quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

CARTEIRA DO BOM MARIDO


carteira da ASCF

Achei essa pérola nas coisas da minha avó.
Como a carteirinha não foi preenchida e como minha avó e meu avô já morreram, ficarei sempre na dúvida se meu avô não foi considerado um "bom marido" ou se ele era "tão bom marido" que nem precisava de carteirinha.
Que coisa mais louca. De onde essa "Amélia Ferdinanda" , das "Bolsas Alicator", tirou essa idéia de dar "carta branca" aos maridos?
Marketing, gente. Marketing.
Acho que a idéia de marketing da loja Alicator funcionava mais ou menos assim: o marido ia nas lojas "Alicator" na rua do Arouche, comprava uma bolsa ou uma luva para a esposa e a presenteava. Junto com o presente, ia a tal carteirinha, que ela, embevecida de prazer de ganhar um "mimo" (é, naquela época as mulheres se "embeveciam") preenchia e dava carta branca para o marido fazer o que quiser: afinal ele era um ótimo marido, que presenteava a mulher com luvas e bolsas maravilhosas!
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"Atesto que o portador da presente, meu marido, não bebe, não joga, não dança, não chega tarde em casa e é em todos os sentidos um SANTO MARIDO e por isso tem o direito de ir onde quiser, com quem quiser, e fazer o que quiser, com o meu consentimento."
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Uau, dona Ferdinanda.
A senhora pirou, é?
(E fumar, podia?)
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Lembrei de uma amiga minha, advogada, que cuida de muitos casos de separação, que aconselha as amigas, conformada:
- Gente, não podemos reclamar dos nossos maridos... eles não trazem mulher para casa, não chegam muito bêbados, não batem na gente, não usam armas, pagam as contas e são limpinhos...

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