sexta-feira, 22 de agosto de 2008

um post pro senzala


Tem essa coisa de restaurante. De vez em quando vou nuns restaurantes modernos, cheios de frufru, todos empanados. Daqueles onde a comida é super complicada e você precisa entender onde vai se meter. Fica horas analisando o cardápio, desconfiado. Será que escolhe carneiro com farofa de lichia ou salmão com molho de kiwi e arroz sabor goiaba? Céus. Nesses restaurantes eu sempre pulo uns pratos complicados, nunca sei o que é confit, por exemplo. Nesses lugares também as comidas são mínimas e dá até dó de estragar a decoração. "É meu esse prato? Eu que pedi isso? Que lindo, posso levar para casa?". Sinceramente, confesso que vou nesses restaurantes, mas não gosto. Gosto de restaurante com cara de restaurante e comida de restaurante. Acho que toda familia precisa ter um restaurante de família, um lugar que apenas substitua a comida da casa da gente. A nossa família conseguiu eleger dois restaurantes assim, onde apenas se come. Um é a pizzaria do Clube Pinheiros, onde a gente vai domingo a noite e é baratíssimo. Mesas, garçons, famílias e pizzas. Só. O outro é o Senzala velho, ali na praça Panamericana. A gente adora ir no Senzala velho e eu resolvi até fazer um post pro restaurante, porque eu e minha família estamos morrendo de medo do Senzala velho resolver virar Senzala novo e o único restaurante legal perto da nossa casa acabar. Gente, é sensacional. Lá no Senzala velho tem feijoada no sábado, tem um churrasco super bom, tem casquinha de siri, estrogonofe, lasanha, risoto de bacalhau. Tem comidas normais, é surpreendente. Domingo passado eu e o Zé resolvemos estrondar e pedimos camarão à grega. Gente, eles tem camarão à grega, dá pra acreditar? E camarão a grega dá água na boca, com camarões empanados, arroz a grega e batatinha palha. Mas o Senzala velho é velho, a iluminação é horrivel, a decoração idem, e tou vendo a hora que o dono do Senzala velho vai querer modernizar e inventar outro lugar com outras comidas. O que seria, realmente, uma pena.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

plá, pá, plof, pá, plá


Aconteceu antes de ontem. Fim de tarde, eu e a M. aqui no escritório. Eu fico separada dela por um biombo de vidro com uma persianinha, mas aqui o espaço é pequeno, uma salinha apenas, e aquele biombo não divide é nada, estamos praticamente juntas e coladas. Era fim da tarde e aqui em São Paulo está o maior calor, quando de repente ela dá um berro altíssimo, estrondoso, eu quase caio da cadeira. Antes que eu possa entender qualquer coisa, ela dá um pulo da mesa, corre para os interruptores e apaga todas as luzes. Ficamos iluminadas somente pelas telas do computadores. Logo em seguida, eu ainda muda e estatelada sem saber o que se passava, ela pega um pano de chão no banheirinho e começa a bater nas paredes, nas mesas, nos armários, dando uns berros desesperados, feito um espanador de pó com TPM. "Aiii, eles estão entrando", ela grita, "aiiii!". Imediatamente ela corre, fecha as janelas com força e reinicia a dança estrambótica com o pano, desta vez batendo nos vidros e falando algo como "sai, sai, sai", sendo que, com tudo fechado, no escuro e apanhando daquele modo, era impossível qualquer coisa sair viva dali.
- M.? Tudo bem? - Arrisquei, pensando se deveria fugir dali ou dela.
- Os malditos mosquitos de luz! São cupins, olha quantos, quantos, quantos! Entraram!
Pá, pá, plonc, plá, ela batia com fúria, plá, pá, clenqui.
- Ai, virei o copo de suco. Droga!
Olhei a redor, mas estava escuro e não vi nada. Mosquitos? Cadê? Percebi uma coisinha voando diante da minha tela. Um mosquitinho daqueles de asa grande, que ficam nos postes. Só haviam duas luzes no escritório, a dos micros, e claro que eles iam ficar ali na frente. Tive medo dela espancar meu laptop e resolvi não me mexer. Foi quando aconteceu uma coisa engraçada que só acontece quando você está em dois. Acho que se eu estivesse em casa, sozinha, eu ia me incomodar muito com aqueles mosquitos. Não gosto muito de insetos em geral. Mas ali, diante do desespero dela, eu mudei de personalidade no mesmo momento. Fiquei corajosa e valente. "Ora que bobagem. Uns mosquitinhos de luz, M. Já vão embora, esqueça, que exagero", eu disse, impassível, destemida e dando de ombros. Juro, naquele momento eu era capaz de aguentar uma nuvem de mosquitos, abelhas e moscas sobre meu corpo e até sorrir. Virei "aquela que não liga pros insetos". É, em dois sempre tem essa coisa meio yin-yan. E ela passou a me olhar com admiração enquanto batia a esmo nas paredes, exterminando até os fantasmas dos poucos mosquitos.
- Sério que você não se incomoda, Lúcia? Nossa.
Ponto pra mim. Respirei fundo, confiante, cheia de mosquitos ao redor
Ontem quando eram cinco horas ela fechou tudo e ligou o ar condicionado.
Eu fingi que não vi.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

gordinhos


Às vezes eu penso o que realmente faz uma pessoa casar com a outra e dar certo o casamento. Acho que são as compatibilidades com umas coisas mínimas, inúteis e sem muito nexo. Eu e o Zé combinamos em algumas coisas bem estranhas, mas acho que são justamente essas coisas que são a salvação para a gente não brigar. Porque casal briga muito, não adianta ir contra a natureza humana. O mais importante para se continuar casado é diminuir as brigas e aumentar as risadas. Só isso.
A gente combina em coisas bastantes esdrúxulas. A gente não liga de ficar bagunça na cozinha. Não liga de encontrar uma pilha de sapato, havaiana e tênis dos filhos embolados no hall. A gente não liga dos nossos filhos trazerem quinze amigos em casa de repente. A gente não liga também de ficar o dia todo em casa sem fazer nada. A gente gosta de ver programa idiota, como "Troca de família", que passa na Record no domingo a uma da tarde (recomendamos). A gente não vê novela, mas nunca perdemos o Big Brother. A gente não liga quando quebra um vaso ou um pirex. A gente não liga quando não tem botão na nossa roupa. A gente sempre esquece de pagar as contas e paga com multa. Perdemos toda hora a chave do carro e de casa. A gente fala mal das mesmas pessoas. A gente fala bem das mesmas pessoas. A gente ri de coisa muito boba. E, tanto eu quanto ele, a gente quase nunca lava o carro. É muito raro a gente lavar o carro.
Não é que a gente é porco. Tem gente que acha que o carro é meio a extensão da casa, e que se a casa está limpa o carro também tem que estar. Concordo, mas não consigo. Entro e saio do carro rápido demais, e quando saio esqueço completamente dele. O meu carro é mais limpo por dentro que o do Zé, que tem muito lixo dentro, porque ele é super comilão. O meu tem cinzinhas de cigarro porque eu voltei a fumar. Sempre tem embalagem e papel de bala nos dois. Mas às vezes, muito as vezes, acontece da gente lavar. Foi o que houve nesse final de semana, quando o Zé, orgulhoso, me mostrou o carro dele.
- Olha que limpo. Parece um espelho.
- Olha só a gente refletido no seu carro, Zé.
- Gordinhos. Tira um foto da gente gordo assim, Lú.
- Toutirando.
- Não deixa ver que é reflexo da gente no carro. Tira o carro, deixa só o reflexo da gente.
- Tá.
- Ficou bom?
- Ficamos gordinhos, Zé.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

o dentista gato e o médico quente

Semana passada chegou um e-mail do grupo de fofocas daqui prédio onde eu trabalho. Um dos condôminos daqui disse que tinha doado imãs de palavras para o nosso painel de avisos, e que as pessoas deveriam ir lá e olhar. Achei super curioso uma pessoa ter essa idéia estapafúrdia, viabilizar e até avisar os vizinhos a respeito, como se aquilo fosse a maior invenção da paróquia. Primeiro porque a idéia vai contra a utilidade do painel: ora, um painel de avisos é para colocar avisos, não para ficar brincando com ele.
Mas parece que as pessoas gostaram, pois o cara que deu o presente recebeu um monte de respostas de vizinhos elogiando a iniciativa dele de dar as palavras. Algumas mulheres disseram até que iam "visitar" o painel de letrinhas. Visitar!
Na primeira semana já deu briga: uma psicóloga queria colocar seu folder e não tinha lugar. Ela começou a empurrar as palavras, alguém não deixou, o gerente-concierge foi chamado para resolver o caso.
Foi quando, outro dia, desci com a M. para tomar café e fomos olhar as tais "palavras-imãs" do famoso painel. Alguém já tinha se aventurado e feito algumas frases meio sem nexo, um outro vizinho fez um monte de poesias concretas muito concretas. Foi quando eu e a M. olhamos para o lado, vimos que não vinha ninguém, fizemos umas frases ridículas e saimos correndo:
"A empregada toma cerveja no forno".
"O dentista gato tira a roupa para o médico quente".
Eu sei que nossas frases foram muito idiotas, mas achei essa idéia do painel de palavrinhas uma coisa pra lá de idiota também. Um monte de médicos e adultos mexendo as letrinhas num painel que era para ser de avisos? Pra que? E incrível como a nossa frase do dentista gato e gay tem feito sucesso. Já ouvimos muitas gargalhadas.

ecos de bê no bê com saruê


Estou acostumada a ver a banda do Caio tocar. E tou acostumada a ver a desenhar. As duas coisas juntas eu nunca tinha visto. Foi bem legal. Muito mesmo. Combinou. Teve a ver. O bar tem um palquinho onde a banda toca. Atrás do palco a Bê montou uma tela e as imagens eram projetadas de acordo com a música da Banda Saruê. Estava lotado, e a Bê reservou a melhor mesa, a que fica em frente ao palco, para os amigos. Não coube, claro, mas era legal ficar em pé porque dava para dançar. Ficamos até altas horas da madrugada. Muitos blogueiros. Fui vestida de Franka, e por isso fui muito reconhecida e aclamada. Fãs. Como no local haviam diversos Carecas, eu analisei um a um para saber quem era o verdadeiro. Acho que é o saxofonista que está na filmagem do blog da Bê. Cliquem aqui para ver um iutube muito legal da banda Saurê e da vernissage da projeção da Bê que a MJ fez. Ê, ê, ê. Quanto acento circunflexo para um evento.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

bê no bê


Foi uma coisa que ela inventou, a Silvia . Fazer uma projeção dos desenhos dela durante a apresentação da banda do Caio, meu cunhado e autor da imagem da Frankinha. Deu certo. E então amanhã a "Saruê Jazz Quartet" estará se apresentando no Bar B (achei incrível esse nome que o Caio inventou pra banda) e a Bê vai projetar os desenhos dela nas paredes e na tela do Bar. Vai ser super legal. Ela me explicou que os desenhos vão dançar conforme a música, uma coisa super moderna cibernética internética escalafobética lisérgica e muito super pink floyd, muito além de uma reles apresentação de slides. Além disso, essa é uma grande oportunidade de vocês conhecerem todo mundo sem tarja e ao vivo, Franka, Bê, a irmã da Franka, o Caio cunhado, a banda o Caio com Marcelo, Rafael e o Beto, a lúcia carvalho, o Zé... Programa imperdível e super moderno.

onde está Franka?


Prévia da Franka na projeção dos desenhos da bê no Bar b., amanhã, sábado, 10 horas da noite.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

leia jornal, franka, leia jornal

Recebo todo dia em casa dois jornais, o Estadão e a Folha. Assinamos os dois desde a época do vestibular do meu filho Chico, pois achamos que era importante ele ler jornais diferentes. Tentei agora des-assinar algum deles, mas o Chico foi contra, uma vez que é hora do vestibular da Nana e ele acha que ela tem que ler também. Mas a Nana não lê nenhum dos dois, apesar de todo mundo falar para ela que é importante. E eu, de uns tempos pra cá também tenho lido pouquíssimo, e tento entender porque.
O meu problema é a bagunça que tem ficado aquilo. O Zé, o Chico e o João acordam antes de mim, e quando desço para tomar café, todos os jornais estão todos embolados numa cadeira. Não gosto ler jornal embolado, e, além disso, eles conseguem misturar todos os cadernos dos dois num embaralhado tão legal, mas tão legal que não tenho mais a menor idéia do que é Folha e o que é Estadão.
Não sei como se divide jornal em família. Sei que é meio inevitável, para quem lê um jornal, fazê-lo voltar para o formato original. Jornais sempre amassam, dobram nuns pedaços e despencam no chão, pois não tem grampinho. E se uma pessoa já faz uma bagunça com um jornal, imagine numa família com dois jornais. Os meus jornais de manhã parecem um doce de mil-folhas cheio de farelos de pão dentro.
Os Caderno Dois e Ilustrada nem se fala. O Zé, um fã incondicional de palavras cruzadas, consegue dobrar os dois cadernos de um tal modo que eles se tornam uma tabuinha com a palavra cruzada em cima. Assim ele tem apoio para escrever. Para o Zé, a palavra cruzada é a parte mais legal do jornal. Ele tem setecentas teorias sobre elas. Hoje, por exemplo, sexta, ele quase desistiu: "sexta é difícil demais, o cara que faz a da sexta é terrível".
E o pior dos meus problemas com o jornal é que eu quase não enxergo mais sem óculos de manhã. E sempre largo meus óculos no escritório. Leio as manchetes, o resto embaralha no amarfanhado dos papéis. Quando será que vão inventar um jornal full-hd-LSD?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

cheio de graça


- O que você está cantando ai, João?
- Nada, mãe.
- Eu ouvi uma parte.
- Ouviu?
- Ouvi e não gostei.
- Não pode cantar isso? Foi meu amigo que começou. Ele que cantou sem querer hoje na escola e a música ficou na minha cabeça.
- Mas João, meu filho, não se deve misturar uma música com uma reza.
- Mãe, ouve a letra da música:"olha que coisa mais linda, mais cheia de graça...". Não consigo mais cantar a frase "cheia de graça" sem emendar com "senhor é convosco, bendita..."
- João, que absurdo, pára já com isso.
- Sabia que dá pra cantar a reza toda dentro da música? Cabe direitinho.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

as roupinhas dos caras da natação


Pra mim, que fui mãe da época dos Power Rangers, impossível não comparar as roupas daqueles meninos da natação com os uniforminhos dos heróis. O mais engraçado é que todos esses meninos da natação tem quase a mesma idade dos meus filhos, e obviamente brincavam de Power Rangers quando eram meninos. E lembro que em casa o preto era sempre o campeão, o mais disputado, motivo de brigas homéricas. Power Phelps, síndrome de Power Ranger.

caminhe, laura, caminhe

soucarioca.gif picture by lauradiz


A Laura, do Caminhar, escreveu um belo post outro dia sobre os blogs. Ela disse que está cheia de ouvir essa coisa que todo mundo fala que os blogs estão morrendo. Concordo com ela. Eu não estou morrendo, alguém aqui está morrendo? Estamos é melhorando a cada dia. Já disse uma vez há anos. Um blog é um outro tipo de casa da gente. Casas virtuais. Tem a nossa cara, o nosso modo de agir, a nossa decoração. Tem blogs mega chiques e blogs super rips. Tem blog de paulista, blog de gaúcho, blog de americano, blog de carioca. A Laura fica assim lá na casa dela, balançando as perninhas e lembrando do tempo que ela morava no Rio. Acho a maior graça nas coisas que as pessoas colocam nos blogs. Ela tem orgulho de ser carioca e orgulho de ser blogueira. O resto não importa.

domingo, 10 de agosto de 2008

as olimpíadas esquisitas da franka


Sentei no sofá na sexta feira empolgadíssima com a TVLSD e com as olimpíadas. Escolhi um canal HD de esportes. Achei uma imagem parada, apenas uma músiquinha chinesa ao fundo. Em alguns minutos a câmera passou a focar um campo de areia com uma linha no meio. Tudo ainda estava em silêncio, transmissão ao vivo sem narrador, julguei. Não sabia o que iria acontecer até que entra uma moça num cavalo, e o apresentador fala em chinês e em inglês alguma coisa. Hipismo, entendi, mas onde estavam os obstáculos? Conclui que era outro tipo de prova hípica. Não entendo nada de hipismo, caramba. A moça usava uma cartola e roupa de gala. Hã? Anda de cá para lá, não entendo do que se trata, ela sai e aparece outro competidor. Desta vez era homem meio gordo e mais velho. Conclui que a prova não tinha restrição de sexo ou de idade. Ele faz o mesmo percurso enigmático, sem correr e sem pular nada. Santo Deus, que esporte era aquele? Não estava entendendo patavina e resolvi descobrir sozinha. Assim, digo a vocês onde cheguei: primeiro vi que o cavalo tinha que andar numa linha. Depois o cavalo tinha que andar de lado mas em linha reta. Depois andar do outro lado e ainda em linha reta. Depois andar de cabeça abaixada, depois dar uma corridinha, depois fazer um trotinho. Todo mundo muito chique de cartola, todos os cavalos muito chiques com um penteado. Esporte mais esquisito, sem restrição de sexo, sem restrição de idade ou peso. Quem inventou aquilo? Dois brasileiros concorriam, não consegui julgar se eram bons. Até que entrou uma moça toda pirilampa. O cavalo dela andou retinho na linha, e, quando trotou, pulou a linha como se dançasse ballet. Como ela foi super aplaudida, entendi que aquele era o lance. Andar na linha e pular a linha com graça. Fiquei até meia noite vendo aquilo, pasma. Que esporte era aquele e que maluquice levar aqueles cavalos para a China, gente. Coitados, não tem a menor idéia de onde foram parar, os cavalos. Sábado fui procurar na internet o que era aquilo, uma vez que a TV não explicou nada. Adestramento. Fiquei na mesma. Esporte esquisito, mas o meu predileto até agora. Hahaha.

sábado, 9 de agosto de 2008

o quadradinho do careca


O grande blogueiro Careca escreveu post onde ele fala de mim. No post ele cita três blogs que ele lê, um deles o "frankamente...". Eu já escrevi um post todo pra ele uma vez, pois achei que ele era super engraçado e que escrevia super bem. Nesse post do Careca, de antes de antes de ontem, ele primeiro ele elogia, um blá, blá, blá super legal que me deixou super emocionada, depois fala o seguinte (e notem só que atrevido que é o cara!):

"Uma das coisas mais engraçadas da Franka é sua idolatria ao Mário Prata. Ela gosta tanto do Prata que colocou uma foto dele no blog. O grande cronista também é fã da Lúcia e fez algumas crônicas a partir do que ela escreveu. Mas não botou foto da Lúcia."

Hahaha. Olha aqui, gente. Se a gente analisar bem esse texto do Careca, é fácil concluir que ele está com-ple-ta-men-te enciumado com a foto do Mário Prata aqui do lado. Uma não, duas fotos. Eu conheço gente enciumada. Acho que se eu fosse ele eu também ficava, porque também sou meio ciumenta. Mas o Careca, um cara destemido que não tem medo do Prata, resolveu enfrentá-lo, dizendo pra quem quiser ouvir que ele não colocou foto minha no site dele. Então chega de briga. Resolvi fazer um quadradinho igualzinho pro grande Careca. E vou colocar o Careca em cima do Prata, pra mostrar para ele que ele é mais importante. Ele escreve tão bem quanto. E como de hoje em diante eu vou modificar o meu modo de vida e só vou gostar de quem gosta de mim, ó Careca, ó ali você, com link direto pro teu post.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

absurdo


Fiquei em pânico com isso e até agora não me conformo. No meio da apresentação da olimpíada hoje de manhã, quando os homens acesos se colocaram em posição de pirâmide (sei lá por que), apareceu do nada uma pobre menininha voando, pendurada em dois fiozinhos e toda feliz da vida. Que coisa assustadora, meu Deus. Ela não tinha idéia do perigo que corria. Uma criança sozinha lá em cima, pendurada naqueles fiozinhos não pode. Que mãe desnaturada é essa que deixa a filha parar naquele lugar? Louca!

chão de TV?


Não aguentei e fiquei em casa vendo a abertura das Olimpíadas em LSD. Eu e o Zé, já prontos para sair para trabalhar, estacamos e paramos imóveis na frente da TV, bolsa a tiracolo, chave do carro na mão.
- Nossa, Lú.
- Nossa, Zé.
- Não dá pra saber se isso é real ou não. O que é truque e o que não é.
- A coisa mais impressionante que eu já vi, Zé. Esses truques são um tipo de enganação, mas enganar 90 mil pessoas. Que coragem.
- E essa música chinesa. Dá medo. É fantástico e demoníaco.
- Esse monte de homens e menininhas voando. Esse mundo que subiu do nada com essa gente rodando de ponta cabeça. Esses seiscentos discípulos de Confúcio, Zé. Homens acesos. Aquela cachoeira no teto. Meu Deus. Esse chão de TV, como eles andam sobre uma TV? A nossa LSD é mixuruquésima perto dessa tecnologia dos chineses. Será que eles tem isso em casa? Chão de TV? Imagina o que deve ser morar lá.
- E depois falam que coisa chinesa é ruim, que quebra, que é mixuruca. Olha que perfeito: ninguém erra, nada quebra.
- É, Zé, a China é o cara. Nossa, como tudo parece mixuruco na nossa vida depois disso.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

cuidado, lavanderia

- Meu Deus - exclamou a Bê ontem enquanto a gente falava no telefone - eu esqueci de novo de pegar a minha blusa na tinturaria Sincasequi. Deixei uma blusa de festa lá no começo de julho, nunca lembro de ir buscar.
- Pega agora, Bê.
- Agora não dá, e o pior é que se a gente não pega em 45 dias eles dão. Isso tá virando um pesadelo pra mim, essa coisa de esquecer.
- Dão? Dão pra quem?
- Sei lá. Mas tá escrito no papelzinho. Pera, vou ler. Ouve: "... as roupas não retiradas num prazo de 45 dias serão doadas".
- Mas Bê, será que eles podem pegar uma blusa sua e dar para outra pessoa? Isso não é errado?
- Acho que podem. Se eu não buscar vira abandono de roupa. Isso deve ser proibido.
- Abandono de blusa de festa? Será que existem leis para lavanderias?
- E repara, eles avisam muito bem avisado. Acho que se a lavandeira avisa, ela pode dar - ela conjeturou.
- Vai ver que eles não tem onde guardar. Vai ver que lá dentro é pequeno. Ou será que eles dão pra os funcionários?
- Não, impossível. Imagina se vou na Sincasequi de novo e vejo alguém usando minha blusa?
- Dar de cara com uma funcionária trabalhando com tua blusa? Mas tua blusa não é de festa?
- Lúcia, acho que eles dão pra caridade. Ou será que a Sincasequi tem um brechó?
- Pode ser. Se eles tiverem, será que eles não revendem, Bê? Você podia comprar a tua blusa de novo no brechó do Sincasequi.
- Comprar?
- Liga lá e negocia com eles. E será que eles não tem uma taxa de esquecimento? Devia ser possível você pagar um tanto a mais, tipo um seguro, para a blusa ficar mais de 45 dias. Porque 45 dias, Bê, pra gente que é esquecida, é muito pouco tempo para pegar uma blusa de festa. Muito pouco, pensa. A atendente devia perguntar: "a senhora quer esquecer 45 dias, três meses ou um ano?". E devia dar os preços da lavagem segundo o grau de esquecimento. Isso seria mais justo, eu acho.
- É, porque não é nenhum pouco justo eles darem a minha blusa pra outro.
- Que triste, Bê. Perder uma blusa assim.
- Nossa, Lúcia, como é perigoso a gente deixar uma roupa na lavanderia. Nunca tinha pensado nisso.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

diretamente do rio


Tem uma coisa que o mundo de hoje inventou que juro que não entendo. Eu ando muito de carro, tem muito trânsito em São Paulo, e já passei quase uma hora e meia pra chegar na Paulista ou na Vila Nova Conceição. Não comi no carro. Já viajei de ônibus, e não comi por muito mais de duas horas. Já viajei de trem e não comi por muito mais de três horas. Já viajei de barco e não comi nada por muito mais de quatro horas. Mas basta a gente entrar na ponte aérea, que dura menos que cinquenta minutos, que alguém acha que preciso comer.
São Paulo - Rio. No caso de embarques fora do rushi, tudo corre rapidinho. Nem precisa esperar o avião sentado, se você inventar de tomar café ali do lado (o café demora...). Você se senta na poltrona do avião, afivela o cinto, vrummm, decola rezando o Pai-Nosso, ufa que alívio que o avião não caiu nem bateu no prédio da avenida, você fala com o engenheiro que foi viajar com você, pega a palavra cruzada da revistinha da TAM, abre a mesinha pra escrever e ouve a voz da moça: "... sanduíche de pão integral com salaminho, tomate seco, queijo branco e orégano... suco de laranja, refrigerantes e chá verde...".
Putis. Lá vem o carrinho atravancador do corredor, a moça sorrindo e te dando o pacotinho com a embalagem moderna, e lá tou eu abrindo pra achar o sanduíche borrachudo que vou comer com um suco cheio de gelo. Gerúndios, porque não? No meio meio que arrependo. Tou comendo esse salaminho porquê mesmo? Ora, o moço(a) tão gentil, tantos acessórios juntos (guardanapinho, copinho, menuzinho), não custa dar uma mordidinha. Não tenho fome, é cedo, nem almoço nem jantar, mas me deram, fazer o que? Quando estou no meio do borrachão sem gosto, ouço uma voz. "Senhores passageiros, aqui é o comandante e vamos pousar no Rio. A temperatura é de 22 graus e...". Não dá tempo, simplesmente não dá tempo de comer se você tá, como eu, na poltrona 23 e acabou de receber o treco. Devolvo rapidamente o resto do sanduíche todo amarfanhado, o suco pelo meio e a papelada suja. Paciência. Chego no Rio, onze e meia da manhã, e lembro que tenho aquele pedaço de sanduíche dentro de mim. Pra que mesmo? Na volta a mesma coisa: sempre a correria as aeromoças (será que aeromoça de ponte aérea é algo além de garçonete de fast food?) para conseguir, naquele tempo exíguo, alimentar aquele monte de gente que não pode se mexer (ir pra onde com o carrinho no corredor?).
Gente, porque é que a gente precisa comer naqueles quarenta minutos na TAM? Na volta a mesma coisa: já comi sanduíches de chester com queijo camembert, frutinhas com frios e até sopa de beterraba, tomate e pimentão. É, a noite eles servem sopa e numa turbulência aquilo deve ser hilário. Imaginem o fedor do ambiente. E acho que foi pensando nisso que uma dessas vezes da sopa, pensei em levá-la pra casa pra comer depois, numa hora apropriada. Olha, a tal sopa, se for sorvida quentinha e na frente da TV, deve ser legal. Mas como levar aquilo se a sopa da TAM não tem... tampa? Ela não é como o sanduíche, que vem fechado.
- Puxa. Não queria comer agora, queria levar essa sopa, Luiz.
- Porque aceitou?
Olhei para frente e vi o saquinho vermelho no guarda jornais, aquele bolso de trás da cadeira da frente.
- Acho que vou levar aqui - disse animada, mostrando o saquinho de vômito para o engenheiro.
- Tá louca, Lúcia?
- Loucos são eles, que me dão essa sopa a troco de nada. Nem queria.
- Hã? Mas você vai sair com esse... saquinho cheio de sopa? Na mão?
- Tem fecho! - eu mostro a ele, abrindo e fechando - Quero comer depois, em casa, não pode?
- Da próxima vez vai de Gol que eles não te entopem de comida, Lúcia. Só uma barrinha de cereal.
- Pra quê uma barra de cereal?
Hahaha. A humanidade não pensa muito não.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

franka fica sentida


Vou voltar nesse assunto porque ele não me sai da cabeça. Essa coisa da matéria do Estadão falar que a febre dos blogs acabou e tal. Essa coisa de quererem transformar essa mídia aqui numa mídia ultrapassada. Olha, gente, pensa. A gente passa horas e horas na frente do computador, com essa luz branca na cara. E não é só a gente que trabalha em escritório. Até os caixas de café e os manobristas de estacionamento ficam na frente de computadores o dia todo. Uma vez contei aqui de uma amiga minha, a Lú, que um dia ficou sem monitor na casa dela, pois o computador pifou. Ela foi falar no telefone na frente da televisão sem som. "Eu não consigo raciocinar mais sem uma tela na frente, Franka", explicou.
Todos nós, que usamos computador o dia todo, nos distraímos e vamos dar uma volta pela internet, seja para procurar o preço de uma televisão de LCD, seja para entrar num site de músicas, seja para gugar o fulano que a gente conheceu no dia anterior. E é nessas horas de descanso que as pessoas entram em blogs. Eu vou muito nos blogs das pessoas que eu gosto e admiro. Vou em alguns para falar um oi, vou em outros para encontrar poesias, textos, matérias, crônicas e contos. Vou e encontro coisas muito boas. Bico achar quem é bom, mas é claro que tem muita merda também. A minha amiga Bê, que é uma artista plástica talentosíssima, usa o blog dela como apoio para a coisas que faz e ela não deixa de ser artista porque tem blog.
Blog não é arte, blog não é literatura, blog não é fotografia. É apenas um outro tipo de papel para escrever, outro tipo de espaço para jogar sua paixão pela arte, um outro tipo de lugar para colocar suas fotografias. Ninguém é menos ou mais artista por postar textos ou imagens num blog.
Talvez a implicância seja porque é grátis. Acho que as pessoas, principalmente os escritores, muitas vezes desvalorizam os blogs porque dizem que postar é um tipo de publicação, e que ao postar e tornar conhecidos textos inéditos estão inviabilizando uma publicação em papel. Péra. Será que se a gente tivesse que pagar para entrar num blog a coisa seria diferente? Pode ser. Mas porque será ninguém valoriza o fato de um blog bárbaro ser grátis? Não é legal, não é sensacional ser grátis? Blogs bons são presentes que ganhamos a troco de nada, coisa que que num mundo assolado pelo consumo deveria ser mega-valorizado. Eu escrevo de graça e conheço muita gente que escreve de graça. Quem escreve precisa escrever, precisa, entende? Pre-ci-sa. Eu não aguento ficar sem escrever, gente. É para mim uma necessidade, dane-se se é de graça ou se me pagam por isso. Se me pagassem seria melhor, claro, não sou maluca. Mas continuo assim mesmo, pra mim a generosidade de idéias é fundamental na vi-da. Não escondo idéias, não guardo para vender, não minto para poder publicar depois. Idéia gera idéia e tem que sair da gente e ir adiante, e é esse reciclar que nos torna inteligentes e criativos. É perfeitamente cabível para mim que um escritor tenha um blog (grátis, que seja) e que escreva altos romances, ótimas peças de teatro, contos incríveis.
Melhores ainda.
Talvez a implicância seja porque blog não tem avaliação, como críticos de blog e editoras de blog. Muita gente precisa ler uma crítica boa de um filme, de uma peça ou de um livro para comprar o livro, para ver a peça e para assistir o filme. Senão não vale. Porque muita gente não sabe o que é bom ou o que não é. Acho uma droga isso, essa coisa de alguém decidir por você se uma coisa é boa ou não pra você. Eu sempre gosto de comer, ler ou assistir alguma coisa sem pré-opinião. Decidir o que eu acho e pronto. Mas o mundo anda ao contrário. Ninguém consegue mais ser espontâneo. A roupa-nova-do-rei. Hoje em dia as pessoas precisam de manual pra tudo. Blog é legal? Se os jornais e os críticos disserem que não, as pessoas acreditam. Péssimo isso. Cadê os críticos de blog?
Fico chateadíssima quando vejo as pessoas andando pra trás. Não dá pra não usar e abusar de uma tela que fica na frente de um monte de leitores 24 horas por dia. Não dá para esperar, nesse mundo que não pára de evoluir, uma publicação em papel e achar que essa é a única forma de um escritor ser considerado um escritor.
Agora chega.
Nossa, que Franka revoltada, né? Sei que é chato escrever de novo da mesma coisa, ainda mais uma coisa longa e até meio sem graça num blog de posts engraçados. Mas Franka Lúcia Cardoso ficou 'sentiiida' com a matéria, pois ela acredita no que faz (que mania de terceira pessoa, dona Franka, hahaha).
E repito que quando crescer quero ser bloguista.

domingo, 3 de agosto de 2008

franka discorda

(hahaha, e ainda erraram meu nome no quadradinho de cima e eu virei "Lúcia Cardoso" (as pessoas vão achar que sou filha do FHC!)

Sou uma defensora dos blogs. Foi o que disse hoje no Estadão, numa matéria sobre blogs e literatura. O repórter me ligou essa semana. Era uma matéria pra o caderno Cultura de hoje.
Não entendo porque esse assunto incomoda tanto e porque tem tanta matéria a respeito. Ora, pra mim é muito simples. Escritor é quem escreve bem. Não importa onde. Se um escritor é bom e eu gosto de lê-lo, vou lê-lo num livro, num jornal, num folheto, num blog, num site, num papel de pão. Será que importa tanto o "onde"?. Eu sou blogueira e que tenho o maior orgulho disso. Muitas das outras pessoas entrevistadas na matéria ficam naquela lenga-lenga, batendo a cabeça aqui e ali discutindo se blog é ou não é literatura. Putis, pra quê? Pra mim é.
Então, na matéria, quando ele falou de mim e colocou minhas opiniões, disse: "... discorda Lúcia Carvalho, do blog Frankamente... ". "Discorda Lúcia", ele disse. Uau. Fui a do-contra da matéria. Hahaha. É que muita gente implica e acha que blog é "meu-diário", propaganda pessoal da pessoa, lugar sem leitor, espaço pra se exibir, literatura menor, blá, blá, blá. Mas como eu poderia ser diferente? Comecei dentro de um blog e não se abandona quem nos criou. O meu blog é a minha nave-mãe. Disse a ele que gosto muito, mas muito mesmo de escrever em blogs, e que o que torna uma pessoa um escritor é ter leitores, não importa em que mídia ou gênero literário. E assim como tudo na vida, os que tem talento vingam. Óbvio que blogs chatos vão afundar. Se você tem talento e um bom produto - o que na internet, pra mim, é escrever textos rápidos e curtos (eu expliquei que aprendi que leitura de blogs é sempre rápida, muita gente lê durante o dia, no meio do trabalho, mas ele não entendeu...) - porque não teria leitores? E porque esses leitores, só porque lêem seus textos em um blog, não lêem... literatura? Quem inventou a regra que diz que, se você é escritor, tem que necessariamente publicar em um livro? Aliás, tem uma coisa interessante. Não dá pra publicar um romance num blog, eu penso. Romance a gente lê em livros. E a literatura de um blog é o post.
Olha. Sou blogueira e quero ser blogueira sim, mesmo discordando dentro do Estadão. Na verdade, numa conversa ontem com um amigo, ele me disse que eu deveria era querer ser "bloguista".
- Bloguista, Peri?
- É. Acho que os blogueiros profissionais devem ser chamados de bloguistas. É como a diferença entre motoqueiros e motociclistas, jornaleiros e jornalistas. Pra mim existem os blogueiros e o bloguistas, Lúcia. Ser um bloguista que tem que ser a meta dos bons blogueiros.
Verdade.
Eu, a Franka, uma futura bloguista se-Deus-quiser, concordo plenamente com ele.

sábado, 2 de agosto de 2008

ó não, findi de novo


Não sei se gosto muito de finais de semanas. Sempre quero torná-los diferentes mas nunca consigo, o que me causa uma enorme frustração. Não tenho muito planos para a minha vida, mas para os finais de semana eu tenho. Vou arrumar aquela estante embaixo da TV do quarto, vou comprar travesseiros novos pois os meus já estão com aspecto de pizza de tão amassados, vou comprar um capacete para andar de bicicleta no parque Vila Lobos, vou lavar o carro e comprar um biquini novo. Vou fazer um jantar bacana para os amigos, vou no cinema ver uma estréia, vou ao teatro, nossa, adoro teatro. Mas além do problema do meu sono - eu durmo muito gente, eu durmo excessivamente demais gente, eu durmo sem precisar dormir, putis preguiça que eu tenho - tem a cozinha, a sala, o almoço, a louça, o telefone, os seriados bobos na TV que sempre pego pela metade. Acabo acordando tarde demais, olho a cozinha naquele estado por causa da hecatombe dos jovens na noite anterior: melhor lavar, como fazer um café se não tem sequer um espaço no fogão? É preciso também recolher as roupas e sapatos dos filhos da sala ralhando com eles, arrumar e afofar o sofá que afunda porque é velho e roto, é preciso abrir as setecentas portas trancadas da casa (depois de um assalto moro numa cadeia), é preciso tomar um banho por favor dona Franka, é preciso pegar os jornais lá fora e tirar dos plastiquinhos, é preciso jogar os plastiquinhos fora, meu Deus, é preciso ler os jornais, afinal dona Franka, a senhora precisa se informar sobre o mundo. Escolho alguns cadernos da Folha, outros do Estadão, consigo fazer o café e surgem os filhos esfomeados de pijama e pantufas, a comida se espalha pela mesa recém arrumada, já são quase meio dia, a bagunça voltou subitamente, não li jornal nenhum e passo a recolher tudo de novo, louça, louça, copo, embalagens, ixi, lembro das camas, ei meninos, vamos arrumar as camas, ei gente, vamos ajudar aqui a mama de vocês? Toindo, toindo, toindo, ahã. Incrível como jornal se espalha pela casa, e depois dos almoços no Senzala ou no clube não resisto, exausta e sento no sofá afundado para ver aquelas comédias inúteis na TV (agora de LSD, uau), olha dona Franka, já está quase anoitecendo e você não fez nada. Toca o telefone e eu me perco mais falando bobagens para minha irmã, minhas amigas, minha mãe. Incrível como a bagunça da casa se faz novamente do nada a cada uma hora, como assim, quem deixou esse pote de pipocas aqui, ei gente, dá pra abaixar o som de computador ai em cima, o que, não é possível, já está passando Pânico na TV e vocês estão assistindo essa baboseira de novo? Nossa, adoro segundas feiras.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

ÔÔÔÔÔÔÔÔÔ...


- Outro dia fui levar o Luiz numa festinha. Uma festinha de criança, sabe como é? - Falou a Ângela, a minha irmã.
- Sei, claro.
- Lú, que engraçado. Aquela criançada correndo animada de cá para lá. Aquela coisa incontrolável. Já viu? É uma coisa completamente incontrolável quando crianças de cinco a dez anos começam a correr e gritar feito malucos numa festa. Dá até vontade da gente entrar no meio.
- Já fui em muita festinha, Ângela. E já dei muuuitas festas, minha irmã. Só para você ter idéia, meus filhos, juntos, se eu somar, já fizeram 50 aniversários. Cinquenta, juro. Multipique isso pelo número de festas que eu já fui, já levei e...
Ela interrompeu, rindo.
- Mas a gente, os pais e mães, a gente nem liga, principalmente quando a festa não é nossa e quando nosso filho está no meio dos outros, feliz da vida.
- A gente acha super bom o filho da gente estar enturmado.
- É, mas nessa festa tinha um pai... coitado, Lúcia... Hahaha. Um pai que tinha quebrado o dedão.
- Putis.
- Bom, imagina a cena. As crianças incontroláveis, correndo, por tudo quanto é lado. Até embaixo das cadeiras, das mesas, e o pai naquele estado. Ele em pânico. Totalmente em pânico, e o tempo todo tentando fazer uma coisa: criar um vazio em torno dele. Um nada. Desesperado, o cara.
- Hahaha. Como se fosse possível.
- Ficava de braços abertos, girando de cá para lá: ôôô... ôôô... ôôô... Como se fosse possível criar um vácuo entre ele e os desastres que podiam ocorrer. A possibilidade de alguém tropeçar, pisar ou cair em cima era imensa, enorme. Passou a festa toda assim: ôôô... ôôô... ôôô... Girando feito um louco, olhos esbugalhados, atento a tudo naquela dança absurda. Feito um pião, feito uma galinha tentando fugir. Hahaha.
- Galinha?
- Não tem nada pior do que ir de dedão quebrado em festa de criança. Hahaha. Nada. Um pesadelo total - declarou a Ângela, morrendo de rir.
- Você não ajudou, Ângela?
- Não, Lúcia. Claro que não. Era muito engraçado olhar. Ôôô... ôôô... ôôô... hahahahaha.

franka e o topete


Cabelo-belo-belo. Tem dias que esse negócio de ter cabelo me irrita profundamente. Não que meu cabelo seja ruim. Meu cabelo, esse que eu mesma produzo com minhas células, é um cabelo legal. Aliás, quem somos nós pra julgar o cabelo que a gente mesmo cria. Mas alguns cabelos não precisam de arrumação, e outros sim. E o meu precisa ser arrumado sempre. Não parece, porque é meio liso, mas precisa. Se eu acordar, tomar banho, passar shampú e creme, enxugar, pentear e sair e só ele fica uma desgraceira. Não adianta pentear diversas vezes durante o dia que não melhora. Ele tem a capacidade de não ser completamente liso e secar de modo desordenado. Na parte inferior - o meu cabelo é longo - a gravidade faz com que ele se arrume um pouco, mas na parte superior não: atrás ele sempre sobe (acredito que é porque durmo e ele amassa) e na frente, junto do meu rosto, ele forma dois grandes topetes, cada um indo para um lado do rosto. Redondões, feito um desenho de um violão. Ou um violino. Isso, eu tenho cabelo de violino. Isso, eu tenho topetões. E eu detesto esses meus topetões.
Eu sempre acho que tenho que consertar esse estrago da natureza. Já tive franja, que resolvia o problema das curvas violínicas dos fios, mas não sei bem porque franja me parece hoje coisa de criança. Olho atentamente todas as mães e mulheres da minha idade e percebo que nem 0,5% delas usa franja. Franka, franja não, eu penso. Então recorro às máquinas: o meu secador e a minha chapinha. O calor das duas resolve o problema e tira os topetes. Eu penso se deveria ou não fazer isso, essa coisa de tirar o topete. Afinal Deus me fez assim. Mas por mais que eu pense, não consigo imaginar porque cargas d´água ele fez isso. Pra que serve o topete, gente?

terça-feira, 29 de julho de 2008

que idéia

(Achei melhor não ilustrar esse post)
Não ia falar disso aqui, mas não aguento. Bom, mas qual o problema de falar de morte? Não existe assunto proibido e nem politicamente incorreto, uma vez que não tenho outra política a não ser a de "ter assuntos". Então lá vai: que idéia horrível foi essa da Dercy Gonçalves de ser enterrada em pé? Meu Deus, que é isso? Tudo bem que depois que se morre o corpo se derrete, se esfacela, não sobra nada e que o que fica é a alma (mas esse é um assunto, eu penso, que deve ser discutido somente depois da morte, uma vez que ninguém tem certeza que ela existe mesmo), mas querer ser enterrada em pé me pareceu uma coisa pra lá de estranha. Ora, a lei da gravidade vale também para os mortos, e uma pessoa morta em pé, sem apoio, sem alças e sem sustentação não vai virar um montinho de restos bagunçados lá no pé do caixão, com uma cabeça torta e caída em cima dele? Não sei, mas me parece super feio morrer e ficar o resto da eternidade assim, descomposta, com o corpo parecendo uma montanha de entulho. Sorry, gente, mas já eu quero ficar arrumadinha, o menos bagunçada possível. Bem, falei. E eu disse que o post era esquisito, mas também confessei que não aguento não comentar.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

pega na internéti

Na casa da minha mãe, eu, ela e minha irmã. Discutindo regimes. Para os homens de plantão que ainda não perceberam isso, quando se juntam 3 mulheres, 50% do assunto é esse: regime.
- Precisa ver que beleza. A Vânia está fazendo um regime e perdeu 8 quilos. Vou fazer o regime dela - falou a Ângela.
- Você não precisa de regime, Ângela.
- Não custa nada. E é um regime que pode comer tudo, à vontade. Tuuudo. É um regime super alto astral, porque em todas as refeições está escrito isso mesmo: pode comer à vontade.
- Ué, como assim? - perguntei.
- Deve ser beterraba a vontade, quiabo a vontade, escarola a vontade, sopa a vontade, bife a vontade - comentou a minha mãe, obviamente não acreditando no tal regime.
- Mais ou menos isso, mãe. A Vânia vai me dar o endereço do regime.
- Endereço do regime? - estranhou minha mãe.
- É, é um regime da internet. Ela pegou na internet, a Vânia.
- Ah, que pena. Eu não tenho internéti, filha. Não dá pra eu fazer.
Hahaha.
Regimes a parte (sei lá se esse, da amiga da minha irmã, funciona), fiquei pensando muito nesse termo que todo mundo fala sem parar hoje em dia: "pega na internet". A quantidade de coisa que a gente pega na internet. Quer fazer um regime? Pega na internet. Quer viajar? Pega na internet. Quer fazer um cassoulet? Pega na internet. Quer qualquer coisa? A internet hoje é um lugar onde "se pegam" coisas. Hahaha. Termo engraçado. "Pega". Está tudo lá, de regimes, a viagens, manuais, horóscopos, receitas de comida. E crônicas. Tudo grátis, disponível, na sua frente. Pra pegar ou largar.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

só no dia 4!!!

foto do olho mágico da minha sala

De férias? O concierge tá de férias! Ahhh. Tudo contra mim, poxa. Faço a lareira em casa, vem esse calor insuportável (que tenho ignorado completamente, ontem a noite gastei um feixe de lenha), depois tenho a idéia terrorista de mandar a crônica do concierge para o concierge e descubro que ele está... de férias. Puxa. Que semana invertida para mim, quando o porteiro me disse fiquei desanimada. Resolvi investigar se era verdade. Se você for ao café Freud - tem um café aqui no térreo do meu prédio de trabalho, pra quem não sabe - e sair pela porta lateral, (onde é o lugar que as pessoas fumam), dá pra olhar dentro da sala do gerente-concierge, pois essa sala é virada para o jardinzinho. Ontem eu fiquei ontem olhando a tal salinha de fora. Estava realmente com a maior cara de sala de gente que-saiu-de-férias, com os papéis arrumadinhos em cima da mesa e o computador desligado. Para não perder a cópia e o envelope e subir de novo com eles, resolvi entregar para a Beth, a dona do café. Ora, ela também não sabe da minha identidade secreta. Ora, e ela fala com Deus-e-o-mundo.
- Beth, olha para isso. Ia colocar na sala do nosso gerente, de presente para ele, mas ele não está.
- O que é?
- Uma crônica que eu escrevi na revista Morar, da Folha de São Paulo.
- Nossa, você escreve para a Folha? Crônicas? Não é arquiteta?
(Assim que a gente começa a ficar famosa, eu acho).
- Escrevo.
- Vou ler, nossa que chic, parabéns.
Chic. Eu. Hahaha.
E eu vou agora lá embaixo ver o que ela achou.
E inventar outra história para contar hoje.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

será que faço isso?


Ontem, ao descer para o café Freud, dei de cara com o gerente do nosso prédio. Aqui ele não é chamado de "concierge", como na crônica que escrevi para a revista Morar, mas pelas características dele, pelo fato dele ter uma sala própria e pela postura dele dentro do condomínio, não tenho dúvidas de que ele é um deles. Um legítimo "concierge". E dos bons. Só falta o apelido em inglês, francês, alemão ou italiano, que é fácil de dar, uma vez que estou cada vez mais popular por aqui.
Ora, até quando eu devo esconder que já falei da sua profissão na revista? E porque eu, a blogueira Franka, tenho que manter a minha identidade em segredo dentro desse prédio? Afinal, porque não ter orgulho de ser blogueira? No sábado estávamos conversando, eu, minha irmã Ângela, minha mãe e o filho da Ângela, o Luiz. Surgiu uma conversa sobre profissões, minha mãe passou a sabatinar o neto.
- Luizinho, seu pai é o quê? Você sabe?
- Arquiteto.
- E sua mãe, é o que?
- Professora - ele disse.
- E a sua tia Lúcia?
- Blogueira, ué.
Nunca tive tanto orgulho do meu sobrinho. Foi a primeira pessoa na minha vida que notou ser blogueiro, é sim, uma grande profissão.
Assim, convicta que sou blogueira e que isso é digno de nota alta, que tive uma idéia terrorista. E se eu enviasse, em segredo, a matéria da revista para o gerente-concierge? Hein? Putis, eu adoro uma molecagem. Achei a imagem escaneada da matéria na revista Morar de março e imprimi. Coloquei num envelope, e hoje, daqui a pouco, quando descer para o café, ahá, estou pensando em colocar embaixo da porta da sala dele. Do nosso concierge.
Mas confesso que estou aqui na dúvida. Devo fazer isso? Não devo? Será que ele vai descobrir quem eu sou? Acredito que sim, uma vez que ele tem acesso à lista de fofocas do google do prédio onde me inscrevi com meu nome verdadeiro. Mas será que ficará bravo com a crônica? Estou aqui sonhando com as consequências desse meu criminoso ato. Ora, eu também posso me dar bem. Será que a matéria vai parar no painel de avisos do prédio? Ficará um diz-que-diz nos corredores, "vocês viram o que a moça nova escreveu?". Quando eu entrar no elevador, me perguntarão, "ei, você é você?". Nossa, tenho que avaliar muito se essa fama me será conveniente ou se devo me manter em segredo. Afinal, é um ato sem volta.
O que vocês acham?

quarta-feira, 23 de julho de 2008

3 coisas


1
Tou só com um filho aqui, o Chico, pois os outros dois viajaram. O João foi pra Novo Hamburgo e a Nana pra Cordisburgo. Burgo-burgo. Engraçado.
2
Ontem abri as portas todas da sala a noite e sentei no sofá. Fiquei um tempão esperando ficar bem frio. Não ficou, mas começou a entrar um ventinho. Nossa, estou congelando, eu disse, acho que temos que acender a lareira. Pô gente, pode uma coisa dessas? Bem quando eu faço uma lareira em casa o frio acaba? Coisa mais insuportável, mas não me deixei abalar. Tirei o casaco e fiz o maior fogão. O Zé entrou, olhou o local do depósito de lenha já vazio.
- Não há lenha que chegue nessa casa.
Para completar a secura, tivemos a sensacional idéia de pedirmos comida japonesa, salgaaaada, e passamos a noite acordando para beber água. Casal uva passa.
3
Estava no carro quando vi uma cena fantástica. Tentei tirar uma foto, mas com o carro andando e eu sozinha e dirigindo, só consegui essa foto ai acima, que ficou completamente maluca e sem nexo. Mas explico, olha que imagem sensacional: era a cena de um carroceiro com três caixas vazias de TVs de LSD na carroça dele. Hahaha. Coisas de consumo do mundo moderno. Eu e metade da torcida do Corintians aproveitamos a oferta da TVLSD.



terça-feira, 22 de julho de 2008

pilulinhas


Desci no térreo do prédio para tomar um café e percebi uma coisa. Não é implicância minha, eu apenas reparo em uma coisas completamente inúteis, como essa: o nome do prédio onde eu trabalho é americanizado - chama-se "West Tower", tudo bem, deixa ele lá em inglês, mas, já que o nome é americano, porque é que o banheiro do térreo tem um placa onde está escrito "toillete", que é francês?
Bom, estava a maior barulheira no café. Do lado do café tem umas portas de vidro filmado, que escondem um salão de reuniões cheio de cadeiras.
- Que tá acontecendo ai, Beth?
- Um encontro de farmacêuticos, eu acho.
- Nossa, que gritaria. Quanta gargalhada. Que farmacêuticos felizes.
- Estão assim desde de manhã.
- Nunca imaginei que fossem tão alegres, Beth. Se fosse um encontro dos pacientes dos médicos daqui, o encontro ia ser o maior baixo astral.
- Ontem mesmo veio outra moça aqui chorando, lembrei de você - ela me conta.
Ouvimos umas gargalhadas altíssimas de novo.
- Beth, que será que acontece num encontro de farmacêuticos? Será que eles não estão experimentando os rémédios?

segunda-feira, 21 de julho de 2008

a tv de lsd


Como a sala ficou muito legal com a lareira, resolvemos atualizar a TV e compramos um daqueles modelos de parede, de tela plana, que parece um quadro. Minha mãe chama aquelas TVs de "TVs de LSD", e depois que ela inventou esse apelido, nunca mais conseguimos lembrar o nome certo da TV.
É a maior complicação colocar uma televisão daquelas na parede, pois tudo que estava antes no rodapé tem que ficar lá no alto, atrás dela: tomada de elétrica, de TV a cabo, telefone. Mas já que havia quebra-quebra, resolvemos ir fundo e quebrar mais ainda. Lá foi parar a TV no meio da parede, ocupando o lugar de um quadro (que obviamente está encostado num canto, coitado). A idéia de colocar uma televisão numa parede revoluciona tudo que já aprendi na vida sobre televisões. Quando ganhamos a nossa primeira, uma coloridinha de 14 polegadas, ganhamos um carrinho com rodinhas, daqueles metálicos, raquizinho. Depois compramos uma maior, de 16 polegadas, que não coube no raquizinho e que ficava numa bancada de madeira. Depois dessa, veio uma de 20 polegadas, toda preta, que, numa mudança de apartamento, ganhou um lugar especial que projetamos, eu e o Zé, com uma plataforma semi giratória que nunca funcionou muito bem. Um dia, depois de ganharmos uma grana a mais, colocamos essa de 20 no quarto e compramos uma sensacional TV de 32 polegadas, que nos parecia imensa (e ainda é, pelo menos se você olhá-la de lado). Ela ficou conosco doze anos, até que na semana passada foi para o nosso asilo. Sim, porque eu e o Zé temos um asilo de TVs. Como nunca sabemos o que fazer com as antigas e o Zé é super sentimental com nossas TVs, guardamos todas. "Quantas TVs vocês tem em casa?", pergunta a mulher do senso. "Sete", respondo, "mas ativas somente duas". Não que elas estejam doentes ou que não funcionem. Apenas não usamos.
Passamos a semana passada encantados com nossa TV - quadro - LSD, feito uns caipiras. "Tira a mão, menino", eu dizia aos filhos, pensando se devo mandar fazer uma capa para protegê-la.
- Lú, mas sabe qual a coisa mais legal dessa TV?
- As imagens HD, Zé?
- Não, não.
- O que, Zé?
- A Rádio Net.
- Rádio Net?
- É. Tem um canal na Net que só toca música.
- A outra TV também tinha.
- Mas essa tem uma proteção de tela "preta". Ela fica apagada, e a música dela vem do além. E tem uma rádio "anos 70" que é sensacional. A melhor das rádios.
Coisa mais estranha esse mundo moderno, se a gente pensar bem. Pois agora temos um quadro negro de LSD na parede que canta sozinho "Alone Again".

sexta-feira, 18 de julho de 2008

chora, franka, chora

desenho do luiz

Vocês não imaginam como tenho feito conquistas aqui no prédio novo de trabalho. A cada dia eu tento conhecer uma pessoa nova, não sei com que intenção, uma vez que não quero me tornar síndica, mas tenho pura curiosidade de saber quem é que pode estar lá em baixo no Café Freud, ou na portaria, ou no hall da garagem. Também faço o jogo da adivinhação - "é psicanalista ou não?" com todo mundo, e geralmente acerto. Para quem não sabe, tem muito psicanalista, psicólogo, analista, psiquiatra e terapeuta aqui, e como eu ainda não apredi a diferença da profissão de cada um deles, defino todos como defino todos como de uma só espécie: psicanalistas.
É bem mais fácil fazer amizade no Café Freud ou ao lado dos cinzeiros (temos dois, externos, um na entrada principal, num cantinho, e outro do lado de fora do Café Freud) do que na garagem, embora eu já tenha conseguido conversar com algumas pessoas enquanto espero o carro. A Beth, a dona do Café Freud, e a Maria Neusa, a ajudante dela, viraram minhas super amigas. A Beth já sabe de praticamente toda minha vida, até da minha lareira, e a Maria Neusa passou a me chamar de "Lucinha" na semana passada, o que eu considerei como uma consideração muito grande pela nossa relação.
Mas a coisa mais impressionante aqui é a quantidade de gente chorando no elevador. Não tem um dia que não dou de cara com um ou uma. É muito raro você ver alguém aos prantos na rua, em reuniões de trabalho e muito menos em obras, lugar que frequento muito. Mas aqui é coisa corriqueira. As pessoas vem, contam todos seus segredos nessas salinhas e saem chorando feito bebês. Olha, a última situação semelhante com choros que vivi na minha vida foi quando meus três filhos eram pequenos e brigavam. Mas aqui todo mundo é mega adulto, fico pensando o que esses psicanalistas fazem com esses pacientes. Sei lá, o problema é que com esse, os chorões, é impossível conversar. Acho que vou chorar pelo menos uma vez ao dia no elevador, talvez eu possa enturmar com eles também. E vou descer e dar uma idéia pra Beth: vender anti-depressivos no balcão dos salgadinhos e sanduiches. Ixi. Já pensou se meus vizinhos derem pra ler meu blog?

terça-feira, 15 de julho de 2008

a galinha da ângela



A Ângela foi para o sítio. Ela, meu sobrinho, coleguinhas do sobrinho, cachorro. Um certo dia encontra um senhor vizinho na estrada.
- Passei na sua casa, Ângela, você não estava. Deixei lá dentro uns ovos, leite, queijo, uma galinha, verduras. Aproveitei cortei um pouco de lenha pra você.
- Nossa - ela agradeceu - obrigada, puxa, obrigada.
Saiu dali com as crianças, mas a cabeça dela só pensava numa coisa: "Meu Deus. Galinha. Galinha. Galinha. Esse homem me deu o que mesmo? Uma galinha. Será que está viva? E o que eu faço com uma galinha?".
Chegou em casa e olhou para a bancada da pia. Ovos, leite, queijo, verduras, lenha e... a galinha. Estava sem penas, mas ali sobre a pia ela via o corpo todo da ave, com cabeça, pernas, pés. Com um monte de coisas para fazer no momento com as crianças, banho e jantar, resolveu pensar naquilo depois. Colocou num saco plástico e enfiou na geladeira.
No dias seguinte, quando acordou, lembrou.
"Nossa, a galinha. O que eu faço com ela? Não é possível que eu não saiba fazer uma galinha, afinal que tipo de mulher eu sou?".
Na verdade, entendo a Ângela. Sabemos fazer um monte de coisas diferentes, como atualizar anti-virus e usar pen-drives, mas galinha é algo muito mais complexo e fedido. Mas como não queria decepcionar o vizinho e as crianças, resolveu colocar a mão na massa. Tirou a coitada da geladeira e olhou para ela: cabeça, corpo, pés. Será que tinha tudo que tem dentro de uma galinha? Revirou de cá para lá e não notou nenhuma "cirurgia". "Ixi. Tem", ela pensou. "E como eu não sei limpar, vou fazer com tudo dentro". Colocou numa tigela, temperou e foi dar um passeio com os meninos, lembrando a toda hora que tinha que resolver aquilo.
Na volta resolveu simplificar. "Vou ferver a galinha", decidiu. "Galinha en-so-pa-da". Colocou na água, tapou e tentou esquecer. Depois de um tempo, voltou, abriu a tampa devagarzinho e viu a galinha com as pernas completamente abertas, escancarada, toda torta, e em volta umas coisas que pareciam umas moelas boiando. O cheiro péssimo.
Não dava mais. Desistiu.
- Meninos, já voltou.
Pegou a panela com tudo dentro e levou para uma vizinha. Morrendo de aflição.
- A senhora me ajuda, por favor. Olha pra isso.
Bom, a vizinha desfez o estrago, rindo, cozinhou e, no final da tarde ela viu a mulher voltando. "Não, ela está voltando de novo, a galinha de novo, não!" Segundo ela, as crianças comeram e disseram que estava bom, mas ela não teve coragem pra tanto. Perguntei ao meu sobrinho o que ele achou da galinha.
- Tia, depois que virou comida ficou gostoso, mas minha mãe quase estragou tudo, pois deixou ela toda morta, espedaçada, horrível.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

banan'up!

Hahaha. Olha que demais o nome do suco que o Zé comprou. Seria o primo brasileiro do Seven'up?

franka faz fogo


Há cerca de quinze dias, demos uma almoço aqui em casa. Estava muito frio, todo mundo tiritando. Num certo momento, ouvia uma conversa do Caio, meu cunhado, com o Zé.
- Como que é?
- O Caio e eu estamos combinando de fazer uma lareira aqui em casa. Ele tem um pedreiro que sabe fazer bem. Que acha?
Lareira. Ual, topei na hora. Fiquei imaginando a minha casa como aquelas casas de filme, com a família toda aconchegada ao redor do fogo, quentinha.
- Sim, sim, sim!
Há duas semanas que isso aqui tá o caos. Passamos os dias mais frios de julho com um buraco no meio da parede da sala, a casa aberta para o jardim e os móveis empilhados, até que conseguimos acabar a construção. Obra é uma zona, depois ainda tem a parte elétrica, a pintura, os arremates, e óbvio que ainda não acabamos. Mas nesse final de semana resolvi treinar, treinar e treinar (no que já existe de lareira pronta) para aprender a fazer... fogo.
Olha, o primeiro que fiz foi catastrófico. Mixuruco, não ia adiante. Fui pegando as "manhas", e aos poucos, opinião aqui, palpite ali, lenha certa, deixa-o-fogo-em-paz, assopra de leve, consegui, mas consegui legal mesmo dominar aquele buraco na parede. No sábado e ontem, o dia inteirinho, passamos o tempo todo diante daquele vão no meio da sala onde agora tem... fogo. Que demais. Na primeira vez que deu certo e o fogo pegou mesmo, dancei, cantei, tralalá, até que ele ficou enorme e tive o maior medo.
Ó. Fogo muda tudo numa casa. Os nossos ancestrais foram gênios de inventar nisso. Esquenta mesmo. Parece idiota redescobrir o óbvio, mas na nossa vida moderna isso sempre acontece. E o legal do fogo é que você fica fuxicando, o que é, sem dúvida, a parte mais legal. Empurra aqui. Arruma ali. Mais uma lenhinha. Mais uma ajeitadinha. Repara no fogo. Comenta o fogo. Será que folha pega fogo? Vamos colocar uma pinha e ver o que acontece? Putis assunto.
Tudo está improvisado ainda, mexemos a lenha com espeto de churrasco e ainda não temos nennhum acessório, mas imagine. Temos uma lareira.
Olhei para todos ontem a noite.
- Gente, olha que legal - eu disse - Olha a nossa família mais uma vez parada e falando bobagens sem fazer nada nos fins de semana. E ainda por cima com um motivo pra isso. "Estamos na lareira, ora".

sexta-feira, 11 de julho de 2008

as meninas super bandeirosas


Eu não ia colocar isso aqui, mas foi tanta discussão e opinião a respeito ontem que resolvi postar duma vez. Um dia, umas semanas atrás, fomos assistir o ensaio da banda do Caio, eu e minhas amigas. Entramos na sala e o Peri, o baterista, cochichou baixinho pra mim:
- Hehehe. Olha, chegaram as meninas super-bandeirosas.
- Hã? Quê, Peri? - estranhei.
- Hahaha - ele riu - eu chamo vocês assim. "As meninas super-bandeirosas".
Lembrei disso na viagem, na praia, e comentei com elas.
- Hã? Bandeirosas, Franka? Nós? Achei que a gente disfarçava tão bem... - disse a , rindo.
- Pois é - comentou a Lú - genial isso, genial.
Foi quando percebemos que estávamos do lado de uma bandeira na praia. Lá em Itamabuca tinha um campeonato de surf, a praia estava toda enfeitada. Ligamos os pontinhos na hora. Bandeiras, bandeirosas. E assim resolvemos tirar uma foto posando ao lado do mastro da bandeira, de baixo para cima, poderosérrimas. Em posição de seriado, sabe como é? Heroes, Law and Order, essas fotos de gente pancuda, de braço cruzado. A foto ficou genial.
- Mas está absolutamente impostável - disse a Drake - estamos de biquíni, na luz do sol, de baixo pra cima! Céus!
- Não dá pra colocar essas meninas super-bandeirosas no blog, Franka - disse a Bê - estamos mais para meninas super-vexaminosas. Mas vou dar um jeito. Nada que um fotoxópe não resolva.
A é a rainha do fotoxópe. Mudou a imagem, escolhendo a melhor de cada uma (em pose de Condessas, reparem), catou a bandeira da praia, colocou a gente no barco, e, de quebra, mandou ver uma dose dupla de cada uma de nós. Olha que genial, gente. As meninas super bandeirosas ao quadrado. Só faltou a Condessa, que estava na parte de trás do barco. Mas acho que com mais um fotoxópe a Bê resolve isso. Né Bê?

terça-feira, 8 de julho de 2008

flipioca


Era assim. Tudo estava tranquilo na cidade de Parati até o momento da abertura das portas da tenda. Gente do céu. Você ali, tomando cafezinho, comprando livrinho, passeando na pracinha, tudo muito tranquilinho quando de repente vinha o maremoto. Sei lá quantas pessoas cabiam na tenda grandona. Acho que umas duzentas mil, porque quando aquelas portas abriam não dava nem pra andar na cidade. Onda vai, onda vem, nós (que não fomos lá dentro da tenda) nos distraímos e, quando vimos, era hora do jantar e duzentas mil e quatro pessoas tiveram a mesma idéia. Tentamos um restaurante, dois restaurantes, três restaurantes, abaixamos o nível de exigência, tentamos uma lanchonete, duas, um cafezinho, abaixamos mais, uma padaria, duas padarias, uma vendinha, um carrinho de hot dog, nada, nada, a fome apertando até que vimos, lá longe, perto do carro, a barraquinha de tapioca. Hahaha. Parati cheia de restaurante chique, a gente de cá pra lá com a Condessa e o Imperador para acabar na barraquinha de tapioca na frente da Igreja Universal do Reino de Deus.

o edu filosofa

Essa é a foto que eu tirei do Neil Gaiman

- Como é, Edu?
- Eu sei porque a Flip faz sucesso.
- E porque é?
- Pensa. As pessoas imaginam os escritores como umas pessoas reclusas, misteriosas, que ficam trancados em salinhas, imersos numas histórias imaginárias, criando romances, tramas, poemas e...
- E daí, Edu?
- E daí que todo mundo fica super curioso para saber como o escritor é.
- Todo mundo quer conhecer quem admira.
- Não, escritor é diferente, Lúcia, porque não aparece. Mas em Parati eles andam pela rua, tomam café, almoçam, como se fossem pessoas... como a gente. O que as pessoas gostam é isso. Ver os escritores famosos aqui e ali, de verdade, feito personagens tomando vida. É isso. A ficção que vira realidade.

pedra, pedra, pedras


Vou fazer uma observação sobre a Flip. É muito difícil andar muito em Parati por causa do chão de pedras. Não que não dê para andar na boa, claro que dá, mas como o piso é extremamente irregular é preciso prestar muita atenção. Usar salto jamais, e confesso que isso me frustra, porque eu me sinto mega-melhor quando uso salto e fico mó altona. Se eu pudesse ir de salto pra Flip, tenho certeza que eu abafaria muito mais. Por causa desse piso, temos que andar olhando pra o chão. O tempo todo. "Não aguento mais olhar pra o chão", desabafou a Fran no fim do dia. "Fecho os olhos e só vejo pedra, pedra, pedra", ela completou. Hahaha. Verdade. "Não sei como aquelas lojas vendem alguma coisa, eu não consegui olhar para o lado uma vez", disse a Bê. Já eu não sei como as pessoas se encontram, uma vez que só olham para baixo. Devo ter passado ao lado de diversos amigos sem perceber. Talvez até encostado nos famosos. Os famosos devem ficar bem a vontade, uma vez que são pouco reconhecidos. Parati, a cidade com a maior privacidade do mundo.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

bem lembrado, mariana


A Mariana lembrou no comentário do post anterior. Depois da Condessa, a pessoa mais importante da Flip é o Mauro. Nosso amigo da FAU. Sabe gente famosa, daquelas que as pessoas apontam e cochicham? É isso que acontece com ele. As pessoas apontam o Mauro, porque ele que praticamente inventou a Flip,e falam entre si "é aquele, é aquele". É curioso uma pessoa normal, que você conhece, teu colega e tal, de repente ficar famoso e ser apontado e cochichado. Também, o Mauro tá de parabéns. Tem o Príncipe, a Condessa, e tem o Mauro, o Imperador da Flip. E hehehe. Olha como a gente é amigo, eu e o Imperador Mauro.

contos de fadas


A gente, em viagens, tem que ter meta. Eu adoro meta de viagem. Chegar em tal lugar. Ir visitar tal coisa. Encontrar tal pessoa. Participar de tal evento. Na viagem de ida para Itamambuca, fiquei pensando quem era a pessoa mais importante da Flip. E eu resolvi colocar uma meta pra mim: encontrar o Príncipe. Aquele, nosso, de Orleons e Bragança, dos Dom Pedros.
Hahaha. Meta mais absurda, mas foi o que me deu vontade.
Mas cadê o cara? Não encontrava de modo algum e começei a achar minha meta impossível. Todo mundo que eu conheço ia, em alguma hora da Flip, encontrar com o tal do Príncipe. "Vou numa festa que ele vai estar", dizia um. "Vou num almoço na casa dele", falou outro amigo. "Ele estará na recepção que eu vou", falou mais outro. Até minhas amigas encontraram com ele quando não estavam comigo. Puxa. Todo mundo conhecendo esse príncipe e eu ali, de fora, não sabendo nem por onde começar. Sei que não é fácil encontrar um príncipe. Sapo é mais bico. Estava quase desistindo de encontrar a realeza quando aconteceu uma coisa.
O Fernando, meu amigo, recebeu um telefonema. Tinha chegado em Parati uma Condessa, e ele ficou incumbido de ciceroná-la no dia seguinte. Uma condessa italiana de verdade. Daquelas da alta nobreza européia. Das poucas que ainda existem. Juro. E ela queria dar uma passeio de barco, a Condessa.
- Fernando, acha que ela é mais importante que o príncipe?
- Ô. Muito mais. E Lúcia, socorro, ela quer andar de barco. Eu e ela num barco? Não entendo nada de mar.
- Chame a Fran. Ela é velejadora. Ela entende tudo de mar.
E foi assim. Olha que coisa. Combinamos da Fran levar a Condessa para conhecer o mar de Parati, e, de quebra, a gente ia de carona, com direito a almoço num putis restaurante numa ilha, na melhor mesa do lugar. Não entendi porque o príncipe abriu mão desse passeio, coitado dele sofrendo naquele monte de recepção, almoço e jantar enquanto a gente passeava de barco. Passamos o dia com ela, uma senhora simpática e divertida, que tem uma fundação que recebe escritores na sua casa, em Florença. A Flip é muito chique, gente. E acho que cumpri a minha meta. Estou me sentindo a maior nobre. Hahaha. Condessa Franka. Baronesa Franka. Duquesa Franka. Marquesa Franka. Princesa Franka. E conhecer o príncipe é uma questão de tempo. Putis literatura.

a flip é muito cheia


Fui nesse Festival Literário de Parati, pois bem. Gosto de escrever e me sinto bem em ambientes de escritores. Mas acontece que aquilo é cheio demais. Nossa. Gente demais. Programação demais. Fila demais. E se você quer assistir as palestras sem ser famosão e sem ter crachá, você tem que ser muito organizado para pegar as senhas e entrar na fila antes do caos. E tem que ter paciência para esperar horas. Senão babau.
Implorei para meu amigo Fernando, que agora trabalha na Flip, para ele me dar um pouco o crachá dele. Empresta por favor, eu pedi. Que nada. Então, como era impossível para mim enfrentar a chateação de senha+fila+espera, ainda mais em turma, desencanei de ouvir sobre literatura. Hahaha. Sou o fim da picada. Eu confesso que fui na Flip dois dias mas que só fiquei zanzando, rindo e inventando histórias. Não vi nada. Nada, gente! Resolvi viver a literatura ao vivo. Um bom e divertido modo de se livrar dos micos de ir num festival literário lotado. E vivi uma literatura muito nobre nesses dias. Coisas de príncipes, imperadores, condessas. Juro. Depois eu conto. Foi demais.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

franka na flipe de geladeira vazia



Hehehe. E lá vou eu com elas pra Flip de novo. As minhas amigas Bê e Drake. No ano passado fomos, pois o nosso amigo Edu emprestou a casa dele em Itamambuca. Esse ano deu certo de irmos de novo. Não é lá muito perto Itamambuca da Flip, mas dá pra ir numa boa. E depois tem a praia. Legal.
É uma viagem que inventamos. Uma viagem de descanso de mães, sem maridos, sem namorados, sem filhos. No ano passado, quando fizemos isso, parecia que fugíamos de casa. É engraçado isso. Pra a gente, que tá casada e é adulta há tanto tempo, pra a gente que só anda acompanhada de filhos e maridos, viajar só com amigas é estranho. É como se a gente não pudesse fazer aquilo. Mas pode. É só fazer.
Ano passado postei aqui a foto da nossa geladeira. Não levamos nada, só água e cerveja. Hahaha. A idéia de não planejar nada, de ir e apenas ir, nos pareceu uma grande aventura. Um grupo de mães, donas de casa e profissionais competentíssimas não planejar "cafés da manhã", "almoços" e "jantares" antes é um grande desafio. Parece uma grande molecagem. Que absurdo, né? Loucura a vida que a gente vive.
Mas fazer molecagens quando se é adulto não é o modo mais seguro de sobreviver?
Volto semana que vem. Bái.

meus bombons


Descobri uma coisa. Agora que não trabalho mais em casa, eu posso ter comidas só minhas. Em casa é impossível, aliás, na minha casa não tem nunca nenhuma comida, pois os meninos e os amigos deles comem tudo que aparece pela frente e não há o que chegue. Por exemplo, se eu me atrasar para jantar, babau, me resta pedir uma pizza. Mas trabalhar num escritório fora de casa é diferente, é como se eu tivesse um esconderijo onde guardar as minhas coisas.
Bem, aqui perto tem uma loja de chocolates da Kopenhagen e eu comprei uma caixa inteirinha de bombons só para mim. Foi uma atitude muito estranha, ninguém se dá uma caixa de bombons, mas confesso que fiz isso. E olha, pode parecer ridículo, mas me sinto uma milionária quando olho para a caixinha dourada. O mais legal é que a M. não come chocolate, dei um para ela e ele ainda está ali ao lado dela, ao lado do micro, dormindo, acho que ela aceitou por educação.
Olhei ontem feliz para minha caixinha ontem e ela perguntou:
- Ainda tem bombom ai?
- Tem, comi só dois e só dei um pra você.
Ela pegou a caixinha e ficou separando.
- O que você está fazendo?
- Organizando para ver quantos você tem de cada tipo.
Olhei orgulhosa para o que ela fez na minha mesa. Um monte de bombons, todos só meus. A M. é muito organizada. Legal ter bombons, legal gente assim.