terça-feira, 20 de novembro de 2012

volta, xingu


Ando triste, triste mesmo com o desaparecimento do nosso gato. O sumiço causou um tipo de investigação entre nós, membros da família dona do gato, e a conclusão que chegamos, apesar de absurda, é a única viável.
O Xingu apareceu do nada há uns cinco meses. Miava feito um coitado no portão e foi acolhido pelo João e namorada, re-acolhido pela Luciana, e re-re-acolhido pelo Chico e pela Isadora. Me pediram para ficarmos com ele. Acolhi também. Nunca tivemos gatos aqui em casa, aquele era um filhotinho lindo, peludo, simpático. Acho que gatos são animais que usam sua sensualidade e fazem cara de fofinhos e coitadinhos para conseguir um lar, e sério, o Xingu foi mestre nisso. Depois de um veterinário básico, remédio de vermes e pulgas e umas vacinas, chegou aqui e ficou livre pela casa e pelo quintal. Resolvemos que ele, primeiro por ser um gato, e depois por ser um gato de rua, deveria ficar livre para ir e vir para qualquer lugar. Mas a gente mora em SP, numa casa, e todo mundo aqui no bairro tem cerca elétrica e alarme infra vermelho. Começamos a ter problemas com um vizinho. O cara viajava nos fins de semana, o gato pulava o muro - pois gatos pulam muros - e era aquela buzinação de alarme todo fim de semana. O vizinho veio reclamar, tivemos que colocar um alambrado no muro para o Xingu não apitar o treco a toda toda. O gato foi crescendo, cada vez mais lindo. Era também bem sem vergonha para carinhos, bastava alguém chegar em casa que ele dava um miadinho meigo e se colocava de barriga para cima, abrindo as patas, fofo, lindo, quase que dizendo "me ame, olha como sou lindinho". E funcionava. Não tinha quem não fizesse carinho. 
Tudo aconteceu na sexta feira passada. Ai que tristeza. Tivemos um problema de infiltração e chamei o seu Otávio, um pedreiro faz tudo. O Xingu ficou meio ressabiado com a presença estranha, e foi se esconder nos cantinhos. Em seguida chegou o homem da dedetização, todo paramentado feito um astronauta, pois a casa estava cheia de baratas, e pedi a Maria para colocar o gato em local seguro. Foi quando ela começou a procurar o gato. Eu sai pra trabalhar. Ela contou que ninguém achava o gato. O homem da dedetização disse que ele deveria estar escondido, mas não aparecia. Resultado. O gato até hoje não apareceu.
Bom. Nossas investigações e alguns fatos nos fizeram imaginar o que houve. O absurdo que provavelmente houve. Pensamos primeiro que ele podia ter sido "dedetizado", mas achamos nenhum gato vivo ou morto. Foi quando ligamos uns fatos. Em primeiro lugar, a empregada do vizinho disse que viu o gato encolhidinho no jardim da frente quando varria a calçada. O carro dos meus filhos, um Uno, estava estacionado em frente de casa. Ele provavelmente entrou por baixo do carro, e se enfiou entre o chassis do carro e o para choques da frente, ou da roda, que são de plástico, e ficou encolhidinho ali. Olhamos, tem espaço. Devia estar quentinho, sei lá. Minha filha e saiu com o carro atrasada para ir na faculdade. Quando estava na Vila Madalena, desacelerou para subir uma ladeira, e ouviu um barulho estranho no motor. Blum bloc trum tum. Acho que o carro tinha quebrado, mas acelerou e não era nada. Quando estava na subida, viu um gato correndo pela rua, igual ao Xingu. Mas nunca imaginou que fosse o Xingu, afinal saiu atrasada e não sabia que ele estava escondido ali. Gato é gato e tem um monte igual, afinal ele não era azul ou verde, era de cor de gato comum quando foge. Mas acho que era ele mesmo, tadinho. E ela estava longe de casa, quer dizer, ele deve ter viajado muito, sei lá se não estava todo machucado ou queimado. Ela só lembrou disso a noite, quando voltou pra casa. 
Nos dois dias seguintes, voltamos ao local, eu e Luciana. Berramos feito loucas na rua. Fomos nas pracinhas próximas, as duas chamando e miando, e nada. Passamos em frente de umas 50 casas, Xinguuuuuu, miaaaaauuu. Nada. Era muita possibilidade, como procurar uma agulha no palheiro, como diz o ditado lugar comum. Voltamos sem ele. 
Tá super triste aqui, ainda mais com esse alambrado sem sentido. A comida dele ficou uns dias lá, até que depois do ataque dos passarinhos, retiramos. Espero que ele, lindo e fofo como era, tenha conseguido conquistar outra família com sua capacidade de ser fofo e lindo. Estamos superando essa. Gato é gato, a gente se fala. É bicho, é do mundo, se vira, não teria sentido prender o coitado numa casa-prisão, a gente se fala. Mas só de pensar na possibilidade dele estar sozinho, morrendo de fome e frio, feito o patinho feio, é de doer. Ainda achamos que ele vai aparecer. Volta, Xingu. Pô.

2 comentários:

.cleozinha. disse...

nossa, franka, que triste!
espero que vcs e o xingu fiquem bem.
beijo grande,
cléo

José Maurício disse...

Oi Franka! Lembro da história do Xingu. E lembro também de uma foto da Gisele Bündche com um destes "vira-latas" nas mãos. Descobri, pois, que este "modelo" de gatos foi denominado de "Tigrado-Brasileiro" e era uma "praga" alí no Parque da Água Branca até a foto da Gisele. Depois, em New Youk, a cotação mínima era de U$18.000,00! Por isso sumiram quase todos... Well... acredito que o Xingo - a esta hora - já deve estar falando Inglês pelos bigodes!