sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

queridos arquitetos





Foi ontem. Estávamos assistindo aqui em casa o famoso seriado "Caros Amigos" da Globo (eu quase nunca vejo tevê), com o CR na mão, quando o Zé percebeu.
- Lú! É a casa que eu fiz!
- Que Zé?
- A casa, a ca ca sa - ele gaguejava - a casa que eu projetei, a casa da do J. e da L. em Itanhangá, no Rio!
- O seu projeto na tevê? Nesse seriado mega famoso ai? Jura, Zé?
- É! Chiiico! Juuuca! Naaana! Olha! Cooorre!
Todos desceram.
- Olha! A casa que eu projetei, filmaram nela!
- Legal, pai.
- Legal, pai.
- Legal, pai.
Foi ai que ele começou. Não deixou mais ninguém assistir nada. Na-da. Não parava quieto, tipo pulga-na-cueca, numa alegria total.
- Olha ali, a lareira. O depósito de lenha, viu?
- O pilar, o pilar!
- Olha o detalhe do balanço da varandinha de trás. Viu? A viga ali? Reparou como ela acaba? Putis detalhe.
- Os vidros da sala, olha, viu que vidrão? E olha o jardim, viram o jardim?
- A escada! É ela mesmo! Ali, ali!
- Hahahaha, olha a bancada da cozinha! Olha o patiozinho do filho deles. Olha!
- O arremate Lu, presta atenção nesse arremate do caixilho com o pilar e... ah, mudou a cena, que saco.
- A garagem... viu o piso? Mosaico branco. Olha o portão como abre, Lú. Olhou?
- Nossa, mas que é isso? Isso não é o quarto do casal, que eles tão fazendo ai dormindo, esses dois? Isso é a sala de brinquedos! Tá errado. Que coisa.
- Que é isso? Forno de pizza? Quem colocou esse forno de pizza ai?
O Zé adora arquitetura, resumindo.
Bem, não entendemos um milímetro do seriado, mas sei que teremos que assistir todos os dias, afinal, é um projeto do Zé no seriado mega famoso e isso não podemos desprezar. E teremos todos aqui que entender todo o projeto, que, confesso ainda está bem confuso na cabeça da gente.
- Pai, sério, não estou entendendo nada - disse um dos meninos.
- É, eu sei. Esse monte de ator atrapalha.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

o mega blog desse tal de careca


Gente, achei um novo blogueiro misterioso mega engraçado. O que é que te faz se interessar por um blog ou pelas coisas que alguém escreve, assim, do nada? Para mim são os tipos de bobagem que a pessoa fala. Tem alguns tipos de bobeira que me estimulam a ficar mais bobona ainda, coisa que adoro. Isso aconteceu com esse Careca, fazer o que. Ele veio aqui uma, duas vezes, achei divertido e resolvi entrar no blog dele. Lá ele contava que na casa dele eles chamam o controle remoto da tevê de "CR". "Cadê o CR?", "pega ali o CR", assim por diante. Eu li e achei engraçado, e, naquele dia mesmo, a noite, lasquei na sala na hora que toda a minha família via tevê: "gente, me dá o CR?". Ou seja, eu imitei o Careca pois o Careca minfluenciou (sou muito influenciável, é um problema). Bem, desde então, aqui em casa, além do DL (chamamos doce de leite de DL), temos agora o CR, graças ao Careca.
Ele também, como eu, descobriu a influência do termo "mega" nos filhos da gente. Na casa dele as crianças usam o "mega" pra tudo, aqui idem, o Chico tem até uma camiseta: "Chico Mega Deus". Temos mais pontos em comum: ele tem posts sobre supermercados, como eu, ele tem amigos meio esquisitos, como eu, desenha as figuras dos posts, como eu, e, quando eu comentei lá pela primeira vez, ele me respondeu, desesperado na solidão bloguística: "volte! volte! volte!" Hahaha.
Legal o Careca, quem será o Careca? Será que ele é Careca mesmo? Sei lá, esses blogueiros misteriosos com codinome me deixam intrigada, o último que conheci - que achei, sonhadora, que morava no Pará ou em Estocolmo - morava a três quadras da minha casa. Vai ver que o Careca é o Seu. C., meu vizinho, que é meio careca. Ual. Não importa. Mega blog o do Careca. Mega novo amigo o Careca. Mega Franka resolve hoje fazer mega post para mega novo blogueiro.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

coisas de são paulo

Encontrei essa casa num passeio no centro. A casa número 29, se é que podemos chamar essa construção de casa (não tem nem entrada), está completamente torta. Inclinada. A pressão do prédio ao lado, claro. Coisa que muito acontece nessa vida com qualquer um. Oprimidos, nos inclinamos. Passei um tempão olhando essa foto quando eu descarreguei do telefone. Primeiro que ela ficou boa, o que é raríssimo tratando-se do meu telefone que só tira fotos horríveis. Depois, sei lá porque, achei que ela tinha tudo a ver com alguns momentos da minha vida. E me assustei. Olha onde você pode chegar, dona Franka, com a opressão. Pode ficar torta e sem porta.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

na calçada


Às vezes, mas só às vezes, penso que São Paulo é um cidade comum. Numa cidade brasileira comum as pessoas colocam cadeiras em calçadas para olhar o movimento. Pelo menos era assim em Duartina, cidade dos meus avós, cidade onde nasceu minha mãe e onde passava férias na infância. Final de tarde e todo mundo trazia as cadeirinhas pra calçada. Uma delícia olhar o movimento, diziam. Com a coisa das novelas as pessoas pararam um pouco, diziam os mais velhos. Mas na Pedroso, na semana passada, achei essa cena. Esses caras. Provavelmente estavam no boteco ao lado, numa mesa. Mas preferiram dispor as cadeiras em fila para todos olharem para a rua. Achei o máximo. Se eles viraram as cadeiras é porque acharam bom olhar a rua. Olhar São Paulo como se fosse uma cidade do interior. São Paulo assim vira uma cidade. Acho demais olhar a rua. Ver os carros, os pedestres, o por do sol. Lembro que isso é bem diferente de se sentar numa mesa de bar que se apropria da calçada.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

programa de primos


(todos os fãs tiravam uma foto como essa, ao lado do cartaz, e eu imitei)
(nota: repararam que eu tou em pé e o toninho deitado? engraçada essa foto)

Foi um programa de primos, combinado meses atrás com meu primo Francisco. Iríamos ao show do Toninho Horta aqui em São Paulo. Um dia, na casa dele, ele me mostra um disco do Toninho Horta e me fala que o cara é primo dele, e decidimos que, portando, era um pouco primo meu também. "Então vamos ao show juntos", ele decide. Foi sábado a tarde, no Centro Cultural da Caixa, na praça da Sé. Decidimos ir de ônibus até o Terminal Bandeira e a pé até lá, o que foi um verdadeiro exercício, pois o Francisco anda muito rápido. Chegamos na hora errada, uma hora antes, e local já estava lotado com uma turma imensa do Fã Clube do Clube da Esquina, uma gente organizadíssima, com camiseta e tudo. Nunca tinha visto um fã clube em ação, e, numa conversa com eles, soubemos particularidades das ações do grupo, como "o dia que corremos atrás do Beto Guedes", ou o dia que "enganamos o segurança e conseguimos autógrafos do Toninho no camarim". Mas como aquela não era nossa praia, resolvemos passear no centro por uma hora, tomar suco e ver pastores gritando e esmurrando bíblias. Voltamos um pouco antes do show e percebemos a burrada, pois a fila era enorme. Resolvemos não entrar na fila e assistir ao show da bancada lateral, mas o único problema é que teríamos que sentar de costas para ele, e vê-lo olhando para trás. Foi ali, no sofá da bancada, que percebemos que estávamos de frente para o camarim - e camarim é sempre um entra e sai. O Francisco encontra a Lena, a irmã do Toninho, flautista. "Vamos ficar de olho na porta", sugere o Francisco, "que eu te mostro o Toninho lá dentro". Foi quando notamos que o cara que abria a fechava a tal porta era o homem mais fino do mundo, pois ele (acredito que foi orientado para fazer isso) abria o mínimo e se esgueirava por uma fresta mínima, que não nos deixava ver nada.

(o homem mais fino do mundo entrando no camarim)


Depois de um tempo e de um temporal lá fora, tudo dá certo: entra o Toninho e começa o show. Uau, conseguimos, pensei, olhando de costas (foi o primeiro e o último show - espero - que assisto de costas). Não esperamos no final para falar com ele e eu ser apresentada como "prima", pois o fã clube tomou conta do espaço todo. Missão cumprida e caminho da roça pra voltar. Bacana o show do meu primo Toninho. Adorei, maravilhoso, fiquei orgulhosíssima de ser parente dele. Foi o primeiro que assisti.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

o tarado do bem casado

foto: M.J.
Ontem, depois de uma festa de aniversário. Era de noite, madrugadona, descemos o elevador, passamos pela portaria do prédio, abri minha bolsa para pegar a chave e do carro e dei um gritinho. Ai. Olha o que o Zé fez, gente. Olha a minha bolsa. Tá, ele adora bem casado. Mais que isso. Ele ama bem casado e é capaz de cometer qualquer crime para conseguir uns pacotinhos. Aliás, ele não considera crime, uma vez que se defende dizendo que os bem casados já vem embrulhados pra serem levados para casa, e não para serem comidos na hora (se fossem doces para comer na hora não estariam vestidos para passeio). Pega ladrão? Não. Vergonha é roubar e não carregar, ainda por cima na bolsa da mulher (lembro que hoje em dia as mulheres tem cada bolsão).

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

dimdom


A campainha quebrou. Demoramos pra descobrir que estava quebrada. Os primeiros sinais de caduquice ela deu no domingo. Sete da manhã e ela toca. Dimdom, dimdom, dimdom. Nossa, quem é a essa hora, fala o Zé. Dimdom, dimdom, dimdom. Quem é, perguntamos no interfone. Nada. Um silêncio. Deve ser um maluco, declarei. Se ele voltar, Zé, chamaremos a polícia (tudo agora eu quero chamar a polícia). A tarde ela disparou de vez, e como não parava, desconectamos tudo. Coloquei o papelzinho só ontem. Não funciona. Quebrada. E até comprarmos outra, aqui em casa não tem campainha. Não sei resolver e resolvi desencanar. Ou seja. Não adianta tocar. Quem toca uma campainha sem avisar hoje em dia? O entregador de água, de gás, o homem do Xô Limpeza. Amigos e conhecidos podem telefonar ao lerem o aviso. Fiquei na dúvida se colocava o meu telefone no papelzinho, mas imagine atender: quem é? O homem do gás. Não, a pessoa que se vire. Ou faz como o João faz quando chega da escola. Grita bem alto. Não tenho pressa para comprar outra, essas campainhas de filminho custam caro, mais que um aparelho de DVD (que quebrou aqui em casa também).

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

assim que eu gosto


Olha, eu tentei tirar umas fotos de dentro do carro (tirei), tentei melhorar (melhorou), tentei montar (montei) mas ainda ficou a maior porcaria. Paciência, dizem que o que vale é a idéia, então vamos à ela. É que eu adoro nome de loja com o nome da coisa que a loja faz. E nesse lugar ai, avenida Pompéia, onde passei hoje a tarde, tem duas lojas com nomes adoráveis. Um deles é a "Ótica Visível", e o outro é a loja de colchões "Bom Sono". Vejam que nome sensacional para uma ótica esse, "visível". O melhor que já vi, vou começar a fazer óculos lá. E "bom sono" é super confortador para uma loja de colchões, pensem bem. Melhor que esses nomes só o nome de uma demolidora, que vi outro dia numa placa: "Demolidora Tremor". Estou pensando em mudar o nome do meu blog. Pensarei num a altura.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

enigma do carnaval


Meio tarde para falar mais uma vez do carnaval, mas teve mais uma coisa. Nessa viagem eu achei muito dinheiro. No chão, no mar, na areia. Notas e moedas, a coisa mais esquisita. Eu nunca fui sortuda (quando eu era pequena a minha mãe usava muito esse termo), nunca ganhei bingos ou rifas. Ou na loteria. Mas nesse carnaval, antes da baleia aparecer e depois do barraco da Ivete onde fui vaiada, achei dinheiro na praia quatro vezes. Não sei o que tudo isso junto significa: baleia + barraco + grana. Mas alguma coisa significa.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

franka de elite


Alguém aqui já foi vaiado por uma multidão?
Eu fui. Nesse carnaval.
Tava na praia. Tudo muito bom, areinha, marzinho, barquinho, comidinhas, solzinho. Tudo indo muito bem, tudo gostoso, até que eles apareceram. Os caras da Saveiro. Uma caminhonete meio velha, cheia de geladeiras de cerveja e atrás do carro, na caçamba, umas caixas de som enorme, com subwoofer e o caramba a quatro. Chegaram, estacionaram aquela traquitana no final da rua, com o bumbum virado pra praia e lascaram... ela. Aquela tal de Ivete Sangalo. Ô mulherzinha chata, ô musicas chatas. A altura do som era insuportável, e nossa casa estava a uns quinze metros dali. Ninguém conseguia falar, conversar, comer porque a Ivete tomava conta de tudo, berrando sem parar. Fomos pedir uma, duas, três vezes. "Podem abaixar um pouco? Tá atrapalhando". Os caras, uns fulanos bem barrigudos com diversas latinhas na mão, abaixavam, mas era só a gente virar as costas que a Ivete berrava de novo. Olha. Chegou uma hora, depois que o cedê tinha repetido umas vinte vezes que eu não aguentei. Fui até lá e tive um xilique. Um total e vergonhoso xilique. É errado dar xilique, mas quem disse que sou perfeita? Cheguei berrando. Berrando feito louca. "Tira essa música, por favor, é insuportááááááááááável! Chega, isso é muito chaaaaaaato! Não aguento maaaaaaaais!". Veio uma mulher, também com latinha na mão. "Veio pra praia pra quê? Qué silêncio vai pro hotelfazenda". Eu fiquei mais histérica. "Cheeeega! Que música chaaaaaaata, que insuportáááááááável!". Foi juntando gente e eu berrando, o cara dizendo que não ia baixar coisa nenhuma, eu berrando e a mulher me mandando protelfazenda, eu berrando mas, por mais que eu berrasse, a Ivete ganhava. "Vou chamar a polííííícia!". Olha, foi ai, nessa hora que aconteceu. A turma do cara da Saveiro, animados com a Ivete, começou a me vaiar. Úúúúúúúúúúú, eles começaram. E o povo da praia, e o povo da casa ao lado, e o povo do condomínio, todos engataram na vaia. Úúúúúúúúúúú. Eu gritando, a Ivete berrando, o povo me vaiando. Uma multidão, será possível que tanta gente tava gostando daquela música naquela altura? Que diabos era aquilo, carnaval tem lugar e hora, uma música (chata) não pode ocupar qualquer espaço. Que absurdo. Chamamos a polícia, que inacreditavelmente veio. Mais vaia, dessa vez pra todos nós, incluindo os dois guardas. Eles ficaram bravos, mandaram abaixar. "A senhora pode reclamar, mas a senhora toma cuidado para não chamar ninguém de bêbado, porque isso é ofensa e a senhora pode ter problemas", um deles me advertiu. Ganhamos a briga, a música foi abaixada, mas fiquei num estado deplorável. Dei um xilique e fui vaiada no meio da rua. Super baixaria, pensando bem. Tudo bem que era meu direito, mas dá licença. Explicar aquilo pros filhos, pros amigos dos filhos. Que vexame. O Juca sugeriu tirarmos uma foto com os guardas. Um deles fez até pose de tropa de elite. "A senhora pode colocar no orkut, se quiser", ele me disse. Franka vaiada na rua. Uau. Primeira vez na vida. Com direito a foto estilo tropa de elite. Cada uma.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

as frankas juntas, afinal



Voltei. E juro, não sei nem explicar esse fenômeno, mas na terça feira ela veio me ver. A baleia Franka, aquela que apareceu no Rio de Janeiro em agosto, que eu postei aqui. Estava na praia no fim da tarde, tentando ver o pôr do sol no meio das nuvens, quando olho para o mar e ela surge, fazendo a praia toda levantar e falar "óóóóóóóóó". Uma mega baleia, com barbatanona e rabão, ali, a poucos metros. Baleia da espécie Franka. Óbvio que era ela. E óbvio que ela veio me dar um alô. Afinal, como se fala no bigbrother, é uma questão de afinidade. Não consegui tirar fotos, pois fiquei pulando e berrando feito macaca: "ó eu aqui, Franka! Aqui! Eu!". O que será que isso significa? Bem, ao trabalho, chega de farra.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

muito suspeito


Juro que eu vi essa cena. Não vou comentar, só contar. Estava na sacada do apartamento do meu primo Francisco, ontem, nos Jardins, eu, ele e um amigo nosso. Olhamos para a calçada e vimos uma mulher passeando com um cachorrinho poodle. O cachorrinho fez cocô, ela tirou da bolsa um saquinho de plástico, colocou a mão dentro e pegou. Inverteu o saquinho, deu um nó, foi até a lixeira do prédio e jogou fora. Pegou o cachorrinho no colo, tirou da bolsa uma caixa de lenços de papel. Sacou dois lencinhos e limpou a bunda do cachorrinho, depois jogou o papel fora na lixeira. Ainda com o cachorrinho nos braços, ela foi até um carro. Destravou com a chave, abriu a porta do passageiro e colocou o poodle lá dentro. Fechou a porta, deu a volta no carro, entrou na porta do motorista, manobrou, saiu da vaga e foi embora. Nós corremos e anotamos a placa do carro.

franka´s power

NOTA IMPORTANTE:
Acabei de descobrir hoje que a Fnac de Pinheiros agora tem fila única. Óbvio que eles leram o "frankamente..." ontem, compraram as cordinhas e os postinhos e instalaram essa modernidade hoje.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

pensamento do dia: a fila


Filas no nosso mundo são assim agora. "Únicas". Esse minhoqueiro de gente com postinhos e fitas. Espaços virtuais criados na hora, que fazem um caminho até o destino. Meus filhos acham normal, engraçado alguém achar normal uma coisa que você viu ser inventada. Lembro de ir ao banco quando os bancos não eram tão virtuais (e portanto eram lotados) e quando ainda ninguém tinha pensado em organizar as filas. A gente tinha que ser esperto - não entrar em fila com boy de pastinha, pois aquela ia encalacrar. Putis raiva que dava quando a fila do lado (não existia "fila única" para os caixas de banco) andava rapidinho e você ali, empacado atrás dum cara com setecentos pagamentos. Ainda existem locais sem fila única. Na Fnac de Pinheiros, por exemplo. No super aqui ao lado de casa também.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

franka na chuva

franka na franka num dia de chuva

Juro que foi sem querer. Hoje, por causa dessa incessante chuva, choferei os filhos o dia todo sem parar. Eu vi a mulher, e eu vi também a mega poça d´água, mas era tarde demais. Foi inevitável, não dava para parar, para desviar e nem para tirar a mulher dali. Passei com tudo na poça e ensopei a mulher todinha. O certo deveria ser parar e pedir desculpas, mas como parar no meio de uma avenida, a 50 por hora? Olhei a catástrofe pelo espelhinho retrovisor, pensando "que droga, coitada". Mas depois lembrei que existe um certo conformismo dos pedestres com esse tipo de banho de poças em dias de chuva. É bastante normal um pedestre se molhar por causa de carros, e eu mesma já levei diversas espirradas. Na maior delas, num ponto de ônibus da Paulista (óbvio que existia um "porquê" para o melhor e mais coberto lugar do ponto de ônibus estar vazio), acabei tendo que voltar para casa para trocar de roupa, uma vez que, além de molhada, eu fiquei imunda. Creio que existe um certo código entre pedestres e carros em dia de chuva: os pedestres devem ficar atentos, os motoristas idem, mas se acontecer, aconteceu. É meio normal. Também pensei que um fato desse, ocorrido com um pedestre, também é um grande assunto para se falar a troco de nada. "Levei um banho na rua", a pessoa pode dizer, "me molhei todinho". Os outros provavelmente vão olhar, consternados, e contar que um dia isso também já aconteceu com eles. Toda essa explicação para tirar a culpa que senti de molhar a pobre mulher agora há pouco.

domingo, 27 de janeiro de 2008

franka assiste, eugênia canta


Conheci a Eugênia no ano passado. Foi a primeira cantora que eu conheci na vida - excluindo a minha mãe, que sempre foi uma grande (e inédita) cantora de rua, sempre soltando a voz na Haddock Lobo e na Paulista ao lado das envergonhadas filhas (minha mãe nunca decorou direito letras de músicas e cantava todas em "na-na-nanããã"). Um tempo depois conheci também a Andréa Dutra, blogueira como eu e a Eugênia, simpaticíssima. Mas fora a minha mãe - que já vi em ação - nunca tinha visto nenhuma amiga cantora cantar, cantar mesmo, e confesso que fiquei super curiosa para saber como a coisa funcionava. Aliás, lembro também não conheço nenhum cantor homem - excluindo também um amigo blogueiro que não posso citar o nome aqui (mas que óbviamente todos sabem quem é).
A Eugênia deu um show aqui em São Paulo na semana passada e eu fui assistir. É maravilhoso ver um amigo cantar. Claro que dá vergonha no começo, pois você acha que a pessoa vai falar, lá na frente, todas as gracinhas e coisas engraçadas que ela fala nos restaurantes e nos bares, o que, claro, não acontece. Depois você se acostuma, e percebe que tem pessoas existem no mundo para isso: para cantar. Cantar para os outros, cantar para o mundo. O prazer que isso dá é uma coisa maluca.
A Eugênia começou o show dizendo que não ia cantar em português e nem em português (uma pena, pois ela cantando Lulu Santos - "quando um certo alguém..."- é demais, hahaha). Avisou que ia cantar as músicas que ela mais gostava, e que essas músicas eram em diversas línguas. O show foi um desbunde, bárbaro. Eu fiquei encantada com ela, as músicas e o show, e é somente isso que me faz fazer esse post. Encontrar alguém do mundo que existe para cantar, e descobrir que essa pessoa tem a coragem de cantar o que gosta é das melhores coisas do mundo. Eu não entendo de música como o Neil, não canto como ela, não toco instrumento nenhum e meu itunes é um vexame. Mas cada-um, cada-um, e, se eu pudesse me desejar um futuro nessa vida, queria isso: existir para escrever e escrever só o que eu gosto. Acho que é ai que a gente existe com alguma plenitude. É ai que se chuta do balde de mediocridade. É só ai, nessa verdade, que existe alguma passarela sobre as perigosas avenidas que temos que atravessar.

sábado, 26 de janeiro de 2008

trinta anos depois




Lembra dessa foto que eu postei uns posts abaixo? Passei no mesmo lugar outro dia e não aguentei: tirei uma foto na mesmíssima posição, trinta anos depois. É em frente ao prédio que morei quando menina, na Haddock Lobo. Olha, a calçada é a mesma, as casinhas na esquina idem, uma árvore ainda persiste. E a minha bolsa daquela época era muito mais legal, com a margarida.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

o D. e a origem do puffe


o meu amigo D. e os puffes
(nota: o puffe da esposição não era igual a esses, mas adorei essa imagem)

Foi na inauguração da exposição do meu amigo Paulo Von Poser, na galeria Monica Filgueiras, essa semana. Estava sem carro e para chegar lá andei um monte. O problema é que eu estava de salto, e andar de salto pelos jardins é fogo. Além das calçadas, tem uma infinidade de subidas e descidas. Cheguei lá e meu pé começou a doer. Foi quando percebi que do lado de fora da galeria, na frente, quase na calçada, foi montada uma tenda quadrada, parecida com aquelas que são montadas nas praias do Guarujá. E nessa tenda havia um enorme puffe. Quadradão, como se fosse uma enorme banqueta. O puffe fazia parte da exposição, pois era revestido com um tecido com um desenho do Paulo, mas quem quisesse podia sentar nele.
Foi um putis alívio (um puffis alívio?). Além de ser gostoso de sentar, o puffe estava num lugar super estratégico, na frente da porta, ou seja, de camarote pra o tapete-vermelho Hollywood dos fotógrafos. Cada famoso que entrava era aquele clic-clic total. O puffe era demais, tinha até atração.
Em pouco tempo o puffe lotou. Cabiam quatro de cada lado e eu estava no melhor lugar, aliviando meus pés e me divertindo. Foi quando chegou um amigo meu que sabe de tudo, o D.. Não tem pergunta que o D. não saiba responder. Imagino que para algumas perguntas ele até invente umas respostas, mas se ele faz isso ele faz super bem, porque a gente acredita mesmo. Lá veio ele pra frente do puffe, e eu lasquei:
- D., me responde: qual a origem do "puffe"?
Olha, sou meio distraída. E desavisada. Para mim, o puffe veio dos anos sessenta, daquelas decorações psicodélicas que incluiam objetos de acrílico e luzes lisérgicas. Se não consegui ir além disso para trás na minha pobre análise da história do mobiliário de decoração no Brasil, imagina no mundo. Mas o D., o homem que responde tudo, nem hesitou.
- Origem do puffe? Otomano.
Todo mundo olhou para ele. Otomano? Hã? Será que era verdade? Olha, se é verdade mesmo ou se não é era é impossível saber naquela hora. Todo mundo aceitou a excelente resposta, todos boquiabertos, afinal, ninguém tinha o menor embasamento teórico para questionar uma resposta tão boa como aquela. E ele, inflado, foi além.
- Foi criado pelos sultões. Os califas. Eles que criaram os puffes. Eles se recostavam nos puffes para descansar e fumar.
Uma resposta magnífica, achei. Digna de um sultão, claro. Talvez eles, os sultões, talvez também tivessem dores nos pés. Que sapatos será que eles usavam? Esqueci de perguntar ao D..
Olhei para a frente. Os flashs clicavam um estilista famoso da SPFW que acabava de entrar. Assim eu, uma verdadeira sultona otomona, me recostei no puffe e acendi um cigarro para apreciar. Ora.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

maturidade


Fui descarregar as fotos do meu celular agora e descobri que ele tirou um monte de fotos de dentro da minha bolsa sozinho. Não sei como ele ligou a câmera do nada, eu demoro horas para conseguir. Outro dia eu vestia um casaco cor de laranja, e esse fenômeno ocorreu dentro do bolso casaco - surgiram um monte de fotos cor de laranja, pois o flash estava ligado (devia ser interessantímo me ver de longe com o bolso acendendo e apagando). Filme ele ainda não fez, mas acho que é uma questão de tempo.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

mó moda




Agora minha família só tira foto assim, posando no estilo seriado: "Heroes", ou "Law and Order", ou sei lá.
Super moderno que a gente é.
Fala a verdade.

sábado, 19 de janeiro de 2008

dó ré mi franka II


Continuamos gostando de cantar a música-tema do seriado "A família dó-ré-mi". E continuamos dando risada no fim. Lembram-se desse post? E desse Iutube? Coisas de quem está a toa com o filho num sábado chuvoso e sereno.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

filha de miss


- Como que é, mãe?
- Como que é, vó?
- É verdade. Um dia, quando eu era mocinha, eu fui Miss.
- Miss, mãe?
- Miss, vó?
- Foi no colégio interno. No Sacre Coer. Fui Miss Sacre Coer.
- Hahaha, mãe.
- Hahaha, vó.
- Coisa mais ridícula que inventaram. Tinha essa moda de Miss pra cá, Miss pra lá naquela época, e as freiras resolveram que tinham que eleger uma Miss do colégio. As freiras se reuniram e escolheram eu e uma outra loirinha. Depois levavam a gente de classe em classe, apresentando: "essas são as candidatas a Miss Sacre Coer, vocês votem em quem preferem". A gente tinha que ficar quietinha, paradinha, rindo, para elas escolherem, as outras meninas.
- E você ganhou?
- Ganhei. Fui até coroada.
- Que absurdo, vó. Que da hora.
- Absurdo e esquisito é o título, nunca me conformei com isso. Miss Sacre Coer? Miss Sagrado Coração de Jesus? Lembra da imagem do Santo com o coração no peito? Agora pensa numa Miss com o nome desse Santo ao lado do Santo. Não tem nada a ver uma coisa com outra. Eu acho que devia ser até pecado. Ah, essas freiras. Tudo maluca.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

franka poeta, franka escultora


Bem, eu tento.
Semana passada eu resolvi escrever poesia. Sentei aqui e pensei por onde deveria começar. Tentei juntar algumas frases, ficou uma porcaria. Dai eu pensei que o que sei são escrever textos e crônicas, e que eu deveria começar por eles. Escrevi então uns textos e uma crônica, olhei para eles começei a tirar uns pedaços. Fui encolhendo, encolhendo, encolhendo. Depois me ative à pontuação, que julguei importante também. O mínimo de palavras, o mínimo de verbos, apenas imagens. Escrevi assim quatro poesias. Uma delas, "idiota", publiquei aqui - e acho que ninguém entendeu patavina.
No dia seguinte, reli as outras três. Achei horríveis, assim como achei esquisitíssimo a poesia "idiota". E assim resolvi encerrar a minha carreira de poeta, que durou menos de 24 horas e resultou em quatro poemas esquisitíssimos. Não vou colocar aqui pois tenho certeza que teria gente que ia falar "ah, não está tão ruim assim, ô Franka", o que me incentivaria a continuar, coisa que não pretendo fazer. O "frankamente ..." é um blog de crônicas. Crô-ne-cas.
Ontem, na casa da Bê, resolvi tentar outra coisa. Fiz uma escultura de arame, imitando a , que anda fazendo coisas incríveis em arame. Peguei os araminhos e tentei, tentei, tentei. Meus dedos ficaram doloridos. Fiz uns casulos, um pingente de colar, um escorpião, um nó esclamado e essa girafinha ai da foto. Gostei do resultado. Franka poeta não, Franka escultora, quem sabe.
Bem, eu tento.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

como franka lava louça


Eu lavo louça. Não sou boa de cozinhar e sempre deixo essa função para o Zé, que adora, mas lavo louça. Nos finais de semana lavo muita louça. Muita. Tenho até uma máquina lava louças pequena e velha, mas dependendo do volume, dá mais trabalho colocar as coisas lá dentro do que lavar na mão.

Não é fácil enfrentar uma pia entulhada de coisas. Acho que o principal é ter coragem para começar. Primeiro é preciso organizar o espaço. Prefiro sempre colocar tudo, absolutamente tudo que precisa ser lavado do meu lado esquerdo, pois o escorredor fica do lado direito. Tiro tudo da mesa e empilho, é bom ter uma noção do tamanho da encrenca. Depois deixo a pia vazia, sem nada, só com o ralinho na posição certa. Tenho horror de lavar em pia cheia de pratos, é como se a sujeira dos que estão sendo lavados fosse toda para os outros, que na minha opinião teriam que ser mais lavados ainda. Gosto de esponja nova, mas não é sempre que tem, e detergente sem cheiro, os de maçã ou pinho me deixam enjoada. Começo sempre pelos copos, pois avalio que as bebidas são menos sujas que as comidas, pois não tem gordura. Eles nunca cabem no lugar dos copos do escorredor, e sou obrigada a pegar um paninho de prato, colocar na mesa e emborcar os sobressalentes ali. Depois vem os pratos, adoro que eles tem o lugar certinho no escorredor. Primeiro os grandes, depois os de sobremesa. Depois as xícaras e os pires, que não cabem em lugar nenhum e escorregam, me dando trabalho. A parte dos talheres é meio exaustiva, sempre acho que gasto água demais, mesmo lavando de dois em dois. Sempre coloco para secar no escorredor apropriado de copinho-furado com a parte que se come virada para cima. Talheres são demorados e chatos de lavar, e o pior é o pegador de macarrão. Depois lavo as travessas, que sempre me dão trabalho por causa da gordura e restos, que sempre tiro corajosamente com a mão e coloco no lixo. Eu sempre me molho todo para lavar as travessas, pois elas são maiores que a pia. Ralador de queijo também é difícil, assim como o copo do liquidificador. Por último lavo as panelas, que precisam de diversos enxágues para tirar o sabão. As panelas também não cabem no escorredor, então limpo o fogão com Veja e papel absorvente daqueles de fritura e as coloco ali, viradas de cabeça para baixo. Sempre sobram uns cacarecos, tupewares e potinhos, que lavo e coloco em cima dos pratos em equilíbrio instável entre o escorredor e a parede. Limpar o ralo é a coisa mais nojenta do mundo, mas faço na boa depois de ensaboar a bancada da pia toda - a parte que eu mais gosto -, jogar água com um dos potinhos e puxar com o rodinho. Lavo bem o ralinho e limpo a pia como se fosse uma travessa. Depois seco um pouco as bordas da pia toda com papel absorvente de fritura. Retiro o lixo da lixeira e jogo lá fora, depois troco o saquinho. Às vezes, quando vejo que o chão está muito sujo de farelos, pego a vassoura e varro, mas nunca é muito caprichado. Passar pano no chão só quando alguma coisa realmente cai e meleca o piso. Não seco e não guardo nada. Acho muito legal ver a cozinha arrumada depois. Eu sempre saio da cozinha e entro de novo só pra olhar. Dá a maior satisfação.

sábado, 12 de janeiro de 2008

idiota


Mordi o dedão
como faço quando nervosa
ele olhou bem ai
dedo na boca é erótico
ai
tirei
a mão paralisou em sinal de "positivo"
ai
parei
dedo na boca não,
motorista de kombi não
e cumprimente logo, vai
Foi ai
que fiz a coisa ridícula de beijar o dedão e jogar o beijo
hahaha.


Idiota.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

franka não conta sonho nem a pau


Já falei disso aqui no blog uma vez e repito: acho chatérrimo assunto de sonho. Quando alguém me diz "nossa, sonhei uma coisa louca essa noite" e começa a me contar o sonho, tenho vontade de morrer. Tenho vontade de dizer: "e daí?". Porque ouvir sonho é muito sem graça. E alguém já viu sonho não ser... louco? Sonho nunca tem lógica alguma e você, se não é um especialista na área, não vai tirar proveito nenhum daquilo. E pensem bem - sonho não se compara. Assunto de sonho pra mim, é monólogo total.
Acho que a minha implicância é porque, em histórias de sonhos, a coisa não aconteceu. É tudo mentira sem pé nem cabeça. Sonhos são coisas sonhadas, não coisas que aconteceram de verdade, gosto de histórias que aconteceram de verdade. Não conto meus sonhos para ninguém. Posso até comentar "sonhei com você", mas não conto mesmo.
O pior é gente que interpreta. Um dia, duzentos anos atrás, quando ainda não tinha percebido a chatice dos sonhos, contei um sonho pra um amigo e ouvi o que não queria ouvir. Ele fez uma análise indecente, que me deixou profundamente envergonhada na frente dos outros. Tudo culpa minha que contei, e quem conta, está aberto a análises indecentes. Cuidado.
Mas o que eu queria realmente falar é outra coisa, que tem meio a ver com sonho. Sobre fotos antigas. É que eu tenho algumas imagens de infância que eu só sei de foto. Tenho medo de algumas fotos, pois me parecem sonhos fotografados. Algumas são imagens meio sem graça, uma vez que não lembro que aconteceram de verdade.
Vejam a foto acima. Claro que eu não lembro de quando tirei essa foto ai. E nem sei onde estava. Não lembro mesmo. Mas imagem está ai, gravada, e a menina da direita, com a franja e a bonequinha, sou eu. Quando eu encontro, como hoje, fotos como essa, fico com o maior arrepio. Parece pesadelo, o que essas quatro menininhas estão fazendo sozinhas no meio desse mato? O que eu faço ali??? Que foto - pesadelística, gente. Vejam que ninguém sorri, e parece que só eu conheço o fotógrafo. É absolutamente sinistro. Reparem a minha irmã, a pequenina, se esconde, que a segunda menina da esquerda para a direita parece que olha para um monstro, e que a terceira virou uma estátua-estatelada.
Isso pra mim é outro tipo de sonho. Essas imagens onde dizem que eu estou e não me lembro. Esquisitas essas memórias que a gente cria sobre imagens.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

franka ventre


Cheguei em casa e ele estava sentado na sala conversando uma amiga.
- Oi Chico. Oi amiga.
- Oi mãe.
Olhei ao redor. A sala estava horrível, escura, as portas do jardim fechadas, um clima feio na sala, pra conversar com uma amiga na sala é legal as luzes estarem certas, pensei.
- Chico, que coisa. Custava abrir a porta, acender os abajurs, colocar uma música pra sua amiga? - eu disse, andando de cá pra lá, acendendo luzes e criando um clima gostoso.
Fui colocar uma música.
- Mãe, não exagera, música não precisa. Eu sei como você é e daqui a pouco você se anima e começa até a dançar.
- Vê que coisa? - falei pra menina - ele morre de vergonha de mim.
Ela foi sincera.
- Pô Chico, tão legal mãe dançar. Minha mãe faz dança do ventre e eu acho o máximo. Teve até uma apresentação e...
Ele olhou pra amiga e interompeu na hora.
- Pára com isso, pára!
- Você não sabe como é legal ver tua mãe no palco dançan...
Ele quase gritou.
- Não dááá a idéééia pra ela por favooor!!!
Eu e a menina olhamos para ele, rindo.
Ele olhou só pra menina, seríssimo.
- Pára de incentivar minha mãe pra fazer uma coisa dessas, pára! Eu te bato! Não posso nem imaginar isso, não, minha mãe fazendo dança do ventre no palco não!
Hahaha.
Olha que idéia genial.
Tem mães que fazem dança do ventre!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

lagarteando no fim de semana


Não adianta a gente achar que deitar no chão em São Paulo é a mesma coisa que deitar no chão numa praia. Queria ou não, o céu da nossa cidade é diferente. Segundona. Será que hoje enfim começa o ano?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

mimaquiei, enfim


Antes do ano novo eu consegui. Só não contei antes porque não tinha uma foto para comprovar (agora eu tenho, olhem acima!). Encontrei com elas no domingo passado. Duas amigas do a. . Na mesa, eu comento sobre o assunto da maquiagem. Eu não tenho tantos assuntos assim, e confesso que costumo repetir alguns que conto no blog ao vivo. Muitas vezes eu ouço o seguinte comentário: ei, Franka, bonequinho pra você, isso você já contou. É meio broxante, mas penso que escrever crônicas é um bom modo de arquivar assuntos e vale a pena ser repetitiva ao vivo.
Pois eu comentava sobre minhas tentativas de maquiagem, quando uma delas me interrompe.
- Me conta como você está fazendo.
Elas não me conheciam nem conheciam o "frankamente..." até então, portanto eu pude repetir o tal passo a passo tranquila. Foi quando uma delas me interrompeu, com ares de super-fera no assunto.
- Não, não, Franka. Tsc.
- Não? Tou fazendo alguma coisa errada?
- Tudo. Pena que eu não tenho todas as minhas coisas aqui pra te ensinar.
- Eu tenho alguns produtos – disse, tímida, diante de uma pessoa tão peagadê como ela parecia ser – desde que comprei eu levo na bolsa.
Olhei o rosto dela para ver se ela estava maquiada. Estava. E era sensacional. Profissional.
- Deixe-me ver o que você tem – ela disse, resolvida.
Pegou meu estojinho e avaliou.
- Hum, mais ou menos. Essa sombra não sei... E cadê o lápis?
Acho que todo mundo sabe que esse assunto interessa a muitas mulheres, e ela começou a mexer na bolsa dela, assim como a outra amiga. E, sei lá de onde, surgiu uma sombra preta, um aparelho de entortar os fios do cílio, lápis e um pó. Ela me mandou sentar ao lado dela, despejamos todos os apetrechos na mesa e ela começou.
- Primeiro aqui. Pouco corretivo.
Ia passando com dedo, pequenos toques. Foi me ensinando aos poucos e me mostrando no espelhinho. A outra amiga ia ajudando, como uma instrumentadora. Eu ali, em plena cirurgia no bar. Mil dicas.
-Não coloque corretivo em cima do olho. Isso, só aqui. Agora o lápis. Faça assim. Vê? Agora passe o dedo. Para cima, entende?
- Entendi.
Que pena que não fiz um iutube daquilo.
- Você não tem um curvador de cílios como esse? – ela disse - ora, toda mulher tem que ter um. Compre amanhã mesmo numa farmácia, e use antes de colocar o rímel. O rímel coloque duas vezes. Uma para encher os cílios, a outra para encompridar.
De quando em quando elas davam uma ré e me olhavam de longe. Esquisito ser avaliada assim, mas era tudo que eu queria.
- Agora a sombra – ela olhou a minha – não, não pode ser essa sua. No seu caso tem que ser preta, pelo menos sobre o olho. E essa mais clara você coloca só aqui, em cima, perto da sobrancelha.
Fui ficando pronta, graças à aquelas duas fadas-madrinhas que surgiram do nada e me tranformaram. Confesso que, mal conseguindo me olhar naquele espelhinho por causa do escuro do lugar, tive um pouco medo de estar como bailarinas do Fantástico dos anos setenta. Mas não. Tava ótimo. Maior aula.
Pois é. E assim mimaquiei em 2007. Olha como ficou.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

ano novo do avesso

foto do vestido da franka do lado certo
(assim que eu receber uma foto minha com o vestido do avesso eu posto aqui)


Confesso que tenho preguiça de programar a roupa pra o dia do ano novo. Aliás, tenho preguiça de todas as coisas que considero chatas, e comprar roupa, pra mim, é super chato. Só de me imaginar naqueles micro provadores, tirando e colocando os sapatos, tenho vontade de morrer. Mas ano novo é pra ir de branco senão dizem que dá azar, e quem sou eu pra desafiar o destino assim.
Nunca vi tanta gente de branco como esse ano. Sempre acho que reveillon parece congresso de médicos. No hotel que nos hospedamos, eu esperando o Zé no hall e vendo aquele desfile. Branco, branco, branco. Até que surge um senhor. Calça branca, camisa branca... cinto branco, sapatos branco e maleta? Epa, aquele achei que era médico mesmo. Olhei bem, tinha a maior cara. Penso que para eles deve ser facílima essa fantasia.
Já eu tenho que me virar do avesso para vestir branco. Tenho uma única saia, que repito ano após ano. Mas essa sainha, de tanto ficar guardada no armário, ficou com um monte de manchas amareladas. Tipo roupa velha, daquelas manchas que não saem com uma aguinha na pia. E era impossível lavar a aquela altura do campeonato, na hora que arrumava a mala.
Putis grila. Como resolver? Calça branca não tenho, ir só de camiseta não dava. Foi quando lembrei que tenho um vestido preto que tem um forro branco. Hum, idéia. Tirei o vestido do armário. Inverti. Ele virou um vestido branco com o forro preto. Sem costuras para fora, uau. O único problema era a etiquetinha. Olhei e avaliei. Minha mãe, graças a Deus, me deu noções básicas de costura. Pregar botão, fazer barra, remendar, fechar buraquinhos e... descosturar coisas. Peguei a caixinha de costura e tic, tic, tic. Tirei. Nossa, que dádiva esse vestido, pensei. Ainda por cima, eu poderia me gabar para as minhas amigas Bê e Drake que, além de andar ao contrário na pista e na pracinha, eu virei o ano com a roupa do avesso. Deve dar a maior sorte, pensei, ainda mais se você faz a coisa sem querer, um acaso desses é demais. Enfiei na mala, satisfeita.
Mas as coisas não foram tão bem assim. Na hora de colocar, dez da noite, já atrasada pra festa, percebi uma coisa que acho que só as mulheres vão entender. É vergonhoso, mas aconteceu. O vestido é dum tecido meio grudento, feito roupa de ginástica. Ele em preto não marcava nada, mas gente, em branco, mesmo com o forro preto, marcava. E muito. A minha calcinha nova, que era branca, ficou toda decalcada no vestido. Minha barriga idem. O bumbum nem se fala. Juro que não entendi como uma roupa discreta como meu velho e bom vestidinho preto conseguiu ficar tão escandaloso. Fiquei com muita vergonha, mas não tinha mais jeito. Tive que ir assim. Vexame. Implorei ao Zé que descesse colado em mim até o carro e que me escoltasse a cada vez que levantasse. Óbvio que ele não deu a mínima. Só desencanei depois de uma cervejas e um tanto de champanhinha.
E assim passei o ano novo: com uma roupa ao contrário e com a calcinha aparecendo.

caramurú


Noite de ano novo. Eu, o Zé e meu cunhado na varanda da casa dele olhando os fogos atrás das árvores da florestinha. Todo mundo tinha saído para ver os fogos de mais perto. Bum, bum, pitizzzz pá, bommmg, bum bum bum, pitizzz pá. A cachorrinha a latir desesperadamente, rodando de cá para lá.
- Quieta Nina - ele diz.
Ele se anima mais, latindo feito maluca a cada estouro.
- Que coisa chata, pára ô Nina.
Depois de mais ou menos dez minutos, ele olha para ela.
- Céus. Será que em países em guerra os cachorros ficam assim o tempo todo?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

"lucia carvalho", modernérrima


Cadê essa reforma ortográfica? A gente já pode usar? É para começar em 2008? Em agosto todo mundo falou dela, depois a a coisa caiu no mais completo esquecimento. Meu cunhado retomou o assunto no Natal, e ontem o Chico, meu filho mais velho, comentou a respeito.
- Não precisa colocar mais agá em helicóptero. Não é estranho, mãe? "Elicóptero"?
- Horrível elicóptero. Nossa, péssimo. Falando em agás, pior sua vó, que vai perder 25% do nome. De Hebe para Ebe. Num nome com poucas letras isso faz uma enorme diferença.
- Não, mãe, as novas regras não precisam ser usadas nos nomes próprios. Não é obrigatório. Se fosse assim o tio Queique, que é Henrique, ia virar Enrique. E os acentos? Colégio não tem mais acento, mistério não tem mais acento. E Lúcia também não precisaria mais de acento. Nem Sílvia, nem Fábio, nem Cíntia, nem Flávio, nem Mário. Tudo que acaba em ditongo pode ser desacentuado. Nome próprio não muda, só se a pessoa quiser, mas no futuro vai ser esquisito esses nomes terem acento. Vai ser coisa de antigamente.
-Como é? Para eu ser moderna eu deveria ser uma pessoa desacentuada, certo,filho?
- Deveria mãe. Moderno é "Lucia". "Lúcia" é coisa do mega passado.
- Já a minha irmã.
- Sua irmã, que eu saiba, não perde o acento. Ângela.
Por que sempre eu? Em todo caso, ja já chega 2008 e eu não vou bobear. Muito mais moderno tirar meu acento de uma vez desse título do blog. Podem conferir.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

franka addams


Comprei umas coisas de maquiagem. Um negócio de colocar nos cílios, um corretivo pra os olhos, um lápis, pózinho, batom. Estou treinando devagarzinho e sozinha a coisa de mimaquiar. Começei pelo corretivo e primeiro pintei a parte de baixo do olho com ele. O lugar da olheira ficou da mesma cor do resto da cara, confesso que achei meio estranho num primeiro instante. Resolvi ir além e pintei também a parte de cima, a pálpebra superior. Como ficou tudo da mesma cor, o olho ficou perdidaço ali no meio. Esquisitérrimo. Peguei o lápis-de-contorno-dos-olhos e veio a dúvida - a gente contorna em volta ou dentro da linha do olho? O lápis pega nos dois lugares, e o resultado é completamente diferente. Resolvi que era dentro, chorei um pouco para conseguir. Depois coloquei, cuidadosamente, o negócio-de-pintar-cílios nos cílios. Ele vem num tubinho interessante com uma escovinha em espiral. Esse produto grudou uns cilios nos outros e o resultado me pareceu tipo olhos-de-boneca. Me olhei no espelho e disse: "uau". Como não sabia muito bem onde colocar o pó, coloquei na cara toda. Ficou fantástico, tudo meio acetinado, franka com pele de vidro não reflexivo. O batom, segundo a vendedora, é cor de boca-um-pouco-mais-escura-que-a-minha e deu um bom efeito. Não passei a sombra nos olhos ainda, é o próximo passo, pois tenho medo de parecer que levei um soco. Reparei que dependendo do local onde se coloca fica-se com um tipo de olhar. Franka simaquia e os resultados tem sido bons. Estou a cada dia mais parecida com a Mortícia Addams.
Ps.: Pintei hoje o cabelo no cabelereiro. Agora, então, Mortícia (ou Mortitia?) você que se cuide, mulher.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

promessas

vejam como a frankinha dorme em pé em plena festa de reveillon

Ufa. Acabou uma parte. Comi pra burro, consegui diminuir os presentes. Agora só falta o final do ano. Estou na dúvida se vou prometer ou desejar alguma coisa. Na minha família nunca houve essa coisa de prometer ou desejar. Aliás, nunca tivemos grandes tradições de festas de fim de ano. Passar esse momento fora de casa, em festas, restaurantes ou hotéis nem se fala, sempre aprendi que era esquisito. Festinhas em casa, tivemos algumas. Lembro de uma, eu bem pequena, no apartamento da Haddock Lobo. O cheiro da estranha comida, a casa arrumada, uma empregada a mais arrumando as taças na mesa. Minha mãe surgindo com cabelo estufado de cabelereiro, saia havaiana e barriga de fora, meu pai de camisa florida dizendo que ela estava linda, ela reclamando que estava gorda. Eu e minha irmã de camisola, prontas para dormir, sete, oito anos de idade. Numa outra comemoração, anos depois, me pediram para acertar o relógio de pêndulo. Subi numa cadeira, abri o relógio, mexi os ponteiros e o tal pêndulo caiu direto no meu dedão do pé, a ponta perigosa furando meu dedo e me fixando na cadeira, a noite de reveillon no pronto socorro, o pé enfaixado. Na juventude, já sem meu pai, só pequenas comemorações em casa, e, depois de casada, sempre eu, o Zé e os filhos pequenos vendo fogos na janela. Sempre passei ao largo dessas comemorações, do uso de roupas brancas, dos abraços excitados na hora da virada, de música alta ou dança. Viajar pra praia? Como assim, pra quê? Os meus reveillons sempre foram meio solitários, eu acho. Acho que não vou prometer nem desejar nada esse ano. As coisas estão boas como estão. E eu, bagunçada como sou, provavelmente vou esquecer. Por exemplo, sei lá o que prometi ou desejei ano passado.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

feliz natal, gente

ganhei do meu tio essa foto do meu batizado

Árvore de natal que pisca na sala, um monte de presentes com os nome escrito com caneta bic (sempre no cantinho do pacote), as sacolinhas pelo-amor-de-Deus eu jogo tudo fora, perú assando no forno (se eu conseguir uma das coxas será minha, adoro coxa-de-perú), três garrafas de vinho argentino no barzinho, cervejas e umas coca-colas na geladeira, farofa e arroz já prontos que a Maria fez de manhã, pisca pisca meio tosco no jardim em forma de coração, amendoim e queijinho de aperitivo, cereja, ameixa e melancia de sobremesa, o doce a cunhada prometeu que vai trazer, champanhe nacional gelando (não esquecer de descer as taças do armário de cima), pena que não tenho toalha vermelha, um silêncio aterrorizante na rua, melancolia pura num natal meio triste porque antes de ontem a minha cachorrinha morreu (tadinha), filhos animados para ver os primos, óbvio que esqueci de comprar algum presente, mesa que ainda não foi colocada porque sempre deixo pra última hora porque tenho preguiça, lembrar de pegar os álbuns de retrato dos natais passados, a bagunça que vai estar na cozinha amanhã, a quantidade de papel de presente que vai pro lixo, a festa repetida, as mesmas brincadeiras, as lembranças de natais passados, mais uma vez festa aqui em casa, o cunhado que vai fazer a mesma piada no meio da noite confundindo o ano novo com o natal, essas repetições da vida e da família pra mostrar que ainda existimos e que temos bases sólidas. Seja lá o que isso realmente signifique. Super legal o natal, no final das contas.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

mj na consolação e guga na rebouças


É perfeito esse iutube da minha amiga M.J.. Chuva e trânsito na rua da Consolação. Acho que é por isso que somos amigas há tantos anos, eu e ela. E o blog dela é demais.

ps. olha as motos, olha as motos...





Inacreditável. Olha o iutube que o Guga fez e colocou no blog dele ontem! Hahaha. Perfeito. E idêntico. Os dois precisam se conhecer.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

uma dica da franka


Putis. Roubaram dois quadros do Masp hoje. Coisa de filme, impressionante a idéia de alguém entrar furtivamente ontem à noite no maior museu de São Paulo, roubar duas obras de arte de lá de dentro e sair sem ser visto. Que coragem horrível. Olha, esse post é porque tenho uma teoria. Tomara que os detetives que investigarão esse furto sejam leitores do "frankamente...". Eu tenho uma dica. Gente, eu acho que esse ladrão já jogou Leilão de Arte. Roubar justamente dois quadros do famoso jogo? Lembram do jogo da Estrela? Uau. O ladrão deve ser um cara da minha idade. Que passava as férias com os primos jogando War, Banco Imobiliário, Detetive e Leilão de Arte, tá na cara. Provavelmente um aficcionado que nunca soube parar, que provavelmente se viciou. E acho ainda que ele não vai parar por ai. Vai continuar roubando todos os quadros das fichinhas do jogo, um a um. Senhores detetives, fiquem atentos. Principalmente com aquele quadro das duas menininhas de azul e rosa, o mais importante, na minha opinião de ex-jogadora. Olha, estou avisando. E juro que não fui eu. Juro.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

dancinha tralalá

Demora um pouco pra baixar, mas é demais.
Hahaha.
Eu e minhas amigas Bê e Drake desejamos feliz natal a todos:
cliquem aqui

zum, zum, zum




Socorro. Ontem tive que pegar a avenida Rebouças no meio da tarde. Trânsito danado, eu ali presa. Jurei não sair mais na época do Natal. Tentarei me restringir a um círculo imaginário de dois quilômetros ao redor da minha casa até o dia 26.
A Rebouças tem três faixas. A da esquerda é a do corredor de ônibus, e também é permitida para táxis com passageiros. Fica vaziazinha, vaziazinha, dá a maior vontade de entrar ali. Funciona super bem, todo mundo respeita. As outras duas faixas são para carros, sendo que uma delas, a do meio, tem uns desenhos de triângulo amarelo no piso, que significa que aquela é a faixa preferencial das motos. Não entendo bem isso, se é pra gente não andar ali para dar preferência para as motos ou não. Em todo o caso, a Rebouças é uma avenida apertada, cheia de faróis e sempre, sempre lotada. No natal então.
De uns tempos para cá, toda vez que pego a Rebouças eu fico tensa por um motivo. Eu não sei exatamente o que houve: se realmente a coisa aumentou ou se sempre foi assim e eu não percebi. Mas gente, a quantidade de motos. Quantidade de motos ali é simplesmente inacreditável. E nenhuma, mas absolutamente nenhuma, anda na faixa preferencial de motos. Claro. A faixa preferencial de motos não anda. Fica lotada de carros. Paradinha. Como a outra, não preferencial. Assim as motos, todas, infinitas, andam entre essas duas. Zum, zum, zum. É preciso deixar um espação entre você e o carro do lado para elas, senão babau espelhinho. É impressionante. De onde vem tantas motos? Zum, zum, zum. Rapidíssimas entre os carros, o que deixa você ilhado na faixa onde está, sem poder sair. Ontem eu queria sair da faixa do meio e ir para a faixa da direita. Para virar a direita numa rua, só isso, só isso. Mas as motos não deixavam. Zum, zum, zum. Socorro, estou presa, pensei. Zum, zum, zum. Motos, motos, motos. Muito mais rápidas que eu, ali parada com meu pisca pisca ridículo diante da velocidade e agressividade daquela turba de capacetes móveis. Haja chingo pro meu lado. Zum, zum, zum. Nossa que pesadelo. Perdi a rua, entrei duas na frente. Quando consegui, depois de muito esforço, mudar de faixa, pensei o quanto isso é absurdo. Tem alguma coisa errada, óbvio, com o planejamento do trânsito da cidade. Não dá pra ignorar a movimentação natural e a quantidade de motoqueiros. Não dá para uma rua com tantas motos não ter um projeto que funcione. Eu só queria virar a direita.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

os seguranças do noel



(fotos péssimas, né?)


Assunto completamente recorrente, esse das decorações de natal, mas essas coisas me deixam tão pasma que é impossível não comentar. A loja da Kitchens. Gente, pra quem não sabe, Kitchens é uma loja que vende 'cozinhas planejadas'. Na verdade é uma loja antiga de armários de cozinha, tipo armários modulados e feitos em fábrica. Essa tal loja ficou tão famosa e sofisticada que vende algo a mais que isso: vende uma grife. Estranho? Um pouco, mas a construção civil tem dessas coisas hoje em dia, certos fornecedores ficam famosos e imprimem valor aos imóveis apenas pelo uso do nome. Aliás, isso também acontece com alguns arquitetos e decoradores, convenhamos.
Bom, voltando, essa loja tem uma "tradição". Todos os anos eles fazem uma decoração de natal toda emperiquitada e iluminada na fachada da loja. Como ela está localizada na Faria Lima esquina com a Gabriel, local nobre de São Paulo ligado, a tal decoração de natal da Kitchens ficou famosa. Tem gente que vai até lá só pra ver. As pessoas tiram fotos, ficam paradas olhando aquilo, levam crianças. A cada ano aquilo fica melhor. Ou pior, não sei.
Esse ano a fachada está cheia de bonecos de papai noel. Um monte deles, impossível entender se são uma família, se são uma turma de amigos. Porque tantos velhinhos de barba branca ali - aquilo seria um cenário de um asilo? Além disso, em volta de toda loja tocam incessantemente músicas natalinas. Vislumbrei, no meio daquela balbúrdia, alguns bonecos e cenários ligados à questão da comida, como se reproduzissem a casa e a cozinha do papai noel. Bom, pelo menos isso. Mas o curioso é que, para manter aquilo em pé e funcionando numa cidade como São Paulo, foi preciso contratar seguranças. Seguranças de papai noel. Juro.
Sábado, só de um lado da rua, haviam três homens de preto para tomar conta dos papais noels. Juro foi a primeira vez que vi isso. Mas sei lá. Gente, pensa. Um cara importante como o papai noel, numa cidade como São Paulo, numa rua famosa como a Faria Lima, óbvio que precisa de segurança, certo?

domingo, 16 de dezembro de 2007

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

alguém mais faz essas bobeiras?


Desde que passei a ter celular com câmera, passei a ter uma estranha compulsão. Toda vez que vou em lojas, restaurantes, escritórios alheios ou na casa dos outros, eu espero o momento certo, - quando ninguém está me olhando nem reparando em mim - e... "clic". Tiro uma foto escondida. Obvio que essas fotos não servem para nada além de esgotar a memória do micro, mas é irresistível. Olha que foto mais idiota que tirei na loja de maçanetas quando o vendedor se levantou e foi buscar uma coisa lá dentro.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

alguém explica:


Um açougue com o nome de "Aquarius", com um logotipo de vacas dentro de um aquário ao contrário?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

natal na cidade II


Jabuticabeiras atômicas. Demais esse comentário que a anna v. fez no blog do pecus. Agora eu ando pela cidade e só vejo jabuticabas acesas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

jingoubeus


Esse estranho fenômeno acontece exatamente em dezembro, mês do calor, dos pernilongos, das férias. Olha lá eles. De repente, a troco de nada, esses estranhos seres gorduchos, super agasalhados e inchados sobem em diversos prédios da cidade e ficam parados e hibernando até a chegada do ano novo. Alguém pode explicar o que eles fazem lá?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

a interpretação rotular


Sentamos no restaurante, eu, o Zé, a Drake, um amigo.
- Vocês vão beber o que?, perguntou o garçon.
Eu e ela dissemos, quase juntas.
- Vinho.
O Zé e o amigo preferiram outras bebidas, e o cara colocou na nossa frente um cardápio menor, só de vinhos, pra a gente escolher.
- Nossa, Drake. Olha pra isso. A quantidade de vinho que tem.
- E sem os rótulos - ela comentou, rindo.
- Como vamos fazer?
A questão, gente, é que eu, ela e a aprendemos a escolher vinhos de outro modo. Jamais pelo nome num cardápio, ora. Inventamos, depois do convívio e das nossas viagens, a "interpretação rotular de vinhos", e desde então, impossível escolher um vinho sem ela.
A interpretação rotular.
A interpretação rotular consiste num ritual que, para nós, se tornou especialíssimo. Não temos a menor dúvida da nossa capacidade de enólogas para fazer a escolha certa para aquele momento. A escolha de um vinho, para nós, depende do momento que estamos, do assunto que andamos falando, do acaso, da promoção do supermercado, das conversas anteriores e, claro, do rótulo do vinho. A interpretação rotular pode ir por três lados: ou pelo desenho existente no rótulo, ou pelo nome do vinho ou pelo "conjunto da obra". Assim descobrimos vinhos sensacionais, como o Ventus, como o Emiliana, o Rendeiras, o Versus e inúmeros outros. Sempre dá certo, e depois da escolha, sentimos que o vinho era perfeito para a ocasião. Mas ali, diante daquela lista sem rótulos, ficamos completamente perdidas. Na maior escuridão. Céus.
- E agora?
Foi uma escolha às cegas. Fomos eliminando pelos nomes, confusas.
- Vamos nesses que são misturas de uvas. Estamos com a mente muito misturadas com esse monte de nomes desrotulados - ela sugeriu.
Super inteligente, a Drake.
- Acha que devemos ir à adega do restaurante?
- Vão nos achar muito estranhas - ela disse - explicar para o garçon a essa hora da noite o que é a "interpretação rotular"?
Suspiramos e escolhemos.
Não me recordo do nome do vinho, mas quando ele chegou e vimos a imagem no rótulo, sossegamos. Era razoável. Uma paisagem com montanhas ao fundo. Um nome interessante.
- Que acha? - ela cochichou baixinho, para o garçon não ouvir, antes de beber.
- Passa.
- Mas da próxima vez...
- Teremos que ir na adega. Não adianta.
É. Ser enóloga de interpretação rotular é fogo, gente.

domingo, 9 de dezembro de 2007

uns caroços, uns apêndices


Pra mim, é muito triste ver o perfil da cidade mudar de repente.
Olhaí a obra sendo construída.
... e a crônica tá aqui, nesse post de 2005.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

sem horários


Foi há duas semanas que decidimos, eu e a . Ela mora pertinho aqui de casa, um dos motivos de nos vermos tanto. Em qualquer grande centro urbano como São Paulo, qualquer amigo sem trânsito entre você e ele é muuuito mais amigo. Não tenho a menor dúvida disso.
Pois eu e ela, como estamos perto e trabalhamos sozinhas, volta e meia nos encontramos no final da tarde. Nos dias frios, vamos tomar café na doceira, e nos dias quentes vamos dar umas voltas andando na pistinha de cascalho da pracinha. Foi num desses passeios que percebemos que, sem ninguém combinar nada, sempre rodávamos a pracinha no sentido anti-horário.
- Bê, porque a gente anda nesse sentido?
- Não sei. Mas faz diferença?
- Sei lá - respondi - Tudo que você faz sem pensar merece um questionamento, não acha? No inconsciente pode estar a chave de muitos problemas.
- Acha que o fato de andarmos no sentido anti-horário pode estar nos causando problemas, Franka?
- Sei lá, Bê. E se estiver?
Ela olhou ao redor.
- Mas todo mundo anda nesse sentido. Deve ser por causa das regras de esporte. Lembra as pistas de atletismo.
- A gente não é nem um pouco atleta, Bê. Olha, você está de sapato e eu de havaiana. Não tem porque a gente seguir regra de atleta. Isso é um passeio. A gente devia andar ao contrário. Como o relógio, no horário.
A Bê e eu adoramos esses desafios metafóricos.
- Mas Franka, como podemos nos inverter? Não há "alças de retorno". A gente não pode simplesmente "parar" e "girar". Seria algo muito violento nas nossas vidas, podemos traumatizar - ela disse, rindo.
- "Alça de retorno"?
- Óbvio. Para o caso de alguém querer se inverter de sentido na vida, como nós.
Eu tomei coragem e perguntei.
- Você quer, Bê?
- Claro. Chegou nossa hora.
Isso que é amiga de verdade. Hahaha.
- Mas como fazer, sem a alça de retorno, Bê?
- Criaremos uma. Venha.
A Bê é demais. Depois de uma curva ela me levou para dentro da praça, onde demos uma volta ao redor de uma árvore e voltamos à pistinha, retomando o passeio andando ao contrário, sem estacar e girar.
-Perfeita essa alça de retorno, Bê. Deveria ser oficial. Lembre-se de onde era para podermos mostrar para outras pessoas que precisem dela.
Foi quando tudo, gente, tudo absolutamente tudo mudou. Olha, ando nessa praça há anos. E nunca reparei em tudo que passei a reparar quando passei a andar feito um ponteiro, no sentido horário. As árvores todas se jogam para a gente, o sol é mais bonito, a paisagem mais agradável. Isso fora o fato - engraçado - de você olhar todo mundo que anda e corre de... frente. Face a face. E, claro, encontrar muito mais gente. Oi, oiê, tudo bom?, opa, alô!
- Bê, minha vida mudou. Agora só ando assim.
- Eu também - ela resolveu.
Sábado passado fui no clube com o Zé. Conversando e andando, entramos na pista e passei a andar do modo novo.
- Estamos ao contrário, páre - ele me disse.
- Não, Zé. Estamos certinhos - eu respondi, explicando a teoria, que ele, obviamente, não entendeu mas como me conhece, resolveu deixar pra lá.
- Tá, tá - ele suspirou - mas olha a quantidade de gente olhando pra gente... que vergonha...

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

duas coisas legais de hoje



Hoje é aniversário do Juca, meu filho mais novo, basqueteiro, grande incentivador da franka, que escreve peças, faz iutubes e inventa posts comigo, um dos meninos mais felizes que eu conheço. Parabéns, querido.

E hoje também eu fui ao blog do Chico, o meu filho mais velho: "palavras de ordem". Bem, olhem o post dele aqui. Acho que vale a pena ler.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

o viveiro da franka


Hoje de manhã acordei com a sensação que faço tudo errado em relação aos pernilongos daqui de casa. Gente, voltando ao assunto, entendi: eu não estou exterminando pernilongos. Eu estou é criando pernilongos aqui dentro de casa.
Pensa bem. No andar de cima da minha casa estão os quartos e os banheiros. E tem a escada, que liga com o andar de baixo. Nos quartos e banheiros eu coloquei tela nas janelas, portanto por ali não entram pernilongos, pois a tela fica fechada a tarde toda. Mas nos banheiros e na escada não, portanto pelo banheiro e pela escada entram ou sobem um monte de pernilongos. Uma vez no andar de cima, óbvio que os pernilongos preferem ficar nos quartos do que no corredor ou no banheiro. Afinal, é mais quentinho, bem mais amplo e não tem vapor de banho, que eu imagino que pernilongo não goste. Quando eles alcançam os quartos, aqueles oásis para eles, não podem mais sair (a não ser pela porta) e ficam presos. Acho que pernilongo nem sabe que a saída é pelas portas, e, se eles saem por ali, deve ser completamente sem querer, uma quantidade mínima deles, que pode, inclusive, migrar de um quarto à outro. Nossa. Acho que criei uma espécie de viveiro de pernilongos, onde, achando que estou livre deles, faço experiências inúteis, como colocar aparelhinho em tomada e esborrifar isprei. Óbvio que isso, depois de anos e anos, deve ter criado espécies cada vez mais e mais resistentes. Devo ter, no meu quarto e no quarto dos meninos, espécimes de pernilongos mutantes poderosíssimos, velhos, idosos - isso se não considerarmos as demais gerações, de filhos e netos, criadas ali (!) - enormes, gordos, saudáveis e... perigosos. Pernilongões de raça, da melhor espécie. Ai que burra, olha o que eu fiz. E agora?
Bom, será que valem alguma coisa?