quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

A solidão do closet


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A solidão do closet
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A vida de uma amiga minha mudou por causa de um espelho. Ela nunca tinha reparado em certas gordurinhas, celulitinhas e estriazinhas até o dia que foi para um hotel e deu de cara com um maravilhoso espelho gigante super bem iluminado, que denunciou tudo. Disse que teve a maior raiva do espelho, pois lá ela viu gordurinhas imperceptíveis se transformarem em gorduronas imensas, verdadeiras banhas. Antes desse espelho, ela vivia feliz com sua ignorância sobre tais questões adiposas, mas depois passou a sofrer, triste. Aquele espelho estragou as férias dela. Tivesse ela ficado em casa, com seu espelho pequeno e mal iluminado e estaria muito mais feliz.
Tem toda razão, a minha amiga. Eu, por exemplo, só conheci o meu perfil quando tinha 30 anos. A experiência foi traumática. Até então, todos meus espelhos eram planos e só permitiam que eu me visse de frente, até o dia que fui morar num apartamento com aqueles espelhos de banheiro que dobram as laterais. Pronto, bastou. Quando me olhei de frente e de lado ao mesmo tempo fiquei aparvalhada: nunca tinha reparado que eu tinha um narigão daqueles, e ainda por cima meio adunco. Que horror! Passei dias me olhando em tudo quanto é espelho lateral, impressionada. Que nariz! Tive pena do Zé, que casou comigo sabendo daquilo.
Passei maus bocados para superar o trauma daquele espelho.
Acho que no começo do século, quando não existiam espelhos tão nítidos, tanta luz nos closets e nem tantos banheiros, as mulheres eram menos complexadas, pois não imaginavam que tinham as tais "gordurinhas a mais". Os quartos de vestir tinham “penteadeiras”, onde as mulheres se arrumavam sentadas, e nos espelhos via-se somente o rosto. Celulite? Acho que elas nem sabiam o que era isso. Com certeza a indústria da cosmética está diretamente ligada a indústria da iluminação e da reflexão: mais luz, mais celulite e, conseqüentemente, mais cremes e mais plásticas.
E haja complexo.
O pior é que temos que superar isso sozinhas, na maior solidão, trancadas em nossos banheiros particulares, nos nossos closets particulares, nos nossos quartos suítes. Esse é outro grande problema que afeta as mulheres da nossa época e que está diretamente ligado ao problema dos espelhos gigantes super iluminados: a solidão do closet.
Tudo começou quando as famílias passaram a viver em pequenos núcleos familiares: pai, mãe e filhos. Na geração das nossas bisavós não era assim, as pessoas moravam todas juntas, mãe, pai, filhos, netos, irmãos, tios, sobrinhos. As mulheres de uma família conviviam diariamente com muitas mulheres, de todas as idades. Existia um companheirismo no ato de arrumar-se que hoje não há mais.
Acho que as mulheres daquela época tinham muito menos traumas, pois tinham com quem dividir. Quando precisavam se arrumar para uma festa, todas ajudavam, davam apoio, penteavam, cuidavam. Não precisávamos de espelho. As outras mulheres, irmãs, primas e cunhadas nos diziam se estávamos bem ou não.
Hoje não. Hoje suspiramos sozinhas nesses nossos enormes closets, cheios de espelhos para compensar a nossa falta de companhia. Temos que olhar para nós mesmas infinitamente e ver nossa pele envelhecer, engordar, amolecer.
Não sei. Mas acho que o que incomoda não é ver as bolinhas de celulite, não.
É ver a nossa solidão.

"Moda Franka"


Frankamente...

Quem foi que disse para a Marta que ela fica bem de "beje com dourado"?
A prefeita parece um enfeite de natalino, repara!

O DOADOR


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Todo natal eu faço com os meninos um livrinho com histórias da nossa família. Funciona assim: cada um escreve uma ou mais histórias que aconteceram no ano, eles ilustram (ou não), imprimimos, tiramos xerox e fazemos uns 20, 30 exemplares para dar aos amigos. Esse ano não sei não... os meninos cresceram e estão achando a idéia meio "ridícula", para variar.
Uma pena.
Bem, vai ai abaixo uma história do Chico, de uns anos atrás...
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O DOADOR

Por Francisco

- Mãe, você é doadora de orgãos?
- Sou. Está escrito na minha carteira de motorista.
- Eu também vou ser. Mas só de umas partes.
- Como assim?
- Olha. Eu dôo. Mas não tudo.
- Hã? Porquê?
- Olha mãe. Dôo a córnea, fígado, rim, pulmão, coração e só. Nada mais.
- Num entendi, Chico. O que mais você acha que a gente pode dar para transplante?
- Há. O pinto, ué. Eu não vou pro céu sem pinto. Nem pensar.
- Pinto?
- É. O que vão achar de mim? Depois eu chego lá e eles vão falar o quê? Há, tudo. Menos o pinto.
- ...
- Dá para escreverem isso na minha carteira de motorista?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2004

l+ú+c+i+a

Acabei de achar na minha agenda esse presente do meu João B. :

L inda
U nidiscutível
C iente
I nigmática
A micavel

não é incrível?
lucia, a inigmática

mais top tens esquecidos


Mas como eu pude esquecer desses? Imagina me esquecer de Magnólia!

franka´s top ten II

Magnólia
Em algum lugar do passado
One from the heart
Edifício Master
A bela da tarde

BENÇÃO


o São Benedito, meu protetor

Achei essa imagem tão simpática do meu São Benedito e resolvi colocar aqui para pedir a benção. Não custa nada, né?
Só que esse São Benedito carrega 5 pães ao invés de um bebê no colo. Gostei, gosto do número 5, somos 5 aqui em casa: um pão para cada um. Tenho uma imagem dele aqui ao meu lado, que está comigo há muitos anos. Como ele ficava muito sozinho (imagine-se em pé, parado, anos a fio com a missão de abençoar a lúcia e a família da lúcia), arrumei uma companheira para ele: a Nossa Senhora Aparecida.
Agora os dois ficam juntos, de mãos dadas, cuidando de mim.
Sei lá, pode me achar maluca, mas sinto que ele ficou bem mais feliz.

Vergonha da mãe


as "maria sem-vergonha" do meu jardim (caramba, como é o plural dessa flor?)

Vergonha da mãe

- Mãe? Mãe, o que você está fazendo aqui? – ela me perguntou, olhando para os lados.
- Vim falar com sua professora. E resolvi te achar para te dar um beijinho.
- Fala mais baixo, mãe... mas mãe, melhor você ir, estou ocupada.
- Ah, tá bom... então tchau, dá um beijo na mamãe, querida – respondi, desanimada.
- Beijo? Aqui? Nem pensar, mãe! Te dou em casa, tá? – ela decidiu, saindo de perto de mim.
Uma hora, acontece. Os filhos têm vergonha da gente.
Claro que eu sabia que ia acontecer, mas nunca achei que fosse tão rápido e que, de um dia para outro, eu fosse me transformar de “ídala e líder absoluta” em “mulher mais ridícula desse mundo”.
Nesse dia eu me mandei da escola na hora. Sei como ela se sentiu comigo ali ao lado das amigas dela, inadequada, falando alto. Uma verdadeira mãe-ridícula. Pois eu também tenho mãe, e, apesar de hoje eu não ter vergonha alguma de sair com ela, já tive muita vergonha da minha mãe na vida. Mas os tempos eram diferentes, minha mãe era brava e eu não falava nada para ela. Ficava quietinha, naquele pânico da vergonha total.
Não que a minha mãe só fosse aos lugares errados nas horas erradas para me procurar. Ela tinha hábitos que me intimidavam. Por exemplo, ela cantava na rua, andando pela calçada. Cantava alto, dava para todo mundo ouvir a letra, a música, a melodia. Mas ela não é cantora e sequer se preocupava em decorar as letras direito. Então ela improvisava. Tralanananaaããã olhos nos olhos, quero ver o que você faz... Aquilo era um horror, as pessoas olhavam e davam risada. Talvez fossem risos complacentes, de comoção com a alegria dela, mas eu não via isso. Tinha vergonha, muita vergonha da minha mãe.
Quando ela começava a cantar, a primeira coisa que eu fazia era des-dar a mão para ela. Ficar de mãos dadas com aquela vitrola ambulante era demais. Depois, eu passava a andar um pouco atrás, como se eu não a conhecesse. Não adiantava nada. Sempre que eu saía do seu campo de visão ela me chamava, “lúcia! Está no mundo da lua?”, e pegava na minha mão e retomava a melodia, desafinada de tudo, tranananãtatã, ai se tu soubesses como eu sou tão carinhoso...
Ela também me vestia igual à minha irmã, coisa que me parecia ridícula. Mudava só a cor. Tínhamos que andar assim, juntas e parecidas, pois, segundo ela, aquilo que era bonitinho. Sair igual me incomodava e eu morria de vergonha também. Mas também não falava nada.
Mas o que me incomodava e me dava muita, mas muita vergonha mesmo era o hábito que ela tinha de falar da gente para os outros na terceira pessoa. E muito. E alto. E vangloriando. E elogiando. E expondo todos os problemas. Como se a gente não existisse, como se não estivéssemos ali. Imagina assim: ela estava de mãos dadas com duas meninas. Uma de cada lado. Encontrava uma amiga na rua, que perguntava se estava tudo bem. Ela se animava.
- Ah, as meninas estão ótimas. Ótimas mesmo, estudiosas. A maior (eu) não me dá trabalho, mas não come nada, um horror. A menor (minha irmã) é birrenta, você nem queira saber. Se atira no chão, faz cada escândalo.. leva cada surra... A maior é cara da avó, olha só. A menor ontem passou mal, vomitou.
A maior, a menor, as meninas.
Éramos nós, envergonhadas e mínimas ali do lado, querendo sumir, mas dando aquele sorriso bobinho, e ela contando tudo, tudo, absolutamente tudo da nossa vida para os outros. Até as nossas diarréias.
Quando tive meus filhos, jurei que nunca ia cantar na rua, nunca ia vestir os meninos iguais e que nunca eu falaria deles na terceira pessoa. E jamais falar das diarréias, óbvio. Mas... adianta? Eles têm vergonha do mesmo jeito!
- Mãe, dá para você colocar uma roupa menos escandalosa?
- Mãe, fica ali no cantinho. Aqui todo mundo te vê.
- Mãe, pode ver o jogo. Mas por favor, não grita, não berra e não torce. Tenta ficar calada e parada, tá?
- Mãe, vamos, mas não fala muito. Por favor, seja objetiva e não alonga as conversas.
- Mãe, não senta no chão! Você não é adolescente!
Porém de vez eu quando, eles tem razão. Eu preciso de uns limites mesmo.
- Mãe, tá maluca? Isso é uma loja de discos, não é um baile! Precisa dançar aqui?

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Descaetaneou?


caetano veloso

O Caetano se separa da mulher dele e isso é uma notícia.
Manchete de jornal, falatório, notas nas revistas, notícia de rádio.
Ele foi casado o mesmo tempo que eu: 19 anos.
Iii. Ganhei dele.
Já passei do limite de achar qualquer coisa sobre o Caetano. Ele já é adjetivo, memória, lembrança, referência, parte, fatia, recorte e tudo mais que pode trazer o meu passado para o presente. Ele já empedreceu dentro das minhas referências, não sai mais. Petrificado nos trens das cores, nos vampiros, nos ileaiês. Foi a música de fundo de todas minhas paixões da juventude, a cantoria dos meus primeiros anos de casada e o embalo dos meus bebês.
Por mim, ele pode separar o quanto ele quiser da mulher dele que eu não ligo.
Impossível eu me separar dele.
Mais impossível ainda eu me descaetanear.

FRANKA´S TOP TEN I


franka´s top ten I

Lá vou eu com mais um postêmico (postêmico é um post que gera polêmica). Depois que meu amigo Charles me deu uma lista de filmes de faroeste para assistir, fizemos aqui em casa diversas listas "Top Ten" de filmes da vida de cada um. A minha lista I, que ainda não é a definitiva- final, é essaqui:

Um convidado bem trapalhão
Horizonte perdido
A noviça rebelde
Telma e Louise
Cinema Paradiso
O carteiro e o poeta
O ultimo tango em Paris
Morte em Veneza
O Poderoso Chefão
Johnny Guitar
O silêncio dos inocentes
A Bela Adormecida
Tudo sobre minha mãe

(ps. 1 - não necessariamente nessa ordem)

(ps. 2 - também estou com dificuldades de contar só até dez...)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

Espelhos Gigantes Super Iluminados (EGSI)


(Essa não é minha amiga Roberta)
(Com toda certeza a Roberta deve estar muito melhor que essa moça)

Recebi hoje um email da Roberta, minha amiga de infância que mora em Londres com o marido e seus dois filhos, comentando a minha crônica "Andar ou correr". Mesmo além mar, temos vidas bem semelhantes. Ela sempre me escreve contando fatos do seu cotidiano.
O email dela é uma outra crônica, que começa quando ela se olha no espelho de um aparthotel.
Acho que tudo começa assim mesmo - gente, para quê aumentar a qualidade e o tamanho dos espelhos? Rô, aqui vai seu email...:

O espelho do aparthotel

Oi Lu,
Achei interessante sua crônica pois retrata bem o dilema pelo que passei recentemente. Talvez te contando como resolvi eu te ajude.
Depois do meu drama no ano passado com o espelho gigante e super bem iluminado do aparthotel em que nos hospedamos, que me mostrou todos as gorduras localizadas e celulite que eu nao sabia que tinha, resolvi cuidar da forma e fiquei socia de uma academia. Começei nadando mas não vi muitos resultados, entao parti pras aulas de pilates, yoga, condicionamento físico, aeróbica, enfim, dependendo do horário tava lá eu. Até que descobri que se ficasse sócia só do meio dia às 3 era metade do preço. Isso é muito bom pros meus horários, pois é quando as crianças estão na escola e eu, a tv e os biscoitos ficávamos em paz (nada aconselhável pra quem quer manter a forma).
O problema é que não tem quase aula nesse horário e fui forcada a comecar a usar as máquinas, das quais sempre tive pavor: máquinas de correr, de andar, de remar, aparelhos de musculacão que parecem mais de tortura, enfim, que jeito, né? Tive que encarar. Levava meus fones de ouvido e caminhava parada no lugar, sempre com um misto de inveja e admiração daqule povo bem malhado correndo e usando todos os aparelhos sem piscar.
Resolvi que ia me juntar ao time dos corredores. Achei que depois de quase um ano fazendo ginástica e andando eu ia achar fácil. Que nada, corria 30 segundos e meu coração batia tão forte que meus pulmões parecia que iam implodir.
Mas não desisti. Comecei com 1 minuto e a cada dia aumentava um pouco, intercalando com caminhada rápida. Agora estou em 15 minutos de corrida e uns 5 de caminhada rápida para terminar. É uma delicia, a gente sua, sente que se exercitou, e qto aos aparelhos estou íntima! E meus braços estão bem firmes, sabe aquela gelatina na asa do braço? Ainda tenho um pouco, não sou nenhum Schwazerneger... mas agora tenho músculos também.
Realmente estou achando os resultados dessa combinacão de correr e malhar dá resultados em termos de espelhos gigantes super iluminados. Porisso, meu conselho é aos poucos ir aumentando o tempo e velocidade da sua caminhada e logo você vai poder olhar os caminhadores com aquele maravilhoso ar de superioridade dos corredores.
Beijinhos, Ro
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Bem, considerando que meus pulmões ainda parece que vão implodir e que eu percebi hoje que tenho a mesma gelatina no braço, nada me resta senão concordar com a Rô e começar a correr.
Assim, em termos de espelhos gigantes super iluminados (EGSI), acho que logo logo estarei salva.

POIROT X LANGDON


A pirâmide invertida do Louvre, enviada pela minha amiga Monica (com essa foto ela contou o final do livro e estragou tudo, mas paciência...)

Acabei de ler o famoso Código da Vinci, depois que o livro passou pelo Chico e pela minha mãe. Se eu gostei? Ah, claro, é um livro fácil e delicioso de ler, cheio de mistérios e aventuras. Não é a tôa que fez tanto sucesso. Um roteiro tradicional, empolgante e emocionante.
Mas o que me intrigou foi justamente isso: o sucesso do tal "Código da Vinci". Porque as pessoas gostaram tanto do livro?
O livro conta uma história de mistério, exatamente como as histórias do Inspetor Poirot da Agatha Cristhie da minha infância. É a "modernização" do mesmo padrão de roteiro de mistério: o Dan Brown é a Agatha Cristhie dos nossos tempos.
Vejam as semelhanças: os códigos deixados pelo assassino, o uso de inteligência e perspicácia para desvendar o mistério, a descoberta feita pelo cérebro do protagonista, as trapalhadas da polícia, o desvendar do fim onde jamais imaginaríamos.
Mas, ao invés de assassinato, temos a morte dos ensinamentos da Igreja. Temos a pesquisa, a ciência, a arte colocadas em cheque. Não temos somente um corpo (embora haja corpo assassinado no livro), temos o mistério do escândalo do questionamento do que não podia ser questionado. A arte, a religião e a cultura, tão enfronhadas na mídia, tiveram que ter seu escândalo. É...
Foi isso que fez sucesso.
O escândalo.
O escândalo é o assassinato dos nossos dias. Ele que conta a história, ele que nos faz boquiabertos, ele que é o mistério e ele que vende livros para mais de dez milhões de pessoas.
Acho que isso deve ter sido mais uma invenção do Leonardo da Vinci: ele inventou também a auto-propaganda.
Provavelmente o Louvre nunca teve tanto visitante como depois desse livro...

domingo, 5 de dezembro de 2004

apertem os cintos, a prefeita sumiu



Ando pasma esses dias tentando entender o que se passa na cabeça da prefeita.
Quero encontrar alguém que possa me explicar porque a mulher sumiu do mapa e largou para trás a cidade e seus problemas, assim, sem mais nem menos.
Nem as calçadas ela acabou!
Ora. Nem nos piores momentos da minha vida, do meu casamento, dos meus trabalhos ou das minhas cólicas menstruais eu larguei tudo e saí porta afora para tirar férias. É mais ou menos justamente o oposto o que acontece comigo e que eu acreditava que acontecia com todas as mães do mundo - o barco está virando?
Esforce-se e sorria.
Vamos ajudar a desvirar, fazer comida para todo mundo e arrumar as camas. A casa está caindo? Nada de fita. Vamos pelo menos recolher os brinquedos das crianças do chão, porque custaram caro e não podem ficar jogados. O marido não fala com você há uma semana? Iii, homem é assim mesmo, gente, vamos assar pão de queijo e ver um filme na tv que isso já passa. Acabou todo o dinheiro, todo o trabalho? Questão de tempo, mas não podemos ficar na bagunça, vamos ao menos tirar o lixo da casa.
Não sei se dá para entender a minha profunda decepção. Para mim, uma mulher deve segurar as pontas, com um mínimo de esprança e bom humor, ainda mais uma mulher prefeita como a Marta. Temos que cuidar de nossas familias, aconteça o que acontecer.
Uma questão de infra-estrutura.
Mas a mulher largou tudo, colocou um taierzinho estilo Lady Di e se foi com o bonitão Dodi al Fayed! Será que encheu o saco? Será que entrou em depressão profunda? Será que foi viajar mesmo ou está internada escondida no Einsten? Será que é possível tanto descaso com a sua própria casa?
É.
Ou ela dá uma boa explicação, ou, pobrezinha, acabou de perder uma eleitora.

sábado, 4 de dezembro de 2004

Aniversário do meu João Batista!


11!!!

Aniversário do Joaozinho, 8 meninos em casa para comer churrasco com bolo no quintal, dia de sol e calor. Haja alegria, agitação, comilança e brincadeira! O engraçado é que há 11 anos atrás, no dia que ele nasceu, era sábado também. Parabéns, Jucaaaaaaaa!

joão batista faz 11 anos!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

AVÓ



Escrevi esse texto há três anos, depois de uma visita à minha avó.
Reencontrei hoje e o coloco aqui para ela, que ainda está viva, firme e forte. Caramba, é muito legal. Acho que eu tava inspirada.

Dona Antonieta

Tenho até hoje uma avó. Ela está bem de saúde, apesar de ter quase cem anos.
Porém fica o tempo todo perguntando o porquê dela ainda estar viva. Diz que não ouve mais direito, que não anda mais direito e não enxerga mais nada. Segundo ela mesma, pra que é que ela serve? “Só para atrapalhar os outros”, ela mesma responde, “só para dar trabalho para a família”.
O problema da minha avó é o excesso de consciência. Acho que ela tem um equilíbrio errado neste sentido, sua consciência é cheia demais para os buracos ocos das funções do seu corpo, e ela não suporta mais essa consciência.
Acho que com quase cem anos, muita compreensão incomoda.
Todo mundo da família fica a consolá-la. “Queéisso, vó. Pára de reclamar, vó. Olha a senhora ai, inteirona, mãe. Tão forte. Não entendo, a senhora tem essa saúde de ferro e reclama? Nem dores tem, de nada”.
Ela nem ouve.
O que ninguém entende é que ela talvez clame por alguma coisa que dê sentido à vida, nem que este futuro seja a própria morte. Qualquer futuro, enigmático, misterioso, nem que seja nas profundezas da dor ou da doença, onde a vida dela possa ter, enfim, novamente, alguma emoção. Acho que minha avó já não agüenta mais esperar. Ela é um bebê não nascido de dentro do útero da vida.
Toda vez que vou vê-la, tento preencher a vida dela com as minhas histórias. Falo como uma matraca, exagero, invento, floreio, saio de lá exausta. Sinto que este é um dos tipos de alimentos que posso dar: a minha vida, ainda com futuro.
Numa dessas visitas, ela ladainhava. “Pra quê, minha neta. Pra quê ainda estou aqui ainda”. Minha avó não coloca reticências. Nada sai do presente.
Pensei um pouco. “Ora, Vó. A senhora está aqui para ser a avó. E assim, sendo somente a avó desta família, a senhora tem sua função. Entende?”
Ela me olhou, calada. “Avó?”
Acho que depois de uma certa idade, quando ainda estamos no mundo e não podemos mais ser úteis com nossas ações, palavras ou poesia, estamos aqui somente para ser. Minha avó é a avó. Ela agrega gerações, de filhos a bisnetos. Quem da família, quem, com seu talento, com sua profissão, com seu futuro, com suas funções corporais intactas e com sua juventude, quem conseguiria juntar um grupo tão diferenciado de pessoas? Tão pouco homogêneo?
A idade é um enorme imã que irradia a força do tempo, com seus perfumes velhos, com sua memória e com a consciência do tão distante fim. Ela é avó. E sendo somente a avó, e tão enormemente a avó, tem o maior papel que um ser humano pode ter: de ter gerado todos, de ser amada por todos.
Me conforta pensar que, enquanto eu me esforço para viver, minha avó se balança calada na sua cadeira. No mais completo silêncio. Silêncio da espera da dor que não vem, da morte que não bate na porta, do tempo que não mais interessa.
É.
Vez ou outra eu sou salva pela minha avó.

enrolando a língua

Acabei de ouvir de uma vendedora a seguinte palavra:
"Chiquetésima".
De onde vem essas coisas? Vou começar a colecionar, aceito doações.

Uma crônica do João B.


Essa crônica não é minha. Foi o Joãozinho quem escreveu, dois anos atrás.
E é ótima.

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Cadeira não é bípede!
Por João B.

Eu, meu irmão e minha irmã, quando estamos na copa almoçando ou jantando, temos uma mania de inclinar a cadeira para trás, deixando-a com apenas dois pés (bípede).
Para quem não sabe, bípede é qualquer coisa que tem dois pés, mas não é necessário andar para ser bípede. Por exemplo, você é um bípede mesmo quando está sentado.
Minha mãe nunca tinha notado aquilo. Quando notou, com a ajuda da minha empregada Maria, inventou um “lema” que fica repetindo a cada vez que nós inclinamos a cadeira. O lema é o seguinte:
“Cadeira não é bípede, João! Cadeira não é bípede, Luciana! Cadeira não é bípede, Francisco! Ô que coisa!”
Minha mãe não cansa de falar isso. Qualquer pequeno instante que ela vê que a cadeira está bípede, ela vem e fala:
“Cadeira não é bípede!”.
Meu irmão, de tanto fazer isso, quebrou uma cadeira. Quebrou mesmo. E agora perdeu o direito de usar cadeira. Está usando um banco.
Bípede, também.

***

quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

adolescente

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Ao meu lado, no carro.
- Nani, coloca o cinto de segurança.
- Ah! Esqueci!
- Vamos, coloca, filha.
- Nossa, estou muuuuuito esquecida hoje... tou esquecendo tudo!
- Que mais você esqueceu?
- Ah, de respirar, sabia? Fiquei com a maior falta de ar.

a paella de natal


o sergio & a paella natalina & a franka salivando
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Notas sobre a deliciosa paella natalina do Sérgio e da Ana, oferecida ontem:
  • maravilhosas a disposição das vieiras na panela, acho que o sérgio está se especializando em decoração paellheira...
  • o vinho servido? Tiago (juro que era esse o nome!)
  • e nota dez para essa foto da Monica, onde o Sérgio "rema" dentro da panela
Que sorte ter vizinhos assim!

A LEMBRANCINHA


olha a foto da lembrancinha que eu arrumei, que perfeita: é pior que a lembrancinha!

A lembrancinha

Dia de natal, festa de família.
Todas festas de natal de família são meio parecidas. Existe um ritual que todas as famílias respeitam. A ceia, o peru, os doces, a árvore, os presentes.
É sobre eles que eu queria falar. Os presentes de natal.
Na minha família todos dão presentes uns aos outros. Todo ano é uma trabalheira para comprar aquele montão, mas, como dá vergonha receber e não ter nada para dar, todo mundo presenteia todo mundo.
Chegamos na festa com aquele monte de sacolas. A árvore fica entulhada, o chão fica intransitável, as crianças, curiosas, mexendo nos pacotes. Conversamos. Ceiamos. Sobremesa. E enfim, chega a hora dos presentes.
Aí que começa. A farta distribuição das... "lembrancinhas".
É isso que eu não entendo. Juro. Esse negócio de lembrancinha, no natal a coisa fica insuportável. Elas se proliferam, e, quando você menos espera, está com dúzias de lembrancinhas nas mãos. O problema é que as tais “lembrancinhas” nunca vem sozinhas. Junto delas vem sempre uma pessoa se desculpando e justificando o motivo de te dar uma coisa tão inútil. Não sei, mas parece que lembrancinha não é presente de verdade.
— Olha, é só uma lembrancinha, hein? Coisa de nada, não repara!
Peraí. Além de dar um presente que não é um presente, e sim uma reles "lembrancinha" de nada, quer dizer que o presenteado não deve nem reparar nela? Nem... olhar para o presente? Escuta, se o presente é mixuruca e se você nem deve gastar teu tempo passando os olhos por ali, porque a pessoa te deu?
Eu tenho a maior vontade de responder:
— Ah, é? É coisa de nada mês-mo? Jura?
E, zummm, jogar o presente para trás, como se fosse lixo.
— Fica tranqüilo. Nem reparei.
Esse ritual acontece há anos, repetidamente, em todos as famílias, não só na minha. Acho que somos todos malucos. Pensa uma coisa. O teu parente faz uma lista de presentes, sai de casa, vai numa loja, enfrenta fila, trânsito, paga estacionamento, escolhe um presente, manda embrulhar, paga, leva até a festa, dá e te avisa:
— Olha, é uma porcaria. Nem olha.
E o pior é que temos que agradecer na escala oposta, exagerando, como se aquele presente fosse o máximo dos máximos. Haja adjetivo para inventar.
— Uma mini caixa de costura de bolsa! Maravilha, adorei, é tão útil, tão gracinha, tão adequada, tão colorida, tão prática, tão artesanal, tão diferente, tão fofa, tão necessária, tão bonitinha...
Acho única frase verdadeira nessas horas é a resposta que a gente dá quando ganha a tal da "lembrancinha".
— Ah! Obrigada! Não precisava!
Isso sim é perfeito. Não precisava mesmo.
Não é?