sexta-feira, 2 de julho de 2010

uns segredos do facebook



Agora que acabou a Copa, vou me concentrar em assuntos mais importantes. Como Facebook. Hahaha. Por isso, resolvi colocar aqui algumas observações de como funciona o facebook.
Bem, a primeira coisa que notei é que quando você entra, você não quer convidar ninguém. Dá a maior vergonha. Quando o Zé entrou, eu fiquei insistindo e ele relutando.
- Eu não vou "convidar" ninguém pra ser meu amigo. Eu, hein. As pessoas que me convidem.
- Mas Zé, é teu irmão, pô.
Depois que você entra, tem que entender como funciona. Um amigo meu, da vida e do facebook, disse que passou um tempão sem saber qual a graça do facebook, porque não percebeu que existia a "página inicial", onde fica todo mundo - ele não saia da página dele, onde só tem o que você coloca com seus amigos do lado.
- E eu olhava aquilo, intrigado, e pensava: pra que serve isso?
Hahaha. Já comentei aqui também como é complicado ser muito inativo no facebook, porque o facebook te deda pra todo mundo: "ei gente, o fulano está inativo, ajuda o cara a arrumar amigos e a se mexer, pô". Mals. Depois tem o lance dos comentários. Uma amiga minha, também da vida e do facebook, disse que detesta quando um desconhecido comenta um comentário dela. Que ela se sente invadida.
- A pessoa nem me conhece e vem dar palpite no que eu falo? Ah, vá. Não pode, pô!
Tem outro amigo meu que conheceu um cara outro dia num bar, conversaram um pouco, e no dia seguinte o cara convidou ele pra ser amigo dele.
- Acredita? Não aceitei.
- Mas porque? Que tem de mais?
- Não, nem vem, homem não aceita amigo assim, do nada, Franka.
Já outro amigo recebeu um convite de amizade de uma moça completamente desconhecida. Olhou, fuxicou no perfil dela, não descobriu quem era. Resoveu aceitar, a moça era simpática. No mesmo dia se arrependeu. Era uma vendedora de uma loja de material de construção, e agora ele recebe propaganda da loja sem parar.
- Olha o truque, Franka!
É. A gente tem que tomar cuidado.
Passei um tempão recebendo atualizações daquelas fazendinhas, até descobrir como a gente tira aquilo. Ufa. Mas o mais grave, que não sei se é verdade, é que outro amigo me disse que dá pra saber quando uma pessoa não te aceita como amigo.
- Pois é, foi chato. Eu entrei no facebook e chamei um monte de amigos - ele contou - e toda hora eu entrava no computador pra ver quem tinha me aceitado e quem ainda estava com aquela "solicitação de amizade pendente". E de repente eu vi que um cara sumiu dali. Não tinha mais nem o cara, nem a tal "pendência" Sumiu! Será que isso quer dizer que ele me recusou?
Ii. Será que é verdade? Ai que perigo a gente convidar os outros. E que pena, perdemos.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

crânios e faces



Eu não parei de escrever aqui no "frankamente...". É que viciei no facebook. Acho que esse fenômeno aconteceu com todos os blogueiros. Lá no facebook tá cheio de gente. Uma multidão, e fica todo mundo falando, comentando, tagarelando e isso aqui ficou super vazio. Eu meio que fico fazendo mini-posts por lá, porque lá não dá pra fazer postão como aqui. Na verdade tou mega dividida, acostumei a escrever muito, lá não dá. Passei a escrever aqui colocar o linque lá, mas tenho preguiça às vezes. Também tem o lance da minha peça de teatro, "o crânio", que vai ter uma leitura pública e grátis no MASP no mês que vem, e tive que revisar o meu estrambótico texto umas mil vezes. Isso tomou um tempão. Mas mesmo com crânios e faces, não largo o frankamente não. É tipo um filho, e filho a gente cuida sempre.

domingo, 20 de junho de 2010

é brincadeira





Não dá pra não falar da Copa. Tem dois personagens muito importantes que viraram assunto aqui em casa. Um deles é o Dunga. Putz personagem o Dunga. Coloca umas roupas nada a ver, uns capotões chiques, estilosos, super fashion. E usa anel. Anel, um monte de anel. Tem a coisa dele chamar Dunga, que é um dos sete anões, e tem também a coisa dele usar anel, que me lembra o Senhor dos Anéis. Hahaha. Divertido. Qual será o modelito do próximo jogo? Mas o maior assunto aqui em casa, que foi tão comentado como o jogo, é o comentarista da Band, o Neto. Aquele que fala "é brincadeira" e que tem uma voz mega caipira. A gente não gosta da Globo e nem do Sport TV. Gostamos da Band e dos caipiras. Ele foi se empolgando durante o jogo, se empolgando com aquela voz cada vez mais caipira, e começou a dizer que o Júlio César era o maior goleiro do mundo (do mundo, notem), que o artilheiro era o melhor do mundo, dai ele foi se empolgando mais e mais, e quando deram o chute no Elano o cara berrou "quebraram a perna dele!" e começou quase a chorar. Hahaha. Eu adoro gente que se entrega assim. Estamos aqui em casa lembrando do jogo e rindo do Neto. É brincadeira.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

o geraldinho



Falaram que um tal de Geraldo Anhaia Melo era legal no Facebook. Eu li alguns feeds dele, achei a sinceridade dele o máximo. Gamei. A gente se espanta com quem não é travado em Facebook. Travado assim, em internet pública em geral. Pedi pra ser amiga dele na hora. Nem conhecia, e ele me aceitou. Legal, mais máximo. Dai ele, do nada, morre. Gente. Caraca. A vida e a morte são ali-ali, no real e no virtual. Caraca , putz. Dai eu tinha colocado um feed bobo no Facebook na sexta feira falando sobre "morrer no Facebook". Falando sobre o que fazer com o Facebook com uma possibilidade da nossa morte, coisa que a gente não gosta de falar, mas que pode acontecer com todo mundo. E brinquei e disse que se eu morresse no face, ia pedir pra alguém me manter viva e tal. Putz, até escolhi a Márcia Kawabe, que fala mais bobeira que eu pra ser minha alma penada. Isso foi uma idéia idiota de uma pessoa viva, sabe idéia idiota de pessoa viva que, na alegria do dia a dia, não pensa que o outro pode morrer de verdade? Pois é. Eu. Tou me sentindo meio mal com isso, ao mesmo tempo penso na minha sinceridade de conseguir contar isso. O Geraldinho era brilhante no Facebook. Ele fazia minicrônicas da vida dele, a gente acompanhava. Eram textos brilhantes, a là Bortolotto, super inteligentes e nada travados. O máximo. Eu sou travada em Facebook, gente, por isso a recorrência desse assunto. E gente travada como eu não coloca coisas que não sejam certinhas no Facebook e morre de inveja dos não-travados, livres, independentes. Eu fiquei hoje pensando sobre essa coisa e resolvi falar a verdade em homenagem a ele, o quanto fiquei impressionada com a verdade dele até o último minuto, em quanto a verdade é impressionante pra quem faz literatura, e em quanto a verdadeira literatura é legítima até o último minuto.

sábado, 12 de junho de 2010

namoração




Tá a maior animação o dia dos namorados aqui em casa. Todos meus três filhos tem namorados(as) e hoje tá todo mundo de casalzinho por aqui. Super legal. Tem lareirinha acesa, uns chocolates, teve jogo de copa e tá o maior frio. Nunca isso tinha acontecido, essa coisa de eu ficar cercada por tantos namorados, e ainda por cima em casa, por isso meu espanto. Esse clima de namorico todo em volta de mim tá sensacional. Puta astral. Super legal namorar.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

livinzinho, terração



Engraçado reparar nas plantas atuais dos apartamentos à venda. Virou meio moda agora os prédios terem salas encolhiiidas e varandas enooormes, crescidooonas. Repara que interessante. Na maioria dos lançamentos imobiliários, a sala serve apenas como hominho theater, com sofá e tv, uma salinha fechadinha, e o restante do espaço é sempre uma enorme varanda, com mesa, churrasqueira, sofás e às vezes até forno de pizza. A idéia de transformar um apartamento fechado num espaço com um tipo de quintal é legal. As salas dos apartamentos eram muito fechadas e escuras, janelas são itens caros de construção e estavam ficando cada vez menores. Com a idéia da varanda, que quem quiser fecha com vidro, resolve esse problema. Só acho que se todo mundo resolver churrascar no domingo, vai ficar a maior caatinga no condomínio.

sábado, 15 de maio de 2010

franka prateada







Olha ai como era verdade. Olha ai a entrevista. Olhai que eu não gaguejei nenhuma vez. Olha a atrapalhação, gente do céu e pensar que isso foi ao ar. Eu fico rindo de tudo o tempo todo, pareço uma boba. Mas só sei que depois dessa entrevista, me animei. E se a Franka vira, assim do nada, uma entrevistadora? Fiquei me imaginando com a aquele gravador não mão de novo falando com muitos famosos e não famosos. Mas peraí. Ninguém vira entrevistadora assim, de repente. Pra a Franka dar certo de entrevistadora, ela precisa de um diferencial. Ora, a Franka sempre falou dos assuntos mais bobos da paróquia. Então ela deve ter um programa de entrevista onde ela entrevista a pessoa e pergunta sobre os assuntos mais bobos da paróquia, oras. O senhor acha que os pastéis de queijo são um alimento em extinção? A senhora já pensou porque a gente dirige carro sentado do lado, e não no meio do carro? Já reparou que tem geladeira que não dá pra colocar imã? Você já notou que depois das fotos digitais a venda de porta retrato caiu como nunca? Ou, como nessa entrevista do Prata, onde pergunto pra ele se ele prefere... duchinha ou bidê? O meu programa podia também, ter um tema. Dependendo do entrevistado, um tema ligado a ele, bobo e essencial. Hahaha. Ia ser muito engraçado mudar de vida assim, e nossa, como eu deliro às vezes.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

franka entrevista o prata



Gente, que coisa engraçada. Ontem eu entrevistei o Mário Prata. Foi assim, de surpresa. O Fábio da Rádio USP veio com essa: que tal eu, a cronista da rádio USP, entrevistar o Prata, o cronista famosão? Afinal ele tá lançando um livro, tá super na mídia esses dias, é meu amigo e.... O que eu achava, ele perguntou? Eu tenho um problema, não consigo recusar nada, principalmente uma coisa exdrúxula como essa.
O primeiro passo foi perguntar pro Prata se eu podia. Ele topou, era pra eu encontrar com ele na livraria Cultura meia hora antes do lançamento do livro "Os viúvos". O Fábio da rádio despencou um gravador pra mim, depressinha. Foi dai que me toquei. Meu Deus. Entrevistar o Prata? E perguntar exatamente o que, dona Franka? Eu não li o livro novo dele antes, não sabia direito o que se pergunta numa entrevista, aliás, nunca fiz uma entrevista na vida. Que confuso, por onde se começa? Resolvi fazer um roteiro. Escrevi um começo com uma apresentação e umas perguntas sobre o livro, sempre disfarçando o fato de não ter lido antes, depois fiz um daqueles ping pong de perguntas bobas e resolvi falar, claro, do assunto do momento: a escalação da seleção feita pelo Dunga. Com um roteiro desses, achei que emplacaria.
Cheguei lá toda atrapalhada e me anunciei. Moço, eu vim entrevistar o Mário Prata. Sei lá, eu tava meio sem graça, mas o moço se animou e contou super alto pra todo mundo: "o Mario Prata chegou? Essa moça aqui vai entrevistar! Ein? Ele já tá ai?".
O Fábio da Rádio me explicou tudo. Como ligava o gravador, como usava. E me disse pra sugerir pro Prata pra gente ir pra um cantinho. E lá fomos nós, eu e ele pro cantinho, pra aquela entrevista íntima, de cronista franka pra cronista famosão. Hahaha. Dai eu percebi que era só conversar e mais nada. Deu super certo. Consegui que ele falasse mais bobeira que eu, os assuntos foram de futebol a cueca. Vai ao ar nessa sexta a noite, as nove, no programa Áudio Papo, USP FM 93,7. E eu tou me achando a maior Franka-Jô da rádio da paróquia.

E essa capa desse livro com essas tarjas? Nossa, o Prata me imitou?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

o meu mini-craque dos santos



Eu tenho um São Benedito, um São José e uma Santa Luzia em cima da minha geladeira. Coloco os três juntos porque tenho a maior dó de santo sozinho, sem amigo. Acontece que o meu filho João abre muito a geladeira, e toda vez que o João abre a porta da geladeira, plunct!, o São Benedito dá uma dançadinha pro lado, e toda vez que o João fecha a porta da geladeira, catablofttum!, o São Benedito... cai de lá de cima. Gozado que a Santa Luzia e o São José não caem, será que são santos mais... equilibrados? Ou menos quebrados e bambos? Não sei, só sei que meu São Benedito é um santo saltador. Bom, e como o João tem muita fome e abre muito a geladeira, o São Benedito, coitado, cai muuuito de lá de cima. E óbvio, ele se quebra sem parar, perde a cabeça, perde pedaços. Gente. Não aguento mais colar aquele santo. Ele já está, inclusive, encolhendo, ficando cada vez mais baixinho, a cabeça cada vez cola num pedaço mais abaixo, ele está é virando tipo um... mini craque. O mini craque dos Santos. O misterioso é que acho que de tanto ele cair, ele aprendeu truques. Outro dia ele deu um mortal de lá de cima (depois de um violento catabloftum de porta do João), e, acreditem, caiu de , entre a geladeira e o microondas. Em pé, gente, sem perder a cabeça, sem se quebrar. Mini craque total. Meu Neymar de geladeira.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

franka encantadora de cães



Ela tá muito desobediente, a nossa cachorra Sopa. Impossível controlar a pequena fera que ela virou. Não que ela ataque as pessoas, não é isso, o problema dela é o o excesso de alegria, a pulação, a lambeção, a excitação, e no final, a encheção de saco, porque ninguém aguenta um cachorro que fica em cima de você feito louco. Além disso, ela entrar em casa e não sair virou moda, ela aprendeu direitinho a brincar de pega pega e esconde esconde com a gente. O Zé até que ela obedece um pouco, já comigo ela abusa feio. Foi ai que a gente resolveu chamar um treinador.
O cara passou a vir aqui em casa e ensinar a cachorra. O cara é bom, precisa ver como a Sopa obedece as ordens dele. Quando ela tá com ele, ela fica inteligente e super comportada. Senta, fica, deita, cumprimenta, roda, dança, sei lá. Uma santa. Mas o problema é que ela passou a ser obediente só com ele, o que não adianta nada. Reclamei.
- Ela tem que me obedecer, ô treinador, não obedecer você, que nem mora aqui e nem é dono dela, pô.
- Calma - ele disse - para ela te obedecer você tem que ser líder dela. E para isso, eu vou treinar você. Esse é o próximo passo.
- Você vai o que? Me treinar?
- É.
E foi assim que eu sai no sábado com o treinador para ser... treinada. É, isso nunca tinha me passado pela cabeça, essa coisa de ser treinada por um treinador de cães. Ele me explicou como eu tenho que fazer para ser a líder dela, lá do jeito que se ensinam os cães, eu fui obedecendo direitinho as ordens dele, tim tim por tim tim. A todo momento eu pensava que ia voltar pra casa e declarar pra todos que aprendi a sentar, deitar, cumprimentar, rodar e dançar, igualzinha à Sopa e até melhor que ela. Hahaha. Franka, super adestrada. Foram duas horas de aula, eu, ele e claro, a Sopa. Mas a melhora foi pequena, acho que preciso de mais aulas.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

minha vida embaçada



É o tipo da coisa que dá a maio tristeza quando começa a acontecer, essa coisa da gente começar a enxergar tudo embaçado. Sem nitidez. Tenho uma amiga que fala que isso é bom, que a natureza é sábia, porque na nossa idade a gente começa a ter rugas, e não é muito bom enxergar bem a cara uma da outra.
- Você acha que estou velha, enrugada? - pergunta a amiga 1, sem óculos.
- Não, imagina, você está ótima, não tem ruga nenhuma! - responde a amiga 2, sem óculos - e eu?
- Você não tem ruga nenhuma também, fica fria.
Duas ceguetas. Hahaha.
Outra coisa ótima pra disfarçar ruga é foto de celular. Ô coisa boa celular tirar foto ruim, porque todo mundo fica fora de foco e, claro, com cara de mocinha total. Mas voltando ao assunto da visão, desde que ando vendo tudo embaçado tenho relutado pra burro pra usar óculos. Nunca usei, me acho super bete-a-feia e tento não colocar. E descobri outro dia um acessório sensacional pra os humanos embaçados como eu: as lanterninhas.
A primeira que ganhei é o máximo. Um lanterninha com tamanho de caneta, com um lampadinha de led que faz um foco redondinho. A luz é uma bolinha, parece um mini-holofote, e funciona que é uma maravilha pra ler jornal, revista e cardápio de restaurante. Desde então, passei a colecionar lanterninhas, já tenho 3. O lance agora pra mim são essas lanternas chaveiro, que ficam acopladas na chave, e que servem também para te ajudar a achar o buraquinho da chave do carro. Tenho uma modernérrima, que dá até pra pendurar no pescoço. Por enquando elas ainda funcionam pra me ajudar a enxergar, depois sei lá.

domingo, 2 de maio de 2010

é legal ou chato colocar festa no facebook?



Atenção, gente. A gente tem que tomar o maior cuidado, não pode sair colocando foto e marcando pessoas no facebook assim sem mais nem menos. Achei que não tinha problema nenhum, e que as pessoas que tão no facebook estavam lá justamente porque queriam aparecer nas fotos dos outros no facebook, mas nananinanão. É um putis perigo. Eu fui num jantar, e no meio da festa, eu lá toda animada com meu telefoninho tirando fotos e fazendo tim-tim, tim-tim, tim-tim (eu achei um barulho de "clic' de foto no celular que é um barulho de um brinde e que é demais), quando fui avisada pelo dono da casa:
- Ô Franka, quer tirar foto tira, mas nada de facebook, ein?
- Hã? Nada de colocar um jantar com amigos no facebook? Como assim?
Foi um balde de água fria. Me deu a maior tristeza, mas ele deu a explicação. Disse que essa coisa de colocar foto de festa e jantar no facebook dá muito problema, pois as outras pessoas, os outros amigos que você tem no facebook que não foram na festa vêem que você deu uma festa e que não convidou eles. E que isso gera um monte de reclamação, "pô, que coisa Fulano, deu um jantar de novo e não me chamou?", "pô, foi seu aniversário, tava legal eu vi, não lembrou de mim?", "pô, você sabe que adoro vatapá e não me convidou?" ou apenas "!". Ele explicou que essas pessoas ficam tristes pra caramba, ele não pode convidar os trocentos amigos pra jantar, então não gosta de colocar nada no facebook. Ele disse que tem gente que deve estar quase se suicidando de tanto que não é convidado. Tudo culpa do facebook. E arrematou que ele é legal com os amigos dele do facebook e que não fica exibindo festa que ele deu. Nossa, foi a maior lição de moral virtual.
Eu confessei que nunca tinha pensado nisso, e confessei também que já fiquei meio enciumadinha de ver foto de jantar ou festa de gente que não me chamou. Dai tive a idéia de tarjar as pessoas, mas ele falou que era bobeira. Argumentei que aquelas eram fotos de pessoas felizes e que a gente deve sim colocar fotos de felicidade, que isso traz energia super boa, mas ele não mudou de idéia. E nessa hora todo mundo que tava no jantar começou a ouvir a nossa conversa e começou a maior discussão. Uns ficaram indignados, "como assim, a Franka não pode pôr essas fotos no facebook? Porque?", outros concordaram que era chatérrimo gente que fica exibindo sua felicidade e uns outros, que não tinham facebook, ficaram boiando total. Bom, resumindo, o jantar foi super legal mas não foi pro facebook porque eu não queria era perder o amigo dono do jantar, continuei no tim-tim, mandei as fotos pelo email e acho que post no blog eu posso colocar, afinal ninguém sabe de quem tou falando. Fica ai a dúvida. É chato ou não?

sexta-feira, 30 de abril de 2010

uma coisa a se pensar...



Fica esse monte de gente entrando e se inscrevendo no facebook, e eu tou vendo tudo: daqui a pouco vai ter gente que vai começar a morrer e dai eu quero ver como vai ser. A pergunta é: gente, como avisar o facebook que você morreu? Será que alguém pensou nisso? Porque o facebook, se não souber de nada, vai ficar sugerindo que um monte de gente te adicione e tal. Mas se você morreu você não vai poder adicionar ninguém, e dai o facebook vai avisar naquela janela da direita que você está 10% inativo, depois 20% inativo, depois 30%, 40%, ... 90%, não é? E será que a inatividade no facebook chega a 100%? E será que nessa hora ele percebe que você morreu? Acho que não, porque tem gente que apenas enche o saco de tanta vida social virtual. Eu sei que tou falando um absurdo, mas isso me veio a cabeça: não é esquisito a pessoa morrer na vida real mas continuar viva no facebook como se nada tivesse acontecido? Sei lá, isso deve dar até uma energia ruim pros nossos espíritos, pensa, eles não vão totalmente embora porque o facebook fica puxando o cara pra terra, meio horrível isso. Isso fora as pessoas que vão falar mal de você, que não responde, que não aceita amizade e tal. Então pensei que o facebook devia obrigar a gente a nomear uns amigos "coveiros", que depois que você morresse poderiam entrar no seu face e colocar um tipo de tumuluzinho lá, pra todo mundo ver que você morreu, e quem sabe até fazer homenagens póstumas, escrever frases lindas, te desejar boa morte e tal. Esses amigos coveiros podiam, inclusive, ganhar os amigos da pessoa que morreu, seria um bom pagamento pra o trabalho. Ah. Sei lá como resolver. Mas que essa é uma boa questão pra gente pensar, ah, isso é.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

ká limo



Outro dia fiquei matutando sobre carros. A gente sempre é obrigado a comprar um carro inteiro. A parte de fora, o motor, a parte de dentro. Ninguém reclama de comprar tudo de uma vez, e claro, eles colocam tanto coisa nesse produto que carro custa super caro. A gente só tem a opção de comprar carro velho (barato) ou novo (caro). Não existe a opção de comprar um carro só com a parte de fora e o motor pra economizar. Casa ou apartamento você pode comprar vazio e depois montar a parte de dentro como quiser. Não entendo porque no mundo dos carros você não pode fazer isso. É sempre obrigado a levar aquele monte de poltrona e banco, tem gente que nunca usou o banco de trás. Puta desperdício.
Imagina que legal. Você vai e compra um carro. Escolhe o modelo de fora, escolhe o motor. O carro vem com um banco básico, uma direção e um painél básicos, para você levar ele para casa. Dai você monta o resto como quiser, do jeito que precisar. Por exemplo, se você é sozinho, pode ter uma poltrona só, se quer carregar coisas, faz um portamalão, se prefere sofá ao invés de poltrona, manda bala. Se tem cachorro, faz casinha atrás, se tem filhos pequenos, faz um cômodo infantil. Você também poderia fazer do seu jeito. Escolher o estofamento, pintar o lado de dentro como quiser, escolher a luminária. Cada um poderia inventar o tivesse vontade. Pros decoradores era uma mão na roda, iam chover clientes novos. Assim um cara que tivesse, por exemplo, um Corsa ou um Ká, podia ter um interior de limousine. Se você pensar bem, se tirar os bancos de trás e o porta malas, daria pra colocar o maior poltronão, geladeirinha, televisão, paredes de painéis de couro, tapetes persinhas no chão. Ia ser super o máximo. Só vejo vantagens nessa idéia, só não sei com quem eu falo pra mudar esse mercado.

terça-feira, 27 de abril de 2010

remediar não é melhor que prevenir?



Hoje em dia tem essa coisa super chata da medicina preventiva. Você tá ótimo, não tem nada, não sente nada mas tem que pagar aquele mico enorme e passar horas no laboratório fazendo setecentos exames todo ano. A partir de certa idade eles te mandam fazer exames de seis em seis meses. Ixi. Olha como eu falei. "Eles". "Eles" são os médicos e eu, falando assim, parece que tou com mania de perseguição. Os meus exames desse ano eu tou adiando, adiando, mas sei que não vou conseguir cair fora. E que "eles" vão achar um monte de problema, ai que saco. O que eu não entendo é porque ainda não existe, além dessa coisa medicina preventiva, a terapia preventiva ou sei lá, psicanálise preventiva. Tipo um exame, você ia no cara todo ano e ele avaliava sua cabeça, suas emoções, atitudes e... nossa... Já imaginou que caos que ia ser? Se um dia inventarem isso, nossa, ia ser um transtorno nas nossas vidas... E pensando bem, com toda certeza muitos dos meus amigos e conhecidos, que estão ótimos hoje com seus excessos de alegrias, encontros, álcool e etecéteras, provavelmente seriam todos... internados imediatamente. Hahaha. Comentei isso com amigos, eles concordaram e arremataram que já eu iria diretamente da sala do psicólogo pro... eletrochoque. Socorro.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

conta, franka!



As pessoas tão acostumadas a me ler. Mas olha que engraçado que fica eu falando a crônica que eu escrevi na rádio, com a minha voz. Clica aqui. É o programa da semana passada. Tentei ao máximo apenas contar a história. Não "ler". Contar é diferente de ler. Acho que no rádio a gente deve contar, e aqui, escrever. Dai tive uma outra idéia que falei pra o Fábio, da Rádio USP. Num dos programas anteriores, ele colocou umas musiquinhas no final. Achei legal aqui, e perguntei se podia sempre ter uma musiquinha no fim e se eu podia escolher a música. Ele topou, e nessa crônica, que eu falo da caixa postal dos celulares, escolhi a música "Please Mr. Postman", dos Carpenters. Hahaha.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Maca Hara Ninja



Estava no caixa do super, passando as compras quando olhei a tela onde aparece o nome das coisas que eu comprei. A moça passando super rápido tudo, formando aquela montanha, pois o empacotador não dava conta. Não é sempre que existe sintonia entre a caixa e o empacotador. Como tudo na vida.
- Moça. Peraí.
Ela parou de passar os produtos.
- Pois não.
- Que é isso que eu comprei ai?
Ela olhou a tela, estranhando.
- Hã?
- Olha o que tá escrito. Macahara. O que é Macahara? Eu comprei uma ou um Macahara?
- Macarara?
- É, olha. Na verdade, é Maca-Hara. São dois nomes, moça.
Ela olhou para as compras ao redor dela, tentando lembrar o que era.
- Parece nome de agente secreta. Tipo a Mata Hari. Que estranho.
- Ah, é a maçã, senhora. Maçã Hara. O computador não coloca til e cedilha.
- Ah, essa maça tem sobrenome?
- Essa tem - ela explicou - tem muita fruta e verdura que tem nome e sobrenome. Como Laranja Lima, Laranja Pêra, Banana Maçã...
- Ah, entendi. São tipo as famílias, é isso?
- É. E a senhora comprou a Maçã Hara. Da família Hara.
- Ah, legal.
Ela ficou atenta, e logo em seguida me mostrou a tela de novo.
- E olha isso, senhora. A senhora também está comprando o Brócolis Ninja.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

controlinho toutichi?



Eu apertava, apertava, apertava sem parar o botão e o controle remoto não abria o portão de jeito nenhum. O carro parado ali no meio, atrapalhando os outros, e nada do portão abrir. Consegui entrar no prédio graças à caridade de outro condômino, e na saída fui falar com o porteiro. Um senhor de óculos, muito sério.
- Oi moço, o senhor pode abrir pra mim? Meu controle não abre. Na hora que cheguei, tentei um monte e não abriu. Acho que acabou a pilha.
- Deixeuver - ele disse, apertando o botão - está funcionando sim, dona Lúcia - declarou, categórico.
- Não está não senhor, o portão não abriu.
- Está sim senhora, olha, a luz acende. Se não tivesse pilha, não acendia. Vamos lá no portão testar - ele resolveu, saindo da guarita.
Ele foi na frente, todo exibido. Olhou o portão e apontou. "Tic", ele fez. E bastou um "tic" dele que o portão abriu.
- Viu? Tá funcionando, dona.
- Nossa, eu tentei tanto...
- É que a gente é da época do botão, dona Lúcia.
- Como assim?
- A gente aprendeu a apertar botão, apertar com força. E com força não funciona hoje em dia. A gente não entende toutichi, por exemplo, dona Lúcia.
- A gente não entende do que?
- Tou-ti-chii - ele disse bem alto - essas coisas de agora, que tem que apertar devarziiinho... de levinho... só encostando...
- Hã?
- Agora é tudo toutichi, tuuudo toutichi... a senhora veja que coisa. Máquina de retrato, celular, controle remoto. A senhora tem que aprender a não apertar muito. As coisas mudaram. Tem que ser bem de leviiinho... tou-ti-chi.
Putis. Depois de uma filosofia de faxineira, ensinamento de porteiro? Genial. O cara tem toda razão. Antigamente a gente girava botão, mexia para cima para baixo, discava telefone de disco redondo, e depois veio a inovação: o botão. As pessoas da minha geração aprenderam a apertar botão. E com força. Putis, e agora aprender o toutichi não é mole.
Desci na garagem, peguei o carro e... tic. Abriu.

domingo, 4 de abril de 2010

filosofia de faxina




- Lúcia, filha, foi você que me ligou ontem de manhã?
- Foi mãe. Mas ninguém atendeu na sua casa.
- Ah, eu sei. Eu tava no clube. A Tereza, minha faxineira, estava em casa, mas essa Tereza... ela não atende telefone.
- Ela não atende? Porque?
- Eu chego em casa e pergunto "Tereza, alguém ligou?". E ela responde "o telefone tocou duas vezes", ou "o telefone tocou cinco vezes". Mas atender, neca.
- Ué. Que faxineira estranha.
- Não é estranha não. Ela tem toda razão. Um dia eu reclamei, e ela falou "dona Hebe, os telefonemas não são pra senhora? Se a senhora não está, pra que eu vou atender? A senhora não está, ué. Se a senhora quiser eu atendo e falo que a senhora não está, mas tá na cara que se ninguém atende, a senhora não está". Entendeu, filha?
- Hã? Mais ou menos, mãe.
Hahaha.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

os mini games dos garçons


Se esse negócio que eles inventaram, de comanda eletrônica pra garçom, era pra agilizar o serviço do restaurante, desculpa mas não certo. É o mesmo que dar um monte de mini-game pra quem tem que trabalhar, pô.
- Moço, algum problema?
- Hã?
- Você tá me ouvindo, moço? - perguntei pro garçom que estava parado feito um zumbi do lado da nossa mesa, compenetrado no aparelhinho, uns dez minutos depois que fizemos o pedido.
- Um minuto, senhora.
- Algum problema com o nosso pedido, moço?
- É que eu errei o código do macarrão, tenho que deletar... pronto, consegui. Além disso eu não sei o código do espeto misto, tenho que procurar um por um. Ainda não decorei tudo. Peraí.
Eu começei a implicar.
- Zé, será que esse homem não pode fazer isso lá dentro? Tem que ficar aqui do nosso lado, plantado feito um poste, jogando esse joguinho e ouvindo nossa conversa?
- Sei lá, Lú, não tou entendendo nada, será que ele errou muito na hora de clicar? - cochichou o Zé.
- Ele nem me ouve, deve estar perdendo o jogo total. Viu que ele fala como nossos filhos falam quando eles estão no videogame e a gente chama pra almoçar? "Péra, toiiino!"
- "Toíiino", é, é isso mesmo. E a gente chama, chama e eles não vem. Idêntico ao garçom.
- Isso tá super "toiiino", Zé, que saco.
Qual o problema do bloquinho de papel? No restaurante aqui do lado de casa, a gente chegava, fazia o pedido e os garçons, depois que escreviam rapidinho no bloquinho, conversavam com a gente, faziam gracinhas, jogavam conversa fora. Ai veio a comanda eletrônica, eles dizem que fazem treinamento e tal, mas que nada. Demoram horas e horas para lembrar o código da coca-cola, do bife, do hamburguer, erram, apagam, deletam, e se perdem todos para adicionar limão e gelo. Olha só. Não é tudo que é moderno que funciona, vamos considerar, vai. Um cara que nunca jogou um joguinho não vai conseguir nunca ser campeão. Esse negócio de comanda eletrônica, pra mim, é uma das maiores asnices do mundo moderno.
- Conseguiu, moço? A gente tá com fome...

domingo, 28 de março de 2010

o fim da caixa postal



Gente, atenção. Vamos aprender uma coisa. Não adianta mais deixar recado na caixa postal dos celulares dos outros. Os celulares ainda tem a tal caixa postal, tem como gravar recadinho, nome, mas ninguém chega até lá. É muito longe. É, longe. Demora para você conseguir gravar, e demora mais ainda pra você conseguir ouvir. Depois que os telefones passaram a ter identificador de chamadas, depois que todo mundo aprendeu a passar torpedo, pra que caixa postal? Pra ler um torpedo basta apertar um botãozinho e o recado tá ali, escrito, de modo super facil pra gente ler. Super bacana torpedo.
Hoje em dia a gente tem pressa. A gente aprende assim com as facilidades do mundo moderno. A gente anda super sem paciência, eu acho. Não aguenta mais esperar nada. Eu vejo por mim, eu sinto que a minha pressa tem aumentado muito. Eu não aguento esperar aquelas longas e longas horas para ouvir meus recados da caixa postal, e muitas vezes as mensagens ficam mais de uma semana lá, esperando que eu salve aquelas vozes do limbo. Mas eu morro de preguiça. Ué, se é urgente, pô, passa torpedo. A cada dia eu recebo mais torpedo. Torpedo é um ítem em ascensão. Caixa postal está em baixa total.
Um dia, ano passado, conheci um cara que tem uma voz linda. Uma vozona bacana, parece voz desses locutores de rádio. Tive uma idéia. Pedi pra ele se ele poderia gravar uma mensagem pra mim no meu celular. Oba, ele disse, é pra já. Gravamos e ele falava: "alou, você ligou para a lúcia, ela não pode atender, deixe seu recado". Achei aquilo o máximo. Achei que todo mundo ia comentar. Putis, Que nada. A voz do locutor ficou lá naquele mundo longínquo da caixa postal e ninguém reparava. Até eu esqueci a vozona grossa lá. Porque as pessoas são meio assim como eu: telefonam, e, se a pessoa não atende, desligam e esquecem. Todo mundo sabe que teu telefone fica gravado no telefone do outro, não precisa deixar recado. Parece bobo falar "oi, eu liguei", se tá na cara que você ligou. Uns meses depois, olha só, meses depois, o Zé descobriu a voz do homem, acho que meio sem querer, e falou que era esquisito uma voz de homem no meu telefone. Tá, eu tirei e coloquei de volta a minha vozinha: "oi aqui é a lúcia, deixe seu recado, tal". E agora eu tou de novo lá, naquele fim de mundo inacessível, minguando cada vez mais, louca pra receber um recado, sozinha... Mas o mundo é assim mesmo, vence o mais forte, uns morrem, outros nascem e o torpedo tá ai, bombando. O único problema do torpedo é que você tem que escrever. O legal seria se você falasse e o torpedo se escrevesse sozinho. Calma. A gente chega lá.

quarta-feira, 24 de março de 2010

de volta pro passado, por favor...



Liguei pra minha mãe no fim da tarde de ontem, conversamos um pouco. Logo em seguida ela me liga de novo.
- Lúcia, filha.
- Oi mãe, que foi?
- Você pode me ligar de novo?
- Ligar? Mas a gente não está falando no telefone?
- É, mas eu perdi o sem-fio. Falei com você agora pouco, desliguei e não sei onde coloquei.
- Você está falando do celular?
- Não, do outro sem-fio.
- Você tem dois sem-fio?
- Tenho. Me dá uma raiva quando eu perco um deles...
- Não tem aquele botãozinho que apita no lugar onde ele... dorme?
- Deve ter, sei lá. Liga pra mim que é mais fácil.
- Então desliga esse sem-fio ai porque você vai se confundir.
- Eu não sei desligar.
- Coloca embaixo da almofada do sofá então.
- Pra que?
- Pra você não ouvir o triiim desse ai, mãe.
- Ah, boa idéia. Tchau.
Foram 4 ligações até ela percorrer a casa toda e encontrar o aparelho sei lá onde. Atendeu duas vezes o que estava embaixo do sofá, reclamando que o som dele era muito alto.
- Eu tou ficando muito maluca, filha? É a idade.
É nada. Aqui em casa é a mesmíssima coisa. Tem dias que a gente não atende o telefone porque ele desaparece feito um fantasma. Geralmente está dentro da almofadas do sofá, por isso dei essa idéia para ela. Eu penso que ainda bem que telefone toca. Porque controle remoto não toca, e quantas vezes eu não deixei de trocar de canal porque o controle desaparece e até hoje não descobri onde é o botão de ligar da tv na tv. Juro, já apalpei aquele aparelho inteiro feito doida. E não é só um controle que todo mundo tem na sala, são sempre dois, e, se a gente considerar o dvd, três. No meu quarto morro de medo de perder o controle do ar condicionado, porque já olhei e olhei, e o ar não tem botão mesmo. Óbvio que controle remoto tem que ter apito, gente. Não pode uma pessoa fazer um controle remoto sem apito. Ou um fio. Aliás, qual o problema do velho e bom botão de liga/ desliga? Ai que saudade.

quarta-feira, 17 de março de 2010

considerações sobre o tchauzinho



- Olha lá a Adriana lá dando tchau pra gente - falou o Zé, antes de começar a palestra - Oi Adriana! – e ele cumprimentou a nossa amiga de longe, dando um tchauzinho.
- Zé, você deu um fora. Acabou de dar.
- Eu? Porque?
- Porque a Adriana não te cumprimentou. Aquilo que ela fez de longe não é um cumprimento que uma mulher faz prum homem, ainda mais um homem acompanhado da mulher. Aquilo é um cumprimento de uma mulher pra outra mulher.
- Como assim? Ela me viu, ficou toda animada, deu tchauzinho super animado, abanando as duas mãos, você não viu?
- Vi. E era pra essa mulher na sua frente.
- Como, Lú?
- Verdade. E olha, ela tá indo falar com ela. Nem te viu, Zé.
- Ixi, Verdade, que furo. Como você sabia, Lú?
- Zé, um cumprimento de longe de mulher pra outra mulher é diferente de um cumprimento de longe de uma mulher pra um homem ou pra um casal. Os cumprimentos entre mulheres são exageradinhos, cheio de abanos. Uma mulher que vê outra mulher de longe é histeriquinha, “iú, iú, iú, ai que saudade, perai que já vou aí, iú, iú, iú”. É uma coisa assim enquanto abana as mãos. Eu sou mulher, eu sei. Entende?
- Mais ou menos como a Adriana fez comigo?
- A Adriana não fez aquilo pra você, Zé, já disse, você deu um fora!
- Ai, Lú, lá vem ela. Acho que agora é comigo e com você.
- Shiu, presta atenção como ela não vai abanar e não vai falar "iú, iú, iú" pra você. Ouve.
- Oi Zé, oi Lúcia! Que bom ver vocês! – a Adriana disse, super comportada, dando um beijinho discreto em cada um de nós.
- É... oi Adriana - respondeu o Zé, firme feito estátua.

sexta-feira, 12 de março de 2010

o cacareco solar do zé



Fomos comprar umas coisas pra casa na Leroy Merlin, eu e o Zé. Na hora de passar no caixa, vi que o Zé tinha pego uma caixa com alguma coisa estranha.
- Que é isso que a gente tá comprando, Zé?
- Uma coisa que achei. Olha que legal. Uma luminária de jardim que acende com aquecimento solar. Sem fio.
- Nossa.
- Ela fica pegando luz o dia todo. E daí a noite acende. E custa vinte e oito reais. Acha caro? Achei legal.
- Mas Zé, essa luminária é toda torta. Que formato é esse?
- Ela imita pedra, Lú.
- Pedra?
- É. Olha. Acho que é pra disfarçar que ela é uma luminária. Você olha no jardim e não vê nenhuma luminária, e sim uma pedra. E a pedra acende, assim do nada. Genial.
Chegamos em casa e o Zé correu pra ligar a tal luminária solar.
- Que é isso que o papai comprou, mãe? - perguntou o João.
- Uma luminária solar pra o jardim, parece... - expliquei.
- Toda torta? Que cacareco é esse?
- Não é cacareco, João - o Zé disse - é uma luminária solar de jardim disfarçada de pedra.
- Ou seja - disse o João - é cacareco sim. O cacareco solar do papai.
O Zé penou um pouco pra conseguir fazer funcionar - era preciso ativar um "pino" que não ativava - mas no fim conseguiu. Colocamos no meio do jardim, bem no meio, onde bate sol (não sei se funciona bem na sombra ainda). E quando anoiteceu, milagrosamente uma lampadinha fraquiiiiinha acendeu. Não é que o cacareco solar funciona mesmo? Tá certo que lá pela meia noite o treco já está pedindo arrego, mas que acende, acende. Estou pensando em fazer um jardim só de pedras, cheio de cacarecos. Ia ficar lindo.

quinta-feira, 11 de março de 2010

as regras do ovo de páscoa



Comprei um ovo de páscoa do Homem Aranha pra o Luiz, meu sobrinho. Estava escrito que o ovo vinha com uma caneca do Homem Aranha. Achei legal a idéia do brinde do ovo ser uma... caneca. Um coisa útil. Mas a caneca, por causa das suas dimensões, veio fora do ovo. Ou melhor, o ovo veio dentro da caneca.
- Oba, tia, um ovo! Brigado!
- Tem uma caneca do Homem Aranha no ovo, Luiz.
- Legal - ele disse, desembrulhando e tirando o ovo da caneca - olha, tem um caneca mesmo.
Ele resolveu comer o ovo na mesma hora. Tirou o alumínio, abriu as duas partes de chocolate e se virou pra mim, assustado.
- Tia, o ovo veio sem brinde!
- Como assim, Luiz?
- Olha, não tem nada dentro do ovo. Nada! Que absurdo isso, tia!
- Luiz, o brinde dessa vez veio fora do ovo. O brinde é a caneca.
- Não, não é assim, tia. Não pode ovo de páscoa sem brinde. Pode ser até um bombom, mas sempre tem que ter alguma coisa dentro de um ovo de páscoa. Sempre!
- Mas tinha fora, Luiz.
- Fora não é brinde, tia. É a regra do ovo do páscoa ter coisa dentro, sempre!
Minha irmã interviu.
- Luiz, você ganhou um ovo de presente, não reclama, menino. Que feio.
- Mãe, eu não tou reclamando do presente, já disse brigado pra tia. Tou só falando que é um absurdo um ovo vir vazio! Não pode! É contra as regras do ovo de páscoa!
- Que regras, filho? O brinde tava fora!
Puxa vida, eu concordei. Ele tinha toda razão.
- Luiz, eu te entendo, esse ovo que eu te dei é completamente errado - eu disse, avaliando a situação - você tem toda razão, abrir um ovo e não achar nada dentro é o fim! Vamos reclamar e... Já sei. Vou fazer um post pra esse ovo ridículo e... vazio. Deixa eu tirar uma foto.
- Oba! - ele disse colocando o ovo no braço do sofá - Pronto, pode tirar a foto, tia. Mas eu já comi um pedacinho, será que tem problema?

terça-feira, 9 de março de 2010

durma em paz, coelhinho



Foi aniversário da minha irmã Ângela hoje. Minha mãe fez uma festinha na casa dela. Minha mãe cozinha bem, faz comidas super gostosas, mas o lance dela são os doces. As sobremesas. Os bolos. Cheguei e fui direto olhar o que ela tinha feito pra Ângela.
- Tem bolo, mãe?
- Claro. Tá ai no aparador - ela avisou.
- Mãe.
- Que.
- Que é esse negócio no bolo?
- Esse negócio o quê.
- Esse enfeite.
- Ah. É um coelhinho da páscoa.
- Ele tá deitado, mãe?
- Tá.
- Porque, mãe?
- Era grande demais. Ficava muito alto em pé. Não achei menor no Pão de Açucar e não quis ir até a Kopenhagen.
- Ah.
Chegou o João.
- Vó?
- Que, João.
- O coelhinho da páscoa morreu?
Chegou o Chico.
- Nossa, por que a vovó colocou um defuntinho de coelho no bolo da tia Ângela?
- Shiuuu, Chico - eu implorei - Não zoa do bolo da tua vó, pô.
A Ângela chegou, viu o bolo, olhou estranho.
- Uau. Tem um coelho deitado no meu bolo, mãe?
- Tá dormindo, tia - disse a Nana, rindo.
- É o coelhinho da páscoa, filha - ela explica - Estamos perto da páscoa agora. É o enfeite.
Na hora de cantar parabéns, minha mãe coloca as velas de um modo estranho e alguém comenta.
- Vamos dar parabéns pro coelhinho morto da tia. Eba. Olha que velório estranho.
E na hora de servir o bolo, a Ângela, acostumada à mãe, perguntava.
- Quer bolo? Com ou sem coelhinho morto?
O cadaverzinho acabou no terceiro pedaço. Uma delícia o chocolatinho. É. Minha família é meio esquisita mesmo.

terça-feira, 2 de março de 2010

franka jr.



Olha que incrível. Terei um programa de rádio! Fui chamada para ler as crônicas daqui do "frankamente..." na rádio USP FM 93,7. E claro, topei na hora.
Na verdade, o Fábio Rubira, o jornalista da rádio USP que me chamou, explicou que não se trata de um "programa". Programa é grandão e comprido, o meu é pra ser curtinho, por isso se chama "programete". Em cada programa vou ler uma ou duas crônicas, acho que dura uns cinco minutos no máximo, e esses programetes entrarão durante a programação.
Claro que eu estranhei - e muito - a idéia de ler uma crônica minha no rádio. O rádio é outra mídia completamente diferente da escrita, e achei meio impossível eu apenas... ler. Quer dizer, no meu caso, afinal fui eu que escrevi o texto e todas as histórias que conto ou idéias que comento são reais. Queira ou não, os texto da leitura muda. Penso que o mais importante é contar a história, seja escrevendo ou falando.
Mesmo não sabendo bem como as coisas iriam acontecer, topei. Inventei um nome para o programa, "fala, franka!", escolhi uma música para a vinheta, uma marchinha chinesa ding-ling (não tenho idéia porque), escolhi as crônicas e lá fui eu pra rádio gravar 4 programetes. Foi estranho e engraçado, pois como algumas crônicas tinham diálogos com os filhos, com o Zé e com a minha mãe, eu tive meio que imitar eles falando. Fiquei meio nervosa, claro, embora tenha tentado ser o mais natural possível. E gravei. O meu programete vai ao ar agora nessa sexta feira, no programa Áudio Papo, lá pelas 9 e meia da noite, com repetições durante a semana. Os horários aviso quando eles me derem.
A apresentação da minha vinheta quem fez foi um locutor de voz linda, chamado Mário Jr. Aliás, locutor sempre é "alguma coisa" Júnior, já repararam? Se a gente dá uma googada em "locutor" e "júnior" junto, nossa, aparece uma infinidade de locutores Jr. do Brasil todo. Por isso pensei em mudar meu pseudônimo na rádio para Franka Jr. Hahaha. Genial. Franka Jr., do programete Fala, Franka.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

um milhão de amigos pra bem mais forte poder cantar



Facebook é legal, tenho me divertido bastante por lá, mas só agora, quando adquiri minha verdadeira identidade: "lúcia". Eu entrei como "Franka", e meus amigos de escola e faculdade, que não acompanharam o blog, se recusavam a ser meus amigos. Achavam que eu era um spam. Também, quer o que? O sobrenome da Franka é "Jason". E Jason, bem, Jason não um negócio meio serial killer? Sei lá. Desisti de ser Franka no face. Passei a ter um certo medo de mim. No face é melhor você ter a sua face de verdade.
Porém face tem umas coisas que não entendo. Uma delas é como as pessoas conseguem ter tanto amigo. Não é possível. Eu juntei todos meus amigos, todos que conheço e deu 134. Dai fui olhar os outros. Meu Deus. Tem gente com mais de trezentos, outros com mais quatrocentos. Nossa, que poucos-amigos que sou, me espantei. Será que é verdade? Será um truque que ainda não aprendi? Meu afilhado me disse que é porque a maioria dos meus amigos é velho e não tem face, e que na geração dele todo mundo tem. Não sei, tem amigos meus que são velhos e tem centenas de amigos, ora. O engraçado é que querendo não, eu fico com a impressão que aquilo é uma competição, entende? E como sou competitiva, ando a cada dia com mais vontade de ganhar. Quero amigos, poxa! Como eu faço pra ter um milhão de amigos pra bem mais forte poder postar?
Mas a coisa mais chata do face, não sei se vocês repararam, é que o próprio site não quer que uma pessoa tenha pouco amigo. As pessoas com pouco amigo sempre aparecem em destaque numa janelinha à direita, em cima, e em baixo da foto delas está escrito algo assim: ajude o fulano a achar amigos! Ele não tem amigos, dê uma força! E essa janelinha vai pra todos os amigos dos amigos, e até para aqueles que tem quatrocentos, quinhentos, então imagino que o fato de você não ter amigos vira uma fofoca nacional. Ai que medo de ir parar naquela janelinha, gente. Aquilo não é bulling? Sou a favor do face, sou contra a janelinha do bulling, mas tou no face. Alguém mais quer ser meu amigo? Hahaha.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

o bluetooth do mandioca



A gente tava no restaurante almoçando, eu, o Zé, os filhos. De repente, apitou o celular do Zé.
- Ué - ele disse - tem alguém querendo fazer bluetooth comigo.
- Aqui no Senzala? Quem é? - perguntou um dos meninos.
- Nossa que estranho... - e ele olhou o telefone, confuso - é um tal de "Mandioca".
- Mandioca, Zé? - eu estranhei.
- Mandioca, pai? - o Chico perguntou, rindo.
- Mandioca... - o Zé leu de novo, pasmo.
- Pai, porque um tal de Mandioca quer fazer bluetooth com você? Que coisa mais esquisita... - falou o João - iii...
- Você conhece algum Mandioca, pai? - a Nana indagou.
- Será que aqui no Senzala as comidas fazem bluetooth com os clientes? Daqui a pouco chega um bluetooth da Feijoada, outro do Espeto Misto, outro da Meia Picanha, hahaha! - comentou o Chico.
Bem naquela hora, diante da cara confusa do Zé e das gracinhas dos dois mais velhos, eu olhei para o João, que estava bem na minha frente e mexia em algo no seu colo. Ele percebeu que eu percebi algo, e fez rapidamente um sinal de "shiuuu, mãe".
- Aceita o Mandioca, pai - o João disse rapidamente.
- Eu aceitar o Mandioca? Eu? Nem a pau! - falou o Zé, ainda escasquetado.
Não aguentei e tive um acesso de riso. E para não encompridar a piadinha, o João confessou.
- Sou eu, pai. Era uma brincadeira com você.
- João! Pô! - o Zé ficou bravo.
- João, filho - eu quis entender - de onde você inventou essa gracinha?
- Eu sempre faço isso, mãe. A gente precisa inventar um nome pra ser visto nos bluetooths, não é? Eu então sou o Mandioca. Que é que tem de mais?
Uma semana depois, na pizzaria do clube, o meu telefone apitou.
- Tá tocando seu telefone, mãe - alguém disse.
Era um aviso de bluetooth. De quem? Do "Imperador do Amor".
- João!
- Tá, tá, sou eu...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

a cocacolona




Foi naqueles cafés-pipoqueiros-lanchonetes da sala de espera do cinema. Estávamos eu, Zé e João morrendo de sede, pedimos uma coca cola e uma água.
- Coca pequena ou média? - a mocinha perguntou.
Ficamos na dúvida. O Zé arriscou.
- Hum. Média.
Putis, veio um balde enorme. O João e eu olhamos pra o Zé.
- Nossa, que exagero, Zé... - comentei - deve ter uns dois litros ai.
- E essa é a média, Lú - ele observou - imagina a grande.
- Mas não tinha grande, mãe - lembrou o João - Eu ouvi o que a moça disse. Só "pequena" e "média". Vocês não acham estranho isso?
- Isso o que, Juca?
- Isso que eles fazem atualmente em um monte de lugares. Eles vendem cocas "pequenas" e "médias", e não vendem a "grande". Porque então não vendem como "pequena e grande"? Se só tem duas...
- É mesmo, filho.
- A mesma coisa na pizzaria lá perto de casa. Tem pizza média e grande, já reparou? Mas não tem a pequena. Então deviam colocar no cardápio: pizza pequena, pizza grande, claro, e tirar a média.
- Porque será que as coisas do nosso mundo ficaram assim? - o Zé perguntou.
- Pra enganar, pai - disse o João - eles tão enganando a gente,tá na cara. No caso da pizza talvez seja para eles cobrarem mais por pizza pequena. Como se a deles não fosse tão pequena e valesse mais.
- E esse lance de coca média, João? - indaguei.
- Ué, deve ser pra não dar vergonha na hora de você pegar. Você pede a média, afinal não é grande, vem esse balde imenso, e dai você pensa: "nossa, imagina a grande". A grande não existe, é imaginária, o nome "média" é só pra disfarçar e deixar a gente a vontade aqui na sala de espera do cinema. Tudo truque pra vender, mãe. Os caras de marketing devem chamar isso de "a enganação da cocacolona".

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

o cartão do césare



Estávamos conversando num fim de tarde, eu, o Césare e minha irmã Angela. O Césare é um amigo nosso que é ator e faz animações para festas de crianças. Os shows dele são super bacanas, a gente morre de rir. Recomendo.
- Vou fazer uns cartões novos para distribuir - ele anunciou - uns cartões bem legais, tou estudando como fazer e...
- Hum, Césare, eu tava pensando... - falou minha irmã, que se virou pra mim - Lú, lembra do cartão do saxofonista?
- Aquele cartão com foto? - perguntei.
- É - ela respondeu e explicou para o Césare - é que a gente recebeu um cartão de um cara saxofonista, e o cartão do cara é uma foto dele tocando saxofone. O cara é bacanão, ficou legal o cartão dele. Vou buscar pra te mostrar, perai.
- Cartão com foto? Não é uma coisa exibida? - perguntou o Césare.
- Não acho - eu intervim - ora, se você vai contratar um cara pra tocar na sua casa, por exemplo, é bom saber quem vem. Não acha legal saber qual é a cara da pessoa que vem?
- Claro - concordou a Ângela, mostrando o cartãozinho do saxofonista pra o Césare - mas é claro! Imagina se você contrata um saxofonista com cartão sem foto e aparece um sujeito horrível na sua casa. Ter uma boa aparência ajuda muito quando se trata de shows, Césare. É ótimo essa coisa de fazer um cartão com cara. Importantíssimo isso.
- Mas só "cara" não adianta, Ângela. Olha o cartão do saxofonista, ele está de corpo todo na foto.
- É verdade, lúcia... - e ela passou a tapar o corpo do cara com os dedos - Olhando um cartão só com a cara da pessoa você não sabe se está contratando um gordão... um magrelo... um anão...
O Césare deu um pulo.
- Anão?
- É, Césare - e ela concluiu, definitiva - cartão de corpo todo é melhor.
Uma semana se passou, encontramos o Césare de novo. Ele abriu a carteira, deu pra gente seu novo cartão e lembrou.
- E reparem: ahá! De corpo todo!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

o primeiro banho do ano

Detesto lavar o carro. Além disso, meu carro não merece ser lavado: tem quebrado, esquentado, fervido, morrido, não tranca as portas direito, não fecha o vidro direito, tá com o ar condicionado quebrado e os botões do rádio caídos. Faz um tempão que eu não lavo. Não dá vontade de lavar um carro que não te dá paz. Não arrumei tudo ainda, mas hoje resolvi dar um banhinho nele. No calor achei que seria uma delícia.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

parede com atrito



Ontem na hora do jantar o João contava da casa de um amigo. Ele vive na casa desse amigo. Eu nunca fui.
- João, tenho curiosidade de saber como são as casas dos seus amigos... Acho a nossa casa tão esquisita, tão mal arrumada. Como é a casa desse amigo, por exemplo? É chique, decorada, super organizada? - perguntei.
- Ué, mãe, é uma casa normal.
- Como a nossa?
- Não, diferente, claro.
- Diferente como?
- Não sei o que você quer saber, mãe. Pergunta direito que eu respondo.
- Hum, vou fazer algumas perguntas então, filho.
- Vai.
- Hum. Tem paredes coloridas na casa?
- Tem. Um monte. Tem uma amarela, uma vermelha escura, uma azul. Mas uma delas, mãe, é daquelas com atrito. Sabe como é?
- Hã? Parede com atrito?
- É, daquelas que quando você encosta, dói.
- Dói? Você quer dizer parede com textura? Com massa texturizada?
- 0 que é textura?
- Esquece, já entendi, João. Agora outra pergunta. O sofá. Como é o sofá da casa?
- O sofá é daqueles que tem um pano que dá pra escrever com o dedo.
- Hã?
- Sabe aquele pano de sofá que se você passa o dedo de um lado ele fica de uma cor e se passa de outro fica de outra cor? É assim o sofá. Dá pra escrever o nome. Eu sempre escrevo.
- João, que respostas absurdas. Deve ser camurça sintética.
- Camurça o que? Sei lá o que é isso. Continua, mãe. Faz mais perguntas.
- As cadeiras da mesa de jantar. Como são as cadeiras da mesa de jantar?
- São cadeiras de mesa de jantar.
- Mas como são?
- São...
- O que você está fazendo de olho fechado, filho?
- Lembrando da sensação de quando sentei lá porque não lembro. Olha, na parte de trás tem uma parte dura, não é estofado. Já onde senta é fofo, tipo almofada.
- A mesa é de vidro ou madeira?
- Não percebi, só olhei a comida.
- Tá, acho que já entendi como é a casa.
- Não vai perguntar do lugar mais importante?
- Qual o lugar mais importante?
- O lavabo, ué, mãe. Você vive falando de lavabo e banheiro em crônica.
- Como é o lavabo, João?
- Todo decorado, escuro, estilo antigo, com quadros e remédios.
- O que é um lavabo com quadros e remédios? O que você quer dizer com isso dessa vez?
- Quero dizer que tem quadros na parede e remédios na pia, ué.
- Remédios de verdade?
- É, remédios de verdade, qual o problema? Eles deixam os remédios da casa no lavabo, acho que é pra o caso de alguém precisar urgente.
- Remédios no lavabo?
- É, parece um banheiro de uma vovozinha hipocondríaca.
Que nó. Bom, acho que minha casa é normal.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

a escolha de franka



Quebrou a fechadura do portãozinho da rua de casa. Não fechava de modo algum. Liguei para o chaveiro.
- Preciso que vocês mandem alguém aqui, por favor. Quebrou a fechadura do portão.
- Pois não, senhora. A senhora tem preferência por alguém?
- Hummm. Uma vez já veio um rapazinho aqui. Um magrelo. Não lembro o nome.
- Sérgio? Altair? Júnior?
- Hummm. Acho que foi Júnior.
- Tá, vou mandar o Júnior.
Um tempo depois chega o Júnior com sua maleta. Acertei o nome, era o mesmo que tinha ido no ano anterior. Mexeu, bateu, aparafusou e arrumou a fechadura. Garantia de seis meses, ele disse, pois a peça está enferrujada. Paguei o conserto.
- Muito obrigada, Júnior, e tomara que eu não precise te chamar tão cedo, né?
- É. Mas muito obrigada a senhora.
- Muito obrigada de que?
- Muito obrigada de me escolher.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

big big borrão



No BBB desse ano tem um cara que é maquiador e um menino-emo magrelo que também adora se maquiar. É o paraíso das meninas, que estão praticamente dentro de um... salão de beleza. Um monte de Amys Winehouses. Mas tudo vira tragédia dia após dia dentro da "casa", as meninas choram sem parar e se borram todas. Parece filme de horror, aquele monte de olho roxo, escorrido. Dai o maquiador e o emo passam metade do programa limpando a cara delas e falando "meninas arrumem isso, pelo amor de Deus, o Brasil inteiro tá vendo!". É muito engraçado.

sábado, 30 de janeiro de 2010

aluga-se 1 vaga em NY




Na viagem que fizemos pra NY no final do ano passado, alugamos um carro para viajar para outras cidades. Como íamos sair num dia de manhã cedo, pegamos o carro um dia antes, no fim da tarde. Bem no fim da tarde.
- É muito caro estacionamento aqui nessa cidade - comentou o Zé - temos que ficar o mínimo possível com carro aqui para pagar o mínimo de estacionamento.
- Quanto que é, pai? - um dos filhos perguntou.
- Não sei bem. Mas sei que tem lugares que cobram até 20 dólares se passa de uma hora. Uma fortuna. Todo mundo sabe - O Zé comentou.
- Nossa... - me espantei - que fortuna! Tem lugares em São Paulo que cobram 15 reais por hora e eu já acho um absurdo...
No dia que ficamos por lá, conseguimos achar um lugar meio escondido com uma taxa por noite cara, mas razoável. E nos mandamos rapidinho com o carro no dia seguinte bem cedo, felizes de termos conseguido não pagar muito. Entramos no carro com filhos e malas.
- Sabe o que eu acho, gente? - falou o João.
- Que filho? - perguntei.
- Que a gente devia comprar uma vaga aqui.
- Como assim comprar uma vaga de estacionamento, João? Porque? A gente não mora aqui, menino.
- Comprar tipo um... investimento - ele conjeturou - porque pensa, mãe. Vamos supor que duas horas custem 20 dólares. Faz a conta! Uma vaga de estacionamento lucra mais de sete mil dólares por mês, mãe!
- Hã?
- Sete mil dólares por uma vaguinha, mãe! Um lugarzinho de nada. Putis, claro! A nossa família devia fazer isso: vender nossos carros, pegar nossas economias, comprar 1 vaga em NY e alugar. Uma só! Deve ser o melhor investimento do mundo ter uma vaga em NY. O que se gasta de manutenção em uma vaga de estacionamento? Água para lavar o chão, sabão, vassoura e tinta pra pintar as linhas, ou seja, quase nada!
- Uma... vaga em NY, João?
- Um investimento de família, mãe. E depois a gente até podia se gabar de ter um imóvel aqui.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

os sem-fome



Eu não tenho fome a noite. Muito raro. Mas existe um programa que todo mundo faz que é "jantar fora". Com amigos, com família, essas coisas. Os sem-fome como eu sofrem muito com essa atividade. Olhar um cardápio cheio de comidas quando você está sem fome é terrível. Você sabe que não vai aguentar comer o prato todo, e que vai deixar sobrar. Assim, os sem-fome, como eu, acabam pedindo sempre "saladinha". Sempre entendi que saladinha é a solução para os sem-fome, mas já não aguento mais comer saladinha. Primeiro que os restaurantes sempre erram e trazem a saladinha antes, e na hora que todo mundo janta você é obrigado a ouvir o barulho da mastigação alheia, com as mãos abanando sem garfo e faca. Depois que saladinha é fria e tem tempero ácido, e não é sempre que você, sem-fome e à noite, quer comer coisa fria com tempero ácido. Às vezes penso que até comeria um pedaço pequeno de carne, ou um pouco de macarrão, mas não muito, um pouco. Um mini risoto, mini filé a poivre, uns cinco capeletis seriam mil vezes melhor que a saladinha fria e azeda, mas não existe essa opção nos cardápios dos restaurantes. Na maioria dos lugares os pratos são sempre bem servidos. Dai vem o dilema: o que pega menos mal deixar sobrar? Carne nem pensar, imagina pedir um filé e largar mais da metade? Pecado. Peixe idem, é chato. O que pega menos mal deixar é macarrão, mas sempre vem o garçom depois perguntar se não gostei da comida, se estava ruim. É constrangedor. Além de dar raiva ter que pagar um prato inteiro e abandonar metade. Olha. Um cardápio de um restaurante deveria levar em conta os sem-fome e oferecer a opção do mini-menu. Ou petit-menu, no caso dos restaurantes franceses, por ai vai. E isso é sim o começo de um movimento que tou inventando. O movimento dos sem-fome à noite.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

duro ou mole


Bem. Pra falar a verdade, não foi só a porta quebramos no tal do hotel Lackawanna de Scranton. Quando chegamos e nos instalamos, o João entrou correndo no meu quarto.
- Mãe! Tem uma coisa genial nesse hotel.
- Que é?
- Deita na cama, mãe. Vai, deita.
- Deitei, filho.
- Agora olha esse controlinho aqui.
Era um tipo de controle remoto ligado na cama. O menino apertou, eu fui afundando devagar na cama. Uóóómmmm. Fui parar lá em baixo, a cama ficou super... mole.
- Agora vou subir você. A cama vai endurecer, mãe.
Uóóómmmm. A cama endureceu mesmo, virou uma tábua e eu subi de novo. Ficamos nessa, eu deitada e ele subindo e descendo, eu no duro, eu no mole, o João me pilotando. Sobe, desce, sobe, desce, sobe, desce, desce, desce...
- Agora chega, João, tá mole demais, ei, pááára filho, tou descendo demais!
- Mãe, não sou eu, é controle sozinho, eu não estou amolecendo a cama!
- Filho, socorro, vou parar no chão! Ai!
- Ixi, mãe, acho que quebrou.
Sai do buraco, que realmente quase chegava no chão. A cama de casal tinha enlouquecido: um lado estava alto e durinho, e do outro lado tinha um abismo afundado. Juro. O Zé entrou e ficou bravo, já quebraram? Ligamos pra recepção, pedimos a manutenção. Veio uma equipe de consertadores de amaciador e endurecedor de colchão, dois brutamontes com equipamentos e até um tipo de tubo de gás. Desmontaram tudo, colocaram o colchão em pé, bate aqui, desmonta ali, assopra lá. Avisaram que ficou pronto. Era pra eu testar, o brutamonte disse. Deitei, envergonhada na frente dos caras. Apertei o botão e fui lá em cima, no duro. Falei pra ele que tava ótimo. E não mexi mais no diabo do controle. Cada invenção mais ridícula que existe por ai. E que medo que me deu daquela cama. Imagina despencar no meio da noite?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

ai meu Deus...


Não posso ler coisa em carro, eu enjôo. Assim, memorizo o caminho do GPS com o carro parado e depois instruo. Além disso, confundo direita com esquerda, dizem que é dislexia. Péssima co-pilota, eu. Hahaha.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

obras me perseguem...


Foi no hotel de Scranton, cidade que eu inventei de passar porque é a cidade do The Office, seriado que eu adoro. A cidade ficava no meio do caminho da volta para NY, a gente precisava dormir. O hotel era maluquésimo, uma antiga estação de trem, parecia um hotel de luxo de filme de fantasma da Transilvânia, apesar de ser na Pensilvânia. No dia de ir embora, tomamos café, arrumamos as malas e como tínhamos um tempinho, sugeri um passeio a pé pela cidade. Os meninos estavam num quarto, eu e o Zé no outro. Descemos, eu e o Zé, e nada dos três. Quando chegaram, a Nana reclamava que os irmãos eram muito bagunceiros e demorados, que eles não arrumavam nada direito, que enrolavam muito e sei lá o que. Essa coisa de briga de irmãos. O problema é que ela, enquanto esperava os dois, ficou no maior pléc, pléc, pléc, mexendo na porta do quarto sem parar. Brava com os irmãos. Eu não sei se foi esse o problema, mas quando voltamos pra pegar as malas, a porta do quarto dos meninos não abria de jeito nenhum. E as malas deles lá dentro. Falamos na portaria, eles deram pra gente outra chavinha de cartão. Tentamos, tentamos, nada. Veio o cara da manutenção, mexeu um monte e nada. Veio outro cara da manutenção, e depois mais outra. Começou uma reunião em frente a porta. Percebi que a fechadura quebrou, e que não tinha abrir a peça por fora, pois os parafusos eram por dentro. Ô coisa mais burra aquela fechadura. Dai o povo do hotel pediu desculpa, sumiu e em seguida chegou um bando de funcionários uniformizados com ferramentas, escada, marretas. Marretas! Avisaram que iam quebrar a parede. Levamos um susto. Puxa vida, vou em obra todo dia, teria que passar por uma outra obra no meio da viagem de férias? Tentei entender. Não era exagero quebrar a parede? Não, explicou o engenheiro. Eles abririam o forro, entrariam dentro, quebrariam a parede em cima da porta, quebrariam o forro de dentro do quarto e disseram que entrariam por ali. Putis estrago por nossa causa, que vergonha. Foi quando a Nana falou bem baixinho que talvez tivesse sido culpa dela. E contou a história do plec, plec, plec. "Não fiquei apertanto tanto assim, eu juro", ela se defendeu. "Eu disse que esse hotel era mal assombrado", comentei. Fazer o que? Esperar. Então, já que não tinha mais na pra fazer, coloquei a máquina na mesinha do meu quarto e filmei o que acontecia no corredor. A obra durou mais de uma hora, a gente lá esperando. No fim a porta abriu, ficou aquele monte de entulho no chão e nos mandamos rapidinho, rindo. Tá, é um filme super sem graça. Mas olha como é verdade.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

o dreno e a plantinha da marquise



Relutei porque não gosto de ar condicionado. Mas minha casa é muito quente, abafada, e os quartos mais ainda, pois recebem sol nas paredes a tarde toda. No inverno é uma delícia, no verão um inferno. O meu quarto é pior ainda, pois tem duas paredes que recebem sol. Assamos devagar toda noite, eu e o Zé. E no final do ano passado resolvemos que a gente ia colocar um ar condicionado. Fomos meio mal vistos. Ar condicionado não é bom, é super anti ecológico, gasta energia, dizem que faz mal pra saúde respirar ar que não circula naturalmente, um monte de bronca dos amigos com inveja. Me sugeriram pintar as paredes externas de tinta prateada ou usar outras soluções. Mas quando pensamos que poderíamos dormir a noite toda sem acordar ensopados, esquecemos tudo isso. Compramos o ar condicionado numa liquidação de um site. Recebemos o ar condicionado. Chamamos um cara pra instalar. Ligamos. E desde então, dormimos de edredon, a noite toda, parece um paraíso.
O que eu não esperava foi um detalhe engraçado. Ar condicionado tem sempre um dreno de água que quando o ar tá ligado, ele fica pingando. Ping, ping, ping. Quando fizemos a instalação, escondi o caninho numa marquisinha que tem na frente da casa, com o tubinho a pingar no jardinzinho mixuruco da frente. Bem, esse jardinzinho nunca deu muito certo, pois está embaixo da marquise, mas desde então está maravilhoso, estupendo, fenomenal. O ping-ping do dreno do ar fez o jardim reviver. Milagre. A coisa mais incrível do mundo. Comentei isso com uma amiga, ela me sugeriu fazer um enorme jardim de jabuticabeiras embaixo da marquisinha. Depois ficamos na dúvida se isso era ecologicamente correto ou não. Afinal, pensa. Ar condicionado não é correto pois aumenta o aquecimento global, mas ar condicionado pinga e algumas plantas adoram pingo. Então pingo de ar condicionado é bom pra planta. E como uma coisa pode ser antiecológica e fazer bem pra planta? Olha, nem vem que pra mim ar condicionado é um treco super ecológico. Vou juntar dinheiro e colocar na casa toda, e espalhar os drenos por todos jardins em volta. E vou morar numa verdadeira selva amazônica, vocês vão ver. Geladinha.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

dó ré wii!



Foi inevitável. Os filhos, mesmo grandes, voltaram da nossa viagem com um monte de muamba, entre elas um videogame. Como são grandes, quase todos adultos, reclamei.
- Gente, que bobeira. Vocês ai, tudo grandão, com esse negócio de criancinha, pô.
- Mãe, deixa de ser boba. Wii é um videogame super de adulto. Tem esportes de adulto, ginástica de adulto, banda de adulto. Impossível não comprar o dos Beatles.
- E esse jogo do Mário ai? E essas direçõeszinhas de carrinho?
- Mãe, Mário Kart é um clássico dos videogames. É um jogo obrigatório.
Bem, chegamos, eles instalaram o negócio em pé (custava fazer um videogame deitado, como todos os aparelhos da estante?) e desde então a minha sala, que nunca foi arrumada, está parecendo uma... garage-band de adolescentes. Temos guitarra, microfones, instrumentos musicais e eu começei a... bem... cantar. Minha empolgação veio na segunda feira, quando melhorei da gripe e descobri que tenho uma voz maravilhosa. Hahaha. Juro. Tem um grafiquinho que aparece quando você canta e aparece a porcentagem dos teus acertos. A minha sempre dá 100%. Estou achando que sou a nova Marisa Monte, a Marisa Mother (dãr). Sugeri que a gente vire a nova Família Dó Ré Mi. Eles falam que não vale, porque eu canto no modo "easy", e que é por isso que acerto. Mas adorei o brinquedo e quase não deixo ninguém mais jogar. Afinal, nunca consegui ganhar patavina num videogame na vida. O máximo, esse iii. Tou louca pra chamar meus amigos pra gente ficar brincando.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

a garrafinha


Agora chega de viagem, de post de viagem, de falar de frio e de passeio turístico. Voltei e obviamente fiquei doente, afinal aqui tá essa quentura e o meu descongelamento foi muito rápido. Depois de um sábado e um domingo de febre, bóra trabalhar. Nem sei mais o que é isso, essa coisa de viajar com a minha família me deixa com um problema de idade mental, meus filhos falam e fazem muuuita bobeira. Olha só. Descarreguei as fotos da viagem e fiquei intrigada com a foto acima. Uma porta? Que porta é essa? Demorei pra descobrir quem tirou a foto e porquê, até que reparei num detalhe: acima da porta, lá perto do teto, tem uma... garrafinha plástica colada na parede. Viram? Ahá. A gracinha foi essa: antes de deixarmos o hotel de Scranton, o João pegou a garrafinha de água vazia do quarto, descolou o rótulo, ela ficou com cola e ele pregou a garrafinha lá no alto, o mais alto que alcançou. Dai pegou a máquina e "clic". Registrou. Ixi. a garrafinha deve estar lá até agora.

sábado, 9 de janeiro de 2010

museus shoppings


O que me impressiona nos museus de hoje são as lojinhas. Ou melhor, os shoppings centers que existem dentro dos museus. Parece que apenas ver a exposição é pouco, as pessoas querem comprar o museu todo pra elas. É tentador. Você vê o quadro, mas pode comprar o poster, o cartão, o livro, o DVD, a camiseta, o postal, o porta lápis, a bolsa, a echarpe, o clips, a bolsa, a caneca, tudo que você puder imaginar do quadro que você gostou. As lojinhas, inclusive, são muito mais cheias que o museu, porque para cada obra de arte, tem diversas versões de cacarecos que gritam: olha, eu fui, olha, eu vi, olha, estive lá. E é tipo hipnose, quando você vê está saindo com a sacolinha dali. Que cafona que é a humanidade, pensando bem.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

ora, pombas


Afe. O Zé realmente não bate bem. Fomos no Empire State Building pra mostrar pros meninos como era lá em cima, mas olha a foto da "vista" da cidade que ele me tira com o celular e me manda por e-mail. Hahaha. Éca.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

come again!


Foi numa lanchonete de beira de estrada, em algum lugar da Pensilvânia. Todo mundo tava morrendo de fome e tivemos que parar num desses lugares de fast food meio nojentos. Mas excesso de fome causa briga na nossa família, assim, resolvemos enfrentar e comer com as mãos um balde familiar de... (écccs) frango frito. Antes de sair, o João, que faz piada com tudo, olhou para a porta e brincou.
- Olha mãe o que tá escrito na porta! Hahaha!
- Juca, tá escrito "obrigado, volte sempre" em inglês.
- É, dãr, eu sei. Mas pra quem não sabe inglês pode ser outra coisa.
- Outra coisa?
- Pra um cara brasileiro, que não sabe inglês, pode parecer que tá escrito: "obrigada, e por favor, 'come' de novo".
- Thank you, and please "come" again?
- "Come" again, mãe. Hahaha.
- Juca. Eu não "come" again essa comida de novo nem morta, meu filho.
- Nem eu. Mas parece que eles imploram, fala a verdade, mami. Please, come again!

nhé