vira assunto. Entrevistei o grande ator Antônio Petrin no ano passado e ele me disse que acha que a dramaturgia começa com um bom personagem. Se você tem três ou quatro grandes personagens, você monta uma peça. Eu percebo que busco personagens sem parar. Sempre fui assim. Minha vida não tem nada de mais, eu passo o dia em obra, em reunião, no carro e muito tempo no micro, respondendo e-mail sem parar. Às vezes aparece uma planilha ou um desenho pra fazer. É um cotidiano bem sem graça, onde pra mim a graça está justamente em achar... personagens. Por isso acho que falo muito, com todo mundo, toda vez que dá. Dou trela pra burro, acho que pra achar a graça que as pessoas possam ter. Por exemplo, ontem tive uma reunião com um homem que coloca pisos. O trabalho dele é esse, vender o piso, colocar o piso. Eu tive dúvidas sobre a qualidade do piso e a sobre a colocação do piso, e marcamos uma hora para ele me explicar. Quando encontrei o homem, nossa, que personagem. Gente, nossa, ele falava demais. Repetia, repetia, mudava a frase, repetia. Parecia que tinha engolido um rádio. Ou Ipod. Céus, que homem de piso tagarela, não parava de enaltecer as qualidades do piso e da colocação, tinha certeza absoluta que era ex-ce-len-te. Acho que falei uns vinte mil "sim, claro" e para fazer uma mísera pergunta tinha quase que gritar. É engraçado, pois depois que você percebe que tem um personagem na frente, fica mais fácil conviver. E claro, não implicar com ele. E claro, quem sabe usar o personagem numa peça, numa crônica, num romance. Ontem também encontrei um par de encanadores. O seu Zé e o ajudante, o Bahia. O seu Zé sabe tudo, descoladérrimo nos canos, e o ficava Bahia ao redor, feito um instrumentador cirúrgico, passando ferramentas, sem falar uma única palavra, ao contrário do homem que coloca pisos. Uma hora, quando alguém disse alguma coisa sobre música, o Bahia, do nada, falou subitamente pela primeira vez uma única frase. "O meu cunhado é músico canta numa banda de forró toda sexta e sábado e eu assisto ele e danço". E sorri pra mim. Então concluo que do mesmo jeito que ele fica orbitando ao lado do seu Zé encanador dando ferramentas, ele fica orbitando em volta do cunhado cantor de forró dançando. Um homem simples com uma trajetória muito clara, um grande personagem, o calado Bahia, cunhado dançarino do cantor de forró que entrega ferramentas e dança. Assim acabou meu dia. Com dois prováveis bons personagens, o silencioso Bahia e o homem papagaio que coloca pisos falando sem parar. Um dia vou usar esses dois, quem sabe.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

franka, valentona



Sempre que chove muito, aparece lesma em casa. É super nojento lesma. Não saio correndo berrando, mas não deixo elas andarem deixando aquelas trilhas no chão. Fica aquela memória da lesma no chão, nas paredes, móveis, é bem nojento. Essa coisa do nojo e do pânico com insetos e bichinhos passa, pois notei que com a idade a gente vai ficando cada vez mais valente. Pelo menos foi o que aconteceu comigo na vida. Antes eu dava xilique com barata. Agora eu mato e pronto. Com as lesmas a mesma coisa, não adianta xilique, tem que matar ou tirar o negócio dali. Acho as lesmas e baratas meio burras, e tenho certeza que elas não percebem que sou humana, vão me confundir com uma cadeira ou uma folha e subir em mim. Aliás, já subiram e não gosto nem de lembrar. Bom, Antes de ontem choveu um monte, e quando entrei em casa vi duas das malditas lesmas na entrada de casa, andando em direção a porta. Querendo entrar! Desgraçadas. Estava meio escuro, mas fui até a cozinha, peguei um bolo grandão de sal, voltei e joguei em cima delas. Ahá. Fim do problema, pensei. Me senti super valentona. Bom, putz. Quando sai pra trabalhar ontem de manhã, olhei o chão da varanda e vi o que tinha feito. Tinham duas inocentes folhas de de árvore cheias de sal em cima. É, a gente fica mais velha, mais valente e mais cega.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

franka nunca dirigirá um transatlântico na vida



Nunca virei um transatlântico, mas já cometi um monte de gafes na vida. Uma vez estava no clube Pinheiros com a Nana quando ela era pequenininha, brincando numa das alamedas, quando ela viu um cipozinho pendurado numa árvore e começou a pular para pegar. Achei aquilo divertido, comecei a ajudar. Ela conseguiu, com muito incentivo meu, pegar o cipó e puxou. Meu Deus. Não é que caiu o cipó, umas folhas, um galhinho. Caiu uma trepadeira enorme, imensa, que foi descolando da árvore aos poucos, enquanto eu e ela corríamos para trás, assustadas. Quanto tudo foi ao chão, acho que cobria uma área de uns 5 por 5 metros, com quase minha altura. Meu primeiro pensamento foi pegar a menina no colo e fugir dali. Vergonha. Será que uma inocente menininha e uma inocente mãe poderiam ser responsabilizadas por um desastre ecológico daqueles? Foi super sem querer.
Já quebrei também uma antiguidade que me foi confiada por um amigo arquiteto com quem eu trabalhava. A gente isa usar a antiguidade de molde para fazer uma luminária, eu acho. Ele pediu mil vezes pra eu tomar cuidado, tomar cuidado, tomar cuidado, e bom, eu tomei tanto cuidado e segurei com tanta força no peito de medo daquilo cair, que meu Deus. Não vi o chão, tropecei e cai em cima do pacote. Ficou tudo em cacos dentro do embrulho, o amigo puto da vida, passei horas e horas colando, mas juro, foi super sem querer.
Um dia foi uma pia que eu destrocei. Estava animadona lavando louça na casa de uns amigos, pensando que todos iam ficar super felizes comigo de eu executar aquele trabalho sujo. Talvez eu lave louça meio violentamente, eu sempre me achei uma grande lavadora de louças, fico numa espécie de campeonato comigo mesma, pensando em modalidades como rapidez, qualidade da lavagem, equilíbrio no escorredor, segurança nas mãos para não deixar o sabão escorregar as louças, essas coisas. Eu animada, torneira a mil, limpo o ralo, mas a água não desce. Pego o desentupidor e na primeira socada, céus. Meu Deus. Foi tudo abaixo, feito um desabamento de uma cachoeira: pia, sifão, cano, armário, água, ralo, esponja, detergente, nhacas de lavagem. Aquela barulheira, todos correm pra ver o que acontece. É, dei mais trabalho do que ajudei. Sou proibida de lavar louça agora nessa casa. Mas juro, foi super sem querer.
Por isso hoje decidi uma coisa: nunca dirigir um transatlântico na vida. Pronto, resolvido.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

os sem instagram



Eu não gosto de falar mal de tecnologia, muito menos de novidade na internet. Entro em tudo, me divirto, é legal. Mas atualmente tem um mundo obscuro e misterioso na internet que eu tou super implicada. É o mundo do tal do Instagram. Instagram é tipo um universo paralelo que as pessoas que não tem iPhone não tem a mínima idéia do que é. Eu sou uma pessoa sem-iPhone, e consequentemente da turma dos "sem-instagram". Meu andróide tem um monte de aplicativos, mas Instagram nada, pois esse treco é só pra iPhone. Pra mim esse negócio é um tipo de uma seita secreta. Pelo que percebi, pois vez ou outra aparece uma dessas fotos no Facebook, esse aplicativo de iPhone faz todas as fotos que a pessoa tira ficarem super legais, como se a pessoa fosse um verdadeiro fotógrafo profissional. Faz também as fotos ficarem ligeiramente estouradas, contrastadas, fofas e envelhecidas. Mas essas fotos não vão pra todo mundo, vão somente pra o site do Instagram onde só pode entrar quem tem Instagram e iPhone. Parece também que dentro dessa seita as pessoas formam grupos e ficam se elogiando. Tem o lance dos seguidores também, acho que é meio como o twitter. Tou só supondo, porque eu nem posso me cadastrar pra ver como é. É chato. Alguns amigos tiram fotos legais nos nossos encontros, e nunca vejo porque vão pra esse Instagram. Dizem que tem pra andróide, mas que é falsificado. Vê se pode. É meio elitistinha o grupinho dos instagreiros. Internet é legal porque é pra todo mundo, facinho de entrar, fazer e fuxicar o que quiser, e dai vem esse Instagram e blum, fecha a porta na nossa cara? Putz, tou aqui mega reclamando, uma verdadeira "sem-instagram" pareço minha mãe falando mal de foto digital, que ela, como não tem computador, diz que são fotos que não existem. Será que Instagram existe mesmo?

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

doces enganosas bolhas



Tenho feito uma campanha comigo mesmo a favor do suco. Dizem que o ideal é não beber líquidos durante as refeições, mas a gente condicionou, é impossível. Morro de sede durante o almoço e durante o jantar. Já o café da manhã é o contrário, a gente condicionou a comer durante o tempo que bebe o café. Ou seja, a gente faz tudo errado. Mistura sede e fome, que são coisas bem distintas.
Mas uma vez que é mega complicado mudar esses pequenos vícios, depois de pensar muito na coca cola, no guaraná, na fanta e nas tônicas, acabei notando como essas bebidas são desnecessárias. Uns xaropes artificiais disfarçados com bolhas, açucares e adoçantes que não servem para nada pra melhorar sua saúde. Nada contra as coisas que não servem pra nada, gente, mas se é pra pagar por elas a gente tem que pensar duas vezes. Além do que refrigerantes te incham e te deixam com aquele gosto doce-pegajoso-amargo na boca depois. Olhaí. É duas vezes ruim, não faz bem pra saúde e você paga por isso. Óbvio-ululante que não tem nada a ver uma pessoa saudável, que recicla, que recolhe cocô de cachorro, que é aprovada no Controlar e que leva sacola "eu sou uma sacola descartável" no super, óbvio que é ridículo essa pessoa tomar refrigerante gasoso e doce com xarope artificial em restaurante, lanchonete e bar. Pra que? Só você pensar o mínimo que você se convence. Não é o caso de ter advertência nas latas e garrafas, com foto de uma pessoa inchada, arrotando, com legendas "inchaço", "gases", "dor de barriga", etc., porque sou contra essa coisa de exagerar pra reprimir. Tem que fazer a pessoa avaliar e tomar suco ou água natural, que inclusive tem grátis nos lugares. Ou chá, que é também um tipo de suco. Coca cola não é suco de nada, gente, pensa. É suco de coca? É suco de cola?
Sabe o que é? Fica uma implicância danada da mídia, dos fiscais e das leis contra cigarros e bebidas, que quando você toma um refrigerante você se sente tooodo politicamente correto, o que é uma profunda bobagem. Se é pra ser politicamente correto e saudável, eu não vou me enganar com bolhas sem álcool com xarope artificial. Coca cola não serve pra nada eu já dei milhões de reais pra eles, ô trouxa.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

uma campanha pelos jornais pelados novamente



Quero falar dessa capinha há tempos. Essa roupinha ai que vem com os jornais. Não sei quem teve a ridícula ideia de vestir os jornais. Pra mim não tem nada mais irritante que acordar de manhã, pegar o jornal para ler e enxergar somente meia página, porque colocaram nele um tipo de roupinha de propaganda, onde você só vê metade das principais notícias. Perai. Pô. Não cabia mais propaganda dentro do jornal? Não dava pra fazer um encarte que não incomodasse? A pessoa que paga essa propaganda tem que ser mais importante que o... jornal? Quer ser mais importante que você, que assina o jornal e paga por isso? Essas roupinhas me dão tanta raiva que arranco, amasso e jogo no lixo na hora. Pior é que quando você tenta tirar aquilo, desmantela o jornal inteiro, porque a roupinha entra dentro do jornal. O mesmo que arrancar uma camisa que está dentro da calça. Noto também que existem diversos tipos de roupas pra jornal, os publicitários estão se especializando em modelos cada vez mais fashion de moda jornalesca. Além dessa, que imita um meio-terninho, tem a roupa cinto, tem o tomara que caia, tem a mini saia de jornal. Quem será que desenha esses modelitos? Sei lá. Aqui em casa vai tudo pro lixo. Não é super anti ecológico hoje em dia gerar lixo? Os jornais não sabem disso?
Acho que pra tudo, principalmente pras propagandas, tem que ter um certo limite. Criaram a lei da cidade limpa, São Paulo ficou super legal, os jornais noticiaram e aplaudiram, mas eles mesmo não seguem o exemplo. Aliás, as propagandas migraram da cidade para os lugares mais insólitos. Porta de elevador de shopping, capô de táxi, parede de cinema. Onde esse lance da propaganda vai parar? Depois do jornal de terno, daqui a pouco você vai num restaurante, pede um prato chique e ele vai vir vestido com um modelo chanel de uma propaganda qualquer. Daqui a pouco você compra um cacho de bananas e cada uma delas terá uma camiseta-anúncio diferente. Isso é um perigo, pode não ter fim. Os alfaces poderiam usar cintos. Os filés mignons poderiam usar biquinis. Os pães franceses, boinas. Talvez eu esteja exagerando, mas acho que vale uma campanha ao menos pelos jornais pelados novamente.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

a ascenção da adulteração na alimentação atual




Animei de falar de comida. Ando pensando nelas esses dias, estamos em pleno restaurante week e volta e meia alguém me conta algo que comeu. Reparo que agora existem ingredientes muito diferentes para cozinhar do que existiam quando eu era criança. Coisas que a gente nem imaginava surgem como grandes acessórios nos pratos e são comentados animadamente por quem consome. Meus filhos chamam isso de adulteração. Por exemplo, tem o arroz-arroz, mas quando tem aqui em casa o arroz com cenoura e vagem, que fica colorido, eles falam que é o arroz adulterado. Qualquer arroz que não é puro, para eles é adulterado. Esse o conceito da adulteração. E noto que as comidas de hoje estão cada vez mais adulteradas, e com coisas muito diferentes do tempo da minha infância. Olha só. Antigamente alguns pratos eram adulterados, por exemplo, com uvas passas. Arroz com passas, farofa com passas, frango com passas. Mas pobre das uvas passas cairam em total desuso. No lugar delas agora existem as favas. Arroz com favas é muito mais chique que arroz com passas. Outro item de adulteração que foi pro beleléu foi o pobre do champinhon. Era mega legal carne com champinhon, salada com champinhon. Mas vieram os shimejis e shitakes e acabaram com reinado do pobre do champinhon. Noto que declínio deles veio junto com o declínio do estrogonofe, que era um prato de festa, mas ficou cafona e pouco se vê. Duvido que exista estrogonofe no restaurante week. Outra coisa que inventaram foram as mini saladas de entrada adulteradas com coisas que a gente nunca imaginou. Saladas de 3 gramas, de tão nanicas. Uma amiga minha ontem foi almoçar e me contou que a salada da entrada, de folhas verdes, um super queijo e tomate do cardápio, se resumia numa folha de alface rasgada do tamanho de um post-it, 1 (um) tomate cereja (cortado em dois) e duas lasquinhas de queijo do tamanho de uma unha. Ollhou desanimada o prato. Para se alimentar com aquilo precisaria de uns 12 iguais. Por falar nisso, de onde veio o tomate cereja? Acho que o mini tomatinho foi inventado basicamente para adulterar as mini saladas. Tudo isso para concluir que o mundo da aldulteração alimentar mudou está em crescente ascenção, reparem. As comidas de hoje são absurdamente adulteradas. Creme de mandioquinha com brotos e azeite trufado, folhas crocantes com pêssego ao molho de balsâmico, flã de salmão ao figo e pão, bruschetta de pêra com gorgonzola, entrecôte com capellini acompanhado de sauté de tomate-pera, tomilho e manteiga de limão, carré de cordeiro crocante com cubos de cenoura, coulis de salsa e crisps de couve. As comidas hoje tem tanta adulteração que, sério, não dá nem pra saber o que é a comida e o que é a adulteração. E bora pro restaurante week.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

escravizada pelo mamão



Desenvolvi uma teoria sobre comidas e poder. Veja só. Na maioria das comidas que a gente compra, nós mandamos. Por exemplo, você compra o arroz e manda no arroz, ou seja, você prepara e come o arroz quando você quiser. O arroz está ali para te servir e você que decide qual a hora dele virar um alimento. O mesmo com a farinha, com o macarrão e até com bife. Claro que existe, para cada comida, um tempo próprio onde você sabe que pode mandar antes de estragar, mas na maioria delas você tem um tempo para dominar. Mas notei outro dia que com as frutas acontece um treco diferente. As frutas são comidas que mandam na gente, não tem jeito. Você só pode comer as frutas maduras, elas tem um dia certo pra serem comidas. Não dá pra comer banana verde que é horrível, nem manga verde que gruda a boca, muito menos mamão verde. Intragável. As frutas são boas pra comer sempre naquele dia x, quando estão naquele ponto que ou você come, ou elas apodrecem totalmente. Antes não dá, depois não dá. Quantas vezes na vida já não vi desesperada olhando um mamão que não tou com a menor vontade de comer? Olhando e lavando aquela pêra para engolir a seco? Comendo banana sem parar? É isso. As frutas praticamente te obrigam a comê-las no dia que elas decidem. Nesse caso a hierarquia muda, elas que mandam. Nossa, quantas vezes já não fui escravizada por um mamão maduro? Só entendi isso agora.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

o tuiter e o xixi



O nosso mundo ficou subitamente meio esquisito de uns anos pra cá. Por exemplo, você está numa festa, jantar ou encontro com amigos conversando animadamente, e de repente você, ou um dos seus amigos pára de falar, pega o telefoninho e avisa.
- Ah, isso é muito bom. Vou tuitar. Dá licença.
E esse amigo se recolhe num canto e passa a digitar, sempre semi vesgo, alguma coisa que ouviu ali na festa no telefone. Tuitando ou Facebucando, tanto faz. Peraí gente. Assim, sem mais nem menos a pessoa se desloca de um grupo, interrompe o divertimento real para fazer afundar na vida virtual? Isolada? Em transe? É.
Pior é que isso acontece a toda hora, com todo mundo, seja com idéias, fotos ou apenas pra fazer uma certa exibição pra quem não tá na festa, como "olha como tou me divertindo, vejam meu carregamento móvel". Sei lá se isso é certo ou errado ou onde vai parar, só sei que apenas existe. E acho que existe porque no mundo virtual você é tudo que sempre quis ter na vida. No virtual você não tem defeitinho nem defeitão. Tem só fotos de você lindão, magro e jovem, você só fala mensagens positivas, curte aqui e ali, sempre na maior felicidade. O mundo do Face e do Tuiter é sempre um lugar onde você aparece maravilhoso, sem problemas ou defeitos. Experimenta colocar um problema, uma tristeza por lá: ixi, ninguém curte aquilo. Mas se você colocar a maior asneira do mundo, pimba, vinte comentários, trinta e nove curtidas. Acho que é por isso que todo mundo não aguenta e dá aquela escapadinha da festa pra ficar sozinho tuitando. Tuitar quase tão legal como festa. E não sei porque pra mim o lance de tuitar em festa, sozinho num canto, parece algo como sair de cena pra fazer xixi. Antigamente quando você saia de cena era pra dar uma escapadinha pra ir no banheiro. Agora não é só isso.
- Cadê a Franka?
- Foi tuitar, já volta.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

bonjour, bafo






Eu e minha irmã descobrimos porque não sabemos falar francês. Por incrível que pareça, foi por causa da nossa professora de francês, a dona Sara. A minha mãe arrumou a dona Sara pra dar aulas particulares para a gente, mas justamente por causa da dona Sara eu e a Angela não sabemos patavina de francês. É a coisa mais ilógica do mundo, mas éramos pequenas, implicamos com a dona Sara e não aprendemos nada. Pra começar ela era um tanto assustadora, uma mulher velha, rígida como eram as professoras de antigamente, brava e com um sotaque fortíssimo. Mas o principal dos meus problemas com ela era o bafo. Gente do céu. Parecia que todo o lixo da França toda estava na boca da mulher. A Ângela, como não sente cheiro porque tem asma, alergia, sei lá o que, não percebia o horror de sentir o terrível bafo de onça a cada vez que ela tentava nos ensinar a pronunciar uma palavra em francês. Se você não aprendia rápido, ela repetia e o cheiro vinha em diversas ondas fétidas. Para resolver o problema, eu passava a aula toda com uma daquelas borrachas cheirosas na mão, escondido dela, bem próxima do nariz. Acho que quase devo ter tido uma intoxicação por cauda do cheiro da borracha para aguentar a Dona Sara e não aprender francês. Já o problema da Ângela era o medo, ela não tinha coragem de olhar para o rosto da professora. A própria encarnação da bruxa da Branca de Neve. Talvez misturada com o João Bafo de Onça. Pra piorar, minha mãe, sei lá porque, bajulava a dona Sara. Quando a aula acabava, ela fazia sempre um super lanche para a professora, que não ia embora nunca. Ficava lá comendo sem parar os bolos e biscoitinhos com café, horas e horas na maior conversa. Não, não sei falar francês, o que é uma pena nessa época de tantos Midnights in Paris. Pra mim francês até hoje só tem cheiro de borracha cheirosa.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

o bom e velho iPad



Um - Me rendi ao iPad. Aquilo é simplesmente sensacional. Comprei e não largo mais.
Outro - Ipad? Não tenho. Não é mais um trambolho pra gente não conseguir jogar fora depois?
Um - Não, que nada. É incrível pra gente da nossa idade. Você tem que ter. Precisa ver como é bom para ler à noite.
Outro - Como asim?
Um - Primeiro que você pode baixar 25 milhões de livros. Ou peças de teatro, ou poesias, sei lá. Ou o que quiser. Maior economia de livraria.
Outro - Nossa. Quantos?
Um - Depois que é levinho. Bem mais leve que muito livro pra ler na cama.
Outro - Leve?
Um - E depois, a letra. Não precisa de óculos pra ler iPad, porque ele já é o óculos, entende? Você aumenta o tamanho da letra na tela, fica com mais páginas, mas e daí? Se você esqueceu seus óculos na sala, não tem que ir buscar.
Outro - Uau, é mesmo. Toutichi.
Um - Dai, se você não entende uma palavra, coloca o dedo nela que aparece o significado.
Outro - Dicionário?
Um - Ahá. E o melhor de tudo: tem luz. Não precisa nem ligar o abajur. Não acorda quem tá do lado. Luz com dimmer, inclusive.
Outro - Tudo isso.
Um - Olha. A melhor mídia que inventaram foi o iPad. Repara. Deve estar vendendo um monte pra gente mais velha. Acho que não vou comprar mais livro na vida.
Outro - Não sei não. Todas as outras mídias acabaram sumindo. Menos o livro.
Um - Como assim?
Outro - Tudo que inventaram para guardar arquivos de textos, de música, de imagem, por exemplo, tudo sumiu. Fita cassete. Sumiu. Disco de vinil. Sumiu também. Disquete. Cd room. Como chamava aquele discão? Sumiram. Ainda existe cedê e devedê, mas experimenta guardar um desses por dois, três anos e tenta abrir os arquivos no teu micro. Tudo bichado. Já o livro, fala a verdade, existe desde antes da idade média e está lá, firme, existindo. É possível você ler um livro de cem anos. Mas não é possivel abrir um disquete de cem anos. Não tem nem onde, porque os micros não tem mais entrada de disquete.
Um - Acha então que os iPads...
Outro - Acho. Tudo bem, curte ai seu iPad, mas deixa o óculos, o dicionário e o abajur no criado mudo. Talvez um dia você precise deles.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

o céu dos banheiros de festa








E falando em festa, fala a verdade. Isso é o céu dos banheiros de festa. Olha que demais. Mega moderno.

o aperitivo mais complicado do mundo






Adoro pistachio, pra mim é o quase como o camarão dos aperitivos, o melhor de todos os nuts. Quando começo a comer acabo até dando vexame de tanto que ataco. Mas tava pensando outro dia numa festa que pistachio não é um aperitivo fácil. E na escala da complicação de aperitivos, acho que o pistachio é o mais complicado que tem. Ele, assim como as azeitonas, gera lixo pra quem come. Você fica com aquelas casquinhas na mão, sem saber onde colocar. Se não tem um potinho por perto, ou você é obrigado a colocar no cinzeiro sujo, ou num guardanapinho, o que gera mais lixo ainda. Já vi gente esconder casquinha em baixo de prato, em vaso de planta, no bolso, ou a pior de todas as saídas: recolocar as cascas no pote de pistachio. A azeitona tem o mesmo problema, e já tive um amigo que não sabia onde colocar o caroço, resolveu jogar pela janela do apartamento, não viu que o vidro tava fechado e, além de quebrar o vidro e cortar a mão, teve que explicar porque deu um murro na janela. Mas azeitona tem um privilégio sobre o pistachio, pois dá pra comer só com uma mão. O pistachio é mais complicado porque além do lixo gerado, pra comer pistachio você precisa das suas mãos, ou seja, não dá para comer pistachio e beber alguma coisa junto, como dá pra fazer com a azeitona. Pistachio é bom, mas é complicado, talvez o mais complicado das festas, embora a gente nem repare nisso. Tem que gostar muito para encarar um pote de pistachio. É, são apenas considerações sobre aperitivos que eu tive nesse fim de semana.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

dona hebe, enfermeira






Lúcia, filha, você não sabe. Comprei um aparelho de pressão só pra mim. Ai que bom, filha. Agora não dependo mais de ninguém mais para tirar a minha pressão. Você tem que vir olhar aqui, filha. Aliás, você tem que vir aqui, pois vou tirar a sua pressão. Há quanto tempo você não tira a pressão, Lúcia? Estava um sufoco pra mim essa coisa de tirar a pressão aqui e ali. Tinha que ir até o clube, acredite. Ir até o clube Pinheiros só pra tirar a pressão é uma maluquice, filha. Imagina, o clube virar um hospital. Daí a tua irmã que me falou que perto da casa dela tem um lugar que é um shopping médico. Um lugar só com coisas de médico. Ela me levou lá ontem e compramos o aparelho. Precisa ver como é fácil. Só apertar um botão, esperar um pouco, aparecem os números. Fiquei tão feliz que acredita que até parece que minha pressão melhorou? Mas tem que estar calma. Sua irmã chegou aqui nervosa, super nervosa com a empregada nova dela, tirou e achou que ia enfartar. Altíssima. Ela não acreditou e tirou mais umas vinte vezes até ficar normal. Antes de tirar precisa respirar fundo, relaxar. O manual manda fazer isso, eu disse para ela. E filha, esse shopping médico é uma maravilha. Tem de tudo lá. Como é? Se eu quero mais alguma coisa de lá? Ah, eu sou filha de médico, irmã de médico, fui mulher de médico, sempre tive aparelhos de médico em casa, filha, é isso. Não, não estou exagerando, eu gostei mesmo desse lugar. Também não precisa exagerar, não tem cabimento me dar equipamento médico no aniversário. Nem no natal. Para de fazer gozação com sua mãe, Lúcia. Não, eu não quero um estetoscópio. Não, não quero um equipamento de inalação. Eu sei que sua irmã tem asma, é, quer dizer, se eu tivesse ia ser ótimo para ela, mas acho exagero. Não, não vai me comprar uma bota de pé quebrado, que coisa! Não, não vou transformar minha casa num postinho médico, filha. Nossa como vocês gozam de mim o tempo todo. Não posso nem ficar feliz com meu aparelhinho tão bonitinho de pressão novo. Melhorou tanto minha vida. A pressão anda baixiiinha de tudo agora. Pára de rir de mim, filha, a loja era bacana mesmo. Eu sempre fui acostumada com coisa de médico. Vem aqui, vamos. Tou te esperando pra tirar a sua.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

my (morbid) way



É incrível como algumas coisas podem acabar com uma música. Quer dizer, a música ainda pode ser bonita, você pode gostar dela, mas por causa de algumas relações que você faz dessa música com algum fato da vida, essa música pode acabar para sempre pra você. Pra mim isso aconteceu com My way, do Frank Sinatra. Sempre gostei de My way, é uma música daquelas que é mega hit, é até meio cafonona, mas tem um "crescendo" que super emociona. Depois a letra, aquela coisa triste que fala do cara que viveu do jeito dele, mas que está conformado, que está realizado. É, My way é uma música meio lugar comum, mas tem uma pegada. Uma super pegada do Frank. Até que...
Bom, até que um parente morreu e eu fui no crematório. E bem na hora da cerimônia, na hora que o caixão desceu e a luz apagou um pouco, começou a tocar My way. Nossa, tenho que concordar que foi um momento super impressionante. O parente morto, a música com a pegada, crescendo e pegando fundo na alma dos vivos ali. Todo mundo meio que teve vontade de chorar. O fim do parente chegou e ele fez tudo do jeito dele. Muito emocionante. Lindo. Quando acabou, fui falar com o parente vivo do parente morto que tava organizando a cremação, e perguntei se o parente morto gostava do Frank Sinatra.
- Ah, não sei - ele disse.
- Ué, mas você mandou tocar My way. Achei que era a música predileta dele.
- Não tenho idéia de qual era a música predileta dele. E aqui no crematório, se morre um homem e ele não tem música predileta escolhida, eles colocam My way. Acho que é a música padrão de cremação masculina.
Credo. Me deu um arrepio. Gente do céu, ou melhor, gente da terra. Putis. My way virou música de passagem para o além. Música de crematório. Não que eu seja contra colocar My way na hora da cremação, pelo contrário, talvez seja bacana aquela pegada na hora de ir pro lado de lá e sumir do mundo. Ou não. Talvez fosse melhor uma música clássica, uma música sacra. E como saber? E será que o Frank Sinatra imaginava que fosse um dia cantar pra tantas cremações? Pra tantos mortos? Bom, se é certo, se é errado, se faz bem pra alma, se a energia do Frank ajuda a passar bem dessa pra melhor, jamais vamos saber uma vez que a gente tá vivo. Só sei que não consigo mais ouvir My way depois disso. Ficou mega mórbido. E nossa. Tou aqui pensando... qual será a música padrão de cremação feminina?

terça-feira, 23 de agosto de 2011

o paraíso é pertinho



Domingo fomos almoçar hamburguer. Isso mesmo, hamburguer. Deu a maior vontade no fim de semana em mim e nos filhos, mesmo a gente sabendo que hamburguer é um pouco trash. Tentamos ir no Hamburguinho, tava fechado, resolvemos ir no Oregon, aquela lanchonete antiga que fica numa esquina aqui de Pinheiros. Teve uma época que as lanchonetes tinham cara de lanchonete, um balcão com banquinhos fixos, você olhando o cara fazendo teu sanduiche na chapa. Lanchonete é muito mais legal que barzinho que imita boteco com petisquinho e aquele tal de "escondidinho". Acho super legal lanchonete. Muito melhor que boteco e bistrô transadinho.
O Oregon ainda tem a decoração original, e além dos banquinhos, umas mesas no fundo. A única coisa que mudou foi que colocaram umas televisões de led. Não sei de onde vem essa mania que as pessoas tem de colocar televisão em todos os lugares. Até em garagem de estacionamento tem televisão. Qual a lógica? Só sei que entramos, sentamos numa mesinha, pedimos xissalada, olhamos ao redor. Vaziozão. Oregon, desde 1967, tava escrito num cartaz. Foi quando o João abriu um sorriso.
- Mãe, isso aqui é um paraíso.
- Paraíso? É só o Oregon, João.
- Mãe. Olha primeiro esses quadros de comidas. São demais esses quadros. A gente devia comprar pra colocar em casa. Esses hamburguers, esse americano... olha esse sundae, que demais! Será que eles não vendem essas quadros de fotos?
- Vender os quadros, João?
- É, a gente podia colocar em casa. Ou se você não quiser, coloco no meu quarto. Nossa, eu ia adorar.
- É... realmente são o máximo, filho. A gente podia colocar na sala de jantar e...
- Além desses quadros, mãe, olha. Tou de frente pra tv e acabou de começar o jogo do Palmeiras. Quer coisa melhor?
- Jogo? - Olhei pra trás, eu tava de costas.
- E olha essa mesa. Eles pra cada um de nós tem um guardanapeiro que imita abacaxi, um ketchup e uma mostarda que não são de sachê. Odeio sachê, impossível de abrir, sempre. E olha, um tem kit pra cada um de nós.
Olhamos a mesa, era verdade. Um monte de ketchup, mostarda e guardanapeiros abacaxis.
- E pra melhorar mais ainda, daqui a pouco vem um super xissalada - ele completou - Nossa, meu Deus, que paraíso esse lugar.

domingo, 21 de agosto de 2011

um post calcinha






Hoje percebi que tenho um problema na minha gaveta de calcinha. Nunca achei que uma gaveta de calcinha virasse assunto, muito menos problema, mas aconteceu. É o seguinte: sempre tive uma gaveta de calcinhas onde, óbviamente, guardo minhas calcinhas e sutiãs. Eu e todas as mulheres do mundo, imagino. Essa gaveta sempre foi dividida do mesmo modo, sempre com mais calcinhas que sutiãs, pois calcinha a gente troca todo dia e sutiã a gente pode usar mais de um dia. Assim, o espaço da gaveta sempre foi ocupado com mais calcinhas que sutiãs, numa proporção que eu diria que é de uns 3/5 de calcinhas e 2/5 de sutiãs, ou até mais, talvez 2/3 de calcinhas e 1/3 de sutiãs. Acho que justamente por causa dessa predominância de calcinhas que eu chamo a gaveta de "gaveta de calcinha" e não de "gaveta de sutiã". Mas agora tem ocorrido um puta problema com essa gaveta. As calcinhas estão sendo despejadas, estão cada vez mais apertadas, parecendo uns milfolhas. Tudo causado por um fenômeno da atualidade. É que de uns tempos pra cá, é impossível comprar um sutiã sem bojo. Todos os sutiãs, que quando eu era mais moça eram dobráveis e ficavam do tamanho da calcinha quando guardados, agora tem esses malditos bojos que não podem ser "amassados" e que ocupam um super espaço na gaveta. Para guardá-los, tem que deixar assim tipo... deitado, como se estivessem dormindo de barriga pra cima. E ir empilhando um sobre o outro, para não afundar os bojos. Só que esse método só dá certo para uma quantidade, pois se você empilhar muitos, a gaveta não fecha. E para isso, tive que ir espremendo as calcinhas para colocar as pilhas, e a proporção de uso da gaveta foi mudando. No começo eu tinha só alguns de bojo, e com poucos empilhamentos eu resolvia, mas agora, como os sutiãs sem bojo entraram em extinção, tive que montar diversas pilhas. A proporção mudou totalmente, algo como 1/5 do espaço para as calcinhas e 4/5 para aquela cordilheira de bojos. E hoje percebi uma coisa triste. Nessa guerra pelo território da gaveta, as calcinhas perderam, gente. A cada vez que abro a gaveta, umas duas ou três pulam e voam longe, como se explodissem. Vou ter, obviamente, que arrumar um outro lugar para elas, coitadas. A gaveta de calcinha foi tomada pelos sutiãs. Pois é, esse o pensamento do domingo. A expulsão das calcinhas na guerra do bojo.

sábado, 20 de agosto de 2011

o nosso facebook da porta da cozinha






Foi idéia do João fazer esse facebook privado e familiar na porta da nossa cozinha, com "posts" e caixa de comentários. Tudo absolutamente real, sem computador, sem rede, sem modem, moderno e ecológico. Um projeto caseiro e inovador. Está bombando. Até a faxineira, que não tem a mínima idéia do que é facebook, comentou. Hahaha.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

o café do são benedito



- É, Maria - eu disse no começo da semana, na hora do almoço, na copa, reclamando de alguma coisa - eu preciso é me benzer....
- Benzer? Não sei se algum Santo te ajuda - ela respondeu, lavando a louça, sem me olhar - olha o jeito que você trata seus Santos, Lúcia. Larga tudo em cima da geladeira, nem liga pra eles, coitados.
Olhei para eles. A Santa Luzia, o São José e o São Benedito estavam cada um virados pra um lado, lá no fundão, super esquecidos. Ixi. A Maria tinha razão. Levantei da mesa e corri para a garrafa térmica de café, enchi uma xicrinha, arrumei o São Benedito bem arrumadinho e dei um café para ele. Os outros coloquei do lado, pedi a benção.
- Café? Vamos ver se adianta... - ela disse, displicente - depois tanto tempo esquecidos, torce para eles ainda gostarem de você.
Quando olhei no dia seguinte, o café continuava lá.
- Maria.
- Oi.
- Esse café do São Benedito, você trocou?
- Não, é o que você colocou ontem.
- Café velho, Maria?
- Ué, tá cheio.
- Mas Maria, tem que...
O João, que estava almoçando comigo, interveio.
- Ô Maria.
- Quê, João?
- Sério que você acha que o santo vai "tomar" o café?
- Como assim, João?
- Acha que você vai chegar aqui e a xícara vai estar... vazia?
- Claro que não, né João.
- E você, mãe? O que acha?
- Não, pô. João, é tipo uma homenagem. Um agrado.
- Vocês duas são muito estranhas. Olha o pobre do Santo, parado na frente dessa xícara, só olhando. Dar café pra uma mini estátua. Que malucas.