domingo, 4 de abril de 2010

filosofia de faxina




- Lúcia, filha, foi você que me ligou ontem de manhã?
- Foi mãe. Mas ninguém atendeu na sua casa.
- Ah, eu sei. Eu tava no clube. A Tereza, minha faxineira, estava em casa, mas essa Tereza... ela não atende telefone.
- Ela não atende? Porque?
- Eu chego em casa e pergunto "Tereza, alguém ligou?". E ela responde "o telefone tocou duas vezes", ou "o telefone tocou cinco vezes". Mas atender, neca.
- Ué. Que faxineira estranha.
- Não é estranha não. Ela tem toda razão. Um dia eu reclamei, e ela falou "dona Hebe, os telefonemas não são pra senhora? Se a senhora não está, pra que eu vou atender? A senhora não está, ué. Se a senhora quiser eu atendo e falo que a senhora não está, mas tá na cara que se ninguém atende, a senhora não está". Entendeu, filha?
- Hã? Mais ou menos, mãe.
Hahaha.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

os mini games dos garçons


Se esse negócio que eles inventaram, de comanda eletrônica pra garçom, era pra agilizar o serviço do restaurante, desculpa mas não certo. É o mesmo que dar um monte de mini-game pra quem tem que trabalhar, pô.
- Moço, algum problema?
- Hã?
- Você tá me ouvindo, moço? - perguntei pro garçom que estava parado feito um zumbi do lado da nossa mesa, compenetrado no aparelhinho, uns dez minutos depois que fizemos o pedido.
- Um minuto, senhora.
- Algum problema com o nosso pedido, moço?
- É que eu errei o código do macarrão, tenho que deletar... pronto, consegui. Além disso eu não sei o código do espeto misto, tenho que procurar um por um. Ainda não decorei tudo. Peraí.
Eu começei a implicar.
- Zé, será que esse homem não pode fazer isso lá dentro? Tem que ficar aqui do nosso lado, plantado feito um poste, jogando esse joguinho e ouvindo nossa conversa?
- Sei lá, Lú, não tou entendendo nada, será que ele errou muito na hora de clicar? - cochichou o Zé.
- Ele nem me ouve, deve estar perdendo o jogo total. Viu que ele fala como nossos filhos falam quando eles estão no videogame e a gente chama pra almoçar? "Péra, toiiino!"
- "Toíiino", é, é isso mesmo. E a gente chama, chama e eles não vem. Idêntico ao garçom.
- Isso tá super "toiiino", Zé, que saco.
Qual o problema do bloquinho de papel? No restaurante aqui do lado de casa, a gente chegava, fazia o pedido e os garçons, depois que escreviam rapidinho no bloquinho, conversavam com a gente, faziam gracinhas, jogavam conversa fora. Ai veio a comanda eletrônica, eles dizem que fazem treinamento e tal, mas que nada. Demoram horas e horas para lembrar o código da coca-cola, do bife, do hamburguer, erram, apagam, deletam, e se perdem todos para adicionar limão e gelo. Olha só. Não é tudo que é moderno que funciona, vamos considerar, vai. Um cara que nunca jogou um joguinho não vai conseguir nunca ser campeão. Esse negócio de comanda eletrônica, pra mim, é uma das maiores asnices do mundo moderno.
- Conseguiu, moço? A gente tá com fome...

domingo, 28 de março de 2010

o fim da caixa postal



Gente, atenção. Vamos aprender uma coisa. Não adianta mais deixar recado na caixa postal dos celulares dos outros. Os celulares ainda tem a tal caixa postal, tem como gravar recadinho, nome, mas ninguém chega até lá. É muito longe. É, longe. Demora para você conseguir gravar, e demora mais ainda pra você conseguir ouvir. Depois que os telefones passaram a ter identificador de chamadas, depois que todo mundo aprendeu a passar torpedo, pra que caixa postal? Pra ler um torpedo basta apertar um botãozinho e o recado tá ali, escrito, de modo super facil pra gente ler. Super bacana torpedo.
Hoje em dia a gente tem pressa. A gente aprende assim com as facilidades do mundo moderno. A gente anda super sem paciência, eu acho. Não aguenta mais esperar nada. Eu vejo por mim, eu sinto que a minha pressa tem aumentado muito. Eu não aguento esperar aquelas longas e longas horas para ouvir meus recados da caixa postal, e muitas vezes as mensagens ficam mais de uma semana lá, esperando que eu salve aquelas vozes do limbo. Mas eu morro de preguiça. Ué, se é urgente, pô, passa torpedo. A cada dia eu recebo mais torpedo. Torpedo é um ítem em ascensão. Caixa postal está em baixa total.
Um dia, ano passado, conheci um cara que tem uma voz linda. Uma vozona bacana, parece voz desses locutores de rádio. Tive uma idéia. Pedi pra ele se ele poderia gravar uma mensagem pra mim no meu celular. Oba, ele disse, é pra já. Gravamos e ele falava: "alou, você ligou para a lúcia, ela não pode atender, deixe seu recado". Achei aquilo o máximo. Achei que todo mundo ia comentar. Putis, Que nada. A voz do locutor ficou lá naquele mundo longínquo da caixa postal e ninguém reparava. Até eu esqueci a vozona grossa lá. Porque as pessoas são meio assim como eu: telefonam, e, se a pessoa não atende, desligam e esquecem. Todo mundo sabe que teu telefone fica gravado no telefone do outro, não precisa deixar recado. Parece bobo falar "oi, eu liguei", se tá na cara que você ligou. Uns meses depois, olha só, meses depois, o Zé descobriu a voz do homem, acho que meio sem querer, e falou que era esquisito uma voz de homem no meu telefone. Tá, eu tirei e coloquei de volta a minha vozinha: "oi aqui é a lúcia, deixe seu recado, tal". E agora eu tou de novo lá, naquele fim de mundo inacessível, minguando cada vez mais, louca pra receber um recado, sozinha... Mas o mundo é assim mesmo, vence o mais forte, uns morrem, outros nascem e o torpedo tá ai, bombando. O único problema do torpedo é que você tem que escrever. O legal seria se você falasse e o torpedo se escrevesse sozinho. Calma. A gente chega lá.

quarta-feira, 24 de março de 2010

de volta pro passado, por favor...



Liguei pra minha mãe no fim da tarde de ontem, conversamos um pouco. Logo em seguida ela me liga de novo.
- Lúcia, filha.
- Oi mãe, que foi?
- Você pode me ligar de novo?
- Ligar? Mas a gente não está falando no telefone?
- É, mas eu perdi o sem-fio. Falei com você agora pouco, desliguei e não sei onde coloquei.
- Você está falando do celular?
- Não, do outro sem-fio.
- Você tem dois sem-fio?
- Tenho. Me dá uma raiva quando eu perco um deles...
- Não tem aquele botãozinho que apita no lugar onde ele... dorme?
- Deve ter, sei lá. Liga pra mim que é mais fácil.
- Então desliga esse sem-fio ai porque você vai se confundir.
- Eu não sei desligar.
- Coloca embaixo da almofada do sofá então.
- Pra que?
- Pra você não ouvir o triiim desse ai, mãe.
- Ah, boa idéia. Tchau.
Foram 4 ligações até ela percorrer a casa toda e encontrar o aparelho sei lá onde. Atendeu duas vezes o que estava embaixo do sofá, reclamando que o som dele era muito alto.
- Eu tou ficando muito maluca, filha? É a idade.
É nada. Aqui em casa é a mesmíssima coisa. Tem dias que a gente não atende o telefone porque ele desaparece feito um fantasma. Geralmente está dentro da almofadas do sofá, por isso dei essa idéia para ela. Eu penso que ainda bem que telefone toca. Porque controle remoto não toca, e quantas vezes eu não deixei de trocar de canal porque o controle desaparece e até hoje não descobri onde é o botão de ligar da tv na tv. Juro, já apalpei aquele aparelho inteiro feito doida. E não é só um controle que todo mundo tem na sala, são sempre dois, e, se a gente considerar o dvd, três. No meu quarto morro de medo de perder o controle do ar condicionado, porque já olhei e olhei, e o ar não tem botão mesmo. Óbvio que controle remoto tem que ter apito, gente. Não pode uma pessoa fazer um controle remoto sem apito. Ou um fio. Aliás, qual o problema do velho e bom botão de liga/ desliga? Ai que saudade.

quarta-feira, 17 de março de 2010

considerações sobre o tchauzinho



- Olha lá a Adriana lá dando tchau pra gente - falou o Zé, antes de começar a palestra - Oi Adriana! – e ele cumprimentou a nossa amiga de longe, dando um tchauzinho.
- Zé, você deu um fora. Acabou de dar.
- Eu? Porque?
- Porque a Adriana não te cumprimentou. Aquilo que ela fez de longe não é um cumprimento que uma mulher faz prum homem, ainda mais um homem acompanhado da mulher. Aquilo é um cumprimento de uma mulher pra outra mulher.
- Como assim? Ela me viu, ficou toda animada, deu tchauzinho super animado, abanando as duas mãos, você não viu?
- Vi. E era pra essa mulher na sua frente.
- Como, Lú?
- Verdade. E olha, ela tá indo falar com ela. Nem te viu, Zé.
- Ixi, Verdade, que furo. Como você sabia, Lú?
- Zé, um cumprimento de longe de mulher pra outra mulher é diferente de um cumprimento de longe de uma mulher pra um homem ou pra um casal. Os cumprimentos entre mulheres são exageradinhos, cheio de abanos. Uma mulher que vê outra mulher de longe é histeriquinha, “iú, iú, iú, ai que saudade, perai que já vou aí, iú, iú, iú”. É uma coisa assim enquanto abana as mãos. Eu sou mulher, eu sei. Entende?
- Mais ou menos como a Adriana fez comigo?
- A Adriana não fez aquilo pra você, Zé, já disse, você deu um fora!
- Ai, Lú, lá vem ela. Acho que agora é comigo e com você.
- Shiu, presta atenção como ela não vai abanar e não vai falar "iú, iú, iú" pra você. Ouve.
- Oi Zé, oi Lúcia! Que bom ver vocês! – a Adriana disse, super comportada, dando um beijinho discreto em cada um de nós.
- É... oi Adriana - respondeu o Zé, firme feito estátua.

sexta-feira, 12 de março de 2010

o cacareco solar do zé



Fomos comprar umas coisas pra casa na Leroy Merlin, eu e o Zé. Na hora de passar no caixa, vi que o Zé tinha pego uma caixa com alguma coisa estranha.
- Que é isso que a gente tá comprando, Zé?
- Uma coisa que achei. Olha que legal. Uma luminária de jardim que acende com aquecimento solar. Sem fio.
- Nossa.
- Ela fica pegando luz o dia todo. E daí a noite acende. E custa vinte e oito reais. Acha caro? Achei legal.
- Mas Zé, essa luminária é toda torta. Que formato é esse?
- Ela imita pedra, Lú.
- Pedra?
- É. Olha. Acho que é pra disfarçar que ela é uma luminária. Você olha no jardim e não vê nenhuma luminária, e sim uma pedra. E a pedra acende, assim do nada. Genial.
Chegamos em casa e o Zé correu pra ligar a tal luminária solar.
- Que é isso que o papai comprou, mãe? - perguntou o João.
- Uma luminária solar pra o jardim, parece... - expliquei.
- Toda torta? Que cacareco é esse?
- Não é cacareco, João - o Zé disse - é uma luminária solar de jardim disfarçada de pedra.
- Ou seja - disse o João - é cacareco sim. O cacareco solar do papai.
O Zé penou um pouco pra conseguir fazer funcionar - era preciso ativar um "pino" que não ativava - mas no fim conseguiu. Colocamos no meio do jardim, bem no meio, onde bate sol (não sei se funciona bem na sombra ainda). E quando anoiteceu, milagrosamente uma lampadinha fraquiiiiinha acendeu. Não é que o cacareco solar funciona mesmo? Tá certo que lá pela meia noite o treco já está pedindo arrego, mas que acende, acende. Estou pensando em fazer um jardim só de pedras, cheio de cacarecos. Ia ficar lindo.

quinta-feira, 11 de março de 2010

as regras do ovo de páscoa



Comprei um ovo de páscoa do Homem Aranha pra o Luiz, meu sobrinho. Estava escrito que o ovo vinha com uma caneca do Homem Aranha. Achei legal a idéia do brinde do ovo ser uma... caneca. Um coisa útil. Mas a caneca, por causa das suas dimensões, veio fora do ovo. Ou melhor, o ovo veio dentro da caneca.
- Oba, tia, um ovo! Brigado!
- Tem uma caneca do Homem Aranha no ovo, Luiz.
- Legal - ele disse, desembrulhando e tirando o ovo da caneca - olha, tem um caneca mesmo.
Ele resolveu comer o ovo na mesma hora. Tirou o alumínio, abriu as duas partes de chocolate e se virou pra mim, assustado.
- Tia, o ovo veio sem brinde!
- Como assim, Luiz?
- Olha, não tem nada dentro do ovo. Nada! Que absurdo isso, tia!
- Luiz, o brinde dessa vez veio fora do ovo. O brinde é a caneca.
- Não, não é assim, tia. Não pode ovo de páscoa sem brinde. Pode ser até um bombom, mas sempre tem que ter alguma coisa dentro de um ovo de páscoa. Sempre!
- Mas tinha fora, Luiz.
- Fora não é brinde, tia. É a regra do ovo do páscoa ter coisa dentro, sempre!
Minha irmã interviu.
- Luiz, você ganhou um ovo de presente, não reclama, menino. Que feio.
- Mãe, eu não tou reclamando do presente, já disse brigado pra tia. Tou só falando que é um absurdo um ovo vir vazio! Não pode! É contra as regras do ovo de páscoa!
- Que regras, filho? O brinde tava fora!
Puxa vida, eu concordei. Ele tinha toda razão.
- Luiz, eu te entendo, esse ovo que eu te dei é completamente errado - eu disse, avaliando a situação - você tem toda razão, abrir um ovo e não achar nada dentro é o fim! Vamos reclamar e... Já sei. Vou fazer um post pra esse ovo ridículo e... vazio. Deixa eu tirar uma foto.
- Oba! - ele disse colocando o ovo no braço do sofá - Pronto, pode tirar a foto, tia. Mas eu já comi um pedacinho, será que tem problema?

terça-feira, 9 de março de 2010

durma em paz, coelhinho



Foi aniversário da minha irmã Ângela hoje. Minha mãe fez uma festinha na casa dela. Minha mãe cozinha bem, faz comidas super gostosas, mas o lance dela são os doces. As sobremesas. Os bolos. Cheguei e fui direto olhar o que ela tinha feito pra Ângela.
- Tem bolo, mãe?
- Claro. Tá ai no aparador - ela avisou.
- Mãe.
- Que.
- Que é esse negócio no bolo?
- Esse negócio o quê.
- Esse enfeite.
- Ah. É um coelhinho da páscoa.
- Ele tá deitado, mãe?
- Tá.
- Porque, mãe?
- Era grande demais. Ficava muito alto em pé. Não achei menor no Pão de Açucar e não quis ir até a Kopenhagen.
- Ah.
Chegou o João.
- Vó?
- Que, João.
- O coelhinho da páscoa morreu?
Chegou o Chico.
- Nossa, por que a vovó colocou um defuntinho de coelho no bolo da tia Ângela?
- Shiuuu, Chico - eu implorei - Não zoa do bolo da tua vó, pô.
A Ângela chegou, viu o bolo, olhou estranho.
- Uau. Tem um coelho deitado no meu bolo, mãe?
- Tá dormindo, tia - disse a Nana, rindo.
- É o coelhinho da páscoa, filha - ela explica - Estamos perto da páscoa agora. É o enfeite.
Na hora de cantar parabéns, minha mãe coloca as velas de um modo estranho e alguém comenta.
- Vamos dar parabéns pro coelhinho morto da tia. Eba. Olha que velório estranho.
E na hora de servir o bolo, a Ângela, acostumada à mãe, perguntava.
- Quer bolo? Com ou sem coelhinho morto?
O cadaverzinho acabou no terceiro pedaço. Uma delícia o chocolatinho. É. Minha família é meio esquisita mesmo.

terça-feira, 2 de março de 2010

franka jr.



Olha que incrível. Terei um programa de rádio! Fui chamada para ler as crônicas daqui do "frankamente..." na rádio USP FM 93,7. E claro, topei na hora.
Na verdade, o Fábio Rubira, o jornalista da rádio USP que me chamou, explicou que não se trata de um "programa". Programa é grandão e comprido, o meu é pra ser curtinho, por isso se chama "programete". Em cada programa vou ler uma ou duas crônicas, acho que dura uns cinco minutos no máximo, e esses programetes entrarão durante a programação.
Claro que eu estranhei - e muito - a idéia de ler uma crônica minha no rádio. O rádio é outra mídia completamente diferente da escrita, e achei meio impossível eu apenas... ler. Quer dizer, no meu caso, afinal fui eu que escrevi o texto e todas as histórias que conto ou idéias que comento são reais. Queira ou não, os texto da leitura muda. Penso que o mais importante é contar a história, seja escrevendo ou falando.
Mesmo não sabendo bem como as coisas iriam acontecer, topei. Inventei um nome para o programa, "fala, franka!", escolhi uma música para a vinheta, uma marchinha chinesa ding-ling (não tenho idéia porque), escolhi as crônicas e lá fui eu pra rádio gravar 4 programetes. Foi estranho e engraçado, pois como algumas crônicas tinham diálogos com os filhos, com o Zé e com a minha mãe, eu tive meio que imitar eles falando. Fiquei meio nervosa, claro, embora tenha tentado ser o mais natural possível. E gravei. O meu programete vai ao ar agora nessa sexta feira, no programa Áudio Papo, lá pelas 9 e meia da noite, com repetições durante a semana. Os horários aviso quando eles me derem.
A apresentação da minha vinheta quem fez foi um locutor de voz linda, chamado Mário Jr. Aliás, locutor sempre é "alguma coisa" Júnior, já repararam? Se a gente dá uma googada em "locutor" e "júnior" junto, nossa, aparece uma infinidade de locutores Jr. do Brasil todo. Por isso pensei em mudar meu pseudônimo na rádio para Franka Jr. Hahaha. Genial. Franka Jr., do programete Fala, Franka.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

um milhão de amigos pra bem mais forte poder cantar



Facebook é legal, tenho me divertido bastante por lá, mas só agora, quando adquiri minha verdadeira identidade: "lúcia". Eu entrei como "Franka", e meus amigos de escola e faculdade, que não acompanharam o blog, se recusavam a ser meus amigos. Achavam que eu era um spam. Também, quer o que? O sobrenome da Franka é "Jason". E Jason, bem, Jason não um negócio meio serial killer? Sei lá. Desisti de ser Franka no face. Passei a ter um certo medo de mim. No face é melhor você ter a sua face de verdade.
Porém face tem umas coisas que não entendo. Uma delas é como as pessoas conseguem ter tanto amigo. Não é possível. Eu juntei todos meus amigos, todos que conheço e deu 134. Dai fui olhar os outros. Meu Deus. Tem gente com mais de trezentos, outros com mais quatrocentos. Nossa, que poucos-amigos que sou, me espantei. Será que é verdade? Será um truque que ainda não aprendi? Meu afilhado me disse que é porque a maioria dos meus amigos é velho e não tem face, e que na geração dele todo mundo tem. Não sei, tem amigos meus que são velhos e tem centenas de amigos, ora. O engraçado é que querendo não, eu fico com a impressão que aquilo é uma competição, entende? E como sou competitiva, ando a cada dia com mais vontade de ganhar. Quero amigos, poxa! Como eu faço pra ter um milhão de amigos pra bem mais forte poder postar?
Mas a coisa mais chata do face, não sei se vocês repararam, é que o próprio site não quer que uma pessoa tenha pouco amigo. As pessoas com pouco amigo sempre aparecem em destaque numa janelinha à direita, em cima, e em baixo da foto delas está escrito algo assim: ajude o fulano a achar amigos! Ele não tem amigos, dê uma força! E essa janelinha vai pra todos os amigos dos amigos, e até para aqueles que tem quatrocentos, quinhentos, então imagino que o fato de você não ter amigos vira uma fofoca nacional. Ai que medo de ir parar naquela janelinha, gente. Aquilo não é bulling? Sou a favor do face, sou contra a janelinha do bulling, mas tou no face. Alguém mais quer ser meu amigo? Hahaha.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

o bluetooth do mandioca



A gente tava no restaurante almoçando, eu, o Zé, os filhos. De repente, apitou o celular do Zé.
- Ué - ele disse - tem alguém querendo fazer bluetooth comigo.
- Aqui no Senzala? Quem é? - perguntou um dos meninos.
- Nossa que estranho... - e ele olhou o telefone, confuso - é um tal de "Mandioca".
- Mandioca, Zé? - eu estranhei.
- Mandioca, pai? - o Chico perguntou, rindo.
- Mandioca... - o Zé leu de novo, pasmo.
- Pai, porque um tal de Mandioca quer fazer bluetooth com você? Que coisa mais esquisita... - falou o João - iii...
- Você conhece algum Mandioca, pai? - a Nana indagou.
- Será que aqui no Senzala as comidas fazem bluetooth com os clientes? Daqui a pouco chega um bluetooth da Feijoada, outro do Espeto Misto, outro da Meia Picanha, hahaha! - comentou o Chico.
Bem naquela hora, diante da cara confusa do Zé e das gracinhas dos dois mais velhos, eu olhei para o João, que estava bem na minha frente e mexia em algo no seu colo. Ele percebeu que eu percebi algo, e fez rapidamente um sinal de "shiuuu, mãe".
- Aceita o Mandioca, pai - o João disse rapidamente.
- Eu aceitar o Mandioca? Eu? Nem a pau! - falou o Zé, ainda escasquetado.
Não aguentei e tive um acesso de riso. E para não encompridar a piadinha, o João confessou.
- Sou eu, pai. Era uma brincadeira com você.
- João! Pô! - o Zé ficou bravo.
- João, filho - eu quis entender - de onde você inventou essa gracinha?
- Eu sempre faço isso, mãe. A gente precisa inventar um nome pra ser visto nos bluetooths, não é? Eu então sou o Mandioca. Que é que tem de mais?
Uma semana depois, na pizzaria do clube, o meu telefone apitou.
- Tá tocando seu telefone, mãe - alguém disse.
Era um aviso de bluetooth. De quem? Do "Imperador do Amor".
- João!
- Tá, tá, sou eu...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

a cocacolona




Foi naqueles cafés-pipoqueiros-lanchonetes da sala de espera do cinema. Estávamos eu, Zé e João morrendo de sede, pedimos uma coca cola e uma água.
- Coca pequena ou média? - a mocinha perguntou.
Ficamos na dúvida. O Zé arriscou.
- Hum. Média.
Putis, veio um balde enorme. O João e eu olhamos pra o Zé.
- Nossa, que exagero, Zé... - comentei - deve ter uns dois litros ai.
- E essa é a média, Lú - ele observou - imagina a grande.
- Mas não tinha grande, mãe - lembrou o João - Eu ouvi o que a moça disse. Só "pequena" e "média". Vocês não acham estranho isso?
- Isso o que, Juca?
- Isso que eles fazem atualmente em um monte de lugares. Eles vendem cocas "pequenas" e "médias", e não vendem a "grande". Porque então não vendem como "pequena e grande"? Se só tem duas...
- É mesmo, filho.
- A mesma coisa na pizzaria lá perto de casa. Tem pizza média e grande, já reparou? Mas não tem a pequena. Então deviam colocar no cardápio: pizza pequena, pizza grande, claro, e tirar a média.
- Porque será que as coisas do nosso mundo ficaram assim? - o Zé perguntou.
- Pra enganar, pai - disse o João - eles tão enganando a gente,tá na cara. No caso da pizza talvez seja para eles cobrarem mais por pizza pequena. Como se a deles não fosse tão pequena e valesse mais.
- E esse lance de coca média, João? - indaguei.
- Ué, deve ser pra não dar vergonha na hora de você pegar. Você pede a média, afinal não é grande, vem esse balde imenso, e dai você pensa: "nossa, imagina a grande". A grande não existe, é imaginária, o nome "média" é só pra disfarçar e deixar a gente a vontade aqui na sala de espera do cinema. Tudo truque pra vender, mãe. Os caras de marketing devem chamar isso de "a enganação da cocacolona".

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

o cartão do césare



Estávamos conversando num fim de tarde, eu, o Césare e minha irmã Angela. O Césare é um amigo nosso que é ator e faz animações para festas de crianças. Os shows dele são super bacanas, a gente morre de rir. Recomendo.
- Vou fazer uns cartões novos para distribuir - ele anunciou - uns cartões bem legais, tou estudando como fazer e...
- Hum, Césare, eu tava pensando... - falou minha irmã, que se virou pra mim - Lú, lembra do cartão do saxofonista?
- Aquele cartão com foto? - perguntei.
- É - ela respondeu e explicou para o Césare - é que a gente recebeu um cartão de um cara saxofonista, e o cartão do cara é uma foto dele tocando saxofone. O cara é bacanão, ficou legal o cartão dele. Vou buscar pra te mostrar, perai.
- Cartão com foto? Não é uma coisa exibida? - perguntou o Césare.
- Não acho - eu intervim - ora, se você vai contratar um cara pra tocar na sua casa, por exemplo, é bom saber quem vem. Não acha legal saber qual é a cara da pessoa que vem?
- Claro - concordou a Ângela, mostrando o cartãozinho do saxofonista pra o Césare - mas é claro! Imagina se você contrata um saxofonista com cartão sem foto e aparece um sujeito horrível na sua casa. Ter uma boa aparência ajuda muito quando se trata de shows, Césare. É ótimo essa coisa de fazer um cartão com cara. Importantíssimo isso.
- Mas só "cara" não adianta, Ângela. Olha o cartão do saxofonista, ele está de corpo todo na foto.
- É verdade, lúcia... - e ela passou a tapar o corpo do cara com os dedos - Olhando um cartão só com a cara da pessoa você não sabe se está contratando um gordão... um magrelo... um anão...
O Césare deu um pulo.
- Anão?
- É, Césare - e ela concluiu, definitiva - cartão de corpo todo é melhor.
Uma semana se passou, encontramos o Césare de novo. Ele abriu a carteira, deu pra gente seu novo cartão e lembrou.
- E reparem: ahá! De corpo todo!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

o primeiro banho do ano

Detesto lavar o carro. Além disso, meu carro não merece ser lavado: tem quebrado, esquentado, fervido, morrido, não tranca as portas direito, não fecha o vidro direito, tá com o ar condicionado quebrado e os botões do rádio caídos. Faz um tempão que eu não lavo. Não dá vontade de lavar um carro que não te dá paz. Não arrumei tudo ainda, mas hoje resolvi dar um banhinho nele. No calor achei que seria uma delícia.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

parede com atrito



Ontem na hora do jantar o João contava da casa de um amigo. Ele vive na casa desse amigo. Eu nunca fui.
- João, tenho curiosidade de saber como são as casas dos seus amigos... Acho a nossa casa tão esquisita, tão mal arrumada. Como é a casa desse amigo, por exemplo? É chique, decorada, super organizada? - perguntei.
- Ué, mãe, é uma casa normal.
- Como a nossa?
- Não, diferente, claro.
- Diferente como?
- Não sei o que você quer saber, mãe. Pergunta direito que eu respondo.
- Hum, vou fazer algumas perguntas então, filho.
- Vai.
- Hum. Tem paredes coloridas na casa?
- Tem. Um monte. Tem uma amarela, uma vermelha escura, uma azul. Mas uma delas, mãe, é daquelas com atrito. Sabe como é?
- Hã? Parede com atrito?
- É, daquelas que quando você encosta, dói.
- Dói? Você quer dizer parede com textura? Com massa texturizada?
- 0 que é textura?
- Esquece, já entendi, João. Agora outra pergunta. O sofá. Como é o sofá da casa?
- O sofá é daqueles que tem um pano que dá pra escrever com o dedo.
- Hã?
- Sabe aquele pano de sofá que se você passa o dedo de um lado ele fica de uma cor e se passa de outro fica de outra cor? É assim o sofá. Dá pra escrever o nome. Eu sempre escrevo.
- João, que respostas absurdas. Deve ser camurça sintética.
- Camurça o que? Sei lá o que é isso. Continua, mãe. Faz mais perguntas.
- As cadeiras da mesa de jantar. Como são as cadeiras da mesa de jantar?
- São cadeiras de mesa de jantar.
- Mas como são?
- São...
- O que você está fazendo de olho fechado, filho?
- Lembrando da sensação de quando sentei lá porque não lembro. Olha, na parte de trás tem uma parte dura, não é estofado. Já onde senta é fofo, tipo almofada.
- A mesa é de vidro ou madeira?
- Não percebi, só olhei a comida.
- Tá, acho que já entendi como é a casa.
- Não vai perguntar do lugar mais importante?
- Qual o lugar mais importante?
- O lavabo, ué, mãe. Você vive falando de lavabo e banheiro em crônica.
- Como é o lavabo, João?
- Todo decorado, escuro, estilo antigo, com quadros e remédios.
- O que é um lavabo com quadros e remédios? O que você quer dizer com isso dessa vez?
- Quero dizer que tem quadros na parede e remédios na pia, ué.
- Remédios de verdade?
- É, remédios de verdade, qual o problema? Eles deixam os remédios da casa no lavabo, acho que é pra o caso de alguém precisar urgente.
- Remédios no lavabo?
- É, parece um banheiro de uma vovozinha hipocondríaca.
Que nó. Bom, acho que minha casa é normal.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

a escolha de franka



Quebrou a fechadura do portãozinho da rua de casa. Não fechava de modo algum. Liguei para o chaveiro.
- Preciso que vocês mandem alguém aqui, por favor. Quebrou a fechadura do portão.
- Pois não, senhora. A senhora tem preferência por alguém?
- Hummm. Uma vez já veio um rapazinho aqui. Um magrelo. Não lembro o nome.
- Sérgio? Altair? Júnior?
- Hummm. Acho que foi Júnior.
- Tá, vou mandar o Júnior.
Um tempo depois chega o Júnior com sua maleta. Acertei o nome, era o mesmo que tinha ido no ano anterior. Mexeu, bateu, aparafusou e arrumou a fechadura. Garantia de seis meses, ele disse, pois a peça está enferrujada. Paguei o conserto.
- Muito obrigada, Júnior, e tomara que eu não precise te chamar tão cedo, né?
- É. Mas muito obrigada a senhora.
- Muito obrigada de que?
- Muito obrigada de me escolher.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

big big borrão



No BBB desse ano tem um cara que é maquiador e um menino-emo magrelo que também adora se maquiar. É o paraíso das meninas, que estão praticamente dentro de um... salão de beleza. Um monte de Amys Winehouses. Mas tudo vira tragédia dia após dia dentro da "casa", as meninas choram sem parar e se borram todas. Parece filme de horror, aquele monte de olho roxo, escorrido. Dai o maquiador e o emo passam metade do programa limpando a cara delas e falando "meninas arrumem isso, pelo amor de Deus, o Brasil inteiro tá vendo!". É muito engraçado.

sábado, 30 de janeiro de 2010

aluga-se 1 vaga em NY




Na viagem que fizemos pra NY no final do ano passado, alugamos um carro para viajar para outras cidades. Como íamos sair num dia de manhã cedo, pegamos o carro um dia antes, no fim da tarde. Bem no fim da tarde.
- É muito caro estacionamento aqui nessa cidade - comentou o Zé - temos que ficar o mínimo possível com carro aqui para pagar o mínimo de estacionamento.
- Quanto que é, pai? - um dos filhos perguntou.
- Não sei bem. Mas sei que tem lugares que cobram até 20 dólares se passa de uma hora. Uma fortuna. Todo mundo sabe - O Zé comentou.
- Nossa... - me espantei - que fortuna! Tem lugares em São Paulo que cobram 15 reais por hora e eu já acho um absurdo...
No dia que ficamos por lá, conseguimos achar um lugar meio escondido com uma taxa por noite cara, mas razoável. E nos mandamos rapidinho com o carro no dia seguinte bem cedo, felizes de termos conseguido não pagar muito. Entramos no carro com filhos e malas.
- Sabe o que eu acho, gente? - falou o João.
- Que filho? - perguntei.
- Que a gente devia comprar uma vaga aqui.
- Como assim comprar uma vaga de estacionamento, João? Porque? A gente não mora aqui, menino.
- Comprar tipo um... investimento - ele conjeturou - porque pensa, mãe. Vamos supor que duas horas custem 20 dólares. Faz a conta! Uma vaga de estacionamento lucra mais de sete mil dólares por mês, mãe!
- Hã?
- Sete mil dólares por uma vaguinha, mãe! Um lugarzinho de nada. Putis, claro! A nossa família devia fazer isso: vender nossos carros, pegar nossas economias, comprar 1 vaga em NY e alugar. Uma só! Deve ser o melhor investimento do mundo ter uma vaga em NY. O que se gasta de manutenção em uma vaga de estacionamento? Água para lavar o chão, sabão, vassoura e tinta pra pintar as linhas, ou seja, quase nada!
- Uma... vaga em NY, João?
- Um investimento de família, mãe. E depois a gente até podia se gabar de ter um imóvel aqui.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

os sem-fome



Eu não tenho fome a noite. Muito raro. Mas existe um programa que todo mundo faz que é "jantar fora". Com amigos, com família, essas coisas. Os sem-fome como eu sofrem muito com essa atividade. Olhar um cardápio cheio de comidas quando você está sem fome é terrível. Você sabe que não vai aguentar comer o prato todo, e que vai deixar sobrar. Assim, os sem-fome, como eu, acabam pedindo sempre "saladinha". Sempre entendi que saladinha é a solução para os sem-fome, mas já não aguento mais comer saladinha. Primeiro que os restaurantes sempre erram e trazem a saladinha antes, e na hora que todo mundo janta você é obrigado a ouvir o barulho da mastigação alheia, com as mãos abanando sem garfo e faca. Depois que saladinha é fria e tem tempero ácido, e não é sempre que você, sem-fome e à noite, quer comer coisa fria com tempero ácido. Às vezes penso que até comeria um pedaço pequeno de carne, ou um pouco de macarrão, mas não muito, um pouco. Um mini risoto, mini filé a poivre, uns cinco capeletis seriam mil vezes melhor que a saladinha fria e azeda, mas não existe essa opção nos cardápios dos restaurantes. Na maioria dos lugares os pratos são sempre bem servidos. Dai vem o dilema: o que pega menos mal deixar sobrar? Carne nem pensar, imagina pedir um filé e largar mais da metade? Pecado. Peixe idem, é chato. O que pega menos mal deixar é macarrão, mas sempre vem o garçom depois perguntar se não gostei da comida, se estava ruim. É constrangedor. Além de dar raiva ter que pagar um prato inteiro e abandonar metade. Olha. Um cardápio de um restaurante deveria levar em conta os sem-fome e oferecer a opção do mini-menu. Ou petit-menu, no caso dos restaurantes franceses, por ai vai. E isso é sim o começo de um movimento que tou inventando. O movimento dos sem-fome à noite.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

duro ou mole


Bem. Pra falar a verdade, não foi só a porta quebramos no tal do hotel Lackawanna de Scranton. Quando chegamos e nos instalamos, o João entrou correndo no meu quarto.
- Mãe! Tem uma coisa genial nesse hotel.
- Que é?
- Deita na cama, mãe. Vai, deita.
- Deitei, filho.
- Agora olha esse controlinho aqui.
Era um tipo de controle remoto ligado na cama. O menino apertou, eu fui afundando devagar na cama. Uóóómmmm. Fui parar lá em baixo, a cama ficou super... mole.
- Agora vou subir você. A cama vai endurecer, mãe.
Uóóómmmm. A cama endureceu mesmo, virou uma tábua e eu subi de novo. Ficamos nessa, eu deitada e ele subindo e descendo, eu no duro, eu no mole, o João me pilotando. Sobe, desce, sobe, desce, sobe, desce, desce, desce...
- Agora chega, João, tá mole demais, ei, pááára filho, tou descendo demais!
- Mãe, não sou eu, é controle sozinho, eu não estou amolecendo a cama!
- Filho, socorro, vou parar no chão! Ai!
- Ixi, mãe, acho que quebrou.
Sai do buraco, que realmente quase chegava no chão. A cama de casal tinha enlouquecido: um lado estava alto e durinho, e do outro lado tinha um abismo afundado. Juro. O Zé entrou e ficou bravo, já quebraram? Ligamos pra recepção, pedimos a manutenção. Veio uma equipe de consertadores de amaciador e endurecedor de colchão, dois brutamontes com equipamentos e até um tipo de tubo de gás. Desmontaram tudo, colocaram o colchão em pé, bate aqui, desmonta ali, assopra lá. Avisaram que ficou pronto. Era pra eu testar, o brutamonte disse. Deitei, envergonhada na frente dos caras. Apertei o botão e fui lá em cima, no duro. Falei pra ele que tava ótimo. E não mexi mais no diabo do controle. Cada invenção mais ridícula que existe por ai. E que medo que me deu daquela cama. Imagina despencar no meio da noite?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

ai meu Deus...


Não posso ler coisa em carro, eu enjôo. Assim, memorizo o caminho do GPS com o carro parado e depois instruo. Além disso, confundo direita com esquerda, dizem que é dislexia. Péssima co-pilota, eu. Hahaha.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

obras me perseguem...


Foi no hotel de Scranton, cidade que eu inventei de passar porque é a cidade do The Office, seriado que eu adoro. A cidade ficava no meio do caminho da volta para NY, a gente precisava dormir. O hotel era maluquésimo, uma antiga estação de trem, parecia um hotel de luxo de filme de fantasma da Transilvânia, apesar de ser na Pensilvânia. No dia de ir embora, tomamos café, arrumamos as malas e como tínhamos um tempinho, sugeri um passeio a pé pela cidade. Os meninos estavam num quarto, eu e o Zé no outro. Descemos, eu e o Zé, e nada dos três. Quando chegaram, a Nana reclamava que os irmãos eram muito bagunceiros e demorados, que eles não arrumavam nada direito, que enrolavam muito e sei lá o que. Essa coisa de briga de irmãos. O problema é que ela, enquanto esperava os dois, ficou no maior pléc, pléc, pléc, mexendo na porta do quarto sem parar. Brava com os irmãos. Eu não sei se foi esse o problema, mas quando voltamos pra pegar as malas, a porta do quarto dos meninos não abria de jeito nenhum. E as malas deles lá dentro. Falamos na portaria, eles deram pra gente outra chavinha de cartão. Tentamos, tentamos, nada. Veio o cara da manutenção, mexeu um monte e nada. Veio outro cara da manutenção, e depois mais outra. Começou uma reunião em frente a porta. Percebi que a fechadura quebrou, e que não tinha abrir a peça por fora, pois os parafusos eram por dentro. Ô coisa mais burra aquela fechadura. Dai o povo do hotel pediu desculpa, sumiu e em seguida chegou um bando de funcionários uniformizados com ferramentas, escada, marretas. Marretas! Avisaram que iam quebrar a parede. Levamos um susto. Puxa vida, vou em obra todo dia, teria que passar por uma outra obra no meio da viagem de férias? Tentei entender. Não era exagero quebrar a parede? Não, explicou o engenheiro. Eles abririam o forro, entrariam dentro, quebrariam a parede em cima da porta, quebrariam o forro de dentro do quarto e disseram que entrariam por ali. Putis estrago por nossa causa, que vergonha. Foi quando a Nana falou bem baixinho que talvez tivesse sido culpa dela. E contou a história do plec, plec, plec. "Não fiquei apertanto tanto assim, eu juro", ela se defendeu. "Eu disse que esse hotel era mal assombrado", comentei. Fazer o que? Esperar. Então, já que não tinha mais na pra fazer, coloquei a máquina na mesinha do meu quarto e filmei o que acontecia no corredor. A obra durou mais de uma hora, a gente lá esperando. No fim a porta abriu, ficou aquele monte de entulho no chão e nos mandamos rapidinho, rindo. Tá, é um filme super sem graça. Mas olha como é verdade.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

o dreno e a plantinha da marquise



Relutei porque não gosto de ar condicionado. Mas minha casa é muito quente, abafada, e os quartos mais ainda, pois recebem sol nas paredes a tarde toda. No inverno é uma delícia, no verão um inferno. O meu quarto é pior ainda, pois tem duas paredes que recebem sol. Assamos devagar toda noite, eu e o Zé. E no final do ano passado resolvemos que a gente ia colocar um ar condicionado. Fomos meio mal vistos. Ar condicionado não é bom, é super anti ecológico, gasta energia, dizem que faz mal pra saúde respirar ar que não circula naturalmente, um monte de bronca dos amigos com inveja. Me sugeriram pintar as paredes externas de tinta prateada ou usar outras soluções. Mas quando pensamos que poderíamos dormir a noite toda sem acordar ensopados, esquecemos tudo isso. Compramos o ar condicionado numa liquidação de um site. Recebemos o ar condicionado. Chamamos um cara pra instalar. Ligamos. E desde então, dormimos de edredon, a noite toda, parece um paraíso.
O que eu não esperava foi um detalhe engraçado. Ar condicionado tem sempre um dreno de água que quando o ar tá ligado, ele fica pingando. Ping, ping, ping. Quando fizemos a instalação, escondi o caninho numa marquisinha que tem na frente da casa, com o tubinho a pingar no jardinzinho mixuruco da frente. Bem, esse jardinzinho nunca deu muito certo, pois está embaixo da marquise, mas desde então está maravilhoso, estupendo, fenomenal. O ping-ping do dreno do ar fez o jardim reviver. Milagre. A coisa mais incrível do mundo. Comentei isso com uma amiga, ela me sugeriu fazer um enorme jardim de jabuticabeiras embaixo da marquisinha. Depois ficamos na dúvida se isso era ecologicamente correto ou não. Afinal, pensa. Ar condicionado não é correto pois aumenta o aquecimento global, mas ar condicionado pinga e algumas plantas adoram pingo. Então pingo de ar condicionado é bom pra planta. E como uma coisa pode ser antiecológica e fazer bem pra planta? Olha, nem vem que pra mim ar condicionado é um treco super ecológico. Vou juntar dinheiro e colocar na casa toda, e espalhar os drenos por todos jardins em volta. E vou morar numa verdadeira selva amazônica, vocês vão ver. Geladinha.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

dó ré wii!



Foi inevitável. Os filhos, mesmo grandes, voltaram da nossa viagem com um monte de muamba, entre elas um videogame. Como são grandes, quase todos adultos, reclamei.
- Gente, que bobeira. Vocês ai, tudo grandão, com esse negócio de criancinha, pô.
- Mãe, deixa de ser boba. Wii é um videogame super de adulto. Tem esportes de adulto, ginástica de adulto, banda de adulto. Impossível não comprar o dos Beatles.
- E esse jogo do Mário ai? E essas direçõeszinhas de carrinho?
- Mãe, Mário Kart é um clássico dos videogames. É um jogo obrigatório.
Bem, chegamos, eles instalaram o negócio em pé (custava fazer um videogame deitado, como todos os aparelhos da estante?) e desde então a minha sala, que nunca foi arrumada, está parecendo uma... garage-band de adolescentes. Temos guitarra, microfones, instrumentos musicais e eu começei a... bem... cantar. Minha empolgação veio na segunda feira, quando melhorei da gripe e descobri que tenho uma voz maravilhosa. Hahaha. Juro. Tem um grafiquinho que aparece quando você canta e aparece a porcentagem dos teus acertos. A minha sempre dá 100%. Estou achando que sou a nova Marisa Monte, a Marisa Mother (dãr). Sugeri que a gente vire a nova Família Dó Ré Mi. Eles falam que não vale, porque eu canto no modo "easy", e que é por isso que acerto. Mas adorei o brinquedo e quase não deixo ninguém mais jogar. Afinal, nunca consegui ganhar patavina num videogame na vida. O máximo, esse iii. Tou louca pra chamar meus amigos pra gente ficar brincando.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

a garrafinha


Agora chega de viagem, de post de viagem, de falar de frio e de passeio turístico. Voltei e obviamente fiquei doente, afinal aqui tá essa quentura e o meu descongelamento foi muito rápido. Depois de um sábado e um domingo de febre, bóra trabalhar. Nem sei mais o que é isso, essa coisa de viajar com a minha família me deixa com um problema de idade mental, meus filhos falam e fazem muuuita bobeira. Olha só. Descarreguei as fotos da viagem e fiquei intrigada com a foto acima. Uma porta? Que porta é essa? Demorei pra descobrir quem tirou a foto e porquê, até que reparei num detalhe: acima da porta, lá perto do teto, tem uma... garrafinha plástica colada na parede. Viram? Ahá. A gracinha foi essa: antes de deixarmos o hotel de Scranton, o João pegou a garrafinha de água vazia do quarto, descolou o rótulo, ela ficou com cola e ele pregou a garrafinha lá no alto, o mais alto que alcançou. Dai pegou a máquina e "clic". Registrou. Ixi. a garrafinha deve estar lá até agora.

sábado, 9 de janeiro de 2010

museus shoppings


O que me impressiona nos museus de hoje são as lojinhas. Ou melhor, os shoppings centers que existem dentro dos museus. Parece que apenas ver a exposição é pouco, as pessoas querem comprar o museu todo pra elas. É tentador. Você vê o quadro, mas pode comprar o poster, o cartão, o livro, o DVD, a camiseta, o postal, o porta lápis, a bolsa, a echarpe, o clips, a bolsa, a caneca, tudo que você puder imaginar do quadro que você gostou. As lojinhas, inclusive, são muito mais cheias que o museu, porque para cada obra de arte, tem diversas versões de cacarecos que gritam: olha, eu fui, olha, eu vi, olha, estive lá. E é tipo hipnose, quando você vê está saindo com a sacolinha dali. Que cafona que é a humanidade, pensando bem.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

ora, pombas


Afe. O Zé realmente não bate bem. Fomos no Empire State Building pra mostrar pros meninos como era lá em cima, mas olha a foto da "vista" da cidade que ele me tira com o celular e me manda por e-mail. Hahaha. Éca.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

come again!


Foi numa lanchonete de beira de estrada, em algum lugar da Pensilvânia. Todo mundo tava morrendo de fome e tivemos que parar num desses lugares de fast food meio nojentos. Mas excesso de fome causa briga na nossa família, assim, resolvemos enfrentar e comer com as mãos um balde familiar de... (écccs) frango frito. Antes de sair, o João, que faz piada com tudo, olhou para a porta e brincou.
- Olha mãe o que tá escrito na porta! Hahaha!
- Juca, tá escrito "obrigado, volte sempre" em inglês.
- É, dãr, eu sei. Mas pra quem não sabe inglês pode ser outra coisa.
- Outra coisa?
- Pra um cara brasileiro, que não sabe inglês, pode parecer que tá escrito: "obrigada, e por favor, 'come' de novo".
- Thank you, and please "come" again?
- "Come" again, mãe. Hahaha.
- Juca. Eu não "come" again essa comida de novo nem morta, meu filho.
- Nem eu. Mas parece que eles imploram, fala a verdade, mami. Please, come again!

nhé


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

impressões sobre um grande museu

Museus, não sou lá muito fã de museu, mas fazer o quê. Museus pra mim são uns lugares onde você vai meio só pra dizer que foi e comentar com outros que foram as exposições que... esquece logo em seguida. Não é por mal. É apenas porque museu tem coisa demais, quadro demais, artista demais, tudo misturado demais. Lembro sempre de pouca coisa dos museus que já fui e resolvi assumir as bobeiras que penso. Vamos lá.
Por exemplo, percebi que talvez os romanos realmente não tenham tido nariz. Nas estátuas sempre eles estão sem (também estão sempre sem um braço, perna, cabeça e nunca tem pinto também), e a gente acha que foram as estátuas que se quebraram. Mas será que era isso mesmo? E se eles realmente não tivessem nariz?
Sempre que olho uma estátua romana, acho que as pessoas são parecidíssimas com as pessoas da minha família, embora todo mundo da minha família tenha nariz. Algumas pessoas, inclusive, tem uns imensos, que não param de crescer, segundo diz a lenda.

Essa não seria a primeira sandália havaiana da humanidade? Estava numa estátua de um Deus mitológico grego. Depois dizem que a marca é brasileira.


Minha mãe sempre me disse que o parente mais velho dos meus parentes italianos era um tal de Hugolino. Na história da minha família, o Hugolino era um patriarca famoso por nunca ter mudado de cama na vida - na cama que nasceu, ele morreu e acreditem: foi enterrado com ela! Olha... Achamos essa estátua desse outro (ou seria esse meu tataratatataravô?) Hugolino no museu. Olha a cara de desespero dele. Será que levaram a cama para onde?




Bebês assustadores. Super na moda nos quadros clássicos europeus. Jimais, hahaha. Olha a cara maldosa desse dai, que demais. Nossa, acho tenho mais medo dele do que da véia cacareco. Aliás, tirei mais de vinte fotos de bebês monstros do Metropolitan, tipo "colecionei", nunca vi tanta criança com cara de má (Deus me perdoe, mas as imagens são assustadoras), e bem, se alguém quiser compartilhar meu álbum me avise que mando por e-mail. Aliás, o que será pensa um bebê satânico como esse olhando pra mim? Nossa, que medo dessa viagem. Aliás-2, hoje fez mais de menos 11 graus. E eu achando que tava frio em Scranton.

domingo, 3 de janeiro de 2010

a véia cacareco



Alugamos um apartamento para ficar uns dias por aqui em NY, pois é mais barato que hotel. Mas chegamos um dia antes, e a corretora nos sugeriu que, nesse um-dia, ao invés de ficarmos num hotel, ficássemos na casa de uma senhora que morava no Upper East Side sozinha e que alugava dois quartos para turistas. Bem mais barato. Olha. É péssimo ficar na casa dos outros, mas como seria um dia só, aliás, uma noitinha só, topamos. E lá fomos nós de mala, filhos e cuia para a casa da mulher.
Gente, se arrependimento matasse. Percebemos a roubada na hora que tocamos a campainha e a porta se abriu. A mulher parecia uma bruxa, andava de camisola e era mega super hiper muito demais supremamente mal humorada. Não é que ela parecia uma bruxa. Ela era uma bruxa. Óbvio.
O apartamento era moderno, mas a decoração, entulhada, fazia o ambiente parecer um... castelo mal assombrado. Nenhum parede era branca, todas eram de cores de bruxarias, como roxo, lilás, verde musgo, cinza. Brrr. A quantidade de móveis e estantes com coisas estranhas em cima era inacreditável. Nos sofás, milhares de paninhos, toalhinhas, almofadas e porta almofadas, todas de veludo de roupa de feiticeira. Um tapete não bastava, ela colocava diversos, um sobre o outro, todos muito velhos e escuros. Nas janelas, quatro cortinas pesadonas, no mínino. Isso fora os armários com vidro com coisas assustadoras dentro. Bonequinhas, bichinhos, fotos estranhas. Olhem essa boneca de terror que ficava no meu quarto, e que passou a noite toda olhando pra mim. Meu Deus. Na sala, caixas e caixas de contas e missangas, além de um estranho carrossel de bichos e doze abajures de vitral, que não iluminavam nada. E os livros de magia negra e assassinatos? Um monte. Tv? Nem pensar. Silêncio e o barulho do vento do trigésimo andar, uuúuuuú. Além disso, a mulher não falava, não fazia barulho ao andar (acho que ela voava feito fantasma), não fazia questão nenhuma de ser simpática conosco e só dava ordens: trancar a porta assim-assado, tirar os sapatos na porta e passar álcool gel nas mãos. Ela passava o dia trancada num misterioso quarto no fundo do corredor. Os meninos, claro, passaram a tirar sarro da situação esdrúxula para um dia de... férias. E daquela casa cheia de tralhas e cacarecos. E inventaram na hora um apelido para a mulher de penhoar, cabelo desgrenhado e pele ruim: "a véia cacareco". Era véia cacareco pra cá, véia cacareco pra lá. Um tipo de vingança, claro. E olha, eles repetem tanto uma piada, mas tanto, que eu e o Zé óbviamente esquecemos o nome da mulher e passamos a chamá-la de... véia cacareco também. Putis. Meio na frente dela, afinal, julgamos que ela não falava português. Rindo, resolvemos que íamos deixar um cacareco para ela. Achei um chaveiro cafoninha na minha bolsa e pendurei num canto do quarto. Hehehe, vai ficar aqui um cacareco, falei, brincando. Mas no dia seguinte os meninos vieram contar que acharam uns produtos no banheiro com rótulos em português.
- E dai, gente? - perguntei.
- Mãe! Olha! Tá escrito aqui "amtisséptico bucal"! Uma pessoa que sabe o que é um antisséptico bucal óbvio que sabe falar português. E nós falamos mal dela e rimos dela super alto aqui no antro dos cacarecos! Ela vai fazer magia negra com a gente!
Olha, pelo sim pelo não, na hora de ir embora o Zé me fez voltar e verificar mil vezes em todos os cantinhos pra ver se não tínhamos esquecido nada. Concordei com ele. Imagina se ela usa uma roupa nossa pra fazer magia negra? Céus. Melhor não facilitar com bruxas.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

happy new year and york!


E feliz 2010 pra todos!

super verdade




Tá, é meio caipira mesmo, mas nunca tinha ido num lugar tão frio na vida. Olha como é verdade no conversor do meu celular. Nunca imaginei que a cidade de Scranton fosse tão fria, que decepção. Na verdade, esse negócio de eu não falar inglês direito que me faz assistir só o weather channel e os canais de desenho tem me deixado em outra dimensão. Só penso em previsão do tempo. Pra quem quiser saber, hoje nevou duas vezes.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

franka e michael scott



Era uma das opções no meio do caminho e eu não quis perder a chance. Afinal, pra que serve a vida se não forem essas bobagens? Adoro o seriado do "the office" e a cidade de Scranton estava bem no meio do caminho de hoje. E sei lá como e porque, mas todo mundo se animou e estamos todos na cidade do Michael Scott. Escolhemos um hotel pela internet, quando chegamos era um hotel histórico, chamado Radisson Lackawanna, que funciona num antiga estação de trem. Coisa mais maluca, o hall do hotel é o da estação e tem bancos de trem velhos por todos andares.


A cidade é a mesma do seriado.Dãããr pra mim. Jantamos no Farley's, que é aqui ao lado, no donwtown, e que, segundo meus filhos que olharam na internet, foi uma das locações do The Office. Deve ter sido, um dos pratos se chama Michael Scott. Engraçadíssimo estar aqui. Na hora de escolher um restaurante, escolhi um de sopas no site do seriado, e os meninos explicaram que era o local do sopão dos mendigos. O único problema são os menos 7 graus lá de fora. Nunca fiquei num lugar tão gelado na vida. Não consegui sequer tirar fotos a noite, minha mão congelou. Acho que eu devia era dar minha peça pra o Michael.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

falling franka


(hahaha, reparem na quantidade de gente que está na varandinha da casa, é um dos grupos de visita guiada que a gente é o-bri-ga-d0 a fazer, um saco)



Eu não sei o que é uma nevasca. Aliás, não entendo patavina de neve. E hoje acordei, olhei pela janela e tudo estava branco. Caiam floquinhos do céu. Já vi neve, mas não entendo de... quantidade. Os floquinhos caiam de lado, de cima e de baixo, e nosso carro alugado... sumiu. Como aquilo era estranho, anunciei a todos:
- Gente, atenção, estamos no meio de uma nevasca e é melhor não sairmos do hotel.
O Zé riu de mim. Segundo ele, aquilo era uma neve levinha, um tipo garoa. Hã? Menos 4 graus e ele chama de garoa? Moro num pais tropical abençoado por Deus que tou fazendo aqui? Explicando: estamos numa cidadezinha no meio da Pensilvânia chamada Uniontown e aqui, agora, oito da noite, está nevando muito, mas ainda todos dizem que não é nevasca. Caraca, o que será então? Escolhemos essa cidade pra dormir porque o Zé e eu queríamos conhecer a casa da cascata, a Fallingwater, do Frank Loyd Wright. A casa fica num local afastado dessa cidade, num lugar chamado Bear Run, e as opções de estadia ali ao lado são poucas, por isso resolvemos ficar aqui. Não sei porque fomos inventar esse treco de casa da cascata. Aqui nesse país fica todo mundo ligado no weather channel, nesse canal só tem tragédia e eu fico apavorada. Achei que íamos ser soterrados pela nevasca e até aparecer na TV: "família de turistas brasileiros resgatada depois de três dias no meio da nevasca na Pensilvânia". Implorei pra gente não ir, mas o Zé e os meninos nem me deram bola. Pra chegar na famosa casa foi uma aventura numa pequena estradinha no meio do nada, eu reclamando sem parar. Mas de repente a casa estava lá, com café, lojinha de souvenirs, como se nada tivesse acontecido. Não vou mais assistir esse Weather Channel à noite. O problema é que esse e o canal de desenhos são os únicos canais que eu entendo. Bem, e a casa da cascata é um deslumbre, emocionei, afinal estudei muito essa casa, e acreditem: mesmo a menos de 5 graus, a água da cascata não está nada congelada.

domingo, 27 de dezembro de 2009

nenhum crânio pro Obama, azar dele


E quase consegui! Um das metas da minha viagem era conhecer a Casa Branca. E ufa, consegui!Nossa, que inacreditável. E aqui vemos Casa Branca numa foto da Franka, juro, meio de longe, muito num dia de tempo horrível, debaixo de chuva, mas as coisas fáceis não são tão legais como as absurdas e difíceis. Minha intenção era achar a caixa de correio da Casa Branca para colocar a minha peça "o crânio" para o Obama ler, com um bilhetinho "hello Obama, I'm Franka, a brasilian blogueira*, this is my play and I want your opinion". Mas gente, acredita que a casa Branca não tem caixa de correio? Frustrei total. Dai tive a idéia de jogar a peça por cima do muro, mas os meus filhos avisaram que era melhor não fazer isso, pois os seguranças provavelmente me prenderiam achando que era uma bomba, o que estragaria toda a viagem. Tudo bem, deixa estar jacaré. Deixa eu ficar famosa que ele vai implorar pra ler meu crânio.
* Como se escreve "blogueira" em inglês?

franka's white christmas 3


E já que quem tá na chuva se molha e na neve se congela, e como todos as pessoas em NY vão na noite de natal pra o tal de Rockfeller Center, a nossa família, turista e cafona como nunca, resolveu ir pra aquele lugar lotado pra tirar umas setecentas fotos da gente mesmo em frente a uma árvore gigante (com estrela de cristais de verdade, dizem) e ver um monte de gente patinando e caindo. Como todo mundo falava "óóó" quando via a árvorona, a gente também se empolgou por um tempo. Uma hora encheu. Na tentativa de sair dali, encontramos um prédio que acendia e... cantava sozinho. Os meninos não resistiram e começaram a dançar, e os turistas, ao invés de filmar o prédio cantarolando, passaram a filmar... os meus filhos. Eles reclamaram um pouco porque não tinham espaço para fazer uma dança comtemporânea mais caprichada, mas valeu. E eu levei a maior bronca porque coloquei o dedo na frente da câmera na hora da filmagem. Não tou acostumada a usar luva, fazer o quê.

sábado, 26 de dezembro de 2009

franka's white christmas 2



- Vamos, mãe, vamos lá, você não vai acreditar. Parece um pesadelo, o lugar mais neurótico do mundo.
Verdade. Times Square é o lugar mais histérico do mundo. Não dá pra ficar muito tempo lá. É como se o Kassab resolvesse que é proibido colocar propaganda em São Paulo inteira, mas num pedacinho, por exemplo, na rua Augusta entre a Paulista e a Santos, é totalmente liberado. Dai as pessoas piram completamente e entopem cada milímetro do lugar com milhões de propagandas que piscam acendem mudam de cor, andam, correm, falam, sei lá, e, de tanta propaganda, ninguém vê nada que tem no lugar. Hahaha. Um inferno em terra, resumindo. Além disso, tem uma coisa muito esquisita nessa coisa do consumo desenfreado. Nada é nada que é mesmo, tudo vira uma marca que vira camiseta, brinquedo, guarda chuva, baralho, sei lá. Por exemplo, M&M. M&M é um confeito, certo? Umas balinhas coloridas de chocolate ou amendoim, cento? Uma bobagem qualquer de comer que não faz bem pra saúde inclusive, certo? Que nada. Virou uma mega master blaster loja que vende roupa, moletom, camiseta, guarda chuva, almofada, mil brinquedos, copinhos, tudo com aqueles bonequinhos gordinhos estilo Tico e Teco sorrindo, a loja mais lotada de Times Square. E no caixa, num cantinho bem escondidinho, a loja vende uns pequeninos... confeitos M&M. É. O mundo do consumo é realmente muito esquisito.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

franka´s white christmas 1



Bem, depois de um monte de confusões (deixo sempre tudo pra última hora), aqui estou eu e minha família no nosso famoso white christmas, no meio da maior neve (que idéia!) e parecendo uns bolo-fofos de tantos casacos. A viagem foi meio um suplício, só que agora não sei como vou fazer para voltar. “Meio” um suplício não, foi um suplício total e supremo, como dizem os meninos. Só de pensar no inferno que vai ser a volta, tenho arrepios. Bem. Tem sempre uma solução que me deixa aliviada, que é a idéia de não fazer a viagem de volta e ficar aqui para sempre. Não consegui dormir, não pude fumar por mil horas, estava com uma roupa apertada, o remédio pra dormir não adiantou nada e o banco do avião não descia porque agora as companhias aéreas inventaram de colocar umas mini-televisõeszinhas na cadeira da frente (a minha obviamente não funcionava) e se o banco da pessoa da frente descer muito, a pessoa de trás não a TV. O que é mais importante hoje? Ver TV computadorizadazinha ou dormir? É absurdo, mas a TVzinha touchcreen é mais importante. Que burrice que às vezes que é a humanidade. E gente, eu enjôo em avião. Chega, não vou mais falar nisso. Fiquei sem rir por quase 24 horas. O esquisito é que ninguém da família achou nada ruim. Nadica. Só eu. E juro, não estou na TPM.
Tinha esquecido como é engraçado viajar com o Zé e com os filhos. Tinha esquecido também como sou ruim pra falar inglês. As maiores piadas da viagem até o momento acontecem logo depois que eu falo uma frase em inglês pra alguém.
- Como que é mãe?
- Eu disse pra ele que é “too fast”.
- Hã? É o que, mãe?
- Too fast. Ou seja, muito longe. Não é isso? Errei de novo?
Um olhou pra o outro.
-Ixi. A mamãe tá muito "fast" de falar inglês direito...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

franka minie?



Todo mundo gosta, mas eu não. Agora estão na moda esses carrinhos pequenos e gordinhos, meio retrôs, com cara de carro antigo. Pra mim é tudo carro de Mickey. Lembra do carro do Mickey, do carro do Donald, do carro da Margarida, da Clarabela? Tudo igual ao Mini Cooper, ao Cinquecento, ao Smart e ao Crysler Cruiser. Outro dia o Zé inventou que eu tinha que ter um desses, fiquei implorando para ele não inventar moda. Imagina eu dentro de um trequinho desse que vergonha que vai me dar. Franka Minie? Nananinanão.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ensaio sobre a sopeira



Usamos um pote de sorvete vazio, desses de 2 l, para encher o recipiente de água da Sopa, que fica no quintal. A Sopa é minha nova cachorra-destruidora-bebê. E é muito atrapalhada, a Sopa.
Um dia desses esse pote, que fica em cima do tanque, caiu no chão. E claro, a Sopa resolveu pegar o pote para mastigar e destruir. Não deu tempo de tirar da frente dela, ela sempre avança nas coisas que ficam no chão e sai correndo com a coisa na boca pra bem longe. Só que ela mordeu na borda menor do pote, e a cabeça dela entrou literalmente dentro do pote. Ela não entendeu nada. De repente o mundo todo ficou totalmente branco, e ela começou a correr sem rumo, batendo sua cabeça de pote nas paredes e tropeçando sem parar. Olhava de cá pra lá com aquela cabeça de pote de sorvete, desesperada. Cadê todo mundo? Cadê o quintal? Cadê meus donos? Tadinha. Acho que ela nunca esperava por aquilo. Imagine você morder uma coisa pra brincar e de repente tudo ao seu redor sumir e ficar branco feito neve. Subitamente cega. Como no filme do Meirelles do livro do Saramago. Engraçado.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

franka aperta livro



Estávamos nós, uns blogueiros perdidos em Pinheiros na segunda feira passada, quando a Anna veio mostrar a revista Brasileiros desse mês com duas novidades: uma matéria do Márcio e uma resenha do Jayme. Todo mundo queria ler, e ela abriu as páginas e apertou bem apertado no meio da revista pra ela abrir bem.
- Ai, que feio! - a Anna disse subitamente, desapertando a revista e arrumando - esqueci não pode fazer isso que estraga a revista.
- Que, Anna?
- Não pode apertar a revista assim no meio que estraga. Lembrei agora. Tenho mania de fazer isso.
E dali em diante começou a maior conversa sobre... apertar revista. A Anna mostrou a lombadinha da Brasileiros, explicando que era ali que estragava. O Pecus falou que livro então era muito pior. Que livro você tem que ler sem abrir quase nada, que ele aprendeu. Eu fiquei ouvindo aquilo super calada. E resolvi confessar que eu aperto revista, abro as páginas de livro passando a unha e pior, dobro para trás a parte já lida. Detesto pocketbook, aqueles livros pequenos e grossinhos que depois da página 50 é impossível virar as páginas lidas pra trás pra ele virar um monobloco. Mais que isso, também dobro orelhas das partes mais legais dos livros e revistas (embora não me lembre nunca do que era legal na tal página depois). Nunca pensei que fosse proibido. Que estragasse. Aliás, quando acabo de ler um livro, eu olho orgulhosa pra o frangalho que ele fica. Na Frankolândia apertamos livros, na Gasparlândia, claro que não. É dona Franka, de novo o mundo se divide em duas partes.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

pisc pisc pisc pisc pisc



De novo esse lance de natal. Achei que quando proibiram os outdoors em São Paulo, iam proibir também as luzinhas de natal. Mas não. Parece que elas são permitidas. Tem gente que fala que é bonito ver a cidade toda enfeitada, eu acho péssimo. Mais de 90% das luzinhas da cidade são toscas, super mal colocadas e estragam os imóveis. Outro dia disse isso para o Zé, e ele discordou.
- Olha aquelas que legais.
- Zé, mas olha aquelas, aquelas e aquelas, que horríveis!
- Péssimas, tem razão. Vamos contar quantas são feias e quantas legais.
As legais perderam feio. Outro dia quase bati o carro na praça Panamericana, pois assustei que colocaram umas luzes strobo azuis nas árvores. Ficou um pesadelo aquilo. As pessoas quando vão colocar luzinha usam uns critérios super estranhos. Tem o lance de enrolar o tronco das árvores e transformá-las em monstros, que já encheu. Tem aqueles que fazem o contorno da casa. Tem outros que tentam fazer guirlandas. E aqueles que fazem chuvinha caindo nas varandas e janelas. Nenhum dá certo, repara. Não gosto, acho feio, a cidade a noite parece toda rabiscada. Falando em rabiscados, outro dia alguem falava sobre a Fernanda Young na Playboy, e meu cunhado Caio comentou que achava horrível a Fernanda Young.
- Horrível ela na Playboy?
- Não, horrível ela. Uma mulher toda rabiscada, éca, toda cheia de desenhinhos aqui e ali, parece uma carteira escolar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

é, franka, pensou que era sopa?



- E ai, como tá sua cachorra, a Sopa? - perguntou minha irmã.
- Não pára quieta, Ângela. Fica pulando e mordendo sem parar, as pessoas não aguentam ficar muito com ela, e acho que ela não entende o recado.
- Difícil ser cão, hermana. Tá assistindo o César Millan, o encantador de cães, na TV?
- Assisti todos que consegui. Uso todos os truques dele, mas ela não me obedece. Acho que não sou a líder da casa. Minhas calças e sapatos já estão em frangalhos, e eu estou toda cheia de mordidas nos braços, mãos, pernas.
- Ela tem medo de alguma coisa? Barulho, bola, aspirador de pó?
- Hum. Ela tem medo de caixa.
- Caixa? Como assim?
- Ela tem medo de caixa de papelão, dessas grandes. Quanto maior, mais medo ela tem. É a única coisa que ela foge. De caixa.
- Ótimo, já é alguma coisa, Lú. Encha sua casa de caixas, ué. Caixas por todos ambientes. Caixas na sala, na cozinha, no hall. Caixas aonde você não quer que ela pule e morda você e as pessoas.
- E a gente, as pessoas que visitam, ficam todas no meio das caixas? Não vai ficar meio entulhada a minha casa?
- É temporário, pensa, Lú. Depois ela aprende. Ou então... hummm, tive uma idéia! O melhor seria encontrar caixas de geladeira, aquelas enormes, aquelas que cabe uma pessoa dentro. Nossa, difícil encontrar caixa de geladeira... as pessoas não compram muitas geladeiras... já sei, coloque um anúncio "aceito caixa de geladeira"e dai...
- Peraí. Pra que caixa de geladeira, Ângela?
- Para as pessoas vestirem, Lúcia!
- Vestirem? Entrarem dentro?
- É. Resolvido o problema da Sopa. E coloque um aviso na sua porta "se a Sopa te encher, entre na caixa de geladeira".

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

correndo de pernas curtas



Esse amigo arrumou um emprego num empresa grande e tinha um chefe que gostava muito de esportes. Logo no início, o chefe quis saber se ele fazia alguma coisa.
- Eu corro no clube, ele disse.
- Ótimo, disse o chefe, temos um time de corredores aqui na empresa, vamos em maratonas e corridas. Vou apresentar você ao time.
Chefe é chefe, ele pensou, melhor não contrariar. Ele não é um super corredor, mas topou entrar no time da empresa, e logo em seguida foi avisado que teria que correr a São Silveste. Achou chato, não era exatamente aquilo que ele queria fazer no reveillon, mas o emprego era tão bom e o chefe tão animado que concordou. Que remédio. Ganhou o kit da corrida da empresa, com camiseta com propaganda e tudo. O "time" combinou de largar junto, como uma equipe.
Lá foi ele no meio do bando, todo uniformizado. Correu, correu, correu e uma hora não aguentou mais. Não que não estivesse treinado, apenas não estava muito a fim de correr tanto. Uma certa hora houve uma dispersão e ele olhou pra cá, para lá e não viu ninguém da empresa, nem o chefe. Escapuliu pra uma ruazinha e pegou o primeiro táxi que encontrou e pediu para ir para os Jardins.
- Meu senhor, não dá pra passar a Paulista por causa da corrida.
- Então me deixa do lado de cá que vou o resto a pé, ele pediu.
Desceu na Brigadeiro e foi andando pela calçada, ao lado da corrida. Foi quando ouviu vozes chamando.
- Rapaz! Ô rapaz!
Era uma turma enorme de corredores da terceira idade, que começaram a animá-lo. Uns senhorzinhos super simpáticos.
- Rapaz, que qué isso? Você, tão moço e já desistiu? Vamos, corra com a gente! Temos o dobro da sua idade e estamos firmes! Falta muito pouco! Venha!
Ora, ele pensou, já descansei mesmo, acho que vou entrar na corrida de novo. Olhou pra cá, pra lá, não viu ninguém da empresa e pulou a corda de volta pra corrida. Entrou na Paulista com sua nova turma e pimba, passou a reta de chegada. Foi super aplaudido pelos senhorzinhos.
Tudo normal, ganhou medalha e foi pra casa. Porém quando encontrou o chefe e os colegas no trabalho no início do ano, não teve coragem de contar que... pegou um táxi. Ia pegar mal, o patrão ia ficar uma fera, e ele achou melhor não falar nada. Pensou que aquilo não teria consequência nenhuma. Bom. Tudo correu bem até que saiu a classificação, e ele (óbviamente por causa do táxi), tirou a melhor classificação da empresa. Fez um tempo maravilhoso, incrível, nossa, que preparo físico! Todos vieram elogiá-lo, e ele cada vez mais sem graça. Parabéns, parabéns!
Isso ele me contou esse ano, quando trocou de emprego, e o boato da sua sensacional classificação chegou na empresa nova. Agora foi convidado para correr novamente a São Silvestre, mas pela empresa que está. Ficou desesperado com o sucesso. Correr de novo? E agora?
- E agora, Lúcia, o que eu faço? Você pode me buscar no meio do caminho e me deixar na Brigadeiro de novo?

que legal

Ele me chamou, o Chico. Depois de três anos de faculdade, o Chico meu filho me chamou para visitar o lugar e me apresentar a faculdade dele. Sempre respeitei esse tempo que as pessoas (digamos, os filhos) precisam ter pra não ter vergonha da gente. Uma mãe na faculdade do filho, do lado dele toda-toda, falando "ai que lindo ai que legal filhão" deve ser mesmo um uó. Mas acho que ou eu ou ele passamos dessa fase. Fui convidada oficialmente para visitar a Faculdade de Direito São Francisco do Francisco, com direito a tour com ele, apresentação aos amigos e almoço no japonês depois. Coloquei uma roupa bem jovem e tentei ser super moderna. Não falei um "ai que lindo ai que legal filhão", juro. Sei lá ó se deu certo. Só não podia tirar foto, esse o pedido do menino. Não tirei, juro, olhai. Uau, mas que emoção que foi. Tou felizinha. As arcadas e o Chico. Enfim entendi tudo.