terça-feira, 10 de dezembro de 2013

o pátio e a pracinha



Quando eu era menina, morava num apartamento na Haddock Lobo. Todo dia depois das coisas obrigatórias, como comer, tomar banho, estudar, eu e a minha irmã descíamos no pátio. As vezes a gente ia lá para brincar mesmo, mas a maioria das vezes a gente apenas “ia no pátio”, sem ter exatamente o que fazer. Como todas as crianças desciam, era facílimo arrumar um parceiro pra brincar, alguém pra ficar ali apenas conversando ou só assistir um jogo.
Nas férias a gente sempre ia para o interior, na casa dos meus avós. E lá, sem escola, toda vez que a gente resolvia as coisas obrigatórias, a gente ia para a pracinha da cidade. Exatamente igual no pátio do prédio, a gente não tinha nada para fazer ali, mas como todo mundo ia, alguma diversão ia ter ali. E sempre tudo acontecia na pracinha.
Tem um monte de outros exemplos parecidos no decorrer da minha vida, na praia, na faculdade, no blog, sempre a mesma coisa, o pátio, a pracinha.
Agora que tou adulta, devido ao inesperado desenvolvimento do mundo virtual nesses quarenta anos, depois de fazer as coisas chatas e obrigatórias do dia, me vejo abrindo a página do facebook tão animada como quando eu ia no pátio ou no jardim. Então Laura Liles, acho que a gente só vem aqui porque tá todo mundo aqui. Hahaha.

debitoucredito?

- Débito ou crédito?
- Débito.
- CPF na nota?
- Sim.
- Número?
- Tal tal tal tal tal tal tal tal tal tal.
...
- Não moça. Não.
- Que, senhora?
- Não queria meu comprovante. Mas tudo bem, me dá aqui.
- É que sai de qualquer jeito.
- Mas só serve pra gente guardar até jogar fora, entende? Porque tá tudo na internet. É como gerar lixo pra jogar no lixo.
- A senhora da próxima vez avisa antes.
...
- Mãe. Descobri uma utilidade para aqueles papelzinhos de cartão de crédito e débito que te dão que você implica.
- Aqueles que a gente recebe e joga fora?
- É.
- Qual?
- Dar autógrafo. Fui num show no fim de semana, descobri que agora só usam isso, direto.
...
E dai? Hahaha. Alguém quer me dar algum autógrafo? Tou com a bolsa entupida.

retornando, sempre

Quando surgiu a sugestão de usar sacolas retornáveis pra fazer compras, achei ridículo comprar sacola retornável, uma vez que a ideia é justamente reciclar. Não fazia sentido gastar em sacola uma vez que eu tenho tanta bolsa ou caixa encostada pela casa. Na primeira compra, levei uma caixa de plástico pra o supermercado, mas não deu nem para o cheiro. Eu não tinha, naquela época, a menor noção dovolume das coisas que comprava e entender esse volume foi um desafio. Além disso, a gente precisa saber distribuir, ou seja, não dá pra carregar sabão em pedaço junto com carne, então aos poucos fui agregando recipientes e hoje cheguei num kit. O meu kit é meio absurdo, mas é perfeito: tem tal caixa grande, que descobri que se ficar muito pesada não aguento tirar do carro, uma caixa menor que era um revisteiro que é ótima para garrafas, uma sacola de pano grosso, essa uma legítima retornável que ganhei de presente, uma sacola de plástico grosso, que antes era bolsa de viagem, uma bolsa térmica de brinde da “chapecó” e uma sacola de pano fininho que era outra bolsa minha. Uma vez levei uns baldes e bacias para o super, descobri que são ótimos para colocar produtos em saquinhos, mas foi difícil convencer o caixa que o balde era meu e não deles. Teve uma vez que levei uma caixa de papelão daqui de casa, e alguma pessoa pegou no cantinho que eu tinha guardado, esqueci que caixa de papelão é um item socializado, que não tem dono e me ferrei. Mas no fundo me sinto meio trouxa de usar essas complicadas sacolas e jogar tanta embalagem no lixo.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

curtir ou comentar?



Uma dúvida. Que vale mais no facebook, o número de curtidas ou o número de comentários? Eu pensava que era o número de comentários, afinal a pessoa passa muito mais tempo no seu post, pois além de ler, ela comenta. Tenho uma amiga que acha cada curtida devia valer “um” e, nos comentários, cada palavra “um”, então ela acha que comentário vale mais. Mas me parece que é ao contrário, que o importante são as curtidas, pois o número de comentários ninguém nem vê, me disseram. Outra fonte comentou que muita gente usa face no celular, e como entre essa gente tem muitos que tem dedo gordo, fica impossível de comentar. Uma jovem me disse que comentário é chato porque fica um tititi, uma conversaiada, que pra você entender tem que ler tudo e isso é um saco. Outra pessoa me disse que claro que é curtida, porque curtida só dá pra fazer uma, e comentário uma mesma pessoa pode colocar quatrocentos. Faz sentido. 
Lembrei dos truques de um amigo para conseguir curtidas. Ele faz assim, olha que interessante: ele fala que tem um segredo, ou, como ele chama, “um bafo”, e diz que só conta se atingir mais de cem curtidas. Como as pessoas são curiosas, todo mundo fica aflito e curte, curte, curte sem parar. Com isso ele atinge marcas inacreditáveis de curtidas com seus “bafos”. Ontem mesmo ele colocou mais um. É um bom truque, afinal quem não quer saber um segredo nesse facebook onde não acontece nada além de comentários de notícia de jornal e foto de gato (eu inclusa)? Mas isso não serve pra mim, eu lá tenho segredo? E acha que alguém ia curtir algo como: “gente a Maria tá fazendo almoço, mas eu só conto o que tem pra comer aqui se eu tiver mais de 100 curtidas!”. Ou “gente, só conto que sapato tou usando se tiver 50 curtidas!” Hahaha. 
Curtida e comentário são duas vertentes de sucesso, e, pelo que parece, jovem gosta mais de curtida e gente mais velha de comentário. Fui consultar meu filho (que não posso falar o nome nem linkar), pois ele entende bastante de internet, mas ele achou a pergunta muito específica e disse que eu deveria consultar alguém especializado em marketing digital. Não conheço ninguém nessa área, portanto aqui fica a dúvida: que vale mais, curtida ou comentário?
Enquanto isso adotarei uma regra, quem quiser me siga. Sempre que for comentar, curto também, assim a pessoa ganha nos dois. Bingo.

de ponta cabeça

Não é só minha vida que mudou dos blogs até hoje. A vida de um monte de produtos que a gente comprava também mudou. Tá, essa é uma consideração típica da Frankalândia, mas não consigo não comentar. Por exemplo, vocês já pensaram na vida da pasta de dente? Desde que nasceu e começou a ser vendida, a pasta de dente ficava deitada. Ou em pé, se tivesse o apoio de um copinho. Mas hoje em dia ela é obrigada a ficar o tempo todo de ponta cabeça. Deve ser uma tortura para alguém acostumado a dormir o dia todo, a coitada não deve estar entendendo nada. 
Mas ela não está sozinha nesse martírio. Muitos outros produtos tem atualmente a se adaptar a ver o mundo ao contrário. O condicionador, que sempre ficava tete a tete com o shampoo, agora fica naquele 69. Imagina a inveja que ele tem do fiel companheiro, deve passar os dias lá no chuveiro se perguntando: “Porque só eu? Porque ele não? Porque?". É, o destino às vezes é cruel, fazer o que. Sempre que vejo os dois na hora do banho eu consolo o condicionador: “Não fica assim, isso também aconteceu com o ketchup e a mostarda, é pra te usar todinho, é pro teu bem, você vai viver mais, condicionador querido”. 
A Maria, por exemplo, demorou anos para aceitar que o ketchup tinha que ficar de ponta cabeça. Tive um dia que mostrar o rótulo, que ela olhou desconfiada. A pimenta já entrou nessa, e ontem apareceu aqui uma maionese ao contrário. É, acho que é uma tendência que vai a aumentar cada dia mais. Pobre dos produtos pastosos. O futuro deles , infelizmente, será viver de ponta cabeça.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

reviravolta

Depois do revival bloguístico de ontem e na tentativa de retomar as atividades e voltar a escrever crônicas daqui frankalândia (como diz o Marcio Gaspar), penso como minha vida mudou do tempo dos blogs para cá. No mês passado, fiz aniversário e resolvi chamar uns amigos para comemorar. Caprichei no almoço. Tudo feito em casa. 
Uma amiga minha, que fazia tempo que eu não via, chegou perto de mim.
- Nossa Lucia. Quem fez esse banquete?
- Eu e Maria os pratos quentes, as sobremesas e as entradas eu. Obrigada, gostou?
- E desde quando você cozinha?
- Sei lá. Desde agora, ué.
- E a Maria, como está?
- Agora é maratonista. E vai montar uma mini fábrica de massas.
- Maratonista? Massas? Cê tá brincando?
- Verdade.
- E essa gatinha linda?
- Tá grávida. Devem nascer em breve os filhotes.
- Hã? Grávida? Mas ela nasceu ontem!
- É. Aconteceu.
- E esses quadros de grafite? De quem são?
- São meus. Virei grafiteira nas horas vagas.
- Você? Graf i te i ra?
- Que tem? É legal.
- Ave, bom... E teus filhos?
- Olha a Nani ali. Olha o Juca ali.
- Aqueles... adultos ali?
- O Chico tá fora do Brasil, já se formou.
- Perai Lucia. Meu Deus. Deixa eu entender. Você faz grafites e cozinha agora, a Maria virou maratonista e empresária, a gata Xim está grávida e seus filhos são aqueles adultos? Nossa, acho que vou me mudar pra sua casa para ver se acontece alguma coisa comigo.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

eu era feliz e não sabia

Quando eu escrevia só no meu blog, época que já virou “antigamente”, eu era livre. Como só blogueiro lia blog, a gente inventava as próprias regras do que podia e do que não podia. Por exemplo, era o máximo quando outro blogueiro te linkava, a gente contava as maiores histórias esdrúxulas, dizia as maiores mentiras, se colocava apelidos bobos, fazia gracinha com foto colocando tarja, cada um fazia um comentário mais ridículo e bobo que o outro, e todo mundo queria muito se encontrar para ver as pessoas eram tão legais ao vivo quanto nos blogs. E eram. Eu que o diga.
Mas isso foi somente a nossa infância na WEB. Tudo começou a mudar quando entrei no Orkut, e, do nada, gente, juro, fui presa. Na época eu contei isso no blog, em pânico. Até hoje não sei exatamente o que eu fiz, mas tive que micar dois dias atrás de uma gradinha com o treco travadaço. Lembro que escrevi o seguinte do meu cárcere no blog:
“Fui presa no Orkut. Não, não tenho culpa de nada, eu juro. E uma prisão virtual é das piores que existem: não há advogados, não há defesa, afinal, quase não há leis ainda nessa internet.”
Daí agora comecei a escrever uns textos aqui. Umas pequenas histórias, uns casos da família, uma conversa engraçada, uma consideração esdrúxula qualquer. Meu Deus, que mals. Levei muita, mas muita bronca dos... das... de... pessoas que tenho proximidade máxima, quer dizer, dos filhos, vá. Eles me deram ontem uma aula de como se portar no Facebook. Sim, porque agora tem regra, principalmente para mães de cinquenta que se acham modernaças, pois eles tomaram conta daqui. Então, ex blogueiros, aprendam.
1) Nunca linke seu filho
2) Curta o post dele somente se não aguentar de jeito nenhum
3) Se tiver que falar o nome do filho num post seu, se não tiver jeito meeeesmo, fale só o apelido
4) Isso vale, claro, para todos amigos e primos dos filhos, obviamente
5) Nunca coloque fotos deles
6) Jamais marque as fotos que nunca colocará
7) Em hipótese alguma comente um post deles ou dos amigos deles
8 ) Só compartilhe matérias e artigos dos seus filhos se elas estiverem na mídia
9) Crime médio: publicar foto do filho pequenininho na sua página
10) Crime máximo: publicar foto fofura máxima do seu filho pequeninho na página dele
Tirando isso, pode tudo, explicaram. Bom, resumindo: a internet amadureceu, agora acabou a minha infância na Web. E que saudade de ser livre de novo, mas paciência. Acho que não fiz nada errado nesse texto.
Entenderam, Elianne Abreu Diz e Nadia Maia?

natal e desperdício de energia


Natal de novo, e cá estou eu com as minhas eternas considerações sobre as luzinhas de Natal dos prédios de São Paulo. Olha. Prédio sempre tem projeto de arquiteto. Claro, tem uns que a gente gosta mais, outros menos, tem os prédios novos, os velhos, tem uns bacanas, uns razoáveis, outros incríveis. Na maioria, a gente percebe a intenção do arquiteto de fazer uma boa composição da fachada com o térreo, e infelizmente, com as grades e a guarita, que não conseguimos nos livrar aqui na cidade. Durante o ano todo, o prédio fica lá, bonitinho, proporcional, com a composição adequada de calçada, grade, fachada, entrada, jardim, hall, como foi projetado cuidadosamente pelo arquiteto. Até chegar nas noites de dezembro.
Chega em dezembro, os zeladores, porteiros, síndicos, sei lá quem, resolvem "decorar" o prédio para o natal. Só que eles decoram de dia, sem saber exatamente como a coisa vai ficar quando for de noite. E quando aquilo acende, a iluminação nunca tem nada a ver com o projeto. São caos de natal. Você olha o prédio e vê outra coisa, completamente diferente da fachada do prédio, geralmente tudo meio torto, desconexo com o projeto. Tipo aquelas imagens que você olha e vê Jesus, aquelas imagens uma dentro da outra. Eu fico arrasada com isso. Não é uma coisa caprichada, quem disse que o correto seria fazer uma minhoca na fachada, ou emoldurar a guarita, ou fazer um chuveiro de luzes nas grades? E aqueles bololôs de lâmpadas nas árvores, e aqueles troncos tortos e cortados por causa dos fios da rua em destaque, embrulhados, que horror é aquele? E meu Deus, e as renas? Não seria mais brasileiro e adequado colocar uns cabritos, umas vacas, ou, no caso de São Paulo, uns pets iluminados no jardim? Eu acho isso uma falta tão grande de capricho...
Sabe o que é? Tenho um monte de amigos arquitetos que fazem luminotécnica, e que trabalham só com isso. Iluminar é coisa séria, é coisa de profissional, e os projetos de luminotécnica se adequam aos projetos – os dois profissionais trabalham sempre juntos. Nada contra a boa vontade dos porteiros, zeladores e síndicos, mas iluminar é coisa de quem entende como a luz fica acesa. Assim, como já disse antes uns anos atrás, gente, vamos prever as luzes de natal nas construções na época do projeto? Não custa nada um profissional de verdade projetar a iluminação de natal de um imóvel, aprovada pelo arquiteto, afinal, vamos usar 1/12 do ano. Cidade limpa no natal, plis.

comer em casa

Fomos no supermercado no sábado, dispostos a comprar os ingredientes para fazer um macarrão com fungui e creme de leite, comprar uma fruta de sobremesa e um vinho. A gente entrou numas de não ir mais a restaurante e cozinhar em casa nos fins de semana, pra fazer economia. Além de ser mais saudável, fazer comida é uma delícia. Mas nesse finde chegamos a outra conclusão. Se a gente bobear, comer em casa não é barato coisa nenhuma, é se auto-enganar.
O certo seria a gente poder comprar somente o que realmente precisa, mas é impossível. Por exemplo, no caso do macarrão. A gente só precisava de 200 gramas de farinha, mas tivemos que comprar o quilo todo. Ovos, só precisava de dois, mas tivemos que levar seis. Depois o tal do fungui. Fungui seco é caro, um pacotinho custa 18 reais, aliás, um absurdo. Precisava de creme de leite, e, como a gente ia comer em casa e a ideia era comer bem, resolvemos optar pelo fresco. Mais dez reais. E queijo parmesão, macarrão precisa de queijo ralado, pimba, mais quinze reais. De sobremesa, uma caixa de figos, lá se foram mais sete reais, um vinho de vinte, pagamos e ai que caiu minha ficha. Custou 70 reais tudo. Não é tão barato comer em casa, pensamos. Trinta e cinco por pessoa? Algo errado. Desde quando setenta reais é baratíssimo? Tá, tem o vinho de vinte, mas mesmo assim, desde quando 50 reais é baratíssimo?
Daí fiz, meio por cima, um cálculo. Um macarrão barato, assim, se a gente fizer a massa e um molho de tomates e queijo, deveria custar R$ 5,50 por pessoa. Isso sim é barato. Mas se você resolver fazer um macarrão com azeitona, por exemplo, e em vez de comprar um pouquinho delas, compra um vidro todo, não é tão barato. Tá, tem aquela coisa que “você aproveita depois as azeitonas”, que é um modo de se conformar, mas que encarece, encarece. Resolvemos começar, pra entender melhor, a anotar o preço de cada comida para entender a lógica financeira do “comer em casa”. Achamos que o valor por pessoa, para valer a pena, deveria ser algo em torno de 10 reais no máximo. Ontem já conseguimos, seguindo essa lógica, almoçar um sashimi legal por 8 reais por pessoa, o que foi um luxo. Barato mesmo é arroz feijão. Agora minha meta é essa. Em casa, e barato mesmo.

uai fai

Esse negócio de wifi. Eu fui num restaurante na sexta. 
- Tem Wifi aqui, moço?
- Tem. É o nome do restaurante.
- Ah, aqui, achei. Tem senha?
- Tem. “Bem vindos”.
- Benvindo?
- É.
- Não entrou.
- “Bem vindo”, senhora.
- M ou N, moço?
- Eme, claro.
- (Claro?) Não entrou.
- A senhora pôs o S? "Bemvindos".
- Não. Ok, M e S.
- Bemvindos, com S, senhora.
- Ah. Entrei.
Conversa esquisita. Me pergunto porque o dono de um restaurante não escolhe, nunca, uma senha facinha, sem correção, pra ajudar os clientes. Senha? Batata. Senha? Gato. Senha? Boneca. Casa. Sapo. Rato. Tatu. Cavalo. Sacola. Senha? Ovo. Na Europa, quando a senha é complicada, os garçons digitam pra gente até.
Senha OVO seria demais. Qual é o perigo?
- Senha, moço?
- Perigo, senhora.

lindo o filhinho da xim


aqueles dias...

Vou trocar de carro, e recebi, do vendedor, uma lista de coisas para providenciar e entregar para ele no dia da troca do carro velho. Uma delas é a chave reserva.
- Ixi. A chave reserva eu perdi, moço.
- A senhora tira uma cópia, porque precisa entregar junto com o carro.
Fui atrás de um chaveiro. Uma fortuna fazer chave de carro. 
- Olha dona, vai demorar quarenta minutos. A senhora espera?
Tinha um sofá. O moço ia e vinha, do carro para a oficina, da oficina para o carro, diversas vezes. Uma hora ele me olhou.
- Não deu certo.
- Como assim, moço?
- Não deu certo a chave.
- Por quê?
- Por causa do dia de hoje. Sabe aqueles dias que tudo dão errado pra gente? Pra mim é hoje.
Claro que eu sei o que são esses dias, quem não sabe? Resposta perfeitamente aceitável a do chaveiro.
- Vamos fazer o seguinte, dona. Vou fazer de novo, eu faço numa boa, mas não vou deixar a senhora esperando mais uma hora. A senhora vai pra casa, almoça, eu passo lá as 4 horas, pego a chave, trago aqui e faço de novo, sem custo pra senhora pois o problema de “nada dar certo hoje” é comigo, não com a senhora. Pode ser?
- Tá bom.
O homem acabou de passar aqui em casa. Entreguei a chave meio hesitante em entregar a única chave a um homem com aquele problema.
- O dia ainda não acabou, moço. Vai dar certo?
- Tomara. E paciência. Se não der, devolvo a chave e pego de novo na segunda. Esses dias são fogo, dona. Fogo.

mami, um probleminha...

Bom, como a Nana, minha filha, não está no facebook esses dias, posso contar. 
Pediu meu carro emprestado na quarta. Quando era mais ou menos meio dia, ela me liga.
- Oi mãe. Tive um problema. Com o seu carro.
- Ai. Problema. Carro. Ai. 
- Calma. É só que ele foi guinchado.
(Só).
- Como assim, Nana? Guin cha do?
- Parei num lugar proibido aqui no estágio. Então, desculpa, eu vou resolver isso sozinha, e pagar tudo, a culpa é minha.
(Ufa, momentâneo).
- Mãe, pois é, sou eu de novo. Liguei no número da placa aqui, tem que ir no Detran, eu vou, pagar uma multa, eu pago, pegar o carro no pátio, eu pego. Acho que demora dois ou três dias.
(Tá, conformado, momentâneo).
- Mãe, sou eu... sabe, tem uma coisinha chata. Pra pagar, precisa do documento, e ele tá dentro do carro, e o carro no pátio... e pra tirar o documento de lá, só o proprietário. Eu vou com você.
(2 horas de chateação pra mim).
- Mãe, bom dia, sabe o que é? Liguei no Detran, e para eles darem o documento da liberação depois de pagar o guincho e estadia, precisa do proprietário assinar lá. No Detran. Na Avenida do Estado. Mas a gente vai junto, arrumo um carro.
(3 horas de chateação).
- Mãe, aqui no Detran, pra pagar, só com dinheiro, acabei de ver. Vamos até o banco Itaú?
(Meia hora de caminhada na Avenida do Estado).
- Mãe, putis, mas lá no pátio, pra retirar o carro, olha, desculpa mesmo mãe, mas só o proprietário. Mas eu te levo.
(2 horas pra chegar).
Entreguei o documento e liberaram. Olhei o carro, preso naquela cadeia, todo rabiscado e cheio de adesivos de lacre.
(Meia hora para lavar e tirar a cola aqui na garagem, sem a Nana, que já tinha se mandado pra Puc).
Pagar tudo ela pagou, e para me compensar, até me comprou um sukita de presente no meio do caminho. O face travado dela não tem nada a ver com a burrada que ela fez, mas me dá uma brecha para me vingar das 8 horas de chateação que a Nana me causou ontem e hoje. Hehehe. E ela não pode ler nada disso, né Chico e Juca?

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

as gatas


A Xim chegou em casa no ano passado. O gato foi um presente que eu ganhei do Chico, da Nana e do Juca, meus filhos, e já contei aqui que a gente achava que o bichano era macho, mas quando fomos ver, era fêmea. De uns tempos pra cá, tem aparecido outro gato aqui em casa, um preto e maior que a Xim, que vem sorrateiramente e rouba toda a comida dela. Quando ela, tadinha, vai reclamar, leva surras horríveis desse gato bandido. Eu pareço uma louca quando percebo o assalto, ele é sorrateiro, um verdadeiro ladrão, e saio correndo como louca para espantá-lo e defender a minha Xim. 
Há um mês, ou mais, a Xim começou a ficar cada vez mais gorda. Olhamos pra ela, todos, e percebemos que ela... bom, ela engravidou, fazer o que. Olhamos uns para os outros aqui em casa e falamos ao mesmo tempo: foi o Bandido! O Bandido, além de comer a comida da Xim, além de bater nela, ainda engravidou a Xim. Que absurdo. 
Passamos a pegar bem pesado com ele. Oras, no estado que ela está, esperando gatinhos, precisa comer muito bem, mas ele continuava a vir roubar comida. E roubar comida de uma grávida, pra mim, é péssimo. 
- Sai daqui seu Bandido, ladrãozinho de comida, deixa a pobrezinha em paz - passei a berrar a toda hora.
Bom, na semana passada o guarda da rua tocou a campainha.
- Bom dia dona. É aqui que tem um gato?
- Sim, a gente tem gato, porque?
- Porque o vizinho da frente pediu para vocês irem buscar seus netos.
- Netos?
- É, a gata dele engravidou e tem cinco filhotes. Ele falou que são filhos do gato de vocês.
- O gato dele é um preto?
- Sim, é esse mesmo. Mas é gata e não gato, e teve filhotes do seu gato.
- Moço - eu expliquei - O meu gato também é gata, e ela tá grávida do gato dele.
- Como assim? Quem é gata?
- Eu que pergunto. Como assim, o Bandido é gata?
Hahaha. Bom, quem será então o verdadeiro Bandido aproveitador das gatas da rua? 

sexta-feira, 15 de março de 2013

bicicleta? eu temo pelos meus filhos


Eu não entendo a lógica das leis. Beber e dirigir é óbvio que não pode e que é proibido. Mas beber um monte e voltar da Vila Madalena de bicicleta, sem capacete, pela contramão e furando sinal, isso pode? Sério que ninguém te multa em mil e novecentos reais e que ninguém te impede de andar de bicicleta no dia seguinte de novo? E é sério que bicicleta não precisa obedecer nenhuma regra de trânsito? E que pode andar na contra mão que os outros te defendem se você for atropelado? Sério que de bicicleta você pode beber, fumar, se drogar e ficar doidão que mesmo assim ninguém te prende? Verdade que ninguém nunca levou multa por andar sem capacete e todo mundo leva multa por estar sem cinto? Sério que não existe nenhuma inspeção veicular para as bicicletas da cidade? Sério que se nesse estado catastrófico, bêbado  ou drogado, se você se atirar na frente de um coitado sóbrio de carro, a culpa é dele? Gente, tem algo estranho nessa cidade. Perdão, mas ou alguém controla os ciclistas, ou sério, eu temo pelos meus filhos. Daqui a pouco eles acharão isso uma "boa ideia". 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ora, é óbvio...


A Maria trabalha comigo há muito tempo. E há muito tempo ela arruma a casa do jeito dela. Porém a lógica dela para guardar as coisas que não é a mesma que a minha e a dos filhos. É a coisa mais engraçada do mundo as classificações que ela faz.
Por exemplo, quando chego do supermercado e ela encontra algum produto que ela não sabe bem o que é, na dúvida, coloca na geladeira. Já apareceu de tudo na geladeira daqui de casa. Basta comprar um azeite diferente, uma cobertura de sorvete estranha, um shampoo esquisito, qualquer coisa que não seja óbvia, que, na dúvida, ela coloca na geladeira.
Mas não é só na cozinha. Semana passada um dos meus filhos disse que estava cheio de pernilongo na sala e queria o repelente.
- Maria, onde tá o repelente?
- Que?
- O creme repelente de mosquitos, Maria.
- Ora - ela respondeu, como se fosse absolutamente óbvio - está no armário das bebidas, claro.
Num outro dia, fim de semana, queríamos achar uns envelopes de semente para plantar. Ninguém achava as sementes, até que telefonamos para a Maria.
- Onde tão as sementinhas, Maria?
- Ora, onde... - ela respondeu como se fôssemos  todos burros - Na estante junto com os CDs, claro.
Assim, já acostumamos. Adaptador de tomada? Ora, na gaveta de pano de prato. Tesourinha? Junto com as chaves, claro. Remédio de dor de cabeça? Junto com os shampoos. O baralho? Junto com os livros de receita. Enchedor de pneu de bicicleta? Junto com as canetas, claro. Capacete de bike? Na poltrona da varanda, óbvio. Linha e agulha, Maria? Junto com seus casacos de inverno, Lúcia.
Nada a reclamar, a casa está sempre arrumada. E se não achamos a coisa mesmo, pode apostar que está na geladeira.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

ximmmmmmm!


Faz tempo que eu quero falar de pets. Gatos, cachorros, passarinhos, peixes. Depois do sumiço do Xingu, o nosso gato que foi passear no protetor do carter do carro e fugiu na Vila Madalena, arrumamos outro no fim do ano. Como era muito filhote, achamos que era macho e colocamos nome de homem. Mas na primeira visita ao veterinário, descobrimos que era fêmea. Até hoje é difícil chamar o gato de "ela", confundimos os nomes e no fim hoje a gata se chama "Xim". Só isso, Xim. 
Adoramos a gatinha, mas eu me pergunto todo o dia: pra que ter gato? Pra que serve gato? Pra nada, gente. Serve talvez para a gente entrar em casa e falar "Ximmmm!" e ela aparecer. Dai a gente trata a gata feito um bebê, dizendo "vem bonitinha" ou "cadê a minha gatinha", ela faz aquele charme e fim. Gato quando quer se exibir é fogo. Dizem que gato serve para matar rato, mas a nossa, talvez pela idade, ainda não caçou nenhum. Fica perambulando pela casa, na maior folga do mundo, ganhando comida, casa, abrigo, médico e carinho, tudo grátis. 
Uma vez eu li sobre a esperteza dos gatos e cachorros, que conseguiram sobreviver no universo dependendo dos homens, sendo "fofos", "companheiros" e "leais". É uma excelente técnica de sobrevivência de uma espécime, que percebeu há muitos mil anos a carência do ser humano. Sinceramente, acho a nossa gata super folgada e mega abusada, mas aqui está ela, me olhando com cara de quem não entende nada, e eu achando lindo. 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

CRÂNIO!


E quem diria... um monte de crônicas daqui do blog viraram uma peça, nem acredito! Hoje entra em cartaz a peça "Crânio", que eu escrevi, no teatro Cleyde Yáconis! 
Nossa, tô emocionada. A peça não é um amarrado das crônicas do blog, e sim uma história muito divertida sobre a gafe de uma das personagens e as tramoias que ela e seu colega de trabalho bolam para se safar. Dentro dessa trama, muitas das situações foram inspiradas nas histórias que já contei aqui nesses últimos 8 anos de "frankamente...". Minhas bobagens e teorias revividas num palco, pra mim, é de arrepiar, hahaha. Tá tudo lá, a mulher que estala a calcinha, o homem reloginho, a escova de cabelo da Patrícia, o crânio mexicano, a pelvis do Élvis, o silicone na bunda, as histórias da minha mãe, da minha irmã, as minhas... Genial. Foi um trabalho longo, que foi todo documentado aqui no blog, onde tive a parceria dos meus super amigos e atores Patrícia Gasppar e do Renato Caldas, que nossa, agradeço muito! E claro, agradeço também todos os amigos e blogueiros que me inspiraram. Não percam, fica em cartaz até dia 17/03, sempre  às sextas, sábados e domingos! Uhu, Franka em Cena!


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

TP... NET


- Todo mês eu fico nervosa e acabo brigando com todo mundo. Sempre acontece isso. Brigo com a mamãe, com você, com meu filho - disse minha irmã.
- Eu acho que não tenho mais esse problema de TPM porque eu operei, né Ângela? Mas eu sei como é, ou melhor, era. Péssimo mesmo. Parece que a gente fica possuída pelo demônio. É hormônio.
- É, mas agora eu decidi. Vou levar essa minha vontade de brigar para o lado do bem.
- Ângela, é impossível. Não dá.
- Lúcia, agora, cada vez que eu ficar nervosa, em vez de descontar em marido, filho e até em cachorro, vou ligar para a NET. 
- NET? Que tem a ver?
- Tudo a ver. Vou descontar minha raiva lá neles. Lá não é um lugar onde toda vez que a gente liga, a gente briga? Então. 
- Então?
- Então nas minhas TPMs vou mudar de plano da NET. Vou encher o saco deles. Ah, eles vão ter que me aturar, porque eles aturam todo mundo. Além disso, minhas brigas são tão péssimas que acho que vou até pagar menos. Ou talvez me deem até uma assinatura grátis. E se com a NET não der certo, vou ligar para a Vivo, Claro, para todos os call centers que conheço. Nossa, tenho certeza que vou me dar muito, mas muito bem.
Hahaha. Achei a ideia excelente.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

caixinha reciclável


Foi na sexta feira antes, nesses dias antes do natal. A campainha aqui de casa não parava de tocar. Gente pedindo caixinha. Talvez todo ano seja assim, mas como agora fiquei em casa, recuperando de uma cirurgia, eu que atendi todos os trezentos mil pedidos de caixinha. Era carteiro, lixeiro, homem do saco de lixo, cara da Eletropaulo, da Sabesp, varredor de rua. Os meus trocados foram acabando, e só restava falar para o próximo que acabou, que não tinha mais nada. Foi quando a campainha tocou lá pelas sete da noite. 
- Oi dona, é o lixeiro da reciclagem. Tem uma caixinha de natal?
Nossa, coitado, eu não tinha. Dava pra ouvir o barulho do caminhão parado.
- Moço, juro, veio tanta gente aqui que eu fiquei dura. Não tenho nem uma moeda, é muita caixinha que tem para dar. Você me desculpa, faz assim, passa amanhã, que eu dou um jeito.
- Ah, dona, não vai dar, a gente só passa às sextas feiras... então deixa...
Vi que ele ficou meio desenxabido, triste, e saiu de frente de casa. Foi quando eu tive uma idéia. Gritei de novo por ele.
- Moço! Volta!
Ele veio todo animado e eu fiz a proposta.
- Como te disse, tou sem um puto. Mas tem umas cervejas geladas na geladeira. Se eu te der uma, você fica feliz?
- Feliz? Se eu fico feliz? Ô - ele disse animado - mas se a senhora tiver 3, porque estamos em três aqui, vamos os três ficar muuuuito felizes! Tamos correndo sem parar, imagina, uma cerveja gelada!
Resolvido. Peguei na geladeira as três melhores e levei na porta. Os três estava sorrindo muito, e quando viram as latas, começaram a bater palmas para mim. Hahaha. Palmas, imagina. Acertei em cheio. Me senti a melhor moradora da rua. Pensando bem, os caras catam milhões de latas vazias, imagina que delícia ganhar uma cheia? Mó caixinha reciclável, fala a verdade.