quarta-feira, 30 de junho de 2010

crânios e faces



Eu não parei de escrever aqui no "frankamente...". É que viciei no facebook. Acho que esse fenômeno aconteceu com todos os blogueiros. Lá no facebook tá cheio de gente. Uma multidão, e fica todo mundo falando, comentando, tagarelando e isso aqui ficou super vazio. Eu meio que fico fazendo mini-posts por lá, porque lá não dá pra fazer postão como aqui. Na verdade tou mega dividida, acostumei a escrever muito, lá não dá. Passei a escrever aqui colocar o linque lá, mas tenho preguiça às vezes. Também tem o lance da minha peça de teatro, "o crânio", que vai ter uma leitura pública e grátis no MASP no mês que vem, e tive que revisar o meu estrambótico texto umas mil vezes. Isso tomou um tempão. Mas mesmo com crânios e faces, não largo o frankamente não. É tipo um filho, e filho a gente cuida sempre.

domingo, 20 de junho de 2010

é brincadeira





Não dá pra não falar da Copa. Tem dois personagens muito importantes que viraram assunto aqui em casa. Um deles é o Dunga. Putz personagem o Dunga. Coloca umas roupas nada a ver, uns capotões chiques, estilosos, super fashion. E usa anel. Anel, um monte de anel. Tem a coisa dele chamar Dunga, que é um dos sete anões, e tem também a coisa dele usar anel, que me lembra o Senhor dos Anéis. Hahaha. Divertido. Qual será o modelito do próximo jogo? Mas o maior assunto aqui em casa, que foi tão comentado como o jogo, é o comentarista da Band, o Neto. Aquele que fala "é brincadeira" e que tem uma voz mega caipira. A gente não gosta da Globo e nem do Sport TV. Gostamos da Band e dos caipiras. Ele foi se empolgando durante o jogo, se empolgando com aquela voz cada vez mais caipira, e começou a dizer que o Júlio César era o maior goleiro do mundo (do mundo, notem), que o artilheiro era o melhor do mundo, dai ele foi se empolgando mais e mais, e quando deram o chute no Elano o cara berrou "quebraram a perna dele!" e começou quase a chorar. Hahaha. Eu adoro gente que se entrega assim. Estamos aqui em casa lembrando do jogo e rindo do Neto. É brincadeira.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

o geraldinho



Falaram que um tal de Geraldo Anhaia Melo era legal no Facebook. Eu li alguns feeds dele, achei a sinceridade dele o máximo. Gamei. A gente se espanta com quem não é travado em Facebook. Travado assim, em internet pública em geral. Pedi pra ser amiga dele na hora. Nem conhecia, e ele me aceitou. Legal, mais máximo. Dai ele, do nada, morre. Gente. Caraca. A vida e a morte são ali-ali, no real e no virtual. Caraca , putz. Dai eu tinha colocado um feed bobo no Facebook na sexta feira falando sobre "morrer no Facebook". Falando sobre o que fazer com o Facebook com uma possibilidade da nossa morte, coisa que a gente não gosta de falar, mas que pode acontecer com todo mundo. E brinquei e disse que se eu morresse no face, ia pedir pra alguém me manter viva e tal. Putz, até escolhi a Márcia Kawabe, que fala mais bobeira que eu pra ser minha alma penada. Isso foi uma idéia idiota de uma pessoa viva, sabe idéia idiota de pessoa viva que, na alegria do dia a dia, não pensa que o outro pode morrer de verdade? Pois é. Eu. Tou me sentindo meio mal com isso, ao mesmo tempo penso na minha sinceridade de conseguir contar isso. O Geraldinho era brilhante no Facebook. Ele fazia minicrônicas da vida dele, a gente acompanhava. Eram textos brilhantes, a là Bortolotto, super inteligentes e nada travados. O máximo. Eu sou travada em Facebook, gente, por isso a recorrência desse assunto. E gente travada como eu não coloca coisas que não sejam certinhas no Facebook e morre de inveja dos não-travados, livres, independentes. Eu fiquei hoje pensando sobre essa coisa e resolvi falar a verdade em homenagem a ele, o quanto fiquei impressionada com a verdade dele até o último minuto, em quanto a verdade é impressionante pra quem faz literatura, e em quanto a verdadeira literatura é legítima até o último minuto.

sábado, 12 de junho de 2010

namoração




Tá a maior animação o dia dos namorados aqui em casa. Todos meus três filhos tem namorados(as) e hoje tá todo mundo de casalzinho por aqui. Super legal. Tem lareirinha acesa, uns chocolates, teve jogo de copa e tá o maior frio. Nunca isso tinha acontecido, essa coisa de eu ficar cercada por tantos namorados, e ainda por cima em casa, por isso meu espanto. Esse clima de namorico todo em volta de mim tá sensacional. Puta astral. Super legal namorar.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

livinzinho, terração



Engraçado reparar nas plantas atuais dos apartamentos à venda. Virou meio moda agora os prédios terem salas encolhiiidas e varandas enooormes, crescidooonas. Repara que interessante. Na maioria dos lançamentos imobiliários, a sala serve apenas como hominho theater, com sofá e tv, uma salinha fechadinha, e o restante do espaço é sempre uma enorme varanda, com mesa, churrasqueira, sofás e às vezes até forno de pizza. A idéia de transformar um apartamento fechado num espaço com um tipo de quintal é legal. As salas dos apartamentos eram muito fechadas e escuras, janelas são itens caros de construção e estavam ficando cada vez menores. Com a idéia da varanda, que quem quiser fecha com vidro, resolve esse problema. Só acho que se todo mundo resolver churrascar no domingo, vai ficar a maior caatinga no condomínio.

sábado, 15 de maio de 2010

franka prateada







Olha ai como era verdade. Olha ai a entrevista. Olhai que eu não gaguejei nenhuma vez. Olha a atrapalhação, gente do céu e pensar que isso foi ao ar. Eu fico rindo de tudo o tempo todo, pareço uma boba. Mas só sei que depois dessa entrevista, me animei. E se a Franka vira, assim do nada, uma entrevistadora? Fiquei me imaginando com a aquele gravador não mão de novo falando com muitos famosos e não famosos. Mas peraí. Ninguém vira entrevistadora assim, de repente. Pra a Franka dar certo de entrevistadora, ela precisa de um diferencial. Ora, a Franka sempre falou dos assuntos mais bobos da paróquia. Então ela deve ter um programa de entrevista onde ela entrevista a pessoa e pergunta sobre os assuntos mais bobos da paróquia, oras. O senhor acha que os pastéis de queijo são um alimento em extinção? A senhora já pensou porque a gente dirige carro sentado do lado, e não no meio do carro? Já reparou que tem geladeira que não dá pra colocar imã? Você já notou que depois das fotos digitais a venda de porta retrato caiu como nunca? Ou, como nessa entrevista do Prata, onde pergunto pra ele se ele prefere... duchinha ou bidê? O meu programa podia também, ter um tema. Dependendo do entrevistado, um tema ligado a ele, bobo e essencial. Hahaha. Ia ser muito engraçado mudar de vida assim, e nossa, como eu deliro às vezes.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

franka entrevista o prata



Gente, que coisa engraçada. Ontem eu entrevistei o Mário Prata. Foi assim, de surpresa. O Fábio da Rádio USP veio com essa: que tal eu, a cronista da rádio USP, entrevistar o Prata, o cronista famosão? Afinal ele tá lançando um livro, tá super na mídia esses dias, é meu amigo e.... O que eu achava, ele perguntou? Eu tenho um problema, não consigo recusar nada, principalmente uma coisa exdrúxula como essa.
O primeiro passo foi perguntar pro Prata se eu podia. Ele topou, era pra eu encontrar com ele na livraria Cultura meia hora antes do lançamento do livro "Os viúvos". O Fábio da rádio despencou um gravador pra mim, depressinha. Foi dai que me toquei. Meu Deus. Entrevistar o Prata? E perguntar exatamente o que, dona Franka? Eu não li o livro novo dele antes, não sabia direito o que se pergunta numa entrevista, aliás, nunca fiz uma entrevista na vida. Que confuso, por onde se começa? Resolvi fazer um roteiro. Escrevi um começo com uma apresentação e umas perguntas sobre o livro, sempre disfarçando o fato de não ter lido antes, depois fiz um daqueles ping pong de perguntas bobas e resolvi falar, claro, do assunto do momento: a escalação da seleção feita pelo Dunga. Com um roteiro desses, achei que emplacaria.
Cheguei lá toda atrapalhada e me anunciei. Moço, eu vim entrevistar o Mário Prata. Sei lá, eu tava meio sem graça, mas o moço se animou e contou super alto pra todo mundo: "o Mario Prata chegou? Essa moça aqui vai entrevistar! Ein? Ele já tá ai?".
O Fábio da Rádio me explicou tudo. Como ligava o gravador, como usava. E me disse pra sugerir pro Prata pra gente ir pra um cantinho. E lá fomos nós, eu e ele pro cantinho, pra aquela entrevista íntima, de cronista franka pra cronista famosão. Hahaha. Dai eu percebi que era só conversar e mais nada. Deu super certo. Consegui que ele falasse mais bobeira que eu, os assuntos foram de futebol a cueca. Vai ao ar nessa sexta a noite, as nove, no programa Áudio Papo, USP FM 93,7. E eu tou me achando a maior Franka-Jô da rádio da paróquia.

E essa capa desse livro com essas tarjas? Nossa, o Prata me imitou?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

o meu mini-craque dos santos



Eu tenho um São Benedito, um São José e uma Santa Luzia em cima da minha geladeira. Coloco os três juntos porque tenho a maior dó de santo sozinho, sem amigo. Acontece que o meu filho João abre muito a geladeira, e toda vez que o João abre a porta da geladeira, plunct!, o São Benedito dá uma dançadinha pro lado, e toda vez que o João fecha a porta da geladeira, catablofttum!, o São Benedito... cai de lá de cima. Gozado que a Santa Luzia e o São José não caem, será que são santos mais... equilibrados? Ou menos quebrados e bambos? Não sei, só sei que meu São Benedito é um santo saltador. Bom, e como o João tem muita fome e abre muito a geladeira, o São Benedito, coitado, cai muuuito de lá de cima. E óbvio, ele se quebra sem parar, perde a cabeça, perde pedaços. Gente. Não aguento mais colar aquele santo. Ele já está, inclusive, encolhendo, ficando cada vez mais baixinho, a cabeça cada vez cola num pedaço mais abaixo, ele está é virando tipo um... mini craque. O mini craque dos Santos. O misterioso é que acho que de tanto ele cair, ele aprendeu truques. Outro dia ele deu um mortal de lá de cima (depois de um violento catabloftum de porta do João), e, acreditem, caiu de , entre a geladeira e o microondas. Em pé, gente, sem perder a cabeça, sem se quebrar. Mini craque total. Meu Neymar de geladeira.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

franka encantadora de cães



Ela tá muito desobediente, a nossa cachorra Sopa. Impossível controlar a pequena fera que ela virou. Não que ela ataque as pessoas, não é isso, o problema dela é o o excesso de alegria, a pulação, a lambeção, a excitação, e no final, a encheção de saco, porque ninguém aguenta um cachorro que fica em cima de você feito louco. Além disso, ela entrar em casa e não sair virou moda, ela aprendeu direitinho a brincar de pega pega e esconde esconde com a gente. O Zé até que ela obedece um pouco, já comigo ela abusa feio. Foi ai que a gente resolveu chamar um treinador.
O cara passou a vir aqui em casa e ensinar a cachorra. O cara é bom, precisa ver como a Sopa obedece as ordens dele. Quando ela tá com ele, ela fica inteligente e super comportada. Senta, fica, deita, cumprimenta, roda, dança, sei lá. Uma santa. Mas o problema é que ela passou a ser obediente só com ele, o que não adianta nada. Reclamei.
- Ela tem que me obedecer, ô treinador, não obedecer você, que nem mora aqui e nem é dono dela, pô.
- Calma - ele disse - para ela te obedecer você tem que ser líder dela. E para isso, eu vou treinar você. Esse é o próximo passo.
- Você vai o que? Me treinar?
- É.
E foi assim que eu sai no sábado com o treinador para ser... treinada. É, isso nunca tinha me passado pela cabeça, essa coisa de ser treinada por um treinador de cães. Ele me explicou como eu tenho que fazer para ser a líder dela, lá do jeito que se ensinam os cães, eu fui obedecendo direitinho as ordens dele, tim tim por tim tim. A todo momento eu pensava que ia voltar pra casa e declarar pra todos que aprendi a sentar, deitar, cumprimentar, rodar e dançar, igualzinha à Sopa e até melhor que ela. Hahaha. Franka, super adestrada. Foram duas horas de aula, eu, ele e claro, a Sopa. Mas a melhora foi pequena, acho que preciso de mais aulas.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

minha vida embaçada



É o tipo da coisa que dá a maio tristeza quando começa a acontecer, essa coisa da gente começar a enxergar tudo embaçado. Sem nitidez. Tenho uma amiga que fala que isso é bom, que a natureza é sábia, porque na nossa idade a gente começa a ter rugas, e não é muito bom enxergar bem a cara uma da outra.
- Você acha que estou velha, enrugada? - pergunta a amiga 1, sem óculos.
- Não, imagina, você está ótima, não tem ruga nenhuma! - responde a amiga 2, sem óculos - e eu?
- Você não tem ruga nenhuma também, fica fria.
Duas ceguetas. Hahaha.
Outra coisa ótima pra disfarçar ruga é foto de celular. Ô coisa boa celular tirar foto ruim, porque todo mundo fica fora de foco e, claro, com cara de mocinha total. Mas voltando ao assunto da visão, desde que ando vendo tudo embaçado tenho relutado pra burro pra usar óculos. Nunca usei, me acho super bete-a-feia e tento não colocar. E descobri outro dia um acessório sensacional pra os humanos embaçados como eu: as lanterninhas.
A primeira que ganhei é o máximo. Um lanterninha com tamanho de caneta, com um lampadinha de led que faz um foco redondinho. A luz é uma bolinha, parece um mini-holofote, e funciona que é uma maravilha pra ler jornal, revista e cardápio de restaurante. Desde então, passei a colecionar lanterninhas, já tenho 3. O lance agora pra mim são essas lanternas chaveiro, que ficam acopladas na chave, e que servem também para te ajudar a achar o buraquinho da chave do carro. Tenho uma modernérrima, que dá até pra pendurar no pescoço. Por enquando elas ainda funcionam pra me ajudar a enxergar, depois sei lá.

domingo, 2 de maio de 2010

é legal ou chato colocar festa no facebook?



Atenção, gente. A gente tem que tomar o maior cuidado, não pode sair colocando foto e marcando pessoas no facebook assim sem mais nem menos. Achei que não tinha problema nenhum, e que as pessoas que tão no facebook estavam lá justamente porque queriam aparecer nas fotos dos outros no facebook, mas nananinanão. É um putis perigo. Eu fui num jantar, e no meio da festa, eu lá toda animada com meu telefoninho tirando fotos e fazendo tim-tim, tim-tim, tim-tim (eu achei um barulho de "clic' de foto no celular que é um barulho de um brinde e que é demais), quando fui avisada pelo dono da casa:
- Ô Franka, quer tirar foto tira, mas nada de facebook, ein?
- Hã? Nada de colocar um jantar com amigos no facebook? Como assim?
Foi um balde de água fria. Me deu a maior tristeza, mas ele deu a explicação. Disse que essa coisa de colocar foto de festa e jantar no facebook dá muito problema, pois as outras pessoas, os outros amigos que você tem no facebook que não foram na festa vêem que você deu uma festa e que não convidou eles. E que isso gera um monte de reclamação, "pô, que coisa Fulano, deu um jantar de novo e não me chamou?", "pô, foi seu aniversário, tava legal eu vi, não lembrou de mim?", "pô, você sabe que adoro vatapá e não me convidou?" ou apenas "!". Ele explicou que essas pessoas ficam tristes pra caramba, ele não pode convidar os trocentos amigos pra jantar, então não gosta de colocar nada no facebook. Ele disse que tem gente que deve estar quase se suicidando de tanto que não é convidado. Tudo culpa do facebook. E arrematou que ele é legal com os amigos dele do facebook e que não fica exibindo festa que ele deu. Nossa, foi a maior lição de moral virtual.
Eu confessei que nunca tinha pensado nisso, e confessei também que já fiquei meio enciumadinha de ver foto de jantar ou festa de gente que não me chamou. Dai tive a idéia de tarjar as pessoas, mas ele falou que era bobeira. Argumentei que aquelas eram fotos de pessoas felizes e que a gente deve sim colocar fotos de felicidade, que isso traz energia super boa, mas ele não mudou de idéia. E nessa hora todo mundo que tava no jantar começou a ouvir a nossa conversa e começou a maior discussão. Uns ficaram indignados, "como assim, a Franka não pode pôr essas fotos no facebook? Porque?", outros concordaram que era chatérrimo gente que fica exibindo sua felicidade e uns outros, que não tinham facebook, ficaram boiando total. Bom, resumindo, o jantar foi super legal mas não foi pro facebook porque eu não queria era perder o amigo dono do jantar, continuei no tim-tim, mandei as fotos pelo email e acho que post no blog eu posso colocar, afinal ninguém sabe de quem tou falando. Fica ai a dúvida. É chato ou não?

sexta-feira, 30 de abril de 2010

uma coisa a se pensar...



Fica esse monte de gente entrando e se inscrevendo no facebook, e eu tou vendo tudo: daqui a pouco vai ter gente que vai começar a morrer e dai eu quero ver como vai ser. A pergunta é: gente, como avisar o facebook que você morreu? Será que alguém pensou nisso? Porque o facebook, se não souber de nada, vai ficar sugerindo que um monte de gente te adicione e tal. Mas se você morreu você não vai poder adicionar ninguém, e dai o facebook vai avisar naquela janela da direita que você está 10% inativo, depois 20% inativo, depois 30%, 40%, ... 90%, não é? E será que a inatividade no facebook chega a 100%? E será que nessa hora ele percebe que você morreu? Acho que não, porque tem gente que apenas enche o saco de tanta vida social virtual. Eu sei que tou falando um absurdo, mas isso me veio a cabeça: não é esquisito a pessoa morrer na vida real mas continuar viva no facebook como se nada tivesse acontecido? Sei lá, isso deve dar até uma energia ruim pros nossos espíritos, pensa, eles não vão totalmente embora porque o facebook fica puxando o cara pra terra, meio horrível isso. Isso fora as pessoas que vão falar mal de você, que não responde, que não aceita amizade e tal. Então pensei que o facebook devia obrigar a gente a nomear uns amigos "coveiros", que depois que você morresse poderiam entrar no seu face e colocar um tipo de tumuluzinho lá, pra todo mundo ver que você morreu, e quem sabe até fazer homenagens póstumas, escrever frases lindas, te desejar boa morte e tal. Esses amigos coveiros podiam, inclusive, ganhar os amigos da pessoa que morreu, seria um bom pagamento pra o trabalho. Ah. Sei lá como resolver. Mas que essa é uma boa questão pra gente pensar, ah, isso é.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

ká limo



Outro dia fiquei matutando sobre carros. A gente sempre é obrigado a comprar um carro inteiro. A parte de fora, o motor, a parte de dentro. Ninguém reclama de comprar tudo de uma vez, e claro, eles colocam tanto coisa nesse produto que carro custa super caro. A gente só tem a opção de comprar carro velho (barato) ou novo (caro). Não existe a opção de comprar um carro só com a parte de fora e o motor pra economizar. Casa ou apartamento você pode comprar vazio e depois montar a parte de dentro como quiser. Não entendo porque no mundo dos carros você não pode fazer isso. É sempre obrigado a levar aquele monte de poltrona e banco, tem gente que nunca usou o banco de trás. Puta desperdício.
Imagina que legal. Você vai e compra um carro. Escolhe o modelo de fora, escolhe o motor. O carro vem com um banco básico, uma direção e um painél básicos, para você levar ele para casa. Dai você monta o resto como quiser, do jeito que precisar. Por exemplo, se você é sozinho, pode ter uma poltrona só, se quer carregar coisas, faz um portamalão, se prefere sofá ao invés de poltrona, manda bala. Se tem cachorro, faz casinha atrás, se tem filhos pequenos, faz um cômodo infantil. Você também poderia fazer do seu jeito. Escolher o estofamento, pintar o lado de dentro como quiser, escolher a luminária. Cada um poderia inventar o tivesse vontade. Pros decoradores era uma mão na roda, iam chover clientes novos. Assim um cara que tivesse, por exemplo, um Corsa ou um Ká, podia ter um interior de limousine. Se você pensar bem, se tirar os bancos de trás e o porta malas, daria pra colocar o maior poltronão, geladeirinha, televisão, paredes de painéis de couro, tapetes persinhas no chão. Ia ser super o máximo. Só vejo vantagens nessa idéia, só não sei com quem eu falo pra mudar esse mercado.

terça-feira, 27 de abril de 2010

remediar não é melhor que prevenir?



Hoje em dia tem essa coisa super chata da medicina preventiva. Você tá ótimo, não tem nada, não sente nada mas tem que pagar aquele mico enorme e passar horas no laboratório fazendo setecentos exames todo ano. A partir de certa idade eles te mandam fazer exames de seis em seis meses. Ixi. Olha como eu falei. "Eles". "Eles" são os médicos e eu, falando assim, parece que tou com mania de perseguição. Os meus exames desse ano eu tou adiando, adiando, mas sei que não vou conseguir cair fora. E que "eles" vão achar um monte de problema, ai que saco. O que eu não entendo é porque ainda não existe, além dessa coisa medicina preventiva, a terapia preventiva ou sei lá, psicanálise preventiva. Tipo um exame, você ia no cara todo ano e ele avaliava sua cabeça, suas emoções, atitudes e... nossa... Já imaginou que caos que ia ser? Se um dia inventarem isso, nossa, ia ser um transtorno nas nossas vidas... E pensando bem, com toda certeza muitos dos meus amigos e conhecidos, que estão ótimos hoje com seus excessos de alegrias, encontros, álcool e etecéteras, provavelmente seriam todos... internados imediatamente. Hahaha. Comentei isso com amigos, eles concordaram e arremataram que já eu iria diretamente da sala do psicólogo pro... eletrochoque. Socorro.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

conta, franka!



As pessoas tão acostumadas a me ler. Mas olha que engraçado que fica eu falando a crônica que eu escrevi na rádio, com a minha voz. Clica aqui. É o programa da semana passada. Tentei ao máximo apenas contar a história. Não "ler". Contar é diferente de ler. Acho que no rádio a gente deve contar, e aqui, escrever. Dai tive uma outra idéia que falei pra o Fábio, da Rádio USP. Num dos programas anteriores, ele colocou umas musiquinhas no final. Achei legal aqui, e perguntei se podia sempre ter uma musiquinha no fim e se eu podia escolher a música. Ele topou, e nessa crônica, que eu falo da caixa postal dos celulares, escolhi a música "Please Mr. Postman", dos Carpenters. Hahaha.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Maca Hara Ninja



Estava no caixa do super, passando as compras quando olhei a tela onde aparece o nome das coisas que eu comprei. A moça passando super rápido tudo, formando aquela montanha, pois o empacotador não dava conta. Não é sempre que existe sintonia entre a caixa e o empacotador. Como tudo na vida.
- Moça. Peraí.
Ela parou de passar os produtos.
- Pois não.
- Que é isso que eu comprei ai?
Ela olhou a tela, estranhando.
- Hã?
- Olha o que tá escrito. Macahara. O que é Macahara? Eu comprei uma ou um Macahara?
- Macarara?
- É, olha. Na verdade, é Maca-Hara. São dois nomes, moça.
Ela olhou para as compras ao redor dela, tentando lembrar o que era.
- Parece nome de agente secreta. Tipo a Mata Hari. Que estranho.
- Ah, é a maçã, senhora. Maçã Hara. O computador não coloca til e cedilha.
- Ah, essa maça tem sobrenome?
- Essa tem - ela explicou - tem muita fruta e verdura que tem nome e sobrenome. Como Laranja Lima, Laranja Pêra, Banana Maçã...
- Ah, entendi. São tipo as famílias, é isso?
- É. E a senhora comprou a Maçã Hara. Da família Hara.
- Ah, legal.
Ela ficou atenta, e logo em seguida me mostrou a tela de novo.
- E olha isso, senhora. A senhora também está comprando o Brócolis Ninja.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

controlinho toutichi?



Eu apertava, apertava, apertava sem parar o botão e o controle remoto não abria o portão de jeito nenhum. O carro parado ali no meio, atrapalhando os outros, e nada do portão abrir. Consegui entrar no prédio graças à caridade de outro condômino, e na saída fui falar com o porteiro. Um senhor de óculos, muito sério.
- Oi moço, o senhor pode abrir pra mim? Meu controle não abre. Na hora que cheguei, tentei um monte e não abriu. Acho que acabou a pilha.
- Deixeuver - ele disse, apertando o botão - está funcionando sim, dona Lúcia - declarou, categórico.
- Não está não senhor, o portão não abriu.
- Está sim senhora, olha, a luz acende. Se não tivesse pilha, não acendia. Vamos lá no portão testar - ele resolveu, saindo da guarita.
Ele foi na frente, todo exibido. Olhou o portão e apontou. "Tic", ele fez. E bastou um "tic" dele que o portão abriu.
- Viu? Tá funcionando, dona.
- Nossa, eu tentei tanto...
- É que a gente é da época do botão, dona Lúcia.
- Como assim?
- A gente aprendeu a apertar botão, apertar com força. E com força não funciona hoje em dia. A gente não entende toutichi, por exemplo, dona Lúcia.
- A gente não entende do que?
- Tou-ti-chii - ele disse bem alto - essas coisas de agora, que tem que apertar devarziiinho... de levinho... só encostando...
- Hã?
- Agora é tudo toutichi, tuuudo toutichi... a senhora veja que coisa. Máquina de retrato, celular, controle remoto. A senhora tem que aprender a não apertar muito. As coisas mudaram. Tem que ser bem de leviiinho... tou-ti-chi.
Putis. Depois de uma filosofia de faxineira, ensinamento de porteiro? Genial. O cara tem toda razão. Antigamente a gente girava botão, mexia para cima para baixo, discava telefone de disco redondo, e depois veio a inovação: o botão. As pessoas da minha geração aprenderam a apertar botão. E com força. Putis, e agora aprender o toutichi não é mole.
Desci na garagem, peguei o carro e... tic. Abriu.

domingo, 4 de abril de 2010

filosofia de faxina




- Lúcia, filha, foi você que me ligou ontem de manhã?
- Foi mãe. Mas ninguém atendeu na sua casa.
- Ah, eu sei. Eu tava no clube. A Tereza, minha faxineira, estava em casa, mas essa Tereza... ela não atende telefone.
- Ela não atende? Porque?
- Eu chego em casa e pergunto "Tereza, alguém ligou?". E ela responde "o telefone tocou duas vezes", ou "o telefone tocou cinco vezes". Mas atender, neca.
- Ué. Que faxineira estranha.
- Não é estranha não. Ela tem toda razão. Um dia eu reclamei, e ela falou "dona Hebe, os telefonemas não são pra senhora? Se a senhora não está, pra que eu vou atender? A senhora não está, ué. Se a senhora quiser eu atendo e falo que a senhora não está, mas tá na cara que se ninguém atende, a senhora não está". Entendeu, filha?
- Hã? Mais ou menos, mãe.
Hahaha.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

os mini games dos garçons


Se esse negócio que eles inventaram, de comanda eletrônica pra garçom, era pra agilizar o serviço do restaurante, desculpa mas não certo. É o mesmo que dar um monte de mini-game pra quem tem que trabalhar, pô.
- Moço, algum problema?
- Hã?
- Você tá me ouvindo, moço? - perguntei pro garçom que estava parado feito um zumbi do lado da nossa mesa, compenetrado no aparelhinho, uns dez minutos depois que fizemos o pedido.
- Um minuto, senhora.
- Algum problema com o nosso pedido, moço?
- É que eu errei o código do macarrão, tenho que deletar... pronto, consegui. Além disso eu não sei o código do espeto misto, tenho que procurar um por um. Ainda não decorei tudo. Peraí.
Eu começei a implicar.
- Zé, será que esse homem não pode fazer isso lá dentro? Tem que ficar aqui do nosso lado, plantado feito um poste, jogando esse joguinho e ouvindo nossa conversa?
- Sei lá, Lú, não tou entendendo nada, será que ele errou muito na hora de clicar? - cochichou o Zé.
- Ele nem me ouve, deve estar perdendo o jogo total. Viu que ele fala como nossos filhos falam quando eles estão no videogame e a gente chama pra almoçar? "Péra, toiiino!"
- "Toíiino", é, é isso mesmo. E a gente chama, chama e eles não vem. Idêntico ao garçom.
- Isso tá super "toiiino", Zé, que saco.
Qual o problema do bloquinho de papel? No restaurante aqui do lado de casa, a gente chegava, fazia o pedido e os garçons, depois que escreviam rapidinho no bloquinho, conversavam com a gente, faziam gracinhas, jogavam conversa fora. Ai veio a comanda eletrônica, eles dizem que fazem treinamento e tal, mas que nada. Demoram horas e horas para lembrar o código da coca-cola, do bife, do hamburguer, erram, apagam, deletam, e se perdem todos para adicionar limão e gelo. Olha só. Não é tudo que é moderno que funciona, vamos considerar, vai. Um cara que nunca jogou um joguinho não vai conseguir nunca ser campeão. Esse negócio de comanda eletrônica, pra mim, é uma das maiores asnices do mundo moderno.
- Conseguiu, moço? A gente tá com fome...

domingo, 28 de março de 2010

o fim da caixa postal



Gente, atenção. Vamos aprender uma coisa. Não adianta mais deixar recado na caixa postal dos celulares dos outros. Os celulares ainda tem a tal caixa postal, tem como gravar recadinho, nome, mas ninguém chega até lá. É muito longe. É, longe. Demora para você conseguir gravar, e demora mais ainda pra você conseguir ouvir. Depois que os telefones passaram a ter identificador de chamadas, depois que todo mundo aprendeu a passar torpedo, pra que caixa postal? Pra ler um torpedo basta apertar um botãozinho e o recado tá ali, escrito, de modo super facil pra gente ler. Super bacana torpedo.
Hoje em dia a gente tem pressa. A gente aprende assim com as facilidades do mundo moderno. A gente anda super sem paciência, eu acho. Não aguenta mais esperar nada. Eu vejo por mim, eu sinto que a minha pressa tem aumentado muito. Eu não aguento esperar aquelas longas e longas horas para ouvir meus recados da caixa postal, e muitas vezes as mensagens ficam mais de uma semana lá, esperando que eu salve aquelas vozes do limbo. Mas eu morro de preguiça. Ué, se é urgente, pô, passa torpedo. A cada dia eu recebo mais torpedo. Torpedo é um ítem em ascensão. Caixa postal está em baixa total.
Um dia, ano passado, conheci um cara que tem uma voz linda. Uma vozona bacana, parece voz desses locutores de rádio. Tive uma idéia. Pedi pra ele se ele poderia gravar uma mensagem pra mim no meu celular. Oba, ele disse, é pra já. Gravamos e ele falava: "alou, você ligou para a lúcia, ela não pode atender, deixe seu recado". Achei aquilo o máximo. Achei que todo mundo ia comentar. Putis, Que nada. A voz do locutor ficou lá naquele mundo longínquo da caixa postal e ninguém reparava. Até eu esqueci a vozona grossa lá. Porque as pessoas são meio assim como eu: telefonam, e, se a pessoa não atende, desligam e esquecem. Todo mundo sabe que teu telefone fica gravado no telefone do outro, não precisa deixar recado. Parece bobo falar "oi, eu liguei", se tá na cara que você ligou. Uns meses depois, olha só, meses depois, o Zé descobriu a voz do homem, acho que meio sem querer, e falou que era esquisito uma voz de homem no meu telefone. Tá, eu tirei e coloquei de volta a minha vozinha: "oi aqui é a lúcia, deixe seu recado, tal". E agora eu tou de novo lá, naquele fim de mundo inacessível, minguando cada vez mais, louca pra receber um recado, sozinha... Mas o mundo é assim mesmo, vence o mais forte, uns morrem, outros nascem e o torpedo tá ai, bombando. O único problema do torpedo é que você tem que escrever. O legal seria se você falasse e o torpedo se escrevesse sozinho. Calma. A gente chega lá.