quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

sem horários


Foi há duas semanas que decidimos, eu e a . Ela mora pertinho aqui de casa, um dos motivos de nos vermos tanto. Em qualquer grande centro urbano como São Paulo, qualquer amigo sem trânsito entre você e ele é muuuito mais amigo. Não tenho a menor dúvida disso.
Pois eu e ela, como estamos perto e trabalhamos sozinhas, volta e meia nos encontramos no final da tarde. Nos dias frios, vamos tomar café na doceira, e nos dias quentes vamos dar umas voltas andando na pistinha de cascalho da pracinha. Foi num desses passeios que percebemos que, sem ninguém combinar nada, sempre rodávamos a pracinha no sentido anti-horário.
- Bê, porque a gente anda nesse sentido?
- Não sei. Mas faz diferença?
- Sei lá - respondi - Tudo que você faz sem pensar merece um questionamento, não acha? No inconsciente pode estar a chave de muitos problemas.
- Acha que o fato de andarmos no sentido anti-horário pode estar nos causando problemas, Franka?
- Sei lá, Bê. E se estiver?
Ela olhou ao redor.
- Mas todo mundo anda nesse sentido. Deve ser por causa das regras de esporte. Lembra as pistas de atletismo.
- A gente não é nem um pouco atleta, Bê. Olha, você está de sapato e eu de havaiana. Não tem porque a gente seguir regra de atleta. Isso é um passeio. A gente devia andar ao contrário. Como o relógio, no horário.
A Bê e eu adoramos esses desafios metafóricos.
- Mas Franka, como podemos nos inverter? Não há "alças de retorno". A gente não pode simplesmente "parar" e "girar". Seria algo muito violento nas nossas vidas, podemos traumatizar - ela disse, rindo.
- "Alça de retorno"?
- Óbvio. Para o caso de alguém querer se inverter de sentido na vida, como nós.
Eu tomei coragem e perguntei.
- Você quer, Bê?
- Claro. Chegou nossa hora.
Isso que é amiga de verdade. Hahaha.
- Mas como fazer, sem a alça de retorno, Bê?
- Criaremos uma. Venha.
A Bê é demais. Depois de uma curva ela me levou para dentro da praça, onde demos uma volta ao redor de uma árvore e voltamos à pistinha, retomando o passeio andando ao contrário, sem estacar e girar.
-Perfeita essa alça de retorno, Bê. Deveria ser oficial. Lembre-se de onde era para podermos mostrar para outras pessoas que precisem dela.
Foi quando tudo, gente, tudo absolutamente tudo mudou. Olha, ando nessa praça há anos. E nunca reparei em tudo que passei a reparar quando passei a andar feito um ponteiro, no sentido horário. As árvores todas se jogam para a gente, o sol é mais bonito, a paisagem mais agradável. Isso fora o fato - engraçado - de você olhar todo mundo que anda e corre de... frente. Face a face. E, claro, encontrar muito mais gente. Oi, oiê, tudo bom?, opa, alô!
- Bê, minha vida mudou. Agora só ando assim.
- Eu também - ela resolveu.
Sábado passado fui no clube com o Zé. Conversando e andando, entramos na pista e passei a andar do modo novo.
- Estamos ao contrário, páre - ele me disse.
- Não, Zé. Estamos certinhos - eu respondi, explicando a teoria, que ele, obviamente, não entendeu mas como me conhece, resolveu deixar pra lá.
- Tá, tá - ele suspirou - mas olha a quantidade de gente olhando pra gente... que vergonha...

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

duas coisas legais de hoje



Hoje é aniversário do Juca, meu filho mais novo, basqueteiro, grande incentivador da franka, que escreve peças, faz iutubes e inventa posts comigo, um dos meninos mais felizes que eu conheço. Parabéns, querido.

E hoje também eu fui ao blog do Chico, o meu filho mais velho: "palavras de ordem". Bem, olhem o post dele aqui. Acho que vale a pena ler.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

o viveiro da franka


Hoje de manhã acordei com a sensação que faço tudo errado em relação aos pernilongos daqui de casa. Gente, voltando ao assunto, entendi: eu não estou exterminando pernilongos. Eu estou é criando pernilongos aqui dentro de casa.
Pensa bem. No andar de cima da minha casa estão os quartos e os banheiros. E tem a escada, que liga com o andar de baixo. Nos quartos e banheiros eu coloquei tela nas janelas, portanto por ali não entram pernilongos, pois a tela fica fechada a tarde toda. Mas nos banheiros e na escada não, portanto pelo banheiro e pela escada entram ou sobem um monte de pernilongos. Uma vez no andar de cima, óbvio que os pernilongos preferem ficar nos quartos do que no corredor ou no banheiro. Afinal, é mais quentinho, bem mais amplo e não tem vapor de banho, que eu imagino que pernilongo não goste. Quando eles alcançam os quartos, aqueles oásis para eles, não podem mais sair (a não ser pela porta) e ficam presos. Acho que pernilongo nem sabe que a saída é pelas portas, e, se eles saem por ali, deve ser completamente sem querer, uma quantidade mínima deles, que pode, inclusive, migrar de um quarto à outro. Nossa. Acho que criei uma espécie de viveiro de pernilongos, onde, achando que estou livre deles, faço experiências inúteis, como colocar aparelhinho em tomada e esborrifar isprei. Óbvio que isso, depois de anos e anos, deve ter criado espécies cada vez mais e mais resistentes. Devo ter, no meu quarto e no quarto dos meninos, espécimes de pernilongos mutantes poderosíssimos, velhos, idosos - isso se não considerarmos as demais gerações, de filhos e netos, criadas ali (!) - enormes, gordos, saudáveis e... perigosos. Pernilongões de raça, da melhor espécie. Ai que burra, olha o que eu fiz. E agora?
Bom, será que valem alguma coisa?

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

franka e as miniluzinhas


Ó eu na revista Morar, da Revista da Folha, da Folha de São Paulo de hoje, implicando com as luzinhas de natal. Basta clicar na imagem para ler. E - super bacana - de novo estou fazendo dobradinha com o Jayme do Dito Assim, que escreveu sobre um passeio à pé pelo Minhocão, na página 106.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

caminho


Sete horas da noite, do Alto de Pinheiros até Vila Nova Conceição, com um pitistopi rápido para deixar meu sobrinho no Butantã. A marginal paradona.
- Mãe, posso tirar do rádio e ouvir um disco meu?
- Pode, João. De quem é?
- Tupac. O 2pac.
- Sei. Aquele que morreu.
Trânsito parado. O rapper cantando.
- Mãe, sabia que dizem que o Tupac não morreu não?
- Como assim?
- Olha essa música, bom, não é música, é uma fala dele. Ele fala coisas esquisitas. E foi um pouco antes de morrer.
- Ou de 'não morrer'.
- Parecia que ele sabia que ia morrer. Ou que ia fingir que ia morrer. Dizem que ele preparou tudo pra morte dele. E deu até dicas.
Impressionante o trânsito de São Paulo e a paciência que temos com ele.
- Entendeu essa letra, mãe? Ouviu?
- Não.
- Ele canta pra mãe dele. É demais. Você tem que aprender inglês, mãe. Nossa. Já pensou se ele tá vivo?
Não havia outro caminho a não ser a marginal.
- Dizem que cremaram ele direto, rapidinho. Sem autópsia. Mas tiraram fotos antes, e contam que as tatuagens não eram as certas, não eram as que ele tinha. Estranho. Mas como cremaram o cara, agora não dá pra saber.
- Sei.
Muito caminhão, caminhão atrapalha muito.
- Ele era aficcionado pelo número sete. Diziam que ele ia aparecer de novo do dia sete de sete de dois mil e sete. Eu fiquei esperando o dia todo. Ali, procurando na internet.
- E nada dele.
- Nada. Tudo tinha sete nas coisas dele. Sete, sete, sete.
- Igual ao Elvis. Dizem que o Elvis não morreu também, filho.
- Sério? Ele foi cremado também?
- Sei lá, João.
Pára, anda, pára, anda, pára, anda.
- Olha, filho. Estão subindo ali naquele prédio uma placa enorme de concreto pertinho do vidro.
- Uau. Posso tirar uma foto com tua máquina, mãe?
- Pode.
- Vou tirar uma artística. Sou bom nisso.
Acabou o disco um, ele colocou o disco dois. Chegamos no túnel um da Juscelino.
- Estamos chegando?
- Médio, filho. Tá perto.
- Essa música é demais, mãe, vou aumentar pra você. Essa um é rap-de-mãe. Ouve.
- Ele canta em cima de uma música antiga, né?
- Você conhece? É da sua época?
- É.
Chegamos no médico. Uma hora e vinte no carro, dois discos do Tupac. Impressionante essa nossa São Paulo.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

lobotomia telefônica



Estava falando com um pintor no telefone. Lá fora começou a maior chuva.
- Péra que eu vou fechar a janela - eu disse.
Voltei e continuei a falar.
- Então, como eu dizia, o seu orçamento inicial era de.
Cabrummm.
Gente, que horror. Assim, sem mais nem menos, estourou um raio em cima da minha cabeça, veio um pá na minha orelha e eu berrei, louca, histérica.
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Joguei o telefone longe, histérica, e corri pra cozinha tremendo toda. Dei de cara com a Maria. Ela me olhou assustada.
- Lucia, o que foi?
- Água, água... levei um choque ai... socorro...
Ela me deu água com açúcar, eu toda arrepiada. Absurdo. Passou um tempo, parei de tremer, melhorei. Voltei a trabalhar. Esqueci completamente do telefone. Sei lá como o telefone foi parar no gancho de novo, não me lembro.
No dia seguinte o pintor, de quem também me esqueci completamente, me liga.
- Alô? Lúcia?
- Oi... Vicente...?
- Lúcia, o que houve ontem? Fiquei preocupado, você berrou feito louca, depois caiu a linha...
Nossa, esqueci do cara, da conversa, do assunto...
Sério, esse negócio de choque é perigoso demais, gente. Dá umas putis amnésias. Vi outro dia um episódio do House onde eles apagaram a memória de um cara para ele poder viver. Aconteceu isso comigo, meu Deus. O choque apagou um pedaço da minha cachola. Fez a maior maravalha dentro do meu cérebro.
Eu, hein. Será que apagou mais alguma coisa? Não lembro.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

pequenas observações sobre mulheres

Estávamos no supermercado, eu e elas, e Drake, comprando cervejas para tomar em casa no final de semana. Eu nem levei bolsa, portanto na hora de pagar me fiz de morta. A Drake se adiantou, remexeu na bolsa dela, tirou a carteira, abriu em cima da esteira do super, pegou um cartão e deu pra mulher.
- Débito ou crédito?
Detesto essa pergunta, quantas milhões de vezes a gente tem que responder isso na vida? Mas débitos e créditos não vem ao caso, a observação é outra. A questão é que a Drake abriu a carteira, entregou o cartão respondendo sei-lá-o-quê pra caixa e deixou a carteira dela lá na esteirinha toda abertona.
- Olha a carteira da Drake, Franka - disse a Bê.
- Nossa. Drake, fecha essa carteira, vai.
- Como assim?
Eu e a Bê vimos uma coisa que ela não estava reparando. A Bê falou sério com ela.
- Drake, não pode deixar a carteira assim, aberta, escancarada, em público.
- Não pode? Que teoria é essa?
- Claro que não pode, a Bê tem razão, Drake - eu me adiantei - é meio feio sim.
- Feio? - ela riu.
- Sei lá - disse a Bê - mulheres em geral não deixam as carteiras abertas, soltas assim. Mulheres abrem a carteira um pouquinho, discretamente, pegam o cartão ou o dinheiro e imediatamente fecham. Esquisito deixar assim, aberta. Super indecente. Fechaí, Drake.
A Drake não mexeu na carteira. Franziu a testa e ficou parada, pensando no assunto. Ficamos todas olhando para a carteira enquanto a mulher do caixa manipulava o cartão. Totalmente de pernas abertas em público, com todas as entranhas à mostra: cartões de banco, cartões de visita, caneta, talão, papelzinhos.
- Ah. Exagero. Não é feio deixar assim, gente - ela avaliou - por que seria feio mostrar a parte de dentro da carteira?
- Não sei - eu disse.
- Também não sei bem - disse a Bê - mas a minha eu sempre fecho.
Mas Drake faz só o que quer. Não mexeu nela até a moça devolver o cartão, enquanto eu e a Bê olhavamos tensas e aflitas para aquilo.
- Nossa, como ela é corajosa - conclui, cochichando para a Bê - um dia será que vamos conseguir fazer o mesmo?

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

off na orelha pode?

franka cara de abacate (uma imagem totalmente off-post, hahaha)


Nossa. Tem pernilongo demais. Um inferno. Na verdade, sempre tivemos esse problema aqui em casa nessa época do ano, dizem que por causa do rio Pinheiros. Já escrevi sobre isso milhares de vezes aqui no blog, já contei minhas peripécias na minha eterna luta contra eles, seja com tapas, inseticidas, raquetinhas, tapetes de banheiro, aparelhinhos de tomada e aparelhos de barulho. Nada resolve. No ano passado, resolvi tentar ignorar o fato. Ora, querem me picar? Piquem. Descobri que se conseguirmos não coçar na hora não incomoda, basta ter força de vontade por uns 10 minutos. Mas sinceramente, o que mais incomoda não é a coceira e sim o zunido. O zunido enche o saco, outro dia até tentei, inutilmente, dormir com um tampão de ouvido.
Ontem a noite o Zé apareceu na minha frente com o frasco de Off.
- Lú. Ajuda aqui.
- O que foi?
- Vou tapar o ouvido com o dedo e você encharca a minha orelha de Off. Só não deixa entrar dentro.
- Hã?
- É, vou passar Off só na orelha. Se eu não ouvir, durmo bem, podem me picar a vontade.
- Será que pode, Zé?
- Sei lá. Vou tentar. Se pode passar no pé, porque não pode passar na orelha? Vai, toma. Faça o mesmo você também.
Olha, gente. Se faz bem ou mal pra orelha eu não sei. Muito bem não deve fazer, óbvio, mas dormi totalmente em paz, sem zunidos. E é super econômico.

domingo, 25 de novembro de 2007

os meus santinhos


Arrumei o escritório essa semana. Ainda não consegui me livrar de muitas das coisas que entulhei aqui ao longo dos anos, principalmente as coisas que entulhei por motivos não profissionais, mas sinto que é hora de parar de olhar para trás. O que não significa, claro, jogar fora. Apenas tirar da frente. E o que olhar agora?, pensei ontem. Olhar? Não ando com vontade de olhar para nada. Vou mudar, resolvi. Agora vou ser olhada. Eles que olhem por mim. Os meus santinhos. Coloquei-os exatamente aqui na frente: a Santa Luzia, o Anjo da Guarda e os três soldadinhos. Já o São Benedito fica na outra mesa, também olhando de longe. Tou bem protegida, eu acho.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

o farol e a lua


Farol fechado e lua aberta. Nem sempre a luz vermelha é pra gente. Penso na necessidade de selecionar o que se quer ver. Os finais de tarde aqui perto de casa tem sido lindos e eu pouco reparo neles. Quando era criança passava horas deitada olhando as nuvens rodando em cima de mim. O céu é como a literatura. Se você pintá-los, ninguém acreditará. A maluquice das imagens é pura realidade. Hoje, confusa, preciso de coisas que existem. Sempre achei que homens e mulheres eram a mesma coisa. Não é bem assim. As ruas e avenidas são as mesmas. Mas existem faróis diferentes para ambos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

parabéns, papai


Ontem foi aniversário do meu pai. Ele, se estivesse vivo, faria 80 anos, pois nasceu em 1927. Oitenta anos é um número legal, lindo uma pessoa fazer oitenta anos, tudo bem que meu pai está morto, mas achei que deveria fazer uma homenagem e levar umas flores no seu túmulo. Estava em falta com ele, não fui em finados. Convoquei minha mãe.
- Mãe, quer ir?
Fomos na hora do almoço, eu e ela. Compramos um vasinho, ganhamos uma rosa vermelha do vendedor e entramos no cemitério vazio. Depois de uma reforma, transferiram o túmulo do papai para outro lugar, na minha opinião bem melhor localizado do que o anterior, mas eu e minha mãe sempre demoramos horas para encontrar, perdidas no meio de tantas ruas e "casas".
- Ali.
Encontramos. Rezamos, cantei parabéns baixinho, coloquei o vazinho em cima da lápide e sentamos no túmulo da frente, olhando para o já tão conhecido túmulo da família do papai. Afinal ele morreu há 33 anos.
- Filha...
- Oi, mãe.
- Meu Deus, morreu alguém. Olha, tem uma plaquinha a mais.
- Nossa.
- Veja se é sua avó.
- A vovó? - eu me adiantei para ler - não, mãe. É outra mulher. A vovó foi cremada, lembra-se?
Ela se indignou.
- Como assim, outra mulher? E que mulher é essa? Como a família do teu pai coloca outra mulher ao lado do seu pai e nem me avisa?
- Mãe...
- Que mulher é essa? Que esquisito. Não tem nenhum nome da família, olha - e ela abriu a bolsa, irritada.
- Vai fazer o que, mãe?
- Ora. Anotar o nome dessa fulana pra descobrir quem é, ora. Como vou deixar seu pai com uma mulher desconhecida aí dentro assim sem mais nem menos? - e ela me passou a anotar num papel o nome e os dados daquela ex-pessoa enquanto olhava a plaquinha, intrigada.
- Que coisa estranha, estranha... - ela dizia.
- Mãe, ela está morta. A mulher.
- Ué, seu pai também. E daí?
Anotei. Fiz as contas.
- Mãe, ela é mais velha que o papai.
- Sério? Quantos anos?
- Aqui mostra oitenta e quatro anos e...
Ela deu um longo suspiro. Sorriu pra mim.
- Ufa! Oitenta e quatro?
- Ufa?
Ela pegou os óculos na bolsa e examinou, confirmando.
- Ufa mesmo, que alívio, filha... - e explicou, toda orgulhosa - Sabe, seu pai jamais daria bola para ela. Ele gostava de mocinhas mais novas. Assim, como eu.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

o presente do guga


No dia do meu aniversário, ganhei um puta presente do Guga. Um quadro dele.
- Que demais, Guga. Uma pintura sua! - exclamei, feliz.
Mas era aniversário, aquele monte de gente chegando e eu cumprimentando, não tive tempo naquele momento de conversar mais com ele sobre o presente. Na hora dele i embora, ele me chamou num canto.
- Franka.
- Oi Guga.
- Sabe o presente que te dei? Está dentro daquela pintura. Aquilo é uma capa, um papel do presente. O presente está dentro.
- Como assim? Mas a capa é linda. Tem até uma pedrinha coração colada nela. Sério?
- Eu sei. Mas é só uma capa, uma embalagem. A pintura está dentro. Depois você abre.
A questão, gente, é que já se passaram mais de 3 semanas do meu aniversário e eu não abri ainda o presente. Eu olho e olho o "quadro embalagem", o "quadro casulo", e não consigo ir além. Fico nessa: abro ou não abro? A idéia de que ali dentro tem um quadro do Guga que eu não sei qual é super emocionante pra mim. Não se se me faço entender. Não abri, ninguém se conforma com isso, mas tenho a sensação que algumas coisas precisam sim de um tempo para nascerem. Feito uma semente, feito as sementes que a e ele tanto gostam. O quadro ainda é casulo. Uma hora nasce. O que será que vai surgir?

domingo, 18 de novembro de 2007

hortifrutibuster


Sabadão, depois da tradicional feijoada decadente num restaurante aqui perto de casa - a ordem das palavras é essa mesma - passamos em frente à Blockbuster do bairro para pegar um filme. Não, minto, explico melhor. Passamos para comprar a terceira temporada do seriado do House, todo mundo aqui em casa é viciado nesse seriado, e gostamos de ter para rever diversas vezes. Compramos poucos DVDs, preferimos alugar, o House é uma excessão. Foi quando demos de cara com uma nova locadora, toda reformada. Uau.
Encontramos um casal amigo na porta, eles estavam indignados.
- Olhem! Isso aqui virou um supermercado. Tem roupa, comida e até celular!
Era verdade. A locadora se transformou num lugar cheio de gôndolas, cheio de coisas para vender, principalemente comida tréchi total. Sabe aquelas comidas que você não deve comer e nem dar para os seus filhos nunca jamais? Aquelas que obviamente fazem mal à saúde, que aumentam o colesterol, que engordam, trololololó? Elas. E lááá no fundo, lá no fundo mesmo, os filmes. Apertadinhos depois das porcarias.
Super esquisito. Parece que uma loja comprou a locadora, explicou meu amigo. Tá, tá, mas o que tem a ver uma coisa com outra? Façam duas lojas então, ué? Em primeiro lugar, quem compra celular e brinquedo em locadora? Não são compras de impulso, eu creio. Mas estavam lá. Já quanto as comidas, eu fico mais uma vez muito, mas muito intrigada. Gente do céu, porque "ver filmes" tem a ver com "comer bobajada"? A cada dia mais os cinemas vendem coisas barulhentas e inúteis para você enfiar goela abaixo durante os filmes - e atrapalhar os outros - e agora essa moda parece que invade... a sua casa. Será possível que um ser humano não consegue ficar duas horas sem ingerir alguma coisa? E porque ingerir porcarias inúteis durante um filme? Isso é lá, por acaso, um tipo de divertimento associado, comer inutilidades e assistir filmes?
Bom, comer é gostoso, ver filmes também. O que me intriga é que ninguém tenha pensado em fazer algo diferente. Supondo que os dois divertimentos, as duas formas de lazer possam ser associadas, por que não vender, então, comidas saudáveis na Blockbuster? Já que é para vender comida e alugar filmes simultaneamente, juntando duas coisas gostosas, porque não vender verduras, frutas, carnes, cereais? Estamos num bairro de classe média, os moradores são pessoas instruídas, preocupadas com a saúde, que pagam academias e personal-treiners. Juro que não entendo o porquê das porcarias. Seria o máximo alugar um filme bacana e voltar para casa com cenouras, uvas e maçãs. Um hortifrutibuster seria demais.

sábado, 17 de novembro de 2007

quantos anos fez a naninha?


Ontem foi o aniversário da Nana, minha filha do meio. Ela quase nasceu no feriado, no dia 15, e quando eu estava grávida a família torceu muito para isso. Dia 15 de novembro era aniversário do meu avô, que tinha morrido uns anos anos e que, por causa disso, se chamava "Benjamin Constant". Dr. Benjamin, pois era médico. Mas o trabalho de parto demorou e ela acabou nascendo à uma da manhã do dia 16.
Assim, todo ano, obviamente, o aniversário dela "cai" no meio do feriado, e ela nunca pôde dar uma festa no dia certo.
Ontem, depois de um almoço de família, com avós, tios e primos, ela pergunta se pode chamar uns amigos no fim da tarde para um bolo.
- Claro - respondo.
- Mas serão poucos, mãe, cê sabe, é feriado, será uma turma até meio disparatada, pois são as pessoas "que não foram viajar"...
Achei que seriam dois ou três, mas quando vi a casa estava tomada por adolescentes espaçosos e alegres, deitados no chão e nos sofás. Depois de ficar um tempo vendo tevê no quarto, pra não "atrapalhar" a conversa deles, e depois de embromar um pouco na cozinha, fui até a casa da minha mãe pegar o tradicional bolo que ela sempre faz para os netos e propus cantarmos parabéns na copa. Foi quando lembrei das velas.
- Ixi, filha, esqueci de comprar velinhas. Vou ver se tem na gaveta umas já usadas,daquelas de números, senão vou comprar e já volto.
Sair? Não, nunca. Os garotos todos foram contra, claro, queriam cantar e comer logo. Assim, peguei uma infinidade de velas usadas que a Maria guarda na gavetinha, e eu e o João passamos a analisar.
- Ah, droga, mãe, não tem bem a que precisamos. A do último número dos anos dela
Foi quando a Nana teve a idéia.
- Não tem problema nenhum. Vamos fazer então colocar as velas que dêem uma soma. A soma dos meus anos. É uma idéia legal, e a gente faz isso se tornar uma espécie de tradição na nossa família! - e assim ela e os amigos passaram a compor.
- Essa, essa, essa e... essa. Não. Essas quatro aqui. Não, essas cinco aqui, melhor.
Resolveram, sei lá qual exatamente o critério numérico, mas colocamos no bolo e fomos cantar os parabéns. Acendi as velinhas, uma a uma, mas quando larguei o fósforo, uma delas... morreu. As velas de número tem um pavio curtinho, e como já eram usadas estavam mínimas. Depois de dois segundos, um outra se foi.
- Ai, e agora? Rápido mãe, coloca outra, vai!
Nunca tive um problema assim no parabéns. Uma soma? Era preciso pensar depressa e somar rápido, antes que outras se fossem. Ou seja, as duas que tinham que ser substituídas deveriam ter a mesma soma daquelas que morreram. Eu rapidamente pesquei na caixinha e enfiei no bolo, enquanto todos contavam para ver se eu tinha acertado. Bingo. Ufa. Já pensou se erro na soma, o vexame diante daquele monte de adolescentes-que-só-tiram-sarro-de-mãe?
- Parabéns a você, nessa data querida... Naninha, naninha!
Parabéns, filhoca. Ainda bem que você fez os anos certos.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

atenção: franka vai simaquiar

a irmã da franka e a franka numa tarde de carnaval

A primeira e a única vez que fiz uma maquiagem no rosto foi esse dia. Óbviamente sou uma ETéia (como é o feminino de ET?), porque todas as mulheres do mundo se pintam para sair. Algumas só nas festas, outras todos os dias. As mais radicais levam a maquiagem na bolsa e passam o dia retocando. Eu não. Eu sou sempre eu, a mesma.
Mas eu, etéia, sempre achei esquisito fazer isso. Se pintar? E ainda por cima no rosto, onde todo mundo vai olhar? Não é estranho, gente? Se fosse nas mãos, barriga, nuca, vá lá, mas pintar a sua... cara? A sua própria cara? Mudar o jeito que você é? Porque fazer isso?, eu sempre me perguntei. Minha mãe nunca me incentivou, dizendo que eu que devia decidir se queria ou não me pintar, e explicava que ela pouco se maquiava porque tinha olhos verdes e a maquiagem estragava o impacto que eles causavam. E sempre concluia o assunto dizendo que eu devia fazer como ela: pensar com os meus botões, pois essa era uma questão absolutamente pessoal.
Putis, que difícil. Bom, diante disso eu só tinha uma saída, uma vez que resolvi não pedir nada para a minha mãe: teria que ir atrás de alguém que me ensinasse a fazer uma "maquiagem completa" para ver se ela estragaria o impacto dos meus olhos pretos ou não. Pensei em contar o problema para uma amiga e pedir ajuda, mas quando menina eu era absurdamente tímida e nunca tive coragem de confessar essa atitude etéia para nenhuma outra mulher. O tempo passando e eu ali, desmaquiada, achando cada dia mais estranho pintar a cara feito palhaça mas lá no fundo com aquela cruel dúvida: mimaquio ou não mimaquio? Foi quando eu achei essa foto. Eu, maquiada! Olhei bem, eu bailarina-toda-fofa com esses riscos orientais nos olhos, e na hora pensei:
- Que ridícula.
Entendi. Lá estava a prova. Provavelmente foi minha mãe que fez essa maquiagem em mim e na Ângela, e, claro, para compensar a nossa falta de olhos-verdes-impactantes, acho que ela exagerou bem. O resultado, realmente, convenhamos, não é lá essas coisas, reparem bem.
- Que ridícula.
Mas isso foi há muito tempo e hoje resolvi confessar publicamente que sou uma mulher bastante frustrada por ser tão desmaquiada. Na vida a gente não pode ter problemas tão bobos e fáceis de resolver assim, céus, um dia é capaz até de eu precisar de análise por causa dessa bobagem. E assim, também publicamente, resolvi tomar coragem e pedir ajuda: alguém pode me maquiar pra eu ver se fica ridículo mesmo? Juro que posto aqui no blog o "antes" e o "depois". E, idéia (!), fazemos uma votação!
Bom. Quem se habilita a mimaquiar?

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

franka tira a sorte no pão de mel

olha a imagem que saiu para a franka no pão de mel

Minhas amigas Bê e Fran adoram coisas esotéricas, já contei uma vez. Esse lance de horóscopo, ichingui, numerologia, oráculos, ioga, mapastral, eticéteretal. Eu não acredito e nunca acreditei nessas coisas, mas juro que respeito pra burro. Ando até lendo ichingui, depois que ganhei um livro da Bê a respeito, só não sei fazer o tal do hexagrama, pois tem uma lógica confusa demais pra mim. Uma vez a Bê tentou me dar uma aula de mapastral, coitada. Desenhou um círculo, e ia colocando em volta diversos símbolos, aquela coisa de água, terra, fogo e ar, e depois mais uns outros simbolinhos. Até uma hora consegui seguir a linha de raciocínio dela, mas ela começou a explicar muito e me embananei. Depois dela falar um tempão e concluir um monte de coisas, me perguntou:
- Entendeu?
Tive que ser sincera. Eu juro que fiz esforço, pensei em não ser tão “franka”, mas achei melhor revelar a verdade.
- Não, Bê.
- Nadinha? Sério?
Nessa nossa última viagem, os esoterismos das minhas amigas foram longe pra burro. Tudo tinha um monte de significados, e no último almoço não agüentei. Aquela coisa achar significado entrou na minha cabeça e me abduziu completamente. Estávamos sentados todos numa mesa redonda, ao ar livre, sobre um piso de grama com pedras, e as cadeirinhas ficavam todas meio bambas, com os pés ora em cima da pedra, da terra ou do nada.
- A gente devia fazer uma leitura dos pés das cadeiras – sugeri, brincando.
- Pés das cadeiras? – elas estranharam.
- É, olha, parece iching, horóscopo. Temos todos quatro apoios, e cada um de um jeito: tem gente sobre a terra, outros sobre a pedra, outros sobre o ar. Isso deve significar alguma coisa para vocês.
Claro que elas levaram a sério e fizeram o esquema (elas sempre levam tudo a sério). Analisaram, analisaram, até que a Bê desistiu: não era ainda a hora de entender aquilo. O destino, o destino abriria portas um dia. Foi quando chegou o café, e junto com o café tinha um pote de pão de mel. Todo mundo avançou, e eu, empolgada em achar mais significados, vi.
O pão de mel estava meio derretido, e alguém colocou sobre um guardanapinho de papel. Quando pegou pra comer, ficou um desenho estampado no guardanapinho.
- Olhem, uma imagem! A imagem do pão de mel!
Gente, que engraçado. Foi um tal de todo mundo sortear um pão de mel para si, derreter com fogo e decalcar em papel. E os significados que elas achavam, que máximo. Um monte de dragões, peixes, cavalos, pedras, fogo, trovão, caldeirões. Passamos um tempão naquilo, entendendo as nossas vidas no pão de mel.
Nesse final de semana nos encontramos de novo. Lembramos do pão de mel na hora do café, quando a Bê serviu umas bolachas Negresco. Ela abriu uma para comer, sabe quando você descola um lado do outro? Pois bem. Ela deu um berro. Geeeente! E lá ela viu um novo oráculo. O oráculo da bolacha Negresco. E assim tiramos a sorte de novo, desta vez com bolachas. Estamos craquérrimas nessa modalidade inédita. Pensamos em reunir grupos para tanto. Alguém se habilita?

Bom. Tudo bem. A gente já foi considerada louca há muito tempo.

domingo, 4 de novembro de 2007

violência é o medo dos ideais dos outros, disse Gandhi



Sexta eu fui assistir uma peça. O Francisco, um primo meu, me fez o convite: "Lúcia, é uma peça legal, só passa às sextas, topa ir?". Óbvio que adoro um convite desses. "É a peça do Rafael da Lourdinha", ele explicou. Como se eu soubesse quem é Rafael. Como se eu soubesse quem é Lourdinha. Mas o Francisco, esse meu primo, é de Belo Horizonte. E lá sempre alguém é de alguém e não se fala mais nisso. E o primo Francisco é meio difícil de explicar como é.
Fomos então, numa turma grande, prestigiar a peça do Rafael da Lourdinha do Francisco primo da Franka no Teatro Fábrica, com a intenção de jantarmos todos juntos depois no restaurante Tordesilhas, que é ali ao lado. A peça se chama “Topografia de um desnudo”, e está em cartaz às sextas as nove e meia da noite. O texto é do Jorge Dias, direção do Hugo Villacenzio e o grupo se chama “Conexion Latina de Teatro”.
Na porta, debaixo de uma chuva maravilhosa e esperando mais amigos, o Francisco começa a me explicar a peça. Quem era o grupo, quem era o Rafael, como era a história.
- Não, Francisco, pára – eu pedi – Assim você estraga tuuudo. Não gosto de ser pautada para assistir peças. Se a peça for boa, eu gosto, se não for, não gosto. Ouvir crítica antes não pode - pedi. Só me diz que personagem que é o Rafael dessa Lourdinha.
- É o cabo.
- Tá.
Ele riu e ficou calado. E lá fomos nós para o andar de cima do teatro para ver a peça.
Olha, adorei. Muito bacana mesmo. Sem entrar em muitos detalhes pra não estragar pra quem quiser ver, a peça conta a história de um mendigos que moram num lixão e que são expulsos violentamente de lá pois pretendia-se construir um empreendimento imobiliário no local. A história é real e conta um fato ocorrido nos anos 60 no Rio de Janeiro, quando mendigos foram mortos e jogados num rio, torturados com bastante crueldade. É uma montagem bem estruturada, bacana, com ritmo e tempo certo, com bons atores e boas interpretações. Uma peça sobre a violência, dolorida sem ser piegas, com texto inteligente e boa direção. A única crítica que eu faria seria sobre a idade de alguns atores, incondizentes com a idade do personagem. Imagem é tudo, confunde um pouco. E adorei. Uma peça boa. Sabe peça "boa", que, como diz minha mãe (que vive no teatro com a turma da van), que “te prende”? Pois a peça do Rafael da Lourdinha me “prendeu”. Na saida, aguém disse que o grupo tinha esse nome pois tem atores de diversos países da América Latina, inclusive alguns com sotaque, o que no começo parece estranho mas que no decorrer da montagem passa despercebido. Por falar nisso, o Rafael da Lourdinha tinha sotaque. Não era brasileiro, o Rafael-cabo, estranhei.
Saímos de lá, o Francisco me pede para ficar no saguão com ele.
- Vamos esperar o Rafael da Lourdinha – diz – quero te apresentar para ele.
Aguardamos um tempo até que surge o Rafael. Um homem provavelmente da minha idade, simpaticíssimo, que me comprimenta efusivamente, se espanta de eu ter blog, fica curioso por eu ser arquiteta. Conversamos muito, ele pega meu email, conto que escrevo peças, blá, blá, blá, ele me conta que adora arquitetura, que já construiu diversas casas, blá, blá, blá. Eu ainda não entendendo nada. Quem é Rafael, quem é Lourdinha, porque eu vim ver essa peça. Saímos de lá com chuvisco, depois do Francisco convidar o Rafael para jantar conosco e ele recusar por algum motivo, e, andando em turma até o restaurante, o Francisco nos explica.
Olha que divertido: a Lourdinha é uma amiga dele, de Belo Horizonte. O Rafael é marido dela, tem filhas adolescentes e tal. É um executivo de uma empresa, segundo o Francisco, um grande executivo, já foi até presidente num dos diversos empregos. Um cara importante. Tem família européia, mas nasceu e cresceu na Argentina, por isso o sotaque. Veio morar no Brasil e trabalha aqui há um tempo. Como gosta de teatro, resolveu estudar. Depois de concluídos os cursos, entrou nesse grupo, a Conexion Latina. Trabalha de segunda a sexta como executivo na tal multinacional, e todas as sextas feiras à noite risca qualquer coisa da agenda e corre para encenar o seu "Cabo São Lucas". Porque gosta de teatro. Apenas porque gosta de teatro, como eu. Porque a paixão da gente está além do que a gente faz. Porque estamos numa idade onde não vale a pena a gente esperar que tudo caia diante da gente. É preciso procurar, ir atrás, investir e pular as barreiras. Segundo o Francisco, o Rafael construiu até um pequeno teatro na super linda e projetada casa dele. Mas isso eu soube depois, bem depois, só no restaurante, onde comemos um delicioso bobó de camarão. E penso que ainda bem que eu não soube antes, pois senão eu ia assistir uma peça com o Rafael, o executivo argentino, e não uma peça com o Rafael da Conexion Latina, o que foi muito mais legítimo. Me identifiquei muito com o Rafael, gente. Eu, uma arquiteta que escrevo peças. Ele, um executivo que atua. O teatro está dentro da gente. É uma sina, um destino. Não interessa quem você é.

Tirei uma foto com o Rafael da Lourdinha e com o Francisco no saguão pra vocês verem que eu não minto. Olha que simpatia que é o Rafael.



aí, ó: o rafael da lourdinha, franka e o primo francisco (obrigada, bê)

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

a anlene!

sr. a., anlene, franka e jayme
foto tirada pelo guga a3


Ontem conheci uma blogueira super bacana. De Madri. A Anlele. Ó ela ai do meu lado. Noite divertida.
Ainda sem micro. E tô indo viajar. Beijos.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

tudo travando

Muito legal dar uma festa. Chato é só quando, na semana seguinte a ela, o computador quebra e trava. É isso. Tô consertando. Em breve eu volto com milhares de assuntos. E, claro, com os iutubes.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

galeria da festinha da franka

Que delícia. Fiz uma festinha de aniversário no sábado. Teve bolo, parabéns, teve música ao vivo (a banda bárbara do Caio, meu cunhado, que toca jés), e teve até peça de teatro, a minha "21", que passou nas Satyrianas e que foi reapresentada no sábado pelo Teatro da Curva, aqui em casa, na quadra do Juca, no quintal. O máximo. Mas pena que no começo da festa, perdi a máquina. Depois desencanei, com essa coisa de registrar tudo a gente nem se diverte. Recolhi algumas fotos de celulares e afins, só pra ilustrar. Umas com tarja, outras sem, tanto faz. Olhai. Depois conto dos bastidores.

franka e a super hiper banqueteira carol, sem ela minha festa nunca daria certo

franka revela a verdadeira identidade do seu zé

blogueiros e simpatizantes em foto montagem: edu, franka, marcio, silvia bê, fran, rogério, pecus e anna

guga, franka e bê


juca e o ator zé trassi, jogando um "21" antes da apresentação da peça da lúcia no quintal da minha casa, a "21", que teve uma apresentação a uma da manhã durante a festa (em breve iutube!)



super banda do caio, cunhado da franka
na foto caio, peri, sérgio e paulo


bê, franka e drake


celso, ator da peça "21", franka e didio, diretor da peça

ivana (minha ídala), franka e índigo (essa menina tem que ter um talk-show urgente)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

coluna! coluna! coluna!

Ieba, mais uma coluna da Franka na Revista Morar da Folha de São Paulo. "Invasão de domicílio". Bom, pra quem quiser adivinhar, o "Marquinhos" citado na crônica vive aqui no blog. E desta vez faço dobradinha com o Jayme, do Dito Assim, que escreve na página 50: "Olhar a cidade". Tão vendo? Blogueiros em ação. E amanhã é aniversário da Lúcia Carvalho. Que post a Franka colocará para ela?

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

o enigmático sr. "peixoto"

Estávamos em Campos do Jordão, eu, as minhas duas melhores amigas, Silvia Bê e Fran, e, claro, como eu já disse nos posts anteriores, o sr. Peixoto. Claro que esse nome, “Peixoto”, é falso. Esse nosso amigo, como muitos outros amigos, não se sente a vontade quando eu falo deles no blog. E nessa viagem, a cada vez que acontecia uma coisa engraçada, ele me olhava de repente assustado e perguntava:
- Isso vai pro blog?
Respondi que nunca sem autorização, nunca explicitamente para ferir ou colocar ninguém em situação embaraçosa. Aliás, expliquei que todo mundo que entra aqui no "frankamente..." nada mais é que personagem da minha imaginação, personagem da vida da Franka, essa mulher casada com o Zé, com três filhos e uma vida meio atrapalhada. Personagens, apenas personagens com papéis dentro das tramas que eu crio. Mais uma vez insisto que a Franka mente. Só um pouquinho, mas mente.
- Ah. Eu também quero um apelido. Só vocês que tem? – reclamou Fran.
Eu e Bê olhamos para ela e balançamos a cabeça.
- Você já temum apelido. Podemos usar? - eu e Bê perguntamos - Teu apelido é Drake, sempre foi Drake.
- Ótimo – ela concordou – Isso vai pro blog, Lúcia?
Hahahah.
- Vai, Drake.
Assim, durante a viagem, depois de diversas tentativas para achar um nome e embalados pelo vinho que ele carinhosamente nos ofereceu, resolvemos que o nosso amigo teria o apelido de "Peixoto". E resolvemos também que ele teria que se manter completamente incógnito para que o seu personagem fosse interessante. Quem seria esse sr. Peixoto, esse estranho amigo de Franka, Bê e Drake? Seria ele apenas um amigo imaginário dessas três mulheres esquisitas que largam a família aqui em São Paulo para falar bobagens e rir de qualquer coisa?
Quando voltamos para São Paulo, eu cheia de fotos e assuntos, liguei para elas.
- Bê, Drake, será que posso colocar as fotos do sr. Peixoto no blog? Eu coloco tarja nele e...
Ficamos na dúvida. Será que ele se importaria? Foi quando eu tive a idéia.
- Meninas, já sei. Vamos colocar as fotos dele no blog junto conosco. Mas vamos tirá-lo das fotos.
- Ah, não vai ter graça nenhuma – elas reclamaram.
- Vai sim - insisti.
Foi quando eu fiz essas fotos abaixo. Acho que assim o sr. Peixoto não vai se incomodar. Afinal, ele não está nas fotos. Mandei para elas e para ele.
- Ai. Isso vai pro blog, Lúcia?
Ora. Claro que vai.
Hahaha.
Olhem o nosso sr. Peixoto.
Seria ele apenas um amigo imaginário?

drake desafia sr. peixoto na pedra na beira do abismo - obs.: drake venceu, obviamente


drake, peixoto, bê e franka antes do jantar - noto que foi necessária uma tarja na barriga indecente de franka

bê, drake, franka e sr. peixoto na escadinha da casa
obs.: mudei no fotoxópe o tamanho do sr. peixoto para disfarçar, ele é bem menor que nós de altura

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

calúnia! mentira!


Calúnia e mentira, só isso que eu posso dizer. Essa foto, que tem circulado pela internet nesses últimos dias, me tirou do sério. Gente, como póde? Está mais do que comprovado que a Franka, com um único bastão, nocauteou , jogando-a longe. Veja do que são capazes as pessoas que não sabem perder: fazer um fotoxópe desses, de péssima qualidade (reparem que eu nem tenho sombra!!!), só para denegrir a minha imagem? Nem vem, dona cobra de vidro, nem vem que quem venceu fui EU. E, além disso, todo mundo sabe que o sr. Peixoto só levou dois bastões. Ora, ora, frankamente, não é fácil ser blogueira...
Ps.: Bê, emocionante o post que você fez da gente no cobra. Obrigada.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

EU ganhei


Ainda bem que existe registro das coisas, gente. E ainda bem que eu ando pra lá e pra cá com máquina fotográfica e telefoninho. Se não fosse assim, eu não poderia provar que ganhei a luta marcial-ninja, como é possível constatar nessa foto onde a blogueira Franka deu sua mega-blaster-super-bastonada final na blogueira Bê. Reparem como Bê se esborrachou no chão, muuuitos metros atrás, e aonde foi parar o seu bastão! Nocaute. E assim, está mais do que comprovado que nessa luta "frankamente versus cobra de vidro", Franka saiu vencedora. Hahaha.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

luta de blogs


Não é fácil ser blogueira. Quer você queira, quer não, sempre existe uma disputa acirrada por público e por um lugar no ranquim. Assim, como não poderia deixar de ser, na terceira viagem da "franka & amigas", a corajosa Franka e sua melhoramiga Bê disputaram, no braço, a audiência nos seus blogs: "frankamente" x "cobra de vidro". Momentos emocionantes, no melhor estilo "ninja", na beira de um perigosíssimo abismo em Campos de Jordão, com bastões gentilmente cedidos pelo sr. Peixoto, nosso técnico e juiz da perigosa luta marcial. Quem venceu?

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

fire!


Ontem, na hora do almoço:
- Mãe, eu já te contei que o poodle da minha amiga pegou fogo?
- Hã? Como assim, Nana?
- Foi assim: ela levou o cachorro no veterinário para tirar umas coisas da pele dele, o veterinário usou um aparelho pra cauterizar, o aparelho deu um curto e ele incendiou todinho. Quando ela foi buscar, o cachorro estava todo pelado. O veterinário pediu mil desculpas.
Hahaha.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

o escadão do Dramamix (bastidores das Satyrianas I)

um dos olhares esdrúxulos da franka sobre as satyrianas

No primeiro dia das Satyrianas, já no carro, na hora que eu estava indo embora, um cara parou meu carro para alguma coisa passar. Era uma escada enorme que cruzava a rua no meio da multidão. Ora, devia ser um cenário de alguma peça que estava sendo levado para a tenda do Dramamix, pensei. Puxa. Legal cenário com escada, conjeturei. Um dia eu devia fazer uma peça assim, imaginei. Com uma escada.
Porém, no dia seguinte, notei que a escadona estava bem na frente da tenda. As peças iam acontecendo e a escada lá, bem na porta.
Parada.
Estranho.
Fiquei intrigada. Por que eles deixaram aquela escada lá? Esqueceram? Eu, que trabalho com obras, sempre que vejo uma escada penso em coisas inacabadas, em pessoas trabalhando, em pintores, eletricistas, instaladores, pedreiros, em processos de construção. Quando uma obra acaba, a gente sempre some com as escadas. Pluft, fim. Mas esquisito. Estávamos em pleno festival, obra acabada, tudo acontecendo e a escadona lá.
Bem na porta, parada.
No terceiro dia, a escada permanecia. Não era possível. Gente bagunceira, pensei, que esquece resto de obra na obra, que coisa. Até que...
Foi numa das peças da madrugada que desvendei o mistério. Ahá! E me senti em casa, hahaha. Era o seguinte: a tenda era uma tenda toda fechada, que para entrar eles abriam um cantinho, tipo uma cortininha. Entrava uma pessoa de cada vez, no máximo duas. Mas para a multidão sair ficava complicado e para entrarem os cenários idem. O vão era pequeno demais, e era preciso achar uma solução rápida para a coisa, pois ali tudo era vapt-vupt. Então acho que eles, os organizadores, bolaram uma coisa engraçada.
Entendam: eles colocaram a escadona na porta, ao lado da entrada, e quando tinham que abrir um vão grandão para entrar na tenda, um cara subia lá em cima, prendia a lona no topo da escada e ficava segurando. Tipo um portão automático manual, com um porteiro em cima da escada. Gente, como eu adoro esses meninos dos Sátyros. Eu sou igualzinha com minhas soluções para resolver problemas de última hora e desencanar. Não sei se fica claro a dimensão da coisa. As coisas na vida nunca são perfeitinhas. Nunca. É um saco gente que só busca solução perfeitinha, que cria caso, que se desespera. As coisas improvisadas são ótimas e mais que boas. O importante ali era o teatro, eram as peças, era a mágica da festa. A escada era apenas a prova de que esses detalhes são realmente o de menos. O importante é fazer, concluir. A escada servia como "peça" de funcionamento do portão? Ótimo, bola pra frente. Não importa se é feio ou bonito, importa que ali funcionou.
Gente, essa escada 'gambiarra', como falou minha amiga Anna ai em baixo nos comentários "é um ótimo olhar sobre a vida e melhor ainda, se transferido na relação com as pessoas - quantas vezes numa relação é necessária uma escada, uma gambiarra qualquer para que se mantenha o que existe de melhor nela?". Sim, Anna. Essa escadona é a metáfora da desencanação em prol da pura paixão. E, claro, felicidade.
E querem saber? Acho que só eu notei a escadona. E, sem dúvida, um dia coloco uma escada-portão no palco de uma peça minha. Pura homenagem. Hahaha.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

lançamento de livro com franka dentro

A Ivana me chamou pra participar no ano passado. Ela resolveu fazer um livro muito engraçado, um livro de auto-ajuda. Convidou um monte de escritores conhecidos dela pra cada um escrever um tipo de auto-ajuda (será que ainda tem hífen?). Eu tentei mudar de assunto, juro que escatologia não é comigo, mas fazer o quê. Depois de quebrar a minha cabeça pra arrumar um tema para a minha crônica que contribuiria para o livro, sentei na mesa de jantar e contei para os meus filhos a proposta da Ivana.
- E você vai escrever sobre o que, mãe? - perguntou a Nana.
- Acho que sobre mulheres. Ou mães. Ou blogs. Não sei.
- Ninguém precisa de auto ajuda dessas coisas - falou o João.
- As pessoas precisam de auto ajuda em situações "desesperadoras" - emendou o Chico.
- O que seria uma situação "desesperadora", ô filho?
- Sei lá. Você hospedado na casa de alguém e entope e a privada? Uma privada entupida é uma coisa bem desesperadora, mãe - ele finalizou.
Já viu né?
Assim, Franka ensina, passo a passo, como resolver um problema de privadas entupidas. Putis auto ajuda absurda. Mas fala a verdade: utilíssima. O lançamento é nessa sexta, dia 19/10/07, 19:30, na galeria B_arco, Rua Virgílio de Carvalho Pinto, 422. O livro é engraçado demais. Tá todo mundo convidado, oquei?

terça-feira, 16 de outubro de 2007

o hexagrama 16


Aconteceu durante as Satyrianas. E logo comigo que não acredito em nada. Horóscopo, mapa astral, numerologia, essas coisas meio esotéricas. Não é que não goste. Eu não acredito, essa é a questão.
Pois antes da peça, acordada, estava no bar dos Parlapatões com um amigo. Na madrugada, heróicamente esperando a minha hora chegar no Dramamix. Já tinha visto umas trocentas peças, já tinha falado tudo que podia quando olhei para o chão e vi. Três moedinhas uma ao lado da outra. Firmei os olhos, ando meio cega, acho engraçado não enxergar direito. Eram as três de um centavo, bem pequinininhas. Peguei, estranho achar moeda de um centavo, que não vale nada, elas nem existem mais. As três de cobre, marronzinhas. Mostrei ao amigo. "Olha o que tava no chão". Ele me olha intrigado. "Moedas?". "É". "Joga", ele mandou. "Ichingui da peça que vai começar daqui a pouco?". "É", ele respondeu. "Manda bala aí", ele disse, pegando meu caderninho para escrever. Jogue as moedas.
Fui lançando as pequeninas na mesa conforme ele mandava. Ele escrevendo no caderninho, até que parou. "Pronto". "Que você fez?". "O seu ichingui". "Que é mesmo isso?", perguntei. "Uma hora você descobre", ele falou. "Guarda".
Esqueci. Assisti a peça, fui dormir, trabalhei, dirigi, reuniões, encontros, jogo de filho, um monte de coisas. Até que encontrei elas. A Silvia e a Fran, minhas melhores amigas. E ao olhar para elas, lembrei. "Gente!".
"Que foi, Lúcia?". "Tenho um enigma para vocês". Elas adoram esse assunto, como todas as meninas do mundo. O que eu tenho de errado que não entendo dessas coisas? "Antes de ontem eu fiz um ichingui. E vocês tem que desvendar pra mim". Elas se iluminaram, oba, ichigui. Ichingui sempre gera uma expressão súbita numa mulher. Reparem.
Pegaram uns livros e puseram-se a analisar. O tom da conversa mudou, era muito mais sério do que qualquer um podia imaginar. Talvez uma missão, um encargo, um mandato. Eu estava meio brincando, elas não. Um ichingui surgiu na vida da Franka. Aquilo era sério demais, talvez o sinal para aquela descrédula tomar jeito.
"Franka, é o dezesseis. Entusiasmo", disseram.
Elas começaram a falar tudo ao mesmo tempo. E ler o livro pra me contar. Óbvio que não me lembro de nada. Tentei filmá-las falando, disseram que eu estava em outro canal. Que eu procurasse no Gugol depois. Tá, tentei. Parece que sou capitã de um exército.


O hexagrama 16 é formado por Trovão sobre a Terra. O trovão é visto pelos chineses como algo que pode despertar o entusiasmo. A queda de um raio pode despertar aquele que estava desanimado. Agora vejam pra que o entusiasmo seria necessário:
Entusiasmo. É favorável designar ajudantes e pôr os exércitos em marcha.
Em tempo: o I Ching foi a maneira que o Rei When, enquanto estava prisioneiro, encontrou para escrever seu plano de fuga, de tomada do poder e de governo, de forma a não despertar suspeitas... Não é à toa que era uma das leituras obrigatórias para os soldados japoneses durante a segunda Guerra e para os revolucionários de Mao...
O hexagrama 16: Inspiração avisa: Às vezes as forças que impedem a ação podem ser benéficas. A energia é conservada para o futuro.
hexagrama 16: Repouso (antecipação - felicidade). O repouso beneficia aqueles que estão empenhados em fortalecer o país e despachar exércitos.
Hexagrama 16: Para despertar o entusiasmo, o homem deve ajustar suas instruções ao caráter daqueles a quem vai conduzir. O mesmo acontece na sociedade humana; prevalecem somente as leis enraizadas no sentimento do povo, enquanto que as leis que o contradizem provocam apenas ressentimentos.


Amigas. Hahaha. É claro que eu tava entusiasmada, ora. Iam encenar uma peça minha. Demais esse negócio de ichingui, acho que vou fazer sempre com minhas moedinhas. Mas olho o hexagrama e interpreto do meu jeito. Só uma porteirinha fechada. Só uma, gente. Facinha essa vida.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

o "21"



(fotos? esqueci completamente desse detalhe. tirei somente essa com o celular antes de começar, o zé fez um filminho com a máquina, quando eu editar eu coloco)



Foi demais. Ver um texto que você escreveu construído e representado num palco é das coisas mais emocionantes da vida duma pessoa que escreve. Não se se isso é ser 'dramaturgo', acho que essa denominação vai um pouco além de apenas escrever histórias e diálogos – quem sou eu para me denominar “dramaturga” ainda... – eu diria que, nesse caso, apenas fui 'autora'. Mas que é tocante é, e diversas vezes isso me vi arrepiada e realmente assustada. As falas ganham vida, os personagens, rostos. E, de uma hora para outra, aquilo não é mais só seu: é de todos eles. Talvez a palavra correta para a coisa não seja “ver um texto seu construído” como escrevi acima. Talvez o correto seja “ver um texto seu descontruído”. Quando se escreve, tudo é seu – cada vírgula, cada pausa, cada respiração. Fazer teatro é outra coisa. É entregar a sua criação, com a cara e a coragem, para um diretor e para atores que vão reescrever aquilo. As peças do quebra cabeça são as mesmas, mas a montagem depende de outras pessoas. No meu caso, fantástico, do Didio, do Zé e do Celso, três caras felicíssicimos, super alto astral, alegres, ótimos.

Não foi a primeira vez que isso aconteceu – uma vez eu publiquei uma crônica na coluna do Prata do Estadão, e um grupo de teatro encenou a minha crônica achando que era do Mário, e não minha. Acho que a gente escreve parecido, eu e ele. Contei a história aqui, foi hilário, e no fim eu não tive nem coragem de chegar para o grupo e revelar o engano. Mas dessa vez foi a primeira vez que deu certo com um texto meu-meu, com um diretor, com atores, com horário e público. Tá certo que o público da madrugada não é assim, digamos, tããão farto como o público da noite, mas as Satyrianas foram um sucesso tão grande, mas tão grande, que mesmo naquele horário absurdo, mesmo com chuva, horário de verão confundindo tudo e, acreditem, uma feira do ladinho da tenda do Dramamix (hahaha!) sendo montada bem na hora da peça, o espetáculo aconteceu certinho, com tudo que tem direito – som, luzes, um bom público, ótimos atores, tudo per-fei-to. Ai que legal. A coisa da feira foi engraçadérrima. No sábado a noite, encontrei o Ivam e ele falou, rindo: Lucinha, aimeusanto, amanhã tem feira nessa rua ai ao lado, eu tinha esquecido! Bom, seja lá o que Deus quiser, eu disse a ele, rindo. Pensei até em ir até lá convidar as pessoas, qual o problema? Numa primeira vez, tudo vale, batismo é assim. Na fila para entrar na tenda, eu olho para trás e vejo duas meninas conversando animadamente mas tapando o nariz com cara de nojo. “A gente é vegetariana, esse cheiro tá tão forte!” Olho para o lado e vejo, e a menos de um metro da entrada, um monte de frangos, carnes, peixes sendo descarregados. Batismo é assim, pensei, firme. “Abra a lona da tenda para os feirantes assistirem”, sugeriu um dos caras que iam assistir. Franka com as frangas, tem tudo a ver, pensei, dando de ombros. Minha sina é essa, sempre me meter em situações esquisitas, já estou acostumada. Foto abaixo.

Mas quero voltar a questão importante, que é a idéia de fazer uma peça. Há anos e anos que eu escrevo. Há anos e anos que escrevo diálogos. Esses diálogos sempre foram somente pura literatura pra mim, textos a serem lidos. Ver seus diálogos ganhando vida num palco é completamente emocionante. Talvez das coisas mais emocionantes da vida. É como se eles voltassem a origem. Não sei se me explico bem. Os textos surge do que se vive, viram literatura, e no teatro, voltam a ganhar vida. Uma forma de ressuscitar a idéia, levantá-la, revivê-la novamente. E principalmente, exibí-la. Só uma coisa a dizer: putis coisa emocionante. Obrigada Ivam. Obrigada mêêêsmo.



(hahaha, e aqui, em primeira mão, um 'close' das 'frangas da franka' bem na entrada do Dramamix, hahaha, por que tudo comigo é assim?)

sábado, 13 de outubro de 2007

franka não sai mais das satyrianas

Super praça cheia, maior animação. Lindo o relógio da igreja da Consolação emoldurado pela tenda do Dramamix. Putis festa, cheio de famosos, uma grande alegria. Era o que o centro da nossa cidade precisava: gente na rua. Olha lá na foto em baixo quem eu encontrei sem querer, que o Ivam me apresentou. Tive que tarjá-lo, claro. Demais, a Satyrianas são demais, o Ivam é demais. Vou voltar pra lá daqui a pouco de novo pra leitura do "Os ais do santa". Única coisa triste é a morte do Paulo Autran, o homenageado das Satyrianas. Puxa vida. O Paulo, meu primeiro grande incentivador, que leu tantas peças minhas e me deu tanta força há três anos. Super bacana ele, muita tristeza nessa perda. Eu adorava o Paulo Autran.











Sábado, 13/10/07 - 21h30 hrs
“Os Pais do Santa” (leitura dramática encenada de texto inédito!)

de Antonio Rocco e Lúcia Carvalho.
Com Lulu Pavarim, Ivan Capúa, Javert Monterio, Flávio Faustinoni.
Direção: Antonio Rocco.
Som: Ivan Fagundes.


Domingo, 14/10/07 - 06h00 hrs
(no horário de verão é as 05h00 hrs)
“Vinte e Um”

de Lucia Carvalho
direção: Didio Perini
elenco: Celso Melez e José Trassi

Querem mais? Assistam aqui em baixo o iutube da Franka contando TUDO.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

IM-PER-DÍ-VEL (o iutube e o programa)


Franka nas Satyrianas?
Imperdível!
(... e agradeço à Sílvia e ao Jayme pelas direção e filmagens desse sensacional iutube)

terça-feira, 9 de outubro de 2007

o aniversário da franka


Fim da tarde, estava na casa de um amigo. Lembrei.
- Ei. Esse mês é meu aniversário. Sabia que vou dar uma festona? Enorme?
- Sério? - ele perguntou.
- Vou convidar tooodas as pessoas que conheço. Todas. De todas as turmas que eu tenho - falei, exibida.
- Uau. Quantas?
- Sei lá. Duzentas? Duzentas e cinquenta? Se convidar os parentes dá mais que isso. Vai ser o máximo.
Ele me olhou meio torto.
- Nossa, ô Frankilda, é muita gente...
- É nada. Divertido.
- Com gente demais não dá nem pra conversar, Franka.
Eu parei para pensar.
- É, talvez eu leve bastante tempo cumprimentando mesmo... - conjecturei.
- E se despedindo - ele completou - e, se for cumprimentar casal, demora mais ainda.
- Vamos fazer as contas - sugeri - quanto tempo a gente leva para cumprimentar uma pessoa num aniversário?
Meu amigo franziu a testa.
- Hummm. Um minuto. Às vezes dois. Depende do grau de intimidade, do tempo que você não vê o fulano. Se tiver presente, piora. Pra abrir demora, depois tem que elogiar e agradecer.
- Verdade. Mas vamos pegar o "um" minuto. Um minuto por pessoa - falei.
- Isso dá sessenta pessoas em uma hora. Franka, você vai demorar mais de três horas para cumprimentar todos os seus convidados. Pensa bem - ele riu - e ixi, mais três horas pra despedir. Total de seis horas. Seis! Hahaha. Ei, quanto tempo tem uma festa?
- Droga. Acho que essas seis horas - respondi, meio chateada.
- É. Vai ser a pior festa da sua vida. Você não vai beber, nem dançar, nem conversar, nada. Vai ficar só falando "oi" e "tchau". Num inventa, Franka. Hahaha.
- Tá - suspirei - Vou pensar nisso. Puxa vida.
Ei. Quantas pessoas tornam uma festa viável para o aniversariante?

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

brincadeiras moderninhas


Tá muito na moda agora essas coisa de piscinas com fundo infinito. Muito legal piscina com fundo infinito, inclusive se o infinito da piscina for outra água, seja do mar, represa, rio, lago. Fundo infinito é assim, a água da piscina vai até a bordinha, como se estivesse transbordando. A idéia é fazer de um modo que as águas se encontrem no seu campo de visão, a da piscina e a da vista. Mas um dia meus filhos descobriram uma coisa engraçada. Se eles, de dentro da piscina, chegarem até a borda com um impulso forte, a água cai para fora e parece que eles estão vomitando. Bleargh, eles berram, impulsionam, "vomitam" e morrem de rir. Ficam fazendo aquilo e rindo horas e horas, a cada vez mais mais aumentando o som, o impulso e o volume de água. Bléééargh, chuááá! Uma vomitaiada geral. Chegam a esvaziar parte das piscinas até se encherem da brincadeira. É engraçado. Brincadeiras modernas de apropriação das 'arquiteturas modernas'. E confesso que faço também. Eu mesma, a Franka. Gargalhando sem parar. É. Nos finais de semana eu fico bem boba. Bleargh, chuááá, beargh, chuááá. Hahahahaha. Como diria meu filho mais velho, "mãe, que tosqueira, mãe...".

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

gente, olha que sensacional


Gente, ontem foi um dia demais pra Franka, fiquei felicíssima: além de assistir ao show do Lulu Santos (que já declarei um dia aqui nesse blog que eu adoro), além de dançar e berrar feito louca (um vexame, provavelmente) ainda fomos ao show com a Eugénia Melo e Castro, que, depois, no Bar Balcão, deu a maior canja e contou um putis segredo pra gente: sabe a música "um certo alguém", do Ronaldo Bastos, que o Lulu canta? Pois a música foi feita pra ela! E vejam, ahá, o que a Franka fez com o seu super-telefoninho: filmou tudo.

Imperdível, gente. E inédito. Adorei a Eugénia, acho que ficamos amigas (tomara que ela tenha gostado de mim também, me esforcei ao máximo para isso). E não foi só essa música que ela cantou, tem muito, muito mais que logo-logo eu iutubo. Eugénia, foi lindo, lindo e... (ixi, será que eu posso divulgar aqui tudo sobre o show? Será que ela vai cantar essa música no show?). Fica aqui a pergunta pro empresário dela... quem sabe ele responde... Por enquanto, sintam a simpatia e a alegria da minha nova amiga.

Ah, e o blog dela tá aqui (sim, Eugénia é blogueira como eu!): PoPortugal. Conseguimos convenvencê-la ontem a abrir comentários, ora, lá tem graça blog sem comentários?

E ela finaliza:



quarta-feira, 3 de outubro de 2007

franka desabafa


Dizem que é isso mesmo, que a gente tem que matar um dragão por dia. Mas tem dia que, sério, tem dragão demais. Pobre blog, que hoje vai ficar sem crônica.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

cobras de vidro?


Ela fez um blog! A minha amiga Silvia! Tou felicíssima com isso, podem conferir: "cobra de vidro,". Ontem teve até comemoração com direito a blogencontro e timtins de copos. De vidro, claro.

Fui até o escritório dela no fim de semana para ajudar a montar. No computador dela, um dos filhos ensinou a usar o "photobooth". Esquecemos um pouco do blog e passamos horas brincando com os filtros e distorções das nossas imagens. Que trash. Duas mães de família. É possível sim duas amigas virarem cobras enroladas. Basta uma tela de vidro, uma capacidade fazer bobajadas e coragem pra postar essa foto ridícula aqui. Hahaha.