
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
big big borrão

sábado, 30 de janeiro de 2010
aluga-se 1 vaga em NY

Na viagem que fizemos pra NY no final do ano passado, alugamos um carro para viajar para outras cidades. Como íamos sair num dia de manhã cedo, pegamos o carro um dia antes, no fim da tarde. Bem no fim da tarde.
- É muito caro estacionamento aqui nessa cidade - comentou o Zé - temos que ficar o mínimo possível com carro aqui para pagar o mínimo de estacionamento.
- Quanto que é, pai? - um dos filhos perguntou.
- Não sei bem. Mas sei que tem lugares que cobram até 20 dólares se passa de uma hora. Uma fortuna. Todo mundo sabe - O Zé comentou.
- Nossa... - me espantei - que fortuna! Tem lugares em São Paulo que cobram 15 reais por hora e eu já acho um absurdo...
No dia que ficamos por lá, conseguimos achar um lugar meio escondido com uma taxa por noite cara, mas razoável. E nos mandamos rapidinho com o carro no dia seguinte bem cedo, felizes de termos conseguido não pagar muito. Entramos no carro com filhos e malas.
- Sabe o que eu acho, gente? - falou o João.
- Que filho? - perguntei.
- Que a gente devia comprar uma vaga aqui.
- Como assim comprar uma vaga de estacionamento, João? Porque? A gente não mora aqui, menino.
- Comprar tipo um... investimento - ele conjeturou - porque pensa, mãe. Vamos supor que duas horas custem 20 dólares. Faz a conta! Uma vaga de estacionamento lucra mais de sete mil dólares por mês, mãe!
- Hã?
- Sete mil dólares por uma vaguinha, mãe! Um lugarzinho de nada. Putis, claro! A nossa família devia fazer isso: vender nossos carros, pegar nossas economias, comprar 1 vaga em NY e alugar. Uma só! Deve ser o melhor investimento do mundo ter uma vaga em NY. O que se gasta de manutenção em uma vaga de estacionamento? Água para lavar o chão, sabão, vassoura e tinta pra pintar as linhas, ou seja, quase nada!
- Uma... vaga em NY, João?
- Um investimento de família, mãe. E depois a gente até podia se gabar de ter um imóvel aqui.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
os sem-fome

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
duro ou mole

- Mãe! Tem uma coisa genial nesse hotel.
- Que é?
- Deita na cama, mãe. Vai, deita.
- Deitei, filho.
- Agora olha esse controlinho aqui.
Era um tipo de controle remoto ligado na cama. O menino apertou, eu fui afundando devagar na cama. Uóóómmmm. Fui parar lá em baixo, a cama ficou super... mole.
- Agora vou subir você. A cama vai endurecer, mãe.
Uóóómmmm. A cama endureceu mesmo, virou uma tábua e eu subi de novo. Ficamos nessa, eu deitada e ele subindo e descendo, eu no duro, eu no mole, o João me pilotando. Sobe, desce, sobe, desce, sobe, desce, desce, desce...
- Agora chega, João, tá mole demais, ei, pááára filho, tou descendo demais!
- Mãe, não sou eu, é controle sozinho, eu não estou amolecendo a cama!
- Filho, socorro, vou parar no chão! Ai!
- Ixi, mãe, acho que quebrou.
Sai do buraco, que realmente quase chegava no chão. A cama de casal tinha enlouquecido: um lado estava alto e durinho, e do outro lado tinha um abismo afundado. Juro. O Zé entrou e ficou bravo, já quebraram? Ligamos pra recepção, pedimos a manutenção. Veio uma equipe de consertadores de amaciador e endurecedor de colchão, dois brutamontes com equipamentos e até um tipo de tubo de gás. Desmontaram tudo, colocaram o colchão em pé, bate aqui, desmonta ali, assopra lá. Avisaram que ficou pronto. Era pra eu testar, o brutamonte disse. Deitei, envergonhada na frente dos caras. Apertei o botão e fui lá em cima, no duro. Falei pra ele que tava ótimo. E não mexi mais no diabo do controle. Cada invenção mais ridícula que existe por ai. E que medo que me deu daquela cama. Imagina despencar no meio da noite?
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
ai meu Deus...
Não posso ler coisa em carro, eu enjôo. Assim, memorizo o caminho do GPS com o carro parado e depois instruo. Além disso, confundo direita com esquerda, dizem que é dislexia. Péssima co-pilota, eu. Hahaha.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
obras me perseguem...
Foi no hotel de Scranton, cidade que eu inventei de passar porque é a cidade do The Office, seriado que eu adoro. A cidade ficava no meio do caminho da volta para NY, a gente precisava dormir. O hotel era maluquésimo, uma antiga estação de trem, parecia um hotel de luxo de filme de fantasma da Transilvânia, apesar de ser na Pensilvânia. No dia de ir embora, tomamos café, arrumamos as malas e como tínhamos um tempinho, sugeri um passeio a pé pela cidade. Os meninos estavam num quarto, eu e o Zé no outro. Descemos, eu e o Zé, e nada dos três. Quando chegaram, a Nana reclamava que os irmãos eram muito bagunceiros e demorados, que eles não arrumavam nada direito, que enrolavam muito e sei lá o que. Essa coisa de briga de irmãos. O problema é que ela, enquanto esperava os dois, ficou no maior pléc, pléc, pléc, mexendo na porta do quarto sem parar. Brava com os irmãos. Eu não sei se foi esse o problema, mas quando voltamos pra pegar as malas, a porta do quarto dos meninos não abria de jeito nenhum. E as malas deles lá dentro. Falamos na portaria, eles deram pra gente outra chavinha de cartão. Tentamos, tentamos, nada. Veio o cara da manutenção, mexeu um monte e nada. Veio outro cara da manutenção, e depois mais outra. Começou uma reunião em frente a porta. Percebi que a fechadura quebrou, e que não tinha abrir a peça por fora, pois os parafusos eram por dentro. Ô coisa mais burra aquela fechadura. Dai o povo do hotel pediu desculpa, sumiu e em seguida chegou um bando de funcionários uniformizados com ferramentas, escada, marretas. Marretas! Avisaram que iam quebrar a parede. Levamos um susto. Puxa vida, vou em obra todo dia, teria que passar por uma outra obra no meio da viagem de férias? Tentei entender. Não era exagero quebrar a parede? Não, explicou o engenheiro. Eles abririam o forro, entrariam dentro, quebrariam a parede em cima da porta, quebrariam o forro de dentro do quarto e disseram que entrariam por ali. Putis estrago por nossa causa, que vergonha. Foi quando a Nana falou bem baixinho que talvez tivesse sido culpa dela. E contou a história do plec, plec, plec. "Não fiquei apertanto tanto assim, eu juro", ela se defendeu. "Eu disse que esse hotel era mal assombrado", comentei. Fazer o que? Esperar. Então, já que não tinha mais na pra fazer, coloquei a máquina na mesinha do meu quarto e filmei o que acontecia no corredor. A obra durou mais de uma hora, a gente lá esperando. No fim a porta abriu, ficou aquele monte de entulho no chão e nos mandamos rapidinho, rindo. Tá, é um filme super sem graça. Mas olha como é verdade.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
o dreno e a plantinha da marquise

O que eu não esperava foi um detalhe engraçado. Ar condicionado tem sempre um dreno de água que quando o ar tá ligado, ele fica pingando. Ping, ping, ping. Quando fizemos a instalação, escondi o caninho numa marquisinha que tem na frente da casa, com o tubinho a pingar no jardinzinho mixuruco da frente. Bem, esse jardinzinho nunca deu muito certo, pois está embaixo da marquise, mas desde então está maravilhoso, estupendo, fenomenal. O ping-ping do dreno do ar fez o jardim reviver. Milagre. A coisa mais incrível do mundo. Comentei isso com uma amiga, ela me sugeriu fazer um enorme jardim de jabuticabeiras embaixo da marquisinha. Depois ficamos na dúvida se isso era ecologicamente correto ou não. Afinal, pensa. Ar condicionado não é correto pois aumenta o aquecimento global, mas ar condicionado pinga e algumas plantas adoram pingo. Então pingo de ar condicionado é bom pra planta. E como uma coisa pode ser antiecológica e fazer bem pra planta? Olha, nem vem que pra mim ar condicionado é um treco super ecológico. Vou juntar dinheiro e colocar na casa toda, e espalhar os drenos por todos jardins em volta. E vou morar numa verdadeira selva amazônica, vocês vão ver. Geladinha.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
dó ré wii!

Foi inevitável. Os filhos, mesmo grandes, voltaram da nossa viagem com um monte de muamba, entre elas um videogame. Como são grandes, quase todos adultos, reclamei.
- Gente, que bobeira. Vocês ai, tudo grandão, com esse negócio de criancinha, pô.
- Mãe, deixa de ser boba. Wii é um videogame super de adulto. Tem esportes de adulto, ginástica de adulto, banda de adulto. Impossível não comprar o dos Beatles.
- E esse jogo do Mário ai? E essas direçõeszinhas de carrinho?
- Mãe, Mário Kart é um clássico dos videogames. É um jogo obrigatório.
Bem, chegamos, eles instalaram o negócio em pé (custava fazer um videogame deitado, como todos os aparelhos da estante?) e desde então a minha sala, que nunca foi arrumada, está parecendo uma... garage-band de adolescentes. Temos guitarra, microfones, instrumentos musicais e eu começei a... bem... cantar. Minha empolgação veio na segunda feira, quando melhorei da gripe e descobri que tenho uma voz maravilhosa. Hahaha. Juro. Tem um grafiquinho que aparece quando você canta e aparece a porcentagem dos teus acertos. A minha sempre dá 100%. Estou achando que sou a nova Marisa Monte, a Marisa Mother (dãr). Sugeri que a gente vire a nova Família Dó Ré Mi. Eles falam que não vale, porque eu canto no modo "easy", e que é por isso que acerto. Mas adorei o brinquedo e quase não deixo ninguém mais jogar. Afinal, nunca consegui ganhar patavina num videogame na vida. O máximo, esse iii. Tou louca pra chamar meus amigos pra gente ficar brincando.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
a garrafinha
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sábado, 9 de janeiro de 2010
museus shoppings
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
ora, pombas
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
come again!
- Olha mãe o que tá escrito na porta! Hahaha!
- Juca, tá escrito "obrigado, volte sempre" em inglês.
- É, dãr, eu sei. Mas pra quem não sabe inglês pode ser outra coisa.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
impressões sobre um grande museu
Por exemplo, percebi que talvez os romanos realmente não tenham tido nariz. Nas estátuas sempre eles estão sem (também estão sempre sem um braço, perna, cabeça e nunca tem pinto também), e a gente acha que foram as estátuas que se quebraram. Mas será que era isso mesmo? E se eles realmente não tivessem nariz?
Sempre que olho uma estátua romana, acho que as pessoas são parecidíssimas com as pessoas da minha família, embora todo mundo da minha família tenha nariz. Algumas pessoas, inclusive, tem uns imensos, que não param de crescer, segundo diz a lenda.
Bebês assustadores. Super na moda nos quadros clássicos europeus. Jimais, hahaha. Olha a cara maldosa desse dai, que demais. Nossa, acho tenho mais medo dele do que da véia cacareco. Aliás, tirei mais de vinte fotos de bebês monstros do Metropolitan, tipo "colecionei", nunca vi tanta criança com cara de má (Deus me perdoe, mas as imagens são assustadoras), e bem, se alguém quiser compartilhar meu álbum me avise que mando por e-mail. Aliás, o que será pensa um bebê satânico como esse olhando pra mim? Nossa, que medo dessa viagem. Aliás-2, hoje fez mais de menos 11 graus. E eu achando que tava frio em Scranton.
domingo, 3 de janeiro de 2010
a véia cacareco

Gente, se arrependimento matasse. Percebemos a roubada na hora que tocamos a campainha e a porta se abriu. A mulher parecia uma bruxa, andava de camisola e era mega super hiper muito demais supremamente mal humorada. Não é que ela parecia uma bruxa. Ela era uma bruxa. Óbvio.
O apartamento era moderno, mas a decoração, entulhada, fazia o ambiente parecer um... castelo mal assombrado. Nenhum parede era branca, todas eram de cores de bruxarias, como roxo, lilás, verde musgo, cinza. Brrr. A quantidade de móveis e estantes com coisas estranhas em cima era inacreditável. Nos sofás, milhares de paninhos, toalhinhas, almofadas e porta almofadas, todas de veludo de roupa de feiticeira. Um tapete não bastava, ela colocava diversos, um sobre o outro, todos muito velhos e escuros. Nas janelas, quatro cortinas pesadonas, no mínino. Isso fora os armários com vidro com coisas assustadoras dentro. Bonequinhas, bichinhos, fotos estranhas. Olhem essa boneca de terror que ficava no meu quarto, e que passou a noite toda olhando pra mim. Meu Deus. Na sala, caixas e caixas de contas e missangas, além de um estranho carrossel de bichos e doze abajures de vitral, que não iluminavam nada. E os livros de magia negra e assassinatos? Um monte. Tv? Nem pensar. Silêncio e o barulho do vento do trigésimo andar, uuúuuuú. Além disso, a mulher não falava, não fazia barulho ao andar (acho que ela voava feito fantasma), não fazia questão nenhuma de ser simpática conosco e só dava ordens: trancar a porta assim-assado, tirar os sapatos na porta e passar álcool gel nas mãos. Ela passava o dia trancada num misterioso quarto no fundo do corredor. Os meninos, claro, passaram a tirar sarro da situação esdrúxula para um dia de... férias. E daquela casa cheia de tralhas e cacarecos. E inventaram na hora um apelido para a mulher de penhoar, cabelo desgrenhado e pele ruim: "a véia cacareco". Era véia cacareco pra cá, véia cacareco pra lá. Um tipo de vingança, claro. E olha, eles repetem tanto uma piada, mas tanto, que eu e o Zé óbviamente esquecemos o nome da mulher e passamos a chamá-la de... véia cacareco também. Putis. Meio na frente dela, afinal, julgamos que ela não falava português. Rindo, resolvemos que íamos deixar um cacareco para ela. Achei um chaveiro cafoninha na minha bolsa e pendurei num canto do quarto. Hehehe, vai ficar aqui um cacareco, falei, brincando. Mas no dia seguinte os meninos vieram contar que acharam uns produtos no banheiro com rótulos em português.
- E dai, gente? - perguntei.
- Mãe! Olha! Tá escrito aqui "amtisséptico bucal"! Uma pessoa que sabe o que é um antisséptico bucal óbvio que sabe falar português. E nós falamos mal dela e rimos dela super alto aqui no antro dos cacarecos! Ela vai fazer magia negra com a gente!
Olha, pelo sim pelo não, na hora de ir embora o Zé me fez voltar e verificar mil vezes em todos os cantinhos pra ver se não tínhamos esquecido nada. Concordei com ele. Imagina se ela usa uma roupa nossa pra fazer magia negra? Céus. Melhor não facilitar com bruxas.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
super verdade
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
franka e michael scott
Era uma das opções no meio do caminho e eu não quis perder a chance. Afinal, pra que serve a vida se não forem essas bobagens? Adoro o seriado do "the office" e a cidade de Scranton estava bem no meio do caminho de hoje. E sei lá como e porque, mas todo mundo se animou e estamos todos na cidade do Michael Scott. Escolhemos um hotel pela internet, quando chegamos era um hotel histórico, chamado Radisson Lackawanna, que funciona num antiga estação de trem. Coisa mais maluca, o hall do hotel é o da estação e tem bancos de trem velhos por todos andares.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
falling franka
- Gente, atenção, estamos no meio de uma nevasca e é melhor não sairmos do hotel.
O Zé riu de mim. Segundo ele, aquilo era uma neve levinha, um tipo garoa. Hã? Menos 4 graus e ele chama de garoa? Moro num pais tropical abençoado por Deus que tou fazendo aqui? Explicando: estamos numa cidadezinha no meio da Pensilvânia chamada Uniontown e aqui, agora, oito da noite, está nevando muito, mas ainda todos dizem que não é nevasca. Caraca, o que será então? Escolhemos essa cidade pra dormir porque o Zé e eu queríamos conhecer a casa da cascata, a Fallingwater, do Frank Loyd Wright. A casa fica num local afastado dessa cidade, num lugar chamado Bear Run, e as opções de estadia ali ao lado são poucas, por isso resolvemos ficar aqui. Não sei porque fomos inventar esse treco de casa da cascata. Aqui nesse país fica todo mundo ligado no weather channel, nesse canal só tem tragédia e eu fico apavorada. Achei que íamos ser soterrados pela nevasca e até aparecer na TV: "família de turistas brasileiros resgatada depois de três dias no meio da nevasca na Pensilvânia". Implorei pra gente não ir, mas o Zé e os meninos nem me deram bola. Pra chegar na famosa casa foi uma aventura numa pequena estradinha no meio do nada, eu reclamando sem parar. Mas de repente a casa estava lá, com café, lojinha de souvenirs, como se nada tivesse acontecido. Não vou mais assistir esse Weather Channel à noite. O problema é que esse e o canal de desenhos são os únicos canais que eu entendo. Bem, e a casa da cascata é um deslumbre, emocionei, afinal estudei muito essa casa, e acreditem: mesmo a menos de 5 graus, a água da cascata não está nada congelada.
domingo, 27 de dezembro de 2009
nenhum crânio pro Obama, azar dele

franka's white christmas 3
E já que quem tá na chuva se molha e na neve se congela, e como todos as pessoas em NY vão na noite de natal pra o tal de Rockfeller Center, a nossa família, turista e cafona como nunca, resolveu ir pra aquele lugar lotado pra tirar umas setecentas fotos da gente mesmo em frente a uma árvore gigante (com estrela de cristais de verdade, dizem) e ver um monte de gente patinando e caindo. Como todo mundo falava "óóó" quando via a árvorona, a gente também se empolgou por um tempo. Uma hora encheu. Na tentativa de sair dali, encontramos um prédio que acendia e... cantava sozinho. Os meninos não resistiram e começaram a dançar, e os turistas, ao invés de filmar o prédio cantarolando, passaram a filmar... os meus filhos. Eles reclamaram um pouco porque não tinham espaço para fazer uma dança comtemporânea mais caprichada, mas valeu. E eu levei a maior bronca porque coloquei o dedo na frente da câmera na hora da filmagem. Não tou acostumada a usar luva, fazer o quê.
sábado, 26 de dezembro de 2009
franka's white christmas 2
- Vamos, mãe, vamos lá, você não vai acreditar. Parece um pesadelo, o lugar mais neurótico do mundo.
Verdade. Times Square é o lugar mais histérico do mundo. Não dá pra ficar muito tempo lá. É como se o Kassab resolvesse que é proibido colocar propaganda em São Paulo inteira, mas num pedacinho, por exemplo, na rua Augusta entre a Paulista e a Santos, é totalmente liberado. Dai as pessoas piram completamente e entopem cada milímetro do lugar com milhões de propagandas que piscam acendem mudam de cor, andam, correm, falam, sei lá, e, de tanta propaganda, ninguém vê nada que tem no lugar. Hahaha. Um inferno em terra, resumindo. Além disso, tem uma coisa muito esquisita nessa coisa do consumo desenfreado. Nada é nada que é mesmo, tudo vira uma marca que vira camiseta, brinquedo, guarda chuva, baralho, sei lá. Por exemplo, M&M. M&M é um confeito, certo? Umas balinhas coloridas de chocolate ou amendoim, cento? Uma bobagem qualquer de comer que não faz bem pra saúde inclusive, certo? Que nada. Virou uma mega master blaster loja que vende roupa, moletom, camiseta, guarda chuva, almofada, mil brinquedos, copinhos, tudo com aqueles bonequinhos gordinhos estilo Tico e Teco sorrindo, a loja mais lotada de Times Square. E no caixa, num cantinho bem escondidinho, a loja vende uns pequeninos... confeitos M&M. É. O mundo do consumo é realmente muito esquisito.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
franka´s white christmas 1
Bem, depois de um monte de confusões (deixo sempre tudo pra última hora), aqui estou eu e minha família no nosso famoso white christmas, no meio da maior neve (que idéia!) e parecendo uns bolo-fofos de tantos casacos. A viagem foi meio um suplício, só que agora não sei como vou fazer para voltar. “Meio” um suplício não, foi um suplício total e supremo, como dizem os meninos. Só de pensar no inferno que vai ser a volta, tenho arrepios. Bem. Tem sempre uma solução que me deixa aliviada, que é a idéia de não fazer a viagem de volta e ficar aqui para sempre. Não consegui dormir, não pude fumar por mil horas, estava com uma roupa apertada, o remédio pra dormir não adiantou nada e o banco do avião não descia porque agora as companhias aéreas inventaram de colocar umas mini-televisõeszinhas na cadeira da frente (a minha obviamente não funcionava) e se o banco da pessoa da frente descer muito, a pessoa de trás não vê a TV. O que é mais importante hoje? Ver TV computadorizadazinha ou dormir? É absurdo, mas a TVzinha touchcreen é mais importante. Que burrice que às vezes que é a humanidade. E gente, eu enjôo em avião. Chega, não vou mais falar nisso. Fiquei sem rir por quase 24 horas. O esquisito é que ninguém da família achou nada ruim. Nadica. Só eu. E juro, não estou na TPM.
Tinha esquecido como é engraçado viajar com o Zé e com os filhos. Tinha esquecido também como sou ruim pra falar inglês. As maiores piadas da viagem até o momento acontecem logo depois que eu falo uma frase em inglês pra alguém.
- Como que é mãe?
- Eu disse pra ele que é “too fast”.
- Hã? É o que, mãe?
- Too fast. Ou seja, muito longe. Não é isso? Errei de novo?
Um olhou pra o outro.
-Ixi. A mamãe tá muito "fast" de falar inglês direito...
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
franka minie?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
ensaio sobre a sopeira

Um dia desses esse pote, que fica em cima do tanque, caiu no chão. E claro, a Sopa resolveu pegar o pote para mastigar e destruir. Não deu tempo de tirar da frente dela, ela sempre avança nas coisas que ficam no chão e sai correndo com a coisa na boca pra bem longe. Só que ela mordeu na borda menor do pote, e a cabeça dela entrou literalmente dentro do pote. Ela não entendeu nada. De repente o mundo todo ficou totalmente branco, e ela começou a correr sem rumo, batendo sua cabeça de pote nas paredes e tropeçando sem parar. Olhava de cá pra lá com aquela cabeça de pote de sorvete, desesperada. Cadê todo mundo? Cadê o quintal? Cadê meus donos? Tadinha. Acho que ela nunca esperava por aquilo. Imagine você morder uma coisa pra brincar e de repente tudo ao seu redor sumir e ficar branco feito neve. Subitamente cega. Como no filme do Meirelles do livro do Saramago. Engraçado.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
franka aperta livro

Estávamos nós, uns blogueiros perdidos em Pinheiros na segunda feira passada, quando a Anna veio mostrar a revista Brasileiros desse mês com duas novidades: uma matéria do Márcio e uma resenha do Jayme. Todo mundo queria ler, e ela abriu as páginas e apertou bem apertado no meio da revista pra ela abrir bem.
- Ai, que feio! - a Anna disse subitamente, desapertando a revista e arrumando - esqueci não pode fazer isso que estraga a revista.
- Que, Anna?
- Não pode apertar a revista assim no meio que estraga. Lembrei agora. Tenho mania de fazer isso.
E dali em diante começou a maior conversa sobre... apertar revista. A Anna mostrou a lombadinha da Brasileiros, explicando que era ali que estragava. O Pecus falou que livro então era muito pior. Que livro você tem que ler sem abrir quase nada, que ele aprendeu. Eu fiquei ouvindo aquilo super calada. E resolvi confessar que eu aperto revista, abro as páginas de livro passando a unha e pior, dobro para trás a parte já lida. Detesto pocketbook, aqueles livros pequenos e grossinhos que depois da página 50 é impossível virar as páginas lidas pra trás pra ele virar um monobloco. Mais que isso, também dobro orelhas das partes mais legais dos livros e revistas (embora não me lembre nunca do que era legal na tal página depois). Nunca pensei que fosse proibido. Que estragasse. Aliás, quando acabo de ler um livro, eu olho orgulhosa pra o frangalho que ele fica. Na Frankolândia apertamos livros, na Gasparlândia, claro que não. É dona Franka, de novo o mundo se divide em duas partes.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
pisc pisc pisc pisc pisc

De novo esse lance de natal. Achei que quando proibiram os outdoors em São Paulo, iam proibir também as luzinhas de natal. Mas não. Parece que elas são permitidas. Tem gente que fala que é bonito ver a cidade toda enfeitada, eu acho péssimo. Mais de 90% das luzinhas da cidade são toscas, super mal colocadas e estragam os imóveis. Outro dia disse isso para o Zé, e ele discordou.
- Olha aquelas que legais.
- Zé, mas olha aquelas, aquelas e aquelas, que horríveis!
- Péssimas, tem razão. Vamos contar quantas são feias e quantas legais.
As legais perderam feio. Outro dia quase bati o carro na praça Panamericana, pois assustei que colocaram umas luzes strobo azuis nas árvores. Ficou um pesadelo aquilo. As pessoas quando vão colocar luzinha usam uns critérios super estranhos. Tem o lance de enrolar o tronco das árvores e transformá-las em monstros, que já encheu. Tem aqueles que fazem o contorno da casa. Tem outros que tentam fazer guirlandas. E aqueles que fazem chuvinha caindo nas varandas e janelas. Nenhum dá certo, repara. Não gosto, acho feio, a cidade a noite parece toda rabiscada. Falando em rabiscados, outro dia alguem falava sobre a Fernanda Young na Playboy, e meu cunhado Caio comentou que achava horrível a Fernanda Young.
- Horrível ela na Playboy?
- Não, horrível ela. Uma mulher toda rabiscada, éca, toda cheia de desenhinhos aqui e ali, parece uma carteira escolar.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
é, franka, pensou que era sopa?

- Não pára quieta, Ângela. Fica pulando e mordendo sem parar, as pessoas não aguentam ficar muito com ela, e acho que ela não entende o recado.
- Difícil ser cão, hermana. Tá assistindo o César Millan, o encantador de cães, na TV?
- Assisti todos que consegui. Uso todos os truques dele, mas ela não me obedece. Acho que não sou a líder da casa. Minhas calças e sapatos já estão em frangalhos, e eu estou toda cheia de mordidas nos braços, mãos, pernas.
- Ela tem medo de alguma coisa? Barulho, bola, aspirador de pó?
- Hum. Ela tem medo de caixa.
- Caixa? Como assim?
- Ela tem medo de caixa de papelão, dessas grandes. Quanto maior, mais medo ela tem. É a única coisa que ela foge. De caixa.
- Ótimo, já é alguma coisa, Lú. Encha sua casa de caixas, ué. Caixas por todos ambientes. Caixas na sala, na cozinha, no hall. Caixas aonde você não quer que ela pule e morda você e as pessoas.
- E a gente, as pessoas que visitam, ficam todas no meio das caixas? Não vai ficar meio entulhada a minha casa?
- É temporário, pensa, Lú. Depois ela aprende. Ou então... hummm, tive uma idéia! O melhor seria encontrar caixas de geladeira, aquelas enormes, aquelas que cabe uma pessoa dentro. Nossa, difícil encontrar caixa de geladeira... as pessoas não compram muitas geladeiras... já sei, coloque um anúncio "aceito caixa de geladeira"e dai...
- Peraí. Pra que caixa de geladeira, Ângela?
- Para as pessoas vestirem, Lúcia!
- Vestirem? Entrarem dentro?
- É. Resolvido o problema da Sopa. E coloque um aviso na sua porta "se a Sopa te encher, entre na caixa de geladeira".
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
correndo de pernas curtas

Esse amigo arrumou um emprego num empresa grande e tinha um chefe que gostava muito de esportes. Logo no início, o chefe quis saber se ele fazia alguma coisa.
- Eu corro no clube, ele disse.
- Ótimo, disse o chefe, temos um time de corredores aqui na empresa, vamos em maratonas e corridas. Vou apresentar você ao time.
Chefe é chefe, ele pensou, melhor não contrariar. Ele não é um super corredor, mas topou entrar no time da empresa, e logo em seguida foi avisado que teria que correr a São Silveste. Achou chato, não era exatamente aquilo que ele queria fazer no reveillon, mas o emprego era tão bom e o chefe tão animado que concordou. Que remédio. Ganhou o kit da corrida da empresa, com camiseta com propaganda e tudo. O "time" combinou de largar junto, como uma equipe.
Lá foi ele no meio do bando, todo uniformizado. Correu, correu, correu e uma hora não aguentou mais. Não que não estivesse treinado, apenas não estava muito a fim de correr tanto. Uma certa hora houve uma dispersão e ele olhou pra cá, para lá e não viu ninguém da empresa, nem o chefe. Escapuliu pra uma ruazinha e pegou o primeiro táxi que encontrou e pediu para ir para os Jardins.
- Meu senhor, não dá pra passar a Paulista por causa da corrida.
- Então me deixa do lado de cá que vou o resto a pé, ele pediu.
Desceu na Brigadeiro e foi andando pela calçada, ao lado da corrida. Foi quando ouviu vozes chamando.
- Rapaz! Ô rapaz!
Era uma turma enorme de corredores da terceira idade, que começaram a animá-lo. Uns senhorzinhos super simpáticos.
- Rapaz, que qué isso? Você, tão moço e já desistiu? Vamos, corra com a gente! Temos o dobro da sua idade e estamos firmes! Falta muito pouco! Venha!
Ora, ele pensou, já descansei mesmo, acho que vou entrar na corrida de novo. Olhou pra cá, pra lá, não viu ninguém da empresa e pulou a corda de volta pra corrida. Entrou na Paulista com sua nova turma e pimba, passou a reta de chegada. Foi super aplaudido pelos senhorzinhos.
Tudo normal, ganhou medalha e foi pra casa. Porém quando encontrou o chefe e os colegas no trabalho no início do ano, não teve coragem de contar que... pegou um táxi. Ia pegar mal, o patrão ia ficar uma fera, e ele achou melhor não falar nada. Pensou que aquilo não teria consequência nenhuma. Bom. Tudo correu bem até que saiu a classificação, e ele (óbviamente por causa do táxi), tirou a melhor classificação da empresa. Fez um tempo maravilhoso, incrível, nossa, que preparo físico! Todos vieram elogiá-lo, e ele cada vez mais sem graça. Parabéns, parabéns!
Isso ele me contou esse ano, quando trocou de emprego, e o boato da sua sensacional classificação chegou na empresa nova. Agora foi convidado para correr novamente a São Silvestre, mas pela empresa que está. Ficou desesperado com o sucesso. Correr de novo? E agora?
- E agora, Lúcia, o que eu faço? Você pode me buscar no meio do caminho e me deixar na Brigadeiro de novo?
que legal
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
dinopão ou pãoduá?
domingo, 29 de novembro de 2009
a tapeação da pipoca
sábado, 28 de novembro de 2009
música longe em lugar perto

Sempre que a gente vai nalgum lugar, bar, restaurante, loja, shopping, festinha, tem uma música tocando. Nada contra, adoro música. Só acho engraçadas as escolhas. Tem lugares que colocam músicas que são nada a ver com o lugar. Eu sei como é, também erro aqui em casa às vezes. Um dia dei um jantar e logo que servi a comida resolvi colocar uma música no meu aparelhinho de som. O meu aparelhinho é velho e desatualizado, mas achei que recuperaria o status dele com o cabo do meu iPod. Durou pouco, uma vez que meu iPod não é mais meu depois que um dos iPods dos meninos quebrou e acabei doando. Além disso, o cabinho que liga no som sumiu. Dai o aparelhinho de som da minha sala, um daqueles minisintens, agora só depende dos meus cds. Nesse dia escolhi um disco do Barry Manilow. Coloquei o Barry para cantar. Even now, this one's for you, ships, tralalá.
- Franka, que qué isso? - disse um convidado.
- Barry Manillow, ué.
- Pelo amor de Deus, a gente tá jantando.
Não é todo mundo que consegue mastigar ouvindo ships, percebi. Aliás, a mesa toda meio que ficou aliviada quando tirei o Barry e coloquei um instrumental clássico qualquer. Não identifiquei se o problema era com a voz do Barry ou com a letra da música. Apenas nunca mais coloquei Barry nas refeições, evitando indigestões nos convidados.
Outra opção que anda muito na moda com meus amigos e que até minha mãe adota é a radionet. Tem um canal na net cheio de músicas, você escolhe o tipo e desliga a imagem da tv. Muito boa solução uma vez que o som da minha tv é melhor do que o do minisistem. Outro dia fui numa festa onde até teve dança com a rádio net. Quase tive um acesso de riso. Não é engraçado?
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
celular au champagne

segunda-feira, 23 de novembro de 2009
torradas e tomadas

terça-feira, 17 de novembro de 2009
vale lavadeira?

Mas não sou boa jogadora. Sou distraída, dispersa, falo muito e cometo erros horríveis. E não tenho lá muita sorte no jogo, se é que isso existe. Por exemplo, acho que nunca ganhei do Zé no crapô. Acho também que nunca escrevi essa palavra, "crapô", será que escreve assim? Ou será que é "crapow"? Sei lá, só sei que o Zé é o rei do crapô. Ele joga assoviando, tranquilo e ganha de mim sem parar. Fico horas e horas parada olhando ele trocar as cartas daqui para lá enquanto eu não faço... nada. Na minha vez, vem sempre um maldito e inútil rei. Não sei se ele tem sorte ou se joga bem. Mas ele sempre ganha de mim. E mesmo assim, adoro jogar com ele.
Começei esse ano a convidar amigos para jogar com a gente. Buraco. Ainda não me arrisco em outros jogos, embora num feriado ai eu tenha jogado tranca, que aprendi outro dia. Achei legal, mas ainda me complico. Uma questão de treino. Combinei com minhas amigas que se treinarmos muito hoje, na idade que temos, quando ficarmos velhinhas podemos fazer fortuna. Ganhar de todas as outras velhinhas e velhinhos que não treinaram aos quarenta anos. Por isso resolvi investir nessa modalidade e passei a chamar amigos aqui em casa pra jogar. Minha meta não é o pôquer, e sim o bridge, que acho muito chique. Ainda chego lá. Por enquanto estamos no buraco com amigos. Não tem muita regra e não precisa jogar bem para jogar comigo e com o Zé. A única coisa que eu imponho é que eu e o Zé não jogamos juntos. Jogo de casal com casal não é legal. Eu gosto de disputar com o Zé. E eu também sei que se eu jogar com ele, e jogar mal, depois que os parceiros forem embora ele vai me condenar pelos meus erros: "pô, Lú, precisava dar a canastra pra eles?". Dai a noite vai ser uma chatice, eu me lembrando da carta que descartei sem querer, ele emburrado. Então resolvi que sou sempre adversária dele. Às vezes ganho dele e ele fica sem graça. Ele não fala, mas é bem competitivo. Eu falo que sou competitiva para deixar os adversários irritados, mas não sou.
Também não gosto de muita regra, mas descobri que as pessoas adoram regras. Por exemplo, não entendo porque ninguém gosta de lavadeira. Super bom lavadeira. Cinco, cinco, cinco. Dama, dama, dama. Dizem que isso estraga o jogo. Estraga nada. Mas não discuto. Não me interessa nesse momento perder parceiros. Jogo como quiserem. Tem outros parceiros que tem "toc" de baralho. Um dia uma amiga teve um xilique quando dei as cartas. Não!, ela berrou. Que foi, disse, assustada. Você deu do lado contrário!, ela gritou. Hã? Que lado contrário? Tão todas de cabeça pra baixo, eu argumentei. Não, ela explicou, tem que dar as cartas no sentido horário, você deu no anti-horário. Isso faz diferença?, eu perguntei. Claro que faz!, ela se indignou. Recolhi, embaralhei, dei tudo de novo. Tem gente que passa mais tempo discutindo o que pode e o que não pode do que jogando. Tem de tudo. Aceito tudo.
Lembrei que outro dia joguei com meu primo Francisco. Ele é um expert em jogos. Vale lavadeira?, ele perguntou. Vale, arrisquei. Oba, ele disse. Bem. Ele só fez lavadeiras. Um monte. E ganhou de mim de lavada.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
fim de semana resfriado
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
banheiro de festa

- Lúcia, vai ter a festa da nossa amiga esse fim de semana. Você vai? - perguntou a Ângela, minha irmã.
- Acho que sim - respondi.
- Ela quer que eu ajude a produzir a festa dela. Vou fazer isso. Ah, e ela disse que a sua festa não teve uma produção correta. Disse que você errou no banheiro.
- Hã? Eu errei no... banheiro, Ângela? Como? Porque? Tinha papel, toalhinha e...
- Não é isso. Segundo ela, teu banheiro, o lavabo lá da sua casa, era muito caprichado, tinha velinhas, luz fraquinha e tal. Ela acha que foi por isso que tinha muita fila.
- Hã? Fila? Que tem a ver a fila com o capricho?
- A teoria dela é que banheiro de festa tem que ser vapt-vupt. Banheiro de festa não pode propiciar nada.
- Propiciar?
- Foi exatamente a palavra que ela usou, Lúcia: propiciar. A pessoa tem que entrar e sair dali rapidinho. Não pode ter clima em lavabo de festa, senão a pessoa se demora por lá. O clima fica propiciando.
- E tem que ser como, Ângela?
- Ela acha que lavabo de festa tem que ter um clima tenso. Essa é a teoria dela. Uma luz fria piscando sem parar, um barulho de vazamento que parece que vai explodir a privada para os ares, um ventiladorzinho super alto, essas coisas. Pra pessoa querer fugir dali, e logo. Ou até uma porta que não fecha, pra pessoa ter que ficar segurando enquanto usa o banheiro. Sabe como é horrível porta que não fecha. É isso. Um clima tenso, entende? Um clima tenso em banheiro não propicia. E vaga logo.
- E fica sem fila?
- Fica sem fila.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
o côco e o cocô
O Zé resolveu comprar um livro de adestramento de cães. Escolheu um que dizia na capa "adestramento inteligente", alegando que esse livro se destacava dos demais, que não ensinavam adestramentos "inteligentes". Leu uns pedaços, animado, contou pra todo mundo em casa.
- Então, pai, como a gente faz para ela parar de comer tudo que tem aqui? - algum dos meninos perguntou.
- Não sei bem, mas o cara do livro fala que tem que distrair com outra coisa de roer. Ele fala que uma coisa ótima pra cachorro roer é côco. Sabe côco, de água de côco? Diz que tem fibras e que é bom pra eles ficarem horas e horas se distraindo - e ele me propôs - ei, Lú, vamos na pracinha pegar um côco?
- Hã? Num coqueiro? - eu me espantei - tá certo que a gente gosta de cães, mas não precisa exagerar e escalar coqueiro, Zé.
- Não, dãr, Lú. Vamos pegar um côco usado do vendedor de água de côco da kombi, Lú.
Bom, topei, e lá fomos nós dois pra pracinha no fim da tarde, porém cara da kombi já tinha se mandado.
- Ixi. Pior é que todo mundo aqui é super civilizado, o cara da kombi não deixou nenhum côco jogado pelo chão, que pena... - reparou o Zé.
- Mas deve ter côco usado na lixeira da pracinha, Zé. Vamos procurar.
Olhamos dentro da lata de lixo, levamos um susto. Acho que nunca olhei dentro de uma lata de lixo de pracinha de bairro de gente civilizada cheia de pets. A lata era entupida de milhares de saquinhos super bem amarrados cheios de... cocô de cachorro. Éca. Uma coisa impressionante. Aquele monte de cocozinhos guardados para a eternidade em saquinhos, afe, isso é certo?
- Só tem cocô, não tem côco, Zé.
- Olha ali. Tem um lááá em baixo, vamos tentar pegar, depois a gente lava bem.
- Não é nojento?
- Deixa de ser boba.
O Zé não desiste de uma idéia. Alavancamos o côco, que voou longe, e viemos carregando num papel, para lavar bem quando chegar em casa. No meio do caminho, o Zé me mostra uma plaquinha que tem na pracinha: "recolha o cocô do seu cachorro". Ele me olha e comenta, todo feliz e rindo:
- Aió. Recolhemos o côco do nosso cachorro.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
kit emergência?

- Será que foi só aqui na nossa casa, Zé? Parece que tem luz lá fora.
- Vou na rua olhar se são todas.
Quando ele voltou, o João anunciou.
- Pai, não é só aqui. Meu amigo que mora no Paraíso tá sem luz. E o que mora perto da Heitor Penteado também. Acho que é em muitos bairros.
Nossa, como os adolescentes se comunicam rápido. Em seguida recebo um telefonema da Bê. Ela mora num prédio bem alto, vê São Paulo toda.
- Ouvi no rádio que é geral - ela me conta - Muitos estados, o maior apagão, daqui de cima eu só vejo as luzes de carros. Uma coisa super estranha. Vou tirar fotos. É lindo.
Corri e contei pra o Zé e para os meninos.
- Gente, apagou o Brasil todo, parece. Vamos ligar o rádio pra saber mais - eu disse - é um tipo de caos, precisamos saber mais!
- Nossa - falou o Zé - Claro! Vamos ouvir no rádio, alguém liga o rádio.
- Onde tem um rádio? - perguntou o João.
- Sério que não tem rádio de pilha aqui em casa? - perguntou o Zé.
- Como não tem? - eu estranhei - tem os rádios relógios todos, péra, vou buscar.
Trouxe três para baixo. Abri as portinhas de trás, cada um tinha espaço para baterias super estranhas. Olhamos aquilo à luz das velas. Quem abre um compartimento de pilha hoje em dia?
- Que diabo de pilha é essa, vocês conseguem ver? - perguntou o Zé.
- Essa é daquelas quadradas, gordas - falou o João - daquelas antigas de brinquedos. E esse aqui usa umas meio gigantas, sei lá, mãe. E esse outro não sei, olha que estranho, tem uns fios pra fora.
- Não tem nenhum lugar onde tem uma dessas pilhas aqui em casa? - perguntou a Nana.
Saímos a busca de todos controles remotos, telefones e brinquedos velhos. Abrimos todos, perdendo tampinhas e quebrando unhas. Nada.
- E agora? - o Zé perguntou.
- Já sei - lembrei - vamos ouvir no rádio do carro!
Saímos os 4 para fora, na escuridão, pois o Chico estava no show de um tal de Gogol Bordello, onde a luz não acabou, e entramos no carro do Zé. Ligamos o rádio e começamos a entender a encrenca, até que o João percebe.
- Que coisa mais ridícula nós 4 aqui dentro. Ainda por cima com o carro ligado, ar condicionado ligado e gastando gasolina, só para ouvir um mísero rádio? Como pode uma casa não ter um rádio, mãe? Vamos passar a noite aqui?
- Talvez meu celular tenha rádio - lembrou a Nana.
- O meu tem, mas está sem bateria - falou o Zé.
- O meu não pode gastar a bateria porque tenho que falar com o Chico - eu disse.
- O meu não tem rádio - lembrou o João, que tem um celular muito velho.
Abandonamos o carro e todos sentamos no chão da sala, ouvindo o "rádio" no celular mínimo da Luciana. A cena era mais ridícula ainda. Quatro marmanjos debruçados sobre um aparelhinho mínimo e franzindo o rosto para ouvir um som péssimo, e perguntando de dez em dez minutos para a menina quanto ela ainda tinha de bateria. Incrível como a gente depende de energia para tudo. Incrível como com tantos computadores, tvs de LSD, celulares e tecnologias, nessas horas a gente não tem como agir.
- É. Amanhã vou comprar um rádio de pilha... - decidiu o Zé - será que ainda existe para vender?
Pergunta: vocês tem rádio de pilha?
terça-feira, 10 de novembro de 2009
perdida nos cantinhos

- Lú, liga pra Sandra e combina o jantar com ela e o marido dela - falou o Zé ontem - eu te passei o telefone dela na semana passada.
- Passou mesmo, Zé. E eu anotei em algum lugar.
- Liga pra ela então.
- Não tou achando o lugar onde anotei. Era num cantinho de um papel, eu lembro. Mas sei lá de onde.
- Onde você estava?
- Aqui, na cozinha - eu respondo, remexendo os papéis de propaganda de pizzaria e disk-comida chinesa - Mas não tou encontrando.
Essa coisa do cantinho é bem insuportável. Geralmente as coisas escritas em cantinhos também são escritas com canetas sem tinta ou lápis de cores estranhas sem ponta, esses que ficam esquecidos nos potes velhos de lápis. No trabalho, então, como minha mesa vira o tradicional pântano ao longo do dia, às vezes passo horas caçando um número ou informação. Tento organizar a vida em cadernos e cadernetas, mas mesmo com as linhas muito claras na minha frente, acabo escrevendo nos cantinhos.
Tem uma coisa nos cantinhos que me lembra uma outra dimensão. As coisas escritas nos cantinhos somem para sempre, assim como os isqueiros, tuppewares, canetas bic, cortadores de unha e lapiseiras pentel, esses objetos que você só compra, que nunca acha novamente. O telefone da Sandrinha eu perdi mesmo. Tive que pedir de novo. Anotei desta vez na agenda do telefone. Que não tem cantinho.
domingo, 8 de novembro de 2009
natgeo, aqui vou eu
sábado, 7 de novembro de 2009
as cabeçudas

A Drake, eu a Bê achamos de novo os posteres das três meninas desconhecidas na casa do meu primo e não aguentamos: tiramos uma foto com elas. Somos 3, elas também 3, achamos que isso queria dizer alguma coisa. Nossos corpos, as cabeças delas. O que não sei, acho que vou perguntar para o oráculo. Pera. Voltei. Deu "1", ou seja "vai sozinho". "Vai sozinho?". Nossa que complicado que é interpretar oráculos. "Vai sozinho" pra mim é melhor que "sim". E dai? Sei lá. Voltando, tivemos uma enorme conversa para decidir quem seria quem. Eu acabei ficando com a única menina que não ri e não fiquei lá muito satisfeita. A do meu poster parece até que chora, é que eu tive que colocar tarja e não dá pra ver. Aceitei o fato, fui sozinha e triste. Ficamos hiper cabeçudas, mas olha que foto engraçada.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
o dado eletrônico do primo francisco

Fui outro dia na casa do meu primo e ele me mostrou um estranho objeto.
- Caramba. Que é isso, Francisco?
- É um dado eletrônico. Comprei para testar para usar no jogo que inventei.
O Francisco está desenvolvendo um "jogo", um jogo desses normais, de jogar na mesa, como o War, Leilão de Arte, Banco Imobiliário. Um jogo legal, educativo, bacana, ele já tem todo o projeto montado, mas ainda está em fase de testes.
- Precisa de dado eletrônico, seu jogo? Não pode ser um dado comum? - perguntei - Não é a mesma coisa?
- Não sei - ele disse - comprei esse dado pra testar.
Não aguentei e apertei o botão do meio. Tutututututututututú, fez o dado, que parou num número. Era legal fazer aquilo. Fiquei naquele tututututu um tempão. Foi quando tive a idéia de usar o dado eletrônico para... tirar a sorte. O Francisco se animou com a idéia.
- Que legal! Outro jogo! As pessoas adoram tirar a sorte. Poderemos ter respostas para muitas dúvidas cruciais da vida. Com esse dado-oráculo-eletrônico - ele falou, animado - poderemos definir o destino de muita gente.
- Mas Francisco, pensando bem... para o dado eletrônico tirar a sorte, cada número tem que significar alguma coisa. Olha, eu tirei 3. O que quer dizer? Nada. Dãr prá nós dois, primo.
- Hummm. Vamos fazer uma lista de resultados, então - ele sugeriu - um dos números será o "sim" e outro será o "não". Vamos escolher.
- E os outros quatro números? - perguntei.
- A gente escolhe respostas aleatórias só pra encher linguiça. Importa só na verdade o "sim" e o "não" - ele resolveu.
Hahaha. Gente, como eu gosto de uma bobeira. Colocamos a mão na massa, e a lista ficou assim:
1) vá sozinho
2) será a coisa mais frustrada da vida
3) faça uma salmonela
4) não
5) sim
6) vai dar farofa
Jogamos diversas vezes, fazendo perguntas essenciais e não essenciais para nosso destino. Resolvemos que não existiriam perguntas que não pudessem ser feitas para o dado eletrônico, que, ao contrário de outras sortes, seria totalmente liberado para qualquer pergunta, idiota ou não idiota. "Um dia vou ter um iate?", "tem chocolate no armário?", "vou publicar um livro?", "o fulano vai encontrar a sicrana amanhã?". Tudo poderia. Fiquei com a lista, ele com o dado. Desde então eu e o Francisco temos nos torpedeado muito, a toda hora. Quando tenho qualquer dúvida, mando uma mensagem pedindo para ele rodar o dado e me mandar o número. Já ele roda para as perguntas dele e me torpedeia, perguntando o resultado. Sensacional. Contamos para um monte de gente, estamos ficando famosos como adivinhos: "franka e o primo, os profetas do dado-oráculo-eletrônico". O seguinte: quem precisar de alguma resposta, pode chamar. Em dois torpedos eu e ele resolvemos.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
franka coloca bobes

Meu cabelo é muito escorrido. Nunca tive muita opção de penteados - ou solto, ou preso. Outro dia a cabelereira me deu a idéia de colocar uns bobes. Nunca coloquei bobes na vida, não sabia como e nem onde fazer, mas na hora, de vergonha, concordei com ela e fiquei caladinha.
- Uns bobes.
- Bobes? Pra que isso, Franka?
- Trouxe para vocês colocarem pra mim. Eu não sei instalar bobes no cabelo.
As três me olharam pasmas.
- Mas a gente também não sabe colocar bobs!
Ufa, ainda bem que não era só eu que não sabia. Mas, pôxa. Insisti, insisti, elas concordaram, e, no café da manhã, as três se reuniram ao redor da minha cabeça, pilotadas pela Bê, e começaram o... procedimento. Acabaram, me olharam.
- Nossa, você tá a cara da princesa Léa. Vamos tirar uma foto.
A Fran me emprestou um casaquinho esportivo dela que tinha a cor dos bobs, para combinar. Acho que tavam era tirando sarro de mim, mas tudo bem, topei tirar a foto à la Star Wars.
Clic.
O que eu não imaginava é que aquilo meio que dói na cabeça. E que meio que despenca com o tempo. E isso foi tudo no dia de voltar, quando eu ia pegar um carro na estrada com vento. Resolvi colocar um lenço pra segurar os bobes.
Entrei na fase 2 do bobes. Aquela hora que você não quer que ninguém veja que você está de bobes. Aliás, bobes é um negócio pra mulher que não precisa sair de casa, porque não tem nada mais estranho , disforme e demorado do que colocar bobes. Em tempos de internet, como ninguém inventou até hoje um bobe-eletrônico?
- Nossa, tá super estranho o formato da sua cabeça, um sacão atrás... - elas comentaram, rindo.
Continuamos a viagem, até que uma hora eu tive um piti. Não aguentava mais aqueles bobes me pinicando, incomodando, não me deixando dormir. Fazia horas que estava com aquilo. Resolvi tirar, pedi ajuda para a Bê, morrendo de medo do cabelo estar totalmente embaralhado e de eu ter que cortar semi careca. Mas ela foi hábil, tirou rapidamente, ajeitou. A Bê é uma grande cabelereira.
Olha como ficou. Hummm, digamos que semi-encaracolado. Elas acharam que eu rejuvenesci, sei lá. Falaram que eu parecia estar num anúncio de shampoo. Não tinha espelho, tiramos fotos, cada uma mais ridícula que a outra.
- Franka, o Zé não vai a-cre-di-tar quando você chegar em casa - elas comentaram, animadas - está o máximo, não é porque foi a gente que fez, está legal mesmo.
Cheguei, entrei em casa correndo, mostrei pro Zé. Perguntei "que-tal?".
- Que tal o que?
- O meu cabelo, Zé.
- Tá todo descabelado. Tem que pentear.
Olhei no espelho. Tinha caído tudo, nenhum cacho. Verdade. Foram 5 horas de bobes que duraram meia hora de cachos. Ô coisa. Tristeza. Mas não vou desistir. Da próxima vez, vou usar lakê. E postar aqui, claro.
Aliás, um blogueiro amigo me mandou o seguinte link do Estadão: "Em vez de chapinha, verão pede laquê e cabelo armado". Uau, tou mega na moda... E na reportagem, olhem o que está escrito: "A dica é fazer uma escova em casa e enrolar o cabelo com rolos grandes." Ou seja, bobes!


