sexta-feira, 18 de agosto de 2006

o dedo do pânico



Segundo um engenheiro que trabalha comigo e que é dono de uma firma de tecnologia da segurança, em muito pouco tempo a identificação das pessoas para acionamento de abertura de portas para controle de entrada e saída será feita, acreditem, pela pressão sanguínea de cada pessoa. Segundo ele, a identificação pela pressão é muito melhor que o uso de digitais ou íris. A digital, inclusive, não é facilmente identificada em crianças e em pessoas idosas. Já a pressão sanguínea é a mesma a vida toda, pode ser facilmente medida e cadastrada pela colocação de um dos dedos em um tubinho na entrada dos locais, e, segundo ele, não há duas pressões no mundo, por isso a importância da coisa. Teremos, então, no futuro, dedos-chave.
– Nossa, isso é incrível. A pressão? – exclamei.
- Bem, por enquanto ainda usamos as digitais – ele me disse quando chegamos na obra – Mas acredite em mim, em dois anos tudo será feito com a pressão.
Bom, durante a visita ele deu uma série de orientações para os eletricistas e para a equipe que estava fazendo a tubulação para o sistema de segurança. Disse para eles não esquecerem de colocar uma tubulação entre o botãozinho da porta (onde teremos o acionamento da entrada de humanos via 'digitais do dedo') com o quadro de força que se interliga com a central de monitoramento do prédio.
- Entenda – ele explicou - é preciso deixar uma ligação com central de segurança do prédio. Assim, caso alguém não cadastrado tente entrar no apartamento ou em caso de arrombamento teremos um aviso lá.
- Entendi.
- E avise ao dono da casa que depois ele terá que cadastrar um 'dedo de pânico'.
- 'Dedo de pânico'?
Ele explicou.
- Assim como existe o botão de pânico nos alarmes comuns, aquele botão escondido que você aciona em caso de perigo extremo, as pessoas cadastram a digital de um dos dedos das mãos como o 'dedo do pânico': se o bandido está com você e te obriga a abrir a porta, você abre com o 'dedo do pânico' e a central é avisada na hora.
- Nossa... – estranhei – Mas pensa... na hora 'h' a gente deve confundir tudo. Imagine estar com um revólver na cabeça e ter que lembrar de um dos dedos?
Foi quando ele me disse, super-super sério.
- Não, não tem erro. Sugerimos sempre para as pessoas cadastrarem como o 'dedo do pânico' o dedo do meio da mão direita. Você sabe o que significa esse dedo, é o dedo do palavrão... – e ele fez o maior gesto feio bem na minha cara - Eu sempre digo aos clientes para pensarem o quanto esse dedo, esse dedo do meio da mão de outro homem, dá pânico... É... – ele ficou olhando o dedo fixamente – Esse é o dedo no pânico mesmo. E juro, as pessoas não esquecem mais.
Hahahahahaha.
Dedo do pânico, alguém já ouviu falar disso?

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