sexta-feira, 16 de maio de 2008

leilão de mulheres


Quando eu e a Ângela éramos pequenas, minha mãe nos mandava nas férias para o acampamento dos Pumas, em Campos de Jordão. Eu gostava de lá, apesar de achar esquisito ir para aquele lugar onde as pessoas faziam tantos esportes e tantas atividades. Porque eu não fazia, na minha vida normal de criança, tantos esportes e atividades. Porque na minha vida normal de criança, nas férias, eu não fazia nada além de brincar.
Chegávamos lá e recebíamos aquela "grade" imensa de programações. Aulas, campeonatos, festas, regras. Não sei quem inventou, desde aquela época, que nas férias você, criança, precisa de a-ti-vi-da-de. Brincar não basta?
Mas tudo para contar uma coisa que a Ângela lembrou outro dia. Nesse acampamento haviam diversas festas temáticas, e uma delas era uma festa romana. Acho que era romana, não me lembro bem, podia também ser grega. Não importa. Era à noite, depois do jantar, e tínhamos que ir todos vestidos com lençóis. Biquíni, maiô ou short em baixo e lençol em cima. E nessa festa existia uma coisa horrível, gente, acreditem: um leilão de mulheres. Por "lote". Juro. Verdade verdadeira mesmo. Funcionava do seguinte modo: todos os dias depois do jantar os acampantes, meninos e meninas, ganhavam doces. Você podia escolher entre um punhado de balas, dois bom-bons ou um barra de diamante negro, e esse era o dinheiro que era usado no leilão de mulheres - os doces.
Os meninos, desde que chegavam, eram avisados que deveriam "poupar" os doces para o dia do leilão de mulheres, que era quase no final das férias. Alguns deles, interessados em alguma menina, não comiam nada para poder comprá-las, já outros se juntavam para "comprar" mulheres juntos. "Comprar" significava ter a menina (com o "lote" junto) como sua "escrava" durante a festa toda - porém o máximo que as meninas podiam fazer (o pior é que a gente fazia) era dar refrigerante e comida na boca dos meninos. O que, pensando bem, é absolutamente ridículo.
Aliás, gente do céu o que era aquilo.
Claro que os lotes eram escolhidos pelos monitores, que colocavam, prudentemente, as meninas mais lindas junto das mais feias, organizando os desejos infantis para que nenhuma menina se sentisse mal - o que sempre ficava óbvio para todos nós. Quando eles, os monitores, viam que um certo "lote" não "vendia", eles mesmos arrematavam, o que também era o fim da picada. Além de ser uma situação humilhante - imagine meninas pequenas em "lote" em cima de uma mesa, enverganhadas, e um bando de meninos gritando - era uma festa bem idiota, que nunca entendi como era permitida.
Eu, que não era nem bonita nem feia, sempre ia parar nos lotes médios, arrematada pelos meninos médios, e nunca sofri com essa festa como algumas meninas que chegavam ao quarto aos prantos. Já a Ângela, uma jet-set famosa do acampamento, que sempre ganhava o troféu de "Garota Puma", tinha muitos fãs. Um deles era incondicional. Era um menino meio gordinho, que hoje é músico e que tem uma banda super famosa, que era a-pai-xo-na-do por ela e não escondia isso de ninguém. Fazia qualquer negócio para comprar a minha irmã, acho que ia ao acampamento só para isso, mas era guloso enunca tinha doces suficientes. Um certo ano ele tomou uma atitude: juntou tudo que podia (coitado, morreu de fome) e conseguiu.
Comprou a Ângela.
Hahaha.
E ela, a minha irmã, me conta que no mês passado encontrou esse músico famoso sem querer numa festa. Ele veio comprimentá-la e falaram do acampamento. Foi quando ele olhou para ela, piscou e disse bem baixinho:
- Ângela, lembra que eu te comprei um dia?

quinta-feira, 15 de maio de 2008

médico de abacate?


- Que livro é esse, Francisco?
- Um livro sobre abacates. Tudo sobre abacates.
- Você está lendo um livro sobre abacates? - perguntei pra o meu primo quando vi o marcador no meio das páginas.
- Estou.
Acho o máximo perceber os interesses literários dos outros. As esquisitices. Mas ora, se eu adoro livros sobre comportamento de macacos bonobos e já li diversos empolgadíssima, qual o problema do Francisco querer entender os abacates?
Ele passou a me mostrar. O livro era todo ilustrado, com fotos, gráficos e tabelas. Até que surge uma imagem de um bicho. Um inseto enorme, parecido com um besouro.
- Nossa, não cheguei nesse capítulo ainda, olha - ele exclama, animadérrimo - esse deve ser o vilão do abacateiro. O melhor do livro!
- Que bicho horrendo, primo.
- E olha, tem outros bichos... as pragas do abacate. Estou louco para chegar nesse capítulo, deve ser o máximo. O ápice do livro. E veja, acho que vencemos, olha as estatísticas de combate, olha os processos contra as pragas. Homens contra as doenças das frutas.
- Francisco, será que isso é uma profissão? Médico de frutas? Imagino a conversa num congresso de doenças de frutas: "você trabalha com o quê?", e o outro responde: "trabalho com abacates, e você? "Com mangas". Hahaha. Tipo um cardiologista falando com um dermatologista.
- Claro que existem médicos de frutas, Lúcia.
- Bem, mas eles não tem consultório.
- Porque não teriam?
- Abacates não vão à uma consulta!
- Será que não? E se alguém levar? Se você entrar nesse mundo dos abacates, se entrar na literatura do abacate, como eu, e estudar a fundo, tudo é possível.
Hahahahaha. E fechamos o livro e fomos ao teatro, com abacates na cabeça. E seria impossível não postar um abacate aqui depois disso.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

as pessoas que amassam sanduíches


Existem alguns tipos de pessoas que amassam sanduíches. Essas pessoas agem assim: recebem o sanduíche do garçom, olham para o sanduíche com apetite, giram o prato e avaliam como executar o ato. Respiram fundo, aprumam-se na cadeira e posicionam a mão (direita, no caso dos destros) sobre o pão, no início sem encostar. Sem olhar para os lados, iniciam o processo e dão um pequeno apertão em cima, prensando todo o conteúdo entre os dois pães que compõe esse alimento. Geralmente o ato é repetido umas três vezes, a segunda sempre a mais forte e definitiva. Às vezes o quarto apertão é necessário para recompor a pilha, que com a pressão das prensas anteriores, se entorta toda (isso acontece muito quando o sanduíche tem maionese ou outro tipo de molho deslizante). Em seguida essas pessoas olham satisfeitas para o alimento, já mais fino e todo amassado, e só ai o seguram com as duas mãos e iniciam a mastigação e a deglutição.

Eu não amasso sanduíche, mas conheço muita gente que amassa. E também conheço gente que implica com gente que amassa e que diz que isso não é coisa de gente asseada. Porque as pessoas que amassam sanduíche usam a mão do jeito que ela estiver, sem lavar. Quer dizer, nunca vi nenhuma dessas pessoas sair da mesa, lavar a mão e voltar pra amassar o sanduíche. E nunca vi nenhuma delas colocar guardanapinho em cima para a mão (que pode estar suja) não ficar em contato direto com o pão. As pessoas que não amassam sanduíches e que implicam (existem as que não amassam e que não implicam também) dizem que é nojento apertar a mão daquele jeito, suja ou limpa, sobre o pão de cima. Amassar ou não amassar sanduíche também não tem a ver com a idade, classe social, raça, família, turma ou escolaridade. O mais curioso é que as pessoas que amassam sanduíches sequer percebem que amassam sanduíches e que isso pode marcá-las para sempre. E sei lá porque isso aqui tá me parecendo um post do Careca.

terça-feira, 13 de maio de 2008

os oclinhos da franka


Falando em tarjas, lembrei de óculos. Ó. Todo mundo da minha idade começa a usar óculos. É batata, como fala minha mãe. Nunca me passou pela cabeça a idéia de não enxergar direito, por isso levei o maior susto quando o mundo passou a ficar meio embaçado. Outro dia, a gente falando desse assunto e rindo, trouxe para a sala o óculos que tenho do meu avô. Herdo umas coisas estranhas que não sei o que fazer com elas, uma delas é esse óculos. O óculos dele tem muito, mas muito grau, e um dos lados é praticamente uma lupa. O meu amigo Paulo colocou e tiramos essa foto, mas ele não conseguia abrir o olho (nota: para mostrar os óculos na foto, tive que fazer outro estilo de tarja, tarja-bolinha, reparem que legal). Eu comentei que tenho medo de ter que usar um desses um dia. Sabe como é família. Essa coisa da gente "puxar" o familiar. "A Franka enxergava bem, mas puxou o avô e agora usa esses oclões".
Ixi, que mêda.
Por enquanto ainda uso apenas oclinhos. Uns de leitura que mandei fazer. Uso, não. Não uso. Um engenheiro da minha idade, que coincidentemente faz anos junto comigo, outro dia me viu tirar o meu oclinhos da bolsa na reunião.
- Lúcia! Não faça isso!
- Hã?
- Aguente firme, como eu! Force a vista, finja que vê tudo! Tente ficar sem óculos o máximo possível, adie esse momento, senão daqui a dez anos você terá grau oito! Oito!
Tá, totentano. Uso o meu oclinhos só no escuro total, quando eu realmente não vejo nada. Achei que foi uma boa dica, essa dele. Às vezes nem levo na bolsa. Aliás, óculos de gente de quarenta anos é como tuppeware, caneta bic e isqueiro. Sempre tem um por perto pra você usar, quem precisa pega. Outro item solicializado do mundo moderno: os oclinhos de vista cansada.
Outro dia fomos eu, minha irmã e uma amiga a um restaurante. Sentamos na penumbra agradável do local e o garçon veio com os cardápios. As três quase da mesma idade e sem óculos. Se achando lindas e mocinhas. Foi uma cena hilária, que um dia vou falar para a Patricia G. encenar. Os restaurantes de hoje em dia tem mania de fazer uns cardapiões. Porque eles tem que ser tão grandes nunca entendi, uma vez que as letras são mínimas. Bem, cada uma de nós pegou aquela tábua de 50 centímetros e colocou na frente. Silêncio. E como ninguém conseguia ler nada, nós três, ao mesmo tempo, recuamos as cabeças para trás e colocamos os cardapiões para frente, esticando os braços. Pááá. Trombamos, claro. E mesmo assim não vimos nada. Foi aquela abrição de bolsa pra tirar oclinhos.
Quer reconhecer na penumbra de um restaurante uma turma de quarentonas?
Repara nessa hora do cardápio.
Zummm. Pááá.

olha como a moda pega


Tarja é tudo. Esconde os pés de galinha e as olheiras. Ai ó. Não é que eu quero me gambá. Mas todo mundo agora imita as minhas tarjas. Eu juro que eu usava tarja antes do cara que fez esse cartaz usar a tarja. Eu sou uma pessoa super otimista. E acredito no acaso. E depois de achar essa imagem logo de manhã, eu tenho certeza que eu vou ter alguma relação com o Festival de Cannes. Óbvio. As coincidências existem justamente para a gente acreditar nelas. Frankannes logo, logo. Tem que colocar crédito, né? Então lá vai.
Cinema poster artist Pierre Collier has created the poster and visual identity for the 61st Festival de Cannes, inspired by a photograph by David Lynch. The festival will run May 14th through 25th.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

grape´s sisters


De novo a nossa prima, aquela prima bonita que contei no post anterior, aquela que eu e a Ângela imitávamos quando éramos meninas. Bom, desde que somos pequenas que ela usa um termo pra falar as coisas. Volta e meia vem e fala assim pra gente: "ai, que uva!". Tudo que é legal, bacana, bonito, simpático, bem feito, gostoso ou interessante, essa prima vem e exclama: "ai, que uva!". Tudo é uva. "Lú, que uva!; Ân, que uva!".
- Lúcia, a nossa prima me ligou ontem. Vai passar aqui sua casa depois do almoço do dia das mães para me dar uma coisa.
- Tudo bem. Legal.
- Ela falou que adorou encontrar a gente naquele outro dia - e ela passou a imitar a prima - "Ân, você e a Lú são umas uvas, adorei passar o sábado com vocês, umas uvas mesmo vocês duas".
- Ângela, a gente ainda é uva?
- Lúcia, sim, a gente ainda é uva.
- Bom. Daqui a pouco seremos tudo uva passa. Tanto tempo que a gente é uva pra essa nossa prima, né? Mas a vantagem de ser uva é essa. Uva passa também é um delícia, pensa bem.
- Ei. Eu não quero ser uva passa não, ô Lúcia. Tá louca?
- É o destino de toda uva, Ângela. O destino!
- É nada, Lúcia. Tá, hoje ainda sou uva. Uma uva madura. Mas no futuro nada de uva passa. Eu, hein? Uva passa nada, eu vou é ser vinho.
- Vinho?
- Claro!
- Hahaha, Ângela. Tem razão. Eu também. E eu vou fazer um post de uva pra gente. Um cacho de Lúcias e Ângelas, uva Lúcia, uva Ângela, uva Lúcia, uva Ângela, uva Lúcia... vou aproveitar que a gente ainda não é uva passa e nem vinho.
- É bobeira, mas faz, Lú.
Ai ó. Irmãs uvas.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

o abesedário do caio


O Caio, meu cunhado, marido da Ânjela, além de inventar a Nova-Franca, inventou um novo modo de escrever. Uma nova ortografia, ce, se pegar, vai fasilitar muito a vida da jente. Não cei ce vosês estão percebendo a diferensa dese modo de escrever do modo normal. São diferensas no modo de entender as sílabas, e cuando se pega o jeito, fica fasílimo. Além diso, nesa nova ortografia, algumas letras são eliminadas, pois são inúteis. O "q" é uma letra inútil, uma vez que eziste o "c" e podemos uzar o "c" pra falar "ca-ce-ci-co-cu" com som de "q". Pra falar o "s", se uza o "s" mesmo: "sa-se-si-so-su", e pra falar o "z", "za-ze-zi-zo-zu". Cuanto ao "g" e o "j", a mesma coisa. Cada um com seu som. E nada de "ch", pois temoz o "x". Aliáz, pra que "h", se "h" não tem som de nada? Eu axo ce ese novo abesedário, se pegar, será um suseso. No comeso é um pouco difísil de escrever, mas cuando se pega a prática se percebe ce estamos bobeando ao uzar ese monte de letraz pra falar a mesma coiza ce se fala sem elaz. Algumaz palavraz ficam estranhaz, como brimcedo, aumoso ou ceijo. Axo que esa é daz piorez palavraz: ceijo. Eu dise a ele ce poderíamos também eliminar o "lh" e uzar o "li", maz ainda não concluímoz se isso é nesesário. Se a moda pega, o meu nome será "Lúsia Carvalio".
Imajinem ese diálogozinho bázico:
- O ce vose cér fazer oje?
- Cero ir ao sinema.
Não é demaiz falar asim? O Caio é um jênio. Axo ce de agora em diante só vou escrever poste asim.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

escova assassina




A minha amiga Patrícia tinha uma reunião de manhã cedinho. Uma reunião daquelas importantes, onde ela poderia pegar um putis trabalho legal. Foi dormir cedo, acordou cedo, banhão, roupa escolhida, ela resolve arrumar o cabelo e fazer uma maquiagenzinha. Imagem boa nessas horas conta muito.
A Patrícia diz que tem cabelo crespo. Ela sempre fala assim: sou uma pessoa crespa. Não acho o cabelo dela tããão crespo assim, mas cada um se vê dum jeito e não vou discutir. Segundo ela mesma, chapinha não funciona. A única solução é fazer escova, ela tinha comprado uma escova bárbara, daquelas que rodam sozinhas e que resolvem o problema do cabelo crespo rapidinho.
Depois do banho, parou na frente do espelho e foi à luta. Ligou a escova na tomada e fúúú, zuiiim, fúúú, zuiiim, escovando, escovando, escovando e arrumando o cabelo aos poucos. Quando estava na parte da frente, em cima da testa (para fazer escova ou chapinha nos cabelos é preciso separar o cabelo em partes, é um processo bastante complicado, parecido com uma cirurgia), aconteceu uma coisa péssima. Sabe-se lá o que ela aprontou com a posição da escova que os cabelos, ao invés de se alisarem, embaralharam na escova, embolando por todos os lados. Todos os lados mesmo. E a escova elétrica ficou presa na cabeça dela. Se ela ligasse de novo era pior. Ela tinha que tirar a escova dali e começar de novo.
Tirar?
O nó era imenso. Ela tentou, tentou e tentou desenganchar aquilo, mas descobriu que não dava meeesmo. Ó. Eu sei como é escova normal que engancha porque já enganchei, imagine uma escova elétrica, com aquela potência. Depois de muitos minutos tentando mexer a escova de lugar (sem sucesso algum), ela começou a se desesperar. A escova estava rente ao couro cabeludo, era preciso tirar fio por fio.
Fios crespos.
Começou a suar frio. A cada tentativa o troço enganchava mais e mais. Olhou no relógio. Hora de estar pronta, de sair de casa, putis, a reunião. Como ia fazer? Teve a súbita idéia de cortar o cabelo, mas teria que ficar careca ali na frente. Careca! Não. Não dava tempo nem de pedir ajuda para uma cabelereira. E tinha a reunião. Ela se olhava no espelho, desesperada.
Eu, que sou mulher, que faço escova e chapinha (não sou crespa, posso usar chapinha também), sei o que são certos desesperos femininos nessas horas. Um dia inventei de me maquiar na última hora (eu ainda não sei fazer isso), fiz uma burrada horrível nos olhos, fui tirar e aquela tinta preta se espalhou pelo meu rosto todo. No desespero lavei com sabão, shampoo, creme, fiquei toda inchada (e cinza) e tive que sair assim. A Patrícia parou e pensou bem. Ela é bem ponderada. Ou a reunião ou aquele problema. Era uma questão de pri-o-ri-da-de. A reunião, claro. Ela tinha que ser profissional, seja lá o que isso significasse. Pegou o telefone e ligou para o cara da reunião.
"Olá, bom dia. Aqui é a Patrícia. Temos uma reunião daqui a pouco e estou indo para ai. Não vou atrasar nada, mas estou com um problema e espero que você entenda". Ela respirou fundo e continuou, falando super sério, "é que hoje pela manhã eu fui fazer uma escova no cabelo e a escova enganchou no alto da minha cabeça. Não dá tempo de tirar, portanto aviso eu vou à reunião com a escova grudada em mim, tudo bem?".
Se arrumou toda, arrumou o resto dos cabelos, tirou a escova da tomada e foi daquele modo, com a escova grudada, como se fosse um enfeite. Dirigiu até lá, se identificou na portaria do prédio, pegou o elevador, esperou na sala de espera e fez a reunião... com a escova enganchada. Ninguém riu, pelo menos na frente dela (imagine no final da reunião). Conseguiu o trabalho, fez o caminho de volta e passou o resto da manhã tirando fio por fio, salvando seus cabelos (crespos) daquela máquina assassina. Hahaha.
Acho que é por isso que a Patrícia disse que quando morrer quer virar "salão de beleza". "Salão de beleza Patrícia". Eu já falei dela nesse post anterior. Claro. Depois dessa.
Ah, e ela é atriz. Super atriz. Bem que podia encenar isso, né?

quarta-feira, 7 de maio de 2008

a mulher do email errado


Aconteceu com um amigo meu. Ele resolveu dar uma festa de aniversário na casa dele, uma festa pequena, íntima, e mandou um email-convite para diversos amigos. Algumas pessoas responderam por email mesmo, outras telefonaram confirmando que iriam. No meio das respostas, ele vê um email de uma moça que ele não tinha convidado. Estranhou, que era aquilo? Resolveu voltar no email-convite que mandou e checar.
Ixi.
Descobriu que fez uma burrada. Ele se confundiu e convidou uma pessoa que não tinha nada a ver pra festa dele. Sabe quando o computador, sozinho, por livre e espontânea vontade, resolve acabar de escrever um nome? Por exemplo, sabe quando você coloca um "R" e o outlook escreve "Roberto", você coloca um "M", e o outlook escreve "Marcela", mas na verdade você quer mandar um email para um Ricardo e para uma Márcia? A gente tem que tomar muito cuidado com essas gentilezas dos computadores. E foi por causa dessa gentileza que aconteceu isso com o meu amigo: ao invés de convidar a amiga que ele queria, ele convidou uma pessoa que não queria. Ele explicou melhor.
- Não é que não queria convidar essa moça, Lúcia. É que ela é de outra turma, uma pessoa distante de mim, coisa de trabalho, nada a ver com minha festa.
A mulher do email errado respondeu felicíssima com o convite, dizendo que claro, que ela iria na festa dele, nossa, que bacana que ele a convidou.
Bem, ele conta que ela foi mesmo. Chegou com uma roupa toda colorida, toda maquiada e produzida, e, claro, não conhecia ninguém. No começo ele ficou preocupado com aquela intrusa ali, no meio dos amigos de verdade dele, e toda vez que olhava para ela lembrava da porcaria do email errado. O erro ali, concretizado.
- Vem cá que vou te mostrar uma coisa - ele disse, me levando para o micro - o pior é que quando eu descarreguei as fotos, só dá ela. Olhaqui, Lúcia.
Era verdade, que engraçado. A mulher do email errado, com a sua roupa espalhafatosa, estava em praticamente todas as fotos. Nossa, olha o estrago que um descuido no computador pode causar.
- E mais. Ela foi a última a ir embora, Lúcia. Disse que adorou.

claro que a gente sabia


"Claro que a gente sabia que era boi e não vaca". "A gente fez de propósito para saber quem iria perceber". "Ficamos monitorando as respostas". "O Guga foi o único inteligente que sacou na hora". "Que pena, ele percebeu, perdeu a graça"."Claro que a gente sabia"
Foram essas as respostas que eu e a Ângela bolamos ontem para disfarçar que erramos feio ontem. Putis fora. Ela me manda a foto de uma vaca, eu posto foto da vaca, eu falo que é vaca, e só de tarde alguém diz que é pra olhar bem, que não é vaca. É boi.
Isso não é post. É explicação. A verdade é que a gente, que mora na cidade, trabalha em computadores e escreve em blogs, a gente não entende nada de vacas e bois. Aliás, a Ângela, quando era uma menininha, viu uma vaca pela primeira vez e achou estranhíssimo aquele animal.
- Olha, é um bicho que tem a mão na barriga.

terça-feira, 6 de maio de 2008

secos e molhados na serra



- E ai, Ângela, como foi o feriado lá no seu sítio em São Francisco Xavier?
- Ótimo. Estou com a pele bárbara. Eu e o Césare, meu amigo, fizemos máscara de lama.
- Fizeram o quê?
- Máscara de lama. Colocamos a lama na pele, uma argila branca ótima, e ficamos parados descansando com ela. Você sabe que eu fiquei fã de fazer máscara pra pele depois que fui na tal esteticista italiana, aquela me fez descer no elevador e pegar o carro no estacionamento de máscara amarela. Faz super bem pra pele esse lance de máscara. A única coisa difícil é falar de biquinho.
- Falar de biquinho?
- É, pra máscara não rachar e cair. Tem que falar assim, de biquinho, sem mexer a boca, e falar pouco. Pra mim e pro Césare é super dificil, você sabe que a gente fala muito. Ah, e assusta as pessoas e crianças. Ah, e animais também. Acho que um cavalo fugiu de perto de gente por causa das nossas máscaras. Foi o que o meu filho falou. Que o cavalo olhou e saiu correndo.
- Um cavalo?
- É, imagina um humano ficar com aquela cara. É meio impressionante de se ver. Ah. E tirei até uma foto de uma vaca que estava igualzinha a gente.
- Uma vaca?
- É, uma vaca. Vaca de máscara. Vou te mandar as fotos pra você embaçar mil vezes, tarjar e colocar no seu blog. Se bem que eu acho que gente de máscara não precisa tarjar.
- Fotos?
- Uma foto minha, uma do Césare e uma da vaca.
- Como que é?
- Lá em São Francisco o lance é fazer máscara, Lúcia. Eu, o Césare, as vacas. Tudo de biquinho, sem falar. Pras vacas é mais fácil, claro.
Hahaha. Minha irmã.



gente, melhor avisar que na foto da vaca não tem fotoshope algum.

(certificado de autenticidade da foto da vaca)

segunda-feira, 5 de maio de 2008

raio é raio

Caiu um raio em frente de casa na semana passada. Eu gritei, pois pareceu que caiu em cima de mim. Os estragos foram super estranhos. Primeiro a campainha pifou de novo. Eu tinha acabado de trocar a campainha e compramos uma daquelas de filminho. Não era assim tão chique, uma vez que o filminho era preto e branco, mas dava pra olhar a cara de quem chegava. Ou ficar olhando a rua, caso você estivesse na cozinha sem fazer nada. O João gosta de falar com as pessoas feito um fantasma, ele estava se divertindo muito com a campainha, mas nem um mês e puft. Pedi pra alguém colocar um bilhetinho na porta de novo "atenção: campainha quebrada". Percebi que as pessoas berravam: "ó de casa". Fui olhar o bilhete, desconfiada, e vi que estava escrito "campainha quebrada: favor gritar". Nossa. Quem fez isso? Coitados dos convidados. Coloquei uma campainha velha pra resolver o problema, agora tenho que arrumar a nova.
Quebrou também o portão da garagem, os carros ficaram para fora. Eles não gritam, azar. O telefone idem. Chamei a telefônica, mas ele ainda está mal, toca duas vezes e desliga. Estourou o modem do speedy e o roteador. Também quebrou o alarme. Não sei nem por onde começar a arrumar esse estrago todo. Raios que partam os raios. Mas ainda tenho coisas que funcionam. Como tenho síndrome de Pollyana desde menina, tento me conformar olhando feliz para a geladeira, para a televisão, para o ventilador, para o meu celular, que estão todos com boa saúde.

parede de rolha, banheiro branco, man cave, mané

Eu recebo uns emails muito engraçados do meu amigo Mané. Vou começar a postar aqui. Hahaha.

"Lúcia,
Vi seu texto (é texto que se diz?) falando do "man cave" e da coleção de tampinhas de garrafa. Não tenho coleção de tampinhas de garrafa, mas tenho... (é verdade, hein !?)... uma coleção de rolhas.
Cambury, reveillon de 2003/04. Lá tem um restaurante que tem uma parede que é um sanduíche de vidros, com um monte de rolhas entre eles. Me encantei com aquilo. Cismei que, um dia, vou ter uma parede (pode ser de um bar) assim na minha casa. Na noite seguinte, reveillon, aquele povo na areia de Cambury para romper o ano, já voltei prá casa com umas 20 ou 30 rolhas.
Começou uma tempestade às duas da manhã. Eu e P. acordamos cedo e fomos correr na praia. Voltei com umas duzentas, que a maré havia trazido de volta da enxurada. Comecei aí. Voltamos à tarde, quando ainda chovia muito, mais umas cem!
Hoje tenho... pasme... mais que 6.600 (ultima contagem em março). Meu man-cave para tal é metade do maleiro do meu armário embutido : 1,50 x 55 x 60 com um vidro servindo de frente, por onde vou abastecendo.
Quando vou ter minha parede sanduíche de rolhas? Breve!
Quando tiver também meu "banheiro branco". Que é isso, Mané?
Explico: por coincidências, nos últimos 30 anos, moro em apartamentos dos anos 70, que vêm com aqueles azulejos horrorosos, "decorados", com muitos marrons, ou azuis & beges. Eu sonho com banheiros brancos, com louça branca. Cozinhas brancas. Dia que tiver um dinheirinho sobrando, chamo o Reinaldo e mando "baixar a picareta". Ano que vem não tem faculdade prá pagar. No que sobrar uma graninha, é azulejo novo até no banheiro de empregada ! Tudo branco!
Um beijo.
Mané"

sexta-feira, 2 de maio de 2008

a bandinha


- Lúcia, eu lembrei de uma coisa.
- Fala, Ângela.
- Da bandinha da nossa escola.
- Nossa, é mesmo. Tinha uma bandinha na nossa escola.
- No dia da pátria a gente dava a volta no quarteirão tocando a bandinha. A escola toda ia, desde os pequenininhos até os maiores.
- É verdade, paravam o trânsito todo na rua Frei Caneca, Ângela.
- Você tocava prato, e eu triângulo. Nunca me conformei com isso, Lúcia. Tocar triângulo era a pior coisa da bandinha.
- Era nada. O pior é tocar côco. Côco nem é instrumento. É côco.
- E você toda exibida lá no prato, Lúcia. Pááá. Pááá. Pááá.
- Era bom nada, o prato era pesado e só entrava de vez em quando. Era pááá... (demorava) pááá... Um tédio tocar prato, Ângela.
- Lembra da música? "Eu te amo meu Brasil, eu te amo..."
- Hahaha.
- A dona Eudóxia fazia a gente tocar o triângulo e fazer um sinal de positivo com o dedão. A gente ia tocando e fazendo positivo. Eu te amo (positivo) meu Brasil (positivo) eu te amo (positivo) meu coração (positivo) é verde (positivo) amarelo (positivo) branco (positivo) azul anil...
- Coisa mais louca, Ângela. Pra que o positivo?
- Acho que era pra marcar o ritmo. Ou não. Vai ver que ela achava que a música combinava com o sinal de positivo. Vai ver que ela queria que a gente mostrasse que amava mesmo o Brasil.
- No prato não dava pra fazer positivo. Pelo menos ninguém me mandou fazer positivo.
- Tá vendo? O prato era melhor. Um instrumento legítimo de banda.
- Era nada. Que tocador de prato famoso você conhece, Ângela?
- Nenhum, negativo. E de triângulo, Lúcia?
- Negativo também. Nenhum.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

próxima parada


Hoje lembrei disso o dia todo. Dos trens. Uma das coisas mais emocionantes da minha infância era esperar o trem. Meus avós moravam em Duartina, no interior de São Paulo, e eu passava todas as minhas férias lá. Nos finais de semana, meu pai, meus primos e meus tios chegavam. De trem. A gente ia esperá-los na estação, naquele silêncio de quem tenta captar um barulho de locomotiva vindo do além. A ansiedade nos fazia ouvir trens inexistentes, apitos caluniosos, tremores errados. Mas quando ele chegava de verdade (o trem sempre chegava), com a locomotiva apitando e existindo de verdade, era de pirar de excitação. Lembrei disso hoje, depois que vi um filme no Telecine Cult chamado "Júlia", com a Vanessa Redgrave e a Jane Fonda. Lembrei da sensação de ansiedade de esperar um trem que você sabe que vai aparecer de uma hora para outra numa estação, claro, óbvio, sem dúvida. Não tem porque o trem não aparecer ali, naquela estação que está no caminho dele, na rota dele, no meio do caminho, na passagem. Não tem porque a vida não correr, andar adiante, parar nas estações, pegar passageiros, deixar amigos, pais, maridos, amores, felicidade, puta alegria, puro prazer. É só saber esperar, com a paciência do passado, da memória, que os trens sempre chegam nas estações. Sempre.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

os colifordis


Tenho um amigo que mora na praia há anos. A tal praia começou a ficar poluída por causa da falta de cuidado com o esgoto no local. Começou uma campanha, placas explicativas aqui e ali, folhetos e manifestações para orientar os moradores e veranistas. O lugar é lindo, ninguém quer que estrague.
A faxineira dele entra em casa esbaforida.
- O senhor não sabe. Colocaram uma placa enorme na praia.
- Ah, você viu? - ele perguntou para a moça, feliz dela ter visto - Você leu?
- Li...- e ela hesitou um pouco - mas será que o senhor pode me explicar uma coisa?
- Claro.
- Diz que a praia está imprópria porque tem umas coisas estranhas nela.
- Que coisas estranhas?
- Eu li lá na placa. Uma coisa esquisita, parece que são uns tais de... colifordis. Acho que era isso. Colifordis. O senhor sabe o que é isso? Um tipo de bicho? É vírus? Não vou mais lá não.
- Não é "colifordis" - ele explica pra ela, rindo - na placa está escrito "coliformes fecais".
- Ah. E o que é isso, hein? O senhor sabe?
- Isso é... cocô.
- É cocô?
- É, a praia está poluída, por isso estão fazendo uma campanha para a população não lançar mais esgoto direto no rio e...
Ela interrompe, confusa.
- Nossa, na placa está escrito que tem cocô na praia?!?
- Tá.
- Mas, que horror! E o senhor, eles, alguém sabe quem é que anda fazendo cocô em plena praia?!?

terça-feira, 29 de abril de 2008

the frankoffice


Hoje eu tou trabalhando num escritório novo. Não estou mais em casa, e está muito, mas muito esquisito. Primeiro que eu esqueço tudo, no antigo escritório e aqui. Isso se chama ser "barata-tonta". Tem um lance de chaves que não me passava pela cabeça que existia, depois de nove anos trabalhando em casa. Tranca, destranca, não pode esquecer a chave dentro, putis medo. Depois porque isso aqui está improvisado, e como ainda não tenho móveis, estou numa mesa de jardim, daquelas de plástico, e ela balança pra burro. Depois aqui é prédio, e tem um monte de vizinhos. Um prédio de conjuntos comerciais, sabe como é? Aquele monte de portinha num hall. Já fiz alguns amigos, conheci a vizinha de porta hoje (uma arquiteta como eu) e o vizinho do fundo do corredor (corretor de imóveis). E tem meu primo médico num andar em baixo. Meu prédio, pasmem, tem "concierge". Hahaha. Super legal a sala dele, que dá pra um jardinzinho. A maioria das pessoas que trabalham aqui é psiquiatra, psicanalista e psicólogo. Fui na recepção e contei: 38 deles. Posso ficar louca varrida que acho que um deles me salva. A Bê me disse que esse é um prédio onde se sussuram muitos segredos, um em cada salinha. Olha que louco. Além disso, muitos deles cuidam de famosos, me contaram, e eu, que sou otimista, acho que daqui a pouco vou encontrar o Roberto Carlos ou a Xuxa no elevador. Pensei em fazer um blog pra o escritório e escrever todos os dias uma coisa qualquer sobre o prédio, os vizinhos, ou sobre as estranhas conversas de elevador, que há anos não sei o que é isso. Tou pensando que nome darei pra esse blog paralelo, que com certeza seria super divertido.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

franka no-ar...


É ela???
Não é ela???
É???
Não é???
Ó dúvida.
Como foram muitas as críticas à roupitcha da Fran-kanova, ela tem andado por ai um pouco... disfarçada.

- Assim tá melhor, Franka? Será que assim eles vão gostar mais? - pergunta o Caio, meu cunhado, o grande autor da polêmica Franka-nova, ao me mandar essa imagem.
- Caio, tadinha! Ela tá toda encapotada!
- Ela resolveu se recolher um pouco. Muita exposição, sabe? Achei que valia um clima mais "noir". Roupa de homem, sapato de homem.
- Prefiro a outra, Caio!
- Eu também, mas shiuuu. Vamos ver o que eles falam dessa.
Hahaha.

domingo, 27 de abril de 2008

mangas, ual

Nossa prima. A mais linda de todas primas. Foi modelo da revista "Tricô e Crochê" de um ano qualquer quando eu a Ângela éramos meninas. A gente queria muito ser ela. Nada mais nada menos. A gente imitava muito essa prima, inclusive eu ganhava da Ângela porque meu nome tinha a letra "i" e a nossa prima escrevia o nome dela com umas bolinhas no pingo do "i" - o que eu imitava, claro - mas a Ângela não podia colocar. Hahaha.
Ontem encontramos essa prima. A Farra-falset da família. Lindona, sem plástica nem silicone. Inacreditável. Putis cabelo. Roupa produzida. Eu e a Ângela pasmamos, mesmo trinta anos depois.
Ual.
E além disto, ontem ela me fez o maior bem. Sabe aqueles ensinamentos básicos que a gente esquece? Tipo "aprende a falar não, Lúcia". Do tipo "pára de explicar tudo, Lúcia". Do tipo "você não tem que agradar todo mundo, Lúcia". Do tipo "ninguém aguenta gente muito feliz, Lúcia". Eu tava meio baixastral ontem. E ela dá aula de alguma coisa parecida com energização, algo com fengchui, ervas, pensamentos positivos, não sei bem, acho melhor ligar pra ela depois e perguntar.
A questão é que ela faz bem aos outros.
- Lú. Ân. Estou vendendo umas coisas que eu fiz - ela disse.
- Vendendo?
- Agora eu sou assim. Adoro fazer as roupas, bolsas, acessórios. E vendo.
- Você leva aqui e ali?
- Não, mas quando não trago, as pessoas vêem o que eu estou vestindo e me falam: que lindo, eu respondo: quer comprar? E eu vendo, mesmo se estiver usando.
- Sério? - e eu e a Ângela começamos a olhar pra a roupa dela, interessadíííssimas.
Ai que vontade de comprar. Era bárbara. Um vestido meio verde, decotado, um top branco em baixo, um colar transado até o umbigo...
- Mas você tem alguma coisa ai pra gente? - a Ângela arriscou.
- Hum. Aqui não, mas pode ser que tenha no carro. Querem ver?
Ual.
Fomos para o quarto experimentar. Ela tira de um saquinho umas blusas, umas bolsas lindas. E umas...
- Primaaa.
- Quê.
- Que-que-é-isto?
- Uma manga.
- Manga?
- Vendo em duas. Uma pra cada braço.
E ela mostra duas mangas, sem corpo, apenas os braços. De crochê. Tricô? Sei lá. Nunca vi aquilo na vida.
- Como usa isso?- eu perguntei.
- Olha pra Ângela - ela apontou - ela tá com uma blusa sem manga. Se fica frio, ela vem e veste as mangas!
E minha irmã vestiu as... mangas!
- Tá quentinho! - exclamou a Ângela.
- Mas isso... é moda? - perguntei.
- Acho que não. Eu que inventei.
Ual.
Ao vencedor, as mangas?

sexta-feira, 25 de abril de 2008

uau, na capa da Folha!


a foto montagem é minha, porque o FHC ficou fora do scanner, mas ele também tá na capa comigo, hehehe

Uau. Nossa, tou aqui meio de perna bamba. Meu nome na primeira página da Folha de São Paulo? Com a chamada pra crônica da revista Morar? Sai berrando pela casa.
- Zééé! Chiiiico! Juuuuuuuca! Naniiiiiiiiiiiiii! Olha a mamãe, olha a mamãe, olha!
- Legal, mãe.
- Legal, mãe.
- Valeu,mãe.
- Nossa, Lu...
Era meio cedo, eles meio com sono. O Zé ficou olhando, analisando.
- Nossa, nunca ninguém da nossa família saiu na capa dum jornal. Nossa. Olha, Lu, e você tá do lado do Kassábe, da Marta, Serra e até do F. Agassê!
- É verdade, Zé.
- E é incrível, você está na capa mesmo, e ainda bem que não precisou matar ninguém. Ufa.
Hahaha. O Zé fala tanta bobagem como eu.

para ler a crônica, clique na imagem que ela amplia


quinta-feira, 24 de abril de 2008

fran-kaninja

Ontem, quando eu vi que tava a maior discussão aqui no blog por causa da Fran-kanova, corri pra casa da minha irmã.
- Ângela, eles tão tudo falando mal da Franka-nova!
- Eu vi, estou acompanhando! Lúcia, porque? A gente gostou tanto! É demais!
- Ângela, eu não sei! Ela ficou do jeito que eu queria, linda, os cabelos daquele jeito que eu falei pra o Caio, de mecha, nossa, será que a gente pirou desse tanto, de sonhar com uma Franka que ninguém gosta? Será que a gente tá virando monstra, sem atitude, sem ação, sem personalidade, sem jeitão, sem sei lá! É tanta crítica!
- Lúcia, acho que eles implicaram foi com a roupa.
- Ângela, a roupa quem desenhou foi você.
- Lúcia, eu sei. Agora que eu percebi que parece meio draguikin.
- Ângela, mas roupa é como fantasia. E é HQ! Ela podia estar de qualquer coisa. Franka-engenheira, Franka-professora, Franka-freira, Franka-enfermeira, Franka-patinadora, Franka-guitarrista...
Meu sobrinho Luiz chegou perto e me deu um desenho.
- Olha a Franka-ninja, tia.
- Acho que todo mundo vai gostar da Franka-ninja, ela tá vestida da cabeça aos pés... - disse minha irmã, desconsolada, achando que era culpa dela.
Franka-ninja! Gente, olha eu, a Franka-nova, transformada em Franka-ninja, que demais. O mais engraçado é que só uma coisa do meu corpo fica descoberta: a tarja. Hahaha. Viva você, Luiz.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

CAIO, VALEU!



Emocionadíssima. Agora tenho uma Franka só minha, agora eu não sou mais uma ladra de imagens do ilustrador holandês dono da Franka, o Henk Kuijpers. O Caio, meu cunhado ilustrador, fez uma imagem da minha Franka só pra mim. Discutimos muito. Eu disse que ela tinha que ser bem gostosona mas magrela. Ele e a turma da banda dele discordaram, pois acharam que era melhor a Franka ser mais rechonchuda (que idéia). Assim, acho que meio a contragosto, ele deu uma boa emagrecida nela (essa imagem, segundo a minha irmã, se for lida no sentido anti horário, se chama "a dieta da Franka"). Quanto a roupa, foi escolha da minha irmã, a Ângela. Achei meio escadalosa no começo, pedi pra fazer a saia um pouco mais comprida (imaginem onde estava antes), agora acostumei. É, claro, uma personagem de HQ, portanto tem que ter sua própria personalidade. Eu apenas pedi botas, para ser fiel à antiga imagem. O resto tai. A nova Franka! Opiniões, plise.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

linçom?


Era uma conversa sobre garçons e restaurantes.
- Tem lugar que os garçons que nem te notam, que parece que são treinados para atravessarem um salão de cem metros sem olhar para os lados - comentou um amigo - é horrível, você fica se esperneando todo, balançando a mão, fazendo careta e nada, é como se fosse invisível.
Concordei com ele.
- Verdade. Passam olhando de lado, feito egípcias, hahaha. Tenho vontade de me levantar e ir pedir na cozinha - eu disse.
- Ao mesmo tempo, repara uma coisa: tem uns faróis de São Paulo que tem uns vendedores de bala que, se você, sem querer, mas sem querer mesmo, der uma micro-olhadinha de cantinho de olho pra eles, os caras percebem de longe e vem correndo, achando que você quer comprar. É impressionante. Olha, quando eu paro nesses faróis eu faço o maior esforço para não olhar para nada. Incrível o olho de lince dos caras. Às vezes eu até finjo que falo no celular.
- Hahaha. É mesmo.
- Quer saber? Esses donos de restaurante não pensam. Querem oferecer um bom atendimento? Vão no farol e chamam esses caras pra serem garçons. Os vendedores de bala.
Hahaha. Observação engraçada.

sábado, 19 de abril de 2008

a confusão do simpático



Gente, eu queria esse disco. Esse disco é de um conjunto esloveno que se chama Srečna mladina. Acho que isso é o nome, uma vez que não entendo sloveno. Tenho o linque, mas detesto colocar linque em post. Bem, pode ser também que essa palavra signifique qualquer outra coisa. Não importa. É que nesse disco que tem a primeira e mais legal versão que eu ouvi da música "Simpático".
Tudo começou com o primo Francisco, que um dia foi pra Eslovênia, entrou numa loja de discos e disse ao vendedor esloveno: "quero um disco bacana da Eslovênia". O vendedor foi até a banquinha de discos e trouxe esse para ele, dizendo "esse é muito bom". Segundo ele, o vendedor falava inglês, claro.
- E o disco é bom, ô primo?
- Não sei avaliar. Vamos ouvir juntos? A única coisa que eu sei da Eslovênia é que todas as palavras tem a letra "j". Facílimo escrever em esloveno - ele declarou, convencido.
A um era legal, a dois também, e a três era uma versão do tal conjunto da música do Adriano Celentano, "Sono un simpático". Eu achei a música o máximo, ouvi mil vezes, mas o Francisco não quis me emprestar para gravar, com ciúme do disco esloveno.
- O disco fica aqui, você ouve quando vier na minha casa. Uma hora eu te gravo.
Duvidei daquela promessa e fui procurar na internet. Achei impossível que uma música tão boa como aquela não aparecesse nos buscadores. Mas nada. Achei dois "simpáticos": uma música meio rapper, outra italiana, essa idêntica à do disco dele. E dai que descobri que a música dos eslovenos era uma versão da italiana. Tentei de todos os modos, lascando "j"s aqui e ali, achar o "simpático" do conjunto esloveno. Nada. Mas como o Adriano é demais, me contentei com ele.
Semana passada mostrei o Adriano Simpático pra Bê em primeira mão.
- Fraaanka, demais! E repara... hahaha...!
- O que, Bê?
- Esse cantor italiano é a sua cara.
- A minha... cara?
- Parecidíssimo. Faz assim. Pega uma foto sua e uma dele, coloca lado a lado e...
- Não tenho foto dele.
- Fotografa o iutube mesmo e não complica, Franka. E coloca ao lado da sua, mas... - ela olhou a cara dele no iutube e resolveu - ... e tarjas as bocas, a sua e a dele, porque a sua boca não é parecida com a dele. O resto é idêntico.
Claro que eu fiz essa bobagem e essa confusão, olha ai em baixo. E não é que é verdade? Franka e Adriano, ou melhor, Fjrjankja e Adjriajnjo. Sjimjpájtjiiijos... Ei, e alguém tem a versão em esloveno?


sexta-feira, 18 de abril de 2008

tudo simpático

Nunca fiz isso, de colocar um iutube do iutube aqui. Eu sempre só coloco os meus iutubes, que por sinal, convenhamos, são muito bons. Mas esses dias, por causa do programa da rádio USP e do sucesso da minha polêmica sobre a capa da revista AU x projeto do Zé (ele tem reunião hoje com a turma da AU, estou aqui torcendo para que eles cheguem num bom acordo, que fiquem em paz, que dêem boas risadas com o erro do fotoshop, que tudo termine em foto-choppe), eu fiquei confusa com esse certo sucesso súbito. Até o Alencastro falou de mim ontem, gente. Ó nóis. O lance da meia hora de fama. Acho que por causa disso, por estar distraída, achei sem querer as músicas desse italiano. Ouvi outra versão na casa do meu primo Francisco, resolvi encontrar a música na internet. Não tenho a mínima idéia, nem adianta me perguntar, o que uma coisa tem a ver com as outras (programa de rádio USP com Franka, capa do Zé com fotoshop errado e música "Sono un simpático", com um cantor com uma enxada na mão), mas antes de ontem e ontem as três coisas andaram o tempo todo juntas, e, enquanto a rádio e a polêmica repercurtiam, o Adriano ficou me cantando essa música sem parar aqui no itunes, no carro, na sala. É, eu faço isso. Quando eu gosto de uma música, eu ouço ela umas mil vezes, repetido, feito maluca tarada. Agora, quando eu penso no rádio, na revista e nesses dias, eu penso o quanto esse Adriano Celentano é simpático, o quanto meu primo Francisco é simpático, o quanto o repórter Fábio (Júnior?) é simpático, o quanto o editor da AU que comentou no blog ontem é simpático, o quanto as pessoas que mandaram depoimentos são simpáticas, o quanto meus leitores são simpáticos, tudo simpático, tão simpático, ô coisa legal esse excesso de simpatias. E esse post é em homenagem a todos os simpáticos do mundo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

descomanda complicada




O lugar não era uma padaria, mas também não era bar, nem restaurante. A Bê me disse que era rotisserie, tanto faz, era do lado da casa dela, estava vazio, tinha mesas e era um lugar gostoso. Resolvemos tomar um café por ali. Rapidamente veio um garçom nos atender.
- Dois cafés uma água com gás.
Ele ficou parado um tempão na nossa frente, com um tipo de "palm" na mão. Aqueles aparelhinhos que os garçons usam pra anotar os pedidos, que tão na maior moda. Passou a anotar com um tipo de lápis as coisas ali. O tempo passando e ele lá, parado, anotando. Parecia que escrevia um romance.
- Algum problema?
- Não - ele respondeu, ainda riscando o palitinho no "palm", fazendo aquele tic tic. Absorto.
Cochichei para a Bê.
- Como demora...
- Devia escrever num papel, seria mais rápido - ela sussurrou.
O cara ali, parado, atrapalhando. Tic, tic, tic.
- Tá dificil anotar ai? Dois cafés uma água com gás... - eu repeti - ... só isso...
Tic, tic, tic.
- É que eu errei. Tem que apagar e escrever de novo.
Gente, tem coisas que devem simplificar a vida, nunca complicar. A quantidade de garçon que se atrapalha com essas maquininhas é inacreditável. Os nossos simples cafés viraram um almoço para doze pessoas, pela demora do cara ali, deletando um pedido, entrando de novo no sistema, achando os códigos. Na hora de sair, pedimos a conta.
- É comanda eletrônica, senhoras. Pode levar o cartão ao caixa.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

ô editores da AU...


a capa da revista AU
a foto de verdade da casa do projeto do Zé



Aconteceu uma coisa com o Zé, e a gente está pensando o que fazer. Vou contar aqui e pedir opinião.
O Zé, super arquiteto dos bons, foi capa da última revista AU (Arquitetura & Urbanismo), a desse mês. Eu exibo ele mesmo, afinal, super maridon. Ficamos super felizes. Eu na rádio, ele na capa, sexta feira foi aquela alegria. Dai no sábado, depois que passou a minha excitação-transe por causa do programa, peguei a revista pra ler. Eu lia, ele me mostrava. Era uma matéria sobre a casa de Itanhangá que foi cenário dos "Queridos Amigos", a série da Globo. "Olha o terracinho, olha o detalhe do pilar, olha a cozinha", ele mostrava, daquele jeito dele, animado. De repente ele vê a capa de longe e me interrompe.
- Lú, que estranho. Olha esse piso do corredor da foto da capa da revista.
- Piso?
- Da foto. Olha.
- Piso da foto?
- Lúcia, olha. Mudaram o meu piso. Esse piso não é o piso da casa, o que eu coloquei lá.
- Como assim? Os donos da casa mudaram o piso?
- Não, a revista mudou meu piso.
- A revista mudou? Você não colocou esse piso de madeira?
- Coloquei um piso de madeira, mas não assim, todo torto em relação à parede. Esse piso está todo esquisito. Olha, enviesado.
- Onde?
- Aqui. Repara, tipo o "jogo dos sete erros".
- Tá torto mesmo, Zé. Tudo inclinado.
- Nossa. Agora todo mundo vai achar que eu faço piso torto. Não pode uma revista fazer isso, mudar um projeto, Lú. Se um arquiteto faz um piso paralelo à parede, isso tem um intuito, um desenho, um projeto, oras. Que é isso?
- Zé, você não aprovou as fotos antes da publicação?
- Aprovei. Vou ver. Peraí.
Ele voltou com as fotos.
- Olha a foto que eu aprovei. Olha. Piso reto - colocamos as fotos lado a lado e comparamos - E olha na capa o piso torto.
- Uau, mexeram mesmo, Zé. Que absurdo! Mas dá pra entender o que o cara que fez a capa pensou... olha, na foto que você aprovou, tem uma luz na entrada do quarto. Eles quiseram tirar essa luz, dai recortaram o piso abaixo da luz e deram essa fotochopada no chão.
- E mudaram meu piso, pô! Isso pra mim é sério. É como alguém colocar uma cerâmica decorada, é mexer num revestimento. É como mudar uma porta de lugar. É como mudar um pedaço de uma crônica sua.
- Eu ficaria super brava, Zé. Fala com eles. Pede uma explicação.
- Pois é. Piso inclinado?
- E vou colocar no meu blog. Blog serve para contar essas coisas.
- Tá... - ele olhava a foto sem entender - olha isso...

terça-feira, 15 de abril de 2008

franka não mente



Já que o programa não entra no ar no Audiopapo, fiz um pequeno iutube com a participação da Márcia e com o depoimento dela, que é demais. Hahaha. Ouçam. Imperdível.

Ah. Entrou! O programa tá no ar aqui. Como esse site não abre no meu micro, eu abro aqui na rádio, pego a programação e acho o "audiopapo" na sexta a noite. Clicando entra legal.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

viaduto Lúcia Carvalho


Estávamos no aniversário de uma amiga, eu e Patrícia, sentadas numas cadeirinhas no jardim, uma amizade súbita. Muito comum entre mulheres essa coisa da amizade súbita. Sabe quando você conhece mais ou menos a pessoa e gosta dela mais pra mais do que pra menos? Além disso, a Patrícia é atriz e super engraçada.
-Meu pai já morreu - contei para ela - morreu quando eu era bem menina. Sabia que ele virou uma creche?
- Creche? - ela perguntou.
- É. Em São Miguel Paulista. Fizeram uma homenagem para ele. Ele era médico e a Emei tem o nome dele agora. É bacana. Super arrumada e tal - expliquei.
- Nossa, e o meu pai também morreu, mas ele virou uma escola. Olha que engraçado. Nossos pais viraram prédios.
- Será que a gente vai ser alguma coisa quando a gente morrer? - pensei alto.
- Eu queria ser uma coisa bem legal. Acho que eu queria ser um salão de beleza. "Salão de beleza Patrícia G.". Legal, né? E você?
A Patrícia é divertida. Eu nunca pensei nisso.
- Eu? Ai. Não sei, Patrícia.
- Que tal um viaduto? - ela sugeriu.
- Um viaduto? "Viaduto Lúcia Carvalho"?
Hahaha.
- É, pensa as pessoas explicando. "Vira na primeira a direira, na segunda a esquerda e você cai direto no Lúcia Carvalho".
- "O" Lúcia Carvalho?
- É, claro. Viaduto é homem. Mas fica super chique, pensa bem.
- Melhor que ponte.
Meu amigo Parangolé, que estava ao lado, resolveu participar.
- E eu?
A Patrícia foi rápida.
- Que tal um açougue? "Casa de carnes Parangolé"?
Ele deu uma risada, satisfeitíssimo.
Homens.

sábado, 12 de abril de 2008

franka no ar


Reuni alguns amigos blogueiros e simpatizantes pra ouvir comigo. A Bê, inclusive, resolveu fazer um jantar. Chamei o Neil, afinal ele deu depoimento. Mas meia hora antes começou a me dar medo e vergonha. Vergonhaaa. Uma vergonha imensa. O que eu estava fazendo? E se a entrevista fosse horrível, eu chamei até público! Além disso, que putis coisa exibida. Chamar visita pra ficar me gabando? E o que será que eu tinha falado mesmo pra o Fábio Jr., o repórter? Esqueci tudo.
Sentei num puff do lado do rádio às oito e meia em ponto. Bem alto. Liguei o micro do lado do rádio. Achei o repórter Fábio no MSN e liguei a câmera pra ele ver a reação dos blogueiros online. Super moderna. Hahaha. Entrei em transe hipnótico e passei a me ouvir. Nossa, tinha mesmo uma mulher falando na rádio, dizendo que era blogueira "mesmo". Hahaha. E o mais engraçado é que eu concordava com tudo que ela dizia. Tudo. Hahaha.
Acaba o programa e toca o telefone.
- Lúcia, filha.
- Mãe, e ai? Me ouviu?
- Ouvi e adorei.
Ela foi muito enfática. Estava realmente bem surpresa.
- Sério, mãe? Adorou?
- É. Porque só agora entendi o que é blog.
- Hahahaha, mãe! Você não sabia?
- Eu ouvia você falar sem parar há anos, a tua irmã falar, o teu tio falar, todo mundo só falava de blog pra cá e blog pra lá, mas nunca ninguém me explicou. E agora entendi.
- Depois da minha entrevista.
-É. Você explicou direitinho.
Ela tava toda feliz.
- Brigada, mãe. Acho que é pra isso mesmo que me colocaram lá.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

on the rádio

Clique da imagem pra ver todos os blogueiros amigos da franka
(isso parece aqueles painéis de foto de entrada de cantina italiana, hahaha)
Então vocês todos ai em cima, todos super amigos que conheci nesses anos de blog. Então hoje Franka tá na rádio. Hoje às 8 e meia da noite teremos o programa de rádio onde o simpático repórter Fábio Jr. me entrevistou. A impressão que eu tenho é que eu só dei fora, mas o que tá feito tá feito. De cancha, diversos depoimentos de outros blogueiros. Surpraise. Mas falando de novo, assim, só pra reforçar, o programa vai ao ar hoje, sexta-feira, dia 11, das 20h30 às 22h00 na USP FM - 93,7 FM. O sinal no ar pode ser acompanhado também pelo http://www.radio.usp.br/ ao vivo. Depois, o programa, na íntegra, ficará disponível a partir do endereço http://www.audiopapo.com.br/. E eu penso que sem vocês ai em cima eu não tinha blog. E, dá licença, que trabalho que me deu fazer essa imagem ai de cima. Fiquei horas e horas.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

o vestido de chita da cinderela


- Lúcia, você soube do vestido?
- Sei, Ângela. A mamãe me contou que você foi na casa dela e pegou um vestido meu que estava lá. Um vestido de festa. Eu deixo os vestidos de festa lá na casa dela, o armário dela é mais alto que o meu e eles não amassam. Legal que você usou. Tava tudo embolorando de tanto ficar guardado.
- Não é só isso. O vestido, Lúcia, o vestido mudou minha vida no sábado.
- Ficou legal em você?
A Ângela é minha irmã.
Menor.
- Lúcia, você não está entendendo a importância do vestido - e ela me olhou seríssima - Olha. Sábado eu voltei do sítio. Sabe como é sítio, aquela coisa rural. Eu tava a maior caipira. Tinha uma festa, e sei que me vesti de um jeito esquisito. Olha, não vou entrar em detalhes, mas eu parecia a macaca chita. Algo próximo de um koala, entende? Uma coisa vergonhosa, sabe aqueles dias que você não tem certeza de nada e erra a roupa? Saia branca com bota preta? Cheguei na casa da mamãe pra deixar o Luizinho com ela e ela quase desmaiou. "Ângela, minha filha, onde você vai assim, peloamordeDeus?". Nossa, Lúcia, quando a mãe da gente percebe que a gente está fantasiada é fogo. Quase chorei.
- Eu entendo tanto esses dias, Ângela... - eu disse, balançando a cabeça - toda mulher entende, é uma sensação universal.
- Bom, dai ela, no desespero de me livrar do vexame, me sugeriu colocar uma saia dela. Eu coloquei, mas me olhei no espelho e achei que fiquei parecendo uma das mulheres da van. Senhorooona... A saia ia até o pé, tipo teatro kabuki. Óbvio que era melhor que ir com a minha roupa preto-branca, tipo boneca de Olinda ou macaca chita. Mas era estranho, parecia que eu tinha uns sessenta, setenta anos.
- Foi quando você viu meu vestido.
- É. No cantinho do armário. Vi, adorei. Vesti. Entrou feito uma luva. Sabe quando o zíper... fecha rapidinho?
- Óbvio que sei. Hahaha.
- Ai, demais. E lembra da história da Cinderela?
Hahaha de novo. Cinderela?
- Ângela, você é muito engraçada. Vou fazer um post.
- Pode fazer o post da Cinderela, Lúcia. Vesti e fiquei daquele jeito dela, da Cinderela, cheia de passarinhos e ratinhos em volta, dançando. Sabe assim, linda? Nossa. Fui parar no espaço. Minha vida mudou. De macaca chita para Cinderela? Uau. Sai dali me achando o máximo. Cheguei-chegando. Na festa todo mundo me olhava. Ou sei lá, podia ser que eu tava me achando e achando que todo mundo me olhava mas ninguém dava a mínima, num importa.
- Eu às vezes tenho essa mesma dúvida, Ângela. Normal.
- Sei lá. Mas uma mulher, quando eu fui no banheiro, me perguntou até onde eu comprei o vestido. Queria ver a etiqueta. Ora, eu devia estar muito bem, fala a verdade.
- Ângela, você não mostrou, né? O vestido deve ter uns 15 anos e a etiqueta deve estar embolorada, cheia de mancha de armário. Você não foi louca de.
- Não, eu não ia abrir o zíper nem a pau. E se não fecha depois? Lúcia. Aquele vestido é tudo. Lúcia, a quantidade de gente famosa que eu conheci por causa do vestido. Uma loucura.
- Pode ficar pra você. Nunca usei.
- Que?
- Verdade. Sempre achei exagerado pra mim. Comprei, nunca usei. É teu, quem sou eu para acabar com uma Cinderela? Você só não devia ter ido de bota, Ângela. Impossível perder o sapato de bota.
- Nossa, e a minha bota, se eu calço sem meia, entala mesmo.
- Ângela, como é?
Olha. Não duvido nada que ela tenha ido de bota sem meia. Coisa de mulher-koala.

a explicação do post de ontem

- Vou colocar essa imagem no meu blog - eu disse para a Bê - e você coloca a outra que você fez no seu.
- Ninguém vai entender nada. Esses prédios vestidos de sementeira.
- Ficou demais - eu disse.
-Mas você não vai conseguir fazer um post sem falar nada. Vai ficar explicando um montão essa foto da cidade semente. Você fala muito, Franka.
- Vou conseguir sim. Duvida?
- Hahahaha, duvido.
- Mas daí eu posso explicar no dia seguinte?
- Pode, Franka.
- E como vai chamar o post? Eu preciso colocar um crédito pra você.
- Bê mente?
Bom, era um desafio.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

como gravar uma mensagem pra franka


Gente, descobri como faz a gravação. É sério, que coisa, ninguém acredita em mim nesse blog?
O Fábio Júnior me explicou. Calma. É assim:
Vai no menu 'iniciar";
Programas;
Acessórios;
Gravador de som;
Dai você grava*, salva (ele vira um arquivo), e manda por email pra
mim (a motinha, gente, ali ao lado)
Daí eu mando pra ele. Facílimo. Não dá pra não fazer isso. Põ. Putis engraçado que seria, gente, pensa.
Ah, e sabe o que eu fiz? Gravei o "alô, alô ouvintes, boa noite, aqui é a Franka" que eu esqueci de mandar. Como ficou ridículo, eu mudei para: "oi gente, boa noite, eu sou a Franka". Muito melhor.

domingo, 6 de abril de 2008

alô ouvintes, boa noite, aqui é a franka II

frankinnha rádio e TV


Bom, ainda sobre a minha entrevista pra rádio USP. Aliás, um aviso: a entrevista vai ao ar na SEXTA FEIRA QUE VEM DIA 11 DE ABRIL ÀS 8:30 DA NOITE (Anna, se liga, menina). E gente, a frase "vai ao ar" é engraçada demais de escrever. No meio da entrevista, o Fábio (Júnior?) tem uma idéia.
- Ô Franka.
- Qui-é?
- Tive uma idéia pra incrementar a nossa entrevista.
- Qual-é, Fábio?
- Você podia pedir pra os seus amigos blogueiros e leitores do "frankamente..." falarem alguma coisa sobre o teu blog e me mandarem. Dai eu ponho no ar no meio do programa.
- Os outros blogueiros?
- É, os seus amigos. Você pega e faz um post disso. Fala no post que eu tive essa idéia e que eles podem mandar um recado. "Alô alô eu sou amigo da Franka e meu blog é tal, beijo mãe, beijo querido". Isso, além de ficar divertido, ia ser propaganda do blog deles.
Gente, vocês eu não sei. Mas a Márcia Kawabe do Namastê com certeza vai topar. E se ninguém mais topar, ela vai aparecer sozinha no meu programa e vai ficar famosérrima.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

alô ouvintes, boa noite, aqui é a a franka


Gente, vocês não acreditam. Me ligou um repórter da Rádio USP essa semana. Ai. Péra, não foi isso. É meio mentira (essa Franka mente quando fica nervosa ou animada demais). Ele me ligou sim, mas antes de ligar ele mandou email, depois ligou. Dai o Fábio (Fábio Rubira é o nome dele) (será que eu posso falar o nome dele aqui?) me disse algo assim: "... Lúcia, oi, eu quero fazer uma entrevista com você para a rádio USP, no programa Audio Papo e...". Nossa, é mega complicado ficar famosa. Estremeci. Uma pessoa querendo uma entrevista comigo? Uau. Tá que eu tenho fãs (minha mãe e os meus tios são os maiores deles), mas nunca fui entrevistada pra uma rádio. Nesse momento me senti a própria Galisteu. Super. Jimais.
- Fábio, hã, um entrevista comigo?
- Sim.
- Sobre...?
- Seu blog, ué. Frankamente, Franka. Quero entrevistar a blogueira Franka.
- Franka no ar?
(Ixi. Acho que estou mentindo de novo. Não foi bem assim o diálogo, o Fábio vai ficar bravo comigo. Será que repórter fica bravo com blogueira entrevistada que mente um pouquinho? E será que posso contar detalhes da nossa entrevista antes do programa, que vai ao ar na semana que vem, sexta, dia 11 às 8 da noite, Rádio Usp, até as 10? Não perguntei, e agora? Será que repórter de rádio pode comentar na caixa de comentários?).
Nossa. Fui lá, Franka, a entrevistada. Como era rádio, pensei, não preciso colocar roupa e nem fazer chapinha no cabelo. Ufa, menos trabalho, no dia que eu for no Jô vai ser mais complicado. E falei feito uma matraca, vergonha. Uma hora com Franka na rádio é pouco? Tinha até que escolher música e, droga, eu esqueci todas as músicas que gosto por causa do nervoso. "Que música você escolhe agora pra gente tocar?", ele perguntou, com voz de loucutor. Gente, vexame. Como o nome dele era Fábio, e como ele era mais moço que eu (júnior), eu só me lembrava do Fábio Júnior e da música das "metades da laranja, sonho lindo de viver, você sabe como me fazer feliz, carne e unha, nhé nhé nhé", a música mais brega do universo, que óbviamente ia acabar com minha carreira. Eu olhava pra ele e pensava "não, não, cante, Franka!". Fechei a boca e disse, bobamente: "ai, não sei, Fabiôôô...".
Hahaha, o que o Fábio-reporter ia pensar de mim, escolhendo tal xará?
Demais a entrevista, mas acho melhor explicar amanhã, com calma, sem atropelos. Do teclado anônimo ao microfone. Falei só bobagem, e esqueci de falar a coisa que mais ensaiei antes de ir para lá.
Eu queria dizer em alto e bom-tom:
" - Alô ouvintes, boa noite, aqui é a Franka."
Mas na hora "h", esqueci da frase.
Droooga.
Fábio, como eu faço???
Amanhã conto com detalhes. E pedirei o principal.
Hoje, de emoção, dãr, tou boba demais.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

cenas de todos os casamentos

Erland Josephson e Liv Ullman em "Cenas de um casamento"

Sra. Franka e Sr. Franko numa cena do seu casamento
Atenção: esse é um post-dica.
- Lembra do filme do Bergman, "Cenas de um casamento"? - falou o Caio, meu cunhado.
- Já assisti - eu disse - há anos atrás.
- Já assisti - falou o Zé - há anos atrás.
- Então assistam de novo. É agora a hora de assistir esse filme. Só agora a gente entende. Porque só agora que a gente tem a idade deles, dos personagens - meu cunhado concluiu, categórico.
Tirei na 2001. Nossa... Demora pacas, mas como o filme é tipo seriado, em seis partes, dá pra ver em dois dias na boa. Nossa... O filme é só isso, ó título fala tudo. Um monte de cenas de um casamento. E são perfeitas, inacreditavelmente idênticas às cenas de qualquer casamento. Isso pra mim é obra prima. O filme é de 73, e mesmo assim eu confesso que fiquei incomodadíssima. A gente, eu e o Zé, a gente quase brigou. Hahaha. Engraçado. Depois fizemos as pazes, filme é filme. E é óbvio que a história do filme, ou seja, o rumo que as coisas acontecem no filme, não é o que aconteceu com a gente, cada casal faz seu roteiro, claro. Mas as cenas, nossa... As cenas são o máximo. Pensei em fazer um resumo, desisti, e não sei fazer crítica de um filme assim, tão parecido com... a vida. A única coisa que consegui fazer é colocar esse post aqui e falar para vocês assistirem, por favor. Já devolvi, deve estar lá na 2001. Cenas de um casamento, Bergman. Só espero que ninguém brigue. Filme é filme, hein, gente?

quarta-feira, 2 de abril de 2008

uma casa no meio da rua


Ontem, as cinco da madrugada. Fui viajar de novo, tive que acordar bem cedo, senão é impossível chegar em Angra de carro, ver a obra e voltar no mesmo dia. Tínhamos que pegar um jardineiro que iria conosco de carona. O combinado era encontrá-lo numa rua residencial, bairro chique e bom daqui de São Paulo, onde ele morava na casa de um casal: o tal jardineiro é também um tipo de caseiro dessa família. Chegamos no local combinado mas nada do cara. O P., meu amigo, reclama. "Vamos deixar o cara aí. Falei que passava as cinco, o cara está dormindo, não atende o telefone, não gosto de gente preguiçosa". Logo em seguida, ao lado da casa, vemos uma guarita com um guardinha dentro.
- Ei - perguntamos - Sabe do jardineiro? Ele mora aqui. Vai viajar conosco.
O guardinha ri, vai até o portão e dá uns assobios em código.
- Ele está acordado e já vem. Um minuto.
O guardinha volta,vai até uma mesa (na calçada) e liga uma TV (na calçada). Eu olho para o lado. Ao lado da guarita, vejo uma casa montada no meio da rua. Além da guarita, que deve servir como "quarto", o guardinha tinha uma cobertura na calçada, onde havia uma mesa, tv, folhinha na parede, cadeiras para ele e para as visitas, copos e pratos, lixeira, telefone, garrafa térmica e até um cabideiro na árvore. Ou seja, uma sala de estar. Numa calçada de um bairro residencial chique da cidade, um guarda montou uma casa para tomar conta das outras casas. Engraçado, tem muito disso aqui em São Paulo, essas máfias de guardas de rua, que se apossam sem dó do espaço público. Embora seja simpático ver que essa casa (a dele) não tem medo da rua, embora o guarda fosse um rapaz bem simpático também, algo me diz que tem alguma coisa bem errada nessa história. O jardineiro saiu em um minuto da casa, malinha na mão, banho tomado. Falamos mal dele sem razão, coitado. Deixamos o guardinha lá, assistindo TV no meio da rua, como se aquilo fosse normal. Normalíssimo.