terça-feira, 11 de setembro de 2007

planta-perigo


Sério, o que passa na cabeça de uma pessoa que faz isso com a própria calçada? Fui outro dia a pé com meu filho almoçar no Shopping Villa Lobos e catapimba: olha o obstáculo que a gente encontrou. Andar na calçada parece desafio de video-game. Cada casa coloca uma calçada diferente, eu sempre impliquei com isso. Essa coisa da gente ir tropeçando nos pisos diferentes e irregulares. Um dia, anos atrás, fiz uma reclamação para o jornal porque era impossível andar com o Chico num carrinho de bebê na rua que eu morava. Me ligou uma repórter do Estadão, eu toparia tirar uma foto para uma reportagem? Concordei, me arrumei, arrumei o Chico, tiramos a foto, mostrei a buraqueira, aparecemos no jornal. Mas os buracos continuaram lá um tempão (nossa, um dia tenho que escanear e postar essa matéria um dia aqui). Depois mudei para perto da escola dos meus filhos e decidimos que eles iriam, claro, a pé para a escola. Comprei malas de rodinha, não duraram nem um mês. Como as calçadas variavam de tipo-altura-material, as malas pulavam e enroscavam. Muita gente inventa de fazer calçada como essa, com pedras soltas para as pisadas e grama entre elas, é horrível isso. Ninguém tem tamanhos de pisadas iguais e para carrinhos em geral é uma montanha russa. Desde então os meninos vão para o colégio com as malas pesadas nas costas, contrariando o que defendem os ortopedistas, mas não tem jeito. Andar de bicicleta, patim ou até correr também é um verdadeiro rali.
Mas isso eu nunca vi, gente. Olha essa foto. Estávamos andando e conversando, eu e o Chico, quando trombamos nessa situação. Afe. De um lado um emaranhado de plantas com folhas enormes, que parecem uns lençóis e de outro, essa planta esquisita, espinhuda e dura. Um perigo. Aqui, na minha rua, a dois quarteirões da minha casa, pô. Uma coisa, digamos, super perigosa - se eu fosse baixotinha provavelmente essa planta ia direto no meu olho, feito uma espada. Pensamos em reclamar na Prefeitura ou até colocar um bilhete na caixa do correio do meu vizinho, o que me pareceu uma boa melhor idéia. Mas independente da solução, que é fácil de resolver - ora, a agente Franka pode ir na calada da noite lá com sua poderosa tesoura de poda e clic-clic, fazer barba e bigode na planta-perigo - fico encasquetada com uma coisa: gente, será que o dono da casa não reparou que... não dá pra um ser humano normal passar nesses 10 cm que sobrou? O que passa na cabeça do dono dessa casa, pombas? Calçada pra ele é o que? Uma impressora onde passam folhas de sulfite?

domingo, 9 de setembro de 2007

ixi, franka deu um putis fora


Gente, sobre o post abaixo... "sexo oral" é o nome duma peça... que fora, que fora, que fora... Fui ontem nos Satyros assistir a uma outra peça, "El Truco", e, quando chego na bilheteria encontro esse cartão ai acima. Estranhei, nossa. Será que meu iutube tinha feito tanto sucesso que tinha até propaganda dele? Hahaha. Que nada. "Sexo oral" é uma peça que está passando lá, e era sobre ela que a moça queria falar com o Ivam. E eu achando... achando que... achando nada, dei sim um putis fora com esse post abaixo. Hahaha. Fora corrigido a tempo. Sexo oral não é sexo por telefone, ô Ivam. Sexo oral é uma peça! E querem saber? Óbvio que eu vou assistir "sexo oral".

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

ivam e o sexo oral


Eu tava nos Sátyros outro dia conversando com o Ivam Cabral, meu amigo, de quem sou discípula. Ele, de novo, o Ivam... Ele é sempre super assediado, conhece Deuseomundo e fala com Deuseomundo. No meio da nossa conversa passou uma moça, acho que atriz do grupo dele, e disse algo assim, rapidinho: "Ivam, tou indo embora, a gente se vê amanhã. Não esquece que temos aquela reunião e que precisamos urgente falar de sexo oral. Um beijo e tchau". E saiu andando pela calçada, toda pirilampa. Como se fosse a coisa mais normal do mundo declarar um assunto desses diante de uma mesa cheia de gente. Olha. Eu esqueci completamente o que eu tava falando e olhei para o Ivam: "Ivam, dálicença, mas acho que nunca ninguém precisou falar urgente de sexo oral comigo, pô. Que coisa mais chique, mais moderna. Você é realmente um cara além do seu tempo, estou me sentindo uma freirinha. Como assim? Explica!". Ele riu, disfarçou que eu percebi, mas não me explicou porque tinha que falar de sexo oral com a atriz. Olha, ou é um segredo profissional ligado à algum espetáculo ou talvez um hábito dos atores da Roosevelt, vai saber. E, provavelmente para me despistar ele contou essa história (ótima, por sinal, perdoem minhas gargalhadas no meio do filme) ai acima, essa que eu fiz o iutube, falando desse assunto. Mas não sei não... Alguém vai ter que me explicar porque eles tinham que falar de sexo oral na tal reunião. Pô, eu também quero ser moderna. Eu também quero que alguém precise urgente falar de sexo oral comigo. Poxa. Hahaha. Chega de ser a Irmã Franka.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

o dia que não existe


Aiaiai. Olha só. Aquela lei cidade limpa, Kassab em ação novamente. Agora querem tirar a propaganda do Itaú do Conjunto Nacional. E o Brasilino da Teodoro. Saiu na Folha de São Paulo de ontem, junto com essas imagens dos prédios sem as propagandas. Adoro esses fotochópes de antes-depois.
Bom, está a maior polêmica. Uns falam que essas propagandas não devem sair pois fazem parte da memória cultural da cidade (e propaganda lá é memória cultural?), outros discordam. Na matéria, existe uma nota divulgada pelo Itaú, entre aspas, dizendo que o Conjunto Nacional foi tombado em abril de 2005 e que, em novembro de 2005, o logotipo do Itaú e o relógio também foram tombados. Mas tem uma coisa. Segundo a carta do Itaú, o relógio e o logotipo foram tombados no dia 31 de novembro de 2005. Mas gente, não existe dia 31 de novembro, nunca existiu, novembro tem só 30 dias. Hahaha. Então...?
E corram JÁ pra o blog do Ivam: fiz um filme sensacional de presente pra ele. Mais um iutube tosco da já famosa "franka produções"

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

um puta momento


Gente, o meu amigo Ivam Cabral está concorrendo ao maior prêmio de cultura do país. Prêmio master-prime-blaster-mega-super-hiper Bravo. Olha aí que demais. E eu filmei esse puta momento. Tou torcendo por eles, fiz um iutube especial só pra isso. Ivam, Cleo, Satyros todos, tô torcendo muuuito por vocês. Do fundo do meu coração também.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

palavras de desordem



Foi outro dia, quando assistia um jornal de notícias na tv que o Zé errou. O Romário apareceu e ele fez um comentário.
- Olha. Não sabia que o Romário participava de uma campanha contra o apoio a ajuda à síndrome de down. Ele tem uma filhinha com problema. Olha lá.
Meus filhos não perdem uma para achincalhar o pai.
- Paiê.
- Quê.
- Você errou. Não existe campanha "contra" a ajuda à síndrome de down. Você falou errado.
O Zé comentou, distraído.
- Ah, é. É que tem muita campanha hoje em dia. A gente confunde.
- Confunde, pai?
- É, é um pulinho para confundir os "a favores" com os "contras". Se a gente pensa ou fala rápido, dá pra confundir tudo. Tem campanha pra tudo, umas sim, outras não. Como "salvem as baleias - tô fora". Se eu falar rápido, muita gente nem percebe.
Foi o mote para os filhos todos começarem.
- Hahaha. Olha as campanhas do papai. Pai, tipo "aids, tô nessa?" - riu a Luciana.
- Ou "Violência contra a mulher - diga sim", hahaha - brincou o Chico.
- "Desenvolvimento sustentável - evite"!
- "Drogas - diga SIM"! Pai, vamos fazer umas camisetas? - continuou o Juca - Hahaha!
- "Una-se a favor da exploração sexual de crianças"!
- "Camisinha - evite!".
- "Xô à amamentação!".
- "Cpmf - eu apoio!".
- "Reciclagem não, desperdício sim!".
- Hahaha, "diga 'não' à paz mundial!".
Eu sei que é o tipo de brincadeira errada. Totalmente errada. Mas sinceramente gente, tem hoje no mundo campanha demais para a gente se engajar, e a chance de você trocar as letras é muuuito grande. Sei também que esse post parece meio politicamente incorreto, e me apresso a dizer que, apesar das brincadeiras, apoio todas as campanhas certas. Sem ser xiita, claro. A minha contribuição para o futuro da humanidade não será vestir nenhuma dessas camisas. Talvez seja somente escrever crônicas. E quanto ao desarmamento, sou contra. Não. Peraí. Sou a favor. Não, errei. Contra? A favor?

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

maratona de filmes

Passei esse fim de semana vendo um monte de filmes na televisão. Sei lá porque fiz isso, essa coisa de ficar vidrada horas numa tela. Às vezes acontece com seriados, às vezes com programas de animais e às vezes com filmes, como ontem. Depois de um, dois, três programas eu me vicio e não consigo mais sair dali, de manhã até a noite. Maratonão.
Na verdade, eu tinha a intenção de ver uma coleção da Audrey Hepburn que o Chico comprou, mas o controle remoto do DVD pifou e, acreditem, o meu DVD não funciona sem o controle remoto. Coisa mais esquisita. Vimos um filme e meio dela, o controlinho morreu e lá fui eu me entregar ao Telecine.
De todos filmes que eu vi - filme de múmia, de bandido, westerns, de aventura, comédias, etc, - na minha cabeça ficou somente um, muito engraçado. Era um filme com o Dan Aykroyd. Não sei o nome, mas isso realmente não importa. Ele era um professor universitário, morava numa casinha de subúrbio em Brighton. Um dia descobre que seu vizinho é um putz nazista horrível. Fica incomodadíssimo e resolve que está nas suas mãos matar o cara, que o mundo vai agradecer. Dai bola um plano e envenena a macieira do cara com cianureto. Dá umas injeções, uma em cada maçã. Idéia idiota, claro, mas o cara toma um suco de maça feito num processador e morre. A polícia descobre, mas acham que o nazista se suicidou, pois nazistas como aquele sempre se arrependem um dia. Ele fica p. da vida, ora. Não quer que descubram que foi ele, mas quer que achem que alguém matou, pois na sua loucura ele tem orgulho do que fez. Dai ele manda uma carta anônima pra polícia, daquelas de letras recortadas de revista. A polícia declara que existe uma assassino, ele fica todo feliz.
No dia seguinte ele vê na TV a filha do velho nazista. Inga, o nome dala. Ela está dando uma entrevista, chorando, e fala mostrando os documentos do pai que houve um engano, que o pai não era nazista, que era um velhinho super bonzinho, cozinheiro do exército alemão. Ele fica em pânico. Como assim, matou cruelmente um inocente? Como não quer ir à polícia, ele resolve ele mesmo se punir. Abre mão da namorada loirinha e passa a cuidar da filha do cara, a alemã engraçada, e dos filhos dela. Como tem muita culpa, ele doa todo seu dinheiro para ela e faz coisas chatas com ela o tempo todo: leva cachorro no veterinário, passeia pela cidade conversando coisas sem graça, vendo programas horríveis de TV ao lado dela. Dai ela resolve voltar para a Alemanha e ele fica desesperado: como vai continuar a pagar a sua pena? Resolve que vai junto, e sem querer a pede em casamento. Ela topa, os dois vão passar a lua de mel num navio com os gêmeos.
Na noite de núpcias (engraçadíssima), depois deles treparem e depois dela dizer "ah, esqueci de te contar que não gosto de sexo. Você não se importa com isso, não é?", ela resolve contar um segredo para ele, pois agora é esposa dele. E conta que, ao contrário do que declarou na TV, o pai dela era sim o tal nazista horrível, o braço direito do Hitler. Ele fica em pânico, pois percebe que então ele se tornou o genro do nazista. Ele, que queria matar o nazista, agora é da... família? Não, não! Fica desesperado e conta para ela que foi ele que matou o pai. Ela fica gritando feito louca, pois para ela ele é um tarado pervertido que, além de matar o pai, casou com ela só por causa de sexo.
Ele volta para Brighton, conta a verdade para todos, quer ser julgado no tribunal e ser preso como herói. Afinal matou o nazista mesmo e se sente orgulhoso por isso. Mas o advogado dele (e irmão dele) é horrível, o juiz e o juri não entendem nada, e a alemã nem aparece no tribunal para depor pois "ficou histérica" e nada dá certo. Ele não é condenado, aliás, ninguém perde tempo com ele e ele fica feito maluco com isso, berrando no tribunal feito um louco "voltem todos, voltem todos!".
É muito engraçada essa coisa de um filme virar ao contrário a toda hora e pegar a gente de surpresa. Uma vez um amigo psicanalista me explicou que é assim que funcionam as piadas: que você acha que a história vai para um lado, e quando vai ver, ela vai pra o lado oposto. Por causa disso a gente ri: porque somos enganados pela trama. Engraçado perceber isso num filme bobo, e mais engraçado é ver que, de todos os filmes que eu assisti, esse que eu mais me lembro. Acho que é porque eu gosto de fazer a mesma coisa com as minhas histórias.

hahaha


Engraçado. Bom dia.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

ueba, a franka na revista morar, da Folha de São Paulo


Reunião de projeto

Chegamos, ela estava sozinha com as crianças. “Entrem, sentem. O Reinaldo ainda não chegou. Sabe, o trânsito”, ela explicou sem graça, olhando eu e meu sócio com o projeto nas mãos.
Os filhos pequenos rodam pela sala. “Não reparem na bagunça. Estou curiosa. A casa está bonita?”. Eu sorrio sem graça. O resultado de uma reunião de projeto é sempre imprevisível.
“Gabriela, esse papel é da titia, não mexe. Lucas, pára de pular. Olha, quando o Reinaldo chegar eu vou colocá-los na cama”, explica, desculpando-se.
O homem engravatado chega e cumprimenta sem ânimo. “Ah, como vão...”. Provavelmente esqueceu da reunião. “Querido, você não quer ir com eles para a sala de jantar?”.
Entramos no local vazio e ele avisa que vai buscar uma bebida. Adiantamo-nos e abrimos os desenhos sobre a mesa. Ele volta com uísque, recusamos. Tentamos começar a reunião sem a mulher, ele discorda. “Conheço a Vaninha, ela vai ficar brava, vamos esperar”.
Depois de uns minutos ela chega cheia de revistas. Dá uma risadinha. “Hihihi. Umas idéias que eu tive”. Reinaldo olha torto. Eu me adianto, salvando-a. “Isso é ótimo. Dá para sentir o clima que você quer na casa”.
Enquanto explicamos o projeto, Vaninha olha a planta e pergunta onde fica a rua. Reinaldo retruca, bravo, ela deveria prestar mais atenção. “Aqui, Vaninha. Se aqui é a garagem, aqui é a rua”. Vaninha fica sem graça, disfarça. Pergunta qual é o quarto de cada filho. “Tanto faz”, explico, “são iguaizinhos”. “O do Lucas precisa de sol, ele trem bronquite”. Esclareço que os dois dormitórios estão virados para a mesma face e os dois recebem sol.
O homem quer saber qual a área da construção, a Vaninha interrompe. “A cozinha não está pequena?”. Meu sócio percebe que ela não tem idéia do que é pequeno ou grande, não entende planta baixa, aliás, ainda não entendeu onde está a rua. Falamos a área, o Reinaldo coça a cabeça. “Pois é, conversei com um amigo que acabou de construir, pensei em menos área, o metro quadrado é muito caro”.
“Bom”, explica meu sócio, “vocês pediram quatro suítes, home theather, family room...”. O Reinaldo me olha. “Então vamos tirar uma das suítes”. A esposa fica indignada. “Mas a mamãe vem todo mês, aonde ela vai ficar, querido?”. “Ora, ela dorme com a Gabi”, ele desconversa. Vaninha fica ressentida e segura a raiva num suspiro profundo. Fingimos que está tudo bem e continuamos. “Cadê o telhado?”, a Vaninha pergunta, olhando as fachadas. Antes de respondermos somos interrompidos por Reinaldo, que declara quer mudar o projeto. “Três suítes e um quarto de empregada só”, decide. Vaninha fica irritadíssima. “Como assim? Um quarto de empregada só? E onde a babá vai dormir, Reinaldo?”. “No mesmo quarto que a outra empregada, Vânia”. “Mas eu já disse para elas que...”. Reinaldo bufa. “Você desdiz, Vaninha, porque eu não vou construir uma mansão desse tamanho para satisfazer tuas empregadas, ora”. A mulher se aborrece. “Reinaldo, temos que conversar”. Ele se levanta para pegar mais uísque. “Você sabe quanto custa uma obra, Vaninha?”, ele fala, olhando para o meu sócio, procurando um cúmplice.
Ele analisa o projeto de novo. “As crianças terão um único banheiro”. Vânia se assusta. “As crianças tem que dividir o banheiro, mas você quer um só teu, né?”. Ele olha com autoridade. “Eu que pago as contas aqui, não posso nem ter um banheiro meu?”. Explicamos que, nesse caso, precisaremos fazer um outro projeto, afinal teremos que tirar uma suíte, um banheiro, a sala íntima e um quarto de empregada. “Ah, e não esqueçam de aumentar a cozinha”, ela pede. “Chega, Vaninha”, fala o Reinaldo, “a cozinha está ótima”.
Levantamos para sair, a Vaninha ainda olha os desenhos tentando achar a rua, cozinha, o telhado. Está nervosa. “Olha, Reinaldo, se é para diminuir tanto eu prefiro nem construir. Morar num cubículo, Deus me livre”. “Vaninha, falamos depois”, ele resolve, nos encaminhando para a porta. Vaninha se despede com um sorriso amarelo, o marido dá tchau, a porta de fecha.
E provavelmente é naquele momento que começa a briga.


Já é a quarta vez que a Revista Morar, da Folha de São Paulo me publica. Sempre nessa página do final da revista e nessa coluna com esse nome: "de quina". Olha, sei não, mas agora que eu me toquei. Essa coluna, "de quina", é minha!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

conjunções familiares


- Sabe o que eu acho, mãe - falou o Francisco ontem na mesa do almoço - que a gente devia, cada um daqui da nossa família, adotar uma conjunção.
- Hã, filho?
- E abolir o "mas" da nossa casa.
- Oba. Eu topo - falou o João.
- Então eu quero ser o... - eu tentei falar, mas fui interrompida.
- Eu vou ser o "entretanto" - disse rápido o Chico - adoro "entretanto". Entretanto...
- Eu o "todavia" - disse o João. Todavia...
- Eu o "porém" - falou a Nana, mais rápida que eu.
- E eu? - perguntei, confusa - qual que sobrou mesmo?
- Hahaha, mãe - riu o Chico - você sobrou com o "contudo", hahaha.
- Que é que tem o "contudo", gente?
Eles riam muito. Não entendi.
- Mãe, "contudo" é horrível. Mó mico sobrar com o "contudo". Imagina você usando essa conjunção aqui em casa - explicou a Nana.
- Não. "Todavia" é pior - eu me defendi.
O João interpelou.
- Nananinão, mãe. "Todavia" é da hora. "Contudo" que é péssimo.
- E o pai de vocês, vai ficar com qual?
- Ele fica com o "sobretudo"- sugeriu o João.
- "Sobretudo" não é a mesma coisa - um deles falou - não é sinônimo, não vale.
- Ele fica com o "no entanto" então - decidiu o Chico.
- Péra. Escutaqui. Eu quero ficar com o "no entanto", gente - pedi - seu pai num tá, eu pego dele.
- Mãe, nem vem - encerrou a Nana - Você já é o "contudo". Hahaha, olha a cara dela. "Contudo", coitada, hahaha.
E os três ficaram rindo sem parar de mim.
Gente, sei que mãe de adolescente sofre, contudo não pensei que fosse tanto.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

pizza erótica

Todo domingo a noite nós vamos comer pizza no clube. A pizza é ótima e incrivelmente barata, o que é a melhor coisa no caso de uma família cheia de adolescentes como a minha. Incrível como adolescente come. Incrível a grana que a gente gasta em restaurante.
Apesar de irmos toda a semana, somente ontem que notamos uma coisa impressionante. Os guardanapos, gente.
Os guardanapos.
- Pai, olha... - falou um dos meninos pra o Zé quando sentamos - olha, hahaha!
- O que foi?
- Os guardanapos estão todos eretos! Uau!
Era a mais pura verdade. Quando sentamos todos na mesa, cada um de nós tinha diante de si um guardanapo... ereto. Eretíssimo. E enorme. Olha. Nunca vi coisa tão... tão... indecente. Bem, gente, pensa. Vizualizem onde o prato fica na mesa. Vizualizem o que fica exatamente abaixo dos guardanapos. E vizualizem um bando de adolescentes que só pensam asneiras com... aquilo diante de si. Sei que é uma bobajada sem fim, mas tivemos um acesso de riso enorme. E como era impossível comer pizza daquele modo e tivemos que dar cabo de todas aquelas ereções, o João foi até a mesa ao lado, qua estava vazia, para tirar uma outra foto para registrar aquela maravilha. Pizza erótica. Que tal?

bloguê, bloguê, bloguê


Parabéns para o blógue, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida. E pro bloguê nada, tudo, então coméquié, é pique, é pique, é pique-pique-pique, é hora, é hora, é hora-é hora-é hora, rá, tim, bum, bloguê, bloguê, bloguê.

domingo, 26 de agosto de 2007

mário na terceira idade



- Lúcia, fiz uma coisa bárbara ontem: por uma ninharia - falou minha mãe - olha, por menos de seis reais por mês, eu arrumei um monte de joguinhos novos na NET.
- Como assim, mãe?
- Joguinhos que você joga na televisão, usando o controle remoto. Você deve ter na sua casa, nunca jogou?
- É, lembrei. O cara da NET me mostrou mesmo quando veio instalar. Mas mãe, eu vejo super pouco televisão, você sabe. Quanto menos ficar jogando joguinhos.
- Comprei o pacote dos joguinhos para o Luis, o filho da tua irmã. Ele vem aqui e ele adora jogar. Ele ficou super feliz, você precisa ver.
- Que bacana, mãe.
- O problema sou eu.
- Problema?
- É, filha. Eu não paro de jogar.
- Você, mãe?
- É, eu. As vezes me encho de ver televisão, vou para os joguinhos e fico horas lá. Olha. Acho que estou completamente viciada.
- Que nada, mãe. Video-game não vicia, ainda mais esses facinhos, que são tipo "come-come", tipo atari, hahaha.
- Tipo o que? Ah, não entendo. Mas olha, é que é uma delícia!
- Você consegue se dar bem manipulando o controle remoto?
- Iii. Facílimo. Todo dia eu me supero em pontos. Olha, filha, vou dizer uma coisa. A NET tá perdendo tempo. Eles deviam fazer propaganda desses joguinhos para os aposentados como eu. Seria um divertimento a mais para eles, e é tão baratinho... Olha, eles deviam era fazer um pacote desses jogos só para aposentados, mais barato: R$ 4,99, por exemplo.
- Mas mãe, e os aposentados iam se interessar pelos temas dos jogos?
- Ah, era só mudar um pouco, tornar um pouco mais adulto, colocar tema de aposentado, ora.
- Como assim? - minha mãe é engraçada - Como, mãe? Tema de aposentado em video-game? Acha que eles deveriam fazer jogos como "Caça à aposentadoria"? "Circule pela cidade com vale-transporte-idoso"? Passe da fase "a fila do INPS" e "a fila do banco" e consiga ter uma saúde de ferro? "Enfrentando o colesterol"? "Mário Party da terceira-idade"? Hahaha, mãe!
- Jura que não vicia, filha?
- Juro mãe. Pode jogar a vontade.

sábado, 25 de agosto de 2007

os caras que não vem


franka e a blogueira misteriosa em foto de encontro anterior
quem adivinha quem é?

Sai ontem com uma amiga blogueira. A quantidade de amigos que já fiz por causa dos blogs é impressionante. O encontro era pra ser rapidinho no fim de tarde e nos estendemos um pouco por causa da nossa tagarelice e por causa de um fato curioso. Estávamos tomando cerveja num barzinho entre a minha casa e a dela, quando, quase na hora de ir embora, somos interpeladas por uma moça alta, morena e extremamente bonita.
- Oi. Vocês gostam de vinho?
- Como?
- Vocês gostam de vinho?
Eu fiquei calada. Minha amiga respondeu.
- Claro. Porque?
A morena virou-se, foi até a mesa dela e trouxe uma garrafa. Quase cheia.
- Olha, eu estava tomando... mas acho que vou embora... e eu... eu queria dar essa garrafa para alguém tomar. Para alguém aproveitar. Querem ficar com ela?
- Claro! - respondemos na hora.
Não houve sequer tempo para convidarmos a moça para sentar conosco. Ela rapidamente pegou a bolsa, um livro e saiu.
Ficamos com a garrafa cheinha na frente, embrulhada com aqueles guardanapos tipo roupinha. Um super vinho bom. Pedimos copos. A minha amiga me olhou.
- Nossa. Que acha?
- Acho que o cara não veio, ora.
- Puxa. É. Tá na cara. Ela ficou esperando, esperando e o cara não veio.
- Uma moça linda dessa e o cara não vem - eu considerei.
- Uma moça generosa dessa e o cara não vem - ela completou.
- Uma moça decidida dessa e o cara não vem.
- Uma moça sozinha no bar e o cara não vem.
- A vida é meio assim - eu disse - às vezes os caras simplesmente não vem.
- E a gente tem que se livrar do vinho que ia tomar com eles. Apenas isso. Se livrar do vinho.
- Sem drama.
- Mulher genial - ela concluiu - Temos que aprender com ela.
- Vamos brindar à ela então - eu disse, fazendo tim tim.
- Isso. Vamos brindá-la e não vamos brindar o cara que não vem.
- Um cara que não vem não merece um brinde.
- Burro.
- Burro.
- Tim tim.
- Tim tim.
Apenas isso.

E olhem que genial a tira do Charlie Brown hoje do Estadão. Tá na cara que a minha xará Lucy é uma verdadeira fêmea da espécie Franka. Ela não cumprimenta cachorro.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

a franka e a baleia


A Silvia, minha amiga imaginária-virtual (pra gente, que tem blog, as pessoas que não tem blogs são completamente imaginárias, não são?), me mandou uma foto perfeita para o post da Baleia. Ainda não consegui fazer o iutube, mas acho que pela foto dá pra sacar ao problema. Olha a escada perisosíssima. Olha o piso escorregadio. Olha a cara de levada da Baleia.
Outro dia estava com um amigo quando a Silvia me chamou para ir na casa dela. Eu falei para ele: "topa? Vamos lá?". Ele se lembrou do meu post. "Ai. E enfrentar a Baleia, o piso escorregadio e o tal escadão? Não, nem a pau". É, talvez eu tenha exagerado demais. Não é tanto assim. Basta tapar o nariz, fechar os olhos e engolir seco, gente.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

franka, primata

Adoro livros de macaco. Sabe esses livros que comparam o comportamento dos macacos com o comportamento dos humanos? Onde você descobre que a gente é super parecido com nossos ancestrais? Onde achamos explicações para todas as bobagens, selvagerias, vergonhas, acessos e coisas ridículas que a gente faz? Principalmente na TPM? Que alívio que é, para uma mulher, um livro de macaco. Pois é, e essa é a literatura predileta da Franka. Livro de macaco. No fundo é tudo a mesma coisa. Todos os nossos sentimentos, todos os nossos comportamentos estão lá, na sua essência. Quinta passada, quando fui pra o Rio naquela hora obscena que a gente é obrigado a acordar de manhã para pegar a ponte aérea das dez pras sete, entrei na livraria e dei de cara com esse livro. "Eu, primata". Frans de Waal. Um primatólogo. Uau. Dormindo, comprei. Tá, a capa é meio boba, dãr, bush-primata, e eu não li ainda (acho que sou a única pessoa que faz post-resenha de livro sem ter lido o livro). Mas vocês não imaginam a minha felicidade de ter esse livro de macaco sem ler. O que me empolga é a possibilidade de entender mais. A possibilidade, gente. Leio um tiquinho a cada dia. Meia página. Tipo economizando. Hahaha. Olha um trecho do começo, que genial.
- Quando uma bonobo chamada Kuni viu um estorninho trombar com a vidraça de sua jaula no Zoológico de Twycross, na Grã-Bretanha, foi ajudá-lo. Pegou o atordoado passarinho e com delicadeza o pôs em pé. Ao ver que ele não se mexia, deu-lhe um empurrãozinho, mas ele só agitou as asas. Kuni então subiu ao topo da árvore mais alta com o estorninho (...). Cuidadosamente, desdobrou-lhe as asas até abri-las bem, segurando-as entre seus dedos, após o que lançou o passarinho pelos ares (...). Mas ele não ultrapassou a barreira e aterrissou na beira do fosso. Kuni desceu da árvore e montou guarda por muito tempo ao lado do estorninho, protegendo-o de um jovem bonobo curioso (...).
O modo como Kuni lidou com a ave foi diferente de qualquer coisa que ela teria feito para ajudar outro primata. Em vez de seguir algum tipo de comportamento automático, ela adaptou seu auxílio à situação específica daquele animal totalmente diferente dela própria. (...) Esse tipo de empatia quase nunca é observado em animais, pois depende da capacidade de imaginar as circunstâncias do outro. Adam Smith, o pai da economia, deve ter tido em mente ações como a de Kuni, embora não executadas por um primata não-humano, quando, há mais de dois séculos, nos legou a mais duradoura definição de empatia: "imaginar-se no lugar do sofredor".

terça-feira, 21 de agosto de 2007

o território da baleia



Ainda sobre cachorros. Lembrei duma coisa. Minha amiga Silvia tem uma cachorra, a Baleia. A Baleia é uma cachorra muito agitada. Muito, muito, muito. Pula sem parar, lambe a gente, roda em volta feito louca, faz festa pra burro. Não é implicância, eu jamais sou implicante com seres... felizes. Bom. A Silvia tem um escritório na casa dela, uma sala grande, lá atrás. Eu sempre vou até lá nos finais de tarde, nos fins de semana, à noite. Adoramos conversar, tagarelar, desenhar e pintar naquele escritório dela. Mas entre o escritório dela e a casa dela tem... a Baleia. Putis. A Baleia "ilha" o escritório, é impressionante. Não é fácil chegar lá. O escritório é ótimo, a casa dela é ótima, mas o espaço entre a casa e o escritório é um pesadelo para mim. Vocês não sabem o que é terrível atravessar aqueles poucos metros e subir aquela escada com aquela cachorra maluca de pedra pulando, rodando e se atirando em cima de mim feito uma tarada. Pra piorar, o piso é totalmente escorregadio e a escada, além de preta, tem degraus de alturas diferentes. No piso eu vou me equilibrando no nada, tipo trapezista, na escada me agarro no corrimão e nas paredes, escalando degrau por degrau como se estivesse subindo no Pão de Açúcar. Lembro quando eu era jovem e viajava pra lá e pra cá com meu FIAT 147. Volta em meia em viagens pra praias a gente tinha que atravessar riozinhos com o carro. O meu carro não era nenhum carro ofroudi, eu sabia disso, e morria de medo dele morrer e o rio me levar. Ou molhar um tal dum jiglê, que eu nunca soube pra que servia, mas que quando molhava encrencava o carro de vez. Eu lembro que parava, respirava fundo e ia. SejaoqueDeusquiser, eu pensava. É assim que eu me sinto atravessando o território da Baleia pra ir ou sair do escritório da Silvia. SejaoqueDeusquiser. Gente, juro. Um dia vou fazer um iutube.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

puta homenagem



Bem no dia que eu vou pra o Rio, dou de cara com essa reportagem no Jornal "O Globo" de hoje, vejam que puta homenagem:
"UMA BALEIA da espécie franka dá um show de exibição, nadando a 50 metros da areia da Praia da Barra, perto do posto 8. O mamífero tinha cerca de 12 metros. Foi a primeira baleia a aparecer na orla esse ano. Segundo o biólogo marinho Marcelo Szpilman, do Instituto Aqualung, a aparição de frankas não é comum. A baleia pode ter chegado ao Rio seguindo uma corrente de água fria ou estava perdida, como acontece com os pinguins ou os lobos marinhos."
Resumindo e explicando: gente, todos os mamíferos da espécie franka são assim. Dão shows de exibição, não aparecem a toda hora, seguem a água fria e se perdem muuuito nessa vida. Tenho que me acostumar.
Coisas da vida.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

a perna


Vou viajar amanhã para o Rio. Junto comigo vai uma arquiteta, eu a responsável de ligar para a secretária do cliente e pedir as passagens para nós 2. Lembrei que ela havia ido para o Rio bem no dia do acidente horrível da TAM e que, por causa da confusão, acabou de voltando de ônibus. Como se diz por ai, ela tem uma "perna". Os caras das agências de viagem falam assim: se você tem uma viagem só, seja de ida ou volta, sem usar, eles dizem que você tem uma "perna". E essa arquiteta, como foi e não voltou de avião, tinha uma... "perna".
Gente, não sei como alguém inventa um termo tão feio e inadequado. Pois estava falando no MSN com a secretária, e (aiii...) escrevi o seguinte para ela:

- Ana, e não se esqueça que a arquiteta tem uma perna em aberto.

Que vergonha. Póde?

terça-feira, 14 de agosto de 2007

boinc, boinc, boinc, chuááá...



No começo todo mundo foi terminantemente contra. "Como assim, Lú?", perguntou o Zé, pasmo. "Você está dizendo que quer acabar com o nosso gramado do jardim de trás para fazer uma quadra pra o João jogar basquete? Tá louca?". "É exatamente isso", decidi, usando minha autoridade de mãe e certeza que era o melhor a fazer.
"Mãe, cê tá brincando... Vai estragar a nossa casa, destruir o gramadinho?", disse a Nana. "Ninguém usa o gramadinho de trás pra nada a não ser para olhar, Nana. Além disso, tem o gramadinho da frente. Vocês vão lá na frente e ficam olhando, se fazem tanta questão de olhar grama", argumentei. Já o Chico resolveu ir por outra vertente, afinal está fazendo 'direitonauspí'. "Toda casa tem que ter um mínimo de área de permeabilidade de solo, mãe". Não foi fácil. "É só um pedacinho de nada", defendi, "vai sobrar jardim em volta para a água escorrer e permear pra burro". O João me olhava aflito, olhos brilhando, calado. Putis medo de defender de ser escorraçado pelos irmãos mais velhos, com receio de acreditar e depois se decepcionar. Fizemos uma planta escondido com o nosso projeto, eu e ele, uns dias antes. "Sério, mãe, que nós vamos fazer isso? Não tou acreditando, que demais...".
Bati o pé defendendo o menino e a minha idéia. Ia ficar feio? Sem grama? Sem per-me-a-bi-li-da-de? Não importava. Pra que serve a casa que a gente mora? Não é para usar? Alguém por exemplo reclama da gente fazer quartos para dormir? Salas para ver tevê? Garagens para deixar carro parado? Não me pareceu nada ilógico fazer a quadrinha do Juca lá no fundo. Minha casa é velha mas grande, caberia muito bem. E João adora basquete, treina cinco horas todos os dias. Quando está em casa, ficava batendo bola num cantinho ridículo, espremido entre a sala e o muro do vizinho, encestando numa cesta imaginária, pulando no nada, do lado daquele jardim inútil. Um absurdo. Tentei colocar uma cesta na tal parede diversas vezes, mas como a casa é antiga e a massa idem, todas caiam em cima da cabeça dele. Uma época ele resolver bater bola no espaço onde fica a cachorra, driblando os cocôs. O mesmo que treinar num banheiro, pobrezinho.
Então dei uma de Beth Carvalho. Aproveita hoje porque a vida é uma só. O Zé foi fácil de convencer, afinal é pai. À revelia dos demais chamei os pedreiros para fazer o cimentado. Cimentei. Compramos o poste. Chumbamos. Uma tela no fundo pra bola não ir pro baldio. Deixei um pouco de grama em volta para a tal da 'permeabilidade'. Faz uma semana que ele chega e corre lá pro fundo. Super feliz. Traz amigos. Eu ouço feliz aquilo durante horas. Boinc, boinc, boinc, chuááá. Boinc, boinc, boinc, chuááá. Boinc, boinc, boinc, chuááá. Todos já jogamos bola lá. Esse final de semana estamos pensando em chamar amigos nossos e fazer um campeonato. Até quem sabe fazer um encontro de blogueiros na quadra. Boinc, boinc, boinc, chuááá. Aproveita hoje que a vida é uma só. Chuááá.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

fazendo anexos


Tudo volta ao normal e não vou falar das trevas que vivi nesse blog na semana passada. Vou é falar de uma frase que li no jornal hoje de manhã numa entrevista que o Paulo Mendes da Rocha, meu professor e amigo, deu para a Folha de São Paulo.
O Paulo vai lançar um livro com as mais recentes obras dele amanhã, na FAU Maranhão. Eu já vi e já ouvi falar do livro porque tanto o Zé como alguns dos meus colegas arquitetos fizeram alguns dos projetos junto com Paulo. Além disso o livro é organizado pela Rosa, que também é minha amiga. É um livro muito bacana, como são bacanérrimos a obra do Paulo e o modo que ele pensa a cidade e a arquitetura. Fico emocionada de ouvi-lo e até hoje me espanto com as coisas que ele diz.
Pois hoje no café da manhã eu li essa entrevista e achei uma frase. Para mim achar uma frase é demais, sou tarada por achar frases. Tenho um caderninho na bolsa só para elas. Todo mundo conhece meu caderninho. Às vezes, depois de horas nas conversas com minha amiga Sílvia, não surge frase nenhuma. É frustrante. A gente fica hiper decepcionada, sempre nos despedimos sem graça. "É, hoje não rolou nada", ela me diz.
Mas não é fácil achar frases e não é qualquer frase que se acha. Uma verdadeira frase é aquela que fica retumbando na sua cabeça feito música o dia todo. Além disso, a frase não precisa, necessariamente, ter a ver com o contexto de onde ela veio. Aliás, a graça é essa, não sei se me faço entender. O bacana é achar uma frase num contexto e ela servir para outro. Feito essa da entrevista do Paulo.
Ele falava sobre anexos de prédios. Estava defendendo os anexos, pois já fez diversos. E no final do parágrafo, ele diz. "Em vez de você ficar deformando um prédio, faça um anexo".
Nossa. Fiquei impressionada. Mas é claro. Gente, pensa. Muitos prédios na cidade estão prontos, finalizados, completos. As vezes queremos inchá-los. Enfiar lá dentro funções, pessoas, atividades, salinhas, compartimentos. Puxadinhos pra cá, puxadinhos pra lá. Ele falava de arquitetura, mas eu entendi que isso serve também para muitas coisas na nossa vida. Quebramos a cabeça para redividir o nosso espaço interno, queremos que as estruturas que montamos caibam toda a nossa ânsia de futuro, todas as nossas paixões, todas os nossos desejos , mas às vezes não é ali que o futuro deve acontecer. Muitas situações na vida tem impossibilidade de ampliação e estragamos tudo com a deformação. Com os puxadinhos. É a hora de entender o anexo. É como ele diz, o Paulo. O anexo não copia, o anexo completa. E assim como é preciso entender o anexo na arquitetura, é preciso entender o anexo na vida. Eu li aquilo e descobri que sou a rainha do anexo. Adoro anexos. Tenho um monte de anexos para tudo, pois procuro manter as coisas bacanas exatamente como são. Essa frase é demais. Com essa frase em mente tudo cabe e tudo passa a poder existir. Tá, pode ser que eu esteja falando grego pra muita gente. Mas eu entendo assim. Não estou deformando nada. Estou fazendo anexos.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

ainda com problemas

Gente, que nada. A alegria durou pouco, o problema voltou. Ontem a noite já não dava para entrar aqui no blog de novo. Para postar é preciso fazer um caminho torto e confuso e impossível ver o que você postou. Uma coisa chatérrima. Se alguém puder ajudar ou souber de alguma coisa, Franka agradece.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

franka voltou!

que droga


Não tô achando graça nenhuma nisso. Ainda não consigo acessar o blog. Depois de uma semana, penso o que fazer. Tenho um blog "frankamente..." no UOL há anos. Desativado. Vou pra lá e me mudo de casa? Espero pacientemente que a turma do Speedy resolva a questão? Mudo pra Virtua? Desisto de vez de ter um blog?

sábado, 4 de agosto de 2007

nossa, consegui?

Fiquei 4 dias sem conseguir entrar aqui no "frankamente...". Aliás, ainda não sei como entrei. Desde terça feira que tento acessar o "frankamente..." e não consigo, dizem que a página não existe. Aliás, qualquer blog da blogspot ficou inacessível para mim desde terça. Achei que o problema era só meu, mas o Peri me mandou um email dizendo que também ficou travado no limbo. Na sexta, desisti, conclui que tinha morrido e assumi meu perfil de alma-penada-bloguística. Hoje, não tenho idéia como, consegui chegar na página de postagem por outro caminho. Posso falar de novo. Ueba. Mas ainda não consigo ver a minha página e nem responder comentários. Super esquisito. Alguém tem idéia do que ocorre?

terça-feira, 31 de julho de 2007

a quem possa interessar


Hã?
Fui para o Rio hoje, airbus-congonhas-pistona, o aeroporto vazio, vôo saiu na hora, nenhuma fila no embarque, avião com poucos passageiros. Voltei agora pouco, Santos Dumont vazio, nenhuma fila de embarque, avião saiu na hora e vazio também, chegou na hora exata, airbus-congonhas-pistona, um monte de táxis dando sopa, cheguei em casa rapidinho.
Quéisso?

domingo, 29 de julho de 2007

matando a charada


Pronto, e ai está a solução da charada de quinta feira. Franka Produções Tréches editou o iutube para desvendar o enigma, basta assistir. Frankamente..., viu.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

os mistérios da quinta feira

Franka zanza muito por ai encontrando blogueiros tarjados. Vamos ver quem descobre, nesse sensacional iutube que eu produzi, que com quem Franka se encontrou. Uma dessas pessoas sou eu. E a outra, quem é? Tcham tcham tcham tcham. O mistério da quinta feira 26. Aliás, "os" mistérios da quinta feira. Porque tem outro mistério bloguístico nesse iutube, hehehe...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

o blutufi

O telefoninho novo tem Bluetooth. Ou Blutufi. Caramba, que vem a ser isso?
- É pra você passar um arquivo pra outro telefone ou pra o seu micro, mãe - explicou o João.
Pois minha amiga Luciana veio aqui essa semana. Olhei para o telefoninho dela e era super parecido com o meu, mas da Nokia.
- Tem blutufi, o seu?
- Tem. Mas não sei usar.
- Vamos tentar? - propus.
- Oba. Vamos.
Tiramos uma foto, guardamos, ligamos os botões certos, sem saber se os telefones tinham que ficar de lado, de bunda, de frente.
- Blutufi é tipo um beijo ou um ato sexual? - perguntei.
- Sei lá - ela falou, - é a minha primeira vez.
Tentamos, tentamos e nada. Estávamos quase desistindo quando o João entrou na sala.
- Você sabe fazer blutufi, filho?
- Claro, mãe. Precisa colocar uma senha, inventa uma ai.
A Luciana inventou.
- Agora coloca a mesma senha você também, mãe.
Coloquei.
E quando vimos, plufti, ou melhor, blutufiti. A imagem pulou de um telefone pra o outro, como se fosse um raio. Blutufiti! Começamos a gritar, histéricas.
- Nossa que escândalo... - falou o João - ... vocês são mesmo muito velhas pra isso...

terça-feira, 24 de julho de 2007

franúrsula andress




Ontem no final da tarde eu sai com a Fran, minha amiga. Perguntei o que ela achou do post "Fran Flamba".
- Lúcia, adorei, mas tem uma coisa.
- O que foi?
- Quem fez aquele fotoshope na minha foto? Foi você?
- Não, Fran, foi a Sílvia. E foi ela que inventou a tarja igual ao sofá modelo maralunga, que está atrás de você. Ficou legal, né?
- Ah, poxa vida. Não gostei não.
- O que foi, Fran?
- O meu cabelo. Porque vocês me colocaram de cabelo verde?
- Verde? Não é verde, é loiro. A gente resolveu te deixar loira pra disfarçar, afinal, não pode aparecer com a cara, o cabelo e os olhos naturais num blog.
- Aquilo é loiro coisa nenhuma. Aquilo lá é uma pasta verde horrível, vocês fizeram de propósito.
- Bom, tá meio verde mesmo, acho que a Silvia errou na mão. Mas...
- Vocês me sacanearam, pra falar a verdade. Se fosse para me fazer loira eu estaria loira, pô. Ô Lúcia, eu queria um cabelo loiro de verdade, loiro mesmo, tipo Marylin.
- Marylin? Sério? Loiro branquelo daquele jeito?
- Não, melhor! Eu queria um loiro tipo o da Ursula Andress. Isso!
- A do 007? Verdade?
- Isso que seria legal, imagina eu loirona à la Ursula Andress. Loira verdadeira! Um absurdo o que a Silvia e você fizeram comigo, vou mandar um torpedo pra ela reclamando já.
E tic tic tic, lá foi ela torpedear a Silvia, brava.
Bom, como não custa nada e como ela ficou triste e reclamou, fui até o fotoshope e flambei a imagem. Realmente, ficou muito melhor.
Franandress flamba.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

fran flamba e franka fica fã de flambagens

Antes que me dê um crepúsculo e que eu não consiga mais postar hoje (uma pessoa com crepúsculo não deve postar pois a chance de fazer um post-ridículo é enorme), resolvi considerar sobre essa ação esdrúxula que é "flambar" alimentos. Sim, de novo vou falar das minhas amigas Sílvia e Fran. A Sílvia entende pra burro de cozinha, e vive se "gambando" disso pra cá e pra lá. Com toda razão, ela faz coisas deliciosas, sempre com a maior animação. Quando uma pessoa explica com fervor o "porquê" de uma comida para você, sempre esse comida tem um gosto muito especial. Principalmente se for bem feita. A Sílvia é assim. Ela explica a comida que ela faz. O máximo.
Na nossa viagem a três não quisemos saber de cozinhar. Fazia parte da molecagem não fazer papel de mãe, de dona de casa, de mulher do lar. Nada de fogão ou geladeira, só farra. Mas eu e a Fran sabemos que a Sílvia tem esse lance com cozinha, e sabemos que isso nos deixa um pouco pra trás. Ora, ninguém gosta de ficar pra trás, nem com amigas. Há tempos que eu sei que tenho que descobrir um modo inteligente de fazer alguma coisa na cozinha para me equiparar a ela. Sempre que ela fala de comidas, eu me esquifo dizendo que "amo lavar pratos". Mas ninguém elogia uma lavagem de pratos, portanto minha especialidade é bem mixuruca. Já a Fran foi bem mais esperta que eu. Beeem mais esperta, gente...
Um dia, quando a Sílvia falava de alguma receita sensacional, ela lançou que sabia fazer uma sobremesa ótima, e explicou que essa sobremesa era "flambada". Olhamos atônitas para ela. Ela explicou como era. Super simples, parecia deliciosa, e ainda por cima tinha esse lance que ganha qualquer parada: a flambagem. Até a Silvia se impressionou.
Logo depois disso, fomos as três convidadas para um jantar. A Fran lembrou da sobremesa e anunciou que ia fazer. Falou que levaria todos os ingredientes e faria a tal cerimônia de jogar álcool e queimar sobre a sobremesa. Assim foi, e foi um sucesso indescritível. Olhem a foto dela (tarjada, claro*) em plena ação de flambagem, pilotando o fogão. Gente, flambar faz muito sucesso. Tanto quanto fazer um risoto maravilhoso, um macarrão especialíssimo, uma paella incrível, um cozido divino. E não dá trabalho nenhum, é uma saída sensacional para os preguiçosos de cozinha. Só eu que estou completamente pra trás das duas, lavando pratos. Alguém tem alguma idéia para me tirar da lanterninha?
* vejam o novo modelo de tarja.

domingo, 22 de julho de 2007

crepúsculo e cerveja

Descobri uma coisa impressionante ontem. Gente. Eu sofro de crepúsculo. Nunca tinha pensado nisso, mas ontem a tarde entendi tudo. Era fim da tarde e eu tinha combinado de ir ao cinema com minha amiga Sílvia. Íamos assistir "Paris". Ela passou aqui para me pegar, tomamos um café, começamos a conversar. Como estava um fim de tarde legal, fomos para o quintal com as xicrinhas, sentamos numas cadeiras velhas e ficamos olhando o céu e falando bobagens. O céu ia mudando de cor e nós duas comentando sem parar. Acabamos nos distraindo muito e perdemos o cinema. "Dá na mesma, esse esse céu está um filme maravilhoso", argumentei, para que não nos chateássemos. Foi quando a coisa começou a acontecer e eu percebi. O céu foi mudando, mudando, ficando meio roxo, laranja, rosa, salmão, carmim, fúcsia (acho que é a primeira vez que escrevo essa palavra), e eu passei a ficar meio triste. Tentei fazer uma gracinha, tentei rir de uma conversa e nada. "Sílvia, que esquisito, esse céu parece que está despencando e isso está me deixando triste pra burro", comentei. Ela me olhou, surpresa, e disse que sentia a mesma coisa. Aí a nossa animada conversa começou a ficar melancólica pra burro. Ficamos bobas, românticas, reclamonas, piegas de tudo, eu e ela. "Ixi. Entramos na parte triste do nosso filme", comentei. A Silvia disse que era normal. Falou que isso é super comprovada essa coisa das pessoas ficarem tristes no crepúsculo. "Dizem que algumas pessoas tem depressão profunda nessa hora. Dizem que nos hospitais os doentes pioram nesse horário", ela comentou. Acho que deve ter a ver com a coisa de acabar o dia e entrar na escuridão. Um tipo diário de morte, que nosso inconsciente capta e nos faz sentir mal. Como se tivéssemos medo da noite. Sei lá. Nunca tinha percebido antes, mas entendi porquê eu fico esquisita nos fins de tarde. "Silvia, eu sofro disso. Eu sofro de crepúsculo". Começamos a rir. "E como se cura crepúsculo?", ela perguntou. "Sei lá", eu respondi, "podemos tentar uma cerveja". Olha, e deu super certo. Depois da primeira lata, estávamos de novo cem por cento. Ótimas. Gente, eu sofro de crepúsculo. E crepúsculo a gente cura com cerveja. Isso é um grande tema para um filme. Não acham?

sábado, 21 de julho de 2007

franka e o fagundes


Ainda sobre o acidente aéreo. Ontem fui num jantar na casa de uns amigos. Um deles viaja muito, e me conta que há algum tempo deixou de viajar por Congonhas. Disse que passou a ter medo, não sabe porque, e que tem marcado todos seus vôos para Cumbica.
Foi quando notamos que eu e ele temos, nos vôos, um pensamento parecido. Tanto eu como ele pensamos em coisas ruins, mas olhamos para os lados e pensamos que é meio impossível que a coisa ruim que a gente pensa sirvam também para os outros. "Olha", eu disse, "o que me impressiona é que as pessoas que morreram, se eu olhasse e estivessem no mesmo avião que eu, eu pensaria que é impossível que acontecesse algo com elas", eu disse. "Nossa...", ele comentou, "eu também! Eu vejo uma mãe com criancinhas e penso que se estou com eles estou seguro, vejo famílias e penso que estou seguro, vejo políticos e penso: esse cara, importante desse modo, jamais esse cara vai morrer". Eu continuei: "um dia viajei com o Fagundes, e me senti super segura, imagina se ia acontecer alguma coisa com o Fagundes. Mas depois desse acidente eu não posso mais pensar nisso, pois morreram pessoas com jeito de muito inocentes".
Pois é. Ninguém está seguro. Nem eu, nem ele, nem os políticos, nem as famílias, nem o Fagundes.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

o telefoninho


Passou a raiva. Da moça da Vivo. Posso escrever agora sobre isso.
Troquei de telefone. O meu tava velho, 'espedaçado', como fala minha mãe, bateria de meia hora no máximo, máquina fotográfica quebrada, ou seja, um celular com praticamente com 100 anos na vida útil de um telefone. Hora de encarar uma despesa e trocar, óbvio. Mas qual modelo? Minha vontade era ter um telefone com monte de teclinhas, uma para cada letra, pra não ter que ficar naquele tic-tic-tic pra mandar torpedo.
Putz, adoro torpedo.
Achei esse ai em cima, que tem, além das teclinhas, email e internet. Demais, pensei, imagina o 'frankamente...' acessado a qualquer momento da minha vida, num restaurante, no carro, num posto de gasolina de uma viagem? Foi ai que começou a minha empolgação pelo aparelhinho. Quem não é consumista vez ou outra? Ah, eu sou. Pago em vezes e pronto, pensei. Comprei, tranquilo, habilitei, tranquilo, liguei para a Vivo, habilitamos a internet deles, tranquilo.
- Agora podemos colocar o email? - perguntei para a moça no telefone.
- Sim. Vou explicar os procedimentos - ela disse do outro lado da linha - a senhora espera um pouco. É complicado.
- Você me ensina - respondi, no maior bom humor.
Ela foi falando. "A senhora vai ver uma tela assim, a senhora digita, blablabla, a senhora entra nesse site, a senhora, a senhora". Tava super fácil, até que complicou um pouco e eu me perdi. A tal da atendente suspira e desabafa:
- Se perdeu? É complicado pra quem é da época da TV preto e branco.
Eu assustei. Comentário estranho para uma atendente de callcenter. Será possível que a atendente estava me chamando de... velha?
- TV preto e branco?
- É. Para quem não tem prática de telefone celular na infância, esses celulares de hoje são muito difíceis de usar.
Eu hesitei, mas resolvi ver até onde ia aquilo.
- Você... você é dessa época? - perguntei, desconfiada.
- Quase - ela disse - Eu era pequena nessa época, tenho filhos adolescentes hoje. A senhora também é?
- Claro que não - menti, cortando o assunto.
Será que eu tenho voz de velha? Porque a mulher simplesmente ignorou minha resposta.
- Pois é. Porque para quem é dessa época é bem dificil conseguir fazer isso sozinha - ela retrucou, me atrapalhando com aquela conversa e me fazendo ficar toda confusa com as teclinhas.
- Moça, espera que não estou conseguindo. Um minuto. Me atrapalhei, vou fazer de novo.
Ela começou a provocar mais ainda.
- A minha filha, que é criança, faz essa programação em dois segundos. Já a gente, com mais idade, se embaralha toda.
- Moça - eu disse, ainda paciente - eu não estou embaralhada.
- Claro que a senhora está. Acho que não vai conseguir.
- Vou começar do zero - falei, desligando o aparelho e ligando de novo. Não era possível que aquela mulher, que devia me ajudar, estivesse me des-incentivando daquele modo. Não era possível.
Depois de um tempinho voltei para o mesmo lugar na tela do telefone.
- Olha moça, não está mesmo aparecendo aqui a tela que você falou. Aquela para eu colocar o meu nome e email.
- A senhora colocou a senha e deu enter?
- Sim.
- Tem que aparecer. Se não apareceu é porque a senhora fez errado.
- Eu não fiz errado. Fiz exatamente o seu passo-a-passo. Vai ver que você esqueceu de algum item, moça. Porque não apare...
- Olha, senhora, não podemos mais continuar. A senhora não sabe manusear o seu telefone. Vá até uma loja e peça ajuda.
- Moça, eu sei manusear um telefone - argumentei - não vou em loja nenhuma porque o vendedor sabe menos que eu. Além disso, é você que tem que me orientar, e não ele.
Ela foi cruel.
- Já disse que para as pessoas mais velhas é difícil, a senhora está fazendo alguma coisa completamente errada. Não posso fazer nada, o procedimento é um só e se não funciona para a senhora, é porque a senhora não sabe usar o aparelho.
- Você não vai me ajudar? - eu me espantei - é isso que está falando?
- Justamente - ela inacreditavelmente me respondeu - Infelizmente não posso fazer nada pela senhora.
- Está falando que eu sou velha e não sei usar um celular?
- Quantos anos a senhora tem?
Gente, é possível? A atendente queria saber a minha idade? Isso é permitido nas leis de callcenteres?
Fiquei irritadíssima.
- Não interessa a minha idade, moça. E quer saber? Não estou acreditando nessa conversa! - eu exclamei, fula da vida - Então, então paciência, muito obrigada.
- De nada, senhora. A Vivo agradece a sua ligação.
- E eu agradeço a sua boa vontade - respondi, p. da vida.
Céus. Que coisa irritante na hora e engraçada depois. Desliguei, atônita, pensando que nem anotei o nome da chata da véia da vivo (ela que é velha, claro, afinal ela que é da época da TV preto e branco). Suspirei. Esperei um dia todo. Liguei ontem de novo para o mesmo número. Falei com um rapaz muito simpático, pena que esqueci o nome dele também. Colocamos o email sem problemas. Tudo funcionando. Quase que perguntei para ele qual a idade que ele achava que eu tinha, mas depois desisti. E se ele fala que tenho mesmo voz-de-véia?
Que absurdo, mas quem não tem uma história de briga em callcenter? Todos tem que passar por isso ao menos uma vez na vida.
Pronto, acabou. E vejam o que eu acesso agora do meu telefoninho.
O meu blog, hehehe.
Frankamente...

quarta-feira, 18 de julho de 2007

agora eu adoro ônibus

o quindim da minha mãe que "apenas deu errado"

Desde ontem a tardinha que eu travei e não consigo trabalhar direito por causa do acidente. Ontem eu ia para o Rio com um engenheiro, uma arquiteta e um técnico de som para ver uma obra. Organizei a viagem para eles e acabei desistindo de ir na última hora. Quando vi aquele rabo do avião da TAM na televisão, depois que o Zé me ligou porque tinha ouvido algo no rádio, fiquei em pânico. Ai. Seriam os meus amigos? Tremendo, liguei para um deles. O engenheiro, do outro lado da linha, disse alô. Ufa. Eles não conseguiram embarcar ontem e voltaram de ônibus.
A questão é que esses mega acidentes nos hipnotizam de um modo muito estranho. Dizem que é culpa da mídia, dos jornalistas, do excesso de informação. Mas acho que é mais que isso. Olha, eu sou super otimista. Sempre. A maior Polyanna do universo, eu. Estou sempre ignorando as coisas ruins da minha vida e olhando só para as boas. Por exemplo, preciso escrever aqui uma coisa sobre meu novo celular, mas só vou escrever amanhã, quando passar a minha raiva da moça que me atendeu na Vivo.
Mas surgem essas tragedonas e eu caio por terra. Ontem fiquei sentada, no mesmo lugar do sofá, das sete à meia noite com os olhos vidrados na tv. Sem me mexer, estatelada, olhando aquelas notícias repetidas. No meio daquele meu transe de horror, liguei para uma amiga. "Socorro", eu disse, "não consigo parar de olhar a tv. Porque eu estou fazendo isso? Será que estou gostando?", perguntei para ela. Ela disse não. Que achava que era solidariedade. Que no fundo a gente quer ajudar os outros, quer sofrer junto.
Já minha mãe me ligou umas setecentas vezes. Primeiro por causa do quindim dela que deu errado, depois por causa do avião que caiu. Ela é muito impressionável, e já disse aqui uma vez que ela um dia confessou que adora tragédia. É esquisito, mas ela sempre foi assim. A gente não precisa adorar só as coisas deliciosas, eu acho. Existe um componente do ser humano, que a gente teima em não aceitar que existe, que adora o sofrimento. A minha mãe já aceitou esse componente dela, e quando tem tragédia, é sempre a primeira a ligar. A cada desmoronamento ela telefonava de novo. Vai ver que é por isso que eu fiquei assim. Mas penso que se eu não tivesse tv, nem micro, nem rádio, a tragédia para mim não seria menor. O que houve foi uma coisa horrível, que a gente nunca imagina que aconteceria. Não é uma coisa que "apenas deu errado", como esse quindim que minha mãe fez e que desmantelou todo. Foi um treco pra lá de absurdo e incompreensível, que, na minha opinião, não teve a ver com a pista ou com o avião. Pra mim aquilo foi pânico do piloto. Um putz ato falho de um cara que, depois de ouvir milhões de coisas sobre caos aéreo, sobre quedas de avião e pistas mal feitas, teve um clic de medo numa derrapagem, se apavorou, e abortou errado o pouso. Não sei, impressão. As pessoas tem uns pânicos e não sabem, uma hora acontece. Olha. Só sei que eu não quero mais voar por uns tempos. Que medo. Viva o Terminal Tietê.

terça-feira, 17 de julho de 2007

três mulheres


Estávamos na praia, eu e minhas duas amigas, a Silvia e a Fran. Aquelas amigas do post anterior, da geladeira vazia. Nós três deitadas de bruços, olhando as pessoas andando pela praia. As pessoas andam muito pela praia atualmente.
Andam não. Caminham. Esse é o termo certo.
Foi quando apareceu a primeira. Vinha andando com uma amiga, e, a cada passo, trombava na coitada ao lado. A outra desviava, às vezes mudava de lado, num zigzag na areia.
- Vejam - comentou a Silvia - olhem como aquela mulher anda torto.
Nós três passamos a reparar na moça.
- Nossa, que impressionante - falou a Fran - ela tromba sem parar na outra e não percebe o que faz.
- Talvez devêssemos avisá-la - disse a Silvia, preocupada.
- Avisá-la? Como assim? Acha que devemos ir até ela e dizer que ela anda torto? - estranhei, rindo.
- Claro - ponderou minha amiga Silvia - nós, mulheres, muitas vezes andamos torto na vida sem perceber. Isso é muito sério. Seríssimo.
A segunda era uma senhora velhinha muito chique. Veio do lado oposto da mulher que andava torto, usava um enorme chapéu preto com uma fita cor de rosa choque e um colar de pérolas. Cabelo arrumadinho, maiô inteiro preto cobrindo o corpo redondinho.
- Que senhorinha chique, reparem - notei.
- É mesmo - falou a Silvia - elegante pra burro. Até colarzinho de pérola na praia.
- Mas vejam uma coisa - notou a Fran - ela não tem pescoço algum.
- É mesmo... - concordei - por isso fica bem corcunda.
- Já pensaram uma coisa? - continuou a Fran - Em alguma hora da vida a cabeça dela afundou no tronco e nunca mais subiu.
Olhamos de novo. Era verdade.
- Nossa... - eu me assustei com o comentário - vai ver que foi isso mesmo...
- Mas porque a cabeça de uma mulher afundaria no tronco? - indagou a Silvia.
- Sei lá. As cabeças de algumas mulheres as vezes não querem pensar muito. Os maridos fazem isso por elas. Vai ver que é por isso que afundam - a Fran concluiu.
- Tomara que a minha não afunde - comentei - faço o maior esforço, penso, escrevo sem parar. Acho que inconscientemente quero ficar bem pescoçuda.
- Devemos avisá-la também? - perguntou a Silvia, preocupada de novo.
- Não, não. No caso dela é tarde demais - concluiu a Fran.
A terceira mulher passou com um amigo e uma amiga. Estava no meio dos dois, andava retinho e tinha um belo e valente porte. Cabelos presos num rabo, um corpo bem feito e... muito branco. Nossa, a mulher tinha a pele muito branca.
- Vejam que mulher corajosa essa do meio - apontei - essa branquela.
Elas concordaram.
- Porque será ela dá essa impressão? - perguntei - será o modo de andar?
- Não sei, será que é por causa da cor? - argumentou a Silvia - pensando bem, ela deve ser a mulher mais branca do mundo, vejam, ela consegue ser muito mais branca que eu, gente. Tem cor de leite, cor de tubo de PVC. Branquíssima.
A Fran balançou a cabeça, resolvida.
- Não, não é a cor. É a pele. Ela tem a pele muito lisa, quase sem poros, é isso que nos incomoda. E é isso que dá a impressão de valentia, de coragem. A falta de poros.
- Falta de poros? O que será que significa uma pessoa não ter poros, Fran? - perguntei, começando a rir.
Ela embarcou direto na teoria.
- Olha. Acho que ela não interage muito com o mundo ao redor, ou seja, ela é ela mesma sempre, onde estiver. Vejam, ela está na praia e consegue ficar branca desse modo mesmo no solão, está com um biquininho e anda como se estivesse de roupa, conversa na praia como se estivesse numa reunião. Ela nem deve suar, entendem? Óbvio, é uma mulher sem poros, sem interação com o mundo ao redor. Nossa. Que impressionante.
- E ai? Avisamos? - perguntou a Silvia, rindo.
Essas são minhas amigas. O que fazemos não é fofoca, nem falatório sem sentido. O que fazemos o tempo todo é tentar entender a nossa vida. A mulher que anda torto, a mulher que um dia afundou a cabeça no tronco e a mulher sem poros. Parece brincadeira, mas essas coisas são realmente muito sérias na vida das mulheres. Mais.
Nas nossas vidas.
Não avisamos ninguém, mas me arrependo até agora.


segunda-feira, 16 de julho de 2007

liberdade, alforria, emancipação


Gente. Olhem essa geladeira. Não sei se quem não é mãe vai entender o que eu vou falar. Mas essa geladeira nesse estado foi das coisas mais importantes da minha vida. É como ficar presa cerca de dezoito anos e um dia ser solta e poder correr pelas ruas. Estou falando dessa geladeira, ela mesma. Reparem no estado catastrófico dessa geladeira. Numa primeira olhada parece o que? Uma geladeira de solteirão, não acham? Mas saibam, essa geladeira era a geladeira de 3 mães. Isso mesmo, de 3 mães na praia, sem filhos e sem maridos. Eu uma delas. Um monte de garrafas de água, umas folhas de agrião (que não eram nossas), meio suco de laranja, um pote de alguma coisa (acho que uma goiabada, que não era nossa e que foi deixada intacta) e um monte de cerveja. Quem é mãe vai entender o que significa isso.
Pura liberdade.
Desde que nasceu o Chico, meu filho mais velho, que toda a vez que viajo tenho que levar uma montanha de coisas. Com o nascimento dos outros, a coisa só foi piorando. Papinha. Suquinho. Todynho. Biscoito. Gatorade, se alguém passar mal e precisar de soro. Frutas. Comida congelada. Verdura. Coca cola. Pão. Queijo e presunto. Torta. Iogurte. Ovos. Uma geladeira de uma casa de praia, quando a família tem uma mãe, sempre está cheia. Sempre. E se falta comida? Ó, ceus, que desgraça. É um tipo de prisão que a gente vive, esse troço de alimentar os filhos e a família. Até hoje a geladeira da minha casa aqui é entulhada. Coisas saudáveis, coisas para matar a fome, coisas para alimentar. Mas no feriado passado eu fui viajar com duas amigas, as duas mães como eu. Paramos no supermercado antes da viagem e tivemos um acesso de riso. "Vamos levar o que?", perguntei. "Nada, só cerveja e água", disse minha amiga. E pela primeira vez em dezoito anos, me libertei da geladeira cheia. A cada vez que abria essa porta, eu suspirava de prazer. Que delícia isso. Minha libertação. Uma geladeira vazia é demais, fala a verdade.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

totentano

Tá acontecendo uma coisa muito estranha aqui e eu não sei resolver. Simplesmente o sistema de postagem não me deixa colocar fotos, aliás, SUMIU o ícone da foto da folha de postagem. Ontem eu queria colocar um post importantíssimo aqui, mas só teria sentido com uma foto junto, tentei horas, enchi e desisti. Totentano arrumar. Toíno. Té.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

franka amarrada com nó de marinheiro


E nesse feriado, pela primeira vez na vida, o fecho do biquini quebrou e fui amarrada com nó de marinheiro. Isso que dá ter amiga velejadora. Demais. Sei que é um assunto meio bobo, mas tudo que a gente faz pela primeira vez na vida tem um significado. Vou pensar muito para descobrir qual é a real importância disso na minha vida. Amarrada com nó de marinheiro. Hum.

terça-feira, 10 de julho de 2007

"A" flip é pra comer


Olha. Eu fui. Mas o jeito que eu arrumei de ir pra flip não foi exatamente ir pra flip. Porque óbvio que não achei hotel, o lugar é totalmente lotado. Acho que quem foi esse ano reservou hotel em 2003. Assim, só me restavam duas possibilidades. Uma seria esperar que alguma das pessoas que reservou hotel em 2003 morresse. É possível, a contar pela quantidade de gente mais velha que tem na flip, mas é um pensamento um pouco mórbido, que descartei de cara. A outra era apelar para algum blogueiro que morasse por lá. Foi quando eu lembrei do Edu, do Itamambuca. Falei com ele, deu tudo certo. Ele falou que eu podia ficar lá sem problemas, e assim eu e minhas amigas combinamos de ir pra Itamambuca e ir para a flip todos os dias. Mas acontece que Itamambuca é praia. E, bom, praia é demais. E o lugar era lindo. De morrer. E tava o maior solão. Olha, sério. Impossível não aproveitar aquilo. Aquilo lá que era literatura. E mais impossível ainda não morrer de fome depois de uma praia daquelas até as três da tarde. E a flip, que era pra ser para mim um festival literário para assistir palestras e debates, virou uma possibilidade de comer, pois Parati tem uns restaurantes super legais. Pra quem tá com fome então, nem se fala. E se essa fome é fome de horas e horas de praia, pior ainda. Sim, eu fui na flip. Mas gente, eu só pensava em comer. Comer, comer, comer. Imagine você com fome num paraíso cheio de restaurantes bárbaros. Era o paraíso. Olha. A gente comia tanto na flip que não aguentava nem andar depois. Ia para a tenda das palestras já de noite, me arrastando de entupida e satisfeita. E haja fila, óbvio que eu teria que me programar antes para conseguir assistir, coisa que era impossível por causa da fome. Confesso. Eu fui na flip. Cruzei aqui e ali com todos os escritores famosos, inacreditável como a gente encontra todos nas esquinhas. Mas não participei de nenhuma mesa literária, só das mesas de restaurante. E bar, claro. Foi demais. Delícia.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

franka vai pro flip


Até terça que vem.

pizza panqueca


Sou uma caipira exibida, fazer o quê? Olha o instantâneo captado pele meu amigo Rocco ontem nos Sátyros: eu, de preto, à esquerda, o Ivam Cabral, de branco, à direita e no meio, de azul, o... Lauro César Muniz! O bofe, Escalada, Casarão, Carinhoso! Tenho os elepês da trilha musical das novelas até hoje. O destino é demais. Um dia tenho certeza que eu vou ser uma dramaturga.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

um post para o Alberto Guzik


Anos atrás, sábado à tarde. Chega a Sílvia, minha melhor-amiga, para tomar um café. "Trouxe uma coisa para você", ela me diz, colocando um livro na minha mão. "É um livro que eu acabei de ler e adorei. Leia você agora".
A Sílvia sempre mandou muito em mim. Mas como ela é super inteligente, eu deixo.
Li, e também adorei. Sensacional. Era um livro de contos, pequenas histórias, todas voltadas ao mesmo tema: a hora que as pessoas tem na vida o seu maior encontro com a arte. Chamava-se "O que é ser rio, e correr". O livro é maravilhoso, super bem escrito, e eu me identifiquei na hora com o modo de falar do autor. Isso acontece as vezes comigo, essa coisa de achar, depois de ler uma pessoa, que eu já a conheço de algum lugar, que já sou amiga dela. Acho que é um treco de lingagem, de pontuação, vai entender. Gostei tanto que, depois de devolver o livro da Sílvia, fui até a livraria Cultura e comprei um exemplar só para mim. Demais.
Uns meses atrás, percebi sem querer que o autor desse livro tinha um blog. Nossa, que máximo, pensei. Corri lá e achei a mesma voz que tanto me encantou no tal livro. Muitos posts, ele realmente é como eu e adora escrever. Li diversos textos e posts, e, quando olho para o lado, quase dei um berro. Gente do céu. Estava escrito "frankamente..." na lista dos blogs linkados! Sério! O cara tinha me linkado! Ou seja, não fui só eu que gostei da escrita dele. Ele também gostou da minha. Sei lá como me achou, gente, quem falou de mim para ele? Coisas de astros, só pode ser isso. Ou apenas a prova de que a empatia da pontuação e da forma de escrever existe mesmo. Demais de novo. Meu coração bateu emocionado. Tum tum tum. Hahaha.
Óbvio que ficamos amigos, comentarinhos aqui e ali, troca de e-mails, e, o máximo, na segunda feira passada me vi num café no final da tarde esperando por ele, o escritor, atualmente também ator e meu novo amigo Alberto Guzik. Confesso que, sentada ali na cadeirinha e tendo chegado meia hora antes de medo de atrasar (é um putz problema, como sou a maior atrasada do mundo, ou chego horas depois ou horas antes, de medo de chegar horas depois), tive vontade de rir dessa coisa que é conhecer alguém "pela internet". Dá um pouco de vergonha a coisa de se falar "pela internet" e depois ir conhecer a pessoa ao vivo, assim, tipo hora marcada. "Estarei no café as seis, de blusa preta, tenho cabelo liso, tenho cara normal". Meio constrangedor, mas fazer o quê? Morro de vontade de mentir: "olha, sou loira, 19 anos, meio gordinha e estarei de vestido vermelho de bolinhas". Mas eu não ia perder nunca a chance de conhecer o Alberto, de quem fiquei fã, um cara que parecia tão bacana. E sem mentiras. Ele chegou sorrindo, falamos pra burro, nos divertimos muito juntos, e claro, constatamos que somos amigos mesmo. Agora ao vivo e a cores. E para a minha felicidade, acabei a noite com um romance dele nas mãos com uma dedicatória. Linda.
Gente, póde?
Demais ser blogueiro.

terça-feira, 3 de julho de 2007

ai, carro fantasma?


Ela quis que quis ir fazer um intercâmbio e estudar inglês em Londres durante um mês. Lá foi, a minha filha, na semana passada, eu aqui morrendo de saudade. Antes de viajar, mil recomendações. Cuidado com isso, cuidado com aquilo, juízo, fica atenta, você só tem 16 anos, olhalá. "E não esquece uma coisa", comentou um amigo meu à ela, "em Londres as mãos das ruas são ao contrário, portanto na hora de atravessar você tem que olhar antes para a direita e depois para a esquerda, o contrário do que faz aqui no Brasil". Nossa, e eu não tinha pensado nisso.
Ela me ligou ontem.
"Filha, e o negócio da rua ao contrário, já acostumou? Não vá se distrair, peloamordeDeus, hein?".
Ela deu uma risadinha.
"Mãe, a rua a gente aprende rapidinho, fica fria. O esquisito é olhar aquele monte de carro sem motorista. Isso sim dá o maior susto".
Hahaha. Engraçado mesmo.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

entendi tudo


Depois de um final de semana escasquetada com o filme resenhado abaixo, depois e assistir mais dois outros filmes nada a ver com esse e fazer um almoço para a família do Zé, entendi tudo.
Adoro quando isso acontece na minha cabeça.
Na verdade, o filme esquisito da japonesa incendiária que escreve no corpo dos homens pelados é apenas um filme que narra a relação de uma menina com o seu pai. Apenas isso, nada mais. É incrível como as histórias são sempre as mesmas e como são simples na essência. O resumo real do filme não é toda aquela zona quilométrica que eu escrevi no post abaixo. O fato do filme ter tanto homem pelado pouco importa. A escrita em corpos é apenas um meio para chegar num fim, e o resumo é simples e pequeno: era uma vez uma menina apaixonada pelo pai que o viu fracassar diante dela. Mudou toda a sua vida para resolver aquele problema e se vingar do homem que fez mal à ele. O homem que fez mal a ele é o editor, que ela, de um modo esdrúxulo, mata no fim.
O bem, o mal, a vingança do bem contra o mal. O pai, a filha, a paixão maluca que temos por eles. Só isso, apenas isso. Todas nós, meninas, mulheres, mães, temos ou tivemos os nossos pais, que amamos à nossa maneira. Eu, que perdi o meu pai cedo, aos 12 anos de idade, também tive que criar uma história muito esquisita para resolver aquele vazio na minha cabeça. Não usei homens pelados e não matei ninguém, mas desde pequena preciso escrever em busca de respostas. Cada história pessoal é marcada por símbolos, todos muito particulares de cada relação, que usamos como instrumentos para solucionar nossos enigmas. A japonesa escrevia livros nos corpos dos homens, eu escrevo crônicas em um blog. Pouco importa a superfície. Eu e ela estamos fazendo a mesma coisa.