terça-feira, 14 de setembro de 2010

roubei o post do careca, hehehe!


Hahaha, roubei o post do Careca! Ele voltou, e escreveu um post engraçado falando de entrevistas e eu não aguentei! Aliás, aidéia do Careca é sensacional, fiquei com a maior coceira... acho que vou pensar no assunto.
.
"Eu vivo deixando comentário no blog da Franka, o Frankamente. E agora que ela começou um programa de entrevistas na Rádio USP eu comentei que ela poderia inovar e lançar um programa de entrevistas às avessas. Eu sou um comentarista de blog bem metido a besta. E foi com a maior empáfia que eu escrevi o meu comentário, depois que me deu um estalo. Ao invés de ser a entrevistadora de sempre com suas perguntas, eu sugeri para a Franka ser a entrevistada de sempre no seu próprio programa. E disse que ela deveria convidar os famosos que ela conhece. E todos eles e elas entrevistariam a Franka.
A Franka conhece um monte de gente famosa. Eu sei porque vivo lendo o blog dela. Por lá já desfilaram o Antônio Fagundes, a Irene Ravache, o Mário Prata, o Niltinho Bicudo, e também o ... bom, sei lá, minha memória é horrível, mas ela vive lendo peça de teatro e sendo lida por um monte de artista de novela, de teatro e de TV, só gente da elite do jet-set multimilionário da Avenida Paulista e adjacências.
Depois fiquei pensando que talvez fosse interessante se a Franka também fosse entrevistada por pessoas não-muito-famosas. Sim, porque o número de pessoas famosas é bem escasso, e num instante todos os famosos-mega-fabulosos já terão entrevistado a Franka e sobrariam somente os famosos-meio-xumbregas, aqueles caras que a gente vê na rua e não se anima a pedir autógrafo. Esses xumbreguinhas são mais numerosos, mas o programa de rádio da Franka, tenho certeza, vai virar rapidamente uma coqueluche e num instante esses caras também já se esgotarão. Sobrariam quem? Quem? Os famosos-com-cara-de-pidão. Todo mundo já viu no aeroporto, no shopping, na praia ou naquele hotel em que entrou para descolar um café de graça. Esses pidõezinhos são bem ruins para fazer perguntas e meio chatos, mas fazer o quê? Não é todo dia que um famoso-mega-fabuloso surge por aí, né?
Então. Aí quando acabasse o estoque de pidõezinhos, quem sobraria? Quem? Quem? Os não-famosos, é lógico. Os seres humildes e modestos, como eu, que optaram voluntariamente por fazer parte da humanidade que vaia e critica, mas que também aplaude, apupa e tieta.
Nessa hora, no final da fila, lá estaria o Careca, com as perguntas anotadas para entrevistar a Franka. E na minha vez, eu sei, eu sei, eu sei, eu teria que fazer um esforço gigantesco para controlar os meus instintos mais elementares. Eu ficaria remoendo e me contorcendo para não mandar um beijo pra você, Franka, e outro pro papai e pra mamãe. Hellooooo!"

domingo, 12 de setembro de 2010

"franka em cena", o programa de estréia!


Porque eu sumi? Ora, por causa do novo programa de rádio. Olha (ou melhor, ouve) aqui o programa de estréia do Franka em Cena, onde eu entrevisto o Niltinho Bicudo. Hahaha, olha que demais. Será que dou pra coisa?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

franka também é retrô



Hahaha. Recebi um comentário muito divertido do Marcos Dhotta, podem conferir nos comentários do post anterior. Ele se pergunta como só leu o "frankamente..." agora, depois de seis anos, fala que eu sou mega-moderna-descolada e ele retrô. Hahaha. Fui atrás dele no google e achei o sensacional blog dele: "carissimas catrevagens". Que divertiiiido, mais divertido ainda é achar blogueiros, porque hoje em dia todo mundo é só facebuqueiro. Dai eu me lembrei de uma coisa. Quando minha avó Adelaide morreu, herdei dela um armário de revistas femininas antigas, que ela adorava e guardava. Tive até que comprar um móvel para guardar aquelas raridades incríveis. São muito engraçadas as revistas, porque além das matérias, as propagandas daquela época eram muito, mas muito diferentes das propagandas de agora. Um dia tive paciência, escaneei um monte de coisas e guardei numa daquelas pastas do computador que a gente quase perde para sempre. Fuxiquei, tive um pouco de trabalho, mas achei as imagens ontem. Olha essa propaganda das blusas de Ban-Lon que demais. Acho que Ban-Lon é um tecido que, provavelmente, entrou em extinção. Provavelmente hoje é proibido, deve dar alguma doença, ou até emitir radiação, porque simplesmente sumiu do mercado. O Marcos deve saber algo sobre isso. Mas Ban-Lon devia ser incrível para o clima de praia, pois a propaganda mostra duas mocinhas super felizes e fresquinhas na beira do mar, e olha o detalhe: pra mostrar o quando o tecido é bom, uma delas segura um barquinho de papel bem na linha do horizonte. Hahaha. Como naquela época não tinha fotoshop, imagina quantas fotos que essas moças tiraram na praia pra conseguir a foto perfeita. Aqui vai um momento frankamente retrô pro Marcos. Ô Marcos, vamos trocar figurinhas, com certeza.

domingo, 29 de agosto de 2010

pensando sobre o que é entrevistar



Eu fico inventando moda, e algumas modas sem querer dão certo. Depois da entrevista com o Prata, que tá ai do lado, mexi aqui e ali, o pessoal da Rádio me incentivou, e perguntei para o pessoal do "Letras em Cena" se eles não queriam fazer uma parceria comigo pra fazer um programa de entrevistas de teatro pra Rádio USP. Dai nasceu o "Franka em Cena", hahaha, um novo programa meu, onde eu, e o pessoal do Letras em Cena entrevistamos toda semana um ator, diretor ou autor de teatro. Gente-as-coisas-que-eu-me-meto. Gente-Fábio-da-Rádio-USP-obrigada. O interessante nessa história toda é que passei a pensar sobre o que é fazer uma entrevista. Nunca tinha me passado pela cabeça na vida entrevistar alguém, afinal vivo de obras, de escrever. E entrevistar não é mole. Primeiro que depende de você que a pessoa fique a vontade. Muita gente fica atrapalhadíssima diante de um microfone. Eu sei, já fiquei. E gente travada não fala. E você tem que fazer pergunta de bola de squash, que pá, volta rapidinho, e nunca de bola de meia, que volta toda chocha. Depois você tem que perguntar coisas que a pessoa goste de responder, senão não tem entrevista. O assunto é teatro, mas será que posso perguntar coisas meio paralelas? "Você decora os textos se olhando no espelho? Qual o melhor camarim da cidade? Qual o maior fora que você já deu no palco?". Talvez seja bom eu não ser muito séria. Talvez o melhor seja ser apenas a Franka Entrevistadora, e fazer minhas perguntas à la "frankamente...". O programa de estréia eu já gravei, vai ao ar dia 10/09, na Rádio USP, Programa Áudio Papo, às nove horas, eu acho - a confirmar, eu aviso aqui e no Facebook. Gaguejei um pouco, tropecei nas palavras, falei bobagens mas acho que ficou divertido. Hahaha. Franka em Cena. Não percam.

sábado, 28 de agosto de 2010

post de aniversário




Putis, gente, hoje o "frankamente..." faz seis anos. É aniversário da Franka! Um dois três quatro cinco seis aninhos. E nesses seis anos aconteceu coisa pra burro. Publiquei 1488 posts e fiz 72 rascunhos. Escrevi em um monte de sites da internet. Larguei o blogspot, fiz um site, voltei pro blogspot. Publiquei na Folha, na Revista da Folha, na revista Morar. Fui entrevistada. Fiz uma peça de teatro, o Crânio, participei das Satyrianas, escrevi quatro romances não publicados, escrevi um monte de peças de teatro que ainda tão super inéditas. Falei bobagem até não poder mais. Arrumei um monte de amigos, essa a melhor parte. Tenho um programa na rádio USP, o "Fala, Franka!". Vou ter outro programa de rádio, que estréia dia 10/09, o "Franka em Cena", com entrevistas de teatro, super engraçado isso. Menti um monte, falei um monte de verdade também. Entrei no Orkut, no Twitter e no Facebook, mas como tudo que a gente coloca nesses lugares vai pra beleléu, continuo com o blog. Aqui posso inventar qualquer coisa e tá tudo documentado e guardado. Dimais pensar assim, em retrospectiva. Até que valeu a pena, frankamente... Hahaha.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

a corrida do email



Tem uma coisa muito engraçada que às vezes acontece comigo e com o meu email. É assim. Eu chego no trabalho. Abro o micro, olho os emails. Às vezes tem uns dez, às vezes uns vinte, às vezes quatro. Sei lá. Vamos dizer que tenham dez. Começo a responder o primeiro email, o que foi mandado antes, respeitando a ordem de chegada. Quando estou respondendo o segundo, pimba, entra mais outro email. Putz. Se eu tinha oito para responder, tenho nove agora. Vou continuando, e quando estou, digamos com cinco para responder, às vezes entram mais cinco. Ah, que inferno. Voltei à estaca zero de novo? Tento ir rápido pra acabar com os dez, faço esforço pra não me distrair com msn, skype e facebook. Corra, Franka, corra. Consigo ficar só com dois, quando pimba, entram mais três emails. Saco! Começo a ficar aflita, parece que aquilo não vai acabar nunca. É todo dia assim comigo e com meus emails, hoje que reparei, é como uma corrida, tipo um jogo de tabuleiro, onde você não tem controle sobre os dados, entende? Tem dias que parece que aquilo não vai acabar nunca. Tenho um pouco de saudade das conexões lentas, juro. Mas no ranquin da corrida do email, digamos que estou bem na frente dele. Difícil eu não ganhar dele no fim do dia. Franka, mega caubói.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

cabeamento desestruturado



Gostaria muito de saber como as pessoas resolvem o problema de guardar cabos em casa. O cabo de descarregar as fotos da máquina, o cabo de carregar a máquina, o cabo de carregar o iPod, os fones do iPod, o cabo de descarregar os arquivos do telefone, o cabo de carregar o telefone, o cabo do fone de ouvido do telefone e o cabo de ligar o negócio que toca o iPod. Os meus eu guardo nesse necessarzinho que ganhei de brinde, mas olha a macarronada que fica. Basta tirar um que vem todos de brinde. Os nós são absurdos, principalmente nos fones de ouvido, que se dividem em dois. Penso que devo bolar um pendurador de cabos fixado na parede, poderia resolver com uns pregos, ou talvez fazer um varal, mas fazer um varal significaria pendurar os fios em outro fio, coisa que me parede muito perigosa, uma vez que quero me livrar deles. Isso fora os fios que não estão embaralhados e que ficam aqui em cima da mesa. Achei que laptop wireless como o meu não tinha fio, mas, que piada. Só aqui do lado tenho 4: o cabo da energia, o cabo da impressora, o cabo do scanner e o cabinho do mouse, uma vez que não sei usar o dedo pra mexer. Se antes meu escritório era entulhado de papel, agora é entulhado de cabos. Vamos ô humanidade, resolve isso logo, plis.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

oi genteeeeeeee!





A gente tava conversando ontem sobre o Facebook, eu e a Anna. Descobri que adoro fofocar sobre as coisas que acontecem no Facebook. Sobre o que as pessoas fazem, falam, postam. Entender a personalidade de cada um baseado no jeito que a pessoa usa o Facebook. Os que aparecem só quando aceitam amigos, os chatos que te entopem de iutubes inúteis, uns mil por dia, os que adoram mostrar que tem uma puta vida social e que são marcados em vinte mil fotos. Aqueles que colocam foto de quando eram jovens hippies e cabeludos. Os que fazem propaganda sem parar das suas peças e shows.
- E tem os malas do Facebook - disse a Anna.
- Malas? - perguntei.
- Sabe aqueles que acordam de manhã e escrevem "oi genteeeeeee!"?
Hahaha.
- Putz, Anna, ô se sei - respondi - São pessoas que conversam com o Facebook. Sei lá, parece que o Facebook é um ser que a pessoa tem que falar com ele sempre. Tipo um bichinho virtual, tamagoshi.
- Eu de-tes-to esses malas! De manhã você abre o site e lá vem aquele monte de "bom diiiia!", ou "ai que soooono", sempre com um monte de letra repetida, repara. De repente no meio do dia, aparece um "brrrr!". Caraca, e dai que tá frio? E daí?
A Anna é engraçada. Ela continuou.
- E tem aqueles que contam a comida que acabaram de almoçar, e daí? e outros que avisam que tem que ir no bancooooo, e daí? aqueles que avisam que odeeeeeeiam call center, e daí? Santoooooos! Curingããããããão! E dai?, e dai? e daì? Não sei, tem dias que eu penso: que eu tou fazendo aquiiiii?
E daí Anna, que ter amigos é isso mesmo. Engolir um monte de sapo, achar graça e... curtir isso. Hahaha.


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

franka flintstone



Sim, até hoje tem o perigo da gente perder tudo que tem dentro dos computadores. O tempo passa, computadores cada vez mais legais e mais modernos, mas a gente continua perdendo tudo a troco de nada, basta um vírus bobo, basta uma peça quebrada. Nada melhor que papel, até hoje. Tava conversando sobre isso outro dia quando lembrei que tenho muitas cartas antigas, da minha avó, da minha tia, do meu pai, para diversas pessoas. É uma parte da minha história, uma parte que eu não perdi, o que é muito legal, comentei.
- Já nossos filhos não vão ter nada, porque a gente não manda carta, só email - comentou um amigo meu - E email perde, some, desaparece, claro, lá no futuro quem vai conseguir ligar o nossos computadores jurássico de vovôs?
Puxa. Na hora que ele falou isso, pensei que deveria, rapidamente, imprimir todos meus emails que já mandei e recebi na vida, como se fossem cartas. Mas quem disse que eu tenho todos? Já perdi um monte, uma pena. E haja saco imprimir tudo. Onde guardar a papelada? E quem disse que papel é seguro mesmo? E se um dia tem o fim do mundo e todos os papéis se queimam? E foi pensando nisso que eu conclui que, se a gente quer guardar uma informação, uma idéia, para sempre, o melhor mesmo é gravar numa... pedra. Ora, se um tiver o fim do mundo e todos os papéis queimarem, as pedras ficam. E os extraterrestres, quando chegarem, vão achar que nossa humanidade toda só existiu até a idade da pedra e que não fomos adiante! Claro que tem outras coisas escritas em pedra, coisas atuais, mas não são muitas, pois a gente hoje em dia ou escreve em papel ou em computador. E foi ai que eu resolvi que tenho, urgente, que parar de escrever no micro e começar a escrever em... pedras.
- Mas Franka, peloamordeDeus, que idéia - disse meu amigo - Você vai demorar horas escavando cada palavra na pedra. Se você tivesse, agora, que escrever tudo isso que a gente tá falando em uma pedra, ia demorar horas e horas. Não é viável.
- Claro que é viável - respondi - Eu poderia andar com tabuletas de pedra e usar um motor daqueles de dentista para escrever. Sabe o motor de tirar cárie? Bastava uma máquina daquelas e eu podia escrever qualquer idéia rapidinho.
Acho realmente que a memória da humanidade deveria estar escrita em pedras. E estamos indo rumo a elas, se a gente pensar bem, afinal, o iPad não é uma tabuleta de pedra meio mal feita?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

meninas, meninas

Fiz um reunião hoje com seis mulheres. Na minha profissão isso é absolutamente inédito. Vou todo dia em obra e meio que só tem homem. Não existe (pelo menos nunca vejo) a profissão de pedreira, ou gesseira, ou marceneira. Existem arquitetas, engenheiras e mulheres na limpeza das obras, mas no dia a dia só tem homem mesmo. Tou acostumada a discutir futebol, política, rir de piada de bicha e dar bronca quando eu ouço muito palavrão. Conversar com mulher é muito legal, adoro minhas amigas e conhecidas, morro de rir com elas. Mas mulher quando resolve ser profissional é super sem graça. Mulher quando vai em reunião parece que finge que nunca ri na vida, como se rir não fosse nada profissional. Eu tentei diversos assuntos engraçados durante a reunião, mas todos foram um fracasso total. Bolas de meia imensas. Elas queriam ser muito executivas, queriam ser muito homens, eu acho. Não sabem que é exatamente o contrário. O post tá bem sem graça, mas é que tou ainda sob o efeito da sem-gracice profissional e nem discorrer muito sobre um assunto no post eu consigo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

o fim do salão de festas?



Sabe uma coisa que eu notei? Acabaram-se os salões de festa dos prédio, gente do céu, virou tudo salão de fitness. Nos prédios construídos até os anos oitenta, o térreo consistia em: jardim na frente pros bebês e velhinhos tomarem sol, espaço pro porteiro junto com o hall de elevadores, que começavam a se acostumar com os aparelhos de interfone, salão de festas, salão de jogos pros adolescentes com pebolim e ping pong, e nos fundos um play ground pras crianças, geralmente num lugar sem sol nenhum. Já morei em muito prédio assim. Aliás, nasci num desses, na rua Haddock Lobo. Posso discorrer aqui um tempão sobre os espaços para os porteiros, que foram enclausurados cada vez mais dentro de cubículos cheios de grades em volta, mas fiquei outro dia pensando nos salões de festas. Ué, onde foram parar? Porque agora todos os salões viraram espaços de malhação (detesto essa palavra), cheios de aparelhos, paredes cheias de espelhos, cantinho pro tal pilates, armário pros colchonetes, e nada de festa. O negócio é malhar ali no condomínio, com a facilidade de tomar banho em casa. Não consigo achar estranho. Acho até melhor, embora não seja fã de ginástica e não more em prédio. Não me recordo de quase nenhum salão de festas que não fosse super deprimente sem a festa.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Seu Acordado



Era um nome estranho assim: "Raspadora e Aplicadora de Pisos Acordado". "Mas que diabos de empresa é essa?", eu perguntei pro engenheiro. "Isso não é nome de raspadora de piso", eu argumentei com ele. "Ora", ele explicou, "é que os caras se especializaram em fazer obras a noite. Escritórios, prédios em construção, obras que tem cronograma corrido. Eles não ligam de trabalhar à noite, dai viraram "os Acordados", o apelido pegou e virou o nome da empresa. Raspadora Acordado", explicou o engenheiro, com a maior naturalidade. "Mas fica tranquila, Lúcia, que eles fazem serviços de dia também, e são muito bons e baratos". Olha. Tem cada nome em empresa de obra que eu nem me espanto mais. Tem uma empreiteira que trabalhou numa obra que eu fiz que se chamava Vai Vendo. 'Empreiteira Vai Vendo', eu juro. Hahaha. E tudo ia 'sendo visto' e deu tudo certo na obra. Bom, eu precisava fazer uma raspagem num apartamento e então chamei o seu Acordado. Me senti ligando pra um dos sete anões, o oposto do Soneca. O homem não era de muitas palavras, mas me entendi com ele. Encontrei com o seu Acordado no apartamento. Umas olheiras enormes, juro. Um homem da noite, não do dia. Tudo ele falava bem devagar, quase dormindo. O homem mais sem ânimo do mundo. Hahaha. Nossa, como o homem tava com sono ao meio dia, gente. Mas ele era barato mesmo, tudo ele arredondava pra uns "contos", bocejando, e fez o serviço direitinho. Tudo bem, de noite ele pode ser o seu Acordado. Mas de dia o apelido do homem, sério, devia ser seu Desanimado. Hahaha.

domingo, 8 de agosto de 2010

colher de sopa



Foi de manhã. Acordei cedo demais, final de semana, não queria levantar, resolvi ver um pouco de TV na cama. Achei um programa de cachorros Achei que podia ser daqueles de adestramento, assunto que me interessa depois da chegada avalassadora da cachorra Sopa. Mas não. Parecia um programa médico de cachorros, tipo um ER Canino. Nossa, cada coisa que inventam, pensei. Mas o programa continuou e me espantei mais ainda. Era ainda mais específico. O tal programa era um programa médico, de cães, mas de cães que engolem coisas. Juro. Primeiro eles mostravam um cão que comeu uma colher de sopa. Lá vinha o depoimento da dona, os médicos e a radiografia, uma simulação do cão todo doentinho, a análise do estado do cão e depois a cirurgia. E no fim os veterinários mostravam a colher, todo orgulhosos, e depois o cão costurado e todo alegrinho e a dona feliz. Depois veio a história de um cão que comeu um monte de moedas, que embolaram na barriga dele e era impossível descobrir o que era aquilo, e ainda depois a história de um cão que comeu o recheio de um coelho de pelúcia, o que foi considerado o caso mais grave de todos, pois era impossível descobrir pelas radiografias o que o cão tinha comido. Gente que programa mais maluco. A Sopa já comeu madeira, meia, pano de prato, plástico e muito jornal. Não comeu colher de sopa, não virou estrela de TV.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

franka, de calça chino



Atenção, let´s go to Frankaland. Foi super sem querer que passei na frente da Richard's e vi que a vitrine cheia de roupas de homem estava cheia de... batinhas de florzinhas. É, batinha, aquela blusinha de mulher toda franzidinha na frente, super fofa. Embora os homens usem roupas cada vez mais modernas, dava pra ver que era impossível aquilo ser roupa de homem. Não aguentei e entrei dentro da loja. Tava tudo dividido em dois: lado de homem, lado de mulher. Nossa. Todo mundo que tem marido, ou pai ou filhos adultos já entrou na Richard's. É uma loja meio cara, eu acho, mas as roupas de homem de lá duram muito. Quando é natal ou aniversário, a Richard's é uma mão na roda. Ou mão na roupa. Você nem pensa muito, entra lá e resolve. "Então agora a Richard's, onde eu sempre vou pra comprar pro Zé e pros meninos tem roupa de mulher? Uau, que legal", pensei. Foi quando veio a mocinha na minha direção.
- Posso ajudar?
- Pode. Tem calça de homem da Richard's para mulher?
- Hã?
- Aquelas calças 'chino' de vocês. Tem pra mulher?
- Tem, claro, mas tem batinha, tem camisa, tem shortinho, tem cintinho, tem camisetinha e...
- Eu não quero nada disso, eu queria uma calça chino. Igual a que vocês vendem pra homem e que eu compro aqui há mais de vinte anos pro meu marido, pros filhos. Tem?
- Tem sim, aqui, olha.
Hahaha. Era idêntica. Não aguentei, experimentei, ficou super com cara de calça chino, não aguentei, comprei. Não precisava de calça e nem tinha dinheiro pra isso, mas sempre achei o máximo aquelas calças e pensava "ah, que pena que não tem pra mim". Hahaha. O mais legal é que eles marcaram e fizeram a barra, igualzinho a dos homens. (Hahaha. Post mais Frankaland, impossível. Tou melhorando a cada dia, né Márcio?)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

franka monstra em 3 x 4



A carta venceu. Sou péssima pra resolver problemas de documentos, mas ficar sem carta dá aflição. A moça da auto escola falou que era simples: trazer documentos, carta vencida, conta de luz, duas fotos, levar lá, fazer exame de vista, responder um testinho, coisa de 40 minutos. Arrumei os documentos e sai para tirar as fotos numa lojinha de fotos sobrevivente que tem no shopping aqui do lado. Você se senta numa cadeira no meio do nada e na vitrine e um menino tira uma foto sua com uma máquina digital muito pior que a sua, a única diferença é que ele revela no tamanho certo. Olha. Na hora percebi o caos que ia ser. Não dá pra nenhuma foto sair sensacional com aquela máquina e naquele lugar, pensei. Mas mesmo assim, peguei o espelhinho, me penteei, passei um treco nos lábios e me prostrei diante do menino, animada. "Pronto, pode tirar". Ai que saudade daqueles lugares de fotos 3 x 4 onde os caras te caprichavam. Clic, "foto um", ele disse, clic, "foto dois, senhora", ele concluiu. "Veja se está bom, senhora". Fui até o micro antigo dele. Olhei a tela. Não! Que horrível! Nunca me vi tão horrorosa, tão feia, tão branca, cheia de olheiras, rugas, a coisa mais baixo astral do mundo. "Moço, bem, tá horrível, dá pra tirar outra?" "Pode sim senhora". Lá fui eu de novo. Cabelo, postura, sorriso, clic, um, clic, dois. Olhei a tela de novo. Não! "Moço, essa não sou eu. Mais uma, por favor...". Olha, na quinta tentativa - estava melhorando um pouco, mas ainda muito além do ideal - acho que ele se encheu. "Olha, a senhora pode esperar eu tirar as fotos dos outros antes? Já tiramos quatro, tem uma fila". Céus. Tinha mesmo. Aceitei a última, arrasada e envergonhada. Pior é que aquela monstra ia ficar na minha carta de motorista por anos. Mas fazer o que. Não ia conseguir um bom resultado naquele lugar nunca. "Não tem importância", pensei. "Quem vê foto de carta de motorista é guarda de trânsito, só eles. Esconderei a carteira na carteira por anos, é só não ser pega em comando, pronto".
Mas a foto-monstra passou a me incomodar, e ontem, quando cheguei em casa e olhei de novo, resolvi dar uma melhorada nela. Entrei num programinha de edição e me dei uma garibada. Troquei meu cabelo, coloquei uns óculos, troquei meu nariz e minha boca, um chapeuzinho, brincões. Dava até pra colocar tatuagem, mas não tinha onde. Olha como fiquei bem melhor. Olha gente, se essa ficou esquisita, imagina a outra, a desgraça. Acho que vou levar essa foto pra revelar e colocar essa na carta de motorista. Será que pode?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

um espelhinho em HD



Resolvi colocar uma TV HD no meu quarto. Tem a da sala, que instalamos há dois anos, é ótima mas é de LSD, já a nova, do quarto, é de LED. Fininha, fininha. Uma complicação: quebra parede, passa fio, pinta parede, troca tomada. O moço que veio trocar o aparelho da NET (nossa, quanta sigla) explicou que não teria nem comparação: "dona, essa TV do quarto da senhora é muito melhor que a outra, essa aqui tem três milhões de pontos (ou alguma outra coisa do tipo) e a da sala tem só um milhão. A senhora vai ver a diferença". Além disso, notei outra coisa. A sala é bem maior, e a TV fica bem mais longe. No meu quarto, a TV de 40 polegadas fica bem no meu nariz.
Ficou sensacional. Na hora que liguei, pááá. Sei lá explicar de outro modo a impressão que tive sobre aquela imagem. Pááá. Que incrível. Pááá. Dava pra ver os poros e os pêlos da pessoa ou do bicho. Uma imagem pra lá de dermatológica. Desde então passei a assistir no quarto só canais em HD, senão não teria graça. Haja NAT GEO e Discovery. Já vi bicho comendo todo tipo de bicho: jacaré comendo rinoceronte, macaco comendo peixe, cachorro selvagem comendo veado, piranha comendo passarinho, é um nojo total. Não aguento mais ver bicho comendo bicho, ando tendo pesadelos. Em HD.
Pras pessoas que a cada dia enxergam menos, como eu, imagem HD é uma mão na roda. Uma mão, uma roda, as duas super nítidas. É como colocar óculos na TV. E sei lá, o fato de enxergar bem passou a me encanar. Acho que foi por cada da TV HD que impliquei com o código de barras da conta da internet e que resolvi ir ao oculista. Ora, se o mundo é daquele jeito, quero ver tudo assim. Em HD. Foi quando fui numa loja dessas que vendem mil coisas e achei um espelhinho com umas ventosas atrás. Nele estava escrito: espelho 10 x. Gente, 10 x! Muito mais que a TV, que era 3 x melhor que a outra. Era meio caro, quase 30 reais, não era tão fino como uma TV de LED, mas não aguentei. Comprei o espelhinho e, clonquit. Grudei na parede do banheiro, bem em baixo da luminária. Me olhei naquilo. Meu Deus. Eu estava em HD master super blaster atômico ou coisa que o valha. Nunca me vi tão grande, tão amplicada, em escala tão macro. Cada poro da minha cara ficou enooorme, céus, que aflição. Fiquei assustadíssima, aquilo era eu? Passei horas analisando minha cara, tim tim por tim tim. Eu mesma em HD. Muito legal. Como pode? Sem fio, sem NET, sem instalação, sem complicação, e muito melhor! Então, uma dica pra quem não tem HD ainda. Compra um espelho desses que é a mesma coisa. Ou melhor.

domingo, 1 de agosto de 2010

uma dica muito chique





Gente, uma dica. Super na moda hoje em dia ter máquina de café expresso da Nespresso na sala e colocar do lado um pote grande, de vidro, cheio de copinhos coloridos com os tipos diversos de café de café. Do lado desse pote e da máquina, você já deixa de prontidão umas xicrinhas e um outro potinho com açucrinhas e adoçantinhos. É mega chique isso, eu reparei. Dai a visita chega e você oferece, como quem não quer nada: "ei, quer tomar um café?" Enquanto você fala isso, você vai até o pote, coloca a mão lá dentro e fica mexendo nos potinhos bem devagar, tic, tic, toc, tic, mostrando a quantidade de tipos de café que você tem ali. O som leve e metálico dos potinhos de sachezinhos batendo no vidro é mais chique ainda, por isso esse é o momento mais importante da cena. É uma coisa mega cowboy, gente. Um desafio das modernas e chiques donas de casa para testarem você. Cuidado. Porque em seguida, se você quiser ser chique como a dona da casa, você tem que conhecer aquele truque e não bobear na hora da escolha. Como eu fiz na semana passada em duas situações em casas diferentes. Saco. A caipira da Franka. "Sim, eu quero", respondi, animada. "E qual você quer?", perguntou a dona da casa. Putz. Boiei. O queriam dizer aquelas cores que não me diziam nada? Era tudo café? Céus. Ora, uma pessoa moderna e elegante, hoje em dia, tem que conhecer o significado das cores dos sachês, claro, para não passar a maior vergonha como eu. Por isso esse post. O mais bacana é você não apenas decorar a cor, mas saber a cor e o sabor, e responder prontamente e bem naturalmente, sem olhar: "ah, azul claro, por favor, você tem o vivalto lungo?". Ou "ah, não tem? então me dá o capriccio, o verdinho". Não importa se o café for horrível porque você não tem a mínima idéia do que quer dizer "capriccio" ou "volutto". Engole rápido e pronto. Eu não tenho máquina da Nespresso, é meio cara, mas passar outro vexame eu não passo: procurei no google e decorei os potinhos feito tabuada. Não é tão difícil ser chique. Hahaha.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

os numerinhos do código de barra




Me convenci de uns tempos pra cá que ia pegar o tolkem, fazer uma senha e pagar as contas pela internet. Todo mundo falando que era mais legal, mais rápido, mais prático, mais moderno. Tenho agora um gerente-amigo no banco Itaú. Acho que a turma do RH do Itaú deve ter inventado algum tipo de treinamento pros gerentes onde a regra é: "querido, fique bem amigo do correntista que ele vai adorar nosso banco e comprar muitos produtos com você". Porque foi do nada que o Bernardo, o gerente, resolveu ser meu melhor amigo - agora ele me telefona toda hora, me quebra galhos e me conta da vida dele. E foi com ele que eu me abri: "ô Bernardo, putz, me dá uma senha e um aparelhinho de números que eu quero pagar as contas pela internet agora". Se ele fosse amigo mesmo, de verdade, jamais iria me dar tão facilmente - ia me querer ali toda hora, tomando cafezinho e capuccino, claro. Mas ele me arrumou, e realmente é facílimo. Baba total. Há mais de ano que só pago conta aqui, sentada no micro. Mas tem uma coisa que me irrita muito, que é copiar aqueles infindáveis números do código de barras. E gente, são mínimos. Porque tão pequenos? Não é um lance moderno, esse de pagar online? E não devia ser fácil? É um momento super tenso pra mim, coisa que não sentia ao pagar as contas na fila do banco. É que não pode errar e é tudo total responsabilidade tua aquele preenchimento. E eu, sei lá, eu enxergo cada vez menos, é insuportável, coloco óculos, reguinha, escondo os lidos, confiro tudo mil vezes, horrível. Tem um monte de quadradinhos que encerram os números que sempre não dão certo. O pior são os zeros. Sempre falta um ou sobra um. Putz mico aquele preenchimento. O Zé comprou um leitor pra ele. Disse que é demais. Olhai. Um bom assunto pra falar com Bernardo. Quem sabe ele me dá um de presente no dia do cliente. Ou uma lupa, ao menos.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

eu não entorto crânio



Fiquei olhando ontem as fotos da leitura da peça e descobri uma coisa sobre tirar fotos. Antes uma observação: adoro foto. Tirar foto é super legal, uma delícia imaginar que aquele momento vai perdurar por um tempo a mais. Fotos impressas, na minha impressão, duram mais que as digitais. Esquisito concluir isso, mas as digitais são tantas que se perdem no computador. Olha, pensando bem, há uns 10 anos não revelo nada. Aliás, nunca mais usei essa palavra: revelar.
Bom, eu tava ali olhando as fotos borradas da segunda feira (mania de tirar sem flash), quando reparei que em algumas fotos eu tou de cabeça entortada pra o lado, em outras, não. Ué. Fui verificar minhas fotos em geral. Sempre de cabeça reta. Muito raro eu sozinha entortar a cabeça pra o lado. Já nas fotos com os outros varia. Em algumas tou com a cabeça na vertical, mas já em outras tou com 45 ou 315 graus de inclinação, dependendo do lado. E sempre essa inclinação é espelhada em relação ao companheiro da foto, ou seja, sempre inclino a cabeça para o lado da cabeça da outra pessoa que está na foto, encostando crânio com crânio. Foi ai que percebi um treco. Inclinar ou não a cabeça, para as pessoas que não inclinam a cabeça em fotos, como eu, depende da vontade da outra pessoa da foto. É um negócio super intuitivo e espontâneo, que a gente faz sem perceber: na hora do clic, se teu companheiro de foto inclina a cabeça na sua direção, você instintivamente inclina também. Como que para dar um tipo de selinho, digamos. Tic, encosta, pode tirar a foto, clic. Repara que maluco isso. E bem na hora que as cabecinhas se tocam, faz-se o registro. A Pati entorta a cabeça, repara. E eu, influenciada por ela, entortei também. Uma coisa mega Zelig. Deve ter a ver com dominação isso. Acho que Pati meio que manda em mim. Claro que eu inclinei a cabeça como ela nesse dia, afinal foi ela que me deu esse presente da leitura do MASP. Hahaha. Ai me medo das bobagens que eu penso.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

o iutube da leutura do crânio da franka!

E pra quem quiser ver um pedacinho da leitura do "O Crânio", clica aqui ó. Fiz um iutube pequenino de um pedaço da leitura. Olha que divertido!

o massageador de língua



Nossa gente, de uns tempos pra cá, a gente tem escovas de dente muito sofisticadas, já repararam? Fico maravilhada com esses avanços de tecnologia. Hoje de manhã fiquei horas analisando a minha nova escova de dente quando tirei da embalagem. Ela tem uma quantidade incrível de cerdinhas de alturas e tamanhos diferentes, com diferenças nas espessura dos tufos. A parte central tem umas borrachinhas e uns redondos, e em volta tem umas cerdas grossas e moles para a gengiva. Dimais. Na parte de trás, uns grampinhos emborrachados para masseagear a língua, e o cabo, ah, gente, o cabo da escova é demais. Ao mesmo tempo que é super anatômico, tem antiderrapantes nos locais perfeitos para a sua mão não escorregar. Incrível. Puxa vida, gente. Essse negócio de tecnologia é um perigo. Porque repara: tecnologia não tem volta. É igual ficar rico demais, ou se apaixonar muito. Depois que você se acostuma a certas regalias, não consegue mais ficar sem. A tecnologia nos faz ser exigentes e ambiciosos ao extremo, eu acho. Serei obrigada a usar escovas como essa, ou mil vezes melhores que essa para o resto da vida. Socorro. Isso não é tipo uma prisão? Aos poucos você, que não era consumista, que resolvia as coisas de modo simples, está preso na carceragem do design. Acho que eu seria totalmente incapaz, hoje, depois de ter consumido essa escova raitéc mega blaster super total, de usar novamente aquelas escovas de dente TEK da minha infância. Eram péssimas. Elas tinham um cabão horrível, umas cerdas duras e quadradas e, imaginem, uma cor só! Depois de um tempo de uso, pareciam uns bombrils velhos, ficavam bem nojentas. A escova TEK envelhecia sem dignidade alguma, o pior é que a gente nem percebia a ameaça dos germes nos dentes, não havia sequer aviso de "me troque" na escova, as cerdas não mudavam de cor. Já as escovas modernas, com esses designs espaciais, envelhecem também, claro, mas mesmo velhas ficam inteironas. Cabelinho branco e corpão firme. Hahaha. Só não gosto e não uso o tal massageador de língua que vem nas costas da escova. Me dá uma aflição danada esfregar aquela coisa espinhuda na língua, fica coçando muito depois. Aliás, nunca perguntei pra ninguém: gente, alguém usa aquilo?

terça-feira, 27 de julho de 2010

mãe é mãe



Eu tava lá dentro das entranhas do MASP acompanhando o ensaio antes do começo da leitura, não eram nem sete horas ainda (a leitura tava marcada pras sete e meia), quando veio uma moça lá da organização.
- Lúcia, preciso que você assine essa autorização do uso de imagem, pode ser?
- Oquei - eu disse.
- E ah, tua mãe já chegou e tá te esperando na pláteia.
- Minha mãe? Já?
- É. Falou pra todo mundo que era mãe da autora, entrou, sentou.
Hahaha. Putz. Mãe é mãe, né? Dai fui pra platéia e dei de cara com essa cena: minha mãe toda orgulhosa e sentadinha no auditorião do MASP completamente vaziiiio, esperando as amigas surdas. E do lado dela o meu filho João, morrendo de vergonha da invasão da avó. Quando me viu aproveitou e saiu correndo pra encontrar os amigos lá fora. Hahaha. Mãe é mãe. Olha a cena, que engraçada.

o crânio, a leitura, o MASP




Enfim, a leitura! Pois fizemos ontem a leitura do "O Crânio" no MASP. Foi super emocionante ver meu texto lido num palco. E tava super lotado. Não acho que tem a ver eu falar aqui se foi bom ou ruim, só sei que todo mundo riu muito e que teve um monte de aplauso. Muita gente! Como a coisa continua também não sei, mas torço pra burro pra conseguir montar a peça. Acho apenas o máximo que, começando pelo "frankamente..." aqui eu tenha escrito essa peça e chegado no MASP. O MASP pra mim é tipo um puta-patamar. Morei toda infância e adolescência na Haddock Lobo e vivia no MASP. O MASP é projeto da Lina-Bo e eu sou arquiteta. Tudo a ver, pensei ontem. Putz orgulho que eu tive da Franka. Hahaha. E uma vez que não vou fazer crítica nem elogio de mim mesma, que seria meio ridículo, vou só contar uns detalhes. Cheguei antes, pois era "autora". "Oi, moço, sou a autora", eu disse toda caipira e inchada para os seguranças pra poder entrar pelas portinhas do lado, antes de todo mundo. Quando a gente entra pelas portinhas do lado dos lugares a gente fica super mega exibida. A gente tem até que se controlar. Dai fui pro camarim. Nossa, que vontade que eu sempre tive de entrar num camarim. Olha. Uma coisa é você escrever uma peça, gente, você aqui sozinha, tic, tic no teclado, aquela coisa íííntima... Outra coisa é você entrar nas entranhas de uma montagem, e olha que nem era montagem, era leitura. Com diretor e tudo, mas leitura, sem "movimentação de palco", sem setecentos ensaios e tal. Minha mãe tava preocupada pra burro pois ela e as amigas queriam sentar na frente. "Iii, filha, minhas amigas são todas surdas, não vão entender nada se não ouvirem...". Hahaha. Lá fui eu, Franka-Staff, pela portinha lateral colocar a mãe e as amigas antes de todo mundo. Divertido. Lá no camarim, lanchinho. Não, lanchão. Oba. Peguei até um sanduíche pro João, afinal mãe é mãe. Os atores eram amigos, ficavam fazendo gracinhas o tempo todo, aliás, são todos tão engraçados falando, que eu, que só escrevo, fiquei mega sem graça perto deles. No fim da leitura (ó céus) me colocaram sentada no palco com os atores. Me deu a maior vergonha. Já tinha falado (escrito) mais de uma hora de peça, ainda tinha que falar mais? Acho que deu pra todo mundo ver minha sem-graceza, mas paciência. Olha. Ver as palavras da gente, as idéias da gente, as crônicas da gente num palco, representadas por atores, é muito emocionante. Ouvir as risadas foi mais emocionante ainda. Obrigada Patrícia, Renato, Niltinho, Noemi, Fabinho e Marcelo, obrigada Clóvis e Marina, obrigada platéia-que-ria-muito. Ontem foi um dos dias mais felizes da minha vida.

domingo, 4 de julho de 2010

embaralhada nos controles

Agora o melhor som da minha casa virou o som da televisão. Eu sempre tive desejos de ter um bom equipamento de som na vida, mas nunca consegui - depois de um toca discos Gradiente que ganhei nos anos setenta/oitenta e que não sei onde foi parar, tive um monte desses maditos mini sistems, que tem o som mais mini do mundo. Pra mim aquilo sempre foi som de ambiente pequenininho, tipo banheiro. Bom, pra essa fracassada Copa, resolvemos instalar um home theater com caixas de som na frente, atrás, do lado, em cima, sei lá. Bombar a sala. Tunar a sala. Me animei. A gente fez uma instalação super na TV que não dá pra ver nenhum fio, só o do Wii quando alguém liga (esse a gente esqueceu). Estamos agora vendo a Copa com o som do jogo na TV e o som das vuvuzelas atrás e do lado e em cima e em baixo. Pra Copa nem sei se valeu a pena, haja vuvuzela, mas agora que ela meio que acabou, resolvi usar aquilo pra ouvir música. Foi quando aprendi que dá pra colocar disco no receiver pra ouvir e que o som fica bárbaro, apesar de ter que clicar em três controles remotos sem a certeza que vai dar certo. Depois fiquei pensando em outra modernidade. Ora, quem tem som hoje não "coloca disco". O negócio agora é colocar o iPod e deixar tocar as playlists. Já tive um cabo uma vez, não encontrei, mas não sei onde colocar e acho que vou me atrapalhar mais ainda com os controles. Olha. Acho que modernidade só é modernidade quando é fácil, por isso então continuo recorrendo à radio Net, que é bem mais rápida que o meu atrapalhado manuseio dos diversos controles remotos. Mas o problema da rádio Net é a imagem. Como será que a gente fala pra eles colocarem um menu de imagens na tv que não seja menu-tela preta-propaganda da Net? Será que é muito difícil colocar um menu de imagens, com opções de tela-psicodélica, tela-peixes-no-aquário, tela-bolhas, tela-céu-se-mexendo, tela-bar-animado, tela-festa-dancing, tela-formiguinhas-andando, tela-animais-em-habitat-natural, tela-praia-com-ondas? Ou telas especiais, que você mesmo cria? Qual a dificuldade da Net de perceber que hoje em dia todo mundo ouve essa rádio deles, que é fácil e mais legal que instalar um monte de som e ipods? Às vezes tenho saudade do mini-system. Confesso.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

uns segredos do facebook



Agora que acabou a Copa, vou me concentrar em assuntos mais importantes. Como Facebook. Hahaha. Por isso, resolvi colocar aqui algumas observações de como funciona o facebook.
Bem, a primeira coisa que notei é que quando você entra, você não quer convidar ninguém. Dá a maior vergonha. Quando o Zé entrou, eu fiquei insistindo e ele relutando.
- Eu não vou "convidar" ninguém pra ser meu amigo. Eu, hein. As pessoas que me convidem.
- Mas Zé, é teu irmão, pô.
Depois que você entra, tem que entender como funciona. Um amigo meu, da vida e do facebook, disse que passou um tempão sem saber qual a graça do facebook, porque não percebeu que existia a "página inicial", onde fica todo mundo - ele não saia da página dele, onde só tem o que você coloca com seus amigos do lado.
- E eu olhava aquilo, intrigado, e pensava: pra que serve isso?
Hahaha. Já comentei aqui também como é complicado ser muito inativo no facebook, porque o facebook te deda pra todo mundo: "ei gente, o fulano está inativo, ajuda o cara a arrumar amigos e a se mexer, pô". Mals. Depois tem o lance dos comentários. Uma amiga minha, também da vida e do facebook, disse que detesta quando um desconhecido comenta um comentário dela. Que ela se sente invadida.
- A pessoa nem me conhece e vem dar palpite no que eu falo? Ah, vá. Não pode, pô!
Tem outro amigo meu que conheceu um cara outro dia num bar, conversaram um pouco, e no dia seguinte o cara convidou ele pra ser amigo dele.
- Acredita? Não aceitei.
- Mas porque? Que tem de mais?
- Não, nem vem, homem não aceita amigo assim, do nada, Franka.
Já outro amigo recebeu um convite de amizade de uma moça completamente desconhecida. Olhou, fuxicou no perfil dela, não descobriu quem era. Resoveu aceitar, a moça era simpática. No mesmo dia se arrependeu. Era uma vendedora de uma loja de material de construção, e agora ele recebe propaganda da loja sem parar.
- Olha o truque, Franka!
É. A gente tem que tomar cuidado.
Passei um tempão recebendo atualizações daquelas fazendinhas, até descobrir como a gente tira aquilo. Ufa. Mas o mais grave, que não sei se é verdade, é que outro amigo me disse que dá pra saber quando uma pessoa não te aceita como amigo.
- Pois é, foi chato. Eu entrei no facebook e chamei um monte de amigos - ele contou - e toda hora eu entrava no computador pra ver quem tinha me aceitado e quem ainda estava com aquela "solicitação de amizade pendente". E de repente eu vi que um cara sumiu dali. Não tinha mais nem o cara, nem a tal "pendência" Sumiu! Será que isso quer dizer que ele me recusou?
Ii. Será que é verdade? Ai que perigo a gente convidar os outros. E que pena, perdemos.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

crânios e faces



Eu não parei de escrever aqui no "frankamente...". É que viciei no facebook. Acho que esse fenômeno aconteceu com todos os blogueiros. Lá no facebook tá cheio de gente. Uma multidão, e fica todo mundo falando, comentando, tagarelando e isso aqui ficou super vazio. Eu meio que fico fazendo mini-posts por lá, porque lá não dá pra fazer postão como aqui. Na verdade tou mega dividida, acostumei a escrever muito, lá não dá. Passei a escrever aqui colocar o linque lá, mas tenho preguiça às vezes. Também tem o lance da minha peça de teatro, "o crânio", que vai ter uma leitura pública e grátis no MASP no mês que vem, e tive que revisar o meu estrambótico texto umas mil vezes. Isso tomou um tempão. Mas mesmo com crânios e faces, não largo o frankamente não. É tipo um filho, e filho a gente cuida sempre.

domingo, 20 de junho de 2010

é brincadeira





Não dá pra não falar da Copa. Tem dois personagens muito importantes que viraram assunto aqui em casa. Um deles é o Dunga. Putz personagem o Dunga. Coloca umas roupas nada a ver, uns capotões chiques, estilosos, super fashion. E usa anel. Anel, um monte de anel. Tem a coisa dele chamar Dunga, que é um dos sete anões, e tem também a coisa dele usar anel, que me lembra o Senhor dos Anéis. Hahaha. Divertido. Qual será o modelito do próximo jogo? Mas o maior assunto aqui em casa, que foi tão comentado como o jogo, é o comentarista da Band, o Neto. Aquele que fala "é brincadeira" e que tem uma voz mega caipira. A gente não gosta da Globo e nem do Sport TV. Gostamos da Band e dos caipiras. Ele foi se empolgando durante o jogo, se empolgando com aquela voz cada vez mais caipira, e começou a dizer que o Júlio César era o maior goleiro do mundo (do mundo, notem), que o artilheiro era o melhor do mundo, dai ele foi se empolgando mais e mais, e quando deram o chute no Elano o cara berrou "quebraram a perna dele!" e começou quase a chorar. Hahaha. Eu adoro gente que se entrega assim. Estamos aqui em casa lembrando do jogo e rindo do Neto. É brincadeira.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

o geraldinho



Falaram que um tal de Geraldo Anhaia Melo era legal no Facebook. Eu li alguns feeds dele, achei a sinceridade dele o máximo. Gamei. A gente se espanta com quem não é travado em Facebook. Travado assim, em internet pública em geral. Pedi pra ser amiga dele na hora. Nem conhecia, e ele me aceitou. Legal, mais máximo. Dai ele, do nada, morre. Gente. Caraca. A vida e a morte são ali-ali, no real e no virtual. Caraca , putz. Dai eu tinha colocado um feed bobo no Facebook na sexta feira falando sobre "morrer no Facebook". Falando sobre o que fazer com o Facebook com uma possibilidade da nossa morte, coisa que a gente não gosta de falar, mas que pode acontecer com todo mundo. E brinquei e disse que se eu morresse no face, ia pedir pra alguém me manter viva e tal. Putz, até escolhi a Márcia Kawabe, que fala mais bobeira que eu pra ser minha alma penada. Isso foi uma idéia idiota de uma pessoa viva, sabe idéia idiota de pessoa viva que, na alegria do dia a dia, não pensa que o outro pode morrer de verdade? Pois é. Eu. Tou me sentindo meio mal com isso, ao mesmo tempo penso na minha sinceridade de conseguir contar isso. O Geraldinho era brilhante no Facebook. Ele fazia minicrônicas da vida dele, a gente acompanhava. Eram textos brilhantes, a là Bortolotto, super inteligentes e nada travados. O máximo. Eu sou travada em Facebook, gente, por isso a recorrência desse assunto. E gente travada como eu não coloca coisas que não sejam certinhas no Facebook e morre de inveja dos não-travados, livres, independentes. Eu fiquei hoje pensando sobre essa coisa e resolvi falar a verdade em homenagem a ele, o quanto fiquei impressionada com a verdade dele até o último minuto, em quanto a verdade é impressionante pra quem faz literatura, e em quanto a verdadeira literatura é legítima até o último minuto.

sábado, 12 de junho de 2010

namoração




Tá a maior animação o dia dos namorados aqui em casa. Todos meus três filhos tem namorados(as) e hoje tá todo mundo de casalzinho por aqui. Super legal. Tem lareirinha acesa, uns chocolates, teve jogo de copa e tá o maior frio. Nunca isso tinha acontecido, essa coisa de eu ficar cercada por tantos namorados, e ainda por cima em casa, por isso meu espanto. Esse clima de namorico todo em volta de mim tá sensacional. Puta astral. Super legal namorar.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

livinzinho, terração



Engraçado reparar nas plantas atuais dos apartamentos à venda. Virou meio moda agora os prédios terem salas encolhiiidas e varandas enooormes, crescidooonas. Repara que interessante. Na maioria dos lançamentos imobiliários, a sala serve apenas como hominho theater, com sofá e tv, uma salinha fechadinha, e o restante do espaço é sempre uma enorme varanda, com mesa, churrasqueira, sofás e às vezes até forno de pizza. A idéia de transformar um apartamento fechado num espaço com um tipo de quintal é legal. As salas dos apartamentos eram muito fechadas e escuras, janelas são itens caros de construção e estavam ficando cada vez menores. Com a idéia da varanda, que quem quiser fecha com vidro, resolve esse problema. Só acho que se todo mundo resolver churrascar no domingo, vai ficar a maior caatinga no condomínio.

sábado, 15 de maio de 2010

franka prateada







Olha ai como era verdade. Olha ai a entrevista. Olhai que eu não gaguejei nenhuma vez. Olha a atrapalhação, gente do céu e pensar que isso foi ao ar. Eu fico rindo de tudo o tempo todo, pareço uma boba. Mas só sei que depois dessa entrevista, me animei. E se a Franka vira, assim do nada, uma entrevistadora? Fiquei me imaginando com a aquele gravador não mão de novo falando com muitos famosos e não famosos. Mas peraí. Ninguém vira entrevistadora assim, de repente. Pra a Franka dar certo de entrevistadora, ela precisa de um diferencial. Ora, a Franka sempre falou dos assuntos mais bobos da paróquia. Então ela deve ter um programa de entrevista onde ela entrevista a pessoa e pergunta sobre os assuntos mais bobos da paróquia, oras. O senhor acha que os pastéis de queijo são um alimento em extinção? A senhora já pensou porque a gente dirige carro sentado do lado, e não no meio do carro? Já reparou que tem geladeira que não dá pra colocar imã? Você já notou que depois das fotos digitais a venda de porta retrato caiu como nunca? Ou, como nessa entrevista do Prata, onde pergunto pra ele se ele prefere... duchinha ou bidê? O meu programa podia também, ter um tema. Dependendo do entrevistado, um tema ligado a ele, bobo e essencial. Hahaha. Ia ser muito engraçado mudar de vida assim, e nossa, como eu deliro às vezes.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

franka entrevista o prata



Gente, que coisa engraçada. Ontem eu entrevistei o Mário Prata. Foi assim, de surpresa. O Fábio da Rádio USP veio com essa: que tal eu, a cronista da rádio USP, entrevistar o Prata, o cronista famosão? Afinal ele tá lançando um livro, tá super na mídia esses dias, é meu amigo e.... O que eu achava, ele perguntou? Eu tenho um problema, não consigo recusar nada, principalmente uma coisa exdrúxula como essa.
O primeiro passo foi perguntar pro Prata se eu podia. Ele topou, era pra eu encontrar com ele na livraria Cultura meia hora antes do lançamento do livro "Os viúvos". O Fábio da rádio despencou um gravador pra mim, depressinha. Foi dai que me toquei. Meu Deus. Entrevistar o Prata? E perguntar exatamente o que, dona Franka? Eu não li o livro novo dele antes, não sabia direito o que se pergunta numa entrevista, aliás, nunca fiz uma entrevista na vida. Que confuso, por onde se começa? Resolvi fazer um roteiro. Escrevi um começo com uma apresentação e umas perguntas sobre o livro, sempre disfarçando o fato de não ter lido antes, depois fiz um daqueles ping pong de perguntas bobas e resolvi falar, claro, do assunto do momento: a escalação da seleção feita pelo Dunga. Com um roteiro desses, achei que emplacaria.
Cheguei lá toda atrapalhada e me anunciei. Moço, eu vim entrevistar o Mário Prata. Sei lá, eu tava meio sem graça, mas o moço se animou e contou super alto pra todo mundo: "o Mario Prata chegou? Essa moça aqui vai entrevistar! Ein? Ele já tá ai?".
O Fábio da Rádio me explicou tudo. Como ligava o gravador, como usava. E me disse pra sugerir pro Prata pra gente ir pra um cantinho. E lá fomos nós, eu e ele pro cantinho, pra aquela entrevista íntima, de cronista franka pra cronista famosão. Hahaha. Dai eu percebi que era só conversar e mais nada. Deu super certo. Consegui que ele falasse mais bobeira que eu, os assuntos foram de futebol a cueca. Vai ao ar nessa sexta a noite, as nove, no programa Áudio Papo, USP FM 93,7. E eu tou me achando a maior Franka-Jô da rádio da paróquia.

E essa capa desse livro com essas tarjas? Nossa, o Prata me imitou?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

o meu mini-craque dos santos



Eu tenho um São Benedito, um São José e uma Santa Luzia em cima da minha geladeira. Coloco os três juntos porque tenho a maior dó de santo sozinho, sem amigo. Acontece que o meu filho João abre muito a geladeira, e toda vez que o João abre a porta da geladeira, plunct!, o São Benedito dá uma dançadinha pro lado, e toda vez que o João fecha a porta da geladeira, catablofttum!, o São Benedito... cai de lá de cima. Gozado que a Santa Luzia e o São José não caem, será que são santos mais... equilibrados? Ou menos quebrados e bambos? Não sei, só sei que meu São Benedito é um santo saltador. Bom, e como o João tem muita fome e abre muito a geladeira, o São Benedito, coitado, cai muuuito de lá de cima. E óbvio, ele se quebra sem parar, perde a cabeça, perde pedaços. Gente. Não aguento mais colar aquele santo. Ele já está, inclusive, encolhendo, ficando cada vez mais baixinho, a cabeça cada vez cola num pedaço mais abaixo, ele está é virando tipo um... mini craque. O mini craque dos Santos. O misterioso é que acho que de tanto ele cair, ele aprendeu truques. Outro dia ele deu um mortal de lá de cima (depois de um violento catabloftum de porta do João), e, acreditem, caiu de pé, entre a geladeira e o microondas. Em pé, gente, sem perder a cabeça, sem se quebrar. Mini craque total. Meu Neymar de geladeira.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

franka encantadora de cães



Ela tá muito desobediente, a nossa cachorra Sopa. Impossível controlar a pequena fera que ela virou. Não que ela ataque as pessoas, não é isso, o problema dela é o o excesso de alegria, a pulação, a lambeção, a excitação, e no final, a encheção de saco, porque ninguém aguenta um cachorro que fica em cima de você feito louco. Além disso, ela entrar em casa e não sair virou moda, ela aprendeu direitinho a brincar de pega pega e esconde esconde com a gente. O Zé até que ela obedece um pouco, já comigo ela abusa feio. Foi ai que a gente resolveu chamar um treinador.
O cara passou a vir aqui em casa e ensinar a cachorra. O cara é bom, precisa ver como a Sopa obedece as ordens dele. Quando ela tá com ele, ela fica inteligente e super comportada. Senta, fica, deita, cumprimenta, roda, dança, sei lá. Uma santa. Mas o problema é que ela passou a ser obediente só com ele, o que não adianta nada. Reclamei.
- Ela tem que me obedecer, ô treinador, não obedecer você, que nem mora aqui e nem é dono dela, pô.
- Calma - ele disse - para ela te obedecer você tem que ser líder dela. E para isso, eu vou treinar você. Esse é o próximo passo.
- Você vai o que? Me treinar?
- É.
E foi assim que eu sai no sábado com o treinador para ser... treinada. É, isso nunca tinha me passado pela cabeça, essa coisa de ser treinada por um treinador de cães. Ele me explicou como eu tenho que fazer para ser a líder dela, lá do jeito que se ensinam os cães, eu fui obedecendo direitinho as ordens dele, tim tim por tim tim. A todo momento eu pensava que ia voltar pra casa e declarar pra todos que aprendi a sentar, deitar, cumprimentar, rodar e dançar, igualzinha à Sopa e até melhor que ela. Hahaha. Franka, super adestrada. Foram duas horas de aula, eu, ele e claro, a Sopa. Mas a melhora foi pequena, acho que preciso de mais aulas.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

minha vida embaçada



É o tipo da coisa que dá a maio tristeza quando começa a acontecer, essa coisa da gente começar a enxergar tudo embaçado. Sem nitidez. Tenho uma amiga que fala que isso é bom, que a natureza é sábia, porque na nossa idade a gente começa a ter rugas, e não é muito bom enxergar bem a cara uma da outra.
- Você acha que estou velha, enrugada? - pergunta a amiga 1, sem óculos.
- Não, imagina, você está ótima, não tem ruga nenhuma! - responde a amiga 2, sem óculos - e eu?
- Você não tem ruga nenhuma também, fica fria.
Duas ceguetas. Hahaha.
Outra coisa ótima pra disfarçar ruga é foto de celular. Ô coisa boa celular tirar foto ruim, porque todo mundo fica fora de foco e, claro, com cara de mocinha total. Mas voltando ao assunto da visão, desde que ando vendo tudo embaçado tenho relutado pra burro pra usar óculos. Nunca usei, me acho super bete-a-feia e tento não colocar. E descobri outro dia um acessório sensacional pra os humanos embaçados como eu: as lanterninhas.
A primeira que ganhei é o máximo. Um lanterninha com tamanho de caneta, com um lampadinha de led que faz um foco redondinho. A luz é uma bolinha, parece um mini-holofote, e funciona que é uma maravilha pra ler jornal, revista e cardápio de restaurante. Desde então, passei a colecionar lanterninhas, já tenho 3. O lance agora pra mim são essas lanternas chaveiro, que ficam acopladas na chave, e que servem também para te ajudar a achar o buraquinho da chave do carro. Tenho uma modernérrima, que dá até pra pendurar no pescoço. Por enquando elas ainda funcionam pra me ajudar a enxergar, depois sei lá.

domingo, 2 de maio de 2010

é legal ou chato colocar festa no facebook?



Atenção, gente. A gente tem que tomar o maior cuidado, não pode sair colocando foto e marcando pessoas no facebook assim sem mais nem menos. Achei que não tinha problema nenhum, e que as pessoas que tão no facebook estavam lá justamente porque queriam aparecer nas fotos dos outros no facebook, mas nananinanão. É um putis perigo. Eu fui num jantar, e no meio da festa, eu lá toda animada com meu telefoninho tirando fotos e fazendo tim-tim, tim-tim, tim-tim (eu achei um barulho de "clic' de foto no celular que é um barulho de um brinde e que é demais), quando fui avisada pelo dono da casa:
- Ô Franka, quer tirar foto tira, mas nada de facebook, ein?
- Hã? Nada de colocar um jantar com amigos no facebook? Como assim?
Foi um balde de água fria. Me deu a maior tristeza, mas ele deu a explicação. Disse que essa coisa de colocar foto de festa e jantar no facebook dá muito problema, pois as outras pessoas, os outros amigos que você tem no facebook que não foram na festa vêem que você deu uma festa e que não convidou eles. E que isso gera um monte de reclamação, "pô, que coisa Fulano, deu um jantar de novo e não me chamou?", "pô, foi seu aniversário, tava legal eu vi, não lembrou de mim?", "pô, você sabe que adoro vatapá e não me convidou?" ou apenas "pô!". Ele explicou que essas pessoas ficam tristes pra caramba, ele não pode convidar os trocentos amigos pra jantar, então não gosta de colocar nada no facebook. Ele disse que tem gente que deve estar quase se suicidando de tanto que não é convidado. Tudo culpa do facebook. E arrematou que ele é legal com os amigos dele do facebook e que não fica exibindo festa que ele deu. Nossa, foi a maior lição de moral virtual.
Eu confessei que nunca tinha pensado nisso, e confessei também que já fiquei meio enciumadinha de ver foto de jantar ou festa de gente que não me chamou. Dai tive a idéia de tarjar as pessoas, mas ele falou que era bobeira. Argumentei que aquelas eram fotos de pessoas felizes e que a gente deve sim colocar fotos de felicidade, que isso traz energia super boa, mas ele não mudou de idéia. E nessa hora todo mundo que tava no jantar começou a ouvir a nossa conversa e começou a maior discussão. Uns ficaram indignados, "como assim, a Franka não pode pôr essas fotos no facebook? Porque?", outros concordaram que era chatérrimo gente que fica exibindo sua felicidade e uns outros, que não tinham facebook, ficaram boiando total. Bom, resumindo, o jantar foi super legal mas não foi pro facebook porque eu não queria era perder o amigo dono do jantar, continuei no tim-tim, mandei as fotos pelo email e acho que post no blog eu posso colocar, afinal ninguém sabe de quem tou falando. Fica ai a dúvida. É chato ou não?

sexta-feira, 30 de abril de 2010

uma coisa a se pensar...



Fica esse monte de gente entrando e se inscrevendo no facebook, e eu tou vendo tudo: daqui a pouco vai ter gente que vai começar a morrer e dai eu quero ver como vai ser. A pergunta é: gente, como avisar o facebook que você morreu? Será que alguém pensou nisso? Porque o facebook, se não souber de nada, vai ficar sugerindo que um monte de gente te adicione e tal. Mas se você morreu você não vai poder adicionar ninguém, e dai o facebook vai avisar naquela janela da direita que você está 10% inativo, depois 20% inativo, depois 30%, 40%, ... 90%, não é? E será que a inatividade no facebook chega a 100%? E será que nessa hora ele percebe que você morreu? Acho que não, porque tem gente que apenas enche o saco de tanta vida social virtual. Eu sei que tou falando um absurdo, mas isso me veio a cabeça: não é esquisito a pessoa morrer na vida real mas continuar viva no facebook como se nada tivesse acontecido? Sei lá, isso deve dar até uma energia ruim pros nossos espíritos, pensa, eles não vão totalmente embora porque o facebook fica puxando o cara pra terra, meio horrível isso. Isso fora as pessoas que vão falar mal de você, que não responde, que não aceita amizade e tal. Então pensei que o facebook devia obrigar a gente a nomear uns amigos "coveiros", que depois que você morresse poderiam entrar no seu face e colocar um tipo de tumuluzinho lá, pra todo mundo ver que você morreu, e quem sabe até fazer homenagens póstumas, escrever frases lindas, te desejar boa morte e tal. Esses amigos coveiros podiam, inclusive, ganhar os amigos da pessoa que morreu, seria um bom pagamento pra o trabalho. Ah. Sei lá como resolver. Mas que essa é uma boa questão pra gente pensar, ah, isso é.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

ká limo



Outro dia fiquei matutando sobre carros. A gente sempre é obrigado a comprar um carro inteiro. A parte de fora, o motor, a parte de dentro. Ninguém reclama de comprar tudo de uma vez, e claro, eles colocam tanto coisa nesse produto que carro custa super caro. A gente só tem a opção de comprar carro velho (barato) ou novo (caro). Não existe a opção de comprar um carro só com a parte de fora e o motor pra economizar. Casa ou apartamento você pode comprar vazio e depois montar a parte de dentro como quiser. Não entendo porque no mundo dos carros você não pode fazer isso. É sempre obrigado a levar aquele monte de poltrona e banco, tem gente que nunca usou o banco de trás. Puta desperdício.
Imagina que legal. Você vai e compra um carro. Escolhe o modelo de fora, escolhe o motor. O carro vem com um banco básico, uma direção e um painél básicos, para você levar ele para casa. Dai você monta o resto como quiser, do jeito que precisar. Por exemplo, se você é sozinho, pode ter uma poltrona só, se quer carregar coisas, faz um portamalão, se prefere sofá ao invés de poltrona, manda bala. Se tem cachorro, faz casinha atrás, se tem filhos pequenos, faz um cômodo infantil. Você também poderia fazer do seu jeito. Escolher o estofamento, pintar o lado de dentro como quiser, escolher a luminária. Cada um poderia inventar o tivesse vontade. Pros decoradores era uma mão na roda, iam chover clientes novos. Assim um cara que tivesse, por exemplo, um Corsa ou um Ká, podia ter um interior de limousine. Se você pensar bem, se tirar os bancos de trás e o porta malas, daria pra colocar o maior poltronão, geladeirinha, televisão, paredes de painéis de couro, tapetes persinhas no chão. Ia ser super o máximo. Só vejo vantagens nessa idéia, só não sei com quem eu falo pra mudar esse mercado.

terça-feira, 27 de abril de 2010

remediar não é melhor que prevenir?



Hoje em dia tem essa coisa super chata da medicina preventiva. Você tá ótimo, não tem nada, não sente nada mas tem que pagar aquele mico enorme e passar horas no laboratório fazendo setecentos exames todo ano. A partir de certa idade eles te mandam fazer exames de seis em seis meses. Ixi. Olha como eu falei. "Eles". "Eles" são os médicos e eu, falando assim, parece que tou com mania de perseguição. Os meus exames desse ano eu tou adiando, adiando, mas sei que não vou conseguir cair fora. E que "eles" vão achar um monte de problema, ai que saco. O que eu não entendo é porque ainda não existe, além dessa coisa medicina preventiva, a terapia preventiva ou sei lá, psicanálise preventiva. Tipo um exame, você ia no cara todo ano e ele avaliava sua cabeça, suas emoções, atitudes e... nossa... Já imaginou que caos que ia ser? Se um dia inventarem isso, nossa, ia ser um transtorno nas nossas vidas... E pensando bem, com toda certeza muitos dos meus amigos e conhecidos, que estão ótimos hoje com seus excessos de alegrias, encontros, álcool e etecéteras, provavelmente seriam todos... internados imediatamente. Hahaha. Comentei isso com amigos, eles concordaram e arremataram que já eu iria diretamente da sala do psicólogo pro... eletrochoque. Socorro.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

conta, franka!



As pessoas tão acostumadas a me ler. Mas olha que engraçado que fica eu falando a crônica que eu escrevi na rádio, com a minha voz. Clica aqui. É o programa da semana passada. Tentei ao máximo apenas contar a história. Não "ler". Contar é diferente de ler. Acho que no rádio a gente deve contar, e aqui, escrever. Dai tive uma outra idéia que falei pra o Fábio, da Rádio USP. Num dos programas anteriores, ele colocou umas musiquinhas no final. Achei legal aqui, e perguntei se podia sempre ter uma musiquinha no fim e se eu podia escolher a música. Ele topou, e nessa crônica, que eu falo da caixa postal dos celulares, escolhi a música "Please Mr. Postman", dos Carpenters. Hahaha.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Maca Hara Ninja



Estava no caixa do super, passando as compras quando olhei a tela onde aparece o nome das coisas que eu comprei. A moça passando super rápido tudo, formando aquela montanha, pois o empacotador não dava conta. Não é sempre que existe sintonia entre a caixa e o empacotador. Como tudo na vida.
- Moça. Peraí.
Ela parou de passar os produtos.
- Pois não.
- Que é isso que eu comprei ai?
Ela olhou a tela, estranhando.
- Hã?
- Olha o que tá escrito. Macahara. O que é Macahara? Eu comprei uma ou um Macahara?
- Macarara?
- É, olha. Na verdade, é Maca-Hara. São dois nomes, moça.
Ela olhou para as compras ao redor dela, tentando lembrar o que era.
- Parece nome de agente secreta. Tipo a Mata Hari. Que estranho.
- Ah, é a maçã, senhora. Maçã Hara. O computador não coloca til e cedilha.
- Ah, essa maça tem sobrenome?
- Essa tem - ela explicou - tem muita fruta e verdura que tem nome e sobrenome. Como Laranja Lima, Laranja Pêra, Banana Maçã...
- Ah, entendi. São tipo as famílias, é isso?
- É. E a senhora comprou a Maçã Hara. Da família Hara.
- Ah, legal.
Ela ficou atenta, e logo em seguida me mostrou a tela de novo.
- E olha isso, senhora. A senhora também está comprando o Brócolis Ninja.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

controlinho toutichi?



Eu apertava, apertava, apertava sem parar o botão e o controle remoto não abria o portão de jeito nenhum. O carro parado ali no meio, atrapalhando os outros, e nada do portão abrir. Consegui entrar no prédio graças à caridade de outro condômino, e na saída fui falar com o porteiro. Um senhor de óculos, muito sério.
- Oi moço, o senhor pode abrir pra mim? Meu controle não abre. Na hora que cheguei, tentei um monte e não abriu. Acho que acabou a pilha.
- Deixeuver - ele disse, apertando o botão - está funcionando sim, dona Lúcia - declarou, categórico.
- Não está não senhor, o portão não abriu.
- Está sim senhora, olha, a luz acende. Se não tivesse pilha, não acendia. Vamos lá no portão testar - ele resolveu, saindo da guarita.
Ele foi na frente, todo exibido. Olhou o portão e apontou. "Tic", ele fez. E bastou um "tic" dele que o portão abriu.
- Viu? Tá funcionando, dona.
- Nossa, eu tentei tanto...
- É que a gente é da época do botão, dona Lúcia.
- Como assim?
- A gente aprendeu a apertar botão, apertar com força. E com força não funciona hoje em dia. A gente não entende toutichi, por exemplo, dona Lúcia.
- A gente não entende do que?
- Tou-ti-chii - ele disse bem alto - essas coisas de agora, que tem que apertar devarziiinho... de levinho... só encostando...
- Hã?
- Agora é tudo toutichi, tuuudo toutichi... a senhora veja que coisa. Máquina de retrato, celular, controle remoto. A senhora tem que aprender a não apertar muito. As coisas mudaram. Tem que ser bem de leviiinho... tou-ti-chi.
Putis. Depois de uma filosofia de faxineira, ensinamento de porteiro? Genial. O cara tem toda razão. Antigamente a gente girava botão, mexia para cima para baixo, discava telefone de disco redondo, e depois veio a inovação: o botão. As pessoas da minha geração aprenderam a apertar botão. E com força. Putis, e agora aprender o toutichi não é mole.
Desci na garagem, peguei o carro e... tic. Abriu.

domingo, 4 de abril de 2010

filosofia de faxina




- Lúcia, filha, foi você que me ligou ontem de manhã?
- Foi mãe. Mas ninguém atendeu na sua casa.
- Ah, eu sei. Eu tava no clube. A Tereza, minha faxineira, estava em casa, mas essa Tereza... ela não atende telefone.
- Ela não atende? Porque?
- Eu chego em casa e pergunto "Tereza, alguém ligou?". E ela responde "o telefone tocou duas vezes", ou "o telefone tocou cinco vezes". Mas atender, neca.
- Ué. Que faxineira estranha.
- Não é estranha não. Ela tem toda razão. Um dia eu reclamei, e ela falou "dona Hebe, os telefonemas não são pra senhora? Se a senhora não está, pra que eu vou atender? A senhora não está, ué. Se a senhora quiser eu atendo e falo que a senhora não está, mas tá na cara que se ninguém atende, a senhora não está". Entendeu, filha?
- Hã? Mais ou menos, mãe.
Hahaha.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

os mini games dos garçons


Se esse negócio que eles inventaram, de comanda eletrônica pra garçom, era pra agilizar o serviço do restaurante, desculpa mas não certo. É o mesmo que dar um monte de mini-game pra quem tem que trabalhar, pô.
- Moço, algum problema?
- Hã?
- Você tá me ouvindo, moço? - perguntei pro garçom que estava parado feito um zumbi do lado da nossa mesa, compenetrado no aparelhinho, uns dez minutos depois que fizemos o pedido.
- Um minuto, senhora.
- Algum problema com o nosso pedido, moço?
- É que eu errei o código do macarrão, tenho que deletar... pronto, consegui. Além disso eu não sei o código do espeto misto, tenho que procurar um por um. Ainda não decorei tudo. Peraí.
Eu começei a implicar.
- Zé, será que esse homem não pode fazer isso lá dentro? Tem que ficar aqui do nosso lado, plantado feito um poste, jogando esse joguinho e ouvindo nossa conversa?
- Sei lá, Lú, não tou entendendo nada, será que ele errou muito na hora de clicar? - cochichou o Zé.
- Ele nem me ouve, deve estar perdendo o jogo total. Viu que ele fala como nossos filhos falam quando eles estão no videogame e a gente chama pra almoçar? "Péra, toiiino!"
- "Toíiino", é, é isso mesmo. E a gente chama, chama e eles não vem. Idêntico ao garçom.
- Isso tá super "toiiino", Zé, que saco.
Qual o problema do bloquinho de papel? No restaurante aqui do lado de casa, a gente chegava, fazia o pedido e os garçons, depois que escreviam rapidinho no bloquinho, conversavam com a gente, faziam gracinhas, jogavam conversa fora. Ai veio a comanda eletrônica, eles dizem que fazem treinamento e tal, mas que nada. Demoram horas e horas para lembrar o código da coca-cola, do bife, do hamburguer, erram, apagam, deletam, e se perdem todos para adicionar limão e gelo. Olha só. Não é tudo que é moderno que funciona, vamos considerar, vai. Um cara que nunca jogou um joguinho não vai conseguir nunca ser campeão. Esse negócio de comanda eletrônica, pra mim, é uma das maiores asnices do mundo moderno.
- Conseguiu, moço? A gente tá com fome...