terça-feira, 14 de outubro de 2008

"memória da barata"



Foi assim: eu tava no micro, os meninos na TV e o Zé jantando. De repente alguém grita "ai, uma barata na sala". "Mata!", eu grito. "Mataí", o Zé fala. Ninguém consegue, o Zé pára de jantar e vai fazer o trabalho sujo. A barata é morta e exterminada, mas, quando eu olho em seguida, não tem ninguém mais na sala. Ora. Ninguém quis ficar numa sala onde esteve uma barata, muito menos deitado no chão vendo TV. Eu sei que não vai ser assim, aqui já apareceu um monte de barata na sala (a gente mora em casa, tem um terreno baldio do lado), e eu sei que amanhã todo mundo já esqueceu a barata e vai deitar no chão de novo. Mas porque é que no dia da barata, e depois que ela desapareceu, ninguém deita no chão? Eu penso nessa coisa, no tempo da nossa "memória da barata". Acho que na hora que uma barata chega perto da gente, a gente fica com ela viva na memória, mesmo ela estando morta esborrachada. Para a nossa cabeça, é como se ela não tivesse morrido, porque o nosso medo não morre junto com a barata. O medo morre sempre bem depois da barata. É um medo estranho, uma coisa de bicho, meio ancestral, que não deixa a gente ficar ali. E se aparecer outra barata e subir na minha barriga? E se aparecerem um monte de baratas, aquela barataiada por todos os lados? A sensação de "memória de barata" fica mais tempo na gente que todas as visões da barata (ela viva, ela estrebuchando e ela morta). O nosso cérebro vai, claro, aos poucos apagando o pânico, e no dia seguinte você deita no chão de novo, todo corajoso, como se as baratas nunca tivessem existido no mundo, ou achando que, se elas existirem, são seres deprezíveis. Eu não entendo como isso acontece, sinceramente, e acho curioso a minha sala estar vazia às nove da noite por causa de uma barata (que já morreu). Só espero que essa teoria da "memória da barata" sirva pra aliviar essa sensação de fim de mundo que assola a gente nesses tempos de queda.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

"PAINEL MAGNÉTICO FRANKA"


Escrever em blogs é assim: você, sozinho, tem uma teoria que te parece esdrúxula. Mas como tem blog e um apelido secreto, você "se acha", e tem coragem de escrever as maiores barbaridades. Eu escrevi esse post abaixo sobre as geladeiras, e o vejam que coisa: o Jayme, um dos maiores publicitários de São Paulo e meu partner na revista Morar, leu a minha idéia mais do que estapafúrdia de colar uma placa de ferro na minha geladeira Brastemp para me vingar da Brastemp (que fez uma frente da geladeira que não cola imã). E vejam como age rapidamente um publicitário, que impressionante: ele já inventou o produto, fez os slogam e me deu de graça, porque amigo blogueiro é assim - dá idéia grátis.

"Lucia, a idéia das placas de ferro é ótima! Têm de ser fininhas, têm de ter design (ora essa, pra que servem seus 5 anos de FAU, mulé?) e uma mensagem forte: "Use um painel magnético Franka e devolva a identidade à sua geladeira" ou "Painéis magnéticos Franka. Porque não existe uma geladeira igual à outra" ou ainda "Liberte-se da Brastemp. Use um painel magnético Franka em seu refrigerador" (sim, porque na propaganda, geladeira é refrigerador). Em poucos meses, veremos os painéis magnéticos Franka nas melhores casas do ramo. Beijo."

Hahaha. "Painel Magnético Franka" é engraçado demais. Imagina essa frankinha ali do lado virar painel magnético.



PS.: E falando em blogueiros, Pecus, que tarja mais fajuta que você se colocou lá no seu blog. Tsc, tsc, tsc. Tantos anos lendo a Franka e não aprendeu.

brastemp não é o cara


Uma vez eu fiz um post de geladeira aqui falando dos imãs de geladeira. Postei a minha geladeira com meus bagunçados e feios imãs, na época achei até meio vergonhoso aquilo, mas a verdade é que a minha geladeira não tem imãs bonitos, e sim úteis. E uns velhos com telefones errados que ninguém tira porque servem pra grudar papéis e notas. Na época comentei que a minha geladeira não gruda imã na frente, só do lado. Ainda bem que ela tem um lado aparente, porque senão não ia dar pra colocar nada, pois a frente é de plástico. Mas foi só esse fim de semana, anos depois, que eu me toquei: gente, como que a a Brastemp, essa empresa que "se acha", faz uma uma geladeira que não cola imã na frente? Imã de geladeira é um clássico dos enfeites de cozinha. E como eu comprei uma geladeira que não cola imã? A indústria de imã deve odiar a minha geladeira. Gente, será que a Brastemp fez de propósito pra não estragar o design da geladeira? Pra o logo da Brastemp não concorrer com outras marcas dos imãzinhos, pra ficar só o logo dela na porta? Que feio isso da Brastemp. Ontem tive vontade de colar uma placa de ferro na porta só pra me vingar dessa Brastemp. E fiquei pasma de perceber isso somente agora, anos depois de comprar a geladeira. Nossa, como a gente é distraído.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

franka no cruzamento


Eu tava ali na Dr Arnaldo, em cima de um daqueles viadutos, o trânsito meio confuso, até que entendi. O farol estava quebrado e uma equipe de emergência de guardinhas apitava o trânsito. Piii, mão abanando brava, vai, vai, vai. Dai o cara apitava de novo piii, stop todo mundo. Piii, outro guardinha na outra rua do cruzamento, mão abanando brava, vai, vai, vai, piii, stop todo mundo agora já. Olha. Não entendo como esse procedimento de emergência funciona até hoje sem desastres horríveis. Porque gente, quem é que hoje em dia ouve apito de guardinha, se todo mundo anda dentro de carro fechado, blindado, com música e ar condicionado? Fiquei pensando se o Detran não deveria repensar esse método de resolver farol quebrado. Óbvio que apito não dá mais certo, e acho que é por isso que os guardas tem que fazer cada vez mais e mais piruetas estrambóticas para serem vistos pelos carros e não atropelados. Porque hoje a gente não ouve mais nada dentro dos carros. Isso valia pro tempo do vidro aberto. Penso que eles deveriam adotar umas laternas de lâmpadas estroboscópicas, que dessem umas piscadas fortes de cores vermelhas, verdes, amarelas, sei lá. Mas apito, gente, a-pi-to? Além disso, também queria saber porque esses guardas ficam tão bravos quando a gente passa: eles sempre fazem caras horríveis que pra mim querem dizer "sua lerda, anda, vamos, vai mais rápido, ô coisa", repara, nunca vi um desses sorrindo pra me dar passagem. E mais uma coisa: como será que a sincronia dos dois gaurdas sempre dá certo, se muitas vezes um nem vê o outro? Apenas umas considerações de trânsito num dia cheio deles.

gente, tô negatiiiiva...


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

dedico esse post ao luiz, meu sobrinho querido


Será que pode dedicar post? Se ninguém fez isso, eu faço. Porque meu sobrinho Luiz é muito engraçado, eu sou fã dele e dedico esse post pra ele.
O Luiz ainda é pequeno, tem oito anos e é filho da Ângela. O Caio, pai dele e meu cunhado, desenha quadrinhos, além de ser arquiteto e músico, e foi o autor da imagem da Franka. A Ângela, minha irmã, é autora de livros didáticos, e o Jorge, amigo da Ângela, publicou um livro infantil que será lançado em breve, "O Orto e a Grafia". E eu, segundo o Luiz, tenho essa profissão aqui: blogueira.
Óbvio que o Luiz gosta de desenhar e escrever. E ele escreve e desenha de um jeito super legal, ele é como eu, ele gosta de histórias e os desenhos dele não são de "coisas", são de "histórias". Os desenhos do Luiz sempre contam coisas.
A Ângela ontem me contou que o Luiz fez uma história em quadrinhos. Ele disse que ela ainda não está pronta, mas mostrou os rascunhos do livrinho para ela. Eu coloco aqui somente a capa e a contra capa, ainda inéditas, porque o resto ainda é segredo. A história se chama " A Honra dos Japoneses na II Guera Mundial" (O Luiz ainda não sabe usar dois "r"s, coisa natural aos oito anos) e o personagem principal se chama "José Pequeno" (um grande herói japonês). O livro é ao contrário e começa pelo fim, porque como é um livro de japoneses é mangá, ele explicou, depois que a Angela reclamou (mãe professora é fogo). E ele dedica esse livro a muita gente bacana que eu também admiro, como o Dart Vader, o Harison Ford, a Ângela, o Caio, o Ringo (o cachorro deles) e o Jorge. Eu concordo com o Luiz, dedicar é uma das partes mais importantes de um livro. É o lugar onde você diz em quem pensou quando criou a história e criar uma boa hisória é tudo. Dedicar é humilde e é honesto. Dedicar é presentear. Eu dedico esse post pro Luiz antes mesmo dele acabar a história da honra dos japoneses. E isso é uma honra pra tia Franka, que está escrevendo hoje igual ao escritor do Pequeno Nicolau.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

controlando os 'clics'


Engraçado. Teve uma festa aqui em casa e eu resolvi tirar fotos. Peguei a máquina e mandei as pessoas posarem. Tirei a primeira, clic, fui tirar a segunda... nada. Tudo preto na máquina. Engraçado, as máquinas de antigamente, aquelas legais de filme, nunca davam esses chabús de pilha. Ai que raiva que eu tenho de precisar de pilha. Aliás, não é raiva que eu tenho. É tensão. Eu tenho tensão de pilha. Sempre acho que a máquina vai parar de funcionar a qualquer momento. E ela sempre para.
- Gente, desculpa, podem des-posar que acabou a pilha.
Todo mundo parou de sorrir e se abraçar, aquela sem-graceza.
- Pilha, pilha, onde vou arrumar uma pilha - eu disse pra uma amiga.
- Você não comprou novas pra festa?
- Não. Pilha, pilha, deixeu pensar...
Olhei para cá e para lá.
- Ah, gente, já sei. O controle remoto, claro.
Essa amiga fez uma cara de espanto.
- Nossa, lúcia, sério que seu controle remoto tira fotos?
Hahaha. Claro, eu fico exibindo a minha super TV de LSD com full HD, isso que dá. Ora, se celular tira foto, porque controle remoto não? E pensem, não é impossível. Imagine que sensacional: você tira a foto com o controle e pimba! Lá vai a foto da festa pra TV. Uau, putis idéia. Como ninguém pensou nisso antes?

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

um cabe, dois não cabe


- Mãe.
- Fala João.
- Vou te mandar uma coisa por bluetooth.
- Tá.
- Recebeu?
- Recebi e não entendi absolutamente nada.
- Viu?
- João, que é isso?
- Olha como fica um guardanapo grande de papel dentro de uma tampinha de coca-cola. Olha ai.
- Ah, claro, João. Incrível.
- Mas dois não cabem. Já tentei.

domingo, 21 de setembro de 2008

lúcia carvaaalho...?


Gente, que engraçado. Juro.
A Patrícia, minha adorável e talentosa amiga atriz, eu vivo falando dela aqui (é a rainha das vesguinhas) está fazendo uma peça atualmente e me chamou pra assistir: "A Reserva".
Ela contracena com a Irene Ravache (ô nome lindo de pronunciar, Ravachiiiiii... repitam ai comigo devagar, gente... Ravachiiiiiii...) e com o Evandro Soldatelli (um ator talentoso e liiindo, gente). Me falou que arrumava convite, quantos eu queria? Muito legal a Patrícia, claro que eu não ia perder. Jamé.
Fui com a minha irmã Ângela. Ângela = teatro. Chamamos nosso amigo Jorge. Eu, a Ângela e o Jorge íamos assistir a Patrícia. Perfeito.
Era longe pra caramba da casa da gente, mas descobrimos que era do lado de um metrô. Era só deixar o carro na estação Vila Madalena, zuuupt, chegar na estação Conceição, que é do lado do teatro. Putis programa divertido. Putis legal ir de metrô no teatro, mas chegamos 10 minutos atrasados e tivemos que sentar no fundão, não tinha como chegar nos nossos mega lugares-reservados. Mas o teatro é ótimo e fomos assistindo perfeitamente a peça, pipipi, popopó e tal. Até que uma hora começo a ouvir meu nome.
- Alô? Lúcia Carvaaaalho? Lúcia Carvaaaalho...?
Gente, tinha alguém falando meu nome, quem era? Quem me chamava?
- Lúcia Carvaaalho...
Olhei pra trás, não vi ninguém falando, olhei pra frente, pra a Ângela, nada.
- Lúcia Carvaaalho...!
Ai, cacilda, será que era meu celular? Pânico total. Claro, eu estava com a bolsa no colo, vai ver que atendi uma ligação sem querer apertando a bolsa e apertei o viva-voz junto! Ai! E a pessoa estava ali me chamando, de quem era aquela voz? Nossa, eu me atrapalhei muito. Eu tinha que desligar aquilo logo, imagina, um homem me chamando alto no meio de uma peça que fui convidada? Já tinha chegado atrasada, já tinha comido bala com a Ângela e o Jorge e feito barulho, meu celular tocar era demais! Céus! Começei a fazer uma dança estrambótica na cadeira tentando achar o aparelhinho, mas caramba, eu tinha certeza que tinha desligado, que vexame!
Foi quando olhei pro palco. O ator lindo subitamente entra em cena com um celular na mão e entrega pra Irene Ravachiii:
- Mãe, fala aqui já com Lúcia Carvalho, a decoradora, ela pode ajudar você com a decoração do restaurante.
Quêêê?
Hããã?
Eu liguei pra Irene Ravachiii? Olhei meu celular na minha mão, desligado. Ai que confusão que se instalou na minha cabeça, gente. Pirei, pensei. Não sei mais o que é verdade o que é ficção e tou com alucinação de gente que quer ficar famosa.
Mas aí a Irene Ravachiii, ela não, a personagem Vera (que, na peça, não queria redecorar o restaurante dela), pegou o telefone e falou, mega brava, engraçada pra burro:
- Olha aqui Lúcia Carvalho, eu não quero decoração porcaria nenhuma, não quero saber de você ô Lúcia Carvalho, pelo amor de Deus, isso é coisa do meu filho, tchau Lúcia Carvalho!
E plum, desligou na minha cara.
Gente a Patrícia Gasppar é louca.
Meu Deus o que eu tava fazendo ali dentro da peça da Irene Ravachiii?
Hahaha. Engraçado demais alguém fazer gracinha comigo.
Pois olha. Adorei essa coisa quase caipira de brincar, que a gente perde quando mora em São Paulo, quando acha que a gente está longe dos outros aqui. Pra mim, que sou apenas essa blogueira Franka, imaginar que um dia a Irene Ravachiii ia falar o meu nome num palco era a coisa mais inviável do mundo. Mas olha que coisa. Somos todos muito normais, gente. Eu fiz esse blog um dia, conheci aqui dentro o irmão da Patrícia, o Neil, conheci a Patrícia na casa dele e lá vou eu pra dentro da boca da Irene Ravachiii. Isso é muito legal, gente. É legal porque é normal. Porque afinal, se eu coloco o nome da Patrícia aqui, porque ela não pode colocar o meu nome lá?
Tudo bem Irene, eu te desculpo por me tratar tão mal no telefone. E gente, vão lá ver a peça, vai que a Irene, a Patrícia e o Evandro usam meu nome até o final da temporada. Imagina.
E se eu ficar famosa um dia, acho que vou chamar Lúcia Carvachiii. Carvachiii. Carvachiii...

TEATRO COSIPA CULTURA
Avenida do Café, 277
Jabaquara - São Paulo/ SP
TEL.: (11) 5070-7018
Detalhes: vá de metrô

sábado, 20 de setembro de 2008

fanta! hahaha!


Mais um post em tua homenagem, Careca. Isso mesmo, Careca. Franka não, Fanta! E sim, é FANTÁstico como uma bobagem puxa a outra. Hahaha. Fanta é demais.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

pó?



Ontem, no carro, com a cara toda cheia de base, atendi o telefone. Falei, falei, falei, e, quando fui desligar, um putis susto. O telefone estava todinho cheio de base, eca, urgh, uma meleca total. E foi nesse momento que tive o clic: gente, será tudo que se encostasse em mim ficaria com cor de base? Imagine quando eu chegasse na reunião e cumprimentasse as pessoas: eu ia decalcar base em todo mundo? Crédo. Fiquei imaginando todas as pessoas da reunião, os engenheiros e arquitetos, todos com a metade da cara cor de laranja, como eu, que horror. Não, não estava certo aquilo. Óbvio que fiz alguma coisa errada e passei base demais. Ou sei lá. Vai ver que a base era diluível e usei o produto puro, só pigmento, pensei. Resolvi tirar, claro, e pensei que quando eu parasse num farol, removeria aquilo com um lencinho de papel. Parei, procurei, mas cadê? Nada de lencinho nem no porta luvas nem na minha bolsa. Foi quando vi a flanelinha. Sim, um dia em comprei essa flanelinha de uma senhorinha, num sinal. Olha que maravilha, é laranja da cor do meu rosto, pensei, rindo. Tirei todo excesso de base com ela. Quando coloquei no banco do passageiro, li o que estava bordado nela. Pó.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

a base


Foi assim. Um dia, a troco de nada, reparei que minha pele do rosto tinha um monte de manchas. Sério, umas manchas. Não eram pintas, eram manchas, como se fossem ilhas submersas vistas de cima no Google Earth. Clarinhas, irritantes, coisa de gente velha total. E a cada vez que eu me olhava no espelho, meu rosto parecia mais manchado, as malditas surgindo. Sabe quando você encana com uma coisa. Ó, céus.
Dermatologista, pensei. Marquei, fui, mostrei pra doutora. "Iii, isso é tranquilo de tirar", ela me acalmou. Marcamos o dia, voltei e ela fez uma verdadeira caça às cracas. Tirou tudo - além das manchas, todas as pintinhas e as verruguinhas que encontrou. Mas foi só no meio do procedimento (porque as pessoas chamam essas coisas de "procedimentos"?) que lembrei de perguntar:
- Doutora, vai ficar marca?
- Até secar vai, Lúcia.
- Quanto... tempo?
- Dez dias, uma semana.
Ó não. Eu não esperava por isso.
- Hummm... e que tipo de marca?
- Umas casquinhas - ela explicou - que depois saem. Mas fica tranquila, dá pra disfarçar com base, a gente coloca aqui pra você ver quando acabar. A base tem filtro solar 5000, pois você não pode tomar sol por um tempo.
Base? Olha gente, eu confesso que nunca usei base. Sempre achei esquisito passar aquela massa corrida na cara como se eu fosse uma parede. Aliás, já cansei de falar que não sei me maquiar até hoje.
Depois do procedimento, a mocinha ajudante da médica veio e me masseou. Como o rosto ardia um pouco, achei aquilo até aliviante. Um tipo de proteção. No espelho dela ficou legal. Desencanei. Mas veio o pior no dia seguinte. Acordei como uma dálmata, toda pintada de casquinhas. Como não tomo sol há tempos e tenho cabelo escorrido, me senti uma dálmata Mortícia Adams. Mortícia Dalmadams. "Ah, a base!", lembrei. Abri o tubinho e começei a passar. Em uma das bochechas, na outra. Na testa, no queixo, no nariz, nos cantos do lado, no pescoço. Gente, onde pára? Interrompi e olhei no espelho. Ixi. Não sumiu lá muita coisa, e resolvi aplicar mais para diminuir o contraste. Bochecha, queixo, nariz, em volta dos olhos, pescoço. Olhei de novo. A cor do meu lábio me pareceu mais clara que o rosto, assim resolvi passar um batom. Desci para a cozinha.
- Mariaaaa. Pega seus óculos e me olha.
- Olha o que.
- O que acha do meu rosto?
- Vixe, o que você fez, lúcia?
- Base, Maria. Passei base pra esconder as casquinhas das manchas que eu tirei. Está estranho?
- Nossa se está. A sua cor, né...? Olha... - ela arrumou os óculos e me olhou bem de perto - ... as casquinhas quase não dá pra ver, mas você parece aquelas amigas da sua avó.
- Ai Maria. Tou com cara de revestida?
- Ué. Tá com cara de quem pôs base. A sua cor, lúcia.
Fazer o que. Franka, dez dias laranja.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

hibernação

Franka de recesso hoje. Re-excesso. Preciso de um tempo pra organizar um pouco esses meus textos todos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

franka é desvendada no WT


Fui descoberta. Estava outro dia lá na entrada do prédio, observando as pessoas estacionando os carros quando ele chegou sorrateiramente.
- Lúcia.
- Oi.
Era o gerente do prédio onde eu trabalho. O nosso concierge, que vou chamá-lo aqui apenas de R.. Outro dia pensei em dar para ele a crônica da revista Morar onde falo dos concierges, mas desisti pois ele estava de férias. Ele se aproximou de mim e falou bem baixinho. Seríssimo, cochichando.
- Descobri tudo sobre você.
- Hã? Como assim?
Nossa, que susto. Parecia que eu tinha cometido um crime. Ele continou mantendo o clima de mistério e sussurrou.
- A sua identidade secreta, Lúcia.
Disfarcei. Ele poderia estar blefando.
- Do que você está falando? Não estou entendendo nada.
Ele riu de lado. Notei que ele realmente sabia da Franka, mas continuei negando.
- R., o que você descobriu?
- Ora, o "frankamente..."! E li tudo que você já escreveu sobre o nosso prédio, sobre os médicos, sobre os pacientes, sobre o café Freud, sobre mim.
Céus. Por essa eu não esperava.
- R., e você... e agora? Bom, gostou?
- Claro - ele respondeu, animado - mas escute Lúcia... eu acho que temos que manter isso em total segredo. Para você poder escrever sobre todos e não perder a espontaneidade. Fique tranquila que eu não vou contar nada para ninguém. Isso ficará entre nós e entre...
- E entre quem...? Quem mais sabe?
- Olha, quem sabe sou eu, a Beth do café e os porteiros. Todos adoraram suas crônicas e combinamos de não contar nada.
- Você... a Beth e os... porteiros?
Gente, que engraçado isso. Me senti o próprio Batman, com o Alfred escondendo a minha verdadeira identidade e minha bat-caverna.
- É. E olha, eles disseram que se você quiser, pode até colocar uma foto deles no blog.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

vesguinhas

Quem começou foi minha amiga Patrícia. Ela fez esse iutube que está ai em baixo, que foi parar no blog do Neil, hilário, dela cantando vesguinha.
No sábado teve aniversário do Caio, meu cunhado. No meio da festa, começamos a tirar fotos. "Agora do aniversariante com a Ângela". "Agora vocês três". "Agora só as mulheres". A gente sempre acaba selecionando grupos para tirar fotos. "Agora vamos tirar uma foto vesguinhas?" sugeri às amigas. "Vesgas?", elas estranharam. "Vesgas, dai a gente manda pra Patrícia". "Ôba!", elas toparam. Minhas amigas são pra lá de animadas. E olha ai o resultado. Eu sou essa do meio de baixo. Sério, sou muito boa nisso, não acham? Se fosse um campeonato, será que eu ganhava?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

as coisas que eu percebo


Um dia o Pecus percebeu uma coisa divertida, que ele contou no blog dele: "é engraçado quando você vai digitar a sua senha nas leitoras de cartão, ao pagar uma compra, e a pessoa que “passa o cartão” ostensivamente olha para outro lado, para deixar bem claro que não tem a intenção de ver o que você está digitando. Mais engraçado ainda é este gesto estranho se incorporar à rotina profissional de uma pessoa, que passa a repeti-lo centenas de vezes por dia". Pois assim como ele, volta e meia eu percebo umas coisas super estranhas que muita gente faz (inclusive eu) sem perceber.

1) Hoje, mais uma vez eu estava na frente do prédio, no solzinho, fumando. É, gente, pachencha, voltei a fumar e juro que vou parar em breve. Mas confesso que esses momentos de pura divagação e observação me fizeram ver que todas as pessoas que estacionam o carro na rua fazem o seguinte: balizam, desligam o carro, saem, trancam a porta, saem de perto e, quando estão há dois metros ou três passos do carro, olham para trás para ver se o carro está lá mesmo. Hahaha. E só depois que se certificam que ele está lá mesmo que saem andando.

2) Na praia ou piscina, uma mulher encalorada se levanta para entrar no mar ou na água. Levanta, arruma o biquini no bum bum, arruma o biquini na frente, arruma o sutiã do biquini. Só depois anda. Na hora de sair da água, o mesmo procedimento. Arruma, arruma, arruma. Nunca vi mulher que não arruma. Mesmo as de biquinão. Hahaha.

3) Aqui no prédio tem uma porta automática de correr de vidro preto na entrada com um sensor de presença que abre a porta quando você está há uns dois metros. Até a porta se abrir a pessoa se vê refletida no vidro, mas quando a porta se abre a pessoa, que estava andando em linha reta, vai para o lado, para continuar se vendo refletida no vidro. Como a gente gosta de se ver refletido em vidro, fala a verdade.

Hahaha. As coisas que eu percebo, só isso.

a mesa de cada um




Desde que mudei de escritório tenho uma mesa impecável. Toda limpinha e sem pilhas, a não ser uma pequenina no cantinho com um caderno, uma agenda que ganhei do seu Paulo da pedreira e uma agenda de telefones sobre uns poucos papéis. Porta lápis, porta retrato dos filhos, calendário, telefone. A cada dia que chego aqui e vejo a minha mesa tenho orgulho de mim mesma. Eu nunca tive uma mesa arrumada na vida.
Vivo fazendo coleções inúteis que sempre coloco na minha frente, já trabalhei com milhares de bonequinhos de Kinder ovo me olhando, já trabalhei rodeada de pedras, já trabalhei com santinhos e talismãs rezando por mim e, claro, pilhas e pilhas de papéis e pastas. Daqueles que tornam a sua mesa um pântano completo onde tudo chafurda. Quantas vezes, por conta dessa minha desorganização, já não perdi contas ou documentos. Quantas vezes já encontrei, na procura por alguma coisa, um jornal de dois meses atrás. Agora não. Agora quando eu tiro migalhinhas da minha mesa. Às vezes lembro: ufa, nenhum bonequinho de kinder, nenhuma bobagem, nenhum enfeitinho. Alívio. Na hora de ir embora, coloco todos os papeis e plantas todos de volta no gaveterinho de pasta arquivo, guardo a caneta, desligo o micro e olho para minha mesa. Nem parece que é minha. O que será que isso significa na minha vida? Ou será que tenho Toc?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

quem peidou no elevador?



Aqui no prédio do trabalho temos três elevadores, dois sociais e um de serviço. Acho super engraçado esse lance de elevador social. Quem será que deu esse nome? Social? Porque um elevador tem que ser um lugar chique? E se eles tem que ser chiques, porque não são chiques? Olha, tava pensando. A gente pode ser tanta coisa na vida... Eu podia ser dona de uma lavanderia, podia ter uma loja de pedras, ou... ora, eu bem que podia ter uma empresa de decoração e ambientação de elevadores. Coisa de altíssimo padrão de qualidade, gente. Elevador mega blaster luxo france, mega luxo las vegas, social completo, social hippie, social relax. Porque não? Assim como existem designers de carro, de roupas, de tênis, de móveis, eu bem que podia ser uma arquiteta de elevadores. Putis, eu ia inventar uns modelos estrambóticos e coloridos, inovações como elevadores com banquinhos ou sofás, elevadores todos de couro, elevadores psicodélicos com luzes, elevador neon (promoção), elevador estofadinho (híbrido socia l& serviço), elevador ecológico. Olha a idéia, nossa... Bem, idéia é que não falta. Tomara que muitos empresários chiquésimos leiam o "frankamente..." e me procurem.
Bom, eu tava falando aqui do prédio. Outro dia entrei no elevador social com um cara de manhã. Olhei e reparei nele escondida. Chave na mão, pastinha, cheiro de colônia. Hummm. Condômino, psiquiatra. Os pacientes não tem chave, óbvio. Sou boa em personagens.
Bom, eu e ele calados, super sem graça como sempre, sem se olhar e tal, quando o cara se aproxima do painel de andares e... "clic". Juro, gente, ele apertou um dos botões como se ele fosse um... ascensorista. Assustei. De repente o ventilador ligou e começou a maior ventania. Acho que eu pulei pra trás e ele reparou, porque me olhou e imediatamente explicou:
- Calor aqui. Ufaaa.
Nesse mesmo dia peguei o elevador com a M. para tomar café no Café Freud.
- M., olha - e... "clic", liguei o ventilador.
- Ai!
- Ventilador, M. Eu tava aqui de manhã e veio um cara e ligou.
- Como é? O cara tava sozinho com você e ligou o ventilador, assim, do nada?
- Ué, ligou. Ele falou que tava com calor.
- Calor? Hahaha.
- É. Era um cara íntimo de elevador, ligou assim como se fosse a sala casa dele, M., você precisa ver que...
Ela me interrompeu.
- E você acreditou, Lúcia?
- Se eu o que? Acreditei?
- Lúcia, vai ver que ele peidou.
- M., ... peidou?
- Tá na cara - ela disse, decidida, suspirando, sabida - Ora, pra que alguém liga um ventilador no elevador? E nossa, que prédio bom esse nosso. Tem até ventilador anti-peido no elevador.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

hâ?


- Tia.
- Fala, Luizinho.
- Posso pegar seu celular?
- Pode, claro, Luiz.
- Vou tirar uma foto tia, posso?
- Pode, claro.
Acabei de descarregar. E alguém me explica o que é isso, por favor. Hahaha.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

franka na-morar

(para ler a crônica clique na imagem que ela amplia)

Aí ó eu na-Morar de hoje - Revista da Folha de São Paulo - falando sobre a minha lareira mais uma vez ((1)sei que ninguém aguenta mais esse assunto, frankamente...) ((2)e esse calor que não acaba?). Mundo novo. Puxa, mas fiquei com a impressão que cortaram um pouco o meu texto, mas resolvi não revisar e nem implicar. Da próxima vez apenas escrevo menos.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

franka na tábua de bife


Outro dia escrevi aqui que o meu computador esquenta muito a minha mesa, e que a M. resolveu que eu tinha que colocá-lo sobre um jogo americano para não estragar a madeira. Eu comentei no post que parecia que eu ia comer o computador, que parecia que estava digitando num George Foreman Grill. Hahaha.
Bem, ela apareceu uns dias depois com essa cortiça. Explicou que o jogo americano estava derretendo, que ia estragar, e que ela comprou cortiça na Kalunga. Passamos horas desenrolando e passei a usar aquela "toalha" de cortiça sob o micro, mas com o tempo aquilo começou a ficar sujo e esfacelar. Vi que a M. não ficou satisfeita com o resultado, embora pra mim estivesse mais que bom.

Foi quando ela apareceu na segunda feira com um embrulho. Toda animada.
- Você não vai acreditar o que eu tenho aqui.
- O que é, M.?
- Olha! - e ela tirou uma tábua de madeira, daquelas de carne, de dentro de uma sacola da Etna.
- É uma tábua de carne? A gente vai cortar bife aqui no escritório, M.?
Eu não duvido de nada que vem da M.....
- Não, hahaha! É para o seu computador! É muito melhor que aquela cortiça velha, e olha! É da cor da mesa! Vai ficar lindo! Vamos ver se cabe?
Coube direitinho mesmo, nem dá pra ver o furo da alça, e é realmente da mesma cor da mesa. Bem, gente, e então, desde segunda feira, franka trabalha, comenta e posta em cima duma... tábua de bifes.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

porta aaaut...





Ainda no shopping com o João. Estacionamos no vigésimo subsolo, achamos a portinha com as escadas rolantes para subir. Não entendo porque shopping nunca tem escada normal. Qual o problema de escada normal, daquelas com degrau, que a gente sobe e desce com as pernas? Em shopping nunca tem, você é obrigado a esperar horas por um elevador ou subir aquele monte de escadas rolante. O João parou em frente a porta automática.
- Mãe, olha.
A porta automática abriu. Zuuup.
- Olha o quê, João?
- Olha.
Ele me puxou para trás e a porta fechou. Zuiiip.
- É uma porta automática, João. E daí?
- Mãe, puseram escrito "porta automática" na porta automática, mas é impossível ler porque ela abre rápido demais. Olha.
E ele deu um passo para a frente. Zuuup.
- "Porta aaaaut..." aí, sumiu. Viu mãe? Viu? Não dá pra ler. Será que os caras não perceberam que a palavra é grande demais para uma porta que abre nessa velocidade? Eles deveriam ter escrito apenas "porta". Dai dava pra ler.
- É mesmo. E eu então que já nem enchergo mais.
- Gente de mais de quarenta não lê nada mesmo. Acho que você nem ia conseguir ler "porta". Filma, faz um iutube e põe no blog, mãe.
Ai ó. A graça é só essa. Porta aaaut... zuuup.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

tarja de água


Fui ao shopping com meu filho caçula, o João. O João tem 14 anos e gosta muito de comprar cueca, pois parte do estilo de vestimenta dele consiste em deixar a calça caindo e o elástico da cueca aparecendo. Às vezes a calça cai tanto que aparece quase a cueca toda, eu reclamo, o Zé reclama, a tia Ângela reclama. E ele gosta de variar as marcas que estão escritas no elastiquinho. Notei que tem marcas que são importantes para ele se exibir. Hoje eu não ligo para essa coisa de marca, mas quanto tinha 14 eu ligava. Eu era louca pra ter uma calça Fiorucci de veludo liso e um jins da Soft Machine. Quando ganhei fiquei super feliz. Eram tão apertadas que eu tinha que vestir deitada na cama, depois andava um tempo sem respirar e como um robô, depois a calça "laceava". Não era nada confortável, mas eu tinha 14 anos e aquele era meu estilo de vestimenta. Quem sou eu pra criticar o João e suas cuecas?
- Mãe, compra uma Calvin Klein pra mim?
- Elastiquinho CK?
- Por favor, mãe.
- Compro, vá.
Entramos na loja, o vendedor mostrou os modelos. O Juca escolheu, fui pagar, ele me cutuca.
- Mãe, porque tem tanta garrafa de água aqui na loja?
Olhei ao redor e a loja estava entupida de garrafinhas. Ele, curioso, perguntou ao vendedor.
- Pra que essas garrafas de água?
- São águas Calkin Klein. Querem uma? É brinde.
Óbvio que aceitamos, ele sem gás, eu com gás. A água tem um rótulo igual ao elastiquinho e igual às roupas. CKCKCKCKCKC. Gente do céu, sei que é esquisito alguém comprar uma cueca para aparecer o elastiquinho, sei que era esquisito deitar para se entalar numa calça Fiorucci, mas mandar fazer água com marca de loja? Juro que não entendi pra que serve aquilo.
- Faz um post, mãe, que algum dos seus comentaristas deve explicar pra gente...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

um post pro senzala


Tem essa coisa de restaurante. De vez em quando vou nuns restaurantes modernos, cheios de frufru, todos empanados. Daqueles onde a comida é super complicada e você precisa entender onde vai se meter. Fica horas analisando o cardápio, desconfiado. Será que escolhe carneiro com farofa de lichia ou salmão com molho de kiwi e arroz sabor goiaba? Céus. Nesses restaurantes eu sempre pulo uns pratos complicados, nunca sei o que é confit, por exemplo. Nesses lugares também as comidas são mínimas e dá até dó de estragar a decoração. "É meu esse prato? Eu que pedi isso? Que lindo, posso levar para casa?". Sinceramente, confesso que vou nesses restaurantes, mas não gosto. Gosto de restaurante com cara de restaurante e comida de restaurante. Acho que toda familia precisa ter um restaurante de família, um lugar que apenas substitua a comida da casa da gente. A nossa família conseguiu eleger dois restaurantes assim, onde apenas se come. Um é a pizzaria do Clube Pinheiros, onde a gente vai domingo a noite e é baratíssimo. Mesas, garçons, famílias e pizzas. Só. O outro é o Senzala velho, ali na praça Panamericana. A gente adora ir no Senzala velho e eu resolvi até fazer um post pro restaurante, porque eu e minha família estamos morrendo de medo do Senzala velho resolver virar Senzala novo e o único restaurante legal perto da nossa casa acabar. Gente, é sensacional. Lá no Senzala velho tem feijoada no sábado, tem um churrasco super bom, tem casquinha de siri, estrogonofe, lasanha, risoto de bacalhau. Tem comidas normais, é surpreendente. Domingo passado eu e o Zé resolvemos estrondar e pedimos camarão à grega. Gente, eles tem camarão à grega, dá pra acreditar? E camarão a grega dá água na boca, com camarões empanados, arroz a grega e batatinha palha. Mas o Senzala velho é velho, a iluminação é horrivel, a decoração idem, e tou vendo a hora que o dono do Senzala velho vai querer modernizar e inventar outro lugar com outras comidas. O que seria, realmente, uma pena.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

plá, pá, plof, pá, plá


Aconteceu antes de ontem. Fim de tarde, eu e a M. aqui no escritório. Eu fico separada dela por um biombo de vidro com uma persianinha, mas aqui o espaço é pequeno, uma salinha apenas, e aquele biombo não divide é nada, estamos praticamente juntas e coladas. Era fim da tarde e aqui em São Paulo está o maior calor, quando de repente ela dá um berro altíssimo, estrondoso, eu quase caio da cadeira. Antes que eu possa entender qualquer coisa, ela dá um pulo da mesa, corre para os interruptores e apaga todas as luzes. Ficamos iluminadas somente pelas telas do computadores. Logo em seguida, eu ainda muda e estatelada sem saber o que se passava, ela pega um pano de chão no banheirinho e começa a bater nas paredes, nas mesas, nos armários, dando uns berros desesperados, feito um espanador de pó com TPM. "Aiii, eles estão entrando", ela grita, "aiiii!". Imediatamente ela corre, fecha as janelas com força e reinicia a dança estrambótica com o pano, desta vez batendo nos vidros e falando algo como "sai, sai, sai", sendo que, com tudo fechado, no escuro e apanhando daquele modo, era impossível qualquer coisa sair viva dali.
- M.? Tudo bem? - Arrisquei, pensando se deveria fugir dali ou dela.
- Os malditos mosquitos de luz! São cupins, olha quantos, quantos, quantos! Entraram!
Pá, pá, plonc, plá, ela batia com fúria, plá, pá, clenqui.
- Ai, virei o copo de suco. Droga!
Olhei a redor, mas estava escuro e não vi nada. Mosquitos? Cadê? Percebi uma coisinha voando diante da minha tela. Um mosquitinho daqueles de asa grande, que ficam nos postes. Só haviam duas luzes no escritório, a dos micros, e claro que eles iam ficar ali na frente. Tive medo dela espancar meu laptop e resolvi não me mexer. Foi quando aconteceu uma coisa engraçada que só acontece quando você está em dois. Acho que se eu estivesse em casa, sozinha, eu ia me incomodar muito com aqueles mosquitos. Não gosto muito de insetos em geral. Mas ali, diante do desespero dela, eu mudei de personalidade no mesmo momento. Fiquei corajosa e valente. "Ora que bobagem. Uns mosquitinhos de luz, M. Já vão embora, esqueça, que exagero", eu disse, impassível, destemida e dando de ombros. Juro, naquele momento eu era capaz de aguentar uma nuvem de mosquitos, abelhas e moscas sobre meu corpo e até sorrir. Virei "aquela que não liga pros insetos". É, em dois sempre tem essa coisa meio yin-yan. E ela passou a me olhar com admiração enquanto batia a esmo nas paredes, exterminando até os fantasmas dos poucos mosquitos.
- Sério que você não se incomoda, Lúcia? Nossa.
Ponto pra mim. Respirei fundo, confiante, cheia de mosquitos ao redor
Ontem quando eram cinco horas ela fechou tudo e ligou o ar condicionado.
Eu fingi que não vi.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

gordinhos


Às vezes eu penso o que realmente faz uma pessoa casar com a outra e dar certo o casamento. Acho que são as compatibilidades com umas coisas mínimas, inúteis e sem muito nexo. Eu e o Zé combinamos em algumas coisas bem estranhas, mas acho que são justamente essas coisas que são a salvação para a gente não brigar. Porque casal briga muito, não adianta ir contra a natureza humana. O mais importante para se continuar casado é diminuir as brigas e aumentar as risadas. Só isso.
A gente combina em coisas bastantes esdrúxulas. A gente não liga de ficar bagunça na cozinha. Não liga de encontrar uma pilha de sapato, havaiana e tênis dos filhos embolados no hall. A gente não liga dos nossos filhos trazerem quinze amigos em casa de repente. A gente não liga também de ficar o dia todo em casa sem fazer nada. A gente gosta de ver programa idiota, como "Troca de família", que passa na Record no domingo a uma da tarde (recomendamos). A gente não vê novela, mas nunca perdemos o Big Brother. A gente não liga quando quebra um vaso ou um pirex. A gente não liga quando não tem botão na nossa roupa. A gente sempre esquece de pagar as contas e paga com multa. Perdemos toda hora a chave do carro e de casa. A gente fala mal das mesmas pessoas. A gente fala bem das mesmas pessoas. A gente ri de coisa muito boba. E, tanto eu quanto ele, a gente quase nunca lava o carro. É muito raro a gente lavar o carro.
Não é que a gente é porco. Tem gente que acha que o carro é meio a extensão da casa, e que se a casa está limpa o carro também tem que estar. Concordo, mas não consigo. Entro e saio do carro rápido demais, e quando saio esqueço completamente dele. O meu carro é mais limpo por dentro que o do Zé, que tem muito lixo dentro, porque ele é super comilão. O meu tem cinzinhas de cigarro porque eu voltei a fumar. Sempre tem embalagem e papel de bala nos dois. Mas às vezes, muito as vezes, acontece da gente lavar. Foi o que houve nesse final de semana, quando o Zé, orgulhoso, me mostrou o carro dele.
- Olha que limpo. Parece um espelho.
- Olha só a gente refletido no seu carro, Zé.
- Gordinhos. Tira um foto da gente gordo assim, Lú.
- Toutirando.
- Não deixa ver que é reflexo da gente no carro. Tira o carro, deixa só o reflexo da gente.
- Tá.
- Ficou bom?
- Ficamos gordinhos, Zé.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

o dentista gato e o médico quente

Semana passada chegou um e-mail do grupo de fofocas daqui prédio onde eu trabalho. Um dos condôminos daqui disse que tinha doado imãs de palavras para o nosso painel de avisos, e que as pessoas deveriam ir lá e olhar. Achei super curioso uma pessoa ter essa idéia estapafúrdia, viabilizar e até avisar os vizinhos a respeito, como se aquilo fosse a maior invenção da paróquia. Primeiro porque a idéia vai contra a utilidade do painel: ora, um painel de avisos é para colocar avisos, não para ficar brincando com ele.
Mas parece que as pessoas gostaram, pois o cara que deu o presente recebeu um monte de respostas de vizinhos elogiando a iniciativa dele de dar as palavras. Algumas mulheres disseram até que iam "visitar" o painel de letrinhas. Visitar!
Na primeira semana já deu briga: uma psicóloga queria colocar seu folder e não tinha lugar. Ela começou a empurrar as palavras, alguém não deixou, o gerente-concierge foi chamado para resolver o caso.
Foi quando, outro dia, desci com a M. para tomar café e fomos olhar as tais "palavras-imãs" do famoso painel. Alguém já tinha se aventurado e feito algumas frases meio sem nexo, um outro vizinho fez um monte de poesias concretas muito concretas. Foi quando eu e a M. olhamos para o lado, vimos que não vinha ninguém, fizemos umas frases ridículas e saimos correndo:
"A empregada toma cerveja no forno".
"O dentista gato tira a roupa para o médico quente".
Eu sei que nossas frases foram muito idiotas, mas achei essa idéia do painel de palavrinhas uma coisa pra lá de idiota também. Um monte de médicos e adultos mexendo as letrinhas num painel que era para ser de avisos? Pra que? E incrível como a nossa frase do dentista gato e gay tem feito sucesso. Já ouvimos muitas gargalhadas.

ecos de bê no bê com saruê


Estou acostumada a ver a banda do Caio tocar. E tou acostumada a ver a Bê desenhar. As duas coisas juntas eu nunca tinha visto. Foi bem legal. Muito mesmo. Combinou. Teve a ver. O bar tem um palquinho onde a banda toca. Atrás do palco a Bê montou uma tela e as imagens eram projetadas de acordo com a música da Banda Saruê. Estava lotado, e a Bê reservou a melhor mesa, a que fica em frente ao palco, para os amigos. Não coube, claro, mas era legal ficar em pé porque dava para dançar. Ficamos até altas horas da madrugada. Muitos blogueiros. Fui vestida de Franka, e por isso fui muito reconhecida e aclamada. Fãs. Como no local haviam diversos Carecas, eu analisei um a um para saber quem era o verdadeiro. Acho que é o saxofonista que está na filmagem do blog da Bê. Cliquem aqui para ver um iutube muito legal da banda Saurê e da vernissage da projeção da Bê que a MJ fez. Ê, ê, ê. Quanto acento circunflexo para um evento.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

bê no bê


Foi uma coisa que ela inventou, a Silvia Bê. Fazer uma projeção dos desenhos dela durante a apresentação da banda do Caio, meu cunhado e autor da imagem da Frankinha. Deu certo. E então amanhã a "Saruê Jazz Quartet" estará se apresentando no Bar B (achei incrível esse nome que o Caio inventou pra banda) e a Bê vai projetar os desenhos dela nas paredes e na tela do Bar. Vai ser super legal. Ela me explicou que os desenhos vão dançar conforme a música, uma coisa super moderna cibernética internética escalafobética lisérgica e muito super pink floyd, muito além de uma reles apresentação de slides. Além disso, essa é uma grande oportunidade de vocês conhecerem todo mundo sem tarja e ao vivo, Franka, Bê, a irmã da Franka, o Caio cunhado, a banda o Caio com Marcelo, Rafael e o Beto, a lúcia carvalho, o Zé... Programa imperdível e super moderno.

onde está Franka?


Prévia da Franka na projeção dos desenhos da bê no Bar b., amanhã, sábado, 10 horas da noite.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

leia jornal, franka, leia jornal

Recebo todo dia em casa dois jornais, o Estadão e a Folha. Assinamos os dois desde a época do vestibular do meu filho Chico, pois achamos que era importante ele ler jornais diferentes. Tentei agora des-assinar algum deles, mas o Chico foi contra, uma vez que é hora do vestibular da Nana e ele acha que ela tem que ler também. Mas a Nana não lê nenhum dos dois, apesar de todo mundo falar para ela que é importante. E eu, de uns tempos pra cá também tenho lido pouquíssimo, e tento entender porque.
O meu problema é a bagunça que tem ficado aquilo. O Zé, o Chico e o João acordam antes de mim, e quando desço para tomar café, todos os jornais estão todos embolados numa cadeira. Não gosto ler jornal embolado, e, além disso, eles conseguem misturar todos os cadernos dos dois num embaralhado tão legal, mas tão legal que não tenho mais a menor idéia do que é Folha e o que é Estadão.
Não sei como se divide jornal em família. Sei que é meio inevitável, para quem lê um jornal, fazê-lo voltar para o formato original. Jornais sempre amassam, dobram nuns pedaços e despencam no chão, pois não tem grampinho. E se uma pessoa já faz uma bagunça com um jornal, imagine numa família com dois jornais. Os meus jornais de manhã parecem um doce de mil-folhas cheio de farelos de pão dentro.
Os Caderno Dois e Ilustrada nem se fala. O Zé, um fã incondicional de palavras cruzadas, consegue dobrar os dois cadernos de um tal modo que eles se tornam uma tabuinha com a palavra cruzada em cima. Assim ele tem apoio para escrever. Para o Zé, a palavra cruzada é a parte mais legal do jornal. Ele tem setecentas teorias sobre elas. Hoje, por exemplo, sexta, ele quase desistiu: "sexta é difícil demais, o cara que faz a da sexta é terrível".
E o pior dos meus problemas com o jornal é que eu quase não enxergo mais sem óculos de manhã. E sempre largo meus óculos no escritório. Leio as manchetes, o resto embaralha no amarfanhado dos papéis. Quando será que vão inventar um jornal full-hd-LSD?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

cheio de graça


- O que você está cantando ai, João?
- Nada, mãe.
- Eu ouvi uma parte.
- Ouviu?
- Ouvi e não gostei.
- Não pode cantar isso? Foi meu amigo que começou. Ele que cantou sem querer hoje na escola e a música ficou na minha cabeça.
- Mas João, meu filho, não se deve misturar uma música com uma reza.
- Mãe, ouve a letra da música:"olha que coisa mais linda, mais cheia de graça...". Não consigo mais cantar a frase "cheia de graça" sem emendar com "senhor é convosco, bendita..."
- João, que absurdo, pára já com isso.
- Sabia que dá pra cantar a reza toda dentro da música? Cabe direitinho.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

as roupinhas dos caras da natação


Pra mim, que fui mãe da época dos Power Rangers, impossível não comparar as roupas daqueles meninos da natação com os uniforminhos dos heróis. O mais engraçado é que todos esses meninos da natação tem quase a mesma idade dos meus filhos, e obviamente brincavam de Power Rangers quando eram meninos. E lembro que em casa o preto era sempre o campeão, o mais disputado, motivo de brigas homéricas. Power Phelps, síndrome de Power Ranger.

caminhe, laura, caminhe

soucarioca.gif picture by lauradiz


A Laura, do Caminhar, escreveu um belo post outro dia sobre os blogs. Ela disse que está cheia de ouvir essa coisa que todo mundo fala que os blogs estão morrendo. Concordo com ela. Eu não estou morrendo, alguém aqui está morrendo? Estamos é melhorando a cada dia. Já disse uma vez há anos. Um blog é um outro tipo de casa da gente. Casas virtuais. Tem a nossa cara, o nosso modo de agir, a nossa decoração. Tem blogs mega chiques e blogs super rips. Tem blog de paulista, blog de gaúcho, blog de americano, blog de carioca. A Laura fica assim lá na casa dela, balançando as perninhas e lembrando do tempo que ela morava no Rio. Acho a maior graça nas coisas que as pessoas colocam nos blogs. Ela tem orgulho de ser carioca e orgulho de ser blogueira. O resto não importa.

domingo, 10 de agosto de 2008

as olimpíadas esquisitas da franka


Sentei no sofá na sexta feira empolgadíssima com a TVLSD e com as olimpíadas. Escolhi um canal HD de esportes. Achei uma imagem parada, apenas uma músiquinha chinesa ao fundo. Em alguns minutos a câmera passou a focar um campo de areia com uma linha no meio. Tudo ainda estava em silêncio, transmissão ao vivo sem narrador, julguei. Não sabia o que iria acontecer até que entra uma moça num cavalo, e o apresentador fala em chinês e em inglês alguma coisa. Hipismo, entendi, mas onde estavam os obstáculos? Conclui que era outro tipo de prova hípica. Não entendo nada de hipismo, caramba. A moça usava uma cartola e roupa de gala. Hã? Anda de cá para lá, não entendo do que se trata, ela sai e aparece outro competidor. Desta vez era homem meio gordo e mais velho. Conclui que a prova não tinha restrição de sexo ou de idade. Ele faz o mesmo percurso enigmático, sem correr e sem pular nada. Santo Deus, que esporte era aquele? Não estava entendendo patavina e resolvi descobrir sozinha. Assim, digo a vocês onde cheguei: primeiro vi que o cavalo tinha que andar numa linha. Depois o cavalo tinha que andar de lado mas em linha reta. Depois andar do outro lado e ainda em linha reta. Depois andar de cabeça abaixada, depois dar uma corridinha, depois fazer um trotinho. Todo mundo muito chique de cartola, todos os cavalos muito chiques com um penteado. Esporte mais esquisito, sem restrição de sexo, sem restrição de idade ou peso. Quem inventou aquilo? Dois brasileiros concorriam, não consegui julgar se eram bons. Até que entrou uma moça toda pirilampa. O cavalo dela andou retinho na linha, e, quando trotou, pulou a linha como se dançasse ballet. Como ela foi super aplaudida, entendi que aquele era o lance. Andar na linha e pular a linha com graça. Fiquei até meia noite vendo aquilo, pasma. Que esporte era aquele e que maluquice levar aqueles cavalos para a China, gente. Coitados, não tem a menor idéia de onde foram parar, os cavalos. Sábado fui procurar na internet o que era aquilo, uma vez que a TV não explicou nada. Adestramento. Fiquei na mesma. Esporte esquisito, mas o meu predileto até agora. Hahaha.

sábado, 9 de agosto de 2008

o quadradinho do careca


O grande blogueiro Careca escreveu post onde ele fala de mim. No post ele cita três blogs que ele lê, um deles o "frankamente...". Eu já escrevi um post todo pra ele uma vez, pois achei que ele era super engraçado e que escrevia super bem. Nesse post do Careca, de antes de antes de ontem, ele primeiro ele elogia, um blá, blá, blá super legal que me deixou super emocionada, depois fala o seguinte (e notem só que atrevido que é o cara!):

"Uma das coisas mais engraçadas da Franka é sua idolatria ao Mário Prata. Ela gosta tanto do Prata que colocou uma foto dele no blog. O grande cronista também é fã da Lúcia e fez algumas crônicas a partir do que ela escreveu. Mas não botou foto da Lúcia."

Hahaha. Olha aqui, gente. Se a gente analisar bem esse texto do Careca, é fácil concluir que ele está com-ple-ta-men-te enciumado com a foto do Mário Prata aqui do lado. Uma não, duas fotos. Eu conheço gente enciumada. Acho que se eu fosse ele eu também ficava, porque também sou meio ciumenta. Mas o Careca, um cara destemido que não tem medo do Prata, resolveu enfrentá-lo, dizendo pra quem quiser ouvir que ele não colocou foto minha no site dele. Então chega de briga. Resolvi fazer um quadradinho igualzinho pro grande Careca. E vou colocar o Careca em cima do Prata, pra mostrar para ele que ele é mais importante. Ele escreve tão bem quanto. E como de hoje em diante eu vou modificar o meu modo de vida e só vou gostar de quem gosta de mim, ó Careca, ó ali você, com link direto pro teu post.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

absurdo


Fiquei em pânico com isso e até agora não me conformo. No meio da apresentação da olimpíada hoje de manhã, quando os homens acesos se colocaram em posição de pirâmide (sei lá por que), apareceu do nada uma pobre menininha voando, pendurada em dois fiozinhos e toda feliz da vida. Que coisa assustadora, meu Deus. Ela não tinha idéia do perigo que corria. Uma criança sozinha lá em cima, pendurada naqueles fiozinhos não pode. Que mãe desnaturada é essa que deixa a filha parar naquele lugar? Louca!

chão de TV?


Não aguentei e fiquei em casa vendo a abertura das Olimpíadas em LSD. Eu e o Zé, já prontos para sair para trabalhar, estacamos e paramos imóveis na frente da TV, bolsa a tiracolo, chave do carro na mão.
- Nossa, Lú.
- Nossa, Zé.
- Não dá pra saber se isso é real ou não. O que é truque e o que não é.
- A coisa mais impressionante que eu já vi, Zé. Esses truques são um tipo de enganação, mas enganar 90 mil pessoas. Que coragem.
- E essa música chinesa. Dá medo. É fantástico e demoníaco.
- Esse monte de homens e menininhas voando. Esse mundo que subiu do nada com essa gente rodando de ponta cabeça. Esses seiscentos discípulos de Confúcio, Zé. Homens acesos. Aquela cachoeira no teto. Meu Deus. Esse chão de TV, como eles andam sobre uma TV? A nossa LSD é mixuruquésima perto dessa tecnologia dos chineses. Será que eles tem isso em casa? Chão de TV? Imagina o que deve ser morar lá.
- E depois falam que coisa chinesa é ruim, que quebra, que é mixuruca. Olha que perfeito: ninguém erra, nada quebra.
- É, Zé, a China é o cara. Nossa, como tudo parece mixuruco na nossa vida depois disso.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

cuidado, lavanderia

- Meu Deus - exclamou a Bê ontem enquanto a gente falava no telefone - eu esqueci de novo de pegar a minha blusa na tinturaria Sincasequi. Deixei uma blusa de festa lá no começo de julho, nunca lembro de ir buscar.
- Pega agora, Bê.
- Agora não dá, e o pior é que se a gente não pega em 45 dias eles dão. Isso tá virando um pesadelo pra mim, essa coisa de esquecer.
- Dão? Dão pra quem?
- Sei lá. Mas tá escrito no papelzinho. Pera, vou ler. Ouve: "... as roupas não retiradas num prazo de 45 dias serão doadas".
- Mas Bê, será que eles podem pegar uma blusa sua e dar para outra pessoa? Isso não é errado?
- Acho que podem. Se eu não buscar vira abandono de roupa. Isso deve ser proibido.
- Abandono de blusa de festa? Será que existem leis para lavanderias?
- E repara, eles avisam muito bem avisado. Acho que se a lavandeira avisa, ela pode dar - ela conjeturou.
- Vai ver que eles não tem onde guardar. Vai ver que lá dentro é pequeno. Ou será que eles dão pra os funcionários?
- Não, impossível. Imagina se vou na Sincasequi de novo e vejo alguém usando minha blusa?
- Dar de cara com uma funcionária trabalhando com tua blusa? Mas tua blusa não é de festa?
- Lúcia, acho que eles dão pra caridade. Ou será que a Sincasequi tem um brechó?
- Pode ser. Se eles tiverem, será que eles não revendem, Bê? Você podia comprar a tua blusa de novo no brechó do Sincasequi.
- Comprar?
- Liga lá e negocia com eles. E será que eles não tem uma taxa de esquecimento? Devia ser possível você pagar um tanto a mais, tipo um seguro, para a blusa ficar mais de 45 dias. Porque 45 dias, Bê, pra gente que é esquecida, é muito pouco tempo para pegar uma blusa de festa. Muito pouco, pensa. A atendente devia perguntar: "a senhora quer esquecer 45 dias, três meses ou um ano?". E devia dar os preços da lavagem segundo o grau de esquecimento. Isso seria mais justo, eu acho.
- É, porque não é nenhum pouco justo eles darem a minha blusa pra outro.
- Que triste, Bê. Perder uma blusa assim.
- Nossa, Lúcia, como é perigoso a gente deixar uma roupa na lavanderia. Nunca tinha pensado nisso.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

diretamente do rio


Tem uma coisa que o mundo de hoje inventou que juro que não entendo. Eu ando muito de carro, tem muito trânsito em São Paulo, e já passei quase uma hora e meia pra chegar na Paulista ou na Vila Nova Conceição. Não comi no carro. Já viajei de ônibus, e não comi por muito mais de duas horas. Já viajei de trem e não comi por muito mais de três horas. Já viajei de barco e não comi nada por muito mais de quatro horas. Mas basta a gente entrar na ponte aérea, que dura menos que cinquenta minutos, que alguém acha que preciso comer.
São Paulo - Rio. No caso de embarques fora do rushi, tudo corre rapidinho. Nem precisa esperar o avião sentado, se você inventar de tomar café ali do lado (o café demora...). Você se senta na poltrona do avião, afivela o cinto, vrummm, decola rezando o Pai-Nosso, ufa que alívio que o avião não caiu nem bateu no prédio da avenida, você fala com o engenheiro que foi viajar com você, pega a palavra cruzada da revistinha da TAM, abre a mesinha pra escrever e ouve a voz da moça: "... sanduíche de pão integral com salaminho, tomate seco, queijo branco e orégano... suco de laranja, refrigerantes e chá verde...".
Putis. Lá vem o carrinho atravancador do corredor, a moça sorrindo e te dando o pacotinho com a embalagem moderna, e lá tou eu abrindo pra achar o sanduíche borrachudo que vou comer com um suco cheio de gelo. Gerúndios, porque não? No meio meio que arrependo. Tou comendo esse salaminho porquê mesmo? Ora, o moço(a) tão gentil, tantos acessórios juntos (guardanapinho, copinho, menuzinho), não custa dar uma mordidinha. Não tenho fome, é cedo, nem almoço nem jantar, mas me deram, fazer o que? Quando estou no meio do borrachão sem gosto, ouço uma voz. "Senhores passageiros, aqui é o comandante e vamos pousar no Rio. A temperatura é de 22 graus e...". Não dá tempo, simplesmente não dá tempo de comer se você tá, como eu, na poltrona 23 e acabou de receber o treco. Devolvo rapidamente o resto do sanduíche todo amarfanhado, o suco pelo meio e a papelada suja. Paciência. Chego no Rio, onze e meia da manhã, e lembro que tenho aquele pedaço de sanduíche dentro de mim. Pra que mesmo? Na volta a mesma coisa: sempre a correria as aeromoças (será que aeromoça de ponte aérea é algo além de garçonete de fast food?) para conseguir, naquele tempo exíguo, alimentar aquele monte de gente que não pode se mexer (ir pra onde com o carrinho no corredor?).
Gente, porque é que a gente precisa comer naqueles quarenta minutos na TAM? Na volta a mesma coisa: já comi sanduíches de chester com queijo camembert, frutinhas com frios e até sopa de beterraba, tomate e pimentão. É, a noite eles servem sopa e numa turbulência aquilo deve ser hilário. Imaginem o fedor do ambiente. E acho que foi pensando nisso que uma dessas vezes da sopa, pensei em levá-la pra casa pra comer depois, numa hora apropriada. Olha, a tal sopa, se for sorvida quentinha e na frente da TV, deve ser legal. Mas como levar aquilo se a sopa da TAM não tem... tampa? Ela não é como o sanduíche, que vem fechado.
- Puxa. Não queria comer agora, queria levar essa sopa, Luiz.
- Porque aceitou?
Olhei para frente e vi o saquinho vermelho no guarda jornais, aquele bolso de trás da cadeira da frente.
- Acho que vou levar aqui - disse animada, mostrando o saquinho de vômito para o engenheiro.
- Tá louca, Lúcia?
- Loucos são eles, que me dão essa sopa a troco de nada. Nem queria.
- Hã? Mas você vai sair com esse... saquinho cheio de sopa? Na mão?
- Tem fecho! - eu mostro a ele, abrindo e fechando - Quero comer depois, em casa, não pode?
- Da próxima vez vai de Gol que eles não te entopem de comida, Lúcia. Só uma barrinha de cereal.
- Pra quê uma barra de cereal?
Hahaha. A humanidade não pensa muito não.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

franka fica sentida


Vou voltar nesse assunto porque ele não me sai da cabeça. Essa coisa da matéria do Estadão falar que a febre dos blogs acabou e tal. Essa coisa de quererem transformar essa mídia aqui numa mídia ultrapassada. Olha, gente, pensa. A gente passa horas e horas na frente do computador, com essa luz branca na cara. E não é só a gente que trabalha em escritório. Até os caixas de café e os manobristas de estacionamento ficam na frente de computadores o dia todo. Uma vez contei aqui de uma amiga minha, a Lú, que um dia ficou sem monitor na casa dela, pois o computador pifou. Ela foi falar no telefone na frente da televisão sem som. "Eu não consigo raciocinar mais sem uma tela na frente, Franka", explicou.
Todos nós, que usamos computador o dia todo, nos distraímos e vamos dar uma volta pela internet, seja para procurar o preço de uma televisão de LCD, seja para entrar num site de músicas, seja para gugar o fulano que a gente conheceu no dia anterior. E é nessas horas de descanso que as pessoas entram em blogs. Eu vou muito nos blogs das pessoas que eu gosto e admiro. Vou em alguns para falar um oi, vou em outros para encontrar poesias, textos, matérias, crônicas e contos. Vou e encontro coisas muito boas. Bico achar quem é bom, mas é claro que tem muita merda também. A minha amiga Bê, que é uma artista plástica talentosíssima, usa o blog dela como apoio para a coisas que faz e ela não deixa de ser artista porque tem blog.
Blog não é arte, blog não é literatura, blog não é fotografia. É apenas um outro tipo de papel para escrever, outro tipo de espaço para jogar sua paixão pela arte, um outro tipo de lugar para colocar suas fotografias. Ninguém é menos ou mais artista por postar textos ou imagens num blog.
Talvez a implicância seja porque é grátis. Acho que as pessoas, principalmente os escritores, muitas vezes desvalorizam os blogs porque dizem que postar é um tipo de publicação, e que ao postar e tornar conhecidos textos inéditos estão inviabilizando uma publicação em papel. Péra. Será que se a gente tivesse que pagar para entrar num blog a coisa seria diferente? Pode ser. Mas porque será ninguém valoriza o fato de um blog bárbaro ser grátis? Não é legal, não é sensacional ser grátis? Blogs bons são presentes que ganhamos a troco de nada, coisa que que num mundo assolado pelo consumo deveria ser mega-valorizado. Eu escrevo de graça e conheço muita gente que escreve de graça. Quem escreve precisa escrever, precisa, entende? Pre-ci-sa. Eu não aguento ficar sem escrever, gente. É para mim uma necessidade, dane-se se é de graça ou se me pagam por isso. Se me pagassem seria melhor, claro, não sou maluca. Mas continuo assim mesmo, pra mim a generosidade de idéias é fundamental na vi-da. Não escondo idéias, não guardo para vender, não minto para poder publicar depois. Idéia gera idéia e tem que sair da gente e ir adiante, e é esse reciclar que nos torna inteligentes e criativos. É perfeitamente cabível para mim que um escritor tenha um blog (grátis, que seja) e que escreva altos romances, ótimas peças de teatro, contos incríveis.
Melhores ainda.
Talvez a implicância seja porque blog não tem avaliação, como críticos de blog e editoras de blog. Muita gente precisa ler uma crítica boa de um filme, de uma peça ou de um livro para comprar o livro, para ver a peça e para assistir o filme. Senão não vale. Porque muita gente não sabe o que é bom ou o que não é. Acho uma droga isso, essa coisa de alguém decidir por você se uma coisa é boa ou não pra você. Eu sempre gosto de comer, ler ou assistir alguma coisa sem pré-opinião. Decidir o que eu acho e pronto. Mas o mundo anda ao contrário. Ninguém consegue mais ser espontâneo. A roupa-nova-do-rei. Hoje em dia as pessoas precisam de manual pra tudo. Blog é legal? Se os jornais e os críticos disserem que não, as pessoas acreditam. Péssimo isso. Cadê os críticos de blog?
Fico chateadíssima quando vejo as pessoas andando pra trás. Não dá pra não usar e abusar de uma tela que fica na frente de um monte de leitores 24 horas por dia. Não dá para esperar, nesse mundo que não pára de evoluir, uma publicação em papel e achar que essa é a única forma de um escritor ser considerado um escritor.
Agora chega.
Nossa, que Franka revoltada, né? Sei que é chato escrever de novo da mesma coisa, ainda mais uma coisa longa e até meio sem graça num blog de posts engraçados. Mas Franka Lúcia Cardoso ficou 'sentiiida' com a matéria, pois ela acredita no que faz (que mania de terceira pessoa, dona Franka, hahaha).
E repito que quando crescer quero ser bloguista.

domingo, 3 de agosto de 2008

franka discorda

(hahaha, e ainda erraram meu nome no quadradinho de cima e eu virei "Lúcia Cardoso" (as pessoas vão achar que sou filha do FHC!)

Sou uma defensora dos blogs. Foi o que disse hoje no Estadão, numa matéria sobre blogs e literatura. O repórter me ligou essa semana. Era uma matéria pra o caderno Cultura de hoje.
Não entendo porque esse assunto incomoda tanto e porque tem tanta matéria a respeito. Ora, pra mim é muito simples. Escritor é quem escreve bem. Não importa onde. Se um escritor é bom e eu gosto de lê-lo, vou lê-lo num livro, num jornal, num folheto, num blog, num site, num papel de pão. Será que importa tanto o "onde"?. Eu sou blogueira e que tenho o maior orgulho disso. Muitas das outras pessoas entrevistadas na matéria ficam naquela lenga-lenga, batendo a cabeça aqui e ali discutindo se blog é ou não é literatura. Putis, pra quê? Pra mim é.
Então, na matéria, quando ele falou de mim e colocou minhas opiniões, disse: "... discorda Lúcia Carvalho, do blog Frankamente... ". "Discorda Lúcia", ele disse. Uau. Fui a do-contra da matéria. Hahaha. É que muita gente implica e acha que blog é "meu-diário", propaganda pessoal da pessoa, lugar sem leitor, espaço pra se exibir, literatura menor, blá, blá, blá. Mas como eu poderia ser diferente? Comecei dentro de um blog e não se abandona quem nos criou. O meu blog é a minha nave-mãe. Disse a ele que gosto muito, mas muito mesmo de escrever em blogs, e que o que torna uma pessoa um escritor é ter leitores, não importa em que mídia ou gênero literário. E assim como tudo na vida, os que tem talento vingam. Óbvio que blogs chatos vão afundar. Se você tem talento e um bom produto - o que na internet, pra mim, é escrever textos rápidos e curtos (eu expliquei que aprendi que leitura de blogs é sempre rápida, muita gente lê durante o dia, no meio do trabalho, mas ele não entendeu...) - porque não teria leitores? E porque esses leitores, só porque lêem seus textos em um blog, não lêem... literatura? Quem inventou a regra que diz que, se você é escritor, tem que necessariamente publicar em um livro? Aliás, tem uma coisa interessante. Não dá pra publicar um romance num blog, eu penso. Romance a gente lê em livros. E a literatura de um blog é o post.
Olha. Sou blogueira e quero ser blogueira sim, mesmo discordando dentro do Estadão. Na verdade, numa conversa ontem com um amigo, ele me disse que eu deveria era querer ser "bloguista".
- Bloguista, Peri?
- É. Acho que os blogueiros profissionais devem ser chamados de bloguistas. É como a diferença entre motoqueiros e motociclistas, jornaleiros e jornalistas. Pra mim existem os blogueiros e o bloguistas, Lúcia. Ser um bloguista que tem que ser a meta dos bons blogueiros.
Verdade.
Eu, a Franka, uma futura bloguista se-Deus-quiser, concordo plenamente com ele.

sábado, 2 de agosto de 2008

ó não, findi de novo


Não sei se gosto muito de finais de semanas. Sempre quero torná-los diferentes mas nunca consigo, o que me causa uma enorme frustração. Não tenho muito planos para a minha vida, mas para os finais de semana eu tenho. Vou arrumar aquela estante embaixo da TV do quarto, vou comprar travesseiros novos pois os meus já estão com aspecto de pizza de tão amassados, vou comprar um capacete para andar de bicicleta no parque Vila Lobos, vou lavar o carro e comprar um biquini novo. Vou fazer um jantar bacana para os amigos, vou no cinema ver uma estréia, vou ao teatro, nossa, adoro teatro. Mas além do problema do meu sono - eu durmo muito gente, eu durmo excessivamente demais gente, eu durmo sem precisar dormir, putis preguiça que eu tenho - tem a cozinha, a sala, o almoço, a louça, o telefone, os seriados bobos na TV que sempre pego pela metade. Acabo acordando tarde demais, olho a cozinha naquele estado por causa da hecatombe dos jovens na noite anterior: melhor lavar, como fazer um café se não tem sequer um espaço no fogão? É preciso também recolher as roupas e sapatos dos filhos da sala ralhando com eles, arrumar e afofar o sofá que afunda porque é velho e roto, é preciso abrir as setecentas portas trancadas da casa (depois de um assalto moro numa cadeia), é preciso tomar um banho por favor dona Franka, é preciso pegar os jornais lá fora e tirar dos plastiquinhos, é preciso jogar os plastiquinhos fora, meu Deus, é preciso ler os jornais, afinal dona Franka, a senhora precisa se informar sobre o mundo. Escolho alguns cadernos da Folha, outros do Estadão, consigo fazer o café e surgem os filhos esfomeados de pijama e pantufas, a comida se espalha pela mesa recém arrumada, já são quase meio dia, a bagunça voltou subitamente, não li jornal nenhum e passo a recolher tudo de novo, louça, louça, copo, embalagens, ixi, lembro das camas, ei meninos, vamos arrumar as camas, ei gente, vamos ajudar aqui a mama de vocês? Toindo, toindo, toindo, ahã. Incrível como jornal se espalha pela casa, e depois dos almoços no Senzala ou no clube não resisto, exausta e sento no sofá afundado para ver aquelas comédias inúteis na TV (agora de LSD, uau), olha dona Franka, já está quase anoitecendo e você não fez nada. Toca o telefone e eu me perco mais falando bobagens para minha irmã, minhas amigas, minha mãe. Incrível como a bagunça da casa se faz novamente do nada a cada uma hora, como assim, quem deixou esse pote de pipocas aqui, ei gente, dá pra abaixar o som de computador ai em cima, o que, não é possível, já está passando Pânico na TV e vocês estão assistindo essa baboseira de novo? Nossa, adoro segundas feiras.